O PENSAMENTO DE HERÁCLITO DE ÉFESO

THE THOUGHT OF HERACLITUS OF EPHESUS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/776129414

RESUMO
A filosofia nos convida a pensar. É na tradução livre do próprio termo, “amor ao saber”. E esta nova forma de pensar floresceu na Grécia Clássica, em meados do século VI a.C. aproximadamente. A Escola de Pensamento da Jônia (parte integrante da Grécia Antiga), arbitrariamente falando foi a que produziu os primeiros pensadores e questionadores dos fenômenos ocorrentes no Universo e em tudo que nos cerca. Tales, Anaximandro, Anaxímenes e Heráclito de Éfeso, este último objeto de análise deste artigo. Objetivando trazer e retratar as temáticas pertinazes à historicidade, metafísica, doxografia e a sua cosmovisão. Explanando na forma conclusiva do conteúdo pesquisado o contexto histórico e o seu pensamento filosófico, atrelado a sua cosmovisão, na qual é centrada no “fogo” cósmico e no Logos uma entidade abstrata e poderosa do Universo. O fluxo das mudanças é a tônica no pensamento de Heráclito de Éfeso. Que é um pensador obscuro e único! Um filósofo que flertava com a razão e nos legou seu pensamento em “fragmentos” textuais cheios de incógnitas e sutis revelações reflexivas.
Palavras-chave: Heráclito de Éfeso, Filosofia Grega, Cosmovisão, Ciência, Metafísica, Doxografia heracliana.

ABSTRACT
Philosophy invites us to think. In a free translation of the term itself, it is "love of wisdom." This new way of thinking flourished in Classical Greece, around the middle of the 6th century BC. The Ionian School of Thought (an integral part of Ancient Greece), broadly speaking, produced the first thinkers and questioners of the phenomena occurring in the Universe and in everything around us. Thales, Anaximander, Anaximenes, and Heraclitus of Ephesus, the latter being the subject of analysis in this article. The aim is to present and portray the themes pertinent to historicity, metaphysics, doxography, and their worldview. The conclusive explanation of the researched content outlines the historical context and philosophical thought, linked to their worldview, which is centered on the cosmic "fire" and the Logos, an abstract and powerful entity of the Universe. The flow of change is the keynote in the thought of Heraclitus of Ephesus. What an obscure and unique thinker! A philosopher who flirted with reason and bequeathed to us his thought in textual "fragments" full of unknowns and subtle reflective revelations.
Keywords: Heraclitus of Ephesus, Greek Philosophy, Worldview, Science, Metaphysics, Heraclian Doxography.

1. INTRODUÇÃO

O Mundo Grego Clássico, isto é, quando nos referimos prioritariamente ao período aproximativo na escala temporal que abarca os séculos VI a.C. à III a.C., neste espaço de tempo houve indubitavelmente uma verdadeira “explosão” intelectual naquela região. Algo sumariamente sem precedentes da história da humanidade. Foi quando o pensamento racional manifestou-se no seu zênite e de certa forma se “descolou” das mitologias vigentes, que assombravam as mentes. Na esteira destas colocações e tratando da unidade grega naquele tempo, nos diz Cartledge (2002, p. 18). “(...) a Hélade era uma entidade cultural mais do que estritamente política (...) Definia-se por uma ancestralidade comum (...) por uma língua comum (...) e por hábitos comuns – pelo menos rituais religiosos compartilhados.” Os gregos rotulavam quem não falasse a sua língua de “bárbaros”.

É importante, porém definir em linhas gerais algumas características físicas da Grécia. E para isso, nos debrucemos nesta introdução no que tangem aos aspectos geográficos e naturais da élade no período Clássico, ou Grécia Antiga.

Berger, Dekonski, Nudelman e Rotberg, afiançam que, a Grécia antiga ocupava uma área pouco extensa (64 500 km²), mas muito variado do ponto de vista geográfico. Compreendia: 1) o sul península do Bálcãs; 2) as ilhas egéias e jônicas; 3) as costas ocidentais da Ásia Menor. A Grécia continental (balcânica) ocupava a quarta parte de toda a Grécia e mais não era que uma península, dividida por dois golfos e cadeias de montanhas, em três zonas bem distintas: o Norte, o Centro, e o Sul do Peloponeso. (...) Esta divisão característica da Grécia continental explica-se pelo fato de estar sulcada de montanhas em todas as direções, principalmente de cadeias com mais de 2 000 metros de altitude, orientadas para o sul. (1968, p. 28).

O que clarifica-se o fato de que a comunicação por terra na Grécia era extremamente dificultosa, dado a sua geografia acidentada, sulcada por montanhas de grande altitude na sua parte continental. Bem como na questão das ilhas e a costa da Ásia Menor acessíveis somente pela via marítima. O que favorecia a comunicação com o exterior das comunidades gregas que viviam socialmente de forma autônoma, já que as montanhas e o mar as isolavam entre si. Não havendo, portanto um espaço geográfico acessível e comum às populações gregas, a via mais eficiente era pelo mar. De certa forma isto impactou profundamente na sociedade grega do período, tendo reflexos inclusive no seu modo de pensar e especular sobre o mundo natural e os fenômenos que fazem parte da vida e do Cosmo. Pois, a comunicação com as demais culturas evoluídas do Egito e Ásia era intensa, devido ao comércio marítimo. E isto invariavelmente fomentou o início do desenvolvimento da filosofia e da ciência, colocando a cultura grega antiga na vanguarda.

Berger, Dekonski, Nudelman e Rotberg, o papel dos gregos antigos não é menos importante no desenvolvimento da filosofia e da ciência. A filosofia (em grego, amor a sabedoria), no sentido que atribuímos a esta palavra, nasceu na Hélade. Os cidadãos das polis evoluídas da Jônia assimilaram muito cedo a herança cultural do Oriente. Esta herança compreendia o pensamento científico que procurava explicar os fenômenos da natureza (...). (1968, p. 196).

Portanto os mercadores da Jônia empreendiam constantes viagens com intuito comercial para o Oriente, comprando e vendendo mercadorias, advindas dos impérios daquela região.

Rousseau diz, mas quer fossem à Assíria, ao Egito ou à Pérsia, os mercadores jônios não levavam só as madeiras preciosas, os tecidos ricos, as especiarias e as plantas aromáticas; levavam também narrativas, hábitos e receitas. Tudo quanto lhes tinham lá contado, estes navegadores repetiam por sua vez aos compatriotas. (1969, p. 21).

Tratando de questões específicas do saber a respeito das culturas da Babilônia e do Egito, na qual os gregos absorveram, há às colocações definidoras de Berger, Dekonski, Nudelmean e Rotberg (1968, p. 196). “A Babilônia e o Egito caracterizavam-se por um progresso notável das matemáticas, da astronomia e das ciências naturais.”

Contudo não se pode especular que esta transição de pensamento dentro do bojo da cultura grega, deu-se de forma espontânea e pacífica. Urdia a necessidade de transformar e equacionar a sociedade no sentido de estar propícia a absorver os novos e vigorosos conhecimentos. Pertinaz às questões das transformações sociais ocorridas na Jônia (costas da Ásia Menor), dizem Berger, Dekonski, Nudelmean e Rotberg (1968, p. 197). “Quando na Jônia a nobreza de berço foi substituída no poder por mercadores audaciosos, cujas relações comerciais se tinham fortalecido graças à colonização, o progresso do pensamento foi favorecido.” Fato que clarifica que às relações comerciais intensas principalmente com o Oriente, somado ao aspecto das transformações sociais ocorridas na região, com a substituição do poder decisório, passando para a classe de mercadores, houve uma exponenciação natural no progresso do saber com a infusão de novas ideias e pensamentos. Em se tratando do pensamento dos Jônios, aventa Rousseau (1969, p. 21). “(...) o espírito dos Jônios, favorecido pela liberdade de que gozavam, iria exercer-se sobre as fórmulas utilitárias vindas do Oriente, e o seu esforço para a lógica, o seu impulso para a harmonia, imprimir à ciência o seu primeiro impulso.” O filosofar com produto fecundo deste movimento social e transformação cultural que primeiro inundou a Jônia, nasce justamente num contexto de estar centrada praticamente na classe comercial (burguesa) e governante, além de primeiramente basear-se no requinte especulativo e racional, conforme afiança Moura (2004, p. 26). “Nascida da scholê dos patrícios helênicos, a filosofia sempre cultivou, pelo menos desde os sofistas, o gosto pelos requintes técnicos (...).” Estava aberto o caminho na qual os gregos iriam solapar rumo aos altos refinamento do filosofar e conjecturar a respeito de tudo, lançando das bases do saber, inclusive tendo impacto direto na contemporaneidade, com o desenvolvimento das ciências já nas portas da modernidade. E tudo tinha início na Jônia como genitora.

Ocorrendo então justamente na região da Jônia o desenvolvimento inicial e fecundo do saber, conforme afiançam Berger, Dekonski, Nudelmean e Rotberg (1968, p. 197). “Mileto, polis principal da Jônia, foi a pátria do primeiro filósofo helênico, Tales (600), pai da concepção materialista espontânea (...).” É com Tales que tem o advento da assim denominada “Escola de Mileto”, por ser justamente o primeiro “pensador”, após ele seus discípulos ou pósteros, e de certa forma herdeiros do seu pensamento genitor são: Anaximandro, Anaxímenes e Heráclito. Colocações estas endossadas por Marin (2023, p. 16). “Tales foi o primeiro dos primeiros três cosmólogos de Mileto, na jônia, atual costa turca, outrora um dos centros florescentes da Grécia Clássica.” E a respeito da origem de tudo no mundo Tales fez especulações, conforme coloca Russell (2017, p. 20). “Todas as coisas são feitas de água, teria dito Tales de Mileto. E assim começou a filosofia e a ciência.”

Neste artigo trataremos especificamente de Heráclito e parte do seu pensamento, prioritariamente no tangente aos seus aspectos de cunho histórico, metafísica, doxografia e a sua cosmovisão. Sendo os objetivos desta abordagem os seguintes:

  • Realizar pesquisa bibliográfica em livros técnicos, referente ao “filósofo” grego Heráclito, tratando de temáticas pertinazes à historicidade, metafísica, doxografia e a sua cosmovisão;

  • Explanar as questões conclusivas a respeito do conteúdo pesquisado, enfatizando o contexto histórico e o seu pensamento.

É, contudo salutar e oportuno destacar que para poder tratar do pensamento de Heráclito é imperioso discorrermos a respeito deste breve contexto de cunho historicista que foi colocado na introdução. Conforme dizem Mosley e Lynch (2011, p. 09). “A história da ciência muitas vezes é narrada como uma série de grandes avanços (...) Mas sempre há um antes, um depois e um contexto histórico.” Ensejou-se então situar de forma contextual e histórica a Grécia e a sua região adjacente a Jônia para devidamente tratar da obra heracliana e buscarmos entender um pouco do seu mundo.

2. HERÁCLITO?

Heráclito nitidamente flertava com a razão. Dono de um linguajar obscuro e de conceitos pouco claros, ele desafia a interpretação moderna, assim como já era um verdadeiro enigma já no seu tempo. Era além de obscuro, refinado e maravilhoso, desperta nos seus leitores e estudiosos sentimentos antagônicos. Heráclito é um notável caso de interrogação. Pertinente a Heráclito, assim o define Rousseau (1969, p. 25). “Heráclito fazia um alto conceito do seu próprio talento; vivia afastado, macambúzio, distante e desesperado, e desprezava as hipóteses (...).” Isto endossa o aspecto de que Haráclito fazia alto uso da razão e objetividade, dado que não tinha afeiçoamento a hipóteses, na qual muito provavelmente considerasse como “falácias”. A respeito da vida de Heráclito muito pouco ou nada se sabe, era natural da cidade grega de Éfeso na Jônia e teve contato com os saberes de Tales de Mileto e das civilizações orientais.

Marin assevera que, Heráclito de Éfeso, muito provavelmente esteve em atividade num período aproximativo de 500 a.C. Aspectos de sua vida são uma verdadeira incógnita e repousam na escuridão e sepultados pelo tempo. Informações posteriores de natureza biográfica são fictícias e não retratam nem ínfimos aspectos da sua existência obscura. (2023, p. 15).

Os aspectos obscuros da sua existência permeiam toda a literatura a respeito da sua biografia, não há certezas, tudo gira em torno de especulações e de fontes secundárias.

Bowder diz que, filósofo início do século V a.C. Heráclito desistiu de um “reinado” em Éfeso em favor do irmão por questão de “orgulho”. Mesmo essa afirmação pode ser falsa, e a grande maioria das informações sobre sua vida consiste de histórias inventadas a partir da fama de orgulhoso e misântropo ou é calculada em interpretações maldosas de sua obra. (1990, p. 176).

É, contudo impossível traçar um aspecto de cunho biográfico a respeito de Heráclito, pois igualmente por exemplo, são desconhecidas a sua data de nascimento e morte. Dono de uma personalidade obscura e de certa forma recluso, certamente despertou certo preconceito e teve sua vida cercada de lendas.

Bornheim diz que, as datas de nascimento e morte de Heráclito são desconhecidas. Sabe-se porém, que atingiu o acme de sua existência na época da 69ª Olimpíada, ente 504 e 500 a.C. (...) De sua vida, pouco se conhece; supõe-se que tenha pertencido à aristocracia de Éfeso e que seus antepassados foram os fundadores da cidade. Mas parece que Heráclito abdicou dos seus direitos de participar do governo da cidade. Chamavam-no do orgulhoso, pois desprezava os cidadãos e levava a vida a parte. Cognominado de “obscuro”, relata-se que teria depositado o seu livro no templo de Ártemis, mas esta e muitas lendas que se contam sobre a sua vida, não têm fundamento histórico. (2008, p. 35).

Fato consumado que Heráclito nasceu na cidade jônica de Éfeso na atual costa da Turquia moderna, herdeiro de uma tradição mercantil da cidade e pertencente à classe aristocrática, esteve ativo intelectualmente por volta dos anos 500 a.C., no momento do zênite da cultura grega. A respeito da vida de Heráclito coloca Long (2008, p. 29). “Seu nascimento em Éfeso é geralmente datado por volta de 540 a.C. (...) Embora isso seja provavelmente correto, está longe de ser seguro.” Denota-se nas fontes pesquisadas que Heráclito tinha um notório desprendimento de “coisas materiais” e honrarias, demonstrava sim certo “orgulho” e “ignorava” as pessoas, tendo uma personalidade única. Atentando aqui para aspectos da sua filosofia, aventa Long (2008, p. 29). “Sua filosofia notoriamente obscura foi popularmente resumida na fórmula “tudo flui””. Ainda a respeito de sua vida, Long (2008, p. 290) assim diz. “Provavelmente morre no período entre 480-470 a.C.” Conduto sua obra filosófica, muito embora obscura permanece ativa e importante na luz da modernidade. As sentenças máximas de Heráclito nos estimulam a pensar e questionar as verdades pré-estabelecidas, conforme diz Marin (2023, p. 15). “(...) ensejando submergir o leitor nas suas sentenças e provocar indubitavelmente uma estimulação a entrar em um jogo de esconde-esconde.”

2.1. A Filosofia Heracliana

Da obra “filosófica” de Heráclito não restou um compêndido ou mesmo livro integral. O que ficou preservado foi uma porção de fragmentos “obscuros”, dotados de certa desestrutura racional quando comparados aos demais filósofos do período e frases de tons paradoxais.

Bowder afirma que, de todo o seu trabalho, preservou-se mais de uma centena de fragmentos, em sua maioria formados de proposições prenhes de significado, curtas e obscuras, com uso freqüente de trocadilhos, metáforas e ambigüidades – deixando claro que Heráclito acreditava que os sentidos múltiplos das palavras podiam aclarar a realidade. (1990, p. 177).

A respeito da obra de cunho filosófico de Heráclito nos diz Bornheim (2008, p. 43). “A sua obra tem por objeto, de uma maneira geral, a natureza: divide-se em três livros, que tratam do Universo, do Estado e da Religião.” Trataremos evidentemente aqui do seu filosofar pertinente ao “Universo”, já que elencaremos aspectos científicos da cosmovisão heracliana, dentro da perspectiva historicista. Heráclito dá uma importante ênfase para o Logos, como agente promovedor das mudanças do universo. A respeito deste aspecto diz Bowder (1990, p. 177). “Todas as coisas acontecem de acordo com o logos, palavra que encerra muitos sentidos.” Então o termo Logos, aventado por Heráclito assume várias roupagens, dentro da sua perspectiva filosófica. Podendo ser: a regra geral que governa a natureza, o verbo – discurso em que descreve como ocorrem os fenômenos e a proporcionalidade restante dos fluxos de mudanças das coisas no mundo. O certo é que o Logos heracliano é multifacetado e abarca tudo o que ocorre no universo, no seu cosmo, tanto aos fluxos de mudanças como às regras e descrições do mundo natural. A respeito do Logos no mundo de Heráclito, Heidegger (1973, p. 117) coloca. “(...) o Logos de Heráclito foi interpretado de várias maneiras: como ratio, como verbum, como lei do mundo, como o elemento “lógico” e a lei do pensamento, como o sentido da razão.” A interpretação do Logos neste aspecto assume várias formas. E ao mesmo tempo em que o Logos heracliano é muitos, ele ao mesmo tempo é único e célula máter.

Já no tangente a doutrina heracliana do “fluxo eterno”, ainda hoje está em discussão e não há plena certeza a respeito. Sobre este aspecto, assevera Bowder (1990, p. 177). “A doutrina do fluxo eterno foi atribuída a ele pelos filósofos posteriores *Platão, que resume sua doutrina na proposição de que “tudo se move e nada repousa”, e cita-o dizendo que não se pode pisar no mesmo rio duas vezes.” A obra filosófica de Heráclito ressoou nos tempos, tendo inclusive impacto na obra magna de Platão, haja vista seus comentários de cunhos explicativos e objetivos a respeito da teoria heracliana. A respeito disso, diz Bowder (1990, p. 177). “Heráclito exerceu influência sobre Platão através de Crátilo.”

O filósofo grego Crátilo (meados do século V a.C.), foi quem desenvolveu a doutrina de aspectos mais radicais a respeito de Heráclito. Teoria esta baseada sumariamente no fluxo universal, apregoado pelo efésio Heráclito. Consoante a filosofia de Crátilo, afiança Bowder (1990, p. 112). “Era sua crença que, como não podemos dizer nada verdadeiro em relação às coisas que estão sempre mudando, então nada deveria ser dito (...).”

Contudo cumpre aventar que a filosofia heracliana objetiva sobretudo traçar um quadro natural para os acontecimentos e fenômenos do mundo. Ele o próprio Heráclito, em que pesem às questões já colocadas aqui de obscuridade que cercam sua pessoa, era essencialmente prático e objetivo. Como deve ser o saber filosófico per se. Afiançado nas próprias palavras de Bazarian (1979, p. 35).“Na realidade a filosofia, como qualquer outro tipo de saber, tem uma finalidade prática. A curiosidade de saber, o desejo de conhecer, é, em última análise, uma exigência da necessidade de sobrevivência (...).”

2.2. A Metafísica em Heráclito

A metafísica pode ser entendida sem prejuízo terminológico como o aspecto a priori e a posteriori da razão, para o além do materialismo mundano regido por regras físicas. É um termo que indubitavelmente assume vários sentidos diversos, poderíamos dizer polimorfo. Fato coadunado por Jovilet (2023, p. 17). “Verificar-se-ia, então, que o termo metafísica parece ter sido tomado em sentidos bem diversos: ciência do imaterial, ciência do real em si mesmo, ciência do incognoscível, ciência do absoluto, conhecimento sistemático universal, conhecimento a priori etc.” É clarificador que são definições importantes e válidas para a “metafísica”, contudo é importante atentar que em certo ponto de vista foram concebidas com certa parcialidade, o que na gênese do termo (metafísica) apresentam-se como incompletas ou mesmo inválidas. A metafísica é ela em si mesma, é dada per se.

A respeito do ponto de vista metafísico em relação ao homem, Carvalho (2007, p. 66) assevera. “O mundo do homem é um domínio completamente diverso do ocupado pela Natureza ou pelo pensamento puro.” A sua compreensão está abarcada na gênese em fios conectores com o supra-físico. Heráclito conjecturou a respeito destas realidades, sob o ponto de vista metafísico e da sua cosmovisão.

Consoante a necessidade humana da metafísica, há um ponto relevante a levantar, prioritariamente nas colocações de Nietzche (2008, p. 163). “A necessidade metafísica não é a fonte das religiões, como o pretende Schopenhauer; é apenas seu rebento.” Na visão de Nietzche a angústia e o vazio existencial, causado pela fatalidade das religiões, fez com que renascesse dentro do espírito humano uma premente necessidade de conceber um outro mundo, o mundo metafísico, local da perfeição plena. Já para Heráclito o Logos era a gênese de tudo o que ocorre no universo, regendo os fluxos das coisas e as mudanças no mundo natural, além de ser o agente da descrição de tudo.

Portanto para Heráclito e como para todos os demais “sábios” gregos da Grécia Antiga, a filosofia tinha objetivo de desvelar a verdade e mostrar a realidade das coisas do mundo. Consoante a este aspecto nos diz Bazarian (1979, p. 33). “A filosofia tinha então, por finalidade, conhecer os primeiros princípios da realidade, o substrato último das coisas, a origem, a essência (...).” E para Heráclito a realidade do mundo e do Universo passava necessariamente pelo Logos e pelos fluxos das coisas. Nada era inerte tudo mudava o tempo todo. E isto necessariamente era uma condição per se do Universo. Os sentidos para Heráclito não eram relevantes para o saber era preciso entender o princípio basilar que orquestrava a natureza.

Gottlieb diz, De acordo com Heráclito, nem a evidência dos sentidos e nem qualquer espécie de saber são relevantes se não se tem um entendimento adequado do princípio regente da natureza, à qual se referia como logos (o “princípio”, “teoria” ou “fórmula” das coisas). (...) “muito saber ardilosa patifaria”. (2007, p. 63).

De acordo com o pensamento heracliano muito saber tendia a perverter a própria objetividade e a curiosidade de descobrir das coisas do mundo. Não levava a nada, pois deixava-se de seguir o Logos correto, isto é, a essência de tudo. Os aspectos basilares da sua teoria perpassam da unidade de todas as coisas, o Logos e a sua ligação com a sabedoria humana, bem como a razão. A respeito da questão da metafísica em Heráclito, é preciso situar o Logos dentro do escopo da sua obra.

Heiddegger diz, desviamo-nos do caminho quando, antes de toda a interpretação metafísica profunda, pensamos o Logos como o Légein e quando, pensando assim, tomamos a sério o fato de que o Légein no sentido de recolher e de daixar-estendido-diante-em-conjunto, não pode ser outra coisa que o ser mesmo do unir, que reúne todas as coisas no tudo na simples presença? (1973, p. 124).

O Logos posto como uma entidade heracliana de cunho metafísico, como agente que une todas as coisas do mundo, numa atmosfera supra-física e até racional. É algo que está posto acima da simples racionalidade humana e que forma tudo no mundo, tendo um caráter revelador e desvelador das coisas. O Logos de Heráclito indubitavelmente é parte integrante importantes dos seus fragmentos doxográficos que serão tratados a seguir em alguns aspectos curiosos e desveladores.

2.3. Doxografia Heracliana

Em se tratando da obra doxográfica de Heráclito ela se divide em três partes: o Universo, o Estado e a Religião. A forma dos seus escritos é curiosa e tem um tom vivaz de originalidade. Como ilustram as palavras de Long (2008, p. 29). “(...) a forma dos seus escritos parece ter sido deliberadamente epigramática, críptica e desprovida dos conectivos da prosa moral.” Constituem-se como aspectos importantes da sua doutrina/ensinamento fundamentais assuntos pertinazes a unidade das coisas, processos de fluxo, o fogo cósmico, a sabedoria humana e o Logos.

Bornheim coloca que, aspectos fundamentais da doutrina: 1. A afirmação da unidade fundamental de todas as coisas (...) 2. Todas as coisas estão em movimento (...) 3. O movimento se processa através de contrários (...) 4. O fogo é gerador do processo cósmico (...) 5. O Logos é compreendido como inteligência divina que governa o real (...) 6. A sabedoria humana liga-se ao Logos (...) 7. O conhecimento sensível é enganador e deve ser superado pela razão (...). (2008, p. 35 e 36).

Nos aspectos concernentes à doxografia da obra de Heráclito denota-se a revelação da sua personalidade de caráter obscuro e na qual jogava com trocadilhos complexos e de tons paradoxais. Servindo como exemplificação o fragmento nº. 110, segundo Bornheim (2008, p. 42). “Não seria melhor para os homens, se lhes acontecesse tudo o que desejam.” Ora, nota-se um certo tom de ironia neste pensamento do efésio, cingido de um enigma provocante, na qual nos convida à reflexão sobre os desejos humanos. Já o fragmento nº. 113, Bornheim (2008, p. 42), diz. “O pensamento é comum a todos.” Trata-se enfim de uma obviedade, contudo a sua significância real está literalmente aparte do escrito e convida o leitor a analisar-se intimamente, portando um dos objetivos macros da arte do filosofar. O fragmento nº. 9, Anaximandro, Parmênides e Heráclito (2017, p. 73) diz. “Os asnos prefeririam os ramos de ouro.” Nos permite concluir mesmo que nebulosamente uma visão heracliana de desprezo para com as pessoas nas suas ações e escolhas, bem como colocado em nítido tom de ironia, intuindo promover a reflexão profunda individual. Igualmente o fragmento nº. 13, Anaximandro, Parmênides e Heráclito (2017, p. 73). “(os porcos) se comprazem na lama (mais do que na água limpa).” E sobre a morte Heráclito é enfático e faz uso da sua racionalidade ao extremo, consultando sua própria razão per se. Como aventa o fragmento nº. 21, Anaximandro, Parmênides e Heráclito (2017, p. 75). “Morte, tudo que vemos acordados, sono, o que vemos adormecidos.” Revela-se num tom enigmático, provocador, sutil e até depreciativo a respeito da própria existência humana. Ainda sobre a morte, Heráclito conjectura no fragmento nº. 27, Anaximandro, Parmênides e Heráclito (2017, p. 77). “Na morte, advém aos homens o que não esperam nem imaginam.” No fragmento nº. 42, Anaximandro, Parmênides e Heráclito (2017, p. 81). “Este Homero deve ser expulso dos concursos e bastonado, este Arquíloco também.” Heráclito destila sua desaprovação às obras de Homero e Arquíloco, por julgar serem desprovidas de Logos e obliterarem a verdade.

A respeito do Logos a doxografia heracliana é imperativa, conforme bem o descreve o fragmento de nº. 01.

Anaximandro, Parmênides e Heráclito, com o Logos, porém, que é sempre, os homens se comportam como quem não compreende tanto antes como depois de já ter ouvido. Com efeito, tudo vem a ser conforme de acordo com este Logos e, não obstante, eles parecem sem experiência nas experiências com palavras e obras, iguais às que levo a cabo, discernindo e dilucidando, segundo o vigor; o modo em que se conduz cada coisa. Aos outros homens, porém, fica-lhe encoberto tanto o que fazem acordados, como se lhes volta a encobrir o que fazem durante o sono. (2017, p. 71).

Neste fragmento o Logos assume autoridade da descrição geral de tudo, contudo as pessoas não tem poder intelectual de discernimento quanto ao que vem a ser o Logos. No pensamento de Heráclito, às pessoas tem sua capacidade opaca para vislumbrar o Logos enquanto agente regente de tudo no mundo. Ainda pertinaz ao Logos Heráclito profetiza no fragmento nº. 50, Anaximandro, Parmênides e Heráclito (2017, p. 83). “Auscultando não a mim, mas o Logos, é sábio concordar que tudo é um.” Atenta-se então para o fato de que o Logos é Uno e formador do Universo, ou seja o “motor primário”, a energia vital formadora e originária, conforme ele mesmo detalha no fragmento nº. 01.

As teorias de Heráclito não somente envolvem o Logos como agente primário de tudo, ele com sendo um rebento da Escola de Mileto de pensamento, tem às suas reflexões arraigadas em Tales. E obviamente atribuí a origem de tudo a um elemento natural principal.

Bornheim diz, eis as suas teorias. Tudo foi feito pelo fogo e tudo se dissipa pelo fogo. Tudo esta submetido ao destino. E o movimento determina a harmonia do mundo. Tudo está cheio de espíritos e demônios. Falou de todas as coisas que contém o mundo e disse que o sol tem exatamente o tamanho que se vê. Ele disse ainda: “Mesmo percorrendo todos os caminhos, jamais encontrarás os limites da alma, tão profundo é o seu Logos.” A crença é para ele uma doença sagrada e a visão uma mentira. (2008, p. 43).

Heráclito era fascinado pelo fogo, onde o Universo era para ele como um fogo ardente. Contudo a alma humana e a parte “pensante” do mundo advinha estava contida na totalidade do Logos. O movimento e fluxo das coisas e dos acontecimentos davam à tônica e regiam a harmonia do mundo. A respeito do fogo heracliano aventa Gottlieb (2007, p. 65). “Heráclito deu posição de destaque a um dos elementos, o fogo, que o fascinava.”

Entretanto para podermos tratar da cosmovisão de Heráclito, necessitava-se elencar e discorrer sobre os aspectos do seu pensamento, que estão contidos nas questões metafísicas e nos seus fragmentos doxográficos.

3. A COSMOVISÃO DE HERÁCLITO

O Mundo Grego em que adveio a Escola de pensamento Jônica; era um mundo povoado por deuses e demônios, onde tudo do Universo era estático a priori e mudava apenas com a intervenção divina. Porém já às portas do século VI a.C. conforme já aventamos na parte introdutória desta abordagem, novas formas de pensar e “ver” o mundo e os fenômenos naturais foram postas em prática naquela região povoado pelos helenos1. Conforme corrobora Pires (2011, p. 13). “Contudo, no início do séc VI a.C. surgiram novos modelos de pensamento, que algumas vezes estavam misturados com a mitologia.” Eram questionamentos que objetavam por na berlinda os dogmas tradicionais vigentes. E sobretudo buscavam saber das transformações ocorridas no mundo e em tudo o que os cercavam. Sendo que nas próprias colocações de Pires (2011, p. 13 e 14). “Procuravam explicações racionais para os fenômenos da Natureza tais como terremotos, tempestades e eclipses. Queriam entender a origem e a natureza do mundo físico.” E esse agir racional na procura de explicações para os fenômenos do mundo, utilizaram mesmo que involuntariamente da lógica como forma de pensamento, conforme coloca Galvão (2014, p. 07). “A lógica trata da relação de consequência. O que principalmente queremos saber, nesta disciplina, é o que se segue do quê.” Ora, fica claro que os primeiros pensadores utilizaram de aspectos logicistas para poder argumentar e questionar as verdades absolutas apregoadas pela religião, e assim buscar entender os mistérios do mundo físico. Os primeiros filósofos Jônicos, na qual citam-se os de Mileto: Tales, Anaximandro e Anxímenes, bem como o efésio Heráclito, não tinham uma ligação religiosa com a sua forma de pensar. Conforme corrobora a colocação de Russell (2017, p. 24). “A escola milésia não esteve ligada, de forma alguma, a qualquer movimento religioso.”

3.1. O Cosmo Como Processo

Tudo em Heráclito é fruto de evoluções e fluxos, ou seja, processos de transformação avalizados pelo Logos. A sua cosmologia está impregnada no seu pensamento. Conforme afiança Marin (2023, p. 16). “Ele postulava o universo sempre existente, na qual inflamava-se e extinguia-se através de espaços. O Cosmo de Heráclito era concebido como um “fogo sempre vivo”, objetado não como ser um objeto estático, mas sim um processo (...).”

As especulações de Heráclito a respeito do Universo giravam em torno de que ele estava em constante fluxo, assemelhado a um rio que jorra águas, em constante mudança. A mudança assume um tom categórico no pensamento de Heráclito, onde nada necessariamente nada permanece igual. Nas palavras de Marin (2023, p. 16). “(...) as manifestações do fogo primário, promovem o fluxo das coisas em todo o cosmo.”

Pertinaz à cosmologia heracliana, Long (2008, p. 152) afiança. “Ela depende da unidade-nos-opostos e leva, por sua vez, à psicologia e à teologia.” O seu pensar leva quase que de forma impactante para um cosmo natural na qual é a manifestação vivaz de um fog sempre vivo, em meio a processos de transformação e no eterno fluir. Assim colocado os elementos que constituem o nosso planeta (terra, água, ar, etc) e o cosmo, são meros frutos de mudanças do fogo e são descritas na sua gênese pelo Logos. Contudo elucida Long (2008, p. 153). “”Mudanças”, como outras palavras em Heráclito, é ambíguo entre processo e produto. Tem-se a mesma ambiguidade em “troca””. O processo cósmico de Heráclito sofre uma divisão e é envolto em ambiguidades e abstrações complexas, próprios do seu pensamento. Conforme diz Long (2008, p. 154). “O processo cósmico geral, “fogo”, é subdividido nos episódios opostos de “inflamar-se” e “extinguir-se”. Estes, por sua vez, são subdivididos em dois subprocessos: um, o de “esquentar” e secar”, e o outro, de “resfriar” e “umedecer””. Estes processos ocorrem periodicamente e de forma múltipla, assemelhado ao dia e a noite, e são ciclados anualmente.

De forma elucidativa Heráclito no seu fragmento nº. 65, diz Bornheim (2008, p. 40). “(Fogo:) carência e abundância.” No fogo está contido a totalidade dos opostos que fazem parte do processo que gere o Universo. E em relação ao fogo e o Logos diz Heráclito nas colocações de Bornheim (2008, p. 45). “(...) o fogo periódico eterno (é Deus). O destino é a lei universal (Logos), e forma as coisas em consequência do movimento dos contrários.”

Portanto a formação do mundo na cosmovisão de Heráclito ocorre entre os opostos (contrários), há indubitavelmente neste processo certo embate e revolução. A mudança manifesta-se plenamente na formação do mundo. E a sua descrição possível e verdadeira reside no Logos, uma entidade de muitas facetas e conceituação controversa

4. CONCLUSÕES

Cada homem é fruto do seu tempo. E portando às suas obras e realizações devem impreterivelmente ser julgadas à luz do seu tempo vivencial. Não é diferente quando se lança luz na obra de Heráclito de Éfeso, ele próprio, pensador, inovador, sagaz, “orgulhos”, racional ao extremo e enfim obscuro, já visto como tal ainda em vida. Muito provavelmente descendia dos fundadores da cidade (polis) de Éfeso, localizada na Jônia, atual costa da Turquia, entrou seguramente em contato com os múltiplos saberes advindos do Oriente e Egito por exemplo. Onde lá já na altura do século VI a.C. as civilizações se sucederam num caleidoscópio cultural e que inadvertidamente produziu muito conhecimento. E conhecimento que envolvia as matemáticas e astronomia prioritariamente. E ali, aquela encruzilhada cultural e comercial que era à Jônia, ligada a Grécia cultural e étnica até, sofreu um importante e salutar impacto. O que gestou o que denomina-se genericamente como a “primeira Escola de Pensamento” de Mileto (polis da Jônia), berço de Tales, de Anaximandro e Anaxímenes.

Heráclito é herdeiro direto da Escola de Pensamento de Jônia. É inegável que bebeu da fonte do saber dos milésios, sendo Tales seu primeiro rebento. E por natureza revelou-se uma mente questionadora, racional e que buscava, sobretudo uma explicação (racional) para os fenômenos do mundo, as “coisas” que ocorriam no Universo. Além de assemelhado a Tales, na qual pregava que o elemento “água” era a origem das “coisas”, Heráclito divergiu e teorizou ser o “fogo” agente das mudanças de um Universo que sempre esteve ali presente. Contudo são as manifestações nas suas diferentes facetas do fogo heracliano que promovem às mudanças e fluxos de processos que ocorrem no Universo, incluindo a geração da matéria.

O fogo teorizado por Heráclito que se personifica como agente de mudança e rege os processos de fluxos dos eventos no Universo, é, contudo descrito e fatal destino final desembocado no Logos. É o Logos, portanto que para Heráclito age como “elemento” para verdadeiramente promover as mudanças e dar o tom no fluxo das coisas. A “mudança” em Heráclito tem lugar cativo, tudo muda a cada instante num Universo que sempre esteve ali. É uma rica obra de sua mente obscura, prodigiosa e empiricamente racional.

E todo o pensamento heracliano está confinado em seus “fragmentos” que se revelam um jogo de esconde-esconde, anedotas morais, sagacidade pura e um verdadeiro convite à reflexão profunda. O que mais impacte é que ao ler e analisar os “fragmentos” filosóficos de Heráclito temos a sensação de que ao cessarem as palavras contidas ali, o silêncio que se segue que nos faz questionar e refletir internamente é ainda parte da sua criação filosófica.

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1 Possui graduação em Análise de Sistemas, Licenciatura em História e Filosofia; Especialização/Pós-Graduação em Gestão e Desenvolvimento da Tecnologia da Informação, História da Ciência, Gestão Pública, Inteligência Artificial e Computação Quântica. É Mestre em Engenharia da Informática e Doutorando em Filosofia. E-mail: [email protected][email protected]

2 Helenos: termo para designar os povos gregos.