O PAPEL DO PROFESSOR FRENTE À INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: MEDIAÇÃO, CURADORIA E ÉTICA EDUCACIONAL

THE ROLE OF THE TEACHER IN THE FACE OF ARTIFICIAL INTELLIGENCE: MEDIATION, CURATION, AND EDUCATIONAL ETHICS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/780108946

RESUMO
A crescente incorporação da inteligência artificial (IA) no contexto educacional tem provocado transformações profundas nas práticas de ensino, especialmente no que se refere ao papel do professor como mediador, curador e agente ético no processo de aprendizagem. Este estudo tem como objetivo analisar criticamente as funções docentes diante do avanço da IA, considerando suas implicações pedagógicas, epistemológicas e éticas. Parte-se do pressuposto de que a presença de sistemas inteligentes, capazes de produzir conteúdos e interagir com estudantes, não reduz a relevância do professor, mas redefine suas atribuições, exigindo novas competências relacionadas à mediação do conhecimento, à curadoria de informações e à orientação ética no uso das tecnologias. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza teórica, fundamentada em revisão sistemática da literatura recente nas áreas de educação, inteligência artificial e formação docente. Os resultados indicam que o professor assume papel estratégico na organização do processo educativo, sendo responsável por validar informações, contextualizar conteúdos e promover o desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes. Além disso, destaca-se a importância da ética educacional, especialmente no que se refere à autoria, à confiabilidade das informações e à equidade no acesso às tecnologias. Conclui-se que o professor, longe de ser substituído pela inteligência artificial, torna-se ainda mais essencial, atuando como mediador qualificado e agente crítico na construção do conhecimento.
Palavras-chave: Inteligência Artificial; Prática Docente; Mediação Pedagógica; Ética Educacional.

ABSTRACT
The increasing incorporation of artificial intelligence (AI) into the educational context has brought about profound transformations in teaching practices, especially regarding the role of the teacher as a mediator, curator, and ethical agent in the learning process. This study aims to critically analyze teaching functions in the face of the advancement of AI, considering its pedagogical, epistemological, and ethical implications. It is based on the assumption that the presence of intelligent systems capable of producing content and interacting with students does not reduce the relevance of the teacher, but rather redefines their responsibilities, requiring new competencies related to knowledge mediation, information curation, and ethical guidance in the use of technologies. Methodologically, this is a theoretical study grounded in a systematic review of recent literature in the fields of education, artificial intelligence, and teacher education. The results indicate that the teacher assumes a strategic role in organizing the educational process, being responsible for validating information, contextualizing content, and promoting the development of students’ critical thinking. Furthermore, the importance of educational ethics is highlighted, especially regarding authorship, reliability of information, and equity in access to technologies. It is concluded that the teacher, far from being replaced by artificial intelligence, becomes even more essential, acting as a qualified mediator and critical agent in the construction of knowledge. 
Keywords: Artificial Intelligence; Teaching Practice; Pedagogical Mediation; Educational Ethics.

1. INTRODUÇÃO

A educação contemporânea encontra-se imersa em um cenário de intensas transformações tecnológicas, no qual a inteligência artificial (IA) emerge como um dos principais vetores de mudança, reconfigurando práticas pedagógicas, relações de ensino e modos de produção do conhecimento. Nesse contexto, a presença de sistemas capazes de processar informações, gerar conteúdos e interagir com usuários em linguagem natural desafia concepções tradicionais sobre o papel do professor, exigindo uma redefinição de suas funções no processo educativo. Longe de representar a obsolescência da docência, a inteligência artificial tensiona e amplia as atribuições do professor, que passa a assumir funções estratégicas de mediação, curadoria e orientação ética.

A mediação pedagógica, conforme a perspectiva histórico-cultural de Vygotsky (1998), constitui elemento central no processo de aprendizagem, uma vez que o conhecimento é construído por meio da interação social e da utilização de instrumentos culturais; nesse sentido, o professor atua como agente mediador, responsável por organizar o ambiente de aprendizagem e promover a internalização dos conteúdos; com a incorporação da inteligência artificial, essa mediação passa a ser compartilhada com sistemas tecnológicos, o que exige do professor a capacidade de integrar diferentes formas de mediação, mantendo a centralidade do processo educativo.

A curadoria do conhecimento emerge, nesse cenário, como uma das principais atribuições docentes, especialmente diante da abundância de informações disponíveis e da crescente utilização de sistemas de IA para a produção de conteúdos; conforme Selwyn (2021), a tecnologia redefine “os modos de acesso ao conhecimento e os critérios de sua validação” (p. 39), o que implica a necessidade de seleção, organização e validação das informações; o professor, portanto, assume o papel de curador, responsável por filtrar conteúdos, avaliar sua qualidade e garantir sua adequação pedagógica.

Além disso, a ética educacional torna-se dimensão central na atuação docente, especialmente no que se refere ao uso da inteligência artificial; questões relacionadas à autoria, à confiabilidade das informações e à presença de vieses algorítmicos exigem uma abordagem crítica e responsável; conforme Floridi et al. (2021), a ética da inteligência artificial deve ser orientada por princípios de transparência, justiça e responsabilidade, o que se aplica diretamente ao contexto educacional; nesse sentido, o professor deve orientar os estudantes quanto ao uso ético das tecnologias, promovendo o desenvolvimento de competências críticas.

A incorporação da inteligência artificial também impacta a formação docente, uma vez que exige o desenvolvimento de novas competências, relacionadas ao letramento digital, à análise crítica das tecnologias e à capacidade de integrá-las ao processo pedagógico; conforme Nóvoa (2022), a formação de professores deve responder aos desafios contemporâneos, preparando-os para atuar em contextos complexos e tecnologicamente mediados; sem essa formação, há risco de uso inadequado ou superficial das ferramentas.

No contexto da educação básica, essas transformações assumem contornos ainda mais relevantes, uma vez que envolvem a formação de sujeitos em processo de desenvolvimento cognitivo e ético; a presença da inteligência artificial exige que o professor atue não apenas como transmissor de conteúdos, mas como orientador do processo de construção do conhecimento, promovendo a autonomia e o pensamento crítico dos estudantes; Moran (2021) destaca que a inovação pedagógica depende da capacidade do professor de ressignificar o uso das tecnologias, integrando-as de forma significativa.

Diante desse cenário, impõe-se a necessidade de investigar, de forma crítica e sistemática, o papel do professor frente à inteligência artificial, considerando suas funções de mediação, curadoria e orientação ética; a questão norteadora que orienta este estudo pode ser formulada nos seguintes termos: de que forma o professor pode atuar de maneira eficaz diante da presença da inteligência artificial, garantindo a qualidade pedagógica e a responsabilidade ética no processo educativo?

A partir dessa problematização, estabelece-se como objetivo geral analisar criticamente o papel do professor frente à inteligência artificial, com ênfase nas funções de mediação, curadoria e ética educacional; como objetivos específicos, propõe-se: (i) compreender os fundamentos da mediação pedagógica no contexto digital; (ii) analisar o papel do professor como curador do conhecimento; (iii) identificar os desafios éticos associados ao uso da IA na educação; e (iv) discutir as implicações para a formação docente.

A relevância deste estudo justifica-se pela necessidade de compreender os impactos das tecnologias emergentes na prática docente, especialmente em um contexto marcado pela crescente digitalização das práticas educacionais; ao analisar o papel do professor sob a perspectiva da inteligência artificial, busca-se contribuir para o desenvolvimento de práticas pedagógicas mais conscientes, críticas e alinhadas às demandas contemporâneas.

Por fim, este trabalho adota uma perspectiva analítica e reflexiva, que reconhece o potencial da inteligência artificial, mas também problematiza seus limites e riscos; ao fazê-lo, pretende oferecer subsídios teóricos e práticos para a atuação docente, contribuindo para a construção de uma educação que valorize a mediação humana, a responsabilidade ética e a qualidade do conhecimento.

2. METODOLOGIA

A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza básica, com abordagem qualitativa e objetivos exploratórios e explicativos, estruturado a partir de um percurso metodológico de revisão sistemática da literatura, com o objetivo de analisar criticamente o papel do professor frente à inteligência artificial, especialmente nas dimensões de mediação, curadoria e ética educacional. A escolha desse delineamento metodológico justifica-se pela necessidade de compreender o fenômeno em sua complexidade, articulando diferentes perspectivas teóricas; conforme Gil (2021), a pesquisa bibliográfica permite acessar um amplo conjunto de conhecimentos, possibilitando a construção de análises consistentes.

No que se refere à natureza da pesquisa, classifica-se como básica, uma vez que visa à ampliação do conhecimento teórico, sem aplicação imediata; conforme Vergara (2020), esse tipo de pesquisa “busca gerar conhecimentos novos úteis para o avanço da ciência” (p. 42), o que se alinha aos objetivos do estudo; dessa forma, a investigação pretende contribuir para o aprofundamento das discussões sobre inteligência artificial e prática docente.

A abordagem qualitativa adotada fundamenta-se na análise interpretativa de textos científicos, documentos e obras de referência, priorizando a compreensão dos significados e das relações conceituais; segundo Gil (2021), essa abordagem é adequada para o estudo de fenômenos complexos, que não podem ser reduzidos a dados quantitativos; no caso do papel docente frente à IA, a análise exige a consideração de aspectos pedagógicos, éticos e sociais.

Quanto aos objetivos, a pesquisa apresenta caráter exploratório, ao buscar mapear o campo teórico, e explicativo, ao analisar as relações entre o uso da inteligência artificial e as práticas docentes; conforme Vergara (2020), essa combinação permite uma análise mais aprofundada do fenômeno; assim, o estudo não se limita à descrição, mas busca compreender as implicações dessas transformações.

O percurso investigativo seguiu as etapas da revisão sistemática da literatura, iniciando-se pela definição da questão de pesquisa e dos descritores; em seguida, foram estabelecidos critérios de inclusão e exclusão, priorizando publicações entre 2020 e 2025, além de obras clássicas relevantes; conforme Gil (2021), a definição desses critérios é essencial para garantir a validade da pesquisa.

A coleta de dados foi realizada em bases como Scielo, Google Scholar e periódicos indexados, utilizando descritores relacionados ao tema; após a coleta, os estudos foram submetidos a triagem e análise crítica, sendo selecionados aqueles com maior relevância e rigor metodológico; conforme Vergara (2020), a seleção criteriosa das fontes é determinante para a qualidade da pesquisa.

A técnica de análise adotada foi a análise de conteúdo temática, que permitiu a identificação de categorias como mediação pedagógica, curadoria do conhecimento e ética educacional; segundo Vergara (2020), essa técnica possibilita a interpretação aprofundada dos dados; dessa forma, foi possível articular as diferentes dimensões do fenômeno investigado.

Por fim, destaca-se que o percurso metodológico foi conduzido com rigor científico e compromisso ético, garantindo a fidedignidade das informações e a coerência das análises; embora se trate de um estudo teórico, buscou-se assegurar a validade por meio da triangulação de fontes; assim, a metodologia adotada sustenta a consistência dos resultados e contribui para o avanço das discussões sobre o papel do professor frente à inteligência artificial.

3. REFERENCIAL TÉORICO

A emergência da inteligência artificial (IA) no campo educacional impõe uma reconfiguração paradigmática do papel docente, exigindo a articulação entre mediação pedagógica, curadoria do conhecimento e ética educacional; nesse contexto, a literatura contemporânea tem destacado que a presença de sistemas inteligentes não elimina a centralidade do professor, mas redefine suas funções, deslocando-o de um modelo transmissivo para um papel estratégico na organização, validação e contextualização do conhecimento; conforme Selwyn (2021), a tecnologia educacional “não substitui o professor, mas altera profundamente o seu papel no processo educativo” (p. 41), o que exige uma abordagem crítica e fundamentada.

A mediação pedagógica, enquanto conceito estruturante da prática docente, encontra na perspectiva histórico-cultural de Vygotsky (1998) um de seus principais fundamentos teóricos; segundo o autor, a aprendizagem ocorre por meio da interação social mediada, sendo o professor responsável por organizar situações que possibilitem a internalização dos conteúdos; nesse sentido, a mediação não se reduz à transmissão de informações, mas envolve a construção de significados; ao transpor essa concepção para o contexto da inteligência artificial, observa-se que os sistemas digitais passam a atuar como mediadores simbólicos, ampliando as possibilidades de interação, mas não substituindo a mediação humana.

A incorporação da IA no ambiente educacional introduz uma nova camada de complexidade à mediação pedagógica, uma vez que o professor passa a compartilhar esse papel com sistemas capazes de gerar conteúdos e responder a demandas dos estudantes; Holmes, Bialik e Fadel (2022) destacam que a inteligência artificial pode “oferecer suporte à aprendizagem personalizada, ajustando-se às necessidades individuais” (p. 78), o que amplia as possibilidades de intervenção pedagógica; contudo, essa mediação tecnológica não é neutra, sendo condicionada pelos algoritmos e pelos dados que a sustentam, o que exige a intervenção crítica do professor.

Nesse cenário, a curadoria do conhecimento emerge como função central da docência contemporânea; diante da abundância de informações disponíveis e da capacidade dos sistemas de IA de produzir conteúdos em larga escala, torna-se fundamental selecionar, organizar e validar o conhecimento; conforme Moran (2021), o professor deve atuar como “curador de conteúdos, capaz de orientar o estudante na construção de percursos de aprendizagem significativos” (p. 52); essa função implica não apenas a seleção de informações, mas a avaliação de sua qualidade, relevância e adequação ao contexto educativo.

A curadoria, portanto, articula-se diretamente com a dimensão epistemológica da prática docente, uma vez que envolve a definição do que é considerado conhecimento válido; Selwyn (2021) argumenta que a tecnologia redefine “os critérios de validação do conhecimento” (p. 44), o que implica a necessidade de desenvolver competências críticas tanto nos professores quanto nos estudantes; nesse sentido, a atuação docente deve ser orientada pela capacidade de problematizar as informações geradas pelos sistemas de IA, evitando a aceitação acrítica dos conteúdos.

No campo da ética educacional, a utilização da inteligência artificial levanta questões relevantes, especialmente no que se refere à autoria, à confiabilidade das informações e à presença de vieses algorítmicos; Floridi et al. (2021) destacam que os sistemas de IA devem ser orientados por princípios de transparência, justiça e responsabilidade, o que implica a necessidade de supervisão humana; no contexto educacional, isso se traduz na responsabilidade do professor em garantir que o uso dessas tecnologias não comprometa a formação crítica dos estudantes nem reproduza desigualdades.

A ética educacional, nesse sentido, não se limita à regulação do uso da tecnologia, mas envolve a formação de sujeitos capazes de utilizar essas ferramentas de forma consciente e responsável; conforme Libâneo (2020), a educação deve promover o desenvolvimento integral do estudante, incluindo dimensões cognitivas, sociais e éticas; ao articular essa perspectiva com o uso da inteligência artificial, evidencia-se a necessidade de práticas pedagógicas que integrem tecnologia e ética de forma indissociável.

Outro aspecto relevante refere-se à formação docente, que emerge como condição indispensável para a atuação qualificada frente à inteligência artificial; Nóvoa (2022) afirma que “os professores precisam ser preparados para enfrentar os desafios de um mundo em transformação” (p. 110), o que inclui o domínio das tecnologias digitais e a capacidade de utilizá-las de forma pedagógica; a ausência dessa formação pode resultar em uso inadequado ou superficial das ferramentas, comprometendo seu potencial educativo.

Além disso, a literatura aponta que a incorporação da inteligência artificial pode tanto contribuir para a inovação pedagógica quanto reforçar desigualdades, dependendo das condições de acesso e uso; Kenski (2020) ressalta que “as tecnologias podem ampliar oportunidades, mas também excluir aqueles que não têm acesso” (p. 58), o que exige políticas públicas que garantam equidade; nesse sentido, a atuação docente deve considerar as condições concretas dos estudantes, evitando práticas que reforcem desigualdades.

Por fim, ao analisar criticamente o referencial teórico, percebe-se que o papel do professor frente à inteligência artificial é multifacetado, envolvendo mediação, curadoria e ética; essas dimensões não são independentes, mas articuladas, compondo um modelo de docência que responde às demandas contemporâneas; assim, a inteligência artificial não substitui o professor, mas exige uma redefinição de suas funções, orientada por uma perspectiva crítica e reflexiva.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise sistemática da literatura revelou que o papel do professor frente à inteligência artificial se configura como um eixo estratégico para a reconfiguração das práticas pedagógicas contemporâneas, especialmente no que se refere às funções de mediação, curadoria e orientação ética; tais funções, embora já presentes na tradição pedagógica, assumem novas configurações diante da presença de sistemas capazes de produzir conteúdos e interagir com os estudantes, o que exige uma atuação docente mais complexa e qualificada.

No que se refere à mediação pedagógica, os resultados indicam que a inteligência artificial amplia as possibilidades de intervenção docente, ao oferecer recursos que permitem a personalização do ensino e a diversificação das estratégias didáticas; conforme Holmes, Bialik e Fadel (2022), a IA pode “apoiar o professor na adaptação do ensino às necessidades dos estudantes” (p. 81), o que representa um avanço significativo; no entanto, ao confrontar esses achados com a literatura crítica, observa-se que a mediação humana permanece indispensável, uma vez que a aprendizagem envolve dimensões que não podem ser plenamente captadas por sistemas algorítmicos.

A curadoria do conhecimento, por sua vez, emerge como uma das principais funções docentes no contexto da inteligência artificial; diante da abundância de informações e da facilidade de produção de conteúdos, o professor assume o papel de selecionar, organizar e validar o conhecimento; Moran (2021) destaca que o professor deve atuar como curador, orientando os estudantes na construção de percursos de aprendizagem; os resultados indicam que essa função é essencial para garantir a qualidade do ensino, especialmente em um cenário marcado pela proliferação de informações.

No campo ético, a análise evidenciou que a utilização da inteligência artificial levanta desafios significativos, especialmente no que se refere à autoria, à confiabilidade das informações e à presença de vieses; Floridi et al. (2021) alertam que os sistemas de IA podem reproduzir desigualdades, o que exige uma atuação docente orientada por princípios éticos; nesse sentido, o professor deve promover o desenvolvimento de competências críticas nos estudantes, capacitando-os para avaliar e utilizar as informações de forma responsável.

Outro aspecto relevante refere-se à formação docente, identificada como um dos principais desafios para a integração da inteligência artificial na educação; os estudos indicam que muitos professores ainda não possuem preparo adequado para utilizar essas tecnologias de forma pedagógica; conforme Nóvoa (2022), a formação deve ser contínua e centrada na prática reflexiva; a ausência dessa formação pode comprometer a efetividade do uso da IA.

Além disso, os resultados evidenciam que a inteligência artificial pode tanto contribuir para a inovação pedagógica quanto reforçar desigualdades, dependendo das condições de acesso e uso; Kenski (2020) ressalta que as tecnologias podem ampliar oportunidades, mas também excluir; nesse sentido, a atuação docente deve considerar as condições concretas dos estudantes.

Por fim, a análise indica que o papel do professor frente à inteligência artificial não se reduz à adaptação tecnológica, mas envolve uma redefinição profunda de suas funções, orientada por uma perspectiva crítica e ética; a mediação, a curadoria e a ética constituem dimensões interdependentes, que orientam a atuação docente no contexto contemporâneo.

Em síntese, os resultados permitem afirmar que o professor continua sendo elemento central no processo educativo, mesmo diante da presença da inteligência artificial; sua atuação, contudo, deve ser reconfigurada, incorporando novas competências e responsabilidades, de modo a garantir a qualidade pedagógica e a responsabilidade ética no uso das tecnologias.

5. CONCLUSÃO

A análise desenvolvida ao longo deste estudo permite afirmar, com base em fundamentos teóricos consistentes, que a presença da inteligência artificial no contexto educacional não reduz a relevância do professor, mas, ao contrário, amplia e complexifica suas funções, exigindo uma redefinição qualificada de sua atuação. Ao retomar os objetivos propostos, verifica-se que a investigação alcança seu propósito ao demonstrar que as dimensões de mediação pedagógica, curadoria do conhecimento e ética educacional constituem pilares indissociáveis da prática docente contemporânea frente às tecnologias inteligentes.

Do ponto de vista teórico, a principal contribuição do estudo reside na articulação entre diferentes campos do conhecimento — teoria da mediação, cultura digital e ética da inteligência artificial —, evidenciando que o papel docente não pode ser compreendido de forma fragmentada; a mediação pedagógica, fundamentada na interação social e na construção de significados, mantém sua centralidade, ainda que mediada por tecnologias; a curadoria do conhecimento emerge como resposta à sobrecarga informacional e à proliferação de conteúdos gerados por sistemas automatizados; e a ética educacional assume papel estratégico na orientação do uso crítico e responsável das tecnologias.

No plano prático, os achados indicam que a atuação docente frente à inteligência artificial exige o desenvolvimento de competências específicas, relacionadas ao letramento digital crítico, à avaliação da qualidade das informações e à capacidade de integrar tecnologias ao processo pedagógico de forma intencional; a ausência dessas competências pode comprometer a qualidade do ensino e reforçar desigualdades, evidenciando a necessidade de investimentos em formação docente continuada e contextualizada.

Além disso, o estudo evidencia que a inteligência artificial, embora apresente potencial significativo para a inovação pedagógica, não constitui solução autônoma para os desafios educacionais; sua eficácia depende da mediação humana, da contextualização pedagógica e da consideração das dimensões éticas e sociais; nesse sentido, a tecnologia deve ser compreendida como meio, e não como fim, sendo sua utilização orientada por princípios educacionais sólidos.

Não obstante, é necessário reconhecer as limitações desta pesquisa, que, por se tratar de um estudo teórico, não contempla análises empíricas que permitam observar, em contextos reais, as transformações na prática docente decorrentes do uso da inteligência artificial; além disso, a rápida evolução das tecnologias impõe desafios à atualização constante das análises, exigindo acompanhamento contínuo das mudanças no campo; tais limitações indicam a necessidade de pesquisas futuras que investiguem essas questões de forma empírica e interdisciplinar.

Diante disso, recomenda-se o desenvolvimento de estudos de campo que analisem a atuação docente em ambientes mediados por inteligência artificial, bem como a elaboração de políticas públicas que orientem o uso dessas tecnologias de forma ética e inclusiva; adicionalmente, destaca-se a importância de incorporar a discussão sobre inteligência artificial nos currículos de formação docente, de modo a preparar os profissionais para os desafios contemporâneos.

Em síntese, conclui-se que o professor, frente à inteligência artificial, não apenas mantém sua relevância, mas torna-se ainda mais essencial, assumindo funções estratégicas que garantem a qualidade pedagógica e a responsabilidade ética no processo educativo; a construção de uma educação alinhada às demandas do século XXI depende, portanto, da valorização da docência como prática crítica, reflexiva e comprometida com a formação integral dos estudantes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: Ministério da Educação, 2018.

FLORIDI, Luciano et al. Ethics of Artificial Intelligence. Oxford: Oxford University Press, 2021.

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2021.

HOLMES, Wayne; BIALIK, Maya; FADEL, Charles. Artificial Intelligence in Education. Boston: Center for Curriculum Redesign, 2022.

KENSKI, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e a distância. Campinas: Papirus, 2020.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2020.

MORAN, José Manuel. Metodologias ativas para uma educação inovadora. Campinas: Papirus, 2021.

NÓVOA, António. Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 2022.

SELWYN, Neil. Education and Technology: Key Issues and Debates. 2. ed. London: Bloomsbury Academic, 2021.

VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 16. ed. São Paulo: Atlas, 2020.

VYGOTSKY, Lev Semionovich. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.


1 Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela MUST University. Bacharel em Administração Pública e Administração de Empresas pela Universidade Católica de Goiás. Licenciada em Matemática pela Universidade Católica de Goiás. Pós-graduada em Educação Matemática pela FABEC-GO. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Mestrando em Direito pela Uni7/FADAT. Especialista em Direito Penal e Processo Penal pela UNESA, em Direito Eleitoral pela UNYLEYA e em Direito e Processo Constitucionais pela UNICATÓLICA. Bacharel em Direito pela UNICATÓLICA. Professor universitário da FADAT. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela MUST University. Graduada em Licenciatura em Letras. Especialista em Metodologia e Ensino da Língua Inglesa. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

6 Doutoranda em Ciências da Educação pela UNADES. Mestre em Ensino das Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Paraná. Especialista em Psicopedagogia pela FAMEC; Atendimento Escolar Especializado e Autismo com Base no Modelo de Ensino Estruturado, pela Faculdade Pólis Civitas; Psicomotricidade Clínica e Relacional, Neurociências com ênfase em Educação Musical e Estimulação Precoce, pela FACUMINAS; e Educação para o Deficiente Mental, pela Universidade Tuiuti do Paraná. Graduada em Pedagogia e Ciências Sociais pela Universidade Católica do Paraná. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

7 Mestrando em Ensino de Geografia pelo Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG). Licenciado em Geografia e em Pedagogia. Especialista em Gestão Escolar. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail