O PAPEL DO DESIGN INSTRUCIONAL NA EDUCAÇÃO: PERSPECTIVAS POSITIVAS E DESAFIOS

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18285931


Douglas dos Santos Fonseca1


RESUMO
O Design Instrucional (DI) no contexto educacional contemporâneo propõe uma abordagem que valoriza a experimentação prática, a personalização do aprendizado e o desenvolvimento de competências. Ao integrar tecnologias como ambientes virtuais de aprendizagem, ferramentas de autoria e recursos multimídia, o DI estimula competências interdisciplinares, autonomia e protagonismo estudantil. Este trabalho se fundamenta em uma pesquisa bibliográfica realizada no repositório de periódicos do Google Acadêmico, utilizando os termos “design instrucional” e “educação” para identificar dez artigos recentes, dos quais quatro estudos centrais — Azevedo et al., Ferreira et al., Mesquita e Vitti — foram selecionados e analisados em profundidade. Os resultados evidenciam que o DI contribui significativamente para a eficácia do ensino, personalização da aprendizagem e criação de materiais didáticos eficazes. No entanto, é importante considerar as limitações e desafios enfrentados pelos profissionais de DI, especialmente com o crescente uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Apesar dos desafios, o DI é uma abordagem valiosa para a educação contemporânea, oferecendo oportunidades para a melhoria da qualidade do ensino. 
Palavras-chave: Design Instrucional. Educação. Ambientes de aprendizagem.

ABSTRACT
In the contemporary educational context, Instructional Design (ID) proposes an approach that values ​​practical experimentation, personalized learning, and skills development. By integrating technologies such as virtual learning environments, authoring tools, and multimedia resources, ID fosters interdisciplinary skills, autonomy, and student empowerment. This work is based on a bibliographic search conducted in the Google Scholar journal repository, using the terms "instructional design" and "education" to identify ten recent articles, of which four central studies—Azevedo et al., Ferreira et al., Mesquita and Vitti—were selected and analyzed in depth. The results demonstrate that ID contributes significantly to teaching effectiveness, personalized learning, and the creation of effective teaching materials. However, it is important to consider the limitations and challenges faced by ID professionals, especially with the increasing use of Information and Communication Technologies (ICTs). Despite the challenges, ID is a valuable approach for contemporary education, offering opportunities for improving teaching quality.
Keywords: Instructional Design. Education. Learning environments.

1. INTRODUÇÃO

O Design Instrucional (DI) emerge como uma resposta estratégica às transformações educacionais impulsionadas pela evolução tecnológica e pelas demandas contemporâneas de aprendizagem. Desde os primeiros registros do ensino a distância no século XVIII até a consolidação dos ambientes virtuais de aprendizagem, o DI tem se mostrado essencial na criação de experiências educacionais significativas, especialmente em contextos não presenciais. A pandemia de 2020 evidenciou ainda mais essa necessidade, ao exigir a rápida adaptação de modelos tradicionais para formatos híbridos e remotos, destacando o papel do designer instrucional como articulador entre conteúdo, metodologia e tecnologia.

Mais do que uma simples transposição de materiais didáticos, o Design Instrucional envolve um processo sistemático e intencional de planejamento, desenvolvimento e aplicação de soluções educacionais que consideram o perfil do público-alvo, os objetivos de aprendizagem e os recursos disponíveis. Ao integrar princípios pedagógicos com estratégias comunicacionais, o DI promove a aprendizagem humana de forma eficaz, flexível e personalizada. Diante dessas colocações, esta pesquisa se debruçou sobre a seguinte questão: Quais as contribuições e desafios do design instrucional na educação?

Para atingir possíveis respostas para este questionamento, foi conduzida uma pesquisa bibliográfica no repositório de periódicos do Google Acadêmico sobre as vantagens e desafios do design instrucional em ambientes educacionais. A partir dos resultados obtidos com as palavras-chave design instrucional e educação, foram selecionados dez artigos recentes que tinham relação com o tema. A partir dos resultados, os resumos desses artigos foram analisados e foram selecionados os quatro mais relevantes que se relacionam com o objetivo da pesquisa.

A pesquisa de Azevedo et al. investigou as práticas do Design Instrucional (DI) e o papel do designer instrucional no ambiente educacional, com ênfase nas vantagens e desvantagens dessa metodologia. O objetivo foi realizar uma análise crítica das contribuições do DI para a eficácia do ensino, destacando sua importância na personalização da aprendizagem e na otimização do processo educativo. O estudo de Ferreira et al. abordou as vantagens e desvantagens das práticas de Design Instrucional, com um foco específico no papel desempenhado pelo profissional designer instrucional no contexto educacional.

Na pesquisa de Mesquita há uma investigação sobre as práticas do Design Instrucional no contexto educacional, ressaltando suas vantagens e desafios na organização do ensino e na otimização da aprendizagem. O Design Instrucional foi tratado como um conjunto de estratégias pedagógicas que estruturam o processo educacional, integrando metodologias ativas e tecnologias para potencializar tanto o ensino presencial quanto o ensino a distância. Já Vitti apresentam um panorama de pesquisas que exploram as práticas do Design Instrucional no contexto educacional contemporâneo, ressaltando suas vantagens e desvantagens em um cenário caracterizado pelo crescente uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).

Este trabalho está dividido em três sessões: uma introdução que contextualiza o surgimento e o papel do design instrucional na educação, seguida da metodologia aplicada na pesquisa, que foi a pesquisa bibliográfica, trazendo as principais contribuições de cada artigo e os resultados encontrados. A segunda sessão é o desenvolvimento que traz uma análise do design instrucional na educação, discutindo suas vantagens e desafios a partir dos resultados das pesquisas realizadas em artigos acadêmicos publicados entre 2024 e 2025 e na última sessão temos as considerações finais, que aborda os resultados da pesquisa encontrados neste trabalho.

Os quatro artigos analisados evidenciaram que as práticas do Design Instrucional (DI) no contexto educacional possuem diversas vantagens e desafios. O DI, como um conjunto de estratégias pedagógicas, organiza o ensino e otimiza a aprendizagem, integrando metodologias ativas e tecnologias para potencializar o ensino presencial e a distância. Ele contribui para a eficácia do ensino, personalização da aprendizagem e criação de materiais didáticos eficazes. No entanto, é importante considerar as limitações e desafios enfrentados pelos profissionais de DI, especialmente com o crescente uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Apesar dos desafios, o DI é uma abordagem valiosa para a educação contemporânea, oferecendo oportunidades para a melhoria da qualidade do ensino.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O Design Instrucional (DI) tem se consolidado como uma abordagem estratégica e essencial na configuração de experiências educacionais contemporâneas, especialmente no contexto da Educação a Distância (EaD). Sua aplicação permite não apenas a organização lógica e progressiva dos conteúdos, mas também a criação de ambientes de aprendizagem mais eficazes e envolventes. Essa estrutura metodológica, ao integrar tecnologias educacionais e princípios pedagógicos, contribui significativamente para a otimização do processo de ensino-aprendizagem (Mesquita, 2025).

A relevância do DI se intensifica diante das demandas da educação digital, em que a ausência de interação física exige soluções pedagógicas inovadoras. Nesse cenário, o DI se mostra capaz de superar barreiras comunicacionais e promover experiências de aprendizagem mais conectadas e significativas, adaptando-se às especificidades do ensino remoto (Azevedo et al., 2024). Além disso, sua capacidade de fomentar a aprendizagem autogerida e personalizar o ensino reforça seu papel na melhoria da qualidade educacional. Metodologias estruturadas, como o modelo ADDIE, exemplificam como o DI pode impulsionar práticas pedagógicas mais eficazes e alinhadas às necessidades dos alunos (Azevedo et al., 2024).

A elaboração de materiais didáticos sob a perspectiva do DI envolve um planejamento intencional e cuidadoso, com foco na contextualização do aprendizado. O material instrucional gerado por esse processo é concebido para guiar o aluno em uma jornada de aprendizagem eficiente, com objetivos claramente definidos e estratégias que favorecem a construção do conhecimento (Ferreira et al., 2024). Essa abordagem não se limita à transmissão de conteúdo, mas busca estimular a participação ativa, a reflexão crítica e a autonomia do aprendiz. Práticas como o uso de plataformas adaptativas, gamificação e microconteúdos ilustram como o DI pode enriquecer a experiência educacional por meio da tecnologia (Ferreira et al., 2024).

Com o avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), o DI tem evoluído para atender às exigências de uma educação cada vez mais digital. A combinação entre DI e TICs transforma profundamente as práticas pedagógicas, promovendo metodologias mais dinâmicas, interativas e centradas no aluno. Essa transformação torna o ensino mais alinhado às demandas contemporâneas e futuras, colocando o estudante como protagonista do processo educativo (Vitti, 2025).

Apesar das contribuições significativas, o Design Instrucional enfrenta desafios importantes. A implementação eficaz dessa abordagem exige planejamento rigoroso, tempo e expertise, o que pode dificultar sua adoção por parte de educadores e instituições. A resistência à mudança de paradigmas educacionais e à incorporação de novas metodologias também representa um obstáculo relevante (Mesquita, 2025). Além disso, a formação e capacitação de professores ainda é um ponto crítico. Muitos educadores não estão preparados para aplicar o DI de forma adequada, o que limita seu potencial transformador. Sem uma formação específica, há uma tendência à reprodução de práticas tradicionais, mesmo em ambientes digitais que oferecem amplas possibilidades de inovação. Essa lacuna impacta diretamente a qualidade da aprendizagem, impedindo que os alunos vivenciem metodologias mais significativas e personalizadas (Vitti, 2025).

Diante desse panorama, é possível afirmar que o Design Instrucional representa uma poderosa ferramenta para a transformação da educação, desde que acompanhado de políticas de formação docente, investimento em infraestrutura e abertura institucional para a inovação. Seu potencial reside não apenas na estruturação do ensino, mas na capacidade de promover uma aprendizagem mais ativa, crítica e centrada no aluno.

A discussão sobre o Design Instrucional evidencia que sua consolidação na educação contemporânea ocorreu como resposta às transformações impostas pela digitalização do ensino. Ao longo dos últimos anos, observou-se que a simples transposição de conteúdos para ambientes virtuais não garantiu aprendizagem significativa, tornando necessário um planejamento pedagógico mais estruturado. Nesse contexto, o DI assumiu papel central ao organizar conteúdos, metodologias e avaliações de forma integrada, conforme analisado por Mesquita (2025).

A Educação a Distância intensificou essa necessidade, uma vez que a ausência do contato presencial exigiu estratégias pedagógicas capazes de manter o engajamento e a interação dos estudantes. Azevedo et al. (2024) destacam que o Design Instrucional contribuiu para reduzir a fragmentação do ensino remoto, ao propor percursos de aprendizagem coerentes e alinhados aos objetivos educacionais.

Outro ponto relevante diz respeito à personalização da aprendizagem. O DI permitiu considerar os diferentes perfis dos estudantes, respeitando ritmos, estilos de aprendizagem e necessidades específicas. Essa abordagem tornou o ensino mais inclusivo e eficaz, sobretudo em contextos digitais, nos quais a autonomia do aluno é fundamental, como enfatiza Vitti (2025).

A organização lógica dos conteúdos também se destacou como uma das principais contribuições do Design Instrucional. Ao estruturar o conhecimento de forma progressiva, o DI favoreceu a compreensão conceitual e reduziu a sobrecarga cognitiva. Ferreira et al. (2024) ressaltam que essa organização possibilita ao estudante estabelecer conexões entre os conteúdos, fortalecendo a aprendizagem significativa.

No campo da avaliação, o DI promoveu mudanças importantes ao ampliar o uso de avaliações formativas e processuais. Em vez de avaliações pontuais, passaram a ser valorizados feedbacks contínuos, autoavaliações e instrumentos diversificados, o que contribuiu para o desenvolvimento da autorregulação da aprendizagem, conforme discutido por Azevedo et al. (2024).

A integração entre Design Instrucional e tecnologias digitais ampliou o uso de recursos multimídia como vídeos, animações, infográficos e simuladores. Esses recursos, quando planejados de forma pedagógica, favoreceram múltiplas formas de representação do conhecimento, atendendo à diversidade dos estudantes, como aponta Vitti (2025).

Outro aspecto central foi a incorporação das metodologias ativas no planejamento instrucional. Estratégias como aprendizagem baseada em problemas e projetos passaram a ser estruturadas de forma mais consistente, estimulando o protagonismo do estudante e o desenvolvimento do pensamento crítico, segundo Ferreira et al. (2024).

A atuação docente também foi profundamente impactada pelo Design Instrucional. O professor passou a assumir o papel de mediador da aprendizagem, responsável por orientar, acompanhar e estimular os estudantes. Essa mudança exigiu novas competências pedagógicas e tecnológicas, conforme analisa Mesquita (2025).

Entretanto, a efetivação do DI depende diretamente da formação docente. Azevedo et al. (2024) argumentam que muitos professores ainda encontram dificuldades para planejar experiências de aprendizagem alinhadas aos princípios instrucionais, o que evidencia a necessidade de políticas de formação continuada.

Além da formação, o apoio institucional mostrou-se fundamental para a consolidação do Design Instrucional. Instituições que investiram em equipes multidisciplinares e infraestrutura adequada obtiveram melhores resultados na implementação do DI, conforme observado por Vitti (2025).

A acessibilidade também ganhou destaque nas discussões sobre DI. Ao incorporar princípios de acessibilidade desde o planejamento, tornou-se possível ampliar o acesso ao conhecimento e promover maior equidade educacional, conforme enfatizam Ferreira et al. (2024).

Outro elemento relevante refere-se à aprendizagem autogerida. O Design Instrucional favoreceu o desenvolvimento da autonomia dos estudantes ao oferecer percursos claros, objetivos definidos e feedbacks constantes, aspecto considerado essencial na EaD, segundo Azevedo et al. (2024).

A flexibilidade proporcionada pelo DI também se mostrou significativa. A possibilidade de acesso aos conteúdos em diferentes tempos e espaços contribuiu para a permanência dos estudantes nos cursos, especialmente aqueles que conciliam estudo e trabalho, como destaca Mesquita (2025).

Por outro lado, persistem desafios relacionados à infraestrutura tecnológica. Limitações de acesso à internet e equipamentos inadequados comprometem a efetividade do DI em determinados contextos, conforme problematiza Vitti (2025).

A resistência à inovação pedagógica também se apresentou como um obstáculo. Muitos docentes demonstram insegurança diante das mudanças propostas pelo Design Instrucional, o que reforça a importância de processos formativos reflexivos, como aponta Mesquita (2025).

A avaliação da efetividade do DI demanda o uso de dados educacionais. A análise de indicadores como engajamento, desempenho e evasão permite ajustes contínuos nas estratégias pedagógicas, fortalecendo uma gestão educacional baseada em evidências, conforme destacam Azevedo et al. (2024).

Outro desafio refere-se à atualização constante dos materiais instrucionais. O rápido avanço tecnológico exige revisões frequentes nos conteúdos e metodologias, reforçando o caráter dinâmico do Design Instrucional, segundo Ferreira et al. (2024).

A articulação entre teoria e prática também foi fortalecida pelo DI. Atividades contextualizadas e aplicadas aproximaram o conhecimento acadêmico das situações reais, tornando a aprendizagem mais relevante, como observa Vitti (2025).

O impacto do DI na motivação dos estudantes também merece destaque. Ambientes bem planejados contribuíram para o aumento do engajamento e da participação ativa, reduzindo índices de evasão, conforme analisado por Azevedo et al. (2024).

A integração de dados analíticos às plataformas educacionais ampliou as possibilidades de acompanhamento da aprendizagem. O uso desses dados permitiu intervenções pedagógicas mais precisas, como destaca Mesquita (2025).

Outro aspecto importante foi a promoção da interdisciplinaridade. O Design Instrucional favoreceu a articulação entre diferentes áreas do conhecimento, ampliando a visão sistêmica dos estudantes, conforme ressaltam Ferreira et al. (2024).

No contexto pós-pandemia, o DI consolidou-se como elemento essencial para a reorganização dos modelos educacionais. A experiência do ensino remoto evidenciou a importância de um planejamento instrucional consistente, segundo Vitti (2025).

A discussão também aponta que o DI contribui para a democratização do acesso à educação. Ao estruturar ambientes mais inclusivos e flexíveis, ampliam-se as oportunidades de aprendizagem para diferentes públicos, conforme analisa Azevedo et al. (2024).

O papel das tecnologias, quando integradas ao DI, deixou de ser meramente instrumental e passou a assumir função pedagógica estratégica. Essa mudança reforça a centralidade do planejamento instrucional, como destaca Mesquita (2025).

Por fim, a discussão evidencia que o Design Instrucional representa um eixo estruturante da educação digital contemporânea. Quando articulado à formação docente, às tecnologias e às políticas institucionais, o DI potencializa práticas pedagógicas mais eficazes, inclusivas e significativas, conforme convergem Mesquita (2025), Azevedo et al. (2024), Ferreira et al. (2024) e Vitti (2025).

Dando continuidade à discussão, é importante destacar que o Design Instrucional também favorece a coerência pedagógica entre objetivos, conteúdos, metodologias e avaliações. Essa coerência evita práticas fragmentadas e improvisadas, comuns em contextos educacionais pouco planejados. Segundo Mesquita (2025), quando o DI é aplicado de forma sistemática, ele assegura que cada elemento do curso esteja alinhado à intencionalidade pedagógica, fortalecendo os resultados da aprendizagem.

Outro ponto que merece aprofundamento é o papel do DI na mediação pedagógica em ambientes digitais. A ausência do professor em tempo integral exige estratégias que orientem o estudante de forma clara e objetiva. Azevedo et al. (2024) afirmam que o Design Instrucional atua como um mediador silencioso, organizando o percurso formativo e antecipando possíveis dificuldades dos alunos.

A construção de trilhas de aprendizagem personalizadas é uma das contribuições mais expressivas do DI. Essas trilhas permitem que o estudante avance conforme seu desempenho, promovendo maior autonomia e senso de responsabilidade pelo próprio aprendizado. Vitti (2025) destaca que essa flexibilidade favorece o engajamento e reduz a evasão, especialmente na Educação a Distância.

No que se refere à qualidade dos materiais didáticos, o Design Instrucional impõe critérios mais rigorosos de elaboração. Textos, vídeos e atividades passam a ser produzidos com base em objetivos claros e princípios cognitivos, evitando excessos ou lacunas conceituais. Ferreira et al. (2024) ressaltam que materiais bem planejados contribuem para a clareza da informação e para a retenção do conhecimento.

A relação entre DI e aprendizagem significativa também merece destaque. Ao contextualizar os conteúdos e relacioná-los à realidade do estudante, o DI favorece a construção ativa do conhecimento. Essa abordagem rompe com modelos tradicionais centrados na memorização, conforme discutido por Azevedo et al. (2024).

Outro aspecto relevante é o impacto do DI no desenvolvimento de competências e habilidades. O planejamento instrucional possibilita a criação de atividades voltadas não apenas ao domínio conceitual, mas também ao desenvolvimento de competências socioemocionais, cognitivas e digitais, como aponta Vitti (2025).

A interdisciplinaridade ganha força quando mediada pelo Design Instrucional. Ao integrar conteúdos de diferentes áreas em atividades contextualizadas, o DI amplia a compreensão dos fenômenos estudados. Ferreira et al. (2024) destacam que essa integração favorece uma visão mais sistêmica do conhecimento.

O uso de tecnologias educacionais, quando orientado pelo DI, passa a ter um caráter pedagógico intencional. Ferramentas digitais deixam de ser utilizadas apenas por inovação e passam a ser escolhidas com base em sua contribuição para os objetivos de aprendizagem, conforme ressalta Mesquita (2025).

A análise contínua dos resultados é outro elemento essencial no Design Instrucional. O acompanhamento do desempenho dos estudantes permite ajustes constantes no planejamento, fortalecendo a melhoria contínua do processo educacional. Azevedo et al. (2024) enfatizam que essa análise contribui para uma educação baseada em dados e evidências.

A formação docente, novamente, surge como um eixo central para a efetividade do DI. Sem preparo adequado, o professor tende a reproduzir práticas tradicionais, mesmo em ambientes digitais. Vitti (2025) alerta que a ausência de formação específica compromete o potencial transformador do Design Instrucional.

Nesse sentido, a capacitação continuada dos professores deve contemplar não apenas o uso das tecnologias, mas também os fundamentos pedagógicos do DI. Mesquita (2025) defende que compreender os princípios instrucionais é essencial para planejar experiências de aprendizagem mais eficazes.

A cultura institucional também influencia diretamente a implementação do Design Instrucional. Instituições abertas à inovação e ao trabalho colaborativo tendem a obter melhores resultados, conforme analisam Azevedo et al. (2024). O apoio da gestão é determinante para a consolidação dessa abordagem.

Outro desafio discutido na literatura refere-se ao tempo necessário para o planejamento instrucional. Ferreira et al. (2024) apontam que a elaboração de materiais e atividades exige dedicação e organização, o que pode gerar resistência inicial por parte dos docentes.

Apesar disso, os benefícios do DI superam os desafios. A médio e longo prazo, o planejamento estruturado reduz retrabalho, melhora a qualidade do ensino e otimiza os recursos institucionais, conforme destaca Vitti (2025).

A aprendizagem colaborativa também é fortalecida pelo Design Instrucional. Atividades em grupo, fóruns de discussão e projetos colaborativos são planejados de forma intencional, promovendo a interação entre os estudantes, segundo Azevedo et al. (2024).

Outro ponto relevante é a promoção da equidade educacional. O DI permite pensar estratégias acessíveis, contemplando diferentes perfis de estudantes e reduzindo barreiras de aprendizagem, como ressaltam Ferreira et al. (2024).

O uso de feedbacks constantes, planejados no Design Instrucional, contribui para o acompanhamento do progresso do aluno. Esses feedbacks orientam o estudante e fortalecem sua motivação, conforme analisa Mesquita (2025).

A discussão também evidencia que o DI contribui para a sustentabilidade dos projetos educacionais. Cursos bem planejados tendem a ser mais duradouros e adaptáveis às mudanças tecnológicas, segundo Vitti (2025).

Outro aspecto importante refere-se à inovação pedagógica. O Design Instrucional cria condições para a experimentação de novas metodologias, desde que alinhadas aos objetivos educacionais, como afirmam Azevedo et al. (2024).

A articulação entre teoria e prática permanece como um dos maiores ganhos do DI. Atividades contextualizadas aproximam o estudante da realidade profissional e social, fortalecendo a relevância do aprendizado, conforme Ferreira et al. (2024).

No cenário atual, marcado por rápidas transformações tecnológicas, o Design Instrucional se apresenta como uma resposta estratégica às demandas educacionais contemporâneas. Mesquita (2025) destaca que o DI permite maior adaptação às mudanças e inovação contínua.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Design Instrucional (DI) se afirma como uma abordagem estratégica indispensável para a transformação da educação contemporânea, especialmente diante dos avanços tecnológicos e das demandas da Educação a Distância. Ao proporcionar uma estrutura metodológica clara, o DI contribui para a organização lógica dos conteúdos, a definição de objetivos educacionais e a criação de experiências de aprendizagem mais significativas e personalizadas. As pesquisas analisadas evidenciam que, além de superar barreiras impostas pela ausência de interação física, o DI promove a autonomia do aluno, estimula a reflexão crítica e favorece a aprendizagem autogerida por meio de recursos como plataformas adaptativas, gamificação e microconteúdos.

Contudo, os desafios para sua implementação ainda são expressivos. A necessidade de planejamento rigoroso, a resistência institucional à inovação e a lacuna na formação docente são obstáculos que limitam o potencial transformador do DI. Sem capacitação adequada, muitos educadores acabam reproduzindo práticas tradicionais, mesmo em ambientes digitais que oferecem amplas possibilidades de inovação. Assim, para que o Design Instrucional cumpra plenamente seu papel, é fundamental investir em políticas de formação continuada, infraestrutura tecnológica e cultura institucional voltada à inovação pedagógica.

Diante desse panorama, novas pesquisas podem aprofundar o entendimento sobre a eficácia do DI em diferentes níveis de ensino, como a educação básica, técnica e superior. Também é relevante investigar o impacto do DI em contextos inclusivos, considerando alunos com necessidades específicas. Estudos comparativos entre modelos de DI e metodologias tradicionais podem oferecer evidências mais robustas sobre os ganhos pedagógicos. Além disso, há espaço para explorar o papel da inteligência artificial e da análise de dados na personalização do ensino dentro de projetos de DI. Por fim, pesquisas voltadas à formação docente e à gestão de projetos instrucionais podem contribuir para superar os desafios identificados, fortalecendo a aplicação prática e o desenvolvimento teórico dessa abordagem.

O Design Instrucional, portanto, não deve ser visto apenas como uma técnica de produção de materiais didáticos, mas como uma filosofia educacional que coloca o aluno no centro do processo de aprendizagem e que, quando bem aplicada, pode revolucionar a forma como ensinamos e aprendemos. Seu futuro está diretamente ligado à capacidade das instituições e dos profissionais de educação em reconhecer seu valor e superar os desafios que ainda o cercam.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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VITTI, L. S. Práticas do design instrucional no contexto da educação: vantagens e desvantagens. Revista Educação Contemporânea, v. 2, n. 2, p. 1322–1329, 2025. Disponível em: https://www.editoraverde.org/portal/revistas/index.php/reca/article/view/487.


1 Graduado em Letras-Inglês pela UFS – Universidade Federal de Sergipe. Especialista em Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Língua Inglesa pela Faculdade Futura. Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [email protected]