O USO DE METODOLOGIAS CONTEXTUALIZADAS PARA PROMOVER A APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

THE USE OF CONTEXTUALIZED METHODOLOGIES TO PROMOTE LEARNING IN YOUTH AND ADULT EDUCATION: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/784512087

RESUMO
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) desempenha papel fundamental na garantia do direito à educação e na promoção da inclusão social, exigindo práticas pedagógicas que considerem as características, experiências e necessidades dos estudantes. Nesse contexto, as metodologias contextualizadas têm se destacado como estratégias capazes de aproximar os conteúdos escolares da realidade dos educandos, favorecendo uma aprendizagem mais significativa e participativa. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, as contribuições das metodologias contextualizadas para a aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa e de natureza bibliográfica, sendo desenvolvida a partir da análise de oito artigos científicos publicados entre 2021 e 2026, selecionados em bases de dados e periódicos da área da Educação. Os estudos foram examinados quanto aos objetivos, metodologias empregadas e principais resultados, possibilitando a identificação das estratégias pedagógicas mais utilizadas e das evidências relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem. Os resultados demonstraram que metodologias ativas, Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs), sala de aula invertida, Educação Maker, aulas práticas, rodas de conversa e aprendizagem baseada em projetos contribuem para fortalecer a aprendizagem significativa, o protagonismo, a motivação e a permanência dos estudantes na EJA. Também foi evidenciada a importância da formação continuada dos professores e da valorização dos conhecimentos prévios dos educandos para a efetividade dessas práticas. Conclui-se que as metodologias contextualizadas representam importante estratégia para qualificar o ensino na EJA, favorecendo uma educação mais inclusiva, crítica e comprometida com a realidade dos estudantes.
Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; metodologias contextualizadas; aprendizagem significativa; metodologias ativas; prática docente.

ABSTRACT
Youth and Adult Education (EJA) plays a fundamental role in guaranteeing the right to education and promoting social inclusion, requiring pedagogical practices that take into account the characteristics, experiences, and needs of the students. In this context, contextualized methodologies have emerged as strategies capable of bridging the gap between school content and the learners' reality, fostering more meaningful and participatory learning. This study aimed to analyze, through an integrative literature review, the contributions of contextualized methodologies to learning in Youth and Adult Education. The research is qualitative and bibliographic in nature, based on the analysis of eight scientific articles published between 2021 and 2026, selected from databases and journals in the field of Education. The studies were examined regarding their objectives, methodologies employed, and main results, enabling the identification of the most frequently used pedagogical strategies and evidence related to the teaching-learning process. The results demonstrated that active methodologies, Digital Information and Communication Technologies (DICTs), the flipped classroom, Maker Education, practical classes, discussion circles, and project-based learning contribute to strengthening meaningful learning, student agency, motivation, and student retention in EJA. The importance of continuous teacher training and the valuing of learners' prior knowledge for the effectiveness of these practices was also highlighted. It is concluded that contextualized methodologies represent an important strategy for enhancing the quality of teaching in EJA, fostering an education that is more inclusive, critical, and committed to the students' reality.
Keywords: Youth and Adult Education; contextualized methodologies; meaningful learning; active methodologies; teaching practice.

1. INTRODUÇÃO

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) representa uma importante modalidade da educação básica, destinada a garantir o direito à escolarização de pessoas que não tiveram acesso ou continuidade dos estudos na idade considerada regular. Além de promover a inclusão educacional, a EJA desempenha papel fundamental na formação cidadã, na qualificação profissional e na redução das desigualdades sociais, atendendo estudantes com diferentes trajetórias de vida, experiências de trabalho e contextos culturais. Nesse cenário, o processo de ensino deve reconhecer a diversidade dos sujeitos e valorizar seus conhecimentos prévios como elementos essenciais para a construção da aprendizagem.

Entretanto, a aprendizagem na EJA ainda enfrenta diversos desafios, entre eles a heterogeneidade das turmas, a evasão escolar, a defasagem na escolarização e a necessidade de conciliar os estudos com as atividades profissionais e familiares. Esses fatores influenciam diretamente o desempenho dos estudantes e exigem práticas pedagógicas capazes de atender às especificidades desse público, favorecendo sua permanência e participação no ambiente escolar.

Diante dessa realidade, observa-se que metodologias tradicionais, centradas na transmissão de conteúdos e na atuação passiva dos estudantes, nem sempre respondem às demandas da Educação de Jovens e Adultos. A descontextualização dos conteúdos pode dificultar a aprendizagem e reduzir o interesse dos educandos, tornando necessário o desenvolvimento de estratégias que estabeleçam relações entre o conhecimento escolar e as experiências vivenciadas pelos estudantes.

Nesse contexto, as metodologias contextualizadas destacam-se por aproximar os conteúdos da realidade dos educandos, promovendo uma aprendizagem mais significativa, participativa e crítica. Estratégias como metodologias ativas, resolução de problemas, aprendizagem baseada em projetos, utilização das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs), sala de aula invertida e atividades colaborativas favorecem o protagonismo discente, fortalecem a relação entre teoria e prática e contribuem para uma formação mais integrada às necessidades sociais e profissionais dos estudantes da EJA.

Considerando a relevância dessa temática para a melhoria das práticas pedagógicas e para o fortalecimento da permanência escolar na EJA, torna-se importante compreender como as metodologias contextualizadas têm sido abordadas na literatura científica e quais evidências apontam para suas contribuições no processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, este estudo busca reunir e analisar pesquisas recentes sobre o tema, oferecendo subsídios para professores, pesquisadores e demais profissionais da educação interessados na construção de práticas pedagógicas mais significativas e inclusivas.

Diante desse contexto, este estudo busca responder ao seguinte problema de pesquisa: Como as metodologias contextualizadas contribuem para promover a aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos?

O objetivo geral consiste em analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, as contribuições das metodologias contextualizadas para a aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos.

Como objetivos específicos, pretende-se:

  • identificar as metodologias contextualizadas utilizadas na Educação de Jovens e Adultos;

  • descrever as contribuições dessas metodologias para a aprendizagem;

  • discutir os desafios e as potencialidades da implementação dessas práticas pedagógicas.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) constitui uma modalidade de ensino destinada à garantia do direito à educação para aqueles que não tiveram acesso ou continuidade dos estudos na idade considerada regular. Nesse contexto, a adoção de metodologias contextualizadas torna-se fundamental para atender às especificidades desse público, valorizando suas experiências, trajetórias e conhecimentos prévios. Assim, compreender os fundamentos históricos da EJA e as contribuições das teorias da aprendizagem significativa e da educação problematizadora permite analisar como práticas pedagógicas contextualizadas podem favorecer uma aprendizagem mais crítica, participativa e emancipadora.

2.1. Educação de Jovens e Adultos: Aspectos Históricos e Desafios

A Educação de Jovens e Adultos ocupa um papel essencial na promoção do direito à educação e da inclusão social, atendendo sujeitos que, por diferentes razões, não concluíram a escolarização na idade prevista. No Brasil, essa modalidade foi historicamente marcada por ações compensatórias, voltadas principalmente à alfabetização, passando a ser reconhecida como um direito educacional garantido pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996).

Entre os principais referenciais da EJA destaca-se Paulo Freire, cuja proposta de educação problematizadora compreende o estudante como sujeito ativo do processo educativo. Para Freire (1996), ensinar implica criar condições para a construção do conhecimento por meio do diálogo, da reflexão crítica e da valorização das experiências vividas pelos educandos. Nessa perspectiva, o ensino deve partir da realidade dos estudantes, tornando a aprendizagem significativa e socialmente relevante.

Miguel Arroyo (2017) ressalta que a EJA precisa reconhecer a diversidade de trajetórias dos jovens e adultos, considerando seus saberes, identidades e condições de vida. Segundo o autor, práticas pedagógicas descontextualizadas tendem a desconsiderar as especificidades desse público, dificultando sua permanência e participação na escola. Dessa forma, a valorização das experiências dos estudantes constitui elemento central para uma educação mais democrática e inclusiva.

Na mesma direção, Maria Clara Di Pierro (2019) destaca que a EJA enfrenta desafios relacionados à evasão escolar, à heterogeneidade das turmas e às desigualdades sociais que marcam a trajetória dos estudantes. Para a autora, a superação desses desafios depende da implementação de políticas públicas e de práticas pedagógicas capazes de promover uma aprendizagem contextualizada, significativa e comprometida com a formação cidadã.

Assim, a literatura evidencia que a EJA exige metodologias que dialoguem com a realidade dos estudantes, favorecendo sua participação ativa e fortalecendo o vínculo entre a escola, o conhecimento e as experiências construídas ao longo da vida.

2.2. Aprendizagem Significativa e Contextualização do Ensino

A aprendizagem significativa constitui um dos principais referenciais teóricos para compreender a importância da contextualização do ensino. Segundo David Ausubel (2003), novos conhecimentos são aprendidos de forma mais consistente quando estabelecem relações com os conhecimentos prévios dos estudantes, possibilitando uma compreensão mais profunda e duradoura dos conteúdos. Dessa forma, o processo educativo torna-se mais eficiente quando considera as experiências e os saberes já existentes.

Complementando essa perspectiva, Lev Vygotsky (2007) defende que a aprendizagem ocorre por meio das interações sociais e da mediação realizada pelo professor e pelos demais sujeitos envolvidos no processo educativo. Para o autor, o desenvolvimento cognitivo é favorecido quando os estudantes participam ativamente de situações de aprendizagem contextualizadas, capazes de relacionar os conteúdos escolares às práticas sociais e culturais do cotidiano.

Paulo Freire (1996) também enfatiza que a aprendizagem ganha sentido quando parte da realidade concreta dos educandos. Em sua concepção, o diálogo, a problematização e a valorização das experiências de vida constituem elementos fundamentais para a construção do conhecimento, rompendo com modelos de ensino baseados exclusivamente na transmissão de conteúdo.

Nesse contexto, a contextualização do ensino representa uma estratégia pedagógica capaz de integrar teoria e prática, aproximando os conteúdos escolares das necessidades e vivências dos estudantes da EJA. Além de favorecer a aprendizagem significativa, essa abordagem estimula a participação, a autonomia e o pensamento crítico, contribuindo para uma educação mais inclusiva, participativa e comprometida com a transformação social.

2.3. Metodologias Contextualizadas na Educação de Jovens e Adultos

As metodologias contextualizadas constituem importantes estratégias pedagógicas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), pois consideram os conhecimentos, as experiências e as necessidades dos estudantes como ponto de partida para a construção do conhecimento. Diferentemente de práticas centradas apenas na transmissão de conteúdo, essas metodologias favorecem uma aprendizagem significativa ao relacionar os conteúdos escolares com situações concretas do cotidiano.

Entre as estratégias mais utilizadas destaca-se a aprendizagem baseada em projetos, que propõe a investigação de problemas reais e o desenvolvimento de soluções de forma colaborativa. Essa metodologia incentiva a participação ativa dos estudantes, promove a integração entre diferentes áreas do conhecimento e possibilita que os conteúdos sejam compreendidos em contextos próximos da realidade vivenciada pelos educandos.

Outra estratégia relevante é a aprendizagem baseada na resolução de problemas, que estimula o pensamento crítico, a autonomia e a capacidade de tomada de decisões. Na EJA, essa abordagem favorece a discussão de situações relacionadas ao trabalho, à cidadania, à saúde, à economia e às demais experiências presentes no cotidiano dos estudantes, tornando o processo educativo mais significativo.

A interdisciplinaridade também representa importante princípio das metodologias contextualizadas. Ao integrar diferentes áreas do conhecimento, possibilita uma compreensão mais ampla dos fenômenos estudados, favorecendo a articulação entre teoria e prática e contribuindo para o desenvolvimento de competências necessárias à vida social e profissional.

Nesse contexto, as práticas pedagógicas contextualizadas fortalecem a participação dos estudantes, valorizam seus saberes prévios e promovem uma aprendizagem mais crítica e emancipadora. Ao reconhecer a realidade dos educandos como elemento central do processo educativo, essas metodologias contribuem para tornar a EJA mais inclusiva, motivadora e comprometida com a formação cidadã.

2.4. Metodologias Ativas e Tecnologias Digitais

As metodologias ativas têm ocupado espaço crescente nas discussões sobre inovação pedagógica por promoverem maior participação dos estudantes na construção do conhecimento. Segundo José Moran (2018), essas metodologias colocam o estudante como protagonista do processo de aprendizagem, enquanto o professor assume o papel de mediador, organizando situações que favoreçam a investigação, a colaboração e a resolução de problemas.

Lilian Bacich e Moran (2018) destacam que a integração das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) amplia as possibilidades de aprendizagem ao diversificar recursos, linguagens e formas de interação entre professores e estudantes. Entretanto, os autores ressaltam que a utilização das tecnologias deve estar articulada aos objetivos pedagógicos, evitando seu uso apenas como recurso tecnológico sem finalidade educativa.

Entre as metodologias mais empregadas destacam-se a sala de aula invertida, na qual os estudantes têm contato prévio com os conteúdos e utilizam o tempo presencial para discussões e atividades práticas; o ensino híbrido, que combina atividades presenciais e digitais de forma complementar; e a gamificação, que utiliza elementos dos jogos para estimular a motivação, o engajamento e a participação dos estudantes.

Outra estratégia em expansão é a Educação Maker, fundamentada na aprendizagem pela experimentação e na resolução de problemas por meio da criação de projetos e protótipos. Essa abordagem estimula a criatividade, a colaboração e o desenvolvimento de competências necessárias para enfrentar situações reais, aproximando o ensino das experiências vivenciadas pelos estudantes da EJA.

Dessa forma, a integração entre metodologias ativas e tecnologias digitais potencializa práticas pedagógicas mais contextualizadas, favorecendo a aprendizagem significativa, a autonomia e o protagonismo dos educandos. Quando planejadas de acordo com as características da EJA, essas estratégias contribuem para tornar o ensino mais dinâmico, participativo e alinhado às demandas da sociedade contemporânea.

3. METODOLOGIA

A presente pesquisa caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, com o objetivo de analisar as contribuições das metodologias contextualizadas para a aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Esse tipo de revisão possibilita reunir e sintetizar conhecimentos produzidos sobre determinado tema, favorecendo uma compreensão ampla das evidências disponíveis.

A busca dos estudos foi realizada nas bases SciELO, Google Scholar, Revista Internacional de Educação de Jovens e Adultos, Revista Prática Docente, Revista Tópicos, Revista Sustinere, Revista Plurais e REMUNOM, considerando publicações no período de 2021 a 2026.

Foram utilizados os descritores "Educação de Jovens e Adultos", "metodologias contextualizadas", "metodologias ativas", "aprendizagem significativa", "práticas pedagógicas", "tecnologias digitais" e "permanência escolar", combinados pelo operador booleano AND.

Como critérios de inclusão, selecionaram-se artigos científicos completos, publicados em português, revisados por pares e relacionados ao objetivo da pesquisa. Foram excluídos trabalhos duplicados, dissertações, teses, resumos de eventos e estudos que não abordavam diretamente a temática investigada.

Após a aplicação dos critérios de seleção, foram incluídos oito artigos científicos, os quais foram analisados quanto à autoria, objetivos, metodologia e principais resultados. A organização e interpretação dos dados permitiram identificar as metodologias contextualizadas utilizadas na EJA, suas contribuições para a aprendizagem e os principais desafios apontados pela literatura. O processo de seleção dos estudos foi organizado por meio de um fluxograma adaptado das recomendações do PRISMA, conferindo maior transparência à revisão.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise dos estudos selecionados possibilitou identificar diferentes abordagens sobre o uso de metodologias contextualizadas na Educação de Jovens e Adultos (EJA), evidenciando suas contribuições para a aprendizagem, a motivação e a permanência dos estudantes no ambiente escolar. Os artigos analisados demonstram que práticas pedagógicas centradas na realidade dos educandos favorecem a construção de conhecimentos mais significativos, fortalecem o protagonismo discente e contribuem para uma educação comprometida com a transformação social.

Os resultados foram organizados em categorias temáticas, permitindo compreender as principais metodologias empregadas, os benefícios observados para o processo de ensino-aprendizagem, os desafios enfrentados pelos docentes e as evidências apontadas pela literatura científica. Inicialmente, apresenta-se a caracterização dos estudos incluídos na revisão.

4.1. Caracterização dos Estudos Selecionados

A revisão integrativa contemplou oito artigos científicos publicados entre os anos de 2021 e 2026, selecionados por apresentarem relação direta com o uso de metodologias contextualizadas na Educação de Jovens e Adultos. Os estudos foram desenvolvidos em diferentes instituições de ensino e periódicos da área da Educação, contemplando abordagens qualitativas, revisões bibliográficas, relatos de experiência e pesquisas aplicadas. O Quadro 1 apresenta a caracterização geral das publicações analisadas.

Tabela 1. Caracterização dos estudos incluídos na revisão

Autor (ano)

Objetivo

Metodologia

Principais resultados

Paulo, Zitkoski e Kaefer
(2025)

Sistematizar as contribuições de Osmar Fávero para a Educação Popular e para a EJA.

Pesquisa bibliográfica e documental.

Evidenciou a valorização do diálogo, da participação e dos saberes dos estudantes como fundamentos da aprendizagem na EJA.

Artuzi, Voltolini e Bertoloto
(2021)

Analisar o uso da sala de aula invertida no ensino de Língua Inglesa na EJA durante o ensino remoto.

Pesquisa aplicada, observação participante e questionários.

A metodologia favoreceu autonomia e participação, embora tenha sido limitada pelo acesso às tecnologias digitais.

Laurine et al.
(2026)

Investigar fatores relacionados à motivação e à permanência escolar na EJA.

Pesquisa bibliográfica qualitativa.

A contextualização do ensino fortaleceu a motivação, o vínculo escolar e a permanência dos estudantes.

Andrade, Maciel e Bezerra
(2026)

Analisar as contribuições das TDICs e das metodologias ativas no ensino de Matemática na EJA/EPT.

Revisão bibliográfica e análise de experiência pedagógica.

As tecnologias e metodologias ativas favoreceram aprendizagem significativa, protagonismo e inclusão digital.

Silva, Bezerra e Moreira
(2025)

Discutir o potencial das tecnologias emergentes para inovação no ensino da EJA.

Pesquisa bibliográfica qualitativa.

As tecnologias ampliaram as possibilidades de aprendizagem quando utilizadas de forma planejada e contextualizada.

Cardoso et al.
(2025)

Relatar experiências da Residência Pedagógica no ensino de Biologia para estudantes da EJA.

Relato de experiência.

Aulas práticas, jogos e rodas de conversa aproximaram os conteúdos da realidade dos estudantes, favorecendo maior participação.

Silva e Assunção
(2026)

Investigar as contribuições da Educação Maker para a formação continuada de professores da EJA

Estudo aplicado com abordagem qualitativa.

A Educação Maker favoreceu inovação pedagógica, criatividade e desenvolvimento de práticas mais contextualizadas.

Rodrigues et al.
(2026)

Identificar desafios e possibilidades do processo de ensino-aprendizagem na EJA.

Revisão integrativa da literatura.

Destacou a importância das metodologias ativas, da valorização das experiências dos estudantes e da formação docente para qualificar o ensino.

Fonte: Elaboração própria (2026).

Os oito estudos analisados foram publicados entre 2021 e 2026, evidenciando o crescente interesse da comunidade científica pelas metodologias contextualizadas aplicadas à Educação de Jovens e Adultos. Observou-se predominância de pesquisas qualitativas, revisões bibliográficas e relatos de experiência, indicando que a produção científica sobre a temática ainda se concentra na análise de práticas pedagógicas e na reflexão sobre estratégias capazes de responder às especificidades desse público.

Quanto aos objetivos das pesquisas, verificou-se que a maioria buscou compreender como metodologias inovadoras e contextualizadas podem contribuir para a aprendizagem, para a motivação e para a permanência dos estudantes na EJA. Também foram identificados estudos voltados à incorporação das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs), da Educação Maker, da sala de aula invertida e de outras metodologias ativas como estratégias para aproximar os conteúdos escolares da realidade dos educandos.

Em relação aos principais resultados, observou-se consenso entre os autores ao reconhecer que a aprendizagem na EJA se torna mais significativa quando os conteúdos dialogam com as experiências de vida, de trabalho e com o contexto sociocultural dos estudantes. Os estudos também evidenciam que práticas pedagógicas baseadas no diálogo, na participação e na resolução de problemas favorecem maior engajamento, autonomia e protagonismo discente, aspectos fundamentais para reduzir a evasão escolar e fortalecer o vínculo dos estudantes com a escola.

Além disso, a análise permitiu identificar que a utilização de metodologias contextualizadas depende de fatores como formação continuada dos professores, disponibilidade de recursos didáticos e tecnológicos e condições institucionais adequadas para sua implementação. Dessa forma, os estudos indicam que a inovação metodológica não está restrita à adoção de novas ferramentas, mas exige uma reorganização das práticas pedagógicas, orientada pela valorização dos saberes prévios dos estudantes e pela construção coletiva do conhecimento, princípios que dialogam diretamente com a perspectiva freireana de educação.

4.2. Metodologias Contextualizadas Identificadas na Educação de Jovens e Adultos

A análise dos estudos permitiu identificar diferentes metodologias empregadas para promover uma aprendizagem mais significativa na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Embora cada pesquisa apresente estratégias específicas, observa-se um objetivo comum: aproximar os conteúdos escolares da realidade vivenciada pelos estudantes, considerando suas experiências pessoais, profissionais e socioculturais. Essa perspectiva rompe com modelos tradicionais de ensino centrados na transmissão de conteúdos e fortalece práticas pedagógicas fundamentadas na participação ativa dos educandos.

Tabela 2. Principais metodologias identificadas nos estudos analisados

Metodologia

Número de estudos

Metodologias ativas

4

Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs)

3

Rodas de conversa

2

Aulas práticas

2

Sala de aula invertida

1

Educação Maker

1

Jogos didáticos

1

Fonte: Elaboração própria (2026).

Os estudos demonstram que a contextualização do ensino não está vinculada a uma única metodologia, mas ao uso de estratégias que aproximam os conteúdos escolares da realidade dos estudantes. Entre as práticas mais recorrentes destacam-se as metodologias ativas, as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs), as aulas práticas, as rodas de conversa, os jogos didáticos e as atividades colaborativas. Essas estratégias favoreceram maior participação dos educandos, fortaleceram a relação entre teoria e prática e valorizaram os conhecimentos construídos ao longo da vida, em consonância com os princípios defendidos por Paulo Freire.

As metodologias ativas sobressaíram por promoverem maior protagonismo discente, estimulando a participação, a autonomia e o desenvolvimento do pensamento crítico. De forma semelhante, o uso das TDICs ampliou as possibilidades de interação e aprendizagem, embora os estudos ressaltem a necessidade de infraestrutura adequada e formação docente para sua efetiva utilização.

As rodas de conversa, as aulas práticas, a sala de aula invertida, a Educação Maker e os jogos didáticos também apresentaram resultados positivos, especialmente por aproximarem os conteúdos escolares das experiências dos estudantes e favorecerem uma aprendizagem mais dinâmica e significativa.

De modo geral, os estudos convergem ao indicar que as metodologias contextualizadas contribuem para fortalecer a aprendizagem, a motivação e o vínculo dos estudantes com a escola, evidenciando que a valorização de suas experiências de vida constitui elemento essencial para uma educação crítica, participativa e transformadora.

4.3. Contribuições das Metodologias Contextualizadas para a Aprendizagem

A análise dos estudos evidenciou que as metodologias contextualizadas promovem impactos positivos no processo de ensino e aprendizagem da Educação de Jovens e Adultos (EJA). As estratégias identificadas não apenas favorecem a compreensão dos conteúdos escolares, mas também fortalecem a participação dos estudantes, estimulam a autonomia, ampliam a motivação para aprender e contribuem para a permanência no ambiente escolar. A Tabela 3 apresenta as principais contribuições identificadas nos estudos analisados.

Tabela 3. Principais contribuições das metodologias contextualizadas para a aprendizagem na EJA

Contribuição encontrada

Número de estudos

Aprendizagem significativa

8

Relação entre teoria e prática

8

Maior participação dos estudantes

7

Motivação para aprender

6

Protagonismo discente

5

Inclusão digital

3

Fonte: Elaboração própria (2026).

A aprendizagem significativa foi a principal contribuição identificada nos estudos analisados. Em todas as pesquisas, a aproximação dos conteúdos escolares com a realidade dos estudantes favoreceu maior compreensão dos conceitos e possibilitou a construção do conhecimento a partir das experiências de vida, do trabalho e das relações sociais.

A maior participação dos estudantes também foi um resultado recorrente. As metodologias contextualizadas estimularam a interação, a troca de experiências e a construção coletiva do conhecimento, promovendo maior autonomia e rompendo com práticas centradas exclusivamente na exposição do professor.

Outro benefício destacado foi o aumento da motivação para aprender. Os estudos evidenciam que os estudantes demonstram maior interesse quando os conteúdos dialogam com suas necessidades e vivências, contribuindo para fortalecer o vínculo com a escola e favorecer a permanência na EJA.

O protagonismo discente também foi apontado como resultado das metodologias ativas, da Educação Maker, da sala de aula invertida e de outras estratégias colaborativas, nas quais o professor assume o papel de mediador da aprendizagem. Além disso, o uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) ampliou as possibilidades de interação e acesso ao conhecimento, embora sua efetividade dependa de infraestrutura adequada e formação docente.

De modo geral, os estudos demonstram que as metodologias contextualizadas fortalecem a aprendizagem significativa, a autonomia, o pensamento crítico e a participação dos estudantes, corroborando as concepções de Paulo Freire e David Ausubel sobre a importância de relacionar os conhecimentos escolares às experiências e aos saberes prévios dos educandos.

4.4. Síntese das Evidências

A análise integrada dos estudos permitiu identificar um conjunto de evidências que demonstram a relevância das metodologias contextualizadas para a qualificação do processo de ensino e aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Embora os artigos apresentem diferentes abordagens metodológicas e distintos contextos de investigação, observa-se convergência quanto aos benefícios da contextualização do ensino para o desenvolvimento da aprendizagem significativa, da participação dos estudantes e da permanência escolar. A Tabela 5 sintetiza as principais evidências encontradas.

Tabela 5. Síntese das evidências identificadas na revisão

Categoria

Evidências encontradas

Contextualização

Aproxima os conteúdos da realidade dos estudantes e favorece a aprendizagem significativa.

Metodologias ativas

Estimulam o protagonismo, a participação e a construção coletiva do conhecimento.

Tecnologias Digitais da Informação

e Comunicação (TDICs)

Potencializam a aprendizagem quando utilizadas de forma planejada e articuladas aos objetivos pedagógicos.

Formação docente

Constitui elemento fundamental para a implementação de práticas inovadoras e contextualizadas.

Permanência escolar

A contextualização fortalece a motivação, o vínculo com a escola e contribui para reduzir a evasão.

Fonte: Elaboração própria (2026).

A análise integrada dos estudos evidencia que as metodologias contextualizadas constituem importante estratégia para qualificar o processo de ensino-aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos. Apesar da diversidade de abordagens, todas compartilham o princípio de valorizar os saberes, as experiências e a realidade dos estudantes, promovendo uma aprendizagem mais participativa e significativa.

Estratégias como sala de aula invertida, Educação Maker, rodas de conversa, aulas práticas, jogos didáticos e Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) aproximam os conteúdos escolares do cotidiano dos educandos, favorecendo maior interesse, compreensão e participação. Os estudos também apontam que o uso das tecnologias potencializa a aprendizagem quando associado a um planejamento adequado, à mediação do professor e à disponibilidade de infraestrutura.

Outro aspecto recorrente refere-se à formação continuada dos docentes, considerada essencial para a implementação de práticas pedagógicas inovadoras e contextualizadas. Da mesma forma, os estudos indicam que estudantes que percebem sentido nos conteúdos desenvolvidos tendem a apresentar maior motivação e permanência escolar, contribuindo para a redução da evasão na EJA.

De modo geral, as evidências demonstram que as metodologias contextualizadas fortalecem a aprendizagem significativa, a autonomia e o protagonismo dos estudantes, em consonância com os pressupostos de Paulo Freire e David Ausubel. Assim, reforça-se a necessidade de investimentos em formação docente, infraestrutura e práticas pedagógicas que valorizem as experiências e os conhecimentos prévios dos educandos.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, as contribuições das metodologias contextualizadas para a aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos. A análise dos oito artigos selecionados permitiu identificar que estratégias como metodologias ativas, Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs), sala de aula invertida, Educação Maker, aulas práticas e rodas de conversa favorecem uma aprendizagem mais significativa, fortalecem o protagonismo dos estudantes e contribuem para sua motivação e permanência na escola.

Em resposta ao problema de pesquisa, verificou-se que as metodologias contextualizadas promovem a aprendizagem na EJA ao aproximarem os conteúdos escolares das experiências de vida, do trabalho e da realidade sociocultural dos estudantes. Essa aproximação torna o processo educativo mais participativo, relevante e alinhado às necessidades dos educandos, reforçando a importância de práticas pedagógicas centradas no diálogo e na valorização dos conhecimentos prévios.

Como contribuição, este estudo reúne evidências recentes sobre metodologias contextualizadas na EJA, oferecendo subsídios para professores e pesquisadores interessados na adoção de práticas pedagógicas mais inclusivas e significativas. Entre as limitações, destaca-se o número reduzido de estudos analisados e o recorte temporal adotado, que restringem a abrangência dos resultados.

Por fim, sugere-se que pesquisas futuras ampliem o número de estudos analisados e investiguem, por meio de pesquisas de campo, os impactos das metodologias contextualizadas em diferentes contextos da Educação de Jovens e Adultos, contribuindo para o aprimoramento das práticas docentes e para a melhoria da aprendizagem nessa modalidade de ensino.

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