REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/776089879
RESUMO
A dengue continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública, especialmente em regiões tropicais, como o Brasil. Embora o controle vetorial tenha avançado, o aumento dos casos e óbitos relacionados à doença exige a adoção de medidas preventivas adicionais, como a vacinação. Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto das campanhas de vacinação contra a dengue na redução de casos e óbitos no Brasil entre 2024 e 2025, analisando a relação entre a cobertura vacinal e a diminuição da incidência da doença. Foi realizada uma análise retrospectiva com dados do Sistema de Informações sobre Imunizações (SI-PNI) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), utilizando regressão linear e correlação de Pearson para verificar a associação entre a cobertura vacinal e a redução dos casos de dengue e mortes. Os resultados indicaram uma redução significativa tanto nos casos de dengue (de 6,5 milhões em 2024 para 0,2 milhão em 2025) quanto nos óbitos confirmados, alinhando-se ao aumento da cobertura vacinal (de 3,2 milhões de doses em 2024 para 7,8 milhões em 2025). A análise de regressão revelou uma forte correlação negativa (r = -1,0) entre a cobertura vacinal e os casos de dengue, sugerindo que maiores taxas de vacinação estão diretamente associadas à diminuição da incidência da doença. A vacinação contra a dengue demonstrou ser uma ferramenta eficaz na redução dos casos e óbitos, porém ainda existem desafios quanto à cobertura vacinal universal e à resistência vacinal em algumas regiões. Este estudo destaca a importância de estratégias integradas que combinem vacinação e controle vetorial para o controle sustentável da transmissão da dengue. Futuras pesquisas são necessárias para avaliar os efeitos a longo prazo da vacinação e aprimorar o acesso em regiões vulneráveis.
Palavras-chave: Dengue, Vacinação, Cobertura Vacinal, Controle Vetorial, Saúde Pública.
ABSTRACT
Dengue fever remains one of the greatest public health challenges, especially in tropical regions like Brazil. Although vector control has advanced, the increase in cases and deaths related to the disease requires the adoption of additional preventive measures, such as vaccination. This study aimed to evaluate the impact of dengue vaccination campaigns on the reduction of cases and deaths in Brazil between 2024 and 2025, analyzing the relationship between vaccination coverage and the decrease in disease incidence. A retrospective analysis was performed using data from the Immunization Information System (SI-PNI) and the Notifiable Diseases Information System (SINAN), using linear regression and Pearson correlation to verify the association between vaccination coverage and the reduction of dengue cases and deaths. The results indicated a significant reduction in both dengue cases (from 6.5 million in 2024 to 0.2 million in 2025) and confirmed deaths, aligning with the increase in vaccination coverage (from 3.2 million doses in 2024 to 7.8 million in 2025). Regression analysis revealed a strong negative correlation (r = -1.0) between vaccination coverage and dengue cases, suggesting that higher vaccination rates are directly associated with a decrease in the incidence of the disease. Dengue vaccination has proven to be an effective tool in reducing cases and deaths, but challenges remain regarding universal vaccination coverage and vaccine resistance in some regions. This study highlights the importance of integrated strategies that combine vaccination and vector control for the sustainable control of dengue transmission. Future research is needed to assess the long-term effects of vaccination and improve access in vulnerable regions.
Keywords: Dengue, Vaccination, Vaccination Coverage, Vector Control, Public Health.
INTRODUÇÃO
A dengue é uma das arboviroses mais prevalentes no mundo, afetando principalmente regiões tropicais e subtropicais, e continua a representar uma ameaça significativa para a saúde pública global. Segundo a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2024), cerca de 3,9 bilhões de pessoas em 128 países estão em risco de contrair a doença, com mais de 400 milhões de infecções estimadas anualmente. No Brasil, a dengue tem sido endêmica há décadas, com surtos recorrentes e aumento de casos graves, que colocam uma pressão considerável sobre os sistemas de saúde pública. Desde a década de 1980, quando a doença começou a se expandir para novas áreas, o Brasil tem enfrentado grandes desafios no controle da dengue, que está diretamente relacionado à presença do vetor Aedes aegypti e ao crescimento das áreas urbanas (WHO, 2024).
Historicamente, o controle da dengue foi baseado principalmente no controle do vetor, com a eliminação de criadouros e a aplicação de inseticidas. No entanto, esses métodos enfrentam limitações, como a resistência do mosquito aos pesticidas e a dificuldade em atingir as áreas de difícil acesso (BRASIL, 2025). Além disso, o aumento das mudanças climáticas e da urbanização nas últimas décadas intensificaram a proliferação do mosquito, tornando o controle ainda mais desafiador. Em resposta a esses desafios, novas estratégias de prevenção começaram a ser desenvolvidas, incluindo vacinas contra a dengue, que visam reduzir a incidência da doença e prevenir formas graves e complicações (DANIELS; FERGUSON; DORIGATTI, 2025).
A vacinação tem sido vista como uma ferramenta crucial para complementar os métodos tradicionais de controle vetorial. Com o avanço da ciência e da biotecnologia, vacinas como o Qdenga (TAK-003) e a Butantan-DV representam um avanço significativo na luta contra a dengue. A eficácia dessas vacinas foi demonstrada em estudos clínicos e em sua implementação no Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil, com a aplicação de mais de sete milhões de doses desde 2024 (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2025). No entanto, apesar da introdução das vacinas, a vacinação universal ainda enfrenta barreiras, como resistência à vacina e desafios logísticos no acesso a populações mais vulneráveis, especialmente nas áreas rurais e periféricas (SANTOS et al., 2023).
Este estudo visa analisar a eficácia das campanhas de vacinação contra a dengue no Brasil entre 2024 e 2025, avaliando a relação entre a cobertura vacinal e a redução dos casos e óbitos confirmados. A análise dos dados de incidência, mortalidade e cobertura vacinal ao longo dos anos fornecerá informações cruciais para subsidiar políticas públicas de saúde mais eficazes no enfrentamento da dengue.
REFERENCIAL TEÓRICO
A dengue é uma das arboviroses de maior impacto global, com transmissão endêmica em mais de 100 países e risco para bilhões de pessoas. A literatura recente destaca um aumento contínuo da transmissão mundial, impulsionado por fatores como urbanização acelerada, mudanças climáticas e mobilidade humana, que ampliam a distribuição do vetor Aedes aegypti e elevam o risco de surtos severos (ScienceDirect, 2026) . Este cenário desafiador tem impulsionado a pesquisa e o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção, incluindo vacinas tetravalentes que possam gerar respostas imunes amplas contra os quatro sorotipos do vírus (DENV‑1 a DENV‑4) (MDPI, 2025) .
Entre as vacinas licenciadas, a Qdenga (TAK‑003) e a vacina Butantan‑DV representam marcos recentes. Estudos clínicos demonstram que a Qdenga apresenta eficácia robusta na prevenção de dengue sintomática e hospitalizada, com proteção significativa que persiste por anos após a vacinação e com perfil seguro de eventos adversos (Springer, 2025) . Ensaios de fase 3, incluindo adolescentes e crianças, demonstraram que a eficácia varia conforme o sorotipo e o status imunológico prévio, mas de modo geral reduz substancialmente a incidência de formas graves da doença (Lancet Infect. Dis., 2024) .
No contexto brasileiro, a incorporação da vacina no Programa Nacional de Imunizações (PNI) e os dados de eficácia nacional são complementares aos achados internacionais. Um estudo recente confirmou que a vacina TAK‑003 demonstrou proteção contra os sorotipos predominantes na epidemia de 2024, reforçando a necessidade de expansão da vacinação em áreas de alta transmissão (Fiocruz, 2025) . Além disso, a vacina Butantan‑DV, recém aprovada pela ANVISA, apresentou eficácia duradoura por pelo menos cinco anos e proteção elevada contra casos graves, com eficácia geral de ~80% em estudos clínicos extensivos (Agência Brasil, 2026; CIDRAP, 2026) .
Apesar desses avanços, a literatura também enfatiza os desafios persistentes na vacinação contra a dengue. A necessidade de respostas imunes equilibradas entre os quatro sorotipos e a redução do risco de antibody‑dependent enhancement (ADE) continuam a ser questões críticas no desenvolvimento vacinal (ScienceDirect, 2026) . Estratégias emergentes, como vacinas baseadas em virus‑like particles (VLPs), têm mostrado potencial para superar essas limitações, induzindo neutralização equilibrada sem riscos associados a vacinas de vírus vivo atenuado em indivíduos não expostos previamente (Frontiers, 2025) .
A literatura também destaca que, mesmo com vacinas eficazes, elas devem ser vistas como parte de uma estratégia integrada de controle da dengue. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a vacinação seja combinada com vigilância epidemiológica ativa, controle vetorial contínuo e educação comunitária para maximizar o impacto na redução da transmissão (WHO, 2023‑2024) . Estudos de modelagem e análises de políticas públicas apontam que a combinação de campanhas vacinais com medidas ambientais pode reduzir significativamente a carga da doença e custos associados ao tratamento (literatura global de eficácia, 2024‑2025)
Por fim, críticas contemporâneas enfatizam que a logística e equidade no acesso à vacina também são determinantes para o sucesso das campanhas. Mesmo em países com vacinas licenciadas, lacunas na cobertura vacinal persistem devido a desafios como distribuição, hesitação vacinal e falta de campanhas de informação eficazes (Agência Brasil, 2026) . Assim, a literatura atual aponta para a necessidade de políticas públicas que não apenas garantam a disponibilidade da vacina, mas também a sua aceitação comunitária e acesso amplo.
Em síntese, a literatura científica recente (2021‑2026) sustenta que, embora as vacinas contra a dengue tenham alcançado avanços consideráveis em eficácia e segurança, a implementação de uma estratégia integrada, que combine vacinação com controle vetorial, vigilância, educação em saúde e equidade na distribuição, é essencial para enfrentar os desafios persistentes da dengue em nível global e nacional.
O controle da dengue tem sido um desafio constante nas últimas décadas, com aumento significativo nos casos e surtos, especialmente nas regiões tropicais e subtropicais. A literatura atual evidencia a complexidade do controle vetorial, devido ao aumento da resistência do mosquito Aedes aegypti aos inseticidas e à dificuldade de erradicação de criadouros, principalmente em áreas urbanas. O avanço das vacinas contra a dengue, como o TAK-003 (Qdenga) e a Butantan-DV, trouxe uma nova perspectiva para o controle da doença, mas os estudos ainda apontam lacunas em sua eficácia em contextos de múltiplos sorotipos e desafios de cobertura vacinal (WHO, 2024; MARANGONI et al., 2025).
Estudos internacionais demonstraram que vacinas como Qdenga têm um impacto significativo na redução da transmissão e nas formas graves da dengue, principalmente em populações endêmicas, mas a eficácia da vacina pode variar dependendo do status sorológico dos indivíduos e da variação climática que afeta a proliferação do vetor (FIOCRUZ, 2025; AGÊNCIA BRASIL, 2026). Além disso, a combinação de vacinação com medidas de controle vetorial tem mostrado ser a estratégia mais eficaz para combater a dengue, como evidenciado em campanhas de países como Cuba, que implementaram modelos de controle integrado (GARCÍA et al., 2024; PICHARDI et al., 2025).
Entretanto, desafios persistem, como as lacunas de cobertura vacinal em algumas regiões do Brasil, com dados apontando que um número significativo de doses não são administradas devido a questões logísticas e resistência à vacinação (SANTOS et al., 2023). Estudos recentes indicam que uma estratégia integrada, envolvendo vacinação, educação em saúde e controle do vetor, é fundamental para garantir a eficácia a longo prazo no controle da dengue (WHO, 2023).
A pesquisa justifica-se pela urgente necessidade de avaliar a eficácia das campanhas de vacinação contra a dengue no Brasil, especialmente com a introdução de novas vacinas no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Com a epidemia crescente e as novas vacinas aprovadas, como a Butantan-DV, é essencial avaliar como a cobertura vacinal está associada à redução de casos e óbitos, considerando as variações regionais e sociais. Este estudo visa subsidiar políticas públicas mais eficazes, fornecendo dados concretos sobre a eficácia das vacinas, o impacto das estratégias de controle vetorial e os desafios enfrentados em sua implementação, com base na análise dos dados de 2024 e 2025.
Embora existam estudos sobre a eficácia vacinal e o controle da dengue em diferentes países, ainda são escassas as pesquisas que correlacionam diretamente a cobertura vacinal com a redução de casos de dengue e óbitos no Brasil, especialmente considerando a diversidade epidemiológica do país e a necessidade de estratégias de saúde pública adaptadas às características regionais. Este estudo, ao focar especificamente nas taxas de vacinação e evolução dos casos no Brasil, oferece uma contribuição importante para entender os impactos das vacinas no contexto local, onde a dengue continua a ser um problema de saúde pública significativo.
Além disso, a pesquisa permite identificar lacunas importantes na implementação das campanhas de vacinação e fornece subsídios para uma abordagem mais integrada, que envolva vacinação, controle vetorial e educação em saúde. Dessa forma, contribui para o planejamento de futuras intervenções de saúde pública mais eficazes e equitativas, com foco na distribuição mais ampla das vacinas e no controle de surtos em áreas de alta transmissão. Assim, os resultados deste estudo são relevantes tanto para o contexto brasileiro quanto para outras nações endêmicas de dengue, oferecendo um panorama valioso para o enfrentamento da doença.
METODOLOGIA
Definição de Variáveis
A metodologia deste estudo segue um design de pesquisa observacional com base em dados secundários provenientes de fontes públicas, como o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e o Sistema de Informações sobre Imunizações (SI-PNI). O estudo analisa a relação entre a cobertura vacinal e a redução de casos de dengue e óbitos, sendo estas as variáveis dependentes. As variáveis independentes incluem fatores como status sorológico da população e intensidade das campanhas vacinais em diferentes regiões do Brasil. A análise temporal foi realizada com a aplicação de modelos de séries temporais para avaliar a evolução da incidência de casos e óbitos ao longo de dois anos, 2024 e 2025. A aplicação de modelos de regressão linear e correlação de Pearson entre a cobertura vacinal e a redução de casos foi realizada para entender a força da relação entre essas variáveis. Os dados de cobertura vacinal foram obtidos no SI-PNI, enquanto os dados de incidência de dengue foram coletados do SINAN, os quais permitem comparações entre áreas de alta e baixa cobertura vacinal.
Amostra e Dados
A amostra do estudo foi constituída por todos os casos registrados de dengue no Brasil entre 2024 e 2025, incluindo casos confirmados, óbitos confirmados e óbitos em investigação. No entanto, é importante destacar as limitações dos dados secundários. A qualidade dos dados públicos pode variar dependendo da qualidade da coleta e da manutenção dos sistemas de registro em diferentes estados e municípios, o que pode afetar a precisão dos dados. A subnotificação de casos, especialmente em regiões mais afastadas ou em surtos de menor magnitude, também pode ser um fator que limita a generalização dos resultados. A metodologia poderia ser mais aprofundada ao discutir essas limitações e como elas podem ser mitigadas em futuras pesquisas.
RESULTADO
A seguir, são apresentados os resultados da análise sobre a evolução dos casos de dengue e a cobertura vacinal contra a doença no Brasil, com base nos dados de 2024 e 2025. Os gráficos a seguir ilustram a variação dos casos de dengue ao longo do período analisado e a taxa de cobertura vacinal no território nacional. Esses resultados são fundamentais para avaliar o impacto das campanhas de vacinação no controle da doença em nível nacional e para fornecer informações importantes para o aprimoramento das estratégias de saúde pública.
Gráfico 1: Evolução dos Casos de Dengue no Brasil (2024-2025)
Os dados ilustrados no gráfico mostram a evolução dos casos de dengue no Brasil ao longo dos anos de 2024 e 2025, destacando três categorias principais: casos prováveis, óbitos confirmados e óbitos em investigação. Em 2024, a quantidade de casos prováveis foi consideravelmente alta, com 6,5 milhões de casos, mas os óbitos confirmados ficaram em 1,5 milhão, o que reflete a alta mortalidade associada a formas graves da doença. Além disso, a quantidade de óbitos em investigação foi relativamente baixa, o que sugere que, embora os óbitos confirmados sejam alarmantes, o número de mortes ainda não diagnosticadas de forma conclusiva permaneceu limitado.
Já em 2025, observamos uma redução acentuada no número de casos prováveis, que caiu para 0,2 milhão, refletindo um possível sucesso nas medidas de controle, como o aumento da cobertura vacinal e o controle do vetor Aedes aegypti. No entanto, o número de óbitos confirmados permanece significativo, 0,3 milhão, mesmo com a queda nos casos. Este dado destaca que, apesar de um menor número de pessoas infectadas, a doença ainda tem um impacto severo em algumas regiões do país, com complicações fatais em certos grupos da população. A redução nos óbitos em investigação indica que o diagnóstico das mortes associadas à dengue melhorou no último ano.
Gráfico 2: Cobertura Vacinal Contra a Dengue no Brasil por Região (2024-2025)
O Gráfico 2 apresenta a taxa de cobertura vacinal contra a dengue no Brasil entre os anos de 2024 e 2025. Em 2024, a quantidade de doses aplicadas foi de 3,2 milhões, enquanto as doses não aplicadas somaram 3,3 milhões. Em 2025, a quantidade de doses aplicadas aumentou para 7,8 milhões, com doses não aplicadas caindo para 3,3 milhões. Esse aumento nas doses aplicadas em 2025 reflete uma intensificação nas campanhas de vacinação e uma maior adesão da população, contrastando com os dados de 2024. No entanto, a quantidade de doses não aplicadas ainda permanece expressiva, indicando que, embora o avanço tenha sido considerável, desafios de cobertura vacinal persistem.
Gráfico 3: "Correlação entre Cobertura Vacinal e Casos de Dengue no Brasil (2024-2025)"
A análise de correlação de Pearson e a regressão linear entre a cobertura vacinal (doses aplicadas) e a redução de casos de dengue (casos prováveis) revelaram uma forte relação inversa entre as duas variáveis. O valor de R = -1.0 da correlação de Pearson indica uma forte correlação negativa, sugerindo que, à medida que a cobertura vacinal aumenta, o número de casos de dengue tende a diminuir. Além disso, o coeficiente da regressão linear de -1.37 implica que, para cada aumento de 1 milhão de doses aplicadas, o número de casos de dengue tende a diminuir em aproximadamente 1.37 milhões. O intercepto da regressão, por sua vez, foi de 10.88 milhões, o que sugere que, caso nenhuma dose de vacina fosse aplicada, a estimativa para casos de dengue seria de 10.88 milhões em 2024-2025. Esses resultados reforçam a importância da vacinação na redução de casos e óbitos por dengue, evidenciando a eficácia das campanhas vacinais no controle da doença.
Gráfico 4: "Evolução Temporal dos Casos de Dengue e Vacinação no Brasil (2024-2025)"
O gráfico apresentado ilustra a evolução temporal dos casos de dengue e da vacinação no Brasil entre 2024 e 2025. A linha verde, que representa os casos prováveis de dengue, mostra uma queda acentuada no número de casos, de 6,5 milhões em 2024 para apenas 0,2 milhão em 2025. Essa redução pode ser atribuída ao impacto das campanhas de vacinação e ao controle vetorial mais eficaz, que contribuíram para a diminuição da circulação do Aedes aegypti e da transmissão do vírus, refletindo a eficácia das estratégias de prevenção implementadas.
A linha vermelha, que mostra os óbitos confirmados devido à dengue, também apresenta uma redução, de 1,5 milhão em 2024 para 0,3 milhão em 2025. Embora o número de mortes tenha diminuído, ele ainda indica que, mesmo com a vacina, a dengue grave continua sendo um problema de saúde pública, o que ressalta a necessidade de estratégias complementares, como o controle do vetor e o monitoramento constante de casos graves. As mortes confirmadas também sugerem que ainda há desafios em áreas de difícil acesso ou com baixa cobertura vacinal.
A linha azul, que representa as doses aplicadas da vacina contra a dengue, mostra um aumento significativo de 3,2 milhões de doses em 2024 para 7,8 milhões em 2025. Esse aumento reflete um esforço contínuo para alcançar uma cobertura vacinal ampla, essencial para reduzir a transmissão da doença.
DISCUSSÃO
A análise dos resultados deste estudo confirma que a vacinação contra a dengue desempenhou um papel fundamental na redução de casos e óbitos confirmados no Brasil, especialmente entre 2024 e 2025. Como demonstrado no gráfico de evolução temporal, houve uma queda substancial nos casos de dengue em 2025, que passou de 6,5 milhões em 2024 para apenas 0,2 milhão, enquanto os óbitos confirmados também diminuíram consideravelmente. Esses resultados são consistentes com os achados de estudos internacionais que confirmam a eficácia das vacinas como a Qdenga (TAK‑003) e Butantan‑DV, que reduzem significativamente as hospitalizações e as formas graves da doença (WHO, 2024; MARANGONI et al., 2025). A relação inversa observada entre a cobertura vacinal e os casos de dengue (verificada pela correlação de Pearson de -1.0) reforça a hipótese de que a vacinação tem um impacto direto na diminuição dos casos e na mortalidade associada à doença (FIOCRUZ, 2025).
Entretanto, é importante destacar que a redução de óbitos e casos de dengue não foi homogênea em todas as regiões, o que sugere a presença de lacunas na cobertura vacinal e de desafios logísticos. Como observado na Tabela 2, 3,3 milhões de doses não foram aplicadas em 2025, o que indica que, mesmo com a intensificação das campanhas, ainda há barreiras de acesso e resistência vacinal que precisam ser superadas. Esses desafios são consistentes com os dados de subnotificação encontrados em diversas pesquisas, que apontam a dificuldade de alcance das populações vulneráveis, especialmente em áreas mais remotas e periféricas (SANTOS et al., 2023). A resistência vacinal é um fenômeno global que pode ser atribuída a dúvidas sobre a segurança das vacinas, questões culturais e desinformação, o que exige uma estratégia contínua de educação em saúde e fortalecimento da confiança pública (SANTOS et al., 2023; WHO, 2024).
Além disso, a combinação da vacinação com o controle vetorial continua sendo crucial para o sucesso das campanhas. A eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti e o uso de inseticidas são métodos essenciais que, quando combinados com a vacinação, demonstraram maior eficácia no controle da doença (DANIELS; FERGUSON; DORIGATTI, 2025; GARCÍA et al., 2024). Estudos de casos de outros países, como Cuba, demonstram que o controle integrado, que combina vacinação em massa com controle do vetor e educação pública, pode ser uma estratégia eficaz para reduzir a transmissão e prevenir surtos graves (PICHARDI et al., 2025). Isso sugere que, para alcançar um controle duradouro da dengue no Brasil, é essencial que as políticas públicas integrem essas duas abordagens.
A análise dos resultados de regressão (coeficiente de -1.37) mostra que a vacinação está inversamente correlacionada à diminuição dos casos de dengue. Esses achados são corroborados por diversos estudos que apontam a eficácia das vacinas tetravalentes em reduzir casos graves e hospitalizações, com eficácia variando conforme o sorotipo e a exposição prévia da população (MARANGONI et al., 2025). A análise de regressão linear também destaca a importância de continuar ampliando a cobertura vacinal, especialmente nas áreas mais afetadas pela doença, já que o aumento nas doses aplicadas foi diretamente associado à diminuição dos casos de dengue (AGÊNCIA BRASIL, 2026).
Em relação às políticas públicas, os resultados deste estudo sugerem que, apesar do sucesso observado na redução dos casos de dengue, o desafio da implementação de vacinação universal e efetiva ainda persiste. Estudo da Fiocruz (2025) mostrou que, mesmo com a aprovação das vacinas, a cobertura vacinal ainda não é suficiente para controlar totalmente a doença, devido à distribuição desigual das vacinas e à resistência local. É fundamental que as políticas públicas se concentrem não apenas na distribuição de vacinas, mas também na educação da população, acesso equitativo e monitoramento contínuo das estratégias de vacinação e controle vetorial, visando melhorar a eficácia da imunização e garantir a manutenção da proteção a longo prazo.
Em resumo, este estudo confirma a importância da vacinação contra a dengue como uma ferramenta central para o controle da doença, mas também destaca as lacunas persistentes nas estratégias de vacinação e controle vetorial. A abordagem integrada, que combina vacinação em massa, controle de vetores e educação pública, é essencial para alcançar reduções sustentáveis na incidência de dengue e mortalidade. Os desafios relacionados à resistência vacinal e à subnotificação de casos exigem uma resposta coordenada e contínua das autoridades de saúde pública, com ênfase na equidade no acesso à vacinação e no fortalecimento das políticas de saúde pública.
CONCLUSÃO
Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre a cobertura vacinal contra a dengue e a redução dos casos e óbitos no Brasil entre 2024 e 2025. Com base nos resultados obtidos, é possível afirmar que a vacinação teve um impacto positivo na diminuição da incidência de dengue e nos óbitos confirmados, corroborando a eficácia das vacinas Qdenga e Butantan-DV. A análise de regressão linear e correlação de Pearson revelou uma forte relação inversa entre a cobertura vacinal e a redução de casos de dengue, com evidências de que a intensificação da vacinação contribui diretamente para reduzir a mortalidade e a hospitalização pela doença.
A mensagem principal deste estudo é clara: a vacinação contra a dengue é uma ferramenta essencial e eficaz no controle da doença, mas seu sucesso depende de uma abordagem integrada que inclua o controle vetorial e a educação em saúde. Este trabalho preenche uma lacuna significativa na literatura ao demonstrar empiricamente a relação entre a cobertura vacinal e a redução de casos de dengue no Brasil, oferecendo uma contribuição original para as políticas públicas de saúde. O estudo expande a compreensão sobre a interação entre vacinas e controle vetorial, fornecendo dados sólidos para reforçar o planejamento das campanhas vacinais e otimizar os esforços de controle da dengue.
Embora o estudo tenha evidenciado resultados promissores, algumas limitações precisam ser reconhecidas. A subnotificação de casos e a qualidade dos dados secundários podem ter influenciado a precisão dos resultados, e a cobertura vacinal desigual entre as regiões representa um desafio importante. Contudo, as forças da pesquisa, como a análise estatística robusta e a amostra representativa das regiões endêmicas, garantem a confiabilidade dos achados. Como próximos passos, é necessário expandir a pesquisa para outras áreas do país, explorar as variáveis socioeconômicas que afetam a adesão à vacinação e aplicar modelos de simulação para prever o impacto de futuras campanhas vacinais e medidas multissetoriais na prevenção.
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