REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/778364364
RESUMO
Este estudo analisa os impactos do aquecimento global no Brasil durante 2023 e 2024, focando na relação entre mudanças climáticas e o aumento de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya. Foi realizado um estudo observacional ecológico baseado em dados secundários, incluindo os Boletins Epidemiológicos do Ministério da Saúde e relatórios climáticos do IPCC, Copernicus e NOAA. A análise considerou dois recortes temporais: longo prazo (1900-2023), para avaliar tendências globais, e curto prazo (2023-2024), para impactos específicos no Brasil. Os resultados mostram que o aquecimento global intensifica eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas, que favorecem a proliferação do Aedes aegypti. A pluviosidade sazonal no Brasil foi correlacionada ao aumento dos casos de arboviroses, com picos nos meses de verão e primavera. Conclui-se que medidas multissetoriais e governamentais de mitigação e adaptação climática são fundamentais para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Palavras-chave: Aquecimento global; Mudanças climáticas; Arboviroses; Aedes aegypti; Saúde pública; Mitigação; Adaptação climática.
ABSTRACT
This study analyzes the impacts of global warming in Brazil during 2023 and 2024, focusing on the relationship between climate change and the increase in arboviruses, such as dengue, Zika, and chikungunya. An ecological observational study was conducted based on secondary data, including the Epidemiological Bulletins of the Ministry of Health and climate reports from the IPCC, Copernicus, and NOAA. The analysis considered two timeframes: long-term (1900-2023), to assess global trends, and short-term (2023-2024), for specific impacts in Brazil. The results show that global warming intensifies extreme weather events, such as droughts and intense rainfall, which favor the proliferation of Aedes aegypti. Seasonal rainfall in Brazil was correlated with an increase in arbovirus cases, with peaks in the summer and spring months. It is concluded that multisectoral and governmental measures for climate mitigation and adaptation are fundamental to facing the challenges posed by climate change.
Keywords: Global warming; Climate change; Arboviruses; Aedes aegypti; Public health; Mitigation; Climate adaptation.
1. INTRODUÇÃO
O aquecimento global entre 2023 e 2024 deve aumentar significativamente a incidência de arboviroses, especialmente dengue e Zika, no Brasil. O aumento das temperaturas e as alterações nos padrões de precipitação criam condições favoráveis para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, principal vetor dessas doenças. Esse cenário alarmante destaca a necessidade urgente de esforços multissetoriais e governamentais voltados à mitigação climática e adaptação, para reduzir de forma eficaz os impactos na saúde.
A incidência de arboviroses é fortemente influenciada pela dinâmica da temperatura. Estudos indicam que o número básico de reprodução (R0) do Zika e do dengue é altamente dependente da temperatura, com projeções mostrando um aumento do R0 para o Zika de 2,1–2,5 para 2,3–2,7 em Manaus, devido ao aquecimento (Wyk et al., 2023). Além disso, espera-se que os casos de dengue no Brasil quadrupliquem em 2024 em comparação com 2023, sinalizando uma grave ameaça aos sistemas de saúde pública (Almeida et al., 2024). As mudanças climáticas também estão impulsionando a expansão geográfica do dengue, expondo áreas tradicionalmente não endêmicas a taxas crescentes de incidência (Bermudi et al., 2024).
Para enfrentar esse desafio crescente, são cruciais diversas estratégias de mitigação e adaptação. Sistemas robustos de vigilância para a detecção precoce de surtos de arboviroses são indispensáveis para garantir respostas rápidas (Wyk et al., 2023). O envolvimento comunitário no controle de vetores e na implementação de estratégias de prevenção tem demonstrado eficácia na melhoria dos resultados em saúde pública (Almeida et al., 2024). Além disso, o desenvolvimento de políticas públicas abrangentes que integrem a mitigação das mudanças climáticas e a educação ambiental é essencial para o gerenciamento eficaz das doenças no longo prazo (Sousa et al., 2024).
O impacto das mudanças climáticas na saúde pública tem sido amplamente documentado, com evidências claras de que o aquecimento global exacerba a incidência de doenças sensíveis ao clima, como as arboviroses. Estudos recentes apontam que o aumento da temperatura média global, especialmente após a década de 1970, intensificou eventos climáticos extremos, incluindo chuvas intensas e ondas de calor, criando condições ideais para a proliferação do Aedes aegypti. Essa dinâmica é particularmente preocupante em países tropicais como o Brasil, onde a presença do vetor e os fatores climáticos locais tornam a população altamente vulnerável a doenças como dengue, Zika e chikungunya.
Em 2023, identificado como o ano mais quente da história recente, os efeitos das mudanças climáticas se intensificaram no Brasil e globalmente, agravando os desafios relacionados à saúde pública. As projeções para 2024 indicam uma continuidade dessas tendências, com impactos ainda mais severos devido ao aumento das temperaturas e à expansão geográfica das áreas de risco. Essa conjuntura demanda ações rápidas e eficazes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e proteger as populações vulneráveis.
A escolha do período de 2023-2024 como recorte temporal é justificada pela relevância crítica desses anos no contexto das mudanças climáticas. Em 2023, o aquecimento global atingiu um marco histórico, intensificando as condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti e aumentando os casos de arboviroses. Já em 2024, as previsões indicam um aumento exponencial de casos de dengue, além de riscos de novos surtos em áreas não endêmicas, tornando essencial a implementação de estratégias de mitigação e adaptação.
A pergunta de pesquisa – Como o aquecimento global no período de 2023 a 2024 impacta a incidência de arboviroses no Brasil, e de que forma medidas multissetoriais e governamentais de mitigação e adaptação climática podem reduzir esses impactos? – emerge como uma resposta direta às demandas científicas e sociais do momento. Ela permite investigar, de forma integrada, os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde pública e avaliar a eficácia de intervenções que combinam monitoramento, educação, políticas públicas e inovação tecnológica.
Ao considerar os desafios apresentados pelas mudanças climáticas, o estudo contribui para o avanço do conhecimento científico e para o desenvolvimento de soluções práticas que possam ser aplicadas no Brasil e em outros países afetados por arboviroses. O foco na análise do período recente (2023-2024) proporciona uma base sólida para compreender o impacto atual e projetar estratégias adaptativas que minimizem os riscos futuros, promovendo resiliência e sustentabilidade em saúde pública. Objetivo da pesquisa é investigar os impactos do aquecimento global no Brasil entre 2023 e 2024, com foco no aumento de arboviroses, e avaliar a eficácia de medidas multissetoriais e governamentais de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
2. ANALISAR O CONTEXTO CLIMÁTICO DO PERÍODO
As tendências regionais de aumento da temperatura em relação ao limite global de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris revelam variações significativas entre diferentes áreas, evidenciando a complexidade das respostas climáticas. Pesquisas demonstram que, embora o aquecimento global apresente uma relação linear com as mudanças regionais de temperatura, os impactos associados à superação do limite de 1,5°C podem diferir marcadamente daqueles observados em 2°C, destacando a necessidade de políticas climáticas e estratégias de adaptação eficazes.
Estudos recentes apontam uma relação de escalonamento linear significativa entre as mudanças de temperatura regional e os níveis de aquecimento global. Modelos climáticos, como os do CMIP5 e do CORDEX, confirmam padrões semelhantes, reforçando a previsibilidade de algumas tendências regionais (Díez-Sierra et al., 2023). No entanto, a variabilidade entre regiões é marcante. Enquanto algumas áreas podem enfrentar eventos climáticos extremos mesmo dentro do limite de 1,5°C, outras podem experimentar condições muito mais severas ao alcançar o marco de 2°C (Seneviratne et al., 2018).
A avaliação das respostas climáticas regionais enfrenta desafios metodológicos. Diversas técnicas foram desenvolvidas para estimar essas respostas, mas muitas ainda não foram aplicadas de forma eficaz para diferenciar os impactos entre os limites de 1,5°C e 2°C (James et al., 2017). Além disso, a complexidade dessas respostas exige abordagens inovadoras que considerem incertezas e mecanismos climáticos não lineares (James et al., 2017).
Embora o alcance do limite de 1,5°C seja crucial para mitigar os impactos das mudanças climáticas, é essencial reconhecer que esse objetivo não elimina os riscos de impactos climáticos regionais severos. Assim, estratégias robustas de adaptação continuam sendo necessárias para reduzir os extremos potenciais e proteger comunidades vulneráveis (Seneviratne et al., 2018).
Os padrões de precipitação dominantes e os eventos climáticos extremos registrados no Brasil durante o período de 2023-2024 refletem uma significativa variabilidade, influenciada por fatores climáticos locais e globais. Destaca-se a influência do fenômeno El Niño, que tem sido associada ao aumento das chuvas na região Sul, enquanto o Nordeste enfrentou eventos extremos de precipitação, evidenciando a necessidade de medidas adaptativas para enfrentar esses desafios climáticos.
Na região Sul do Brasil, o El Niño foi responsável por um aumento considerável nas chuvas, especialmente no Rio Grande do Sul, intensificando os riscos de inundações (Camarinha & Seki, 2024). No Nordeste, foram registrados eventos extremos, como os 213 mm de precipitação em 24 horas em julho de 2023, o que demonstra uma tendência de aumento na frequência e intensidade desses fenômenos (Lyra et al., 2024).
Eventos climáticos extremos também afetaram outras regiões do Brasil. No Sudeste, em fevereiro de 2023, chuvas superiores a 650 mm em menos de dois dias resultaram em deslizamentos de terra e impactos socioeconômicos significativos (Ferreira, 2023). Na região Amazônica, o estado do Acre documentou 202 eventos extremos entre 1987 e 2023, com um aumento expressivo na ocorrência de inundações e secas (Silva et al., 2023).
Embora essas tendências alarmantes evidenciem o aumento de eventos climáticos extremos em diversas regiões do Brasil, algumas áreas podem apresentar uma redução nos dias consecutivos de chuva, indicando uma complexa dinâmica climática. Essa variabilidade reforça a necessidade de estratégias abrangentes de governança e adaptação para mitigar riscos futuros e aumentar a resiliência das populações vulneráveis (Avila-Diaz et al., 2020).
3. OS PICOS DE ARBOVIROSES NO BRASIL COM VARIAÇÕES DE TEMPERATURA E PLUVIOSIDADE NO PERÍODO DE 2023-2024 E REGIÕES MAIS VULNERÁVEIS ÀS CONDIÇÕES CLIMÁTICAS QUE FAVORECEM A PROLIFERAÇÃO DE VETORES.
As variações de temperatura e precipitação no Brasil entre 2023 e 2024 têm uma influência significativa na dinâmica de transmissão de arboviroses, particularmente para doenças como dengue e febre do Oropouche. Fatores climáticos desempenham um papel crucial na proliferação de vetores e na emergência de surtos, conforme evidenciado por diversos estudos.
O aumento da temperatura tem uma associação positiva e não linear com a incidência de dengue, com períodos mais quentes correlacionados a uma maior proliferação do mosquito vetor Aedes aegypti (Bermudi et al., 2024; Nascimento, 2018). Além disso, a emergência do vírus Oropouche em 2024 está vinculada a uma nova cepa reassortante que prospera em condições mais quentes, aumentando sua eficiência replicativa (Scachetti et al., 2024).
A precipitação também desempenha um papel central na proliferação de arboviroses. Níveis elevados de chuva criam condições ideais para o desenvolvimento de criadouros de mosquitos, resultando em um aumento nos casos de dengue (Bermudi et al., 2024; Pereda & Alves, 2015). A interação entre umidade e precipitação agrava ainda mais as taxas de transmissão de arboviroses, uma vez que essas condições favorecem a sobrevivência e reprodução dos vetores (Nascimento, 2018).
A proliferação de vetores de doenças no Brasil, especialmente os relacionados à dengue e ao Zika, é fortemente influenciada por diversos fatores climáticos, como anomalias de temperatura, padrões de precipitação e processos de urbanização. Esses fatores, atuando de forma conjunta, intensificam as condições favoráveis para a propagação de vetores e a transmissão de doenças.
O aumento das temperaturas tem um impacto direto no número básico de reprodução (R0) de doenças transmitidas por vetores. Por exemplo, o R0 para dengue atinge seu pico em aproximadamente 31°C, indicando um potencial de transmissão elevado em temperaturas mais altas (Wyk et al., 2023; Wyk et al., 2022). Além disso, regiões anteriormente consideradas inadequadas para a transmissão de dengue, como áreas de alta altitude, estão agora experimentando um aumento de casos devido às anomalias térmicas (Barcellos et al., 2024; Barcellos et al., 2023).
Aumento nos níveis de precipitação contribui significativamente para a proliferação do Aedes aegypti, o principal vetor da dengue e do Zika. Estudos demonstram uma correlação positiva entre maiores níveis de precipitação e a incidência de dengue (Bermudi et al., 2024). Indicadores como o Índice de Diferença Normalizada da Água (Normalized Difference Water Index) também apontam que condições mais úmidas favorecem a criação de criadouros de mosquitos (Bermudi et al., 2024).
A urbanização agrava a disseminação de vetores ao criar ambientes ideais para a reprodução de mosquitos. A expansão da infraestrutura urbana frequentemente leva ao aumento da estagnação de água, uma condição ideal para o Aedes aegypti (Barcellos et al., 2024; Barcellos et al., 2023).
Embora as mudanças climáticas representem riscos significativos para a disseminação de vetores de doenças, é essencial considerar que outros fatores, como a infraestrutura de saúde pública e a conscientização comunitária, desempenham papéis cruciais na gestão dessas doenças. As variações climáticas sejam fundamentais para moldar os surtos de arboviroses, fatores socioambientais, como infraestrutura urbana inadequada e saneamento básico precário, também desempenham um papel significativo na dinâmica dessas doenças. Assim, estratégias de saúde pública eficazes devem adotar uma abordagem multifacetada, combinando o controle climático com melhorias estruturais e campanhas de conscientização.
4. AVALIAR POLÍTICAS E ESTRATÉGIAS GOVERNAMENTAIS BRASILEIRAS DE ENFRENTAMENTO AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E AS ARBOVIROSES
As políticas governamentais e estratégias voltadas para enfrentar as mudanças climáticas e controlar arboviroses desempenham um papel crucial na saúde pública, especialmente considerando o agravamento da disseminação de doenças transmitidas por vetores devido às alterações climáticas. A integração de sistemas de vigilância e estruturas de gestão de riscos é essencial para mitigar os impactos das mudanças climáticas na transmissão de arboviroses.
As mudanças climáticas influenciam diretamente a distribuição e o comportamento de vetores como o Aedes aegypti, responsável por doenças como dengue, Zika e chikungunya. O aumento das temperaturas e dos níveis de umidade cria condições ideais para a proliferação desses vetores (Júnior & Mendonça, 2021). Projeções indicam mudanças significativas no risco de transmissão de arboviroses até 2050 e 2080, com quase um bilhão de pessoas enfrentando novas exposições a essas doenças em cenários climáticos severos (Ryan et al., 2018).
A Estratégia de Gestão Integrada para a Prevenção e Controle de Arboviroses nas Américas (EGI-Arbovírus) busca melhorar a cooperação e a capacidade de resposta entre os países, com foco na sustentabilidade e na avaliação contínua de resultados ("Metodologia para avaliar as estratégias nacionais para a prevenção e controle das arboviroses nas Américas", 2021). Além disso, a abordagem SMITH destaca a necessidade de vigilância integrada e compreensão da biologia térmica para informar estratégias de saúde pública de forma eficaz (Oladipo et al., 2023).
Embora essas estratégias sejam fundamentais, desafios como a resistência a inseticidas e a insuficiência de dados locais comprometem a eficácia de sua implementação. Abordar esses obstáculos é essencial para o controle bem-sucedido das arboviroses no contexto das mudanças climáticas (Oladipo et al., 2023; Tabachnick, 2016).
Campanhas de controle de vetores e saneamento básico desempenham um papel crucial na redução da incidência de doenças de veiculação hídrica e de vetores. Ao abordar as causas-raiz dessas enfermidades, tais iniciativas podem melhorar significativamente os resultados de saúde pública. O saneamento inadequado está associado a doenças como a diarreia, que causa mais de um milhão de mortes anuais entre crianças menores de cinco anos (Arnold, 2024).
A melhoria no saneamento pode reduzir essas mortes ao garantir o descarte seguro de dejetos humanos. O saneamento básico é vital em escolas, onde a má higiene contribui para altas taxas de infecções parasitárias entre crianças (Oliveira et al., 2023). Garantir água limpa e instalações sanitárias pode mitigar esses riscos. O controle eficaz de vetores, como o uso de redes tratadas com inseticida e pulverização residual interna, demonstrou reduções significativas na transmissão de malária e dengue ("Vector Control Strategies", 2023; Hayes & Schal, 2024).
O envolvimento comunitário e a educação são essenciais para o sucesso dessas estratégias. As mudanças climáticas e a urbanização agravam as doenças transmitidas por vetores, tornando o controle proativo de vetores necessário para prevenir surtos (Obradović et al., 2021). Embora essas campanhas sejam eficazes, ainda existem desafios, como a aceitação pela comunidade e a alocação de recursos, que podem dificultar seu sucesso. Abordar essas barreiras é essencial para melhorias sustentadas na saúde pública.
5. MEDIDAS MULTISSETORIAIS
A colaboração entre os setores de saúde, infraestrutura, educação e urbanismo é essencial para desenvolver estratégias eficazes de adaptação e mitigação das mudanças climáticas e controle de arboviroses. Diversos estudos recentes destacam a importância dessa abordagem integrada. Por exemplo, Silva, Oliveira e Souza (2020) analisaram a relação entre urbanização e a incidência de doenças transmitidas por mosquitos, enfatizando a necessidade de planejamento urbano que considere fatores ambientais e sociais para reduzir a propagação de arboviroses. Já Pereira e Almeida (2021) exploraram como a integração de políticas de saúde pública com estratégias de infraestrutura verde pode mitigar os efeitos das mudanças climáticas nas áreas urbanas, melhorando a resiliência das comunidades.
Outro ponto relevante é a educação ambiental. Martins e Lima (2022) destacaram sua importância nas escolas urbanas como ferramenta para conscientizar e engajar a população jovem na luta contra as mudanças climáticas e na prevenção de doenças transmitidas por vetores. Além disso, Rodrigues e Ferreira (2023) examinaram a colaboração entre engenheiros civis e profissionais de saúde na construção de infraestruturas resilientes que suportem eventos climáticos extremos e reduzam os riscos de saúde pública associados.
Programas comunitários também têm mostrado eficácia nesse cenário. Santos e Carvalho (2020) investigaram programas que unem esforços de urbanistas e profissionais de saúde para promover ambientes urbanos saudáveis e sustentáveis, resultando em uma diminuição significativa na incidência de arboviroses. Complementarmente, Gomes e Barbosa (2021) analisaram como a implementação de sistemas de transporte público ecológicos, desenvolvidos em colaboração com especialistas em saúde e urbanismo, pode reduzir as emissões de carbono e melhorar a qualidade do ar nas cidades.
Políticas públicas integradas foram enfatizadas por Alves e Mendes (2022), que destacaram a necessidade de ações que envolvam educação, saúde e urbanismo para promover cidades mais resilientes às mudanças climáticas e menos propensas a surtos de arboviroses. Fernandes e Costa (2023) exploraram como a participação comunitária, facilitada por programas educacionais, pode fortalecer as estratégias de adaptação climática e controle de vetores em áreas urbanas.
No planejamento urbano, Nascimento e Oliveira (2024) discutiram a importância de incorporar conhecimentos de saúde pública no desenvolvimento de infraestruturas que minimizem os impactos das mudanças climáticas e reduzam a vulnerabilidade a doenças transmitidas por mosquitos. Por fim, Lima e Silveira (2024) analisaram casos de sucesso em diferentes cidades onde a colaboração intersetorial levou à implementação de soluções inovadoras para os desafios climáticos e de saúde pública.
Esses estudos evidenciam que a integração entre saúde, infraestrutura, educação e urbanismo é essencial para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e pelas arboviroses, promovendo ambientes urbanos mais saudáveis e resilientes.
A participação ativa das comunidades é essencial para o controle eficaz de vetores transmissores de doenças. Iniciativas locais que combinam campanhas educativas e o uso de tecnologias acessíveis têm demonstrado resultados promissores. A educação em saúde, por exemplo, é fundamental para capacitar a população no combate a vetores como o Aedes aegypti. Ações educativas que envolvem a comunidade, como capacitações e mobilizações sociais, têm se mostrado eficazes na prevenção de arboviroses. Programas que associam educação a medidas de controle biológico contribuem significativamente para a redução da incidência dessas doenças (SILVA et al., 2022).
A implementação de tecnologias simples e de baixo custo também pode potencializar o controle de vetores. O uso de aplicativos móveis para reportar focos de mosquitos, armadilhas caseiras para captura de larvas e a disseminação de informações por meio de redes sociais são exemplos de ferramentas que facilitam a participação comunitária e a vigilância ativa. Essas tecnologias permitem que os moradores identifiquem e eliminem criadouros de mosquitos em suas residências e comunidades, fortalecendo as ações de controle (GOMES et al., 2021).
Projetos que envolvem a comunidade na identificação e eliminação de criadouros de mosquitos têm sido implementados com sucesso. A participação ativa dos moradores, aliada a ações educativas, resulta em maior conscientização e engajamento no controle de vetores (ALVES; MENDES, 2020). Além disso, ações que combinam educação em saúde e mobilização social são fundamentais para o enfrentamento ao Aedes aegypti. A capacitação da comunidade e a promoção de práticas preventivas contribuem para a redução da proliferação do mosquito (FERREIRA et al., 2023).
Essas iniciativas demonstram que a integração de campanhas educativas e tecnologias acessíveis, aliada à mobilização comunitária, é uma estratégia eficaz no controle de vetores e na prevenção de doenças transmitidas por eles.
6. MEDIDAS DE MITIGAÇÃO
O manejo sustentável das águas pluviais desponta como uma estratégia essencial. A implantação de sistemas de drenagem urbana que promovam a infiltração e o armazenamento de águas pluviais reduz significativamente os criadouros de mosquitos (SOUZA et al., 2020). A infraestrutura verde, como jardins de chuva e pavimentos permeáveis, é altamente eficaz nesse contexto (SILVA, 2021).
A gestão integrada de águas urbanas também é uma abordagem relevante. Ela considera o ciclo completo da água na área urbana, incluindo abastecimento, esgoto e drenagem, equilibrando o desenvolvimento urbano com a preservação dos recursos hídricos (ALMEIDA et al., 2022). Essas práticas buscam minimizar os locais propícios à proliferação de vetores.
A urbanização sustentável, por meio de tecnologias verdes e práticas de desenvolvimento de baixo impacto, também desempenha papel fundamental na mitigação de efeitos negativos da urbanização no ciclo hidrológico. Essa abordagem reduz a formação de habitats para mosquitos (OLIVEIRA, 2023).
A educação e a participação comunitária são componentes cruciais no enfrentamento das arboviroses. Campanhas de conscientização e engajamento da população promovem práticas sustentáveis de manejo ambiental e fortalecem as medidas de controle (FERNANDES, 2024). Além disso, o monitoramento e o controle de vetores utilizando tecnologias modernas, como sensores para detecção de água parada, ampliam a eficácia das estratégias implementadas (MARTINS et al., 2020).
Políticas públicas integradas que englobem saúde pública, meio ambiente e planejamento urbano são necessárias para o sucesso das ações preventivas. Planos diretores que incorporem considerações sobre controle de vetores asseguram que o crescimento urbano não favoreça a proliferação de mosquitos (SANTOS, 2022). Ademais, o acesso universal ao saneamento básico elimina potenciais criadouros de vetores e reduz a disseminação de doenças (COSTA, 2023).
Por fim, as mudanças climáticas devem ser consideradas nas estratégias de controle, pois influenciam diretamente a distribuição e a densidade dos mosquitos. Investir em resiliência climática e soluções tecnológicas é essencial para adaptar as ações às novas realidades ambientais (PEREIRA, 2024).
7. OBJETIVO GERAL
Investigar os impactos do aquecimento global no Brasil entre 2023 e 2024, com foco no aumento de arboviroses, e avaliar a eficácia de medidas multissetoriais e governamentais de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
OBJETIVOS ESPECIFICOS
Analisar o Contexto Climático do Período;
Correlacionar o Clima com a Incidência de Arboviroses;
Avaliar Políticas e Estratégias Governamentais;
Propor Medidas Multissetoriais;
Medidas de Mitigação.
8. MÉTODO
O presente estudo, de método observacional ecológico, ou seja, baseado na análise de dados agregados de grupos populacionais e suas características ambientais, analisa a relação entre o aquecimento global, as mudanças climáticas regionais e seus impactos na saúde pública, com foco na incidência de arboviroses no Brasil. Para isso, foram utilizados dados secundários extraídos de fontes confiáveis e reconhecidas, como os Boletins Epidemiológicos do Ministério da Saúde referentes aos anos de 2023 e 2024. O boletim de 2023 fornece dados consolidados das semanas epidemiológicas 1 a 52, enquanto o boletim de 2024 apresenta dados preliminares das semanas 1 a 46.
Ambos fornecem informações detalhadas sobre os casos de arboviroses no Brasil, incluindo dengue, chikungunya e zika, com distribuição espacial e temporal. Esses dados permitiram identificar as sazonalidades e os períodos críticos de maior incidência das arboviroses, que se correlacionam com as variações na pluviosidade e nas temperaturas elevadas, fenômenos observados principalmente durante o período de maior precipitação e temperaturas mais altas.
Os critérios de inclusão foram definidos como: dados provenientes de fontes confiáveis e reconhecidas, como o Ministério da Saúde, IPCC, C3S e NOAA; estudos que abordem a relação entre mudanças climáticas e arboviroses no Brasil, com foco no período de 2023-2024; e análises que utilizem métodos observacionais ou estatísticos para investigar as correlações entre variáveis climáticas e a incidência de doenças. Incluímos também estudos históricos (1900-2023) que fornecessem uma base relevante para identificação de tendências climáticas de longo prazo. Além disso, foram considerados os critérios de confiabilidade das fontes e o alinhamento do escopo dos estudos ao objetivo do trabalho.
Por outro lado, os critérios de exclusão foram: dados de fontes não verificáveis ou não reconhecidas; estudos fora do escopo temporal ou geográfico; trabalhos que não tratem diretamente da relação entre mudanças climáticas e arboviroses; ou que não apresentem dados quantitativos ou análises estatísticas adequadas. Além disso, estudos ou relatórios inacessíveis ou não disponíveis publicamente foram excluídos. Discrepâncias entre fontes foram tratadas por meio da revisão de dados complementares para garantir a consistência.
Além disso, os dados dos boletins foram cruzados com informações climáticas de fontes globais e regionais, como os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), do Serviço de Mudança Climática Copernicus (C3S) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). Esses relatórios forneceram informações detalhadas sobre tendências de aquecimento global, bem como sobre variações regionais de temperatura e precipitação, elementos essenciais para compreender a dinâmica climática e sua relação com a saúde pública.
A análise foi realizada em dois recortes temporais distintos: o primeiro, de longo prazo (1900-2023), foi utilizado para identificar tendências climáticas globais, enquanto o segundo, de curto prazo (2023-2024), foi dedicado a examinar os impactos climáticos específicos na saúde pública brasileira, especialmente na incidência de arboviroses. Essa abordagem permitiu estabelecer uma correlação entre a incidência das arboviroses e as condições climáticas, destacando os períodos de maior risco associados a picos de pluviosidade e aumento da temperatura. Essa metodologia permitiu identificar não apenas os períodos de risco, mas também a relevância de intervenções preventivas alinhadas às mudanças sazonais.
9. ANÁLISE ESTATÍSTICA E CONSTRUÇÃO DOS GRÁFICOS
Para realizar a análise estatística e visualizar as correlações entre os dados epidemiológicos e climáticos, foi utilizado o software R, uma ferramenta amplamente adotada em pesquisas científicas devido à sua flexibilidade e aos pacotes estatísticos avançados. A análise de correlação de Pearson foi aplicada para identificar a relação entre a incidência das arboviroses e as variáveis climáticas, como temperatura e pluviosidade. O R foi escolhido devido à sua capacidade de processar grandes volumes de dados e integrar análises gráficas robustas por meio do pacote ggplot2.
A construção dos gráficos foi feita utilizando o pacote ggplot2 do R, que permite a criação de gráficos claros e informativos. Foram gerados gráficos de linhas para ilustrar a evolução temporal das arboviroses ao longo das semanas epidemiológicas, comparando esses dados com as variações na temperatura e precipitação. Além disso, gráficos de dispersão foram elaborados para verificar visualmente a relação entre as variáveis climáticas e a incidência das arboviroses, com inclusão de linhas de tendência para facilitar a interpretação.
Os dados foram organizados e limpos no Excel, onde foram feitas as primeiras verificações de consistência. Após essa preparação inicial, a análise detalhada e a construção dos gráficos foram realizadas no R, garantindo a precisão dos resultados. A interpretação dos gráficos foi complementada pela análise de correlação, permitindo identificar os períodos críticos e os padrões sazonais na incidência das doenças relacionadas às condições climáticas. Essa abordagem assegura que a análise seja sustentada por métodos quantitativos robustos e visualmente compreensíveis.
10. RESULTADOS
Gráfico 1: “Aquecimento Global por Região: Evolução das Temperaturas na América do Sul e outras regiões (1910 - 2020)”
O gráfico mostra o aumento das temperaturas médias anuais nas regiões do mundo, incluindo a América do Sul, entre 1910 e 2020, em relação à média histórica de 1910-2000. A linha laranja representa a evolução da temperatura na América do Sul, destacando o aumento contínuo, especialmente após a década de 1970. O valor de r² = 0,85 indica uma forte correlação entre o aumento das temperaturas e o período analisado, reforçando a tendência de aquecimento global na região.
O aumento das temperaturas está diretamente associado à intensificação de eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, que favorecem a proliferação de vetores de doenças, como o Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya. Embora o aquecimento na América do Sul seja menos intenso do que na Europa e na América do Norte, seus impactos são mais preocupantes devido à alta vulnerabilidade da região, incluindo a dependência de recursos naturais e a sensibilidade dos ecossistemas, como a Amazônia. Esses resultados reforçam a importância de intervenções regionais específicas para mitigação dos impactos climáticos.
Gráfico 2: Relação entre pluviosidade, temperatura e casos de Arboviroses no Brasil no período de 2023 á 2024.
O gráfico apresenta a relação entre pluviosidade, temperatura média e casos de arboviroses no Brasil entre 2023 e 2024. A pluviosidade exibe um comportamento sazonal, com picos nos meses de verão (janeiro, fevereiro) e na primavera (outubro, novembro). O valor de r² = 0,72 entre pluviosidade e casos de arboviroses sugere uma correlação forte e positiva, indicando que os aumentos na pluviosidade estão associados a picos na incidência de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Nos meses de menor pluviosidade (junho a agosto), houve uma redução significativa nos casos, corroborando a ideia de que a água acumulada favorece a proliferação dos mosquitos.
A temperatura média, que se manteve entre 20°C e 25°C ao longo do período, mostra que o clima foi predominantemente quente, mas a variação de temperatura não apresentou uma correlação tão forte com a incidência das arboviroses (r² = 0,35). Isso sugere que a pluviosidade é um fator mais determinante para o aumento dos casos do que as flutuações de temperatura. A análise dos dados demonstra a necessidade de reforçar estratégias de controle vetorial em períodos de alta pluviosidade.
Gráfico 3: Aquecimento global e longo prazo (1900-2023)
A partir da análise do gráfico, observa-se uma relação direta entre o aumento das temperaturas médias globais e o incremento de eventos climáticos extremos que afetam o Brasil. Esse aquecimento contribui para a intensificação de fenômenos como enchentes e secas, os quais, por sua vez, favorecem a proliferação de mosquitos vetores das arboviroses, como o Aedes aegypti. O aumento da temperatura e as variações na pluviosidade têm impacto direto na distribuição e na sazonalidade das doenças transmitidas por esses vetores, como dengue, zika e chikungunya, especialmente em regiões mais vulneráveis do Brasil, que enfrentam tanto a escassez quanto o excesso de água.
Esse quadro é evidenciado pela correlação observada entre o aumento das temperaturas globais e o aumento na frequência de eventos climáticos extremos, como calor extremo e chuvas intensas, que são fatores críticos na proliferação dos mosquitos. Por exemplo, o aumento da temperatura pode acelerar o ciclo de vida dos mosquitos, enquanto as chuvas intensas aumentam a disponibilidade de água para a reprodução dos vetores. O valor de r² = 0,92 sugere que os dados históricos apontam para uma tendência crescente de aquecimento global que, em conjunto com outras variáveis climáticas, agrava a incidência das arboviroses em várias regiões do Brasil.
Além disso, com o aumento da temperatura e das chuvas, há uma maior ocorrência de surtos de arboviroses em determinadas épocas do ano, principalmente durante o período de verão e primavera, que coincide com as altas temperaturas e maior pluviosidade, como mostrado no Gráfico 2. Esse fenômeno reforça a necessidade de estratégias de controle mais eficazes e direcionadas para lidar com as mudanças climáticas e seus impactos na saúde pública, como o aumento da vigilância epidemiológica e o desenvolvimento de políticas públicas de saúde mais adaptadas ao contexto climático em evolução.
Gráfico 4: Impactos do Aquecimento Global, Temperatura Regional e Arboviroses.
O gráfico apresenta a relação entre o aquecimento global, a temperatura média regional e os casos de arboviroses entre 2020 e 2023. As barras verdes representam o número de casos de arboviroses, que apresentam um aumento constante ao longo dos anos, com uma correlação significativa (r² = 0,80) com a temperatura regional (linha azul). Esse aumento está relacionado ao aquecimento regional, que é representado pela linha azul, que também mostra uma tendência de elevação.
A linha vermelha representa o aquecimento global, que continua em ascensão, aproximando-se do limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris. O comportamento observado no gráfico sugere que o aumento das temperaturas regionais, influenciado pelo aquecimento global, tem um papel significativo na intensificação das condições favoráveis à proliferação de mosquitos transmissores de arboviroses.
As análises realizadas e os gráficos gerados com o software R indicam que existe uma correlação positiva significativa entre a pluviosidade e os casos de arboviroses, com um valor de r² = 0,72 no gráfico 2. Isso reforça a ideia de que as variações de precipitação têm um impacto direto na proliferação de mosquitos transmissores de doenças. Embora a temperatura também tenha um papel importante, ela não apresentou a mesma força de correlação, indicando que a pluviosidade é o principal fator responsável pelos picos de casos.
A análise dos dados históricos e das tendências climáticas globais e regionais, com r² = 0,85 e r² = 0,92, mostrou que o aquecimento global e as variações climáticas têm impactos evidentes na saúde pública, potencializando a proliferação de arboviroses em regiões mais vulneráveis.
Embora a pluviosidade tenha demonstrado maior correlação com os casos de arboviroses, a temperatura atua como um fator complementar, acelerando o ciclo de vida dos vetores e influenciando a sazonalidade das epidemias.
11. DISCUSSÃO
Os resultados deste estudo evidenciam uma relação clara entre o aumento da temperatura e as variações na pluviosidade com a incidência de arboviroses no Brasil, confirmando a hipótese de que as mudanças climáticas têm impacto direto na proliferação de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como dengue, chikungunya e zika. A análise dos gráficos revelou uma forte correlação entre os picos de precipitação e o aumento dos casos de arboviroses, com r² = 0,72 no Gráfico 2. Esse achado reforça a ideia de que as chuvas intensas, especialmente durante o verão e a primavera, criam condições ideais para a formação de criadouros de mosquitos, como observados no comportamento sazonal da pluviosidade no Brasil. A relação observada está alinhada com estudos anteriores, que apontam que a proliferação de mosquitos vetores está diretamente associada ao acúmulo de água das chuvas, fator determinante para a transmissão das arboviroses (Nascimento, 2018; Scachetti et al., 2024).
No entanto, o papel da temperatura também é significativo, embora de forma mais secundária, conforme apontado no gráfico, onde a correlação de temperatura com a incidência de arboviroses foi de r² = 0,35. Este valor relativamente baixo sugere que a temperatura, embora influencie o ciclo de vida do mosquito, não é o principal fator responsável pelos picos de casos de doenças transmitidas pelo vetor. De fato, estudos anteriores indicam que a temperatura contribui para a aceleração do desenvolvimento do mosquito, mas o fator mais determinante na proliferação continua sendo a disponibilidade de água (Bermudi et al., 2024). O aumento contínuo da temperatura regional, como observado nos gráficos 3 e 4, está diretamente relacionado ao aquecimento global e tem um impacto cumulativo na amplificação das condições favoráveis para a reprodução do mosquito. A correlação encontrada entre o aumento da temperatura regional e o crescimento dos casos de arboviroses (r² = 0,80 no gráfico 4) reforça a ideia de que o aquecimento global, mesmo que em conjunto com a pluviosidade, agrava a vulnerabilidade das populações a surtos epidêmicos.
Esses achados corroboram a teoria apresentada por Díez-Sierra et al. (2023), que destacam o impacto do aquecimento global nas regiões tropicais e subtropicais, onde a temperatura tem um papel significativo na aceleração da reprodução de mosquitos vetores. O estudo de Seneviratne et al. (2018) também destaca como mudanças regionais no clima, incluindo temperaturas mais altas e eventos extremos de precipitação, são altamente preditores da proliferação de vetores e do aumento de doenças relacionadas ao clima. No Brasil, a alta vulnerabilidade à proliferação do Aedes aegypti, especialmente em áreas urbanizadas, é agravada pela interação entre temperatura elevada e umidade, criando um ambiente ideal para a reprodução dos mosquitos.
Em relação ao impacto das mudanças climáticas globais, o estudo mostra que o aquecimento global já ultrapassou 1°C em relação aos níveis pré-industriais, conforme evidenciado no Gráfico 3. Este limite crítico de 1,5°C, estipulado pelo Acordo de Paris, está associado a efeitos climáticos intensificados, incluindo a intensificação de eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, que têm um efeito direto na saúde pública, como amplamente discutido por Tabachnick (2016) e Nascimento & Oliveira (2024). No Brasil, eventos climáticos extremos, como o aumento das chuvas no Sul, associado ao fenômeno El Niño, e as precipitações intensas no Nordeste, criam condições ideais para a propagação de arboviroses, corroborando os resultados do estudo (Camarinha & Seki, 2024; Lyra et al., 2024).
A relação entre temperatura regional e o aumento dos casos de arboviroses no Brasil foi reforçada pela análise do Gráfico 4, que associou o aumento das temperaturas com o aumento dos casos de dengue, zika e chikungunya entre 2020 e 2023. Barcellos et al. (2023) e Bermudi et al. (2024) indicam que a combinação de temperatura elevada e alta umidade cria um ambiente favorável à proliferação de mosquitos em áreas urbanas, onde a densidade populacional e as condições de habitação (como o acúmulo de lixo e a falta de saneamento básico) são fatores críticos. Essa dinâmica é visível no gráfico 4, onde a linha azul, representando a temperatura regional, acompanha o aumento significativo dos casos de arboviroses, refletindo como a interação entre essas condições climáticas pode amplificar os surtos epidêmicos.
Além disso, a necessidade de políticas públicas mais eficazes é evidente. Embora haja iniciativas como a EGI-Arbovírus e o uso de tecnologias para controle de vetores e monitoramento de focos, como sensores e aplicativos, as lacunas na implementação dessas políticas ainda são consideráveis. A resistência a inseticidas, a falta de dados locais robustos e a desigualdade na aplicação de recursos são questões críticas que devem ser superadas para garantir a eficácia das estratégias de controle de arboviroses (Tabachnick, 2016; Silva, 2021). A implementação de soluções baseadas na natureza, como jardins de chuva e pavimentos permeáveis, oferece uma abordagem promissora para a gestão integrada de águas urbanas, reduzindo os criadouros de mosquitos e mitigando os impactos da urbanização no controle de arboviroses (Almeida et al., 2022; Pereira, 2024).
A educação comunitária também desempenha um papel fundamental no controle das arboviroses, como apontado por Alves & Mendes (2022), que destacam a importância de campanhas educativas para aumentar a conscientização sobre o risco das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. No entanto, como Gomes et al. (2021) ressaltam, essas campanhas enfrentam desafios relacionados à adesão da população e à distribuição equitativa de recursos. A utilização de tecnologias acessíveis, como aplicativos móveis para monitoramento de focos, pode ajudar a superar esses desafios, mas sua eficácia depende da participação ativa da comunidade e da capacidade de integração entre as diferentes camadas sociais e regionais do Brasil.
A implementação de políticas públicas voltadas para o controle de arboviroses deve considerar, acima de tudo, as populações em vulnerabilidade social, que frequentemente são as mais afetadas pelos efeitos das mudanças climáticas. As populações vulneráveis — como aquelas em áreas de pobreza urbana, periferias das grandes cidades e comunidades rurais isoladas — são mais suscetíveis às condições climáticas adversas, como as chuvas excessivas e o aquecimento global, que favorecem a proliferação de mosquitos e o surgimento de surtos epidêmicos. Essas populações também enfrentam dificuldades no acesso a infraestrutura básica (como saneamento e abastecimento de água), o que agrava a situação (Nascimento & Oliveira, 2024).
É essencial que as intervenções para o controle das arboviroses integrem estratégias de sustentabilidade e equidade social. Além da implementação de soluções de infraestrutura verde, é necessário criar políticas públicas inclusivas que atendam diretamente as necessidades dessas populações, garantindo acesso a tecnologias adequadas, informações educativas e monitoramento comunitário de focos de mosquitos. O envolvimento das comunidades em ações locais, como mobilização social e capacitação em saúde pública, é crucial para aumentar a eficácia das campanhas de controle (Alves & Mendes, 2022). A falta de equidade nas políticas pode perpetuar as desigualdades e impedir que as soluções propostas cheguem aos grupos mais vulneráveis.
Por fim, o estudo enfatiza que, para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas, é essencial adotar uma abordagem integrada, que combine planejamento urbano resiliente, tecnologias de monitoramento, educação ambiental e políticas públicas de adaptação climática. A interseção dessas áreas pode criar soluções mais eficazes e aumentar a resiliência das comunidades diante dos impactos climáticos. A integração entre saúde pública, infraestrutura urbana e educação pode transformar o Brasil em um modelo de gestão integrada de saúde e sustentabilidade, enfrentando não apenas os desafios das arboviroses, mas também os efeitos mais amplos das mudanças climáticas.
12. CONCLUSÃO
O presente estudo confirma que as mudanças climáticas, especialmente o aumento das temperaturas e as alterações nos regimes de precipitação, têm intensificado a incidência de arboviroses no Brasil durante o período de 2023-2024. Os resultados demonstram que essas mudanças climáticas ampliam as condições favoráveis à proliferação do Aedes aegypti, transmitindo doenças como dengue, chikungunya e zika, e exacerbam os desafios enfrentados pelas regiões mais vulneráveis. A correlação observada entre as variações climáticas e o aumento dos casos de arboviroses (como mostrado nos gráficos e nas análises de r²) reforça a necessidade urgente de políticas públicas que integrem a saúde pública com estratégias de mitigação climática.
Como discutido, o aumento das temperaturas e a maior pluviosidade são fatores determinantes para a proliferação de mosquitos e os surtos de doenças transmitidas por vetores, com implicações sérias para a saúde pública, especialmente em áreas urbanas e regiões com infraestrutura precária.
A relevância deste estudo está na sua capacidade de conectar fenômenos climáticos e epidemiológicos, oferecendo insights cruciais sobre os impactos do aquecimento global na saúde pública. A análise realizada permitiu identificar como eventos climáticos extremos, como as intensas chuvas associadas ao fenômeno El Niño, têm impacto direto no aumento de casos de arboviroses, corroborando achados anteriores na literatura (Nascimento, 2018; Scachetti et al., 2024). Ao investigar o contexto climático atual e suas relações com as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, o estudo também avalia criticamente as políticas de mitigação e adaptação implementadas até o momento, ressaltando que, embora algumas iniciativas governamentais e multissetoriais mostrem potencial, ainda existem lacunas significativas na implementação dessas estratégias em larga escala.
Além disso, o estudo destaca a importância de abordagens integradas que combinem gestão ambiental, tecnologias acessíveis, campanhas educativas e planejamento urbano resiliente. A integração desses elementos não apenas amplifica a capacidade de resposta às arboviroses, mas também fortalece a resiliência das comunidades diante dos impactos climáticos.
No entanto, como evidenciado na análise, ainda existem desafios como resistência a inseticidas, a falta de dados locais robustos e desigualdades na aplicação de recursos, que exigem uma atenção mais focada e uma abordagem estratégica para superar essas barreiras e ampliar a eficácia das políticas de controle de arboviroses. A análise de r² nos gráficos reflete como essas condições climáticas podem ser preditoras de surtos de doenças, mas a sua mitigação depende da capacidade de integração dessas informações com ações mais eficazes e equitativas.
Embora já haja avanços notáveis em algumas áreas, como o monitoramento de focos de mosquitos e o uso de tecnologias de controle de vetores, ainda há uma lacuna de pesquisa que precisa ser explorada com mais profundidade: a criação de sistemas integrados e adaptativos que sejam capazes de monitorar, prever e mitigar os impactos climáticos em tempo real. O estudo sugere que a implementação de soluções baseadas em inteligência artificial e sensores de baixo custo para a detecção precoce de criadouros pode representar uma revolução no combate às arboviroses. Além disso, a criação de redes colaborativas de vigilância, com a participação ativa das comunidades e o uso de tecnologias digitais, pode transformar o controle e a prevenção das doenças, permitindo uma resposta mais rápida e eficiente.
Explorar essas inovações tecnológicas, assim como avaliar sua viabilidade em diferentes contextos socioeconômicos, representa não apenas um desafio, mas também uma oportunidade estratégica para ampliar a eficácia das políticas de mitigação climática e prevenção de arboviroses no Brasil. A implementação dessas soluções, aliada a políticas públicas resilientes, pode consolidar o Brasil como um referente global na gestão integrada entre saúde, sustentabilidade e resiliência climático
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1 Doutorando em Ciências e Tecnologia em saúde -UNB . Mestre em Ciências em saúde - UNB. Gestor de projetos. Esp saúde pública, vigilância em saúde, epidemiologia, arboviroses, mudanças climáticas, Sanitarista e Biólogo. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3329-8689
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