REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/777602684
RESUMO
Diante do desafio de ensinar Filosofia a estudantes de Ensino Médio em um contexto nacional no qual as pessoas, logo essa parcela da população, também leem pouco o presente artigo procura explorar a oratória como instrumento nesse processo. A pesquisa investiga a capacidade da oratória de transmitir ideias filosóficas de maneira eficaz, promovendo um ensino mais acessível e significativo. Nosso objetivo principal é identificar forma de engajar os estudos na disciplina sem cair no senso comum. Adota-se aqui a revisão bibliográfica como metodologia principal, explorando o campo de possibilidades teóricas da associação entre oratória e ensino de Filosofia. Resultados aponta para a capacidade desta ferramenta em traduzir saberes alcançando o cotidiano dos estudantes.
Palavras-chave: Oratória; Ensino de Filosofia; Ensino Médio; Desenvolvimento de habilidades; Comunicação eficaz.
ABSTRACT
Faced with the challenge of teaching Philosophy to high school students in a national context where people, and therefore this segment of the population, also read little, this article seeks to explore oratory as an instrument in this process. The research investigates the capacity of oratory to transmit philosophical ideas effectively, promoting more accessible and meaningful teaching. Our main objective is to identify ways to engage students in the discipline without falling into common sense. Bibliographic review is adopted as the main methodology, exploring the field of theoretical possibilities of the association between oratory and the teaching of Philosophy. Results point to the capacity of this tool to translate knowledge, reaching the daily lives of students.
Keywords: Oratory; Philosophy teaching; High school; Skills development; Effective communication.
INTRODUÇÃO
O ensino de filosofia no Ensino Médio é amplamente discutido em diversos contextos acadêmicos. Para cumprir as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do Curso de Filosofia, que estabelecem o desenvolvimento da competência reflexiva, argumentativa e crítica nos alunos, várias metodologias foram propostas. Esta pesquisa, vinculada à linha de pesquisa "Ensino de Filosofia: metodologias de ensino, currículo e questões didáticas," tem como objetivo explorar a viabilidade da oratória como recurso metodológico e didático nas aulas de filosofia.
O ensino de filosofia, como destacado por Tretin e Goto (2009), envolve o "exercício de subjetividade" e é moldado pela história, pois o conhecimento emerge como uma estratégia de existência. A capacidade de comunicar eficazmente é essencial para a preservação da existência humana, pois a vida está repleta de descontinuidades e, portanto, a transmissão de conhecimento entre gerações é fundamental.
É imperativo ressaltar aqui, tratarmos de um tipo epistemológico específico o conhecimento científico e de uma subárea sua a filosófica, trata-se de nosso recorte de investigação. Contudo, reconhecemos que forma alternativas de compreender a realidade e seus inúmeros fenômenos sociais e naturais são possíveis, como nos mostram as epistemologias de povos tradicionais e o pensamento decolonial. Portanto, há uma miríade de alternativas comunicativas a conectar as sociedades humanas e suas espécies parceiras (Haraway, 2021) as quais não se esgotam nos saberes educacionais e filosóficos advogados na modernidade.
Em contextos societários complexos permeados por sujeitos com histórias, objetivos profissionais e de vida distintos postos de forma positiva no mesmo espaço formativo, a sala de aula, cobra-se do docente a necessidade de aprimorar suas habilidades comunicativas, especialmente a oratória, para expressar ideias de forma clara e compreensível para o público-alvo. Professores, especialmente de Filosofia, frequentemente lidam com teorias complexas, exigindo uma habilidade superior de expressão verbal para engajar os alunos, uma vez que estes podem ter dificuldade em aceitar a disciplina de filosofia.
Pois como afirmam Rueda Neto e Rueda (2024, p.04)
[...] o desafio reside não apenas no esforço do docente para simplificar o vocabulário e o modo de explicar. Faz-se necessária também a decodificação das obras filosóficas clássicas, as quais, muitas delas, senão a maioria, apresentam modos quase impenetráveis de expressão, seja pela distância temporal, de época, em que se encontram de nós, seja pelo fato de os próprios autores se expressarem de maneira esotérica, isto é, fechada ao círculo dos iniciados, daqueles que já possuem certo conhecimento filosófico para compreender suas obras.
Assim, o foco da pesquisa é abordar a importância da oratória como meio de aproximar os alunos da filosofia, incentivando o desenvolvimento de reflexões críticas e promovendo mudanças pessoais e sociais. Essa urgência foi evidenciada por meio de cursos de oratória e interações em sala de aula, conforme observado por Oliveira e Oliveira (2018), que destacam o potencial da oratória para contribuir para a felicidade ao longo da vida.
Partindo da hipótese de Anderson (2016) de que a oratória está ressurgindo como um elemento fundamental na disseminação de ideias, este estudo busca compreender como professores e alunos, através da oratória, podem encontrar na Filosofia uma fonte de satisfação pessoal e crescimento intelectual.
O problema de pesquisa central que orienta este estudo é: A oratória pode ser considerada um instrumento fundamental para que o professor de Filosofia seja capaz de despertar o interesse dos alunos do Ensino Médio pelo pensamento filosófico, encorajando-os a se envolverem em uma abordagem "radical, rigorosa e abrangente" da Filosofia e, consequentemente, incentivando-os a explorar criticamente o mundo que os cerca?
O objetivo geral é explicar como a oratória pode atuar enquanto técnica de disseminação de ideias pelo professor de Filosofia, capacitando os alunos a explorar questões filosóficas em suas vidas pessoais e sociais. Para chegarmos ao fim da investigação com êxito fazem-se necessários alcançarem-se seguintes os objetivos específicos: apresentar as relações entre filosofia e oratória, investigar relação entre oratória, docência e aluno nos documentos que regem o Ensino Médio, destacar a ênfase na importância da oratória na formação do professor de Filosofia. Sendo assim, o estudo busca integrar a oratória ao ensino de filosofia, tornando o conhecimento filosófico mais acessível aos alunos, promovendo, assim, uma compreensão mais profunda e reflexiva da disciplina.
Este papel de mediador entre o saber técnico acadêmico assumido pelo professor e o chão da sala de aula, quando associado à oratória como ferramenta didática pode possibilitar traduzir conceitos e teorias muitas vezes complexos para o nível médio, tornando-os acessíveis. O conhecimento filosófico muitas vezes preso aos conteúdos programáticos da disciplina ganha significado no cotidiano dos discentes. Tal movimento é identificado por Cruz e Pedreira (2024, p.10) ao compreender as motivações que impulsionam à docência da Filosofia entrevistam alguns profissionais e com o objetivo de corroborar nossa argumentação apresentamos um fragmento do seu trabalho.
Durante sua trajetória, o professor Zeus não acumulou nenhuma experiência profissional na Educação Básica. Apenas cursou as disciplinas pedagógicas e os estágios. Em suas falas, embora isso não traduza totalmente seu entendimento sobre as relações entre teoria e prática no curso de Filosofia, sinalizou que fez um estágio voluntário, antes mesmo do estágio oficial, com vistas a ter um maior contato com os aspectos que envolvessem à docência. E o estágio, segundo o seu próprio relato, foi bastante significativo como uma preparação para o exercício da docência.
Só que eu estava querendo entrar no campo, que é uma maneira de ficar mais próximo também das atividades de leitura e, ao mesmo tempo, dialogar com outro ambiente, com outros lugares.
[...]
O Ensino Médio e o contato antes do contato com ensino superior foram uma grande preparação. Foi um momento de contato com um grupo de jovens amigos, ao mesmo tempo, sem acesso a Filosofia, e meu esforço era exatamente como tornar a Filosofia acessível àquele grupo que era jovem e curioso, que ao entrar em contato com uma leitura muito densa se sentia perdido, mas uma leitura transformada em diálogo transformava. Então, o Ensino Médio, na verdade, nesse período de estágio, foi minha grande escola (Professor Zeus).
Evidencia-se a capacidade transformadora da comunicação falada como decodificador de signos, não raros restritos à gramática científica. Faz-se, assim efetivos os objetivos da BNCC de desenvolver habilidades comunicacionais e ampliação da compreensão do mundo esperadas dos estudantes.
Esta pesquisa é essencialmente de natureza exploratória tendo como fundo bibliografias acerca dos temas afeitos ao objeto. À despeito da flexibilidade permitida por esse modelo de investigação, permitindo a abertura para o surgimento de novas hipóteses, corre-se o risco de cair em generalizações, prendendo-se em superficialidades como se a mera descrição do fenômeno fosse suficiente para explicar o fenômeno.
As pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores. De todos os tipos de pesquisa, estas são as que apresentam menor rigidez no planejamento. Habitualmente envolvem levantamento bibliográfico e documental, entrevistas não padronizadas e estudos de caso (Gil, 2008, p. 41).
À luz da perspectiva exploratória, nosso intuito foi nos familiarizar com o fenômeno em questão, adquirir novas percepções e conceber ideias inovadoras, seguindo o preceito de Cervo e Bervian (2002, p. 69) de que esta etapa representa o ponto de partida em qualquer empreendimento de pesquisa. Conduzimos uma breve, porém substancial, revisão dos tópicos relevantes - filosofia, oratória e ensino de filosofia - valendo-nos de fontes acadêmicas pertinentes, incluindo obras literárias e artigos científicos, além de explorar a legislação educacional vigente.
A Filosofia e o Despertar do 'Thauma': A Importância da Oratória no Ensino de Filosofia
O termo "filosofia" teve sua origem na Grécia antiga, derivando de duas outras palavras: "philos", que denota amizade ou afeição, e "sophia", que se refere à sabedoria ou conhecimento (Chauí, 2012). Etimologicamente, "filosofia" implica em um amor pelo conhecimento ou uma amizade pelo saber. Em uma síntese, trata-se de uma paixão pelos mistérios da existência, englobando seus princípios e causas.
Numa interpretação mais ampla, a filosofia pode ser definida como "uma especulação ilimitada e desregulada acerca de qualquer tema ou questão, à mercê da inclinação de cada autor, de suas preferências e até mesmo de seus estados de espírito" (Prado Junior, 2003, p. 6), o que expande o amor pelo conhecimento de maneira exponencial.
De acordo com Aristóteles citado por Rezende (1998), o pensamento filosófico tem suas raízes no "thauma", um termo que denota espanto, admiração e perplexidade, todos eles instigando uma reação diante da vida. O "thauma" é algo que captura nossa atenção a ponto de nos levar a questionar e a nos interrogar incessantemente. Esse despertar exige de nós uma explicação diante de um mundo que se nos apresenta como um cosmos em meio ao caos. A filosofia emerge da própria condição humana, que se depara com um universo estranho, complexo e desordenado. Entretanto, o ser humano tende a se acostumar ou ser condicionado a uma realidade estável e imutável, o que o impulsiona a se desvincular do torpor ou a sair da "caverna", conforme sugere Platão.
Kohan (2013, p. 56) afirma que "a filosofia, antes de tudo, é uma prática, uma ocupação, uma experiência e uma atividade humana". Portanto, é crucial enfatizar mais uma vez que o "thauma" está presente desde a infância, bastando observar o desenvolvimento de uma criança para confirmar tal assertiva. A criança é naturalmente curiosa e incansavelmente questionadora, pois ela vivencia a vida como algo sempre novo e inesperado.
Torna-se desafiador resgatar esse encanto por um mundo múltiplo e maravilhoso numa sociedade onde as respostas são prontamente oferecidas, ou seja, são tidas como imutáveis e inquestionáveis, e as normas são aceitas sem contestação. A tendência é que nos acomodemos, tornando-nos adultos dogmáticos, árduos e repressores do "thauma" infantil e juvenil.
Para reavivar a curiosidade e o espanto diante do mundo, inerentes às crianças, uma possível solução seria cultivar a amizade e o amor pela sabedoria. No entanto, para amar algo, é necessário que esse algo nos atraia a ponto de estabelecermos um relacionamento que, gradualmente, nos leve a amar o objeto de desejo. Pode-se considerar, nesse contexto, que a oratória é um meio de facilitar esse encontro, transformando-o em uma paixão e, consequentemente, fazendo com que o aluno passe a amar a filosofia. A oratória se configura como uma ferramenta contundente para despertar o aluno para os princípios filosóficos e para o "thauma".
Conforme Mendes (2017), é imperativo que o docente de Filosofia seja um pensador, um filósofo, a fim de que tenha a capacidade de transformar a sala de aula em um espaço de reflexão, minimizando a abordagem técnica como o padrão de ensino. Entretanto, além de ser um pensador qualificado, a fim de legitimar esse título perante os alunos, o professor necessita, além do embasamento teórico, possuir uma sólida formação em oratória para transmitir as ideias que deseja promover e, dessa forma, estimular debates. Apenas a exposição teórica, talvez, não seria suficiente para instigar o aluno a adentrar no universo da reflexão.
Seria crucial, portanto, que o professor, por meio da arte de falar em público, tornasse o conteúdo filosófico acessível, visto que, em muitas ocasiões, torna-se ininteligível até para colegas e, em sua maioria, obscuro para os alunos. Em outras palavras, o professor deveria expressar-se de maneira clara e persuasiva, utilizando, inclusive, linguagens imanentes para cativar a audiência. Ao fazê-lo de forma mais apropriada, tenderia a obter resultados notáveis (Anderson, 2016).
A Persuasão através da Oratória: O Poder da Ideia, Identificação e Técnica
Conforme Chauí (2012, p. 189), a linguagem é definida como "um sistema de signos ou sinais usados para indicar coisas, para a comunicação entre pessoas e para a expressão de ideias, valores e sentimentos". Essa definição ampla encara a linguagem como um sistema interativo que identifica objetos com o propósito de facilitar a comunicação entre indivíduos e disseminar ideias, valores e emoções.
De acordo com Polito (2008, p. 8), a história da humanidade é, em grande parte, a história da evolução da palavra, uma linguagem complexa e simbólica que diferencia os seres humanos dos demais animais e que é fundamental para a construção da cultura. É por meio da linguagem e da palavra que desenvolvemos uma consciência de nós mesmos e dos outros, além de ser o alicerce da comunicação humana, um elemento vital muitas vezes desafiador de ser expressado de forma eficaz, tanto para pequenos quanto para grandes públicos. Para superar essa dificuldade, a oratória e seus recursos são explorados para tornar a comunicação eficiente.
A oratória é um recurso linguístico utilizado para apresentar argumentos de forma clara e persuasiva, com o objetivo de "provocar ou aumentar a adesão das mentes às teses apresentadas" (Dubois et al, 1974, p. 21). Em outras palavras, a arte da oratória busca ser uma ferramenta que dissemina ideias e influencia efetivamente os interlocutores. Para compreendê-la em profundidade, é fundamental explorar essa ferramenta da linguagem.
Primeiramente, é importante esclarecer que nosso enfoque recai sobre a oratória profunda, que faz parte da essência humana e utiliza encapsulamentos para transmitir ideias, conforme sugere Anderson (2016), como um meio poderoso de alterar a perspectiva de mundo das pessoas.
Na oratória profunda, três elementos-chave se destacam: a ideia, a identificação com a ideia e a técnica (Anderson, 2016; Perelman; Olbrechts-Tyteca, 2005).
A ideia constitui a essência do que se pretende comunicar e deve ser capaz de alterar a concepção de realidade de uma pessoa ou grupo de pessoas. Para isso, deve ser algo significativo e relevante, pois "toda argumentação busca a adesão das mentes e, portanto, presume a existência de um contato intelectual" (Perelman; Olbrechts-Tyteca, 2005, p. 16).
Uma ideia propagada precisa ser motivadora, pois apenas assim permanecerá no tempo. Exemplificando com figuras históricas notáveis e suas ideias que perduram: na filosofia, Platão e a ideia do sumo bem; na religião, Cristo e a fé na salvação; no movimento negro, Martin Luther King e seu sonho de liberdade (I have a dream). Essas pessoas difundiram ideias poderosas que continham uma verdade e um propósito, contribuindo para transformar pessoas e, por consequência, a realidade.
A identificação com a ideia é outro elemento fundamental para aqueles que desejam que suas ideias transcendam as barreiras de um auditório e perdurem ao longo do tempo. Uma ideia desprovida de paixão tende a ser efêmera na história, enquanto uma ideia apaixonada e simbiótica, pelo contrário, tende a perdurar, pois as pessoas são naturalmente atraídas por indivíduos que têm paixão e convicção em suas ideias (Gallo, 2014). A paixão contagia, envolve, entusiasma e estabelece conexões com o público.
Uma ideia desprovida de um componente emocional deixa o orador vulnerável diante do público, pois os ouvintes tendem a fechar-se para o que está sendo transmitido. Como afirma Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005), é essencial que o orador, ao falar, tenha ouvintes dispostos a ouvir e, para isso, deve criar um estado psicológico que só é possível quando há identificação e conexão com o tema. O orador precisa estar moralmente habilitado para tratar do assunto.
Conforme Anderson (2016, p. 55), "não é possível empurrar o conhecimento para dentro do cérebro. Ele precisa ser puxado". Para que alguém conceda permissão, deve primeiro sentir que a ideia faz parte da vida do orador e que fará parte da sua própria vida, estabelecendo uma tríade: ideia, orador e ouvinte. "O grande orador, aquele que tem ascendência sobre outrem, parece animado pelo próprio espírito de seu auditório" (Perelman; Olbrechts-Tyteca, 2005, p. 27). A história é repleta de exemplos, uma vez que as ideias que resistiram ao tempo não vieram sozinhas; aqueles que as propagaram vieram junto e conquistaram os demais. Mais uma vez, Jesus é citado como exemplo, pois a ideia e o público são indissociáveis. Onde ele está, está sua ideia e as pessoas que se deixaram cativar.
A técnica também é essencial para que o orador possa transmitir suas ideias com eficácia, revelando a verdade contida nelas e impactando o público de modo a persuadi-lo. Como observa Anderson (2005), se o orador conduzir sua palestra de maneira apropriada, poderá gravar na mente dos ouvintes a ideia e, a partir disso, fazê-los considerar que sua visão de mundo talvez não esteja completamente correta, incentivando assim uma possível transformação.
Para que isso ocorra, a técnica desempenha um papel crucial. Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005, p. 9) afirmam que ela é "incontestável para preparar o público, tornando-o mais receptivo aos argumentos que serão apresentados". Gallo (2014, p. 9), considerando "as ideias como a moeda do século 21", traz uma perspectiva prática e econômica para a oratória e destaca que "as ideias, quando embaladas e transmitidas com eficácia, têm o poder de mudar o mundo". Portanto, é essencial conhecer e estudar as técnicas que podem ampliar a propagação de uma ideia.
Polito (2018) ressalta que aquele que consegue combinar técnica e estilo de comunicação é o verdadeiro vencedor, alguém que possui uma ideia para compartilhar, se identifica com ela e utiliza todo o repertório técnico para presentear o ouvinte. Apenas é possível "presentear alguém com uma ideia quando as mentes estão preparadas para recebê-la" (Anderson, 2005, p. 43). Portanto, é fundamental que haja uma simbiose entre a ideia, o orador e o público para que a comunicação seja verdadeiramente eficaz.
A symbiose entre a Filosofia e a Oratória: Ampliando a Comunicação do Pensamento Filosófico
Entre as formas como o conhecimento é produzido e transmitido nas sociedades modernas a palavra escrita, preservada na folha impressa e mais recentemente em formas digitais tornando-se hegemônica, relegando a segundo plano a oralidade. Sendo assim, o conjunto dos saberes filosóficos ficam restritos a pequenos nichos intelectuais escapando da vida diária das pessoas.
Haja vista, a quantidade de leitores recorrentes reduzida no Brasil de menos de quatro livros por ano de acordo com pesquisa do Instituto Pró-livro realizada em 20251. Se tal tipo de saber está concentrado na produção bibliográfica e por outro lado a quantidade de pessoas leitores é diminuta, configura-se uma situação de esgotamento das possibilidades de ação.
Face a essa questão a utilização da fala apresentasse como uma alternativa de superação de tal imbróglio como forma de garantir acesso e difusão do conhecimento. Ainda aqueles que possam acessar literatura filosófica faz-se algumas vezes decodificar os signos linguísticos ali escritos. Nesse contexto, não basta apenas a fala; é necessária uma boa oratória para que tanto leigos quanto especialistas possam compreender as ideias filosóficas.
Quando se trata do ensino de Filosofia, especialmente para alunos do Ensino Médio, Favaretto (1993) questiona o que é necessário para tornar o conteúdo filosófico mais inteligível. Uma hipótese para uma resposta eficaz seria a incorporação da oratória pelo professor em seus esforços para disseminar as ideias filosóficas e estimular o pensamento filosófico entre os alunos.
O ideal seria que o professor utilizasse todo o repertório da oratória em suas aulas, considerando a essência das ideias, a identificação com as ideias e as melhores técnicas para permitir que os alunos compreendam e se apaixonem pelo conhecimento apresentado.
Filosofia e oratória devem caminhar de mãos dadas, uma vez que a filosofia traz os pensamentos e a oratória os manifesta para o mundo, especialmente para aqueles que não são especialistas na área. Argumentamos que, sem a oratória, a filosofia ficaria confinada em livros e nas mentes brilhantes, acessível e apreciada apenas por poucos, e inacessível e desconsiderada pela maioria, um cenário que parece estar ocorrendo atualmente.
Pois o orador perfeito é aquele que, instruído em todas as matérias importantes, pode falar com propriedade, clareza e elegância sobre qualquer assunto, de modo a ensinar, deleitar e comover os ouvintes. Com efeito, o conhecimento, por mais elevado que seja, permanece incompleto se não puder ser expresso de maneira adequada, pois é pela palavra que ele se torna útil à vida comum e acessível aos cidadãos (Cícero, 2013, p.115–116).
Deste modo a oratória poderia contribuir no engajamento dos estudantes à disciplina, a promover o encontro e, consequentemente, o amor pelo objeto de estudo, no nosso caso, permitir que os alunos do Ensino Médio encontrem, se apaixonem e passem a amar a Filosofia.
O Papel Crucial da Oratória no Desenvolvimento das Competências dos Alunos no Ensino de Filosofia
Nesse tópico, discute-se, à luz da oratória, o que os documentos oficiais sinalizam sobre o tema, uma vez que não há uma manifestação clara e específica a esse respeito. Inclusive, já deixamos nossa crítica, pois, fala-se de várias competências, porém, parecem excluir a competência comunicativa para o professor e para o aluno.
Como já pontuado por Anderson (2016), essa competência já não é mais um diferencial a ser conquistado, mas um imperativo para se obter sucesso em todas as áreas, em especial, naquela que se pretende apresentar e fomentar pensamentos. Ou seja, a oratória deve fazer parte da vida do docente, para que possa comunicar com clareza as ideias de outrora e as vigentes, para que, assim, o discente possa compreendê-las melhor e, também, melhorar sua capacidade de se comunicar com o mundo.
Conforme LDB (9394 – 20/12/1996) – Lei de Diretrizes e Base da Educação Brasileira, o discente deve ter seu “aprimoramento [...] como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico (SEÇÃO IV, INCISO III). Já os PCN’s – Parâmetros Curriculares Nacionais (p. 61), apontam que o aluno tem que estar apto a “debater, tomando uma posição, defendendo-a argumentativamente e mudando de posição face a argumentos mais consistentes” e que “ a Filosofia, portanto, nasceu no espaço social que constituiu a democracia grega, um espaço-praça (ágora) criado em função do debate Público acerca da vida comum”.
O aprimoramento humano que trata a LDB, compreendemos que também enseja a capacidade comunicativa por meio da fala, elemento que parecer estar mais claro nos PCN’s, quando aborda sobre o debate, elemento preponderante na oratória.
A BNCC – Base Nacional Comum Curricular (2018, p. 548), relativo ao ensino das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas do Ensino Médio, onde a Filosofia está inserida, destaca que a área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas tem ainda o grande desafio de desenvolver a capacidade dos estudantes de estabelecer diálogos entre indivíduos, grupos sociais e cidadãos de diversas nacionalidades, saberes e culturas distintas.
A capacidade de estabelecer diálogos, em nosso entendimento, está estritamente ligada à competência comunicativa, à capacidade de se expressar bem em público. Dessa forma, dominando as técnicas e instrumentos da comunicação,
[...] os jovens constroem hipóteses e elaboram argumentos com base na seleção e na sistematização de dados, obtidos em fontes confiáveis e sólidas. A elaboração de uma hipótese é o primeiro passo para o diálogo, que pressupõe sempre o direito ao contraditório. É por meio do diálogo que os estudantes ampliam sua percepção crítica tanto em relação à produção científica quanto às informações que circulam nas mídias, colocando em prática a dúvida sistemática, elemento essencial para o aprimoramento da conduta humana (BNCC, 2018, p. 548).
Como destaca a BNCC, é por meio do diálogo e do debate e que melhoramos nossa capacidade de raciocínio e, assim, tendencialmente, poderemos melhorar nossa convivência humana.
Quanto às competências específicas de ciências humanas e sociais aplicadas para o Ensino Médio, para o nosso objeto, destacamos a 6º, onde o aluno deve “participar, pessoal e coletivamente, do debate público de forma consciente e qualificada, respeitando diferentes posições, com vistas a possibilitar escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade (BNCC, 2018, p. 558) ”.
Assim, destaca-se que, mesmo de forma velada, em nosso entendimento, a LDB, os PCN’s e a BNCC, talvez um pouco mais explicitada, bem como os demais documentos, apontam para a necessidade do domínio da competência comunicativa oral para atender aos requisitos legais e, em especial, os de humanização. Ou seja, o aluno deve desenvolver e melhorar sua capacidade de oratória
A Importância da Oratória no Ensino de Filosofia: O Papel Vital do Professor
No que diz respeito à atividade do professor, especialmente o docente de Filosofia, os documentos, em nossa compreensão, seguem a mesma linha apontada para os discentes, mas com a diferença de que é o professor quem é responsável por garantir que a compreensão dos conteúdos filosóficos chegue de maneira clara ao aluno. Isso permite que o aluno, ao compreender bem, assimile esses conteúdos, desenvolva as competências exigidas pelos documentos e, ao mesmo tempo, aprimore sua habilidade comunicativa, já que terá um exemplo e inspiração.
De acordo com a LDB, Art. 36, item II, o professor deve adotar "metodologias de ensino e avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes". O Plano Nacional de Educação (PNE), ao tratar das diretrizes para a formação continuada do docente, afirma que a "formação deve visar à reflexão sobre a prática educacional e à busca de seu aperfeiçoamento técnico, ético e político". Além disso, as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCNs), quando tratam do Ensino Médio (p. 171), afirmam que é necessário "revisar a formação dos professores para que possam enfrentar as novas e diversificadas tarefas que lhes são confiadas na sala de aula e além dela".
Uma análise dos três documentos apresentados indica que o professor precisa repensar sua prática de ensino, a fim de que o aluno cresça em proatividade. Nesse sentido, o aperfeiçoamento técnico, entre outros elementos importantes, é fundamental. Em nossa visão, as técnicas de oratória são essenciais para melhorar a qualidade do ensino. Como já apontado anteriormente, as técnicas de oratória têm o potencial de influenciar comportamentos e preparar o terreno para que as pessoas estejam receptivas aos argumentos que estão sendo comunicados (Perelman; Olbrechts-Tyteca, 2005).
Refletindo sobre a prática docente, Relevante Netto (2021, p. 126) destaca que:
O professor de Filosofia deve utilizar todas as ferramentas disponíveis para iniciar e conduzir a reflexão filosófica. O mundo materializado nas manifestações e realizações humanas constitui o instrumental necessário para a prática filosófica, que envolve a reflexão sobre o mundo com base nas experiências vividas pela espécie humana ao longo de sua história. A arte, as tradições filosóficas, a ciência e a religião, todas as manifestações humanas são recursos para o pensamento filosófico.
Isso significa que o professor deve explorar todos os recursos didáticos disponíveis para apresentar os conhecimentos filosóficos aos alunos. A antiga arte da persuasão, como técnica e ferramenta para cativar e manter a atenção dos alunos, é particularmente relevante nas aulas de Filosofia no Ensino Médio, onde os alunos geralmente têm dificuldade em se concentrar em conteúdos teóricos. Aqui, a persuasão refere-se à capacidade de atrair a atenção do público para disseminar uma ideia.
Como é sabido, a Filosofia teve sua origem em um contexto social onde a democracia grega era praticada, na ágora, onde ocorriam debates públicos sobre questões da vida comum dos cidadãos de Atenas. Portanto, dado que o ambiente escolar visa a construção do conhecimento e da vida em comunidade, o aluno é imediatamente convocado a participar de debates, começando pelo ambiente escolar.
A capacidade de tomar uma posição refletida só pode ser desenvolvida durante a exposição do professor, em sua própria exposição oral, em discussões em pequenos grupos ou em debates gerais na turma. É fundamental que o professor ofereça aos alunos a oportunidade de, com total liberdade, fazer perguntas, responder, solicitar esclarecimentos, opor-se, criticar, confrontar diferentes posições e possibilidades, recusar interpretações e fazer interpretações. Além disso, os alunos devem ser encorajados a mudar de posição quando estiverem convencidos de que sua posição não é necessariamente a melhor (DCNs, p. 61).
Encontramos uma recomendação mais clara na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) na parte que aborda as áreas de Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas. A BNCC destaca a importância de mobilizar recursos didáticos em diferentes linguagens (textuais, imagéticas, artísticas, gestuais, digitais, tecnológicas, gráficas, cartográficas etc.). Isso sugere que o professor de Filosofia deve desenvolver a oratória como um recurso didático fundamental para promover o ensino-aprendizagem e o engajamento dos alunos, bem como para promover a construção de uma atitude ética e moral.
Em seu artigo, Tomazetti (2010) discute as práticas dos futuros docentes de Filosofia para atrair efetivamente os alunos. Eles observaram que os novos docentes tendem a reproduzir as práticas que criticavam. Uma possível solução é que o novo professor dedique um tempo para pensar no funcionamento da dinâmica da sala de aula, a fim de criar oportunidades para "brechas" e "rachaduras" no modelo sedimentado, tornando a aula um evento novo.
Nessa linha de pensamento, Kohan (2013) sugere que a ação pedagógica, mediada pela arte dramática, pode ser um caminho promissor. O teatro é, por excelência, o campo da oratória. Portanto, além de muitos outros elementos, acreditamos que a didática da oratória seja fundamental para o ensino de Filosofia, a fim de cumprir o que os documentos propõem.
Para concretizar essa proposta, acreditamos que o professor, seja iniciante ou veterano, deve compreender e praticar a oratória de maneira eficaz para persuadir os alunos a participar e internalizar os elementos da aula. Por exemplo, Oliveira e Oliveira (2018), em seu artigo sobre retórica e argumentação na educação escolar, destacam a importância de considerar o público como um elemento fundamental para que os ouvintes se envolvam com o discurso. Essa indicação é crucial, pois, para que uma argumentação se desenvolva, é necessário que aqueles a quem se destina prestem atenção de fato (Perelman; Olbrechts-Tyteca, 2005, p. 20).
Mencionar um assunto repetidamente sem efetivamente envolver os ouvintes não é suficiente. A comunicação eficaz envolve mais do que apenas falar; requer ser ouvido e compreendido, promovendo a participação ativa. Para que isso ocorra, Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005, p. 17) afirmam que "o mínimo indispensável à argumentação parece ser a existência de uma linguagem em comum, de uma técnica que possibilite a comunicação". Portanto, o professor precisa valorizar a adesão dos alunos, seu consentimento e seu engajamento mental com o conteúdo da aula. Mais uma vez, enfatizamos que a oratória é um caminho essencial para alcançar esse objetivo.
O que se espera do professor é que ele una seu conhecimento filosófico à oratória, criando uma habilidade que permita que os conhecimentos que ele pretende compartilhar cheguem aos alunos de maneira inteligível. Isso implica que o aluno deve estar disposto a receber o que está sendo dito, se interessar pelo conteúdo e desenvolver uma compreensão crítica desse conhecimento.
O Poder da Oratória: Cultivando o Amor Pela Filosofia no Ensino Médio
Através da oratória, podemos disseminar ideias de forma eficiente e eficaz. Portanto, acreditamos que essa habilidade seja um aliado fundamental para os professores despertarem o interesse dos alunos do Ensino Médio pela filosofia e cultivarem um amor pelo saber.
Oliveira e Oliveira (2018) apontam que a retórica e a oratória remontam à Grécia Siciliana por volta de 465 a.C. Inicialmente, surgiram para atender a demandas jurídicas, mas ao longo do tempo, também se mostraram cruciais para o ensino e a filosofia. No entanto, é perceptível que essa conexão entre oratória, ensino e filosofia é subutilizada nas escolas.
Nesse contexto, muitos professores de Filosofia podem ser experts no assunto, detendo um vasto conhecimento, mas podem não saber transmiti-lo de maneira eficaz ao público. Portanto, propomos que transformem a sala de aula em um laboratório prático (Ferreira; Briskievicz; Ferreira, 2018). Para alcançar isso, sugerimos que utilizem todo o repertório da arte de falar em público para aproximar o professor, o aluno e a filosofia em uma corrente de amizade pelo saber.
Conforme Tomazzetti (2010), muitos professores enfrentam desafios estruturais na escola e lidam com uma grande diversidade de alunos. Além disso, enfrentam uma certa apatia dos alunos e uma suposta falta de "cultura filosófica". A autora lista várias dificuldades apontadas por professores como justificativas para as dificuldades no ensino.
Carvalho (2021), em um artigo sobre a oratória e a retórica como ferramentas complementares na formação de professores, já destaca a importância da oratória/retórica como um diferencial para os futuros professores. Isso ocorre porque muitos, assim como os alunos, podem sentir uma certa inibição e dificuldade de expressão pública. Além disso, é fundamental que o docente saiba fazer uma boa exposição oral do conteúdo que deseja transmitir.
A linguagem e, consequentemente, a habilidade de falar em público são competências que se desenvolvem desde a infância e devem ser aprimoradas ao longo da vida. Caso contrário, corremos o risco, como aponta Kohan (2013), de nos desumanizarmos, regressando a um estado mais primitivo. Devemos continuar a desenvolver nossa capacidade comunicativa, pois somos seres em constante evolução.
Como podemos abrir caminho para que os alunos se apaixonem genuinamente pela filosofia? Araújo (2021), em um artigo que aborda a Avaliação da Aprendizagem em Filosofia, destaca a importância do teatro como uma ferramenta didática estética. O teatro proporciona um contexto para o protagonismo dos estudantes, permitindo que atuem como atores em uma trama que eles próprios podem construir. Essa experiência estética dialoga com a filosofia e pode encantar os alunos pelo saber filosófico.
Nessa perspectiva, sugerimos que os professores utilizem a oratória e todo o seu repertório para atrair a atenção dos alunos. Com isso, pode-se criar um ambiente de aprendizado de filosofia prazeroso e duradouro. Além disso, busca-se despertar cidadãos críticos que valorizem o conhecimento.
Assim como o amor,
O uso da argumentação implica em renunciar ao uso exclusivo da força, valorizar a adesão do interlocutor por meio da persuasão racional e não tratar o interlocutor como um mero objeto. A argumentação exige o estabelecimento de uma comunidade de pensamento que exclui a violência (Perelman; Olbrechts-Tyteca, 2005, p. 61).
Amor e argumentação caminham juntos, uma vez que amar significa colocar-se no lugar do outro, enquanto na argumentação, é crucial interagir a partir da perspectiva do interlocutor. Em ambos os casos, nossas crenças e preconceitos devem ser minimizados ao máximo para estabelecer uma maior afinidade entre amantes e debatedores.
Através dessa sintonia promovida pela oratória, acreditamos que o ensino de filosofia pode ser fundamentado em uma base sólida para despertar o amor pelo conhecimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A filosofia, entendida como o amor e a amizade pelo conhecimento quando desenvolvida de forma efetiva como esperado pela BNCC pode contribuir na formação de visão de mundo dos estudantes, possibilitando-os compreender de forma mais ampla a sociedade na qual fazem parte.
Portanto, é papel do orador, aquele que domina a arte da oratória, buscar traduzir de maneira acessível o cânone filosófico e, assim, permitir de forma precisa as ideias filosóficas. Assim, o professor de filosofia, seja ele um filósofo por formação ou não, como evidenciado nos documentos oficiais e na análise da oratória, deve empregar todos os recursos didáticos disponíveis para despertar o interesse dos alunos do Ensino Médio pela disciplina.
Em conclusão, a utilização da oratória, em sua profundidade conceitual, é uma ferramenta metodológica e didática valiosa utilizada com o objetivo de tornar o seu ensino relevante e compreensível para os alunos do Ensino Médio. Nesse sentido, faz-se relevante a inclusão de estudos e práticas de oratória na formação geral de professores, especialmente na formação de futuros docentes.
Isso permitirá melhor domínio do pensamento e a escrita, mas também, saibam transmitir o conteúdo de forma eficaz aos alunos. Portanto, sugerimos que o estudo da oratória seja incorporado não apenas à formação geral de professores, mas também à formação específica de futuros professores de filosofia.
Este artigo, de forma alguma, pretende esgotar o tema, mas abrir discussão sobre formas de garantir a formação plena dos estudantes do Ensino Médio, não apenas de maneira instrumental, mas voltada à cidadania. Cabe avançarmos na compreensão desse fenômeno em sua dimensão empírica, observar no cotidiano das salas de aula como a oratória é ou não desenvolvida. Os processos educativos não são uniformes, mas marcados por contextos específicos que merecem nossa atenção na busca por fazer da ciência e do conhecimento ferramentas públicas de transformação social.
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1 Mestre em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Regional pelo Centro Universitário Vale do Cricaré (Univc). Docente na Faculdade de Ensino Superior de Linhares (FACELI). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-0779-9735
2 Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Docente na Faculdade de Ensino Superior de Linhares (FACELI). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-6490-2390