O PAPEL DO FARMACÊUTICO DIANTE DO USO ABUSIVO DE MEDICAMENTO PARA EMAGRECER

THE ROLE OF THE PHARMACIST IN ADDRESSING THE ABUSE OF WEIGHT-LOSS MEDICATION

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/780897130

RESUMO
O aumento do uso de medicamentos para emagrecimento revela a busca por soluções rápidas trazendo consigo riscos significativos. Desde inibidores de apetite e de absorção de gorduras, essas opções prometem eficácia imediata, mas frequentemente causam efeitos adversos como insônia, irritabilidade, aumento da pressão arterial e náuseas. Vários desses medicamentos são proibidos em diversos países devido aos problemas de saúde que podem causar. Inclusive doenças cardíacas, depressão, e até mesmo a morte. A pesquisa foi baseada em 10 artigos bibliográficos criteriosamente analisados. Os resultados destacam os perigos associados aos medicamentos para emagrecimento, como Sibutramina, femproporex, Orlistate, fentermina, fenfluramina, dexfenfluramina, agonistas de receptor de GLP-1 (Liraglutida, Semaglutida) e a combinação de bupropiona com naltrexona. Assim, este estudo visa analisar os perigos desses medicamentos, enfatizando a importância da informação detalhada para os pacientes dos riscos, benefícios, efeitos colaterais e uso fora das indicações promovendo orientações profissionais e escolhas saudáveis.
Palavras-chave: abuso de medicamentos; automedicação; orientação ao paciente; assistência farmacêutica; prescrição médica.

ABSTRACT
The increased use of weight-loss medications reveals a search for quick solutions that bring significant risks. From appetite suppressants to fat absorption inhibitors, these options promise immediate effectiveness but frequently cause adverse effects such as insomnia, irritability, increased blood pressure, and nausea. Several of these medications are banned in various countries due to the health problems they can cause, including heart disease, depression, and even death. The research was based on 10 carefully analyzed bibliographic articles. The results highlight the dangers associated with weight-loss medications such as Sibutramine, femproporex, Orlistat, phentermine, fenfluramine, dexfenfluramine, GLP-1 receptor agonists (Liraglutide, Semaglutide), and the combination of bupropion with naltrexone. Thus, this study aims to analyze the dangers of these medications, emphasizing the importance of providing patients with detailed information about the risks, benefits, side effects, and off-label use, promoting professional guidance and healthy choices. 
Keywords: drug abuse; self-medication; patient guidance; pharmaceutical care; medical prescription.

1. INTRODUÇÃO

O uso de medicamentos para emagrecer tem crescido significativamente nos últimos anos, especialmente na crescente valorização de padrões estéticos corporais e da busca por soluções rápidas para emagrecer. Em 2022 tem se observado que esse cenário vem aumentando diariamente para o uso abusivo de medicamentos para emagrecer como anorexígenos, inibidores de apetite e substâncias termogênicas, onde muitas pessoas usam sem prescrições médicas ou acompanhamento adequado (Silva et al., 2022).

Além do impacto estético, a obesidade está fortemente associada a comorbidade graves, como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, apneia do sono e alguns tipos de câncer (Sociedade Brasileira de diabetes, 2023). Esse quadro constitui um importante fator de morbimortalidade.

Apesar de diferentes abordagens, têm sido empregadas no manejo da obesidade, incluindo mudanças no estilo de vida, terapias comportamentais, cirurgias bariátricas e, mais recentemente, tratamentos farmacológicos (Silva; Lopes; Santos, 2024). Entre as opções farmacológicas de destaque, encontram-se os agonistas do receptor GLP-1 e os agonistas duais, que atuam no controle glicêmico e na regularização do apetite (Frias et al.,2022).

Na tentativa de combater o sentimento e se adequar aos padrões de magreza, muitos indivíduos recorrem à medicamentos para emagrecer como uma forma mais rápida e fácil. Apesar de não ser um comportamento exclusivo de pessoas obesas, o aumento nessa condição tem incentivado cada vez mais o emagrecimento milagroso por meio de remédios, sem a devida prescrição médica (Costa et al. 2022).

No entanto o uso abusivo destes medicamentos pode causar inúmeras consequências para a saúde, como os efeitos colaterais graves, variando de problemas gastrointestinais leves a riscos causados inclusive o aumento da pressão arterial, arritmia cardíaca, alterações no humor, irritabilidade, entre outros, que podem comprometer a integridade da saúde física e mental dos indivíduos (Oliveira Pereira, 2023).

Esse comportamento representa um grande problema de saúde pública uma vez que esses medicamentos para emagrecer podem desencadear efeitos colaterais e adversos gravíssimos, incluindo alterações cardiovasculares, dependência química e distúrbios psiquiátricos. (Sousa & Oliveira, 2022).

Neste contexto, o farmacêutico é dotado de conhecimentos sobre a aplicabilidade e funcionamento desses medicamentos e,ao ter contato com indivíduos que buscam fazer o uso de medicamentos para emagrecer sem o auxílio médico, deve, portanto, orientá-los quando buscam estes medicamentos na farmácia, informando-lhes a respeito da maneira correta de ministrá-los e os riscos e benefícios que podem trazer para a sua saúde (Pereira et al.2022).

Este quadro tende a piorar com o aumento da obesidade que estamos vivenciando. A Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel,2023) mostrou que no Brasil a obesidade aumentou mais de 118% entre os 2006 a 2024 e a Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que até 2030 cerca de 1 bilhão de adultos estejam acima do peso em todo o mundo (Abeso, 2023).

O estilo de vida urbano moderno, com menos atividades físicas e maior consumo calórico, juntamente com fatores socioeconômicos, como baixa renda e menor escolaridade, contribuem com as causas multifatoriais, sendo elas econômicas, biológicas, culturais e políticas sobre as quais o indivíduo possui pouca ou nenhuma capacidade interferência. Os fatores ambientais e sociais estão relacionados à má alimentação, ao sedentarismo e ao estilo de vida. As orientações terapêuticas como uma alimentação saudável e exercícios físicos realizados frequentemente não obtém resultados satisfatórios,10% dos pacientes precisam de tratamento farmacológico (Silva e Andrade, 2023).

O termo off-label refere-se ao uso de medicamentos fora das indicações aprovadas em bula, prática que embora legal exige respaldo científico e responsabilidade médica (Anvisa, 2022). No caso da tirzepatida é outros medicamentos para emagrecer, o uso off-label para emagrecimento em indivíduos não diabéticos tem se popularizado rapidamente, impulsionado por resultados clínicos positivos e ampla divulgação nas redes sociais (Silva; Lopes; Santos, 2024).

2. DESENVOLVIMENTO

2.1. Metodologia

O presente trabalho é classificado como uma Pesquisa de abordagem qualitativa e descritiva, realizada em 2026. Pois tem como principal finalidade interpretar fenômenos complexos relacionados à atuação do farmacêutico na prevenção do uso abusivo de medicamentos para emagrecer. Foi realizado por meio de pesquisa das bases de dados reconhecida como: PubMed (Public Medical) Google Acadêmico, SciELO (Scientific Electronic Library Online).

Paralelamente foram consultados documentos institucionais disponibilizados em sites oficiais de órgãos reguladores, como ANVISA, CFF, CFM, também nas diretrizes do (Ministério da Saúde) e também nas normas relacionadas ao controle e à prescrição de medicamentos anorexígenos no Brasil.

Os descritores selecionados foram medicamentos, como Sibutramina, Orlistat, Liraglutida, Semaglutida, Tirzepartida,Ozempic.

Os critérios de inclusão para esse trabalho foram artigos científicos como revisão sistemática, e revisões de literatura, publicados entre, 2022 e 2026 com matérias clássicas que têm abordagem em idiomas português e inglês.

Os critérios de exclusão para esse trabalho foram, aqueles excluídos pelo título e ou após a leitura do resumo não se mostraram relevantes ao trabalho e não favoreceram os critérios de seleção além disso foram excluídos artigos repetidos. Após a seleção dos artigos elegíveis para compor os resultados e discussão dessa pesquisa foi feita uma leitura de seus objetivos e achados principais para organizar essas amostras em categorias de acordo com a qualidade deinformações encontradas. Os aspectos éticos e legais foram respeitados, tendo em vista que foram utilizados artigos nacionais.

A partir dos resultados da busca foram examinados os títulos e resumos de todos os estudos analisados. Os estudos incluídos foram avaliados quanto à qualidade e relevância, levando em consideração a metodologia utilizada, os resultados apresentados e as conclusões. Os resultados dos estudos incluídos foram sintetizados e discutidos de forma a identificar tendências, lacunas na literatura e conclusões relevantes.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (2023), a obesidade representa um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças metabólicas como diabetes tipo 2,hipertensão arterial, dislipidemias e doenças cardiovasculares. Além das implicações fisiológicas, a obesidade tem impacto psicossocial significativo, influenciado a autoestima e contribuindo para quadro de ansiedade e depressão. O aumento da prevalência dessa condição sobrecarrega os sistemas de saúde e aumenta a morbimortalidade global.

2.2. Resultados e Discussão

A pesquisa possibilitou a identificação de 30 artigos utilizando palavras-chaves combinadas e isoladas após aplicação dos critérios de exclusão e inclusão pelos medicamentos estudados, foram excluídos 10 artigos, destes apenas 15 foram incluídos para a pesquisa completa. Com o objetivo de promover melhor trabalho e resultados abordados com o objetivo de promover melhor resultado neste estudo.

A análise da selecionada permitiu identificar que a tirzepatida apresenta uma eficácia superior ao manejo da obesidade quando comparada ao tratamento de geração anterior. Os resultados indicam que a dupla ação agonista (GLP-1 e GIP) promove um controle metabólico mais abrangente, atuando tanto na sociedade central quanto na eficiência da queima de gordura visceral. Abaixo, os principais estudos que fundamentam esta análise estão organizados no Quadro 1:

Quadro 1 - Síntese dos principais Artigos selecionados.

AUTOR/ANO

TÍTULO

TIPO DE ESTUDO

RESULTADOS

Silva e Santos, 2023

Consumo de substâncias para fins de emagrecimento e sua associação com transtornos alimentares em universitários de cursos de saúde.

Revisão de literatura

Entender os riscos do uso indiscriminado de medicamentos para emagrecer e a importância do farmacêutico na dispensação destes medicamentos.

Santos, Magalhães e Dourado. 2022.

Análise dos efeitos adversos associados ao uso da anorexígena Sibutramina.

Revisão de literatura

Cerca de 24% a 33 % dos indivíduos revelaram o uso indiscriminado de medicações anorexígenos consumidas com o intuito de perda de peso.

Silva, Oliveira e Rodrigues. 2022

Análise do perfil de interação medicamentosa de medicamentos para emagrecer.

Revisão de literatura

Descrever as propriedades farmacológicas da anfepramona e do Ozempic femproporex e seus efeitos adversos, mostrando a importância do farmacêutico dispensação desses medicamentos.

Pereira, et al, 2022.

A fitoterapia como uma alternativa terapêutica complementar para pacientes com Diabetes Mellitus no Brasil: uma revisão sistemática.

Revisão literatura.

Caracterizar os riscos do uso indiscriminado de medicamentos para emagrecer e destacar a necessidade da atuação do farmacêutico no local da dispensação destes medicamentos.

De Carvalho e Andrade

Atenção farmacêutica frente aos riscos do consumo abusivo de remédios para emagrecer.

Revisão bibliográfica.

Analisar o uso dos principais medicamentos off-label prescritos para a obesidade no Brasil e a atuação do farmacêutico no acompanhamento desses pacientes.

Silva Santos et al. 2023

Pacientes cardíacos e/ou hipertensos devem ser alertados dos riscos de aumento substancial da pressão arterial e da frequência cardíaca, que devem ser regularmente monitorados durante o uso.

Revisão de literatura

Examinar o papel dos farmacêuticos comunitários no controle do peso no paciente estudando especificamente as suas crenças, práticas atuais serviços e conhecimentos

Baptista, L.O., 2022.

Efeitos dos agonistas do receptor GLP-1 no tratamento da obesidade

Estudo transversal

Um dos ensaios clínicos mostrou que o Liraglutide promove a redução de 5% do corporal em indivíduos sem diabetes (63,2%) e com diabetes (54,3%). A comparação da eficácia do semaglutida VS Liraglutide mostra que 14% e 8% dos pacientes tiveram perdas significativas de peso.

Pires Weber, T, et al. 2023.

Uso Do Medicamento Semaglutida como aliado no tratamento da obesidade

Revisão Bibliográfica.

Avaliar os efeitos colaterais da utilização indiscriminada do fármaco semaglutida, assim como os impactos para saúde e consequências sucedeu.

Da Mata, A. M. 2023

Atenção Farmacêutica Uso Racional de inibidores de apetite.

Estudo literatura.

O uso de inibidores de apetite para o tratamento de obesidade é eficaz desde que prescrito e acompanhado por uma equipe multiprofissional de saúde, na qual, inclui o farmacêutico, responsável por orientar e acompanhar a população no uso correto, interações medicamentosas e reações adversas.

De Andrade,C. B. S. et al. 2023.

Vantagens e desvantagem utilização do Semaglutida no tratamento da obesidade.

Revisão de literatura

A semaglutida mostra eficácia no controle do excesso de peso quando usada como anorexígenos, combinação com uma dieta saudável e exercícios físicos.

De Jesus, C. N. S,et al. 2023

O uso de Orlistate pode promover um aumento de pancreatite aguda.

Pesquisa bibliográfica.

A maioria dos artigos pesquisados abordaram o risco do desenvolvimento de pancreatite aguda em pacientes que fazem uso desse medicamento (Orlistate) para tratamentos da obesidade.

Tão et al, 2023.

Associação do consumo de medicamentos para emagrecer alerta os riscos que essa classe pode acarretar na saúde do consumidor.

Estudo de pesquisa

Os resultados indicaram que o uso frequente de medicamentos para emagrecer foi associado a uma significativa redução da obesidade

Tomaz; Da Silva Júnior, 2022.

Medicamentos utilizados no tratamento da perda de peso melhora na qualidade de vida do paciente

Revisão integrativa.

Foi destacado que o uso de medicamentos para emagrecer garante a efetivação na segurança da farmacoterapia trabalhando para redução da taxa de mortalidade.

Fonte: Autora, 2026

A pesquisa evidenciou que a terapia medicamentosa para a perda de peso, quando aplicada de forma correta e supervisionada por profissionais qualificados, pode ser uma ferramenta eficaz no combate à obesidade. Estudos demonstram que o medicamento como a Orlistate e Liraglutida são muitos utilizados com resultados positivos na redução de peso, principalmente quando associado com mudanças de estilo de vida, como uma dieta balanceada e a prática de atividade físicas regular (Silva & Júnior, 2022; Andrade et al.,2023).

A relevância desta pesquisa justifica-se pela atual epidemia global de obesidade e pelo uso abusivo de medicamentos para emagrecer e pela limitação das terapias convencionais, que impulsionam a busca por inovações farmacológicas como os agonistas duais. Embora, a tirzepatida apresenta resultados superiores no controle metabólico, a popularização do seu uso fora das indicações de bula exige um respaldo científico robusto para garantir a segurança dos pacientes. Portanto, a investigação das evidências disponíveis é essencial não apenas para embasar decisões clínicas responsável, mas também para orientar políticas públicas sobre o uso racional de medicamentos, mitigando os impactos decorrentes da carência de dados sobre a manutenção do peso a longo prazo (Anvisa, 2022)

Por outro lado, o uso indiscriminado desses medicamentos, sem a devida orientação médica, pode gerar riscos consideráveis à saúde. Efeitos colaterais como desconforto gastrointestinal, náuseas e até mesmo complicações graves, como hipoglicemia, foram relatados em diversos estudos, reforçando a necessidade de um acompanhamento seguindo durante o tratamento (Santos, Cruz & Dourado,2022).

Quadro 2 - Principais medicamentos usados para emagrecer com indicação terapêutica e interação medicamentosa.

NOME POPULAR

NOME CIENTÍFICO

INDICAÇÃO TERAPÊUTICA

INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA

Cloridrato de Sibutramina monoidratado

Cloridrato de Sibutramina monoidratado

Tratamento da obesidade.

Contraindicado com (IMAOs) e antidepressivos.

Orlistate (xenical)

Tetrahydrolipstatina

Diabetes tipo 2

Perda de peso.

Hipertensão.

Varfarina

Amiodarona

Antiepilépticos.

Mounjaro

Tirzepatida

Diabetes tipo 2

Perda de peso.

Anticoagulantes.

Contraceptivos.

Liraglutida (Saxenda)

Liraglutida

Diabetes tipo 2

Perda de peso.

Varfarina

Contraceptivos

Semaglutida

Semglutida.

Diabetes tipo 2

Redução de risco cardiovascular.

Paracetamol

Contraceptivos

Ozempic

Semaglutida

Diabetes tipo 2, controle de peso.

Varfarina

Contraceptivos orais

Paracetamol.

Contrave (Bupropiona)

Contrave

(Bupropiona)

Controle do peso

Diabetes tipo 2.

IMAOs.

Opióides.

Fonte: Autora, 2026

Andrade et al., (2023) descrevem que a Semaglutida é utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 e na redução do risco cardiovascular. Entre as intervenções medicamentosas mais relevantes estão a paracetamol e os contraceptivos orais, devido à possibilidade de alteração da absorção causada pelo retardo do esvaziamento gástrico. O Ozempic, que também possui como princípio ativo a semaglutida, é indicado para o controle do diabetes tipo 2 e do peso corporal. Pode interagir com varfarina, contraceptivos orais e paracetamol, modificando a absorção ou efeitos desses medicamentos.

De Jesus, C.N.S, et. al., (2023), destacam que a Orlistate, conhecida comercialmente como Xenical, possui como nome científico Tetrahydrolipstatina. É utilizado no tratamento da obesidade, na perda de peso e como auxiliar no controle do diabetes tipo 2. O medicamento pode interagir com varfarina, amiodarona e antiepilépticos, alterando a absorção e a eficácia desses medicamentos. O Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, é indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 e para a perda de peso. Entre suas principais interações medicamentosas estão os anticoagulantes e os contraceptivos orais, pois o medicamento pode retardar o esvaziamento gástrico e alterar a absorção de outros fármacos.

O contrave é composto por bupropiona e naltrexona, sendo indicado para o controle de peso corporal e auxílio no tratamento da obesidade associada ao diabetes tipo 2. É contraindicado com IMAOs e pode interagir com opióides, reduzindo o efeito analgésico ou desencadeando sintomas de abstinência em usuários dessas substâncias. O cloridrato de Sibutramina monoidratado é indicado para o tratamento da obesidade, auxiliando na redução do apetite e no controle do peso corporal quando associado a dieta e atividade física. Seu princípio ativo é a Sibutramina. Entre as principais interações medicamentosas, destacam-se a contraindicação do uso com IMAOs (inibidores da monoaminoxidase) e antidepressivos, pois essa associação pode aumentar o risco de síndrome serotonérgica e elevação da pressão arterial.

3. CONCLUSÃO

A pesquisa que foi realizada neste trabalho cumpriu seus objetivos e conseguiu reunir as principais orientações que devem ser informadas pelos farmacêuticos ao dispensarem fármacos para emagrecer no atendimento em farmácias comunitárias e comerciais. Em um primeiro contato, o profissional de farmácia deve conduzir questionamentos que permitam identificar informações relevantes sobre o usuário destes medicamentos. Isso ajuda o farmacêutico a solucionar as principais dúvidas do paciente e avaliar se a escolha do medicamento solicitado é adequada. É importante se atentar para às possíveis contraindicações dos fármacos e alertar ao paciente sobre seus efeitos colaterais.

Concluiu-se que os principais medicamentos comercializados para emagrecer são Sibutramina, Orlistat e Mounjaro, Saxenda, Ozempic. Seus usuários devem ser conscientizados sobre os riscos destes fármacos potencializarem problemas cardiovasculares, e alertar que seu uso prolongado pode levar ao desenvolvimento de resistência no organismo. Também é papel do farmacêutico acompanhar o tratamento, solicitado que os paciente que retorne à farmácia para avaliar a continuação do uso ou não do fármaco, identificar de maneira prévia os riscos potenciais à saúde do indivíduo.

Os resultados deste trabalho revelaram a carência de publicações científicas sobre o tema. Existem muitos artigos que abordam os efeitos e eficácia dos fármacos utilizados para a perda de peso. Mas quando a busca foi afunilar, restaram poucos estudos que traziam de forma clara o papel do farmacêutico na orientação ao uso racional desses medicamentos.

Os poucos estudos existentes, com foco no cuidado farmacêutico, trazem basicamente as mesmas informações superficiais. Afirmam que o farmacêutico deve explicar ao paciente como usar os medicamentos, porém, poucos especificam as dosagens que devem ser recomendadas, o tempo pelo qual o medicamento deve ser usado.

Com isso conclui-se que é necessário desenvolver evidências científicas mais precisas e seguras a respeito o uso off-label dos medicamentos para emagrecer de forma racional e segura, ampliando o embasamento para que os farmacêuticos orientem seus pacientes de forma mais consciente e racional para os pacientes do uso prolongado destes medicamentos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABESO. Associação Brasileira para o estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica. Mapa da Obesidade. 2023. Disponível em: https://abeso.org.br/obesidade-e-síndrome-metabolica/mapa-da-obesidade.Acesso em: 16 nov.2023.

ANDRADE,Sâmia Moreira et al. Medicamentos antidiabéticos utilizados com a finalidade de perda de peso. Diversitas Journal,v.8,n.4, 2023.

AVISA. Medicamentos agonistas GLP-1 só poderão ser vendidos com retenção da receita. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-/assuntos/noticias-anvisa/2025/canetas-emagrecedoras-so-poderao-ser-vendidas-com-retencao-de-receita. Acesso em:22 mar.2025.

CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Resolução 308 de 2 de maio de 1997. Dispõe sobre a Assistência Farmacêutica em farmácias e drogarias. 1997. Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/308.pdf. Acesso em: 21 de dez.2025.

Da Mata, A. M. O.F. (2023).Atenção Farmacêutica no Uso de inibidores do apetite. Brazilian of Health Review, 6 (1), 2841-2854. https://dói.org/10.34119/bjhrv6n1-223. Acesso em: 21 de dez.2025.

DOS SANTOS,Amanda Cabral; DA CRUZ MAGALHÃES, Cecília Paula; DOURADO,Roney Cardoso. Recursos farmacoterapêuticos no auxílio à perda de peso. Revista JRG de Estudos Acadêmicos,v. 5, n.10,p.29-41,2022. Acesso em: 21 de dez.2025.

SILVA, L. M .LOPES, R, D.; SANTOS, A R. Agonistas do receptor de GLP-1 e sua utilização no manejo da obesidade. Revista Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, v. 68, n. 2, p. 123-132, 2024. Acesso em: 21 de fev.2026.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES (SBD) .Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2023-2024. São Paulo: Clannad, 2023. Disponível em: https://www.diabetes.org.br. Acesso em 29 set. 2025.

VIGITEL. Estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e Distrito Federal em 2023. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/Svsa/Inquéritos-de-saude/vigitel. Acesso em: 23 de janeiro.2026.


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária

CFF Conselho Federal de Farmácia

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

OMS Organização Mundial da Saúde

PICs Práticas Integrativas e Complementares

IMC Índice de Massa Corporal

SUS Sistema Único de Saúde

IM Interações Medicamentosas

RAM Reações Adversas a Medicamentos

VIGITEL Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito.


Monografia apresentada ao Curso de Farmácia da Faculdade Estácio, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Farmácia.