POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A ECONOMIA CRIATIVA: UM ESTUDO BIBLIOMÉTRICO DA LITERATURA CIENTÍFICA

PUBLIC POLICIES FOR THE CREATIVE ECONOMY: A BIBLIOMETRIC STUDY OF THE SCIENTIFIC LITERATURE

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/787895587

RESUMO
A economia criativa tem adquirido espaço nas agendas de desenvolvimento econômico, social e cultural, em razão de seu potencial para estimular a inovação, a geração de emprego e renda, a valorização cultural e o desenvolvimento territorial. Nesse contexto, as políticas públicas assumem o papel estratégico na criação de condições institucionais favoráveis ao fortalecimento do setor criativo. Este estudo tem como objetivo analisar a produção científica sobre políticas públicas voltadas à economia criativa, identificando sua evolução e principais características por meio de indicadores bibliométricos. Quanto aos procedimentos metodológicos, a pesquisa possui abordagem quantitativa, de caráter bibliométrico, utilizando artigos científicos indexados nas bases Scopus e Web of Science, possuindo delimitação temporal inicial e com recorte até o ano de 2025. Após o processo de seleção e tratamento dos dados, a base final foi composta por 717 artigos, utilizando o Biblioshiny como software de suporte. Os resultados evidenciam que o primeiro trabalho sobre a temática foi publicado em 2004, com crescimento da produção científica ao longo do período e pico de 66 publicações em 2025. O periódico International Journal of Cultural Policy apresentou maior relevância na produção científica analisada. A análise temática identificou 15 clusters, com destaque para o agrupamento situado entre os basic themes, composto por indústrias criativas, políticas culturais e economia criativa. Os resultados mostram um campo em expansão e com crescente diversificação temática, caracterizado por uma agenda de pesquisa relativamente recente e em consolidação, na qual diferentes questões relacionadas à economia criativa e às políticas culturais permanecem em desenvolvimento.
Palavras-chave: Economia criativa; Políticas públicas; Bibliometria.

ABSTRACT
The creative economy has gained prominence in economic, social, and cultural development agendas due to its potential to stimulate innovation, job and income generation, cultural appreciation, and territorial development. In this context, public policies play a strategic role in creating institutional conditions favorable to strengthening the creative sector. This study aims to analyze the scientific literature on public policies directed at the creative economy, identifying its evolution and key characteristics through bibliometric indicators. Regarding methodology, the research employs a quantitative, bibliometric approach, utilizing scientific articles indexed in the Scopus and Web of Science databases, with a timeframe extending up to the year 2025. Following the data selection and processing stages, the final dataset comprised 717 articles, analyzed using Biblioshiny software. The results show that the first paper on the subject was published in 2004, with scientific output growing over the period and peaking at 66 publications in 2025. The International Journal of Cultural Policy emerged as the most significant journal within the analyzed literature. The thematic analysis reveals 15 clusters, notably the grouping situated among the basic themes, comprising creative industries, cultural policies, and the creative economy. The results indicate an expanding field with increasing thematic diversity, characterized by a relatively recent and consolidating research agenda in which various issues related to the creative economy and cultural policies continue to be developed.
Keywords: Creative economy; Public policy; Bibliometrics.

1. INTRODUÇÃO

A economia criativa corresponde ao conjunto de atividades nas quais indivíduos exercitam sua imaginação e exploram seu valor econômico, compreendendo os processos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que têm o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como principais insumos produtivos (Howkins, 2007). É através desse processo que novas ideias e invenções são comercializadas e vendidas, abrangendo todos os atos criativos em que o trabalho intelectual possa gerar valor econômico (Howkins, 2007).

Ao abordar questões relacionadas ao desenvolvimento econômico e cultural dos países, o termo “economia cultural” também pode ser utilizado para representar esse campo. O conceito está associado à aplicação da análise econômica às artes criativas e performáticas, ao patrimônio e às indústrias culturais, compreendendo dessa forma a cultura como um setor econômico que envolve as relações entre produtores, consumidores e governos (UNCTAD, 2010).

As políticas voltadas à economia criativa ampliam o escopo tradicional das políticas culturais ao incorporar as indústrias criativas e suas contribuições para o desenvolvimento econômico e social. Nesse contexto, a atuação governamental passa a envolver diferentes níveis e áreas de políticas públicas, considerando o potencial da criatividade para gerar emprego, renda e desenvolvimento (UNCTAD, 2010). A participação dessas políticas pode ter as seguintes intervenções: “alocação eficiente de recursos na economia; pleno emprego, estabilidade de preços e equilíbrio externo; e distribuição equitativa de renda e riqueza.” (UNCTAD, 2010).

Dessa forma, em seu conceito as políticas públicas constituem instrumentos de intervenção voltados à resolução de problemas coletivos, configurando-se como mecanismos de mudança social diante dos desafios enfrentados pela sociedade (Secchi, 2014). No âmbito das indústrias culturais e criativas, sua formulação deve considerar os diferentes segmentos econômicos envolvidos, bem como uma abordagem holística de desenvolvimento, contemplando as etapas de formulação, implementação e avaliação das políticas (Gómez-Reyes; Catalá-Pérez; de-Miguel-Molina, 2023). A literatura existente identifica a necessidade de novos estudos sobre a evolução das políticas públicas relacionadas às indústrias culturais e criativas, especialmente para entender suas transformações e contribuições para inovação, emprego e crescimento econômico (Gómez-Reyes; Catalá-Pérez; de-Miguel-Molina, 2023).

Ao realizarem uma revisão sistemática sobre ações governamentais direcionadas à economia criativa, os autores identificam um campo de pesquisa recente e em expansão. Os resultados destacam a necessidade de ampliar e fortalecer as políticas públicas, considerando a diversidade de atores envolvidos e a articulação com outras políticas direcionadas aos diferentes grupos e demandas que compõem o setor (Silva; Muzzio; Silveira, 2024)

Nesse sentido, torna-se relevante ampliar o conhecimento sobre como a produção científica tem se estruturado e evoluído em torno da relação entre políticas públicas e economia criativa. A realização de uma análise bibliométrica permite sistematizar essa produção. Dessa forma o presente estudo busca responder à seguinte questão de pesquisa: como se configura a literatura científica sobre políticas públicas voltadas à economia criativa?

Diante desse contexto, tem-se como objetivo analisar a produção científica sobre políticas públicas voltadas à economia criativa. Especificamente, busca-se identificar a evolução temporal das publicações; caracterizar os periódicos, autores, instituições e países de maior destaque; analisar a produtividade dos autores e a distribuição da produção científica por meio das leis de Lotka e Bradford; mapear as redes de colaboração científica; examinar a estrutura conceitual do campo por meio das análises de cocitação e coocorrência de palavras-chave; e identificar as principais tendências temáticas.

O estudo está organizado em cinco seções: introdução; referencial teórico sobre economia criativa e políticas públicas; procedimentos metodológicos; resultados e discussões; e considerações finais, contemplando contribuições, limitações e sugestões para pesquisas futuras.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. Economia Criativa

A criatividade é uma capacidade inerente aos indivíduos e pode estar presente nas diferentes sociedades, sendo utilizada tanto para fins pessoais quanto para a produção de ideias, produtos e serviços, sendo manifestada de diversas formas (Howkins, 2007). Não existe um conceito único para a criatividade, sendo ela impulsionada por vários fatores dentro de um país, de acordo com UNCTAD (2010, tradução nossa):

A criatividade artística envolve imaginação e a capacidade de gerar ideias originais e novas formas de interpretar o mundo, expressas em texto, som e imagem; a criatividade científica envolve curiosidade e a disposição para experimentar e fazer novas conexões na resolução de problemas; e a criatividade econômica é um processo dinâmico que leva à inovação em tecnologia, práticas comerciais, marketing, etc., e está intimamente ligada à obtenção de vantagens competitivas na economia.

Nessa perspectiva, a criatividade constitui um processo que envolve diferentes dimensões, incluindo aspectos tecnológicos, econômicos e culturais, conforme apresentado na Figura 1.

Figura 1. Processo de criatividade na economia

Fonte: (KEA, 2006, tradução nossa).

A discussão sobre as indústrias criativas também suscita reflexões acerca da relação entre cultura, criatividade e política pública. Nesse sentido, é necessário distinguir os conceitos de “cultural” e “criativo”, reconhecendo que a criatividade presente no setor cultural possui características próprias e não deve ser compreendida apenas como um recurso econômico ou como mais um ativo da economia do conhecimento (Galloway; Dunlop, 2007)

Nessa perspectiva, o apoio público à cultura também se justifica pelos benefícios coletivos que suas atividades proporcionam e que não são plenamente capturados pelas relações de mercado, compreender o setor cultural exclusivamente a partir de sua contribuição para a economia criativa pode obscurecer outras dimensões e finalidades da cultura que fundamentam sua relevância para as políticas públicas (Galloway; Dunlop, 2007).

A emergência das indústrias criativas esteve associada às transformações na relação entre as artes, os meios de comunicação, a criatividade aplicada e as novas tecnologias, em um contexto marcado pela globalização e pela expansão da economia baseada no conhecimento (Flew; Cunningham, 2010). Desde seu desenvolvimento inicial no Reino Unido, no final da década de 1990, o conceito passou por sucessivos processos de refinamento, envolvendo a definição das atividades que integram o setor, a construção de diferentes modelos conceituais e o desenvolvimento de formas de mensuração (Flew; Cunningham, 2010).

2.2. Políticas Públicas de Economia Criativa

A economia criativa é um campo baseado em ativos criativos e intelectuais capazes de gerar crescimento, emprego, renda, comércio e desenvolvimento, destacando seu caráter transversal e a necessidade de respostas políticas multidisciplinares. (UN Trade and Development, 2024b), dessa forma a:

[... ] A economia criativa é um conceito em evolução que impulsiona o crescimento econômico, apoia a geração de empregos e promove a inclusão social e a diversidade cultural. Ela enfatiza a integração de aspectos econômicos, culturais e sociais com a tecnologia e a propriedade intelectual (UN Trade and Development, 2024, tradução nossa).

O conceito de indústrias criativas adquiriu diferentes interpretações e aplicações em regiões como Europa, Ásia, Austrália e América do Norte, refletindo distintas prioridades de política, assumindo diferentes formatos conforme os contextos nacionais e institucionais. (Flew; Cunningham, 2010). Os autores problematizam que as indústrias criativas possuem um limite dentro das instituições culturais públicas (Flew; Cunningham, 2010). Fazendo com que haja uma relação entre cultura, economia e políticas públicas, sendo que diferentes concepções sobre o papel do Estado e das instituições culturais vão existir (Flew; Cunningham, 2010).

A agenda de políticas públicas para a economia criativa passou a incorporar desafios relacionados à digitalização, sustentabilidade, inclusão e concentração de mercados (UN Trade and Development, 2024a). Destacando a necessidade de marcos regulatórios capazes de responder às transformações tecnológicas, à propriedade intelectual, à concorrência e às desigualdades de acesso (UN Trade and Development, 2024a).

O setor abrange um conjunto diversificado na criação, produção e circulação de bens e serviços de natureza cultural e criativa, entre eles, destacam-se publicidade, arquitetura, audiovisual (cinema e televisão), livros e publicação, música, videogames e artes visuais (UN Trade and Development, 2024a). Esse cenário apresenta que as políticas públicas fazem parte de uma dimensão estratégica para o desenvolvimento, mas há aqui uma necessidade de entender como diferentes instrumentos, atores e contextos institucionais contribuem para a consolidação de uma economia inclusiva e sustentável (Silva; Muzzio; Silveira, 2024).

Nesse sentido, a análise bibliométrica permitirá mapear a evolução do conhecimento produzido, identificar os principais autores, redes de colaboração e temas emergentes, contribuindo para uma trajetória científica desse campo interdisciplinar.

3. METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza quantitativa e descritiva (Creswell, 2021). Com o uso da bibliometria, que consiste na aplicação de métodos quantitativos e estatísticos à análise da produção científica, permitindo identificar padrões, tendências e relações em determinado área do conhecimento (Öztürk; Kocaman; Kanbach, 2024).

No processo de coleta dos dados, realizada em duas bases de dados internacionais na Scopus, que apresenta ampla cobertura da literatura científica e possibilita a realização de diferentes análises bibliométricas, enquanto a Web of Science (WoS), constitui uma fonte tradicional de dados bibliográficos (Zupic; Čater, 2015). A escolha dessas duas bases justifica-se pela abrangência de sua cobertura da literatura científica, pelos critérios de indexação adotados e pela disponibilidade de dados bibliográficos estruturados para análise (Öztürk; Kocaman; Kanbach, 2024).

A estratégia de busca foi estruturada por meio dos operadores booleanos AND e OR, combinados ao uso do caractere de truncamento (*). O operador AND foi utilizado para estabelecer a interseção entre os termos relacionados, restringindo os resultados aos documentos que apresentassem os termos de interesse. O operador OR foi empregado para ampliar a busca, incluindo termos relacionados ou sinônimos. O caractere * foi utilizado para recuperar diferentes variações de uma mesma palavra.

A estratégia de busca foi construída a partir dos termos relacionados aos conceitos centrais do estudo, considerando as combinações de palavras-chave: ("creative economy" OR "creative economies" OR "creative industr*" OR "creative sector*" OR "creative ecosystem*") AND ("public polic*" OR "government polic*" OR "cultural polic*" OR "creative polic*"). O fluxograma a seguir mostra o processo da pesquisa.

Figura 2. Fluxograma da pesquisa dos artigos da análise bibliométrica

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

A busca foi realizada considerando os campos de título, resumo e palavras-chave dos documentos, sem restrição inicial de período de publicação. Posteriormente, foram aplicados critérios de filtragem, considerando-se apenas artigos científicos publicados em inglês, português ou espanhol até 2025, definido como o último ano completo do período analisado.

Na base Scopus, a busca inicial recuperou 767 documentos. Após a aplicação dos critérios de filtragem, foram mantidos 443 artigos. Na WoS, foram identificados inicialmente 762 documentos, dos quais 611 permaneceram após a aplicação dos mesmos critérios de filtragem.

Na etapa de tratamento dos dados, os arquivos provenientes das duas bases foram integrados e submetidos a procedimentos de organização e limpeza dos dados. Esse processo incluiu a identificação e remoção de artigos duplicados entre as bases, resultando na exclusão de 316 duplicados, 11 perdidos no processo de tratamento, 11 removidos por ano de publicação, em um conjunto final de 717 artigos para análise.

A análise dos dados foi realizada utilizando o pacote Bibliometrix, desenvolvido para o software R, e sua interface gráfica Biblioshiny (Aria; Cuccurullo, 2017). Os dados serão apresentados nos resultados da pesquisa. Durante o desenvolvimento da pesquisa, foram utilizadas ferramentas de inteligência artificial generativa (ChatGPT) como apoio às atividades de organização textual. Todas as informações foram revisadas criticamente pelos autores.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1. Evolução da Produção Científica

Figura 3. Produção cientifica

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

A produção científica apresenta trajetória de crescimento ao longo do período analisado, partindo de uma produção incipiente em 2004 e consolidando-se a partir de 2009. Destaca-se o crescimento entre 2016 e 2018, quando os registros passaram de 51 para 66 artigos. Após oscilações entre 2019 e 2024, observa-se nova expansão em 2025, que alcança 66 artigos, igualando o maior volume registrado na série.

4.2. Impacto Científico

Tabela 1. Documentos mais citados na literatura analisada

Artigo

Periódico

Total de citações

Citação por ano

(Galloway; Dunlop, 2007)

International Journal of Cultural Policy

304

15,20

(Banks; Hesmondhalgh, 2009)

International Journal of Cultural Policy

261

14,50

(Potts; Cunningham, 2008)

International Journal of Cultural Policy

220

11,58

(Bell; Jayne, 2010)

Journal of Rural Studies

205

12,06

(Prince, 2010)

Environ Plan A

203

11,94

(Flew; Cunningham, 2010)

The Information Society

201

11,82

(Markusen et al., 2008)

Economic Development Quarterly

200

10,53

(Prince, 2012)

Progress in Human Geography

191

12,73

(Throsby, 2008)

Cultural Trends

184

9,68

(Audretsch; Belitski, 2023)

Technovation

181

45,25

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

A análise dos documentos mostra a concentração do impacto científico em um conjunto restrito de publicações. Galloway e Dunlop (2007) apresentam o maior número de citações acumuladas (304), seguidos por Banks e Hesmondhalgh (2009), com 261 citações. Entretanto, quando considerada a média anual de citações, destaca-se Audretsch e Belitski (2023), com 45,25 citações por ano, indicando elevada repercussão recente. A comparação entre os indicadores demonstra que o número absoluto de citações favorece trabalhos mais antigos, enquanto a citação por ano permite identificar contribuições recentes com maior velocidade.

4.3. Autores

A produtividade dos autores foi analisada com base na Lei de Lotka (1926), que indica a concentração da produção científica em poucos autores (Lotka, 1926). A Tabela 2 mostra esse padrão:

Tabela 2. Distribuição da produtividade dos autores segundo a Lei de Lotka

Documentos

N. de autores

% dos autores

1

1043

88,31%

2

88

7,45%

3

23

1,95%

4

14

1,19%

5

3

0,25%

6

2

0,17%

7

2

0,17%

8

2

0,17%

9

1

0,08%

10

2

0,17%

11

1

0,08%

Total

1181

100%

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

A distribuição dos documentos segundo o número de autores mostra que o predomínio da autoria individual na literatura. Dos documentos, 1.043 (88,31%) foram publicados apenas um único autor, enquanto 88 (7,45%) apresentam dois autores e o restante possuem menos que 2% representando uma parcela residual da produção. Apenas 1 autor (0,08%) se mantem consistente no tema com 11 trabalhos.

4.4. Periódicos

A Lei de Bradford descreve sobre a concentração da produção científica em um núcleo reduzido de periódicos, seguido por zonas com maior número de periódicos e menor produtividade (Araújo, 2006). A tabela 3 a seguir apresenta a distribuição sobre as temáticas.

Tabela 3. Distribuição de zonas de Bradford

Zona

Qtd. Periódico

Qtd. Publicações

Porcentagem das publicações

Composição

Zona 1

8

239

33,33%

Periódicos com mais de 11 trabalhos

Zona 2

119

242

33,75%

Periódicos entre 10 e 1 trabalho

Zona 3

236

236

32,91%

Periódicos com 1 trabalho

Total

363

717

100%

 

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

A distribuição dos periódicos, segundo a Lei de Bradford, mostra a forte concentração da produção em um núcleo reduzido. A Zona 1 reúne apenas 8 periódicos, responsáveis por 239 (33,33%) das publicações, enquanto a Zona 2 concentra 119 periódicos e 242 (33,75%) das publicações. Já a Zona 3 reúne 236 periódicos, com 236 (32,91%) das publicações, indicando maior dispersão da produção científica.

Tabela 4. 10 periódicos mais influentes

Periódicos

Artigos

International Journal of Cultural Policy

127

Cultural Trends

28

Sustainability

18

Creative Industries Journal

17

Asian Cultural Flows: Cultural Policies, Creative Industries, And Media Consumers

13

Journal Of Arts Management Law and Society

13

Cultural Policies in East Asia: Dynamics Between The State, Arts and Creative Industries

12

City, Culture And Society

11

Media Culture \& Society

11

Media International Australia

10

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

A distribuição dos artigos por periódico evidencia forte concentração da produção no International Journal of Cultural Policy, com 127 artigos, seguido por Cultural Trends, com 28, e Sustainability, com 18. Também se destacam o Creative Industries Journal e periódicos voltados à gestão cultural, cidades, mídia e políticas culturais, indicando a natureza interdisciplinar da produção científica sobre o tema.

4.5. Instituições e Países

Os resultados da figura 3 apresenta a distribuição geográfica destacando a participação de diferentes países e instituições na consolidação do campo. A predominância de determinados países e instituições indica a existência de polos de produção científica.

Figura 4. Frequência da produção científica dos 20 países mais produtivos

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

A distribuição da produção científica por país mostra uma predominância do Reino Unido (388), seguido por Austrália (219) e China (165). Os Estados Unidos (99) e o Brasil (94) aparecem em seguida, destacando a participação brasileira entre os países com maior produção. Observa-se, portanto, uma concentração da produção principalmente em países da Europa, Oceania e Ásia. As frequências não correspondem ao número total de documentos analisados, uma vez que uma mesma publicação pode estar associada a mais de um país em razão da colaboração científica internacional entre os autores.

Tabela 5. As 10 principais instituições

Instituições

Artigos

Queensland Univ Technol

54

Univ Glasgow

48

Kings Coll London

38

Univ Melbourne

30

Univ Leeds

27

Univ Warwick

22

Monash Univ

19

Erasmus Univ

18

Univ Manchester

18

Univ South Australia

15

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

A produção científica apresenta concentração em um conjunto restrito de instituições. A Queensland University of Technology lidera com 54 artigos, seguida pela University of Glasgow (48) e pelo King’s College London (38). Destacam-se também instituições da Austrália e do Reino Unido entre as principais produtoras.

4.6. Estrutura Social

A estrutura social da produção científica foi analisada por meio das redes de colaboração identificando as relações estabelecidas entre os pesquisadores e os principais grupos de cooperação no campo.

Figura 5. Redes de coautoria

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

A análise da rede de coautoria identificou nove clusters de colaboração, evidenciando a formação de diferentes grupos de pesquisadores. O’Connor J (cluster vermelho), Oakley K (cluster verde), De B C (cluster roxo) e O’Brien D (cluster laranja) destacam-se como importantes autores na articulação entre diferentes grupos da rede.

4.7. Estrutura Conceitual

A estrutura conceitual foi analisada por meio da coocorrência de palavras-chave, permitindo identificar os principais temas e suas relações na literatura. A Figura 5 apresenta os agrupamentos temáticos identificados e as conexões entre os conceitos recorrentes no campo.

Figura 6. Coocorrência de palavras-chave

Fonte: elaboração própria (2026).

A análise da coocorrência evidencia cinco clusters temáticos. O cluster vermelho concentra temas relacionados às indústrias criativas, economia criativa, políticas culturais, inovação e governança. O cluster azul apresenta foco nas indústrias culturais e criativas e em modelos de análise. O cluster verde reúne questões relacionadas ao trabalho, direitos autorais, diversidade e desenvolvimento sustentável. O cluster roxo articula cultura, criatividade, políticas públicas, empreendedorismo e sustentabilidade. Já o cluster laranja concentra temas ligados às cidades criativas, clusters, redes, urbanização e economia cultural, evidenciando a dimensão territorial da economia criativa.

Figura 7. 25 palavras mais frequentes

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

As palavras-chave mais recorrentes mostram a predominância de temas relacionados às indústrias criativas, política cultural e economia criativa, acompanhados por inovação, cidades, cultura e políticas públicas. Também se destacam termos associados à criatividade, trabalho, governança, clusters e indústrias culturais e criativas, indicando a articulação entre dimensões econômicas, culturais, territoriais e institucionais na literatura analisada.

Figura 8. Nuvem de palavras

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

A nuvem de palavras permite visualizar a frequência e a centralidade dos principais termos identificados na literatura. Observa-se maior destaque para termos relacionados às indústrias criativas, política cultural, economia criativa, inovação, políticas públicas e desenvolvimento, reforçando os eixos temáticos predominantes no campo analisado.

4.8. Tendências Temáticas

Figura 9. Mapa temático

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

O mapa temático mostra a estrutura temática da produção científica analisada. No basic themes, foram identificados seis clusters, relacionados a i) copyright e patrimônio cultural; ii) globalização, soft power e indústria cinematográfica; iii) indústria criativa, sustentabilidade e negócios; iv) inovação, empreendedorismo e redes; v) cidades criativas; e, por fim, vi) indústrias criativas, políticas culturais e economia criativa. Esses agrupamentos representam temas centrais e recorrentes na literatura

No motor themes, destaca-se um único cluster, composto por European Union, Asia e crowdfunding, indicando uma temática desenvolvida e com elevada centralidade na rede. Os niche themes reúnem discussões mais especializadas, envolvendo mecanismos de participação e acesso, indústrias musicais, crises e infraestrutura do setor criativo, diversidade cultural, valores e europeus, além do agrupamento relacionado a indústria, filme, e política e vídeo games.

Por fim, nos Emerging/Declining themes, destaca-se políticas públicas, enquanto empreendedores, setor criativo, e marca-nação apresentam uma posição próxima, sugerindo uma possível agenda temática em desenvolvimento.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa teve como objetivo geral analisar a produção científica sobre políticas públicas e economia criativa, identificando suas principais características, evolução e estrutura temática. Tendo como seguinte questão de pesquisa: como se configura a literatura científica sobre políticas públicas voltadas à economia criativa?

Dessa forma, a literatura configura-se como um campo em expansão, no qual as políticas públicas são relacionadas a diferentes dimensões da economia criativa, incluindo as indústrias criativas, a política cultural e o desenvolvimento econômico. Considera-se, portanto, que o objetivo geral foi alcançado, uma vez que os procedimentos bibliométricos permitiram identificar a evolução e as principais características da produção científica analisada. A seguir, são apresentados os resultados relacionados aos objetivos específicos da pesquisa.

Os resultados demonstraram crescimento da produção científica, iniciando em 2004 até 2025, sendo um campo relativamente novo, com 21 anos de produção. Alcançando o seu pico de 66 trabalhos em 2025. Sobre os trabalhos mais citados, Galloway e Dunlop (2007) tem o total de 304 citações, e Audretsch e Belitski, (2023) tem 45,25 citações por ano, isso reflete que o campo se baseia em trabalhos mais antigos e que trabalhos mais recentes também conseguem um impacto na área.

A produtividades de acordo com a Lei de Lotka (1926), mostra que 1.043 autores (88,3%) tiveram participação um documento. Quanto à Lei de Bradford, a distribuição observada confirma a existência de um núcleo de periódicos especializados, composto por oito periódicos na Zona 1, com um total de 239 trabalhos.

Sobre os periódicos mais relevantes, International Journal Of Cultural Policy é o mais relevante com 127 trabalhos. Em relação aos países, Reino Unido apresentou a maior frequência de produção científica (388), seguido pela Austrália (219) e pela China (165). Entre as instituições, destacou-se a Queensland University of Technology, com 54 artigos, seguida pela University of Glasgow, com 48. A análise das redes de colaboração identificou nove clusters, destacando-se O’Connor J, no cluster vermelho, e Oakley K, no cluster verde, como os autores de maior relevância nas respectivas redes.

Sobre a análise de coocorrência apresentou cinco clusters temáticos. Sendo o maior, o cluster vermelho concentrando temas relacionados às indústrias criativas, economia criativa, políticas culturais, inovação e governança. Quanto às palavras-chave mais recorrentes, existe uma predominância de temas relacionados às indústrias criativas, política cultural e economia criativa, acompanhados por inovação, cidades, cultura e políticas públicas, como apresentado na nuvem de palavras.

Quanto ao mapa temático (Figura 9), a configuração do mapa revela um campo diversificado e ainda pouco integrado, sustentado por diferentes agendas relacionadas às indústrias criativas, economia criativa, políticas culturais, inovação e empreendedorismo. Embora a dimensão política esteja presente entre os temas básicos, a menor centralidade de políticas públicas mostra que a abordagem das ainda não ocupa posição estruturante no campo. Paralelamente, a aproximação entre empreendedorismo, setor criativo e marca-nação sugere uma frente temática em desenvolvimento.

De modo geral, os resultados demonstram que a produção científica sobre políticas públicas e economia criativa vem se consolidando, embora ainda se caracterize como um campo relativamente novo e em construção. A diversidade de temas identificados revela a natureza multidimensional e sua aproximação com questões culturais, econômicas, políticas, territoriais e de inovação.

Assim, a pesquisa contribui para a compreensão da estrutura e da evolução desse campo. Por fim, estudos futuros podem ampliar o recorte temporal, incorporar outras bases de dados e aprofundar a análise das diferentes dimensões das políticas públicas, contribuindo para compreender como essas políticas vêm sendo formuladas, implementadas e avaliadas em diferentes contextos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Mestranda em Administração e Controladoria (Universidade Federal do Ceará). Programa de Pós-Graduação em Administração e Controladoria (PPAC).  ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9663-2744. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Mestranda em Administração e Controladoria (Universidade Federal do Ceará). Programa de Pós-Graduação em Administração e Controladoria (PPAC). ORCID: https://orcid.org/0009-0002-7740-5076. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Mestrando em Administração e Controladoria (Universidade Federal do Ceará). Programa de Pós-Graduação em Administração e Controladoria (PPAC). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Mestrando em Administração Pública (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira) Programa de Mestrado Profissional em Administração Pública em Rede Nacional (PROFIAP). ORCID: https://orcid.org/0009-0004-3089-5279. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Mestranda em Administração e Controladoria (Universidade Federal do Ceará). Programa de Pós-Graduação em Administração e Controladoria (PPAC). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail