O PAPEL DO PROFESSOR NA ERA DO E-LEARNING

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.16998588


Jose Anthony Novak de Faria1
Leandra Monteiro de Sousa Bazilio2
Alessandra Monteiro de Sousa3


RESUMO
A transformação digital no campo educacional trouxe novas perspectivas para o processo de ensino e aprendizagem, em especial com o avanço do e-learning. Nesse cenário, o papel do professor deixa de estar centrado exclusivamente na transmissão de conteúdos para assumir funções de mediador, orientador e facilitador da aprendizagem. Este artigo busca analisar criticamente como a atuação docente se redefine na era digital, destacando os desafios e as oportunidades que emergem dessa nova configuração. O estudo fundamenta-se em revisão bibliográfica de autores nacionais e internacionais, abordando conceitos como mediação pedagógica, competências digitais e práticas interativas. Os resultados apontam que o professor do e-learning precisa aliar saberes pedagógicos e tecnológicos, criando ambientes virtuais que estimulem a autonomia, a colaboração e o pensamento crítico dos estudantes. Conclui-se que, apesar das barreiras ligadas à formação docente, infraestrutura e desigualdades digitais, o professor é figura central para a efetividade do ensino online, pois sua intervenção garante a qualidade, a humanização e a equidade no processo educativo.
Palavras-chave: Professor. E-learning. Mediação Pedagógica. Competências Digitais. Educação Online.

ABSTRACT
The digital transformation in education has introduced new perspectives for teaching and learning, especially through the development of e-learning. In this context, the teacher's role shifts from being centered exclusively on content transmission to becoming a mediator, guide, and facilitator of learning. This article critically analyzes how the teaching role is redefined in the digital era, emphasizing both the challenges and opportunities arising from this new configuration. The study is based on a bibliographic review of national and international authors, addressing concepts such as pedagogical mediation, digital competences, and interactive practices. The findings indicate that teachers in e-learning environments must combine pedagogical and technological knowledge to create virtual settings that foster autonomy, collaboration, and critical thinking among students. It is concluded that, despite challenges related to teacher training, infrastructure, and digital inequalities, the teacher remains central to effective online education, as their intervention ensures quality, humanization, and equity in the learning process.
Keywords: Teacher. E-learning. Pedagogical mediation. Digital competences. Online education.

1 INTRODUÇÃO

O processo educacional, historicamente marcado pela centralidade do professor e pela transmissão unidirecional do conhecimento, tem sido profundamente transformado pelo avanço das tecnologias digitais. A emergência do e-learning, entendido como uma modalidade de ensino baseada em recursos digitais e ambientes virtuais de aprendizagem, alterou não apenas os métodos de ensino, mas também a forma como se concebe a interação entre educadores e estudantes. Para Moran (2018), esse cenário caracteriza-se pela flexibilização do acesso ao conhecimento, superando limites geográficos e temporais e ampliando as possibilidades de personalização do processo educativo. Nesse sentido, o papel do professor passa a ser reconfigurado, exigindo novas posturas e competências para atender às demandas de uma sociedade cada vez mais digitalizada.

Ao se analisar o contexto contemporâneo, torna-se evidente que a atuação docente não pode mais restringir-se à simples exposição de conteúdos em sala de aula. Segundo Kenski (2012), a inserção de tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem requer do professor uma postura de mediador, capaz de orientar os alunos em seus percursos de aprendizagem, promover interações significativas e estimular a construção colaborativa do conhecimento. Essa mudança, contudo, não elimina a importância da figura do professor, mas amplia suas responsabilidades e funções, fazendo com que ele se torne um facilitador do desenvolvimento crítico, cognitivo e social dos estudantes.

Esse novo cenário também revela desafios significativos. De acordo com Bacich e Moran (2018), a prática pedagógica na era digital exige que os docentes dominem competências específicas relacionadas ao uso de ferramentas digitais, bem como metodologias ativas que possibilitem a integração efetiva entre tecnologia e pedagogia. Isso implica a necessidade de constante atualização profissional, uma vez que os avanços tecnológicos ocorrem em ritmo acelerado e demandam adaptação contínua. Além disso, Silva e Behar (2019) lembram que o ensino online exige uma reconfiguração das estratégias didáticas, incorporando linguagens multimodais e abordagens diferenciadas que favoreçam a inclusão de diferentes perfis de estudantes.

Outro aspecto relevante a ser considerado refere-se às desigualdades no acesso às tecnologias. Litto e Formiga (2009) destacam que, embora o e-learning represente uma oportunidade para ampliar o alcance da educação, ele também pode acentuar as exclusões sociais quando não há políticas públicas eficazes que assegurem a equidade digital. Dessa forma, o professor se vê diante do desafio de mediar aprendizagens em contextos diversos, onde a heterogeneidade de recursos e experiências digitais dos alunos pode influenciar diretamente nos resultados educacionais. Essa realidade torna ainda mais evidente a necessidade de práticas pedagógicas humanizadas, que considerem a diversidade sociocultural e tecnológica presente no ambiente educacional.

Não se pode ignorar que a mudança do papel docente na era digital gera também um processo de reconfiguração identitária. Segundo Prensky (2010), os estudantes contemporâneos, frequentemente chamados de “nativos digitais”, apresentam novas formas de interação, comunicação e aprendizagem, o que exige do professor uma postura aberta à inovação e à experimentação de práticas mais dinâmicas. Nesse sentido, o professor não atua apenas como transmissor de conteúdos, mas como orientador do uso crítico das tecnologias, auxiliando os estudantes a desenvolverem competências que extrapolam o domínio técnico e alcançam dimensões éticas, sociais e cidadãs.

Diante dessas transformações, a presente pesquisa busca responder à seguinte problemática: como o papel docente é redefinido na era do e-learning? Essa indagação surge da constatação de que, apesar do avanço das tecnologias e da ampliação de recursos digitais disponíveis, a qualidade do processo de ensino-aprendizagem ainda depende, em grande medida, da atuação docente. Para Moran (2018), a tecnologia, por si só, não é capaz de garantir aprendizagens significativas; ela precisa ser mediada por um professor capaz de integrar metodologias inovadoras, recursos digitais e práticas pedagógicas centradas no aluno.

O objetivo deste trabalho é analisar o papel do professor na era do e-learning, discutindo suas principais funções, competências necessárias e desafios enfrentados no contexto da educação digital. A justificativa para a escolha do tema está ancorada na relevância teórica e prática da investigação, uma vez que compreender a atuação docente nesse novo cenário é fundamental para repensar a formação de professores e as políticas educacionais voltadas para a consolidação de práticas pedagógicas inclusivas, inovadoras e humanizadas. Assim, busca-se contribuir para o debate sobre a docência na era digital, reconhecendo o professor como agente central no processo de mediação e garantindo que o e-learning seja não apenas uma alternativa tecnológica, mas uma oportunidade efetiva de transformação educacional.

2 O PAPEL DO PROFESSOR NA MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA DO E-LEARNING

A reflexão sobre o papel do professor na era do e-learning demanda uma análise teórica que situe a docência em um contexto de profundas transformações sociais, culturais e tecnológicas. O avanço da sociedade em rede, caracterizada pela ubiquidade da informação e pela conectividade global, impacta diretamente a educação e redefine os papéis dos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Segundo Castells (2003), a sociedade contemporânea é estruturada a partir de fluxos de informação que reorganizam a vida social, econômica e cultural. Nesse ambiente, a escola e, de modo particular, o professor, precisam desenvolver novas formas de atuação que dialoguem com a lógica da conectividade digital.

A emergência do e-learning representa uma das manifestações mais significativas dessas mudanças. Trata-se de uma modalidade de ensino que se utiliza de recursos digitais e ambientes virtuais para promover aprendizagens em diferentes níveis e contextos. Como afirma Moran (2018), o ensino online oferece flexibilidade temporal e espacial, possibilitando ao estudante gerenciar seus próprios ritmos e trajetórias de aprendizagem. Contudo, o sucesso desse modelo não depende apenas da infraestrutura tecnológica, mas, sobretudo, da mediação pedagógica realizada pelo professor. É nesse ponto que a fundamentação teórica encontra relevância, pois permite compreender de que maneira a docência é reconfigurada frente aos desafios da educação digital.

De acordo com Kenski (2012), a função do professor no e-learning vai além de organizar conteúdos e disponibilizá-los em plataformas virtuais. Ele deve atuar como mediador, estimulando o pensamento crítico, favorecendo a interação e criando condições para que os estudantes se tornem protagonistas do processo educativo. Essa concepção rompe com a ideia tradicional de ensino centrado no docente e inaugura um paradigma no qual o professor assume papéis múltiplos: orientador, facilitador, designer de experiências de aprendizagem e agente de transformação.

Nesse sentido, é importante destacar a centralidade das competências digitais na formação docente. Para Bacich e Moran (2018), o professor precisa dominar ferramentas de comunicação síncrona e assíncrona, saber utilizar recursos multimodais e compreender metodologias que possibilitem a integração crítica das tecnologias ao currículo. O desenvolvimento dessas competências não é um processo natural, mas exige investimento em formação continuada e em políticas públicas que apoiem a atualização docente. Como lembram Silva e Behar (2019), a docência online demanda um repertório de práticas diferenciadas, que incluem desde a produção de materiais digitais até o acompanhamento individualizado dos alunos em ambientes virtuais.

A questão da interatividade constitui um dos pilares do e-learning. Para Moore (1993), citado por vários pesquisadores da área, a interação entre professor e estudante, estudante e estudante, e estudante e conteúdo, é decisiva para a construção de aprendizagens significativas no ambiente online. Isso significa que o professor deve criar condições para que essas formas de interação ocorram de maneira ativa e colaborativa, promovendo diálogos que ultrapassem a lógica transmissiva e passem a valorizar a construção coletiva do conhecimento. Nesse aspecto, a mediação pedagógica é compreendida como um processo dinâmico e relacional, no qual o docente assume o papel de articulador das interações.

Outro ponto relevante para a fundamentação teórica refere-se ao conceito de aprendizagem ativa. Como apontam Bonwell e Eison (1991), a aprendizagem ativa se caracteriza pelo envolvimento dos estudantes em atividades que exigem reflexão, análise e aplicação do conhecimento em contextos concretos. No ambiente do e-learning, essa concepção ganha força por meio de metodologias como sala de aula invertida, projetos colaborativos e gamificação. Para Moran (2018), o professor que adota metodologias ativas no ensino online favorece o engajamento dos alunos, amplia a autonomia e estimula a construção de competências cognitivas e socioemocionais. Dessa forma, a prática docente se afasta de um modelo passivo e aproxima-se de uma lógica participativa e investigativa.

Entretanto, o exercício da docência online não está isento de desafios. Como lembram Litto e Formiga (2009), as desigualdades sociais e econômicas influenciam diretamente a capacidade de acesso às tecnologias e podem comprometer a efetividade do e-learning. Nesse cenário, o professor precisa adotar estratégias inclusivas, que considerem a diversidade dos estudantes e ofereçam alternativas pedagógicas capazes de minimizar os efeitos da exclusão digital. Trata-se de uma tarefa que exige sensibilidade social e compromisso ético, pois a mediação docente deve assegurar não apenas a aprendizagem, mas também a equidade no acesso às oportunidades educacionais.

Além das questões estruturais, a docência no ambiente digital exige também uma reconfiguração da identidade profissional do professor. Segundo Tardif (2012), a profissão docente é constituída por um conjunto de saberes que se articulam de forma complexa e que incluem tanto conhecimentos teóricos quanto práticos, além das experiências construídas ao longo da trajetória profissional. No contexto do e-learning, esses saberes precisam ser reinterpretados à luz das demandas tecnológicas e pedagógicas, o que implica uma constante reconstrução da identidade docente. O professor, portanto, é desafiado a assumir um perfil mais flexível, inovador e aberto às mudanças.

Para Prensky (2010), os estudantes atuais, frequentemente denominados “nativos digitais”, apresentam modos de aprender distintos das gerações anteriores, pois estão habituados a lidar com informações de forma rápida, multimodal e interativa. Essa característica exige que o professor desenvolva novas linguagens e estratégias pedagógicas capazes de dialogar com o universo digital desses estudantes. A mediação docente, nesse caso, não consiste apenas em ensinar conteúdos, mas em orientar o uso crítico e ético das tecnologias, ajudando os alunos a compreenderem os impactos sociais, culturais e políticos do mundo digital.

Outro aspecto fundamental é o da avaliação no e-learning. Para Palloff e Pratt (2015), a avaliação em ambientes virtuais deve ser formativa e processual, privilegiando a construção contínua do conhecimento e o acompanhamento próximo do desenvolvimento dos estudantes. Isso reforça o papel do professor como agente de acompanhamento e retroalimentação, que utiliza diferentes instrumentos avaliativos para promover reflexões e orientar percursos de aprendizagem. Nessa perspectiva, a avaliação deixa de ser um fim em si mesma e torna-se parte integrante do processo formativo.

Diante desse panorama, torna-se evidente que a fundamentação teórica sobre o papel do professor na era do e-learning aponta para uma prática docente que vai além da dimensão técnica do uso de tecnologias. Como afirma Moran (2018), o diferencial da docência online não está apenas nos recursos disponíveis, mas na forma como o professor os integra de maneira criativa, crítica e pedagógica. O docente é, portanto, o responsável por transformar a tecnologia em oportunidade de aprendizagem significativa, assegurando que o processo educativo mantenha sua dimensão humanizadora.

A literatura evidencia que o professor, na era do e-learning, é mediador, orientador e agente de transformação. Sua atuação demanda o domínio de competências digitais, a adoção de metodologias ativas, a sensibilidade para lidar com as desigualdades sociais e a capacidade de reconstruir constantemente sua identidade profissional. O desafio é grande, mas as oportunidades são igualmente significativas, pois o e-learning possibilita a construção de práticas pedagógicas inovadoras e inclusivas, que ampliam o acesso ao conhecimento e fortalecem a autonomia dos estudantes. Assim, o papel docente permanece central, ainda que em uma configuração profundamente distinta daquela que caracterizava a educação tradicional.

3 METODOLOGIA

A definição metodológica de uma pesquisa constitui etapa essencial para garantir a validade, a confiabilidade e a consistência dos resultados obtidos. Como afirma Gil (2019), a metodologia é o conjunto de procedimentos sistemáticos e racionais que orientam o pesquisador na coleta e na análise dos dados, permitindo que a investigação responda de forma adequada ao problema proposto. No presente trabalho, a metodologia adotada baseia-se em uma abordagem qualitativa de caráter exploratório, uma vez que busca compreender, de forma crítica e interpretativa, o papel do professor na era do e-learning, analisando suas funções, competências e desafios no contexto da educação digital.

A escolha por uma abordagem qualitativa se justifica porque esse tipo de pesquisa possibilita captar a complexidade dos fenômenos educacionais e interpretar os sentidos atribuídos às práticas docentes em ambientes digitais. Segundo Minayo (2010), a pesquisa qualitativa se dedica ao universo dos significados, valores, crenças e atitudes, sendo especialmente adequada para investigações nas áreas sociais e humanas. No caso do presente estudo, interessa compreender como o professor é representado e como sua função se transforma diante das demandas impostas pelo ensino online, o que não poderia ser devidamente analisado apenas por meio de dados numéricos ou estatísticos.

O caráter exploratório da pesquisa também merece destaque. De acordo com Severino (2017), a pesquisa exploratória tem como finalidade proporcionar maior familiaridade com o problema de estudo, tornando-o mais explícito e auxiliando na construção de hipóteses ou no direcionamento de investigações posteriores. Esse tipo de pesquisa é recomendado quando o tema em questão ainda carece de aprofundamentos ou apresenta perspectivas em constante transformação, como é o caso do papel docente no e-learning. Ao optar por essa natureza metodológica, o trabalho se propõe a refletir criticamente sobre a atuação do professor, oferecendo uma visão abrangente e atualizada que possa servir de base para futuras pesquisas empíricas.

No que diz respeito aos procedimentos técnicos, a investigação fundamenta-se em uma revisão bibliográfica. Conforme Lakatos e Marconi (2010), a pesquisa bibliográfica é aquela desenvolvida a partir de material já elaborado, composto principalmente por livros, artigos científicos e outros documentos que abordam o tema em questão. Essa técnica possibilita ao pesquisador conhecer o estado da arte sobre o assunto, identificar lacunas no conhecimento existente e construir um quadro teórico sólido que sustente a análise. No presente estudo, foram selecionadas fontes de reconhecida relevância na área de educação, com ênfase em autores que discutem as transformações da docência no contexto digital, como Moran (2018), Kenski (2012), Bacich e Moran (2018), Silva e Behar (2019), entre outros.

A seleção das obras levou em consideração alguns critérios de inclusão e exclusão. Foram priorizadas publicações acadêmicas e científicas disponíveis em bases de dados nacionais e internacionais, com recorte temporal entre 2009 e 2024, de modo a assegurar a atualidade das informações, sem, contudo, negligenciar contribuições clássicas sobre o tema, como as reflexões de Litto e Formiga (2009) acerca da educação a distância e a importância da mediação docente. Obras de caráter opinativo, sem fundamentação científica ou produzidas em contextos não acadêmicos, foram excluídas, a fim de garantir maior rigor metodológico.

A análise do material coletado seguiu o método de análise de conteúdo, conforme proposto por Bardin (2011), que consiste em um conjunto de técnicas destinadas a examinar comunicações e discursos de forma sistemática, interpretando significados e identificando categorias temáticas. Esse método mostrou-se adequado para a pesquisa, uma vez que permite organizar o conhecimento existente em torno de eixos analíticos que respondam ao problema de investigação. No caso deste estudo, a análise foi estruturada em três eixos: mediação pedagógica do professor no e-learning, competências digitais requeridas pela docência online e desafios enfrentados na implementação do ensino digital.

A adoção de uma metodologia baseada em revisão bibliográfica e análise de conteúdo também se justifica pelo caráter formativo do trabalho. Como aponta Gil (2019), esse tipo de estudo possibilita ao pesquisador construir uma visão crítica e sistemática sobre um tema, servindo de subsídio para reflexões teóricas e práticas na área de atuação profissional. Dessa forma, a metodologia aqui apresentada não busca apenas descrever o papel do professor na era digital, mas também discutir implicações pedagógicas e apontar caminhos que possam contribuir para a consolidação de práticas inovadoras e inclusivas.

Um aspecto importante a ser ressaltado é que a pesquisa de caráter bibliográfico, embora não envolva coleta de dados empíricos junto a sujeitos específicos, demanda rigor na seleção, organização e interpretação das fontes. Segundo Severino (2017), a seriedade da investigação bibliográfica está diretamente ligada à capacidade do pesquisador de identificar obras relevantes, estabelecer relações críticas entre os autores e produzir uma síntese interpretativa que vá além da simples descrição das ideias consultadas. No presente trabalho, essa orientação foi seguida de modo a garantir a originalidade e a autenticidade da análise, respeitando integralmente os critérios éticos e metodológicos da pesquisa acadêmica.

Ainda sobre a ética na pesquisa, é fundamental reforçar que todas as fontes utilizadas foram devidamente citadas conforme as normas da ABNT, assegurando a integridade científica do estudo. Como lembra Lakatos e Marconi (2010), a honestidade intelectual e a transparência na utilização das referências são condições indispensáveis para a credibilidade de qualquer investigação. Nesse sentido, este trabalho preocupa-se não apenas em respeitar as normas formais, mas também em produzir uma reflexão autoral, humanizada e crítica sobre o tema proposto.

Assim, a metodologia adotada oferece condições para que os objetivos da pesquisa sejam atingidos de forma consistente. Ao lançar mão de uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e fundamentada em revisão bibliográfica e análise de conteúdo, busca-se compreender o fenômeno em sua complexidade, analisando as contribuições teóricas existentes e identificando os principais desafios que envolvem o papel do professor no e-learning. Embora não envolva coleta de dados empíricos, essa opção metodológica se mostra adequada para a etapa de construção teórica e para o aprofundamento de reflexões necessárias à compreensão do objeto de estudo.

Por fim, é importante destacar que toda pesquisa possui limitações, e este trabalho não é exceção. A principal limitação refere-se à ausência de dados empíricos oriundos da prática docente em ambientes digitais, o que poderia enriquecer ainda mais a análise. No entanto, ao se concentrar na revisão e na análise da literatura existente, este estudo cumpre seu propósito de oferecer uma visão abrangente, fundamentada e crítica sobre o papel do professor na era do e-learning, servindo de base para futuras investigações de caráter empírico que possam ampliar os horizontes da discussão aqui proposta.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

Os resultados obtidos a partir da revisão da literatura e da análise teórica indicam que o papel do professor na era do e-learning é redefinido de maneira profunda, ultrapassando a dimensão meramente transmissiva do conhecimento para assumir funções ligadas à mediação, à orientação e à promoção de aprendizagens significativas. A análise revela que a docência online não é apenas uma adaptação do modelo tradicional de ensino a um novo suporte tecnológico, mas representa uma mudança paradigmática que exige reconfigurações na identidade profissional, nas práticas pedagógicas e nas competências desenvolvidas pelos professores.

Em primeiro lugar, os estudos analisados convergem para a centralidade da mediação pedagógica no ambiente virtual. Kenski (2012) destaca que, diferentemente do ensino presencial, no qual a interação ocorre em tempo real e no mesmo espaço físico, o e-learning demanda do professor a capacidade de criar estratégias que favoreçam a comunicação e a construção coletiva do conhecimento, mesmo na ausência da presencialidade física. Esse dado sugere que o docente, ao atuar no ambiente digital, precisa estabelecer formas de acompanhamento contínuo, garantindo que os estudantes se sintam acolhidos e orientados em seus percursos formativos. Nesse aspecto, o professor assume um papel ativo no planejamento de atividades interativas, na oferta de feedbacks consistentes e na manutenção do vínculo pedagógico, que é indispensável para a motivação e o engajamento dos alunos.

Outro resultado importante refere-se às competências digitais exigidas do professor. Bacich e Moran (2018) ressaltam que a docência online requer não apenas o domínio de ferramentas tecnológicas, mas, sobretudo, a capacidade de integrá-las criticamente ao currículo, de modo a potencializar as aprendizagens. Esse achado evidencia que a tecnologia, por si só, não constitui garantia de inovação ou de qualidade no ensino; ela se torna significativa quando articulada a metodologias ativas e a propostas pedagógicas centradas no estudante. O professor, nesse contexto, precisa ser capaz de selecionar recursos digitais que atendam às necessidades do grupo, explorar linguagens multimodais e promover experiências diversificadas, que ampliem as possibilidades de aprendizagem.

A literatura também evidencia que o e-learning amplia o protagonismo dos estudantes, mas esse protagonismo só se concretiza quando há uma mediação docente efetiva. Moran (2018) afirma que a flexibilidade e a autonomia características do ensino online podem ser positivas, desde que acompanhadas por uma orientação clara e por objetivos bem definidos. Caso contrário, a autonomia pode transformar-se em abandono ou em superficialidade nas aprendizagens. Esse resultado aponta para a relevância do professor como orientador, capaz de equilibrar liberdade e acompanhamento, estimulando a responsabilidade do estudante sem deixá-lo desamparado em seu percurso.

Entre os desafios mais recorrentes identificados na literatura está a desigualdade no acesso às tecnologias. Como apontam Litto e Formiga (2009), a expansão do ensino digital não elimina as barreiras sociais; ao contrário, pode aprofundar desigualdades quando não são garantidas condições equitativas de acesso. Essa constatação reforça que a mediação docente deve considerar a diversidade dos contextos dos alunos, oferecendo alternativas inclusivas e flexíveis que permitam a participação de todos, independentemente de suas condições tecnológicas. Para Silva e Behar (2019), o professor que atua em ambientes digitais precisa desenvolver uma sensibilidade social que lhe permita identificar as necessidades dos estudantes e propor estratégias diferenciadas, evitando que o e-learning se torne um fator de exclusão.

Outro ponto recorrente na discussão é a reconfiguração da identidade docente. Tardif (2012) lembra que o trabalho do professor é composto por diferentes saberes, que incluem conhecimentos teóricos, práticos e experienciais. No ambiente digital, esses saberes precisam ser reinterpretados, uma vez que as exigências da docência online incluem novas linguagens, formas de comunicação e estratégias de acompanhamento. Os resultados mostram que a identidade profissional do professor passa a incorporar dimensões tecnológicas e comunicacionais, exigindo constante atualização e abertura às inovações. Essa mudança pode gerar inseguranças e resistências, mas também oferece oportunidades para o fortalecimento de uma docência mais dinâmica e multifacetada.

A análise revela ainda que a avaliação no e-learning constitui um aspecto decisivo. Palloff e Pratt (2015) ressaltam que a avaliação no ambiente online deve ser processual e formativa, permitindo que o professor acompanhe o desenvolvimento dos estudantes ao longo do percurso, em vez de restringir-se a provas ou testes finais. Os resultados apontam que práticas avaliativas formativas são mais eficazes para promover aprendizagens significativas, pois permitem feedback constante, autorreflexão dos estudantes e ajustes no processo pedagógico. Nesse sentido, o professor assume a função de orientador avaliativo, utilizando múltiplos instrumentos – fóruns, diários reflexivos, trabalhos colaborativos – para acompanhar e estimular o desenvolvimento dos alunos.

Outro resultado relevante refere-se à humanização do processo de ensino. Kenski (2012) recorda que, no ambiente digital, há o risco de que a relação pedagógica se torne mecânica ou impessoal, reduzida a transmissões de conteúdos e exercícios automatizados. No entanto, os dados sugerem que o professor, quando atua como mediador sensível e atento, pode transformar o ambiente online em um espaço de diálogo, de escuta e de construção coletiva. Isso significa que a presença pedagógica do docente, mesmo que virtual, é indispensável para assegurar a qualidade e a significatividade das aprendizagens.

A literatura também evidencia que o uso de metodologias ativas no e-learning amplia as possibilidades de engajamento. Segundo Bonwell e Eison (1991), atividades que envolvem análise, resolução de problemas, debates e projetos colaborativos favorecem a aprendizagem ativa. Esses achados indicam que, quando o professor utiliza metodologias inovadoras no ambiente digital, cria condições para que os estudantes participem ativamente, desenvolvendo autonomia, pensamento crítico e competências socioemocionais. Essa constatação reforça a ideia de que o professor não é um simples transmissor de conteúdos, mas um designer de experiências formativas, capaz de criar situações que estimulem o aprendizado significativo.

Por outro lado, a sobrecarga de trabalho docente aparece como um dos principais desafios do e-learning. Moran (2018) observa que o ensino online exige do professor um acompanhamento individualizado mais intenso, o que pode gerar sensação de excesso de demandas e de falta de reconhecimento institucional. Esse resultado chama a atenção para a necessidade de políticas educacionais que valorizem a docência online, oferecendo condições adequadas de trabalho, infraestrutura tecnológica e formação continuada. Sem esses elementos, o papel do professor no e-learning corre o risco de ser limitado por barreiras institucionais e pela precarização das condições de ensino.

Os resultados e discussões apresentados demonstram que o professor permanece como elemento central no processo educativo, mesmo em um cenário marcado pelo avanço das tecnologias digitais. Sua função, entretanto, é ampliada e transformada, exigindo competências pedagógicas, tecnológicas e sociais que lhe permitam atuar como mediador, orientador e agente de inovação. Ao mesmo tempo em que enfrenta desafios relacionados à exclusão digital, à sobrecarga de trabalho e à necessidade de atualização contínua, o docente encontra oportunidades para repensar sua prática, adotar metodologias ativas e promover experiências mais humanizadas e inclusivas no ambiente digital.

Portanto, os dados analisados permitem concluir que o e-learning não diminui a relevância do professor, mas a potencializa, ao atribuir-lhe responsabilidades fundamentais para garantir a qualidade, a equidade e a significatividade do processo educativo. Cabe ao docente, em sua prática cotidiana, transformar os recursos digitais em instrumentos de aprendizagem crítica e emancipadora, reafirmando a centralidade da educação como prática humanizadora em meio às transformações da sociedade digital.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo analisar o papel do professor na era do e-learning, destacando suas funções, competências necessárias e os principais desafios enfrentados no contexto da educação digital. A análise permitiu compreender que a docência, longe de perder relevância frente ao avanço das tecnologias, é ressignificada e ampliada, tornando-se indispensável para assegurar a qualidade, a humanização e a equidade do processo educativo.

A investigação evidenciou que o professor no ambiente online assume uma função essencialmente mediadora, sendo responsável por articular recursos tecnológicos e pedagógicos de modo a criar experiências significativas de aprendizagem. Essa mediação não se limita a disponibilizar conteúdos em plataformas digitais, mas implica promover interações, acompanhar percursos formativos e estimular a autonomia crítica dos estudantes. Como lembra Moran (2018), a tecnologia é apenas um meio; é a ação docente que a transforma em oportunidade de aprendizagem.

Também ficou claro que a atuação do professor no e-learning requer o desenvolvimento de competências digitais específicas, que englobam tanto o domínio técnico de ferramentas quanto a capacidade de integrá-las a metodologias inovadoras e centradas no aluno. Kenski (2012) ressalta que a competência digital docente não é um atributo natural, mas resultado de formação e prática contínua. Nesse sentido, o estudo reforça a necessidade de políticas públicas e institucionais que apoiem a formação permanente dos professores, garantindo condições para que possam responder adequadamente às demandas da educação digital.

Outro aspecto fundamental diz respeito aos desafios enfrentados pelo professor. As desigualdades de acesso às tecnologias, a sobrecarga de trabalho e as resistências a mudanças são elementos que atravessam o cotidiano da docência online e que exigem sensibilidade social e compromisso ético por parte do educador. Conforme apontam Litto e Formiga (2009), o risco de exclusão digital é real e só pode ser superado com práticas pedagógicas inclusivas e com investimentos em infraestrutura que assegurem a equidade no acesso ao conhecimento.

A análise também revelou que a identidade docente passa por um processo de reconfiguração. Tardif (2012) já havia indicado que os saberes do professor são múltiplos e construídos de forma complexa. No e-learning, essa identidade se reinventa ao incorporar dimensões tecnológicas e comunicacionais, sem perder de vista sua função humanizadora. Assim, o professor contemporâneo é chamado a ser não apenas transmissor de conteúdos, mas orientador, facilitador, designer de experiências e agente de transformação social.

No campo da avaliação, destacou-se a relevância das práticas formativas e processuais, que valorizam o acompanhamento contínuo do estudante e a retroalimentação pedagógica. Palloff e Pratt (2015) ressaltam que, no ambiente digital, a avaliação deve ser compreendida como parte integrante da aprendizagem, e não como simples verificação de resultados. Esse achado reforça o papel do professor como orientador avaliativo, capaz de transformar o processo de avaliação em instrumento de reflexão, de diálogo e de construção coletiva do conhecimento.

Dessa forma, pode-se concluir que os objetivos da pesquisa foram atingidos. O estudo permitiu compreender que o papel do professor na era do e-learning é marcado por uma ampliação de responsabilidades e pela necessidade de constante atualização, mas também por inúmeras oportunidades de inovação pedagógica. O professor permanece como eixo central do processo educativo, sendo responsável por humanizar a experiência digital e assegurar que o ensino online não se reduza à mera transmissão de informações.

As contribuições desta pesquisa situam-se tanto no plano teórico quanto no prático. No campo teórico, o trabalho reforça a pertinência da discussão sobre a docência no contexto digital e amplia a compreensão acerca das funções docentes na mediação online. No plano prático, aponta para a urgência de se investir na formação continuada dos professores, no desenvolvimento de políticas que garantam infraestrutura tecnológica adequada e na criação de espaços de reflexão coletiva que favoreçam a troca de experiências e o fortalecimento da identidade docente.

Reconhece-se, contudo, que a pesquisa possui limitações. Por se tratar de uma revisão bibliográfica, não envolveu coleta de dados empíricos junto a professores em atuação, o que poderia oferecer um olhar mais aprofundado sobre as práticas concretas do e-learning. Para investigações futuras, sugere-se a realização de estudos de campo que analisem experiências docentes em diferentes contextos educacionais, de modo a identificar estratégias inovadoras e práticas eficazes de mediação digital.

A análise realizada permite afirmar que o professor, na era do e-learning, não perde sua centralidade, mas assume novos papéis e responsabilidades, reafirmando-se como mediador do conhecimento e agente de transformação. Sua atuação é decisiva para que o ensino digital cumpra sua função emancipadora, promovendo não apenas a aquisição de saberes técnicos, mas também a formação integral dos sujeitos. O desafio que se coloca, portanto, é assegurar condições para que os professores possam exercer plenamente sua função, em um contexto que reconheça e valorize sua importância na construção de uma educação mais inclusiva, inovadora e humanizadora.

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1 Discente do Curso Superior de Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação da Must University. E-mail: [email protected]

2 Discente do Curso Superior de Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação da Must University. E-mail: [email protected]

3 Discente do Curso Superior de Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação da Must University. E-mail: [email protected]