REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/787804367
RESUMO
A educação contemporânea está inserida em um cenário marcado por intensas transformações sociais, culturais, científicas e tecnológicas, que exigem novas formas de compreender o conhecimento, o ensino e a formação dos sujeitos. Nesse contexto, os sete saberes propostos por Edgar Morin apresentam importantes contribuições para a reflexão sobre uma educação capaz de enfrentar a complexidade, a fragmentação dos conhecimentos, as incertezas e as demandas humanas da sociedade atual. Este estudo teve como objetivo geral analisar os sete saberes propostos por Edgar Morin e suas contribuições para a compreensão e o enfrentamento dos desafios presentes na educação contemporânea. A realização da pesquisa justifica-se pela necessidade de ampliar as discussões sobre práticas educativas mais críticas, interdisciplinares, humanizadas e adequadas às transformações que afetam o contexto escolar. Metodologicamente, o estudo foi desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa e caráter descritivo, a partir da consulta a produções científicas disponíveis em bases e plataformas acadêmicas, utilizando descritores relacionados ao pensamento complexo, aos sete saberes, à formação docente, à interdisciplinaridade, às tecnologias digitais e à educação contemporânea. Os resultados evidenciaram que os sete saberes permanecem atuais e relevantes, especialmente por favorecerem a religação dos conhecimentos, a compreensão da condição humana, o enfrentamento das incertezas, a formação ética e a valorização do diálogo. Conclui-se que o pensamento de Edgar Morin pode contribuir significativamente para a construção de práticas pedagógicas mais integradas, reflexivas e comprometidas com a formação integral dos estudantes.
Palavras-chave: Edgar Morin; Sete saberes; Educação contemporânea.
ABSTRACT
Contemporary education is situated in a context marked by intense social, cultural, scientific, and technological transformations, which require new ways of understanding knowledge, teaching, and human development. In this context, the seven forms of knowledge proposed by Edgar Morin offer important contributions to reflections on an education capable of addressing complexity, the fragmentation of knowledge, uncertainties, and the human demands of contemporary society. This study aimed to analyze the seven forms of knowledge proposed by Edgar Morin and their contributions to understanding and addressing the challenges of contemporary education. The study is justified by the need to broaden discussions on more critical, interdisciplinary, humanized, and context-appropriate educational practices in response to the transformations affecting the school environment. Methodologically, the study was conducted through bibliographic research, with a qualitative approach and descriptive nature, based on scientific publications available in academic databases and platforms, using descriptors related to complex thinking, the seven forms of knowledge, teacher education, interdisciplinarity, digital technologies, and contemporary education. The results showed that the seven forms of knowledge remain current and relevant, especially because they promote the reconnection of knowledge, the understanding of the human condition, the ability to face uncertainties, ethical education, and the appreciation of dialogue. It is concluded that Edgar Morin’s thought can significantly contribute to the development of more integrated, reflective, and educational practices committed to the comprehensive formation of students.
Keywords: Edgar Morin; Seven forms of knowledge; Contemporary education.
1. INTRODUÇÃO
A educação contemporânea está inserida em um contexto marcado por intensas transformações sociais, culturais, científicas e tecnológicas, que influenciam diretamente a maneira como o conhecimento é produzido, compartilhado e compreendido. Nesse cenário, a escola passa a enfrentar desafios que ultrapassam a simples transmissão de conteúdos, exigindo práticas educativas capazes de desenvolver pensamento crítico, autonomia, compreensão da realidade, capacidade de adaptação e responsabilidade social. As rápidas mudanças que caracterizam a sociedade atual também evidenciam a necessidade de superar perspectivas fragmentadas do conhecimento e de promover uma formação mais ampla, capaz de relacionar diferentes dimensões da experiência humana. Nesse sentido, Behrens et al. (2024) destacam que os fundamentos do pensamento complexo oferecem importantes contribuições para a educação ao favorecerem uma compreensão mais integrada do conhecimento e da formação humana.
Entre as contribuições teóricas que possibilitam refletir sobre essas questões, destacam-se os sete saberes necessários à educação do futuro, propostos por Edgar Morin. Esses saberes abrangem as cegueiras do conhecimento, relacionadas ao erro e à ilusão; os princípios do conhecimento pertinente; o ensino da condição humana; o ensino da identidade terrena; o enfrentamento das incertezas; o ensino da compreensão; e a ética do gênero humano. Tais princípios apresentam uma concepção educacional que valoriza a articulação entre conhecimentos, a compreensão do ser humano em sua multidimensionalidade e o desenvolvimento de uma consciência comprometida com as relações sociais e planetárias. Luppi et al. (2022) ressaltam que os saberes vinculados à complexidade permitem pensar práticas pedagógicas menos fragmentadas e mais abertas à contextualização e à integração entre diferentes dimensões do conhecimento.
A escolha do tema justifica-se pela atualidade das questões discutidas por Morin e pela necessidade de compreender como seus pressupostos podem contribuir para o enfrentamento de problemas que permanecem presentes nos sistemas educacionais. A fragmentação curricular, as dificuldades relacionadas à formação docente, as desigualdades de acesso aos recursos tecnológicos, as mudanças nas formas de ensinar e aprender e a necessidade de fortalecer valores relacionados à ética, ao diálogo e à convivência constituem algumas das demandas da educação atual. Alves et al. (2021) observam que a religação dos saberes representa uma importante possibilidade de superação de concepções excessivamente compartimentalizadas do conhecimento, contribuindo para uma leitura mais contextualizada e abrangente da realidade.
Além disso, as tecnologias digitais intensificaram a circulação de informações e alteraram significativamente as relações entre os sujeitos e o conhecimento. Esse processo trouxe novas possibilidades pedagógicas, mas também ampliou a necessidade de desenvolver capacidades de seleção, interpretação e avaliação crítica das informações disponíveis. Santos et al. (2021) argumentam que a apropriação pedagógica das tecnologias precisa ser compreendida de forma articulada às dimensões pedagógicas e contextuais da prática docente. Dessa maneira, a proposta dos sete saberes mostra-se pertinente para refletir sobre uma educação que prepare os sujeitos não apenas para acessar informações, mas também para compreender sua complexidade e utilizá-las de maneira crítica e responsável.
Diante dessa realidade, o presente estudo apresenta como problema de pesquisa a seguinte questão: de que maneira os sete saberes propostos por Edgar Morin podem contribuir para a compreensão e o enfrentamento dos principais desafios da educação contemporânea? A formulação desse problema parte do entendimento de que os desafios educacionais atuais não podem ser analisados isoladamente, pois envolvem aspectos pedagógicos, tecnológicos, sociais, culturais e humanos que se relacionam entre si. Luppi et al. (2021) destacam que o pensamento complexo permite interpretar os fenômenos educacionais considerando suas múltiplas relações, evitando explicações simplificadoras para problemas de natureza multidimensional.
O objetivo geral do estudo consiste em analisar os sete saberes propostos por Edgar Morin e suas contribuições para a compreensão e o enfrentamento dos desafios presentes na educação contemporânea. Para alcançar essa finalidade, foram estabelecidos três objetivos específicos: compreender os fundamentos dos sete saberes necessários à educação do futuro, conforme propostos por Edgar Morin; identificar os principais desafios enfrentados pela educação contemporânea diante das transformações sociais, culturais, científicas e tecnológicas; e discutir de que maneira os sete saberes podem contribuir para práticas educativas mais críticas, humanizadas, interdisciplinares e adequadas às demandas da sociedade contemporânea.
Quanto aos procedimentos metodológicos, o estudo foi desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa e caráter descritivo. Assim, o desenvolvimento desta pesquisa mostra-se relevante tanto no campo acadêmico quanto educacional, uma vez que possibilita ampliar a compreensão acerca das contribuições do pensamento complexo para os desafios enfrentados pela educação na atualidade.
A reflexão sobre os sete saberes permite discutir possibilidades de construção de práticas educativas que integrem conhecimento, ética, interdisciplinaridade, compreensão humana, responsabilidade coletiva e capacidade de enfrentar incertezas. Silva et al. (2022) ressaltam que uma educação voltada à complexidade e ao diálogo contribui para reconhecer os sujeitos em suas diferentes dimensões e fortalecer práticas comprometidas com a humanização. Dessa forma, espera-se que este estudo contribua para as discussões acerca de uma educação mais crítica, contextualizada e preparada para responder às transformações e necessidades da sociedade contemporânea.
2. REVISÃO DE LITERATURA
A revisão de literatura deste estudo apresenta os fundamentos teóricos necessários para compreender os sete saberes propostos por Edgar Morin e sua relação com os desafios da educação contemporânea. A discussão parte da compreensão do pensamento complexo como possibilidade de superação da fragmentação do conhecimento, articulando questões relacionadas à formação humana, à interdisciplinaridade, às transformações sociais e tecnológicas e às práticas pedagógicas atuais. Nesse sentido, esta seção está organizada de modo a abordar, inicialmente, os sete saberes necessários à educação do futuro, em seguida, os principais desafios enfrentados pela educação contemporânea e, por fim, as contribuições do pensamento complexo para a construção de práticas educativas mais críticas, integradas e humanizadas.
2.1. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro na Perspectiva de Edgar Morin
A educação contemporânea demanda uma compreensão mais ampla do conhecimento, sobretudo diante de uma realidade marcada pela multiplicidade de informações, pelas transformações sociais e pela necessidade de formação de sujeitos capazes de interpretar criticamente o mundo. Nesse contexto, a proposta dos sete saberes necessários à educação do futuro apresenta-se como uma referência importante para repensar os processos educativos. Segundo Behrens et al. (2024), os pressupostos de Edgar Morin contribuem para uma concepção educacional que supera a fragmentação do conhecimento e valoriza uma formação fundamentada na complexidade, na reflexão e na integração entre diferentes dimensões humanas.
O primeiro saber apresentado por Morin refere-se às cegueiras do conhecimento, especialmente ao erro e à ilusão. Esse princípio reconhece que todo conhecimento está sujeito a interpretações, limitações e equívocos, razão pela qual a educação deve estimular o questionamento e a postura crítica dos estudantes. De acordo com Luppi et al. (2022), uma prática pedagógica fundamentada na complexidade precisa ensinar o estudante a reconhecer que o conhecimento não é acabado nem absoluto, mas construído historicamente e sujeito a revisões. Dessa forma, a escola deve favorecer o desenvolvimento da capacidade de analisar, confrontar informações e reconhecer diferentes perspectivas sobre um mesmo fenômeno.
O segundo saber está associado aos princípios do conhecimento pertinente e defende a necessidade de compreender os fenômenos em seus contextos e relações. A excessiva fragmentação disciplinar pode dificultar a percepção das relações entre os diferentes elementos de uma determinada realidade. Alves et al. (2021) afirmam que a religação dos saberes constitui uma das principais contribuições do pensamento complexo para a educação, pois permite compreender que as partes não podem ser analisadas de maneira completamente separada do todo. Dessa maneira, a organização pedagógica precisa estimular relações entre conteúdos, áreas do conhecimento e situações concretas vivenciadas pelos estudantes.
Ensinar a condição humana corresponde ao terceiro saber e envolve compreender o indivíduo como um ser simultaneamente biológico, psicológico, social, histórico e cultural. Essa concepção amplia a função da educação ao considerar que formar sujeitos não significa apenas transmitir conhecimentos acadêmicos, mas também contribuir para a compreensão de si, do outro e das relações sociais. Silva et al. (2022) destacam que uma educação humanizadora deve reconhecer a complexidade dos sujeitos e valorizar o diálogo como elemento fundamental da aprendizagem. Assim, compreender a condição humana implica respeitar diferenças, desenvolver empatia e reconhecer a diversidade presente na sociedade.
O quarto saber, denominado ensinar a identidade terrena, ressalta que os seres humanos compartilham um mesmo planeta e estão envolvidos em relações de interdependência. Tal perspectiva mostra-se especialmente relevante diante de problemas ambientais, sociais e econômicos que extrapolam fronteiras nacionais. Para Behrens et al. (2024), os saberes propostos por Morin favorecem uma visão educacional comprometida com a responsabilidade planetária e com a compreensão das relações entre indivíduo, sociedade e natureza. A educação pode, portanto, colaborar com a construção de uma consciência que valorize sustentabilidade, solidariedade e responsabilidade coletiva.
O quinto saber está relacionado ao enfrentamento das incertezas. A sociedade contemporânea caracteriza-se por transformações rápidas e por situações que não podem ser totalmente previstas. Nesse cenário, torna-se fundamental preparar os estudantes não apenas para reproduzir respostas, mas também para agir diante do inesperado. Luppi et al. (2021) argumentam que o pensamento complexo possibilita compreender a educação como um processo aberto às mudanças e às incertezas, exigindo flexibilidade e capacidade de reorganização. Preparar para a incerteza significa, portanto, formar sujeitos capazes de avaliar situações, tomar decisões e desenvolver novas estratégias diante de problemas inéditos.
Os dois últimos saberes dizem respeito ao ensino da compreensão e à ética do gênero humano. Ambos reforçam a importância do diálogo, da solidariedade, da convivência democrática e do respeito às diferenças. Silva et al. (2022) defendem que uma prática educativa pautada na compreensão deve considerar a alteridade e a construção coletiva do conhecimento. Desse modo, os sete saberes não se restringem aos conteúdos curriculares, mas oferecem princípios para uma educação comprometida com o pensamento crítico, a ética, a cidadania e a formação integral dos indivíduos.
2.2. Os Principais Desafios da Educação Contemporânea Diante das Transformações Sociais e Tecnológicas
A educação contemporânea encontra-se inserida em uma sociedade marcada por profundas transformações sociais, culturais, científicas e tecnológicas. A velocidade das mudanças e a intensa circulação de informações modificaram as formas de comunicação, aprendizagem e produção de conhecimento. Nesse contexto, a escola precisa rever práticas tradicionais baseadas exclusivamente na transmissão de conteúdos e desenvolver estratégias que favoreçam interpretação, criticidade e autonomia. Aureliano et al. (2023) destacam que as tecnologias digitais têm provocado mudanças significativas no cotidiano educacional, tornando necessária a reorganização das práticas pedagógicas e dos processos formativos dos professores.
Um dos principais desafios está relacionado à incorporação das tecnologias digitais de maneira efetivamente pedagógica. A presença de computadores, plataformas e dispositivos móveis não garante, por si só, inovação educacional. É necessário que esses recursos estejam articulados a objetivos educacionais claros e a práticas que favoreçam a aprendizagem. Kleemann et al. (2025) identificam que dificuldades de infraestrutura, acesso à internet, disponibilidade de equipamentos e formação dos professores continuam interferindo diretamente no uso das tecnologias na educação básica. Assim, a integração tecnológica exige tanto investimentos materiais quanto formação profissional adequada.
Outro aspecto importante refere-se à formação docente. As constantes transformações sociais e tecnológicas exigem do professor conhecimentos que ultrapassam o domínio dos conteúdos específicos de sua área. É necessário desenvolver competências relacionadas ao uso crítico de tecnologias, às metodologias de ensino, à avaliação e à capacidade de trabalhar com diferentes perfis de estudantes. Santos et al. (2021) observam que a formação continuada precisa ser compreendida sob uma perspectiva complexa, relacionando conhecimentos tecnológicos, pedagógicos e contextuais. Nesse sentido, o professor deve ter oportunidades permanentes de reflexão e atualização.
As desigualdades de acesso às tecnologias também constituem um desafio relevante. Embora os recursos digitais tenham ampliado possibilidades de aprendizagem, estudantes encontram condições muito distintas de acesso à internet, equipamentos e ambientes adequados ao estudo. Aureliano et al. (2023) ressaltam que a utilização de tecnologias educacionais deve considerar as condições sociais e estruturais dos sujeitos envolvidos. Caso contrário, ferramentas que poderiam ampliar oportunidades podem acabar reproduzindo ou aprofundando desigualdades já existentes no sistema educacional.
A fragmentação do currículo representa outro obstáculo à formação adequada às demandas contemporâneas. Muitos dos problemas sociais atuais, como mudanças climáticas, desigualdades, intolerância, saúde coletiva e transformações tecnológicas, não podem ser explicados de forma satisfatória a partir de uma única disciplina. Guedes et al. (2022) destacam que a interdisciplinaridade pode favorecer a integração entre conhecimentos e ampliar a compreensão dos estudantes sobre fenômenos complexos. Para que isso ocorra, contudo, são necessários planejamento coletivo, diálogo entre professores e reorganização das práticas curriculares.
A participação ativa dos estudantes também se apresenta como uma necessidade da educação contemporânea. Modelos baseados apenas em aulas expositivas e memorização tendem a limitar o protagonismo discente e a construção de aprendizagens significativas. Ferrarini et al. (2022) indicam que metodologias ativas e formas diversificadas de avaliação podem contribuir para ampliar a participação dos estudantes no processo de aprendizagem. Dessa forma, ensinar passa a envolver criação de situações que estimulem investigação, resolução de problemas, produção de conhecimentos e reflexão sobre o próprio percurso formativo.
Além dos desafios tecnológicos e curriculares, a educação precisa lidar com questões relacionadas à convivência, diversidade, ética e compreensão das diferenças. A sociedade contemporânea apresenta contextos culturais diversos e relações cada vez mais complexas, exigindo que a escola também seja um espaço de formação para o respeito e a convivência democrática. Silva et al. (2022) defendem que a educação precisa valorizar o diálogo e a compreensão humana, aproximando a formação escolar das necessidades concretas da vida social. Dessa maneira, os desafios atuais reforçam a pertinência do pensamento complexo como possibilidade de compreensão e enfrentamento das múltiplas demandas educacionais.
2.3. As Contribuições do Pensamento Complexo de Edgar Morin para a Prática Educativa Contemporânea
O pensamento complexo de Edgar Morin oferece importantes contribuições para a prática educativa contemporânea por propor uma compreensão do conhecimento baseada na integração e na articulação entre diferentes dimensões da realidade. A educação tradicional frequentemente separou disciplinas, conteúdos e fenômenos, dificultando uma percepção mais abrangente dos problemas humanos e sociais. Alves et al. (2021) ressaltam que a complexidade busca religar conhecimentos que foram historicamente fragmentados, permitindo compreender relações, contextos e interdependências. Essa concepção pode contribuir diretamente para a construção de práticas pedagógicas mais contextualizadas.
Na perspectiva complexa, o professor deixa de ser compreendido apenas como transmissor de informações e passa a atuar como mediador do processo de aprendizagem. Essa mudança implica criar situações em que os estudantes possam investigar, questionar, relacionar conteúdos e construir interpretações próprias. Luppi et al. (2021) defendem que uma formação docente orientada pelo pensamento complexo favorece a reflexão sobre a prática e a compreensão das múltiplas relações envolvidas no cotidiano escolar. O professor passa, assim, a reconhecer que o processo educativo não pode ser reduzido a métodos rígidos ou respostas previamente estabelecidas.
A interdisciplinaridade constitui uma das formas mais significativas de aproximação entre pensamento complexo e prática pedagógica. Em vez de abordar os conteúdos de maneira isolada, a escola pode criar experiências que estabeleçam relações entre diferentes áreas do conhecimento. Guedes et al. (2022) ressaltam que práticas interdisciplinares possibilitam ampliar a compreensão dos fenômenos e promover articulação entre saberes. Dessa forma, projetos, situações-problema e temas integradores podem favorecer uma aprendizagem que se aproxima da complexidade existente na realidade social.
O pensamento complexo também oferece contribuições para o uso das tecnologias digitais em contexto educacional. A incorporação desses recursos não deve ser compreendida de maneira isolada ou meramente técnica. Santos et al. (2021) afirmam que a formação para o uso das tecnologias precisa relacionar conhecimentos pedagógicos, tecnológicos e contextuais. A escolha de uma ferramenta digital deve considerar seus objetivos, as condições dos estudantes e as possibilidades de interação e produção de conhecimento. Essa visão evita a adoção de tecnologias apenas por seu caráter inovador e direciona sua utilização para finalidades efetivamente educativas.
Outro aspecto relevante do pensamento complexo está na valorização da autonomia e da participação discente. A aprendizagem torna-se mais significativa quando o estudante deixa de assumir uma posição exclusivamente receptiva e passa a participar das decisões, questionamentos e produções realizadas no ambiente educacional. Ferrarini et al. (2022) mostram que metodologias que estimulam maior participação podem favorecer autonomia, colaboração e acompanhamento mais amplo da aprendizagem. Nesse cenário, o erro também passa a ser compreendido como parte do processo de construção do conhecimento, e não apenas como resultado negativo a ser punido.
A perspectiva da complexidade ainda contribui para uma educação mais humanizada. Reconhecer o estudante como sujeito multidimensional implica considerar fatores cognitivos, afetivos, culturais e sociais presentes no processo de aprendizagem. Silva et al. (2022) aproximam o pensamento complexo de uma perspectiva dialógica de educação ao destacarem a importância da compreensão, do reconhecimento do outro e das relações humanas. A escola, dessa forma, assume também a responsabilidade de promover valores relacionados à solidariedade, respeito, ética e convivência com a diversidade.
Por fim, os sete saberes de Morin podem contribuir para práticas educativas que preparem os indivíduos para lidar com mudanças e incertezas características da sociedade atual. Behrens et al. (2024) enfatizam que tais saberes oferecem fundamentos epistemológicos relevantes à formação docente e à construção de novas formas de compreender o ensino. Ao trabalhar a incerteza, a condição humana, a identidade terrena, a compreensão e a ética, a educação amplia sua finalidade para além da aquisição de conteúdos escolares, favorecendo a formação integral dos sujeitos.
Assim, o pensamento complexo possibilita compreender que os desafios da educação contemporânea não apresentam soluções únicas ou isoladas. Eles envolvem currículo, formação docente, tecnologias, relações humanas, condições sociais e concepções de conhecimento que se encontram permanentemente interligadas. Luppi et al. (2022) ressaltam que a complexidade permite desenvolver práticas pedagógicas abertas à reflexão e à reconstrução, considerando o caráter multidimensional do processo educativo. Nesse sentido, os sete saberes constituem uma referência significativa para uma educação crítica, interdisciplinar, ética e preparada para os desafios do presente e do futuro.
3. METODOLOGIA
O presente estudo foi desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa e caráter descritivo, tendo como finalidade analisar as contribuições dos sete saberes de Edgar Morin para a compreensão dos desafios da educação contemporânea. A pesquisa bibliográfica possibilita reunir, selecionar, analisar e interpretar produções acadêmicas já publicadas sobre determinado objeto de estudo, permitindo a construção de uma fundamentação teórica consistente. De acordo com Sousa et al. (2021), a pesquisa bibliográfica constitui um procedimento relevante para a investigação científica, pois permite ao pesquisador aproximar-se do conhecimento já produzido, identificar diferentes perspectivas teóricas e construir uma análise fundamentada sobre o fenômeno estudado.
Para a realização das buscas, foram utilizados descritores diretamente relacionados ao tema da pesquisa, entre eles: “Edgar Morin”, “sete saberes”, “pensamento complexo”, “educação contemporânea”, “complexidade e educação”, “formação docente”, “interdisciplinaridade”, “tecnologias digitais e educação” e “desafios da educação contemporânea”. Os termos foram utilizados de forma isolada e combinada, com o objetivo de ampliar a localização de estudos relacionados à temática. Também foram empregadas combinações como “Edgar Morin AND educação”, “pensamento complexo AND formação docente”, “sete saberes AND educação contemporânea” e “tecnologias digitais AND educação”, favorecendo maior precisão na recuperação das publicações.
As buscas foram realizadas em plataformas e bases acadêmicas reconhecidas pela divulgação de produções científicas, com destaque para Google Acadêmico, SciELO, Portal de Periódicos CAPES, Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e repositórios institucionais de universidades brasileiras. A utilização de diferentes plataformas buscou ampliar a abrangência da pesquisa e evitar que a análise ficasse restrita a uma única fonte de informação. Foram priorizadas publicações acadêmicas relacionadas diretamente aos sete saberes de Edgar Morin, ao pensamento complexo e aos principais desafios educacionais contemporâneos, especialmente aqueles ligados à formação docente, interdisciplinaridade, uso das tecnologias digitais, construção do conhecimento e formação humana.
Como critérios de inclusão, foram selecionados estudos disponíveis integralmente, publicados em língua portuguesa, com prioridade para produções brasileiras e publicações recentes, especialmente entre 2021 e 2026. Também foram incluídas produções anteriores consideradas fundamentais para a compreensão teórica do pensamento de Edgar Morin, quando necessárias à contextualização do tema. Foram considerados elegíveis estudos que abordassem diretamente pelo menos um dos seguintes eixos: os sete saberes necessários à educação do futuro, pensamento complexo, formação docente, interdisciplinaridade, desafios da educação contemporânea, tecnologias educacionais, práticas pedagógicas e formação integral do estudante. Além disso, foram priorizados estudos publicados em periódicos científicos, livros, capítulos de livros, dissertações e teses com procedência acadêmica identificável.
Em relação aos critérios de exclusão, foram descartadas publicações que não apresentavam relação direta com o problema e os objetivos da pesquisa, textos duplicados encontrados em mais de uma base de dados, materiais sem autoria ou procedência acadêmica identificável, conteúdos meramente opinativos e estudos cujo texto completo não estivesse disponível para consulta. Também foram excluídas produções que mencionavam Edgar Morin apenas de maneira superficial, sem estabelecer relação efetiva com a educação, com os sete saberes ou com o pensamento complexo. Esse processo permitiu selecionar materiais mais coerentes com a proposta do estudo e reduzir a inclusão de fontes pouco relevantes para a análise.
Após o levantamento das publicações, realizou-se uma leitura inicial dos títulos, resumos e palavras-chave para verificar sua relação com o objeto de investigação. Em seguida, os materiais considerados pertinentes foram submetidos à leitura integral e organizados de acordo com os principais eixos temáticos identificados. A análise concentrou-se em três dimensões: os fundamentos dos sete saberes propostos por Edgar Morin, os desafios enfrentados pela educação contemporânea e as possíveis contribuições do pensamento complexo para as práticas educativas atuais. A partir dessa organização, buscou-se estabelecer aproximações entre os autores selecionados, identificar convergências teóricas e construir uma discussão articulada com o problema e os objetivos definidos para o estudo.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise das produções selecionadas permitiu identificar que os sete saberes propostos por Edgar Morin permanecem pertinentes para a compreensão dos principais desafios enfrentados pela educação contemporânea. Os resultados apontaram que as discussões encontradas na literatura se concentram, principalmente, em cinco eixos: superação da fragmentação do conhecimento, formação docente, interdisciplinaridade, uso crítico das tecnologias digitais e formação humana voltada à ética e à compreensão. Nesse sentido, verificou-se que o pensamento complexo oferece uma base teórica capaz de articular diferentes dimensões do processo educativo, favorecendo práticas menos fragmentadas e mais relacionadas às necessidades sociais atuais. Luppi et al. (2022) reforçam essa compreensão ao destacarem que os saberes da complexidade contribuem para práticas pedagógicas que consideram os fenômenos educacionais de forma integrada e contextualizada.
Um dos resultados mais recorrentes refere-se à necessidade de superar a fragmentação do conhecimento. Os estudos analisados indicam que a organização excessivamente disciplinar pode dificultar a compreensão de problemas contemporâneos que envolvem simultaneamente aspectos sociais, ambientais, culturais, científicos e tecnológicos. Alves et al. (2021) destacam que a religação dos saberes constitui um elemento essencial do pensamento complexo, uma vez que permite estabelecer conexões entre conhecimentos tradicionalmente separados. Esse resultado dialoga diretamente com o segundo saber proposto por Morin, relacionado ao conhecimento pertinente, pois evidencia a importância de contextualizar as informações e compreender as relações existentes entre as partes e o todo.
Outro achado relevante está relacionado à formação docente. A pesquisa mostrou que a transformação das práticas pedagógicas depende, em grande medida, da capacidade dos professores de compreenderem a complexidade do processo educativo e de desenvolverem estratégias adequadas às mudanças sociais e tecnológicas. Luppi et al. (2021) apontam que a formação orientada pelo pensamento complexo favorece a reflexão sobre a prática e permite que o professor reconheça as diferentes dimensões presentes no cotidiano escolar. Dessa forma, a formação continuada emerge como uma necessidade permanente, especialmente porque os desafios educacionais atuais não podem ser enfrentados apenas com conhecimentos técnicos ou metodológicos isolados.
Os estudos também evidenciaram que as tecnologias digitais representam simultaneamente possibilidades e desafios para a educação. Embora ampliem o acesso à informação, diversifiquem recursos pedagógicos e possibilitem novas formas de interação, sua utilização exige planejamento e formação adequada. Santos et al. (2021) demonstram que a apropriação pedagógica das tecnologias deve estar relacionada a uma compreensão complexa da prática docente, envolvendo conhecimentos tecnológicos, pedagógicos e contextuais. De maneira semelhante, Kleemann et al. (2025) apontam que infraestrutura insuficiente, dificuldades de acesso e ausência de formação adequada ainda constituem limitações importantes para uma integração efetiva das tecnologias ao processo de ensino e aprendizagem.
A análise revelou ainda que a simples presença da tecnologia não é suficiente para produzir inovação pedagógica. Aureliano et al. (2023) ressaltam que recursos digitais precisam ser utilizados com intencionalidade educativa e articulados às necessidades concretas dos estudantes. Esse resultado pode ser relacionado ao primeiro saber de Morin, que trata dos erros e das ilusões do conhecimento, pois o grande volume de informações disponível nos meios digitais exige capacidade crítica para selecionar, interpretar e avaliar conteúdos. Assim, a educação contemporânea precisa preparar os estudantes não apenas para acessar informações, mas para compreender sua origem, validade, finalidade e possíveis consequências.
Tabela 1. Síntese dos principais resultados encontrados na pesquisa
Eixo analisado | Principais resultados encontrados | Autores relacionados |
Fragmentação do conhecimento | Necessidade de integrar diferentes áreas e contextualizar os conteúdos para compreender fenômenos complexos. | Alves et al. (2021); Luppi et al. (2022) |
Formação docente | A formação continuada e reflexiva é essencial para lidar com transformações pedagógicas, sociais e tecnológicas. | Luppi et al. (2021); Behrens et al. (2024) |
Interdisciplinaridade | O diálogo entre áreas favorece aprendizagens contextualizadas e uma compreensão mais ampla da realidade. | Guedes et al. (2022) |
Tecnologias digitais | As tecnologias ampliam possibilidades educativas, mas exigem infraestrutura, acesso e preparação docente. | Santos et al. (2021); Aureliano et al. (2023); Kleemann et al. (2025) |
Autonomia e protagonismo | Estratégias participativas podem favorecer autonomia, investigação e construção ativa da aprendizagem. | Ferrarini et al. (2022) |
Formação humana e ética | A educação precisa promover compreensão, diálogo, respeito à diversidade, solidariedade e responsabilidade coletiva. | Silva et al. (2022); Behrens et al. (2024) |
Enfrentamento das incertezas | A escola deve preparar os estudantes para mudanças, situações inesperadas e problemas sem respostas previamente definidas. | Luppi et al. (2021); Luppi et al. (2022) |
Fonte: Elaborada com base nos estudos analisados (2026).
Outro resultado identificado diz respeito à importância da interdisciplinaridade. Os estudos demonstram que problemas contemporâneos dificilmente podem ser explicados por uma única área do conhecimento, o que exige maior aproximação entre disciplinas e práticas pedagógicas integradoras. Guedes et al. (2022) mostram que a interdisciplinaridade pode ampliar a compreensão dos conteúdos ao estabelecer relações entre diferentes campos do saber. Esse achado reforça a proposta de Morin de superar formas compartimentalizadas de conhecimento, valorizando uma educação capaz de conectar informações e favorecer uma leitura mais abrangente da realidade.
Também se observou a valorização crescente da autonomia e do protagonismo dos estudantes. Ferrarini et al. (2022) evidenciam que metodologias que ampliam a participação discente podem favorecer processos de aprendizagem mais ativos, reflexivos e colaborativos. Esse resultado demonstra uma mudança importante em relação às práticas pedagógicas centradas exclusivamente no professor. Sob a perspectiva do pensamento complexo, o estudante passa a ser reconhecido como sujeito participante da construção do conhecimento, capaz de formular hipóteses, realizar escolhas, estabelecer relações entre saberes e aprender a partir da análise dos próprios erros.
A formação humana apareceu igualmente como uma dimensão central nos estudos analisados. Os resultados indicam que a educação contemporânea não pode limitar-se à preparação acadêmica ou profissional, pois também precisa favorecer atitudes relacionadas ao respeito, à ética, à solidariedade e à convivência com as diferenças. Silva et al. (2022) destacam a aproximação entre complexidade, diálogo e humanização, demonstrando que a compreensão do outro constitui aspecto fundamental de uma educação comprometida com relações sociais mais democráticas. Esse achado apresenta relação direta com o sexto e o sétimo saberes de Morin, voltados ao ensino da compreensão e à ética do gênero humano.
Outro aspecto encontrado foi a necessidade de preparar os estudantes para situações de incerteza. Transformações tecnológicas, mudanças ambientais, crises sociais e novas formas de organização do trabalho demonstram que a sociedade se encontra em permanente transformação. Luppi et al. (2021) defendem que uma perspectiva complexa permite compreender o processo educativo como aberto ao inesperado e às mudanças. Dessa maneira, o papel da escola não deve ser apenas oferecer respostas prontas, mas desenvolver capacidades de análise, adaptação, tomada de decisão e resolução de problemas diante de circunstâncias novas.
Os achados também permitem identificar uma relação significativa entre os sete saberes e as demandas da educação atual. Behrens et al. (2024) ressaltam que os princípios de Morin apresentam fundamentos relevantes para a formação docente e para a construção de perspectivas educacionais menos fragmentadas. Ao discutir o erro, o conhecimento pertinente, a condição humana, a identidade terrena, a incerteza, a compreensão e a ética, os sete saberes abrangem dimensões que continuam presentes nos debates educacionais contemporâneos. Dessa forma, os resultados indicam que essas proposições não devem ser entendidas apenas como uma reflexão teórica sobre o futuro, mas como princípios aplicáveis à análise dos problemas educacionais atuais.
Em síntese, os resultados demonstraram que os principais desafios da educação contemporânea apresentam caráter interdependente. Formação docente, tecnologias, currículo, interdisciplinaridade, participação dos estudantes e formação ética não constituem problemas isolados, mas dimensões que se relacionam continuamente. Luppi et al. (2022) ressaltam que o pensamento complexo permite compreender justamente essas articulações e evitar interpretações simplificadoras da realidade educacional. Assim, a pesquisa evidencia que os sete saberes de Edgar Morin oferecem contribuições relevantes para repensar a escola, o conhecimento e as práticas pedagógicas, favorecendo uma educação mais crítica, contextualizada, interdisciplinar e humanizada.
5. CONCLUSÃO
O desenvolvimento deste estudo possibilitou compreender a relevância dos sete saberes propostos por Edgar Morin para a reflexão sobre os desafios presentes na educação contemporânea. A análise realizada demonstrou que questões como fragmentação do conhecimento, formação docente, uso das tecnologias digitais, interdisciplinaridade, participação dos estudantes, ética e enfrentamento das incertezas permanecem centrais no cenário educacional atual. Nesse sentido, o pensamento complexo apresenta contribuições importantes por propor uma compreensão integrada da realidade e por defender uma educação que ultrapasse a simples transmissão de conteúdos, valorizando a formação crítica, humana e social dos sujeitos.
O objetivo geral, que consistiu em analisar os sete saberes propostos por Edgar Morin e suas contribuições para a compreensão e o enfrentamento dos desafios presentes na educação contemporânea, foi atendido ao longo da pesquisa. Foi possível identificar que esses saberes oferecem fundamentos relevantes para repensar práticas pedagógicas, formas de organização curricular e processos de formação docente. A análise mostrou que os princípios relacionados ao conhecimento pertinente, à condição humana, à identidade terrena, ao enfrentamento das incertezas, à compreensão e à ética podem contribuir para uma educação mais articulada com as demandas sociais, culturais e tecnológicas da atualidade.
Os objetivos específicos também foram alcançados. O primeiro objetivo permitiu compreender os fundamentos dos sete saberes e sua relação com uma educação voltada à complexidade. O segundo possibilitou identificar desafios como desigualdade de acesso às tecnologias, necessidade de formação continuada dos professores, fragmentação curricular e dificuldades relacionadas à construção da autonomia dos estudantes. Já o terceiro objetivo permitiu discutir como o pensamento de Morin pode contribuir para práticas educativas mais críticas, interdisciplinares, humanizadas e contextualizadas. Dessa forma, o estudo evidenciou que os sete saberes não constituem apenas uma proposta teórica, mas podem orientar reflexões e práticas voltadas à melhoria dos processos educativos.
Conclui-se, portanto, que enfrentar os desafios da educação contemporânea exige superar perspectivas reducionistas e reconhecer a complexidade presente nas relações entre conhecimento, sujeitos, sociedade, cultura e tecnologia. A escola precisa contribuir para a formação de indivíduos capazes de interpretar informações, estabelecer relações entre diferentes saberes, conviver com a diversidade e tomar decisões responsáveis diante de situações de incerteza. Sob essa perspectiva, as contribuições de Edgar Morin permanecem atuais e podem auxiliar professores, gestores e demais profissionais da educação na construção de experiências pedagógicas mais integradoras e significativas.
Para futuras pesquisas, sugere-se ampliar a investigação por meio de estudos de campo em escolas públicas e privadas, envolvendo professores, gestores e estudantes, com o objetivo de identificar como os sete saberes podem ser incorporados concretamente às práticas pedagógicas. Recomenda-se também investigar experiências interdisciplinares fundamentadas no pensamento complexo, analisar sua relação com o uso de tecnologias digitais e avaliar possíveis contribuições para a formação inicial e continuada de professores. Estudos comparativos entre diferentes etapas e modalidades de ensino também poderão ampliar a compreensão acerca das possibilidades e limitações da aplicação dos sete saberes na realidade educacional contemporânea.
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1 Mestra em educação - EBWU. Universidade de Emill Brunner. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Orientador Doutor. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail