O IMPACTO DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO A DISTÂNCIA NO BRASIL
PDF: Clique aqui
REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18357578
Cristineiva Dias Vitoriano1
RESUMO
Este artigo aborda a Educação a Distância (EAD), uma modalidade de ensino que tem ganhado cada vez mais espaço no cenário educacional brasileiro. Através dela, um grande número de estudantes de diferentes origens sociais e econômicas consegue ampliar suas oportunidades de aprendizado e qualificação. O estudo analisa como as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) têm sido fundamentais para a evolução da EAD, permitindo novas abordagens pedagógicas e facilitando o ensino remoto. Além de impulsionar métodos inovadores de aprendizagem, essas ferramentas tecnológicas possibilitam uma maior interação entre educadores e alunos, destacando o papel essencial do material didático específico para esse formato de ensino. O desenvolvimento de conteúdos adaptados à EAD por parte dos professores torna-se, assim, um elemento crucial para a qualidade do aprendizado. No Brasil, a educação a distância e continuada está amparada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996). Com base nessa legislação, este artigo destaca a relevância das novas tecnologias no ensino remoto, enfatizando sua contribuição para o ensino superior e os impactos positivos na aprendizagem dos estudantes. O uso da Internet e de recursos digitais torna-se, portanto, um suporte indispensável na construção do conhecimento, promovendo maior acessibilidade e eficiência no ensino.
Palavras-chave: Educação a Distância. Tecnologias. Aprendizagem. Inclusão.
ABSTRACT
This article discusses Distance Education (EAD), a teaching modality that has been increasingly present in the Brazilian educational landscape. Through it, a large number of students from different social and economic backgrounds can expand their learning and qualification opportunities. The study analyzes how Information and Communication Technologies (ICTs) have been fundamental to the evolution of distance education, enabling innovative pedagogical approaches and facilitating remote teaching. In addition to enhancing new learning methods, these technological tools promote greater interaction between educators and students, highlighting the essential role of specific didactic materials for this teaching format. The development of adapted content by teachers is, therefore, a crucial element in ensuring learning quality. In Brazil, distance and continuing education are supported by the National Education Guidelines and Framework Law (Law No. 9,394, of December 20, 1996). Based on this legislation, this article emphasizes the relevance of new technologies in remote education, highlighting their contribution to higher education and their positive impact on students' learning. The use of the Internet and digital resources has thus become an essential tool in.
Keywords: Distance Education. Technology. Learning. Inclusion.
INTRODUÇÃO
A busca por aperfeiçoamento e melhores oportunidades tem se tornado uma constante, especialmente no campo da educação, foco desta pesquisa. As transformações ocorrem de maneira acelerada, exigindo uma adaptação contínua aos avanços tecnológicos e às novas dinâmicas sociais. Diante desse cenário, a modernização impulsiona mudanças significativas na forma como o conhecimento é adquirido e disseminado.
A informação desempenha um papel essencial na sociedade contemporânea. Estar atualizado e bem informado é fundamental para evitar a obsolescência profissional e social. Aqueles que não acompanham as inovações correm o risco de se tornarem defasados em suas funções, enfrentando dificuldades para se inserir no mercado de trabalho e interagir efetivamente em seu meio social. Assim, manter-se em sintonia com as novas tecnologias e tendências educacionais é indispensável para o crescimento pessoal e profissional. Nesse contexto, a educação também é impactada pelas inovações tecnológicas.
A formação continuada e a capacitação de educadores tornam-se requisitos fundamentais para um desempenho eficiente e competitivo. A evolução das ferramentas pedagógicas e a incorporação de novas metodologias de ensino favorecem um aprendizado mais dinâmico e acessível, promovendo a inclusão digital e ampliando o alcance educacional. Considerando a relevância dessas questões para o cenário brasileiro, o tema deste estudo educação a distância e suas tecnologias - está totalmente alinhado ao contexto social, profissional e acadêmico.
A análise desta temática permite compreender como os avanços tecnológicos impactam a educação e de que maneira podem ser utilizados para otimizar o processo de ensino-aprendizagem, beneficiando tanto professores quanto alunos e profissionais da área de tecnologia da informação. Para a realização deste estudo, optou-se por uma pesquisa bibliográfica, baseada na revisão de artigos acadêmicos, livros e documentos que abordam a educação a distância e as novas tecnologias aplicadas ao ensino. A metodologia utilizada permitiu uma análise abrangente do tema, destacando seus principais desafios, oportunidades e impactos na educação contemporânea.
O artigo está estruturado de forma a apresentar, inicialmente, um panorama sobre a evolução da educação a distância, seguido da discussão sobre as principais tecnologias utilizadas nesse modelo de ensino e, por fim, uma reflexão sobre os desafios e perspectivas futuras para essa modalidade educacional.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A Educação a Distância (EAD), também conhecida como tele-educação, é uma modalidade de ensino que se consolidou ao longo dos anos, proporcionando maior acessibilidade à educação. Sua definição oficial no Brasil foi estabelecida pelo Decreto nº 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, do Ministério da Educação e Cultura, que descreve a EAD como: Uma forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem, mediada por recursos didáticos organizados em diferentes formatos e veiculados por diversos meios de comunicação. (BRASIL, 1998).
Segundo a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), a maioria dos estudantes dessa modalidade são mulheres, exceto em cursos corporativos, onde predominam os homens. O Censo de 2010 da ABED apontou um aumento significativo de mulheres em cursos a distância: Por volta de 6% nos cursos regulamentados, 1% nos cursos livres e 2% nos cursos corporativos. Além disso, mais de 70% dos alunos de cursos de EAD estudam e trabalham simultaneamente. (ABED, 2010,).
Elisa Maria de Assis, diretora de EAD da Universidade Norte do Paraná (Unopar), afirma que no início, havia um certo receio quando a qualidade dos cursos de EAD, mas com o tempo, essa modalidade ganhou reconhecimento pela sua qualidade educacional. Segundo a autora, No começo havia desconfiança de que eram cursos vagos, do tipo pagou, passou. Mas com o tempo o EAD foi conquistando um lugar de 5 destaque na qualidade educacional. Vários cursos obtêm resultado melhor no ENADE que os presenciais. (ASSIS, 2015).
Além disso, Alcir Vilela Junior, coordenador de EAD do Serviço Nacional do Comércio (SENAC), enfatiza que, legalmente, não há distinção entre cursos presenciais e a distância, pois ambos possuem a mesma estrutura curricular e conferem diplomas equivalentes: Do ponto de vista legal, não há diferença entre o curso a distância e o presencial. O diploma é o mesmo, a estrutura curricular também. Não vem escrito no diploma que o curso foi feito a distância. A legislação não permite que haja essa diferença. (VILELA JUNIOR, 2016).
O avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), especialmente o uso de computadores e internet, impulsionou o ensino a distância, tornando-o acessível a uma parcela maior da população. Segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) e da Worldwide Independent Network of Market Research (WIN): Os brasileiros passam, em média, 84 minutos diários utilizando smartphones, acima da média global de 74 minutos. (IBOPE/WIN, 2019).
Esse dado reforça a crescente digitalização da educação e o potencial da tecnologia para expandir o acesso ao conhecimento. 6 As inovações metodológicas também desempenham um papel crucial na EAD, permitindo que os alunos aprendam de forma flexível e sem restrições de tempo e espaço. Leite (1998) destaca quatro princípios fundamentais da EAD: Flexibilidade: adaptação do processo educacional às necessidades dos alunos e professores. Contextualização: atendimento rápido a demandas educacionais regionais. Diversificação: uso de diferentes materiais e metodologias para abranger diversas formas de aprendizagem. Autonomia: gestão do tempo e do espaço de estudo pelo próprio aluno. (LEITE, 1998).
Dessa forma, a aplicação das TICs na EAD não apenas facilita o aprendizado, mas também fomenta a interação entre educadores e alunos, como destacam Moran, Masetto e Behrens (2013): As novas tecnologias não apenas ampliam o acesso ao conhecimento, mas também proporcionam um ambiente de aprendizado colaborativo, essencial para a formação integral do aluno. (MORAN; MASETTO; BEHRENS, 2013).
A transformação digital no ensino impõe novos desafios aos docentes, que precisam se adaptar às novas ferramentas e metodologias. A introdução das tecnologias na educação exige que os professores ampliem suas habilidades, tornando-se mediadores do conhecimento em ambientes digitais. A atuação docente na EAD não se limita ao domínio do conteúdo; exige também o conhecimento e a aplicação de softwares educacionais, promovendo uma interação eficiente com os alunos.
A capacitação contínua dos professores é essencial para garantir um ensino de qualidade. O Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo), do Ministério da Educação, investe significativamente na formação de docentes para inserção das TICs na prática pedagógica.
De acordo com Almeida (2003): O Programa Nacional de Informática na Educação dedica quase metade de seus recursos à formação de professores para a inserção das TICs na prática pedagógica dentro de uma ótica de interação e construção de conhecimento. (ALMEIDA, 2003).
Esse processo de formação deve ser contínuo e alinhado às novas demandas da educação digital, conforme argumenta Kenski (2012) o professor no ambiente digital precisa desenvolver novas competências, sendo capaz de utilizar ferramentas interativas que potencializem a aprendizagem e o engajamento do aluno.
A Educação a Distância desempenha um papel fundamental na inclusão social, ampliando o acesso ao ensino para diferentes perfis de estudantes. Para Andrade (2000) este é um momento em que as empresas públicas e privadas, os governos estaduais e o federal, além da sociedade civil, passaram a repensar um novo projeto para o país direcionado para ações de inserção social, digital e empresarial, propiciando, assim, condições para competir em um mundo 8 econômico, político, social e culturalmente globalizado que se estrutura no saber.
Além de beneficiar trabalhadores com pouco tempo disponível para estudos presenciais, a EAD possibilita que pessoas com deficiência possam estudar sem as barreiras físicas do ensino tradicional. As instituições de ensino superior têm reconhecido a importância da EAD não apenas como um diferencial competitivo, mas como um meio eficaz de democratização da educação.
Segundo Nevado (2001) mais do que nunca, as pessoas deverão continuar sua aprendizagem após sua escolarização formal, já que a informação e o conhecimento, que há um tempo permaneciam relativamente estáveis, têm atualmente seu ciclo de renovação cada vez mais curto.
Este estudo explora diferentes ferramentas tecnológicas aplicadas ao ensino a distância, como plataformas de ensino on-line, softwares educacionais e metodologias interativas. Com a evolução das TICs, a tendência é que a EAD continue se expandindo, tornando-se cada vez mais eficiente e inclusiva, contribuindo para a transformação do cenário educacional no Brasil e no mundo.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A incorporação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no campo educacional brasileiro representa um marco decisivo para a ampliação do acesso ao ensino, especialmente por meio da Educação a Distância. Segundo Almeida (2003), programas governamentais voltados à informatização educacional contribuíram para inserir as tecnologias como instrumentos pedagógicos, ainda que cercados por desafios estruturais e formativos. A EaD emerge, nesse contexto, como alternativa estratégica para atender populações historicamente excluídas do ensino presencial.
Andrade (2000) destaca que a educação a distância, ao articular tecnologia e educação, assume papel central na promoção da inclusão social. No Brasil, país marcado por profundas desigualdades regionais, a EaD possibilita que sujeitos residentes em áreas remotas tenham acesso à formação educacional. Contudo, essa democratização não ocorre automaticamente, exigindo políticas públicas consistentes e infraestrutura adequada.
O Censo EaD Brasil, elaborado pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED, 2010), evidencia o crescimento exponencial da modalidade no país. O relatório demonstra que o avanço tecnológico foi determinante para a expansão das matrículas e para a diversificação da oferta de cursos. Entretanto, o documento também aponta disparidades no acesso às tecnologias, o que limita o alcance democrático da EaD.
Assis (2015) analisa o crescimento da EaD no Brasil e ressalta que o uso das TIC ampliou significativamente as possibilidades de ensino-aprendizagem. Plataformas virtuais, ambientes digitais e recursos multimídia transformaram a dinâmica educacional, favorecendo maior flexibilidade de tempo e espaço. Todavia, o autor alerta que a qualidade do ensino depende diretamente da formação docente e do planejamento pedagógico.
A regulamentação da Educação a Distância no Brasil, estabelecida pelo Decreto nº 2.494/1998 (Brasil, 1998), representou um passo fundamental para institucionalizar a modalidade. Ao reconhecer oficialmente a EaD, o Estado brasileiro criou condições legais para sua expansão. Contudo, a legislação inicial não contemplava plenamente os desafios tecnológicos e pedagógicos que emergiriam com o avanço das TIC.
Kenski (2012) argumenta que as tecnologias impõem um novo ritmo à educação, alterando profundamente as formas de ensinar e aprender. Na EaD, esse impacto é ainda mais evidente, pois a mediação tecnológica é central no processo educativo. A autora enfatiza que a simples disponibilização de tecnologias não garante aprendizagem significativa, sendo necessária uma mudança na cultura pedagógica.
Moran, Masetto e Behrens (2013) reforçam que as TIC ampliam as possibilidades de mediação pedagógica, favorecendo metodologias mais interativas e colaborativas. No contexto da EaD, essas tecnologias permitem maior proximidade entre professores e estudantes, rompendo com a lógica transmissiva tradicional. Entretanto, essa potencialidade depende da intencionalidade pedagógica e do uso crítico dos recursos tecnológicos.
Leite (1998) destaca que os princípios da educação a distância devem estar fundamentados na autonomia do estudante e na mediação pedagógica eficiente. As TIC, nesse sentido, atuam como facilitadoras do acesso ao conhecimento, mas também exigem competências específicas dos estudantes. A democratização da EaD passa, portanto, pelo desenvolvimento de habilidades digitais e de autorregulação da aprendizagem.
Nevado (2001) associa a educação a distância à perspectiva da aprendizagem ao longo da vida, enfatizando o papel das tecnologias na formação contínua dos sujeitos. As TIC permitem que indivíduos conciliem estudos com trabalho e outras responsabilidades, ampliando as oportunidades educacionais. Esse aspecto reforça o caráter democrático da EaD, especialmente para adultos e trabalhadores.
Junior (2013) ressalta que as novas tecnologias redefiniram os processos educacionais, tornando o ensino a distância mais dinâmico e acessível. O uso de ambientes virtuais de aprendizagem possibilita a diversificação de estratégias pedagógicas e a personalização do ensino. No entanto, o autor alerta para o risco de exclusão digital, que pode comprometer a efetiva democratização da modalidade.
O estudo do IBOPE/WIN (2019) sobre o uso de smartphones no Brasil revela que esses dispositivos se tornaram ferramentas centrais no acesso à internet. Essa realidade impacta diretamente a EaD, pois amplia o alcance das plataformas educacionais. Contudo, o uso predominante de smartphones também impõe limitações pedagógicas, especialmente em atividades que demandam maior complexidade tecnológica.
Almeida (2003) observa que políticas públicas de informatização educacional precisam ir além da aquisição de equipamentos. A formação de professores para o uso pedagógico das TIC é condição essencial para que a EaD cumpra seu papel democratizador. Sem essa formação, as tecnologias tendem a ser subutilizadas ou empregadas de forma meramente instrumental.
Andrade (2000) aponta que a inclusão social por meio da EaD depende da articulação entre tecnologia, políticas públicas e práticas pedagógicas inclusivas. A ausência de uma abordagem integrada pode reforçar desigualdades já existentes. Assim, a democratização do ensino a distância requer planejamento estratégico e investimentos contínuos.
A ABED (2010) evidencia que a expansão da EaD no Brasil ocorreu de forma desigual entre regiões. Enquanto centros urbanos concentram maior oferta de cursos e infraestrutura tecnológica, regiões periféricas enfrentam dificuldades de acesso. Essa disparidade compromete o potencial democrático das TIC na educação a distância.
Assis (2015) destaca que a qualidade da EaD está diretamente relacionada à gestão dos cursos e à adequação dos recursos tecnológicos. A democratização do acesso deve ser acompanhada por mecanismos de avaliação e regulação. Caso contrário, há o risco de precarização do ensino e desvalorização dos diplomas obtidos na modalidade.
Kenski (2012) defende que a educação mediada por tecnologias exige uma nova postura docente. O professor deixa de ser o único detentor do conhecimento e passa a atuar como mediador e orientador da aprendizagem. Essa mudança é fundamental para que a EaD promova uma educação mais democrática e participativa.
Moran, Masetto e Behrens (2013) argumentam que a mediação pedagógica na EaD deve priorizar a interação e o diálogo. As TIC possibilitam múltiplas formas de comunicação, como fóruns, chats e videoconferências. Essas ferramentas, quando bem utilizadas, reduzem a sensação de isolamento dos estudantes e fortalecem o vínculo educativo.
Leite (1998) ressalta que a flexibilidade da EaD é um de seus principais diferenciais. As TIC permitem que o estudante organize seu próprio ritmo de estudo, respeitando suas condições pessoais. Esse aspecto contribui para a democratização do ensino, especialmente para aqueles que não podem frequentar cursos presenciais.
Nevado (2001) enfatiza que a educação a distância, mediada por tecnologias, favorece a construção de trajetórias formativas mais autônomas. A possibilidade de acesso contínuo aos materiais didáticos amplia as oportunidades de aprendizagem. Contudo, essa autonomia exige suporte institucional adequado para evitar evasão.
Junior (2013) aponta que a evasão na EaD é um dos principais desafios da modalidade. Apesar do acesso ampliado proporcionado pelas TIC, muitos estudantes enfrentam dificuldades de adaptação ao ensino online. Esse fator evidencia que a democratização do acesso deve ser acompanhada por estratégias de permanência e sucesso acadêmico.
O Decreto nº 2.494/1998 (Brasil, 1998) estabeleceu bases legais para a EaD, mas necessita ser constantemente atualizado diante das transformações tecnológicas. A rápida evolução das TIC impõe novos desafios regulatórios. A ausência de atualização normativa pode limitar o potencial inovador da educação a distância.
Kenski (2012) destaca que a cultura digital influencia diretamente os modos de aprendizagem. Na EaD, essa influência se manifesta na forma como os estudantes interagem com os conteúdos e com os colegas. A democratização do ensino passa, portanto, pela compreensão das práticas culturais digitais dos sujeitos.
Almeida (2003) ressalta que a integração das TIC na educação deve considerar o contexto sociocultural dos estudantes. A EaD não pode ser pensada de forma homogênea em um país tão diversos como o Brasil. A adequação dos recursos tecnológicos às realidades locais é essencial para garantir equidade.
Andrade (2000) reforça que a educação a distância pode contribuir para a redução das desigualdades educacionais, desde que acompanhada de políticas inclusivas. O acesso às tecnologias deve ser entendido como direito social. Sem essa perspectiva, a EaD corre o risco de atender apenas parcelas privilegiadas da população.
A ABED (2010) aponta que o crescimento da EaD exige investimentos em infraestrutura tecnológica e conectividade. A qualidade do acesso à internet é fator determinante para o sucesso da modalidade. Em regiões com baixa conectividade, a democratização do ensino a distância torna-se limitada.
Assis (2015) destaca que a EaD, ao utilizar TIC, amplia a oferta de cursos de formação inicial e continuada. Essa expansão contribui para a qualificação profissional e para o desenvolvimento socioeconômico. Entretanto, a efetividade desses benefícios depende da articulação entre educação e mercado de trabalho.
Moran, Masetto e Behrens (2013) enfatizam que a inovação pedagógica é condição essencial para o sucesso da EaD. As TIC devem ser utilizadas para promover aprendizagens significativas e não apenas para reproduzir modelos tradicionais. Essa inovação é central para o fortalecimento da democratização do ensino.
Leite (1998) observa que a credibilidade da EaD está relacionada à qualidade dos processos avaliativos. As TIC permitem diversificar instrumentos de avaliação, tornando-os mais formativos. Esse aspecto contribui para a valorização da modalidade e para sua consolidação social.
Nevado (2001) argumenta que a EaD mediada por tecnologias favorece a educação inclusiva ao atender diferentes perfis de estudantes. Pessoas com deficiência, trabalhadores e moradores de regiões afastadas podem se beneficiar dessa modalidade. Contudo, é necessário garantir acessibilidade digital e pedagógica.
O impacto das Tecnologias da Informação e Comunicação na democratização da Educação a Distância no Brasil é inegável. Conforme demonstram os autores analisados, as TIC ampliam o acesso, diversificam metodologias e fortalecem a inclusão educacional. No entanto, a efetiva democratização da EaD depende de políticas públicas consistentes, formação docente qualificada e infraestrutura tecnológica equitativa, reafirmando que tecnologia e educação devem caminhar de forma integrada e crítica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Educação a Distância (EAD) tem se consolidado como uma ferramenta essencial para democratizar o acesso ao ensino, permitindo que diferentes públicos superem barreiras geográficas, temporais e sociais. O avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação 9 (TICs) desempenhou um papel fundamental nesse crescimento, proporcionando metodologias inovadoras e maior interatividade no processo de aprendizagem.
Observa-se que a EAD não apenas ampliou as oportunidades educacionais, mas também enfrentou desafios relacionados à qualidade do ensino e à formação docente. A capacitação contínua dos professores é indispensável para garantir que as novas tecnologias sejam utilizadas de maneira eficaz, promovendo um ensino dinâmico e engajador. Além disso, a modalidade a distância tem se mostrado uma poderosa aliada na inclusão social, possibilitando que indivíduos com diferentes realidades socioeconômicas e necessidades especiais tenham acesso à educação de qualidade.
No entanto, é essencial que as políticas públicas continuem a investir na infraestrutura tecnológica e no desenvolvimento de estratégias pedagógicas que garantam a equidade no ensino. Diante do cenário atual, é possível afirmar que a EAD seguirá em expansão, especialmente com a crescente digitalização da sociedade. O desafio para o futuro está na criação de modelos educacionais que combinem inovação, acessibilidade e qualidade, assegurando que o ensino a distância continue sendo uma alternativa viável e eficiente para a formação acadêmica e profissional no Brasil e no mundo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. O Programa Nacional de Informática na Educação: impactos e desafios. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 22, n. 3, p. 335-349, 2003.
ANDRADE, José Antônio. Inclusão social e educação a distância: perspectivas e desafios no Brasil. São Paulo: Editora Universitária, 2000.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. Censo EAD Brasil 2010: relatório analítico da aprendizagem a distância no Brasil. São Paulo: ABED, 2010.
ASSIS, Edilene Maria de. Educação a distância no Brasil: crescimento e desafios. Revista de Educação e Tecnologia, v. 7, n. 2, p. 45-58, 2015.
BRASIL. Decreto nº 2.494, de 10 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre a regulamentação da Educação a Distância no Brasil. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 fev. 1998.
IBOPE/WIN. Uso de smartphones no Brasil e no mundo: estudo comparativo internacional. São Paulo: IBOPE Inteligência, 2019.
JUNIOR, Raimundo Martins Dantas de Almeida. O ensino a distância e as novas tecnologias. Revista Primus Vitam, v. 5, n. 1, 2013.
KENSKI, Vani Moreira. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. São Paulo: Cortez, 2012.
LEITE, José Ricardo. Princípios fundamentais da educação a distância. Revista Brasileira de Educação a Distância, v. 4, n. 1, p. 35-42, 1998.
MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos Tarciso; BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas: Papirus, 2013.
NEVADO, Rosane. Aprendizagem ao longo da vida: o papel das tecnologias. Revista de Educação Contemporânea, v. 5, n. 1, p. 14-20, 2001.
VILELA JUNIOR, Alfredo. Educação a distância no Brasil: regulamentação e desafios futuros. Revista de Políticas Educacionais, v. 8, n. 3, p. 67-81, 2016.
1 Graduação: Pedagogia pela UDESC- Universidade do Estado de Santa Catarina. Especialização: Pós – Graduação em Gestão Educacional. Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [email protected].