O IMPACTO DA INTERAÇÃO DO PALHAÇO NA APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS HOSPITALIZADAS

THE IMPACT OF INTERACTION ON LEARNING CLOWN IN THE HOSPITALIZED CHILDREN

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/780720342

RESUMO
A experiência da hospitalização para a criança pode desencadear ansiedade, medo, agressividade, regressão, sentimento de punição, inapetência, resistência a hábitos de higiene e insônia. Estratégias de humanização com cumprimento dos direitos da criança podem amenizar e promover uma experiência menos traumática. Nesta perspectiva, encontramos a atuação dos palhaços em Hospital que visam promover a alegria e o acesso à cultura. Este trabalho buscou verificar qual o impacto desta interação na aprendizagem de crianças hospitalizadas em idade escolar no Ensino Fundamental I. Para isto, foi realizada uma pesquisa de cunho qualitativo com revisão bibliográfica sobre aprendizagem, desenvolvimento e atuação de palhaços em hospitais e uma pesquisa de campo realizada em um hospital da zona sul de São Paulo. Foram sujeitos da pesquisa quatro crianças hospitalizadas com faixa etária entre 06 e 12 anos, os quatro responsáveis destas crianças, as duas pedagogas do hospital, uma técnica e uma auxiliar de enfermagem, a fim de responder à questão central deste trabalho. Conclui-se que a atuação dos palhaços potencializa a aprendizagem das crianças por meio da interação social expressa através da música, brincadeiras, objetos e relações com o mundo simbólico. E ainda, a afetividade construída entre os palhaços e as crianças que favorecem e promovem a liberdade e o prazer necessários à aprendizagem.
Palavras-chave: Criança hospitalizada; Humanização da assistência; Aprendizagem; Terapia do Riso.

ABSTRACT
The experience of hospitalization for a child can trigger anxiety, fear, aggressiveness, regression, feelings of punishment, loss of appetite, resistance to hygiene habits, and insomnia. Humanization strategies that respect children's rights can alleviate this and promote a less traumatic experience. In this perspective, we find the work of clowns in hospitals, which aim to promote joy and access to culture. This study sought to verify the impact of this interaction on the learning of hospitalized children of school age in Elementary School I. For this, research of a qualitative nature was conducted, along with a bibliographic review on learning, development, and the work of clowns in hospitals, as well as field research carried out in a hospital in the southern zone of São Paulo after approval by the Ethics Committee. The research subjects were four hospitalized children aged between 6 and 12 years, the four guardians of these children, and two pedagogues from the hospital, a technician and a nursing assistant, in order to answer the central question of this work. It is concluded that the work of clowns enhances children's learning through social interaction expressed through music, games, objects, and relationships with the symbolic world. Furthermore, the affection built between the clowns and the children promotes and encourages the freedom and pleasure necessary for learning. 
Keywords: Hospitalized  child; Humanization of care; Learning; Laughter Therapy.

1. INTRODUÇÃO

A infância é um período fundamental e crítico no desenvolvimento humano. Marcado por intensas transformações nas dimensões cognitivas, emocionais, físicas e sociais. O convívio familiar, escolar, os estímulos ambientais saudáveis favorecem e proporcionam a interação, aprendizagem e a construção dos valores no indivíduo.

No âmbito da saúde patologias congênitas ou adquiridas levam a necessidade de cuidados específicos sendo por vezes, necessário períodos de internação. O ambiente hospitalar, com sua rotina rígida, procedimentos invasivos e afastamento de pessoas do convívio diário da criança, configura-se como um cenário potencialmente estressor e traumático, capaz de gerar repercussões negativas na saúde mental, bem-estar e no desenvolvimento do indivíduo. (CAMPOS; ALEXANDRIA JUNIOR, 2022).

Silveira et al. (2018) apontam que a experiência da hospitalização pode desencadear ansiedade, medo, agressividade, regressão, sentimento de punição, inapetência, resistência a hábitos de higiene e insônia. Estratégias de humanização com cumprimento dos direitos da criança podem amenizar e promover uma experiência menos traumática.

No que tange aos direitos da criança a presença do acompanhante, especialmente da figura materna ou de uma pessoa de confiança, mostra-se fundamental para amenizar os efeitos adversos da hospitalização, proporcionando conforto e segurança à criança, além de favorecer a adaptação ao ambiente hospitalar (CAMPOS; ALEXANDRIA JUNIOR, 2022).

A classe hospitalar é o atendimento pedagógico-educacional oferecido às crianças e adolescentes hospitalizados visando garantir a continuidade do processo de escolarização. Cujo direito está garantido na legislação através do artigo 13 da Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 de Setembro de 2001.

Brincar é um ato próprio da infância e pela sua relevância no desenvolvimento infantil o artigo 9 da Resolução nº 41 de 13 de Outubro de 1995, que visa garantir os direitos das crianças e adolescentes hospitalizados, por meio de alguma forma de recreação durante sua permanência hospitalar. Em 2005, foi sancionada a Lei nº. 11.104 de 21 de Março de 2005, que obriga a instalação de brinquedotecas em unidade de saúde pediátrica em regime de internação.

Diante disso justifica-se a necessidade de estratégias de humanização da assistência como um imperativo ético e de garantia de direitos. As atividades lúdicas emergem como ferramentas essenciais para minimizar o sofrimento da criança hospitalizada, promovendo a expressão de sentimentos, o desenvolvimento de habilidades e a ressignificação da experiência de internação (SANTOS, BARRETO e SILVA, 2025). A inserção do brincar no contexto hospitalar, portanto, não apenas distrai a criança, mas também a auxilia no enfrentamento da doença e no resgate de sua subjetividade.

Neste cenário encontramos a atuação do Palhaço Hospitalar como uma proposta de humanização. Nessa proposta encontramos voluntários e profissionais atuantes em Organizações Não-Governamentais. Eles interagem com a criança e família por meio de música, brinquedos, piadas, histórias, jogos, arte com o intuito de promover alegria e bem-estar.

Partindo do pressuposto que as crianças e adolescentes hospitalizados que recebem a visita do palhaço estão em idade escolar e levando em consideração que a hospitalização leva a um distanciamento físico, relacional e pedagógico da escola de origem esta pesquisa pretende responder a seguinte questão: “Considerando a atuação do palhaço com a criança como uma abordagem educativa, qual o impacto dessa interação no processo de ensino e aprendizagem da criança hospitalizada?”

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1. Desenvolvimento e Aprendizagem

Considerando os estudos a respeito do desenvolvimento e da aprendizagem humana constatamos a ocorrência de diferentes teorias, entre elas: a racionalista, a empirista e a interacionista. A primeira afirma que todo conhecimento tem origem na razão e considera o desenvolvimento como resultado da maturação progressiva de estruturas pré-estabelecidas, a segunda, por sua vez, conjectura que o desenvolvimento e aprendizagem são iguais e resultam das experiências do indivíduo com o mundo e a terceira aponta para a contingência entre as duas teorias, na qual tanto a maturação estrutural, quanto a relação indivíduo-meio são necessárias ao processo. E, é nesta perspectiva, que aprofundaremos esta temática.

O desenvolvimento humano pode ser caraterizado “como o conjunto de competências manifestas num determinado momento da vida do indivíduo” e refere-se ao seu crescimento orgânico e ao aspecto mental que vai se desenvolvendo ao longo de sua vida nas áreas: físico-motor, intelectual, afetivo-emocional e social; lembrando que, fatores indissociáveis como: hereditariedade, crescimento orgânico, maturação neurofisiológica e o meio social em que a pessoa vive influenciam o mesmo (FOGAÇA et al, 2025).

A aprendizagem, por sua vez, diz respeito às mudanças no potencial de comportamento que resultam das experiências dos indivíduos. Sendo assim, aprender não significa somente adquirir informações, tão pouco seriam aprendizagens as mudanças no comportamento causadas pelas transformações biológicas, lesões, ou por ingestão de alguma substância química. Bock (2022) nos fala de duas teorias da aprendizagem. A primeira baseada em estímulos e respostas (teoria do condicionamento), e a segunda que considera a relação sujeito – mundo (teoria cognitivista) e as consequências desta relação nas estruturas cognitivas. Considerando a segunda concepção, a autora nos remete aos chamados pontos de ancoragem que seriam elementos já incorporados à estrutura cognitiva que funcionariam como pontos de partida para novas aprendizagens.

Tendo em vista que a criança não é um adulto em miniatura, faz-se necessário o estudo sobre o seu desenvolvimento para melhor conhecer as características de cada faixa etária visando estratégias contextualizadas que venham de encontro às suas necessidades. Conforme ressalta Bock (2022) sobre o conhecimento do desenvolvimento humano: “Todos esses aspectos levantados têm importância para a educação. Planejar o que e como ensinar implica saber quem é o educando” (2022, p. 99).

Visando compreender melhor as teorias acerca do desenvolvimento e aprendizagem dos indivíduos, estudamos alguns teóricos de base dialética das chamadas teorias interacionistas. São eles Jean Piaget, Lev Semionovich Vygotsky e Henry Wallon e Erik Erikson.

2.1.1. O Interacionismo Segundo Jean Piaget

Para o Piaget, não existe um conhecimento inato, tão pouco ele é fruto somente do acúmulo de experiências, mas sim, resultado de uma interação entre sujeito e objeto. Dentro desse processo o indivíduo estabelece uma relação de equilíbrio dinâmico com o meio, que tem como características a estabilidade.

O autor afirma “o desenvolvimento cognitivo do indivíduo ocorre através de constantes desequilíbrios e equilibrações”. Nesse processo de equilibração dois mecanismos são acionados: a assimilação e a acomodação, processos distintos, porém indissociáveis. O primeiro diz respeito às significações que o sujeito desenvolve a partir das experiências efetivas, ou seja, sua ação sobre o objeto a partir das estruturas existentes. O segundo refere-se a modificação interior das estruturas cognitivas, provocada pelo objeto sobre o sujeito que resultaria na modificação de esquemas existentes ou criação de outros para acomodar os estímulos transformados em conhecimentos (PIAGET, 2010).

Dentro de sua teoria Piaget propõe três grandes períodos sobre o desenvolvimento do indivíduo. Para o autor estes estágios são integrativos, pois as estruturas de um nível são acopladas ao outro. Esses períodos são denominados: sensório-motor (0 a 2 anos), pré-operatório (2 a 7 anos), e operatório (7 a 12 anos) que se subdividem em concreto (7 a 11/12 anos) e operatório formal (11/12 anos em diante). Vale ressaltar que a faixa etária é apenas uma referência, não devendo ser interpretada no seu sentido literal (PIAGET, 2010).

Segundo o autor, a criança a partir da fase das operações concretas supera o egocentrismo intelectual, começa a estabelecer relações lógicas e é capaz de perceber as coisas a partir de pontos de vista diferentes. No aspecto social, ela consegue cooperar no grupo. Está em desenvolvimento sua autonomia pessoal, a honestidade, companheirismo e justiça, considerando a intenção na ação.

2.1.2. O Interacionismo Segundo Vygotsky

Assim como Piaget, Vygosky também é considerado um teórico interacionista, pois propõe a interação entre sujeito-objeto através da mediação, uma vez que desconsidera a passividade do indivíduo diante das estimulações do meio, como também do desenvolvimento somente a partir de potencialidades inatas.

Taille, Oliveira e Dantas (2019) ao estudar a teoria Vygotskyniana mencionam os planos genéticos postulados pelo autor como proposições para o desenvolvimento. São eles: a Filôgenese, a Ontogênese, a Sociogênese e a Microgênese. O primeiro trata da história da espécie animal o que define possibilidades e limites de funcionamento psicológico. Nesta perspectiva a característica mais relevante é a plasticidade do cérebro, ou seja, de acordo com as necessidades do meio o cérebro flexível é capaz de se adaptar. O segundo plano diz respeito ao desenvolvimento do ser de cada espécie, isso significa que em cada espécie o ser tem um desenvolvimento individual. A Sociogênese diz respeito à cultura onde o indivíduo está inserido, pois, a mesma interfere no desenvolvimento humano. Lembrando que as significações culturais são transmitidas através da linguagem aspecto de grande relevância para a teoria de Vygotsky ao qual mencionaremos ao longo deste trabalho. O último plano trata da singularidade de cada fenômeno psicológico na qual os outros planos influenciem, na Microgênese temos o tempo de cada um e logo a consideração de sua subjetividade.

Vygotsky (2007), em sua teoria da aprendizagem social afirma que o indivíduo aprende e desenvolve-se à medida que interage com a sociedade, ponto que contrapõe à teoria piagetiana onde se acredita que o desenvolvimento se dá de dentro para fora logo, ao desenvolver-se, o indivíduo aprende.

A mediação é vista como uma relação não direta entre o homem e o mundo, mas provocada por instrumentos e signos. Uma mediação através de instrumentos é feita quando utilizamos objetos para realizar a ação, como uma faca, escada, vassoura. A mediação através de signos, por sua vez, não é concreta e se apresenta de forma simbólica, isso se dá graças à capacidade humana de representação mental (TAILLE, OLIVEIRA E DANTAS 2019).

Vygotsky (2007) cita ainda, outro tipo de mediação aquela que é realizada através de outras pessoas, como por exemplo, quando a mãe ensina para a criança que não deve mexer no fogo, pois pode se queimar. Sua aprendizagem, neste caso não foi mediada pela experiência pessoal, mas pela de outra pessoa.

Quanto mais o indivíduo utiliza signos e aprende a usar instrumentos, mais suas atividades psicológicas vão se ampliando. Vale ressaltar que o indivíduo não inventa os signos, mas se adapta aos que existem na sua cultura. Esse processo se dá através dos conceitos de Zona de Desenvolvimento Real (ZDR) e Zona de Desenvolvimento Proximal (DZP,) sendo a primeira correspondente àquilo que o sujeito é capaz de fazer sozinho e a outra aquilo que ele faz com a mediação do outro (TAILLE, OLIVEIRA E DANTAS, 2019).

Levando em consideração o amadurecimento destas funções, o que é Zona de Desenvolvimento Proximal hoje, deverá ser Zona de Desenvolvimento Real amanhã, devido à mediação realizada pelos indivíduos que convivem com essa criança. Dentro desse contexto a intervenção pedagógica é de extrema relevância para a aprendizagem dos educandos, na qual se faz necessário considerar o que as crianças já sabem para potencializar novas aprendizagens e promover condições para o seu desenvolvimento.

2.1.3. O Interacionismo Segundo Wallon

Segundo Ferrarezi (2023) vivemos os resquícios de uma concepção dualista de ser humano que dicotomiza a razão e a emoção, sobrepondo a primeira em relação à segunda, o que influencia diretamente nossas concepções educacionais contribuindo para a valorização de aspectos cognitivos em detrimento aos aspectos afetivos.

O aparecimento de novas concepções que enfatizam aspectos sociais e culturais, particularmente no século XX buscaram correlações entre afetividade, desenvolvimento humano e aprendizagem superando a visão cartesiana de homem. Essas contribuições influenciam diretamente as práticas pedagógicas, pois a perspectiva indissociável entre afetividade - cognição leva os docentes a uma abordagem integral de indivíduo, considerando suas relações com o meio de maneira ativa.

Dentro da perspectiva histórico-cultural faz-se necessário superar o tripé sujeito- objeto – mediação com ênfase na cognição para uma abordagem que considere o mesmo tripé enfatizando as dimensões afetivas, pois a aprendizagem depende também da qualidade das mediações entre sujeito e objeto (FERRAREZI, 2023).

Wallon em sua teoria considera as relações entre afetividade, conhecimento, ato motor e a pessoa sendo o desenvolvimento resultado da interação destes aspectos. Se opõe à visão linear de desenvolvimento. Para ele existe uma reformulação nas estruturas cognitivas e uma crise a ser superada a cada novo estágio. O autor propõe ainda um olhar especial para esses momentos de conflitos, pois os considera propulsores do desenvolvimento (WALLON, 2017).

O autor propõe cinco estágios onde há alternância entre aspectos afetivos e cognitivos. São eles: estágio impulso-emocional que corresponde ao primeiro ano de vida e a maneira da criança se relacionar com o mundo é através da emoção, estágio sensório-motor e projetivo que vai até meados dos três anos e é caracterizado pela exploração e manipulação dos objetos pelo sensório-motor. É também nessa época que acontece a aquisição da linguagem e junto com ela a capacidade de pensar externalizando com atos motores seus pensamentos. O estágio do personalismo entre os três e seis anos que inclui o processo de formação da personalidade através das relações sociais e predominância das experiências afetivas (WALLON, 2017).

2.2. O Palhaço no Hospital

Sena e Oliveira (2021) afirmam que as origens da figura do palhaço remontam ao tempo das cavernas, quando ao término do dia os homens contavam uns para os outros como tinha sido sua caça, até que um deles resolvia imitar a coragem do valente de forma cômica e satírica levando os outros a gargalhada. Corroborando Nogueira (2006, p. 25), “Desde que os seres humanos passaram a se juntar em grupos, no meio deles sempre há um palhaço. O palhaço da turma. De outra forma, o equilíbrio não seria completo”.

Ao longo dos anos e lugares a expressão palhaço teve diversos sinônimos: Clown, bufão, grotesco, truão, bobo, excêntrico, tony, augusto, jogral e que esteve presente em diversas culturas.

Na Antiguidade já se tinha percebido o poder do riso no alívio de tensões e este é o campo de atuação do palhaço que já esteve atrelado a rituais religiosos tendo como função espantar o medo e o mal. “Ridicularizar o mal é a melhor forma de vencê-lo.” E fazia isto através da imitação de deficiências humanas, de saltos e danças espalhafatosas, resultando em uma mistura de medo e riso (SENA E OLIVEIRA, 2021).

Aos poucos os palhaços deixaram de atuar somente em rituais religiosos e passaram a fazer parte de outros eventos sociais. Era um sinal de poder ter um bufão em festas particulares. Essa dinâmica social foi profissionalizando este arquétipo. Grandes impérios como: China, Egito, Grécia e Roma tiveram a presença desta figura cômica junto aos seus reis e imperadores.

Podemos considerar que a personagem do palhaço é resultado de uma construção social com atuação diferenciada de acordo com o tempo e o contexto cultural, mas que sempre teve como base uma atuação cômica.

Após breve relato do histórico do arquétipo do palhaço podemos nos questionar sobre sua presença no hospital, um ambiente tão sério e rígido. Como será sua atuação? Que formação esse profissional deve ter? Como estabelece a relação com a criança?

Há registros no século XIX de um trio de palhaços chamado irmãos Fratellini que atuaram visitando crianças em hospitais da França. De maneira mais consolidada temos a atuação de Michael Christensen, diretor do Big Apple Circus com início em 1986 que surpreendeu a todos pela interação com crianças hospitalizadas, ganhando prestígio e investimento do hospital o que resultou na criação do Clown Care Unit. No Brasil, essa prática iniciou-se, com o ator Wellington Nogueira, em 1991. Isso resulta na criação dos Doutores da Alegria grupo de artistas com formação profissional, inclusive na linguagem do palhaço (SILVA et al., 2022).

Segundo Nogueira (2005) a essência do trabalho é a utilização da paródia do palhaço que finge que é médico no hospital, tendo como referência a alegria e o lado saudável das crianças que quer brincar, colaborando para a transformação interna e externa do ambiente em que se inserem. Sua arte é a arte do improviso, logo eles não vão com a “peça” pronta no intuito de apresentar para as crianças, mas partem delas mesmas, da sua imaginação, da sua capacidade, e das suas condições. Dentro dessa dinâmica, a prontidão é outra técnica de extrema relevância, pois o artista deve valer-se de todo e qualquer estímulo do público numa relação de jogo.

O autor aponta a importância da primeira relação do palhaço com a criança que se dá ainda na porta do quarto, pois é através dela que se inicia o contato numa atitude de respeito, por isso a mesma deve ser explorada pelo palhaço, pois dela podem vir coisas boas ou não tão boas assim, na perspectiva da criança. Através desta primeira comunicação o profissional percebe quais recursos ele pode utilizar baseado no retorno da criança ou não, inclusive dando a ela o direito da recusa.

Segundo Wuo (2011) na interação a criança representa o Clown Branco exercitando um domínio sobre seu relacionamento com o palhaço.

Esse empoderamento é muito importante para a criança, uma vez que dentro do hospital, dificilmente ela pode negar-se a um procedimento. A metodologia utilizada pelos palhaços consiste, geralmente, em investir na capacidade simbólica que a criança tem, uma vez, que no mundo do faz-de-conta, é possível processar questões da vida real.

Beserra Et al 2020 em seu estudo afirmam que a utilização da risoterapia atua na redução da dor, do desconforto e do sofrimento, na diminuição do medo, do estresse e da ansiedade; e o impacto psicossocial na criança hospitalizada. Evidenciou-se importante redução nos níveis de ansiedade, medo e estresse, incluindo alterações fisiológicas, como diminuição do cortisol. Além de contribuir na promoção do bem-estar, da alegria e da comunicação, favorecendo a adaptação da criança ao ambiente hospitalar e melhorando sua interação com familiares e profissionais de saúde. As intervenções são, em sua maioria, realizadas por meio de palhaços hospitalares e atividades lúdicas, como música, teatro e jogos.

3. METODOLOGIA

Conforme Marconi e Lakatos (2021) é imprescindível o planejamento da pesquisa através do projeto, que deve ser elaborado com muito cuidado “[...] caso contrário, o investigador, em determinada altura, encontrar-se-á perdido num emaranhado de dados colhidos, sem saber como dispor dos mesmos ou até desconhecendo seu significado e importância”.

Nesta seção apresentaremos os procedimentos metodológicos utilizados para a realização da pesquisa, no que diz respeito ao tipo de estudo, o delineamento metodológico, as fontes de dados, a forma de análise e os aspectos éticos. Os detalhes desses elementos visam assegurar o rigor científico e a possibilidade de replicação do estudo.

3.1. Tipo da Pesquisa

Trate-se de uma pesquisa de campo com abordagem qualitativa devido a necessidade de analisar as relações do sujeito com o mundo real de forma mais abrangente, pois, essa abordagem permite interpretar dados mais profundos, descrevendo a complexidade do comportamento humano (MARCONI E LAKATOS, 2021).

O estudo apresenta caráter descritivo e exploratório, buscando tanto descrever a experiência dos entrevistados com o palhaço hospitalar como explorar esse tema no âmbito da aprendizagem.

3.2. Delineamento Metodológico: Pesquisa Bibliográfica e Estudo de Caso

Este fundamenta-se na pesquisa bibliográfica e no estudo de caso. De acordo com Marconi e Lakatos (2021) pesquisa bibliográfica tem por objetivo realizar um levantamento, seleção e análise crítica de produções científicas que podem ser livros, artigos, dissertações e teses, permitindo que o pesquisador estabeleça uma relação sistemática com o conhecimento investigado.

O estudo de caso que pode ser único e singular ou abranger uma coleção de casos com a mesma particularidade ocorrente visa a compreensão do evento de forma ampla descrevendo-o pormenorizadamente, para avaliar estudos de ações, transmitir esta compreensão a outros e instruir decisões. (MINAYO, 2021).

3.3. Procedimentos de Coleta de Dados

A coleta de dados foi realizada em um Hospital público situado na zona Sul da cidade de São Paulo. O instrumento de coleta foram 4 questionários com perguntas abertas. A amostra foi composta por 4 crianças que interagiram com os palhaços no hospital, seus familiares, pedagogas hospitalares e profissionais da Enfermagem.

3.4. Procedimentos de Análise dos Dados

Segundo Franco (2012), a análise de conteúdo parte da mensagem, esta pode ser oral, escrita, silenciosa, figurativa, gestual ou documental. Uma vez que as mensagens são resultados de uma construção social.

Para analisar os dados o pesquisador deve partir do contexto dos indivíduos, lembrando que toda mensagem é repleta de representações sociais. A autora afirma que os dados devem ser comparados a teorias existentes para potencializar a interpretação.

A análise do conteúdo permite que o pesquisador realize inferências sobre os elementos da comunicação, no sentido de questionar as causas e efeitos da mesma, interpretando a mensagem para além das aparências baseados no contexto, nas condições de produção, no emissor. Neste sentido Bardin (2011) compara o analista a um arqueólogo, uma vez que, ele trabalha com os vestígios realizando primeiramente uma descrição, a fim de resultar numa interpretação, sendo a inferência o recurso intermediário deste processo.

A fim de analisar os dados resultantes da aplicação dos questionários, foi realizada uma leitura atenta, para selecionar os principais temas apontados pelos sujeitos da pesquisa.

Após codificarmos os principais temas apontados realizamos uma categorização para evidenciar os indicadores das respostas expressas pelos sujeitos de pesquisa, com a intenção de compreender esses dados.

Com isso procuramos, a partir dos resultados obtidos compreender e analisar os dados da pesquisa de campo à luz da teoria, tentando estabelecer uma relação entre teoria e prática visando verificar qual o impacto da interação dos palhaços na aprendizagem das crianças hospitalizadas, objeto de estudo deste trabalho.

3.5. Aspectos Éticos

O estudo obteve parecer do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Hospital Geral 012/2013 e parecer consubstanciado nº 402.053 com Certificado de Apresentação de Apreciação Ética nº20603713.0.0000.0062.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

O Hospital geral onde aconteceu a pesquisa está localizado na zona sul de São Paulo e foi inaugurado em 1998. Possui um departamento pediátrico com atendimento de emergência, internação enfermaria e Unidade de Terapia intensiva.

O Hospital possui uma série de atividades com foco na humanização, neste cenário encontramos a atuação dos Palhaços Hospitalares .

A amostra foi composta de 12 sujeitos. Dentre eles: 4 crianças, 4 familiares das crianças, 2 pedagogas hospitalares e 2 profissionais da enfermagem.

4.1. Perfil dos Sujeitos da Pesquisa

Com o intuito de conhecer melhor os sujeitos da pesquisa, organizamos um perfil a partir dos dados quantitativos expressos nos questionários.

TABELA 1 - PERFIL DAS CRIANÇAS E FAMILIARES

Criança/

Familiares

Idade

Sexo

Escolaridade

Profissão

Criança 1

6 anos

M

1º Ano

 

Criança 2

9 anos

M

4º Ano

 

Criança 3

6 anos

F

1º Ano

 

Criança 4

12 anos

F

7º Ano

 

Familiar 1

49 anos

M

Fundamental II – Incompleto

Meio oficial de rede aérea

Familiar 2

44 anos

F

Fundamental II - Incompleto

Auxiliar de Limpeza

Familiar 3

35 anos

F

Ensino Médio Incompleto

Camareira

Familiar 4

38 anos

F

Superior

Ajudante de Cozinha

Fonte: Autora, 2026

Verificamos uma porcentagem de 50% de meninos e 50% de meninas na participação da pesquisa. Com relação aos familiares percebemos que 75% dos acompanhantes das crianças são do sexo feminino e são suas próprias mães.

TABELA 2: PERFIL DOS PROFISSIONAIS

Profissional

Idade

Sexo

Formação

Tempo na função

No Hospital

Neste Hospital

Pedagoga 1

48

F

Pedagogia

20 anos

3 anos

3 anos

Pedagoga 2

39

F

Pedagogia/UNISA

12 anos

17 anos

4 anos

Profissional Enfermagem 1

35

F

Auxiliar de Enfermagem

15 anos

13 anos

13 anos

Profissional Enfermagem 2

32

F

Técnico de Enfermagem

5 anos e 7 meses

5 anos e 7 meses

5 anos e 7 meses

Fonte: Autora, 2026

Com relação ao perfil dos profissionais percebemos que no geral, eles possuem formação generalista. As pedagogas possuem licenciatura plena e nenhuma formação específica para o trabalho no hospital. As profissionais da enfermagem diferenciam-se em sua formação, uma vez que uma é técnica de enfermagem e a outra é auxiliar de enfermagem.

4.2. Resultado do Questionário com as Crianças

Com os dados coletados do questionário aplicado às crianças realizamos uma organização em quatro categorias a partir da leitura criteriosa dos questionários e codificação.

Categorias

  • Gosto do Palhaço;

  • Sentimentos na internação;

  • Visita do Palhaço;

  • O que aprenderam;

Na categoria Gosto do Palhaço todas as crianças classificaram a atividade com os palhaços como “gosto muito”, demonstrando a existência da afetividade na relação. Visando analisar qual o impacto dessa interação na aprendizagem das crianças hospitalizadas, podemos citar Wallon (2007) que afirma que ao estimular a afetividade a inteligência dos sujeitos é nutrida. O autor afirma ainda que, a emoção, enquanto uma exteriorização da afetividade é um meio de interação entre os indivíduos que promove o desenvolvimento cognitivo.

Em contrapartida, na categoria sentimentos na internação, apareceram falas como: “Tenho medo de injeção”, “Fico com medo”, “Antes do palhaço vir eu tava triste”. Farah (2008) afirma que a criança na fase pré-escolar, por exemplo, não tem a sua imagem corporal desenvolvida e ao ser submetido a procedimentos da rotina hospitalar tende a se sentir insegura a sentir medo por não ter consciência da sua integridade corporal tem dificuldade de diferenciar seu próprio corpo do mundo que a rodeia, ao ponto de temer perder o líquido do corpo pelo orifício produzido pela agulha.

Na categoria visita do Palhaço, as crianças se expressaram da seguinte forma: “Gosto de falar que o palhaço tem cabelo de Bombril. Gosto que eles me fazem rir”, “Acertar as pegadinhas. Eu gosto quando aperta a buzina”, “Gosto de por apelido neles: Magrelo, galinha pintadinha, cabeludo. Eu chamo porque eu gosto, acho engraçado.” Essas afirmações nos remetem as reflexões de Vygotsky (2007) acerca da atividade intelectual do faz-de-conta que a criança é capaz de estabelecer com o mundo imaginário e do jogo simbólico de Piaget (2010) que se situam no plano da representação mental, ambos são associados como a capacidade de ressignificação da realidade através das experiências no mundo da fantasia, vivências indispensáveis no desenvolvimento e aprendizagem humana.

Na O que aprenderam 75% das crianças afirmaram que pretendem fazer as brincadeiras, músicas e pegadinhas que aprenderam com os palhaços na escola. Este dado é bastante relevante, uma vez que os sujeitos estabeleceram uma relação direta entre o que vivenciaram com os palhaços com o que vivenciam na escola, um local que pressupõe interação, mediação, conhecimento e aprendizagem.

4.2.1. Resultado do Questionário com os Familiares Ou Responsáveis

Os dados resultantes dos questionários com os familiares ou responsáveis pelas crianças foram organizados em duas categorias.

Categorias

  • Impacto da internação da criança para os familiares;

  • Percepção dos sentimentos da criança mediante visita dos palhaços;

Dentro da categoria Impacto da internação da criança para os familiares, os mesmos apontaram sentimentos de medo, insegurança, tristeza e preocupação como resultantes da hospitalização da criança. O familiar 1: “Eu só tenho agradecer a Deus e as enfermeiras e os médicos desse hospital por tudo que fizeram pela minha filha. E, os palhaços também, eu estava muito preocupado de estar aqui.” Nesta fala ele equipara a relevância da presença do palhaço à atuação dos profissionais da saúde apontando as ações dessa equipe como um potencializador da recuperação da saúde da criança. “Estava triste de ver minha filha aqui” (familiar 2) e “Tenho outras crianças em casa e não posso trazer pra cá” (familiar 4).

Na categoria da percepção dos sentimentos da criança mediante visita dos palhaços, 75% da amostra apontaram que as crianças recebem com alegria esta atividade. E todos os familiares afirmaram que as crianças parecem ficar mais dispostas. A Familiar 2: expressou que: “Sua filha fica mais alegre e conta o que o palhaço fez com ela para quem a visita.” Com isso podemos afirmar que a interação com o palhaço favorece a interação com outras pessoas, a estimulação da memória, concentração e atenção.

Os familiares ou responsáveis classificaram a visita dos palhaços como boa, justificando com afirmações interessantes: “Ele já está afastado da escola quando o palhaço vem ele aprende um pouco para ocupar o espaço vazio que fica porque ele não está na escola (Familiar 2)”, “Antes da visita do palhaço eu não tinha visto o sorriso do meu filho aqui no Hospital, depois do palhaço ele até conversou com outro amigo que não tinha falado ainda (Familiar 3).” e “Eles mostram um universo que ela não conhecia eu não tenho disponibilidade de levar ela no circo e antes ela falava que nem gostava de palhaço (Familiar 4).”

Essas colocações demostram preocupação pelo fato da criança estar afastada da escola. Dentro da dinâmica do direito, uma das falas nos remete aos palhaços proporcionarem um acesso à cultura que antes esta criança não tinha experenciado. Com relação à interação, mais uma vez, a encontramos enquanto um processo promovido pela atuação dos palhaços, na qual vale citar a reflexão de Fonseca (2003), ao afirmar que o professor hospitalar deve favorecer a interação das crianças, sempre que possível, considerando a importância da interação social que Vygotsky (2007) postulou como essencial para o desenvolvimento e aprendizagem, onde Piaget (2010), por sua vez, nos remete aos desequilíbrios que a interação pode acarretar nos indivíduos promovendo a assimilação de novos conhecimentos.

4.2.2. Resultado do Questionário com as Profissionais da Saúde e da Educação

A análise destes dados foi elaborada a partir da junção dos questionários aplicados com as duas pedagogas e as duas profissionais da enfermagem, e está dividido em três grandes categorias.

Categorias

  • Crianças ficam alegres com a visitado Palhaço;

  • Receptividade da criança após interação com o palhaço;

  • Classificando a visita dos Palhaços;

Na categoria Crianças ficam alegres com a visita do Palhaço as profissionais identificam os sentimentos da criança ao receberem a visita dos palhaços, a resposta foi unanime (100%), uma vez que todas as entrevistadas afirmaram que as crianças os recebem com alegria.

Sobre a receptividade da criança após a interação com o palhaço, 75% dos sujeitos apontaram que as crianças parecem ficar mais receptivas após este contato. Isso remete aos estudos de Masseti (2008) que certifica uma transformação na realidade hospitalar, no sentido de ressignificação da mesma que se dá através da relação da criança com os palhaços.

Na categoria classificando a Visita do Palhaço todas as profissionais sinalizaram esta atividade como boa para as crianças e justificam com os seguintes argumentos: “as crianças ficam dispostas e interagem com eles (Pedagoga 1)”, “A visita trás alegria e descontração (Pedagoga 2)”, “Muda o estado de espírito das crianças (Profissional de Enfermagem 1)” e ”Porque o ambiente já é difícil e sofrido quando os Palhaços chegam até o ambiente muda (Profissional de Enfermagem 2)”. Podemos ainda, subscrever as repostas das pedagogas ao mencionarem a relação entre a atuação dos palhaços e o processo de ensino e aprendizagem das crianças justificando suas afirmações da seguinte forma: “Porque eles interagem com a música cantada, com os números, fazem brincadeiras usando rimas” e “As crianças aprendem a contar piadas, pegadinhas e músicas.”

Aspectos como a interação, uma nova perspectiva do contexto hospitalar e a alegria aparecem como potencializadores do processo de ensino e aprendizagem, uma vez que Santana e Queirós (2010) acenam para a importância do riso no processo de interação social e como pressuposto para uma aprendizagem significativa.

A questão da interação enquanto meio para efetivação da aprendizagem acentua-se como um fator relevante juntamente com o uso da linguagem simbólica, quando as profissionais da educação destacam esses dois aspectos mediante outros como: atenção, memória, concentração e aquisição da linguagem. É neste sentido que Vygotsky (2007) fundamenta sua teoria, no sentido que o indivíduo vai se construindo a partir das relações e mediações com o mundo que acontecem por meio da interação. Wallon (2007) nos remete a questão da importância da afetividade neste processo, uma vez que quanto mais afetiva a relação com o objeto mediador ou com o sujeito que promove a mediação maior será a possibilidade de aprendizagem.

Por fim, queremos discutir uma fala muito rica pedagoga 2 na íntegra sobre sua percepção acerca da atuação dos palhaços com uma das crianças:

“Os palhaços tem todo um cuidado antes de interagirem com as crianças. Falam sempre com a enfermeira responsável a respeito do estado de cada uma, se há alguma restrição. Eu tive um contato com um deles que solicitou um pouco mais de atenção com uma criança internada como vítima de queda. E, que conversando ele achava que a criança internada vítima de queda não era queda, a mesma achava que a criança teria sofrido maus tratos. E, fazendo um levantamento, constatamos que a mesma estava certa”. (PEDAGOGA 2)

Seu relato nos leva a questionar o potencial de comunicação existente na relação entre palhaços e crianças, para além dos aspectos da aprendizagem, mas numa dimensão de sensibilidade, humanização e contextualização do indivíduo na sua integridade.

5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

No primeiro momento sentimos a necessidade de aprofundar conhecimentos sobre o desenvolvimento da criança, considerando como pressuposto uma abordagem interacionista que defende a relevância da atuação do indivíduo com o meio num processo cultural que favorece o desenvolvimento e aprendizagem humana. Portanto, deste o primeiro momento este trabalho foi pensando numa perspectiva de indivíduos integrados, ativos e fazedores do processo.

A interação promovida pelo encontro dos palhaços com as crianças é um fator potencializador de interações com outras pessoas, sejam elas familiares, crianças internadas ou os profissionais da saúde e educação, favorecendo maior comunicação, através do processo no qual a criança reproduz a sua maneira, as músicas, as brincadeiras, as piadas que aprenderam com os palhaços.

Encontramos nas reflexões desde trabalho a relevância da mediação no processo de ensino e aprendizagem do indivíduo, potencializando a assimilação de novos conceitos pelas estruturas cognitivas, por meio dos desequilíbrios e equilibrações resultantes da intervenção pedagógica.

Embora, os palhaços não tenham o objetivo de promover um acompanhamento pedagógico à criança hospitalizada, suas metodologias e a própria interação com as crianças são propulsores deste processo, pois, suas atuações se pautam no uso da linguagem simbólica, na resolução de pegadinhas, na intervenção por meio da música, na construção de um relacionamento afetivo, e é claro com a constante presença do riso e da alegria que são pressupostos para uma aprendizagem significativa.

Por fim, tendo em vista a pergunta inicial que gerou este trabalho, concluímos que a atuação do palhaço com a criança hospitalizada possui um impacto positivo evidenciada na interação, intervenção, comunicação simbólica, afetividade e alegria, componentes intrínsecos ao processo de ensino e aprendizagem, podendo ser potencializada através da atuação efetiva do pedagogo hospitalar.

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1 Pedagoga, Enfermeira especialista em Oncologia Pediátrica (pela EEP-FMUSP) e Cuidados Paliativos (pela PUC). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Docente. Mestra e Doutora em Educação pela PUC – SP