METODOLOGIAS ATIVAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: ESTRATÉGIAS PARA PROMOVER APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

ACTIVE METHODOLOGIES IN YOUTH AND ADULT EDUCATION: STRATEGIES TO PROMOTE MEANINGFUL LEARNING

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/783533515

RESUMO
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) constitui uma modalidade essencial da educação básica brasileira, voltada à garantia do direito à escolarização de sujeitos que não concluíram seus estudos na idade regular. Nesse contexto, as metodologias ativas têm sido amplamente discutidas como estratégias pedagógicas capazes de promover maior participação discente, valorização dos saberes prévios e aprendizagem significativa. O presente estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão sistemática da literatura, as contribuições das metodologias ativas para a aprendizagem significativa na EJA, identificando suas principais estratégias, potencialidades, desafios e perspectivas de aplicação. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como uma revisão sistemática de abordagem qualitativa, baseada em estudos publicados entre 2014 e 2026, selecionados nas bases Google Scholar, SciELO, Portal de Periódicos CAPES, ERIC e Scopus, seguindo as diretrizes do protocolo PRISMA. Os resultados evidenciam que metodologias como resolução de problemas, projetos investigativos, estudos de caso, jogos pedagógicos, Educação Maker e Etnomatemática favorecem o protagonismo estudantil, a autonomia e o pensamento crítico, além de promoverem maior engajamento e motivação dos estudantes. Contudo, também foram identificados desafios relacionados à formação docente, à infraestrutura escolar, à rigidez curricular e às condições sociais dos educandos. Conclui-se que as metodologias ativas representam estratégias relevantes para a promoção de uma aprendizagem significativa na EJA, contribuindo para uma prática pedagógica mais inclusiva, contextualizada e transformadora.
Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; Metodologias ativas; Aprendizagem significativa; Ensino-aprendizagem; Práticas pedagógica.

ABSTRACT
Youth and Adult Education (EJA) is an essential modality of Brazilian basic education, aimed at guaranteeing the right to schooling for individuals who did not complete their studies at the appropriate age. In this context, active methodologies have been widely discussed as pedagogical strategies capable of promoting greater student participation, valuing prior knowledge, and fostering meaningful learning. This study aimed to analyze, through a systematic literature review, the contributions of active methodologies to meaningful learning in EJA, identifying their main strategies, potentialities, challenges, and implementation perspectives. Methodologically, the research is characterized as a qualitative systematic review based on studies published between 2014 and 2026, selected from Google Scholar, SciELO, CAPES Journal Portal, ERIC, and Scopus databases, following the PRISMA protocol guidelines. The results indicate that methodologies such as problem-based learning, research projects, case studies, educational games, Maker Education, and Ethnomathematics promote student protagonism, autonomy, and critical thinking, as well as increase engagement and motivation among learners. However, challenges were also identified, including teacher training gaps, inadequate school infrastructure, curricular rigidity, and students’ social conditions. It is concluded that active methodologies represent relevant strategies for promoting meaningful learning in EJA, contributing to a more inclusive, contextualized, and transformative educational practice.
Keywords: Youth and Adult Education; Active methodologies; Meaningful learning; Teaching and learning; Pedagogical practices.

1. INTRODUÇÃO

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) representa uma importante modalidade da educação básica brasileira, destinada à garantia do direito à escolarização para indivíduos que não tiveram acesso ou continuidade dos estudos na idade regular. Mais do que promover a certificação escolar, a EJA desempenha papel fundamental na inclusão social, na qualificação profissional, na formação cidadã e no fortalecimento da participação dos sujeitos na sociedade (Brasil, 2024; Malta et al., 2025). Por atender estudantes com diferentes trajetórias de vida, experiências profissionais e vivências socioculturais, essa modalidade demanda práticas pedagógicas que reconheçam a diversidade dos educandos e favoreçam a construção de conhecimentos contextualizados e socialmente significativos.

Nos últimos anos, pesquisadores da área educacional têm destacado a necessidade de superar modelos tradicionais de ensino, caracterizados pela centralidade do professor e pela transmissão passiva de conteúdos, em direção a abordagens que promovam maior participação dos estudantes no processo de aprendizagem (Moran, 2023; Bacich; Moran, 2022). Tal necessidade torna-se ainda mais evidente na EJA, cujos estudantes apresentam experiências acumuladas ao longo da vida que podem constituir importantes recursos para a construção do conhecimento. Nesse cenário, a valorização dos saberes prévios e das experiências cotidianas emerge como elemento essencial para a promoção de aprendizagens mais relevantes e duradouras (Viana; Silva; Rufino, 2023; Cruz et al., 2025).

As metodologias ativas têm se consolidado como uma das principais tendências educacionais voltadas à promoção de uma aprendizagem mais participativa, colaborativa e significativa. Essas abordagens fundamentam-se na participação ativa dos estudantes na construção do conhecimento, estimulando a investigação, a resolução de problemas, a tomada de decisões e a reflexão crítica sobre situações reais (Bacich; Moran, 2022; Urban; Frasson, 2025). Dessa forma, o estudante deixa de ocupar uma posição passiva diante dos conteúdos escolares e passa a atuar como protagonista de seu próprio processo formativo.

De acordo com Valente, Almeida e Geraldini (2021), as metodologias ativas favorecem a autonomia intelectual ao possibilitarem que os estudantes desenvolvam competências relacionadas à análise crítica, à criatividade, à colaboração e à resolução de problemas. Da mesma forma, Diesel, Baldez e Martins (2019) ressaltam que tais metodologias contribuem para o desenvolvimento de aprendizagens mais profundas ao promoverem o engajamento dos estudantes em atividades contextualizadas e voltadas para a aplicação prática do conhecimento. No contexto da EJA, essas contribuições assumem especial relevância, considerando a necessidade de aproximar os conteúdos escolares das experiências de trabalho, família e participação social dos educandos.

Estudos recentes também evidenciam que estratégias como aprendizagem baseada em problemas, projetos investigativos, estudos de caso, jogos pedagógicos, Educação Maker e atividades colaborativas favorecem o protagonismo estudantil e a construção de conhecimentos significativos (Oliveira, 2026; Silva; Assunção, 2026; Geraldo; Silva, 2026). Além disso, essas abordagens contribuem para fortalecer a autoestima, a motivação e a permanência dos estudantes na escola, aspectos particularmente importantes para uma modalidade historicamente marcada por índices de evasão e interrupção dos estudos (Da Cruz et al., 2025; Malta et al., 2025).

Apesar das potencialidades apontadas pela literatura, a implementação das metodologias ativas na Educação de Jovens e Adultos ainda enfrenta desafios relacionados à formação docente, à infraestrutura escolar, à disponibilidade de recursos pedagógicos e à heterogeneidade das turmas (Rodrigues et al., 2026; Kauling, 2025). Dessa forma, torna-se necessário compreender como as pesquisas científicas têm abordado essa temática e quais evidências vêm sendo produzidas acerca das contribuições dessas metodologias para a aprendizagem significativa dos estudantes da EJA.

Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão sistemática da literatura, as contribuições das metodologias ativas para a promoção da aprendizagem significativa na Educação de Jovens e Adultos, identificando estratégias utilizadas, potencialidades, desafios e perspectivas para a construção de práticas pedagógicas mais inclusivas, participativas e contextualizadas.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. Educação de Jovens e Adultos: Contexto Histórico, Concepções e Fundamentos Legais

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) constitui uma modalidade da educação básica destinada às pessoas que não tiveram acesso ou continuidade dos estudos na idade considerada adequada. Sua trajetória histórica está associada aos processos de exclusão social, econômica e educacional que marcaram a formação da sociedade brasileira, especialmente entre as populações mais vulneráveis. Nesse contexto, a EJA consolidou-se como uma política pública voltada à garantia do direito à educação e à promoção da inclusão social, buscando assegurar oportunidades educacionais para sujeitos que tiveram seus percursos escolares interrompidos ou inviabilizados ao longo da vida (Brasil, 1996; Gadotti, 2016; Pereira et al., 2025).

No Brasil, as primeiras iniciativas voltadas à educação de jovens e adultos estiveram relacionadas às campanhas de alfabetização e aos programas destinados à redução dos elevados índices de analfabetismo. Durante muito tempo, essas ações foram compreendidas sob uma perspectiva compensatória, cujo objetivo principal era suprir a escolarização não concluída na infância ou adolescência. Contudo, ao longo das últimas décadas, a modalidade passou a ser reconhecida como um direito social fundamental, vinculado à promoção da cidadania, da inclusão e da justiça social (Arroyo, 2017; Lages; Machado; Sant'ana, 2024).

As contribuições de Paulo Freire foram decisivas para a construção de novas concepções sobre a educação de jovens e adultos. O autor defende uma prática educativa fundamentada no diálogo, na valorização dos saberes construídos pelos educandos ao longo de suas trajetórias de vida e na formação crítica dos sujeitos. Nessa perspectiva, a educação deixa de ser um processo de simples transmissão de conteúdos e passa a constituir um espaço de reflexão, participação e transformação social. Para Freire (2021a; 2021b), o processo educativo deve promover a autonomia dos indivíduos e contribuir para que eles compreendam criticamente a realidade em que estão inseridos.

Complementando essa perspectiva, Freire (2021c) destaca que a leitura da realidade antecede a leitura da palavra, evidenciando a importância de considerar as experiências de vida dos estudantes como ponto de partida para a construção do conhecimento. Essa concepção é especialmente relevante na EJA, uma vez que os educandos trazem consigo vivências sociais, profissionais e culturais diversificadas, que devem ser valorizadas no processo de ensino e aprendizagem.

Nessa mesma direção, Arroyo (2017) ressalta que os sujeitos da EJA possuem trajetórias marcadas por processos históricos de exclusão e negação de direitos. Segundo o autor, compreender a realidade desses estudantes é fundamental para a construção de práticas pedagógicas mais inclusivas e comprometidas com a transformação social. Assim, a EJA deve ser entendida não apenas como uma modalidade de ensino, mas também como uma política de reparação social que busca garantir condições mais justas de acesso ao conhecimento e à cidadania.

A compreensão da educação como direito humano também é enfatizada por Gadotti (2016), ao destacar que a aprendizagem ao longo da vida constitui um elemento essencial para a construção de sociedades mais democráticas e inclusivas. Nessa perspectiva, a EJA desempenha papel estratégico na redução das desigualdades educacionais, possibilitando que jovens, adultos e idosos ampliem suas oportunidades de participação social, profissional e política.

No âmbito legal, a Educação de Jovens e Adultos encontra respaldo na Constituição Federal de 1988, que estabelece a educação como direito de todos e dever do Estado e da família (Brasil, 1988). Esse princípio foi posteriormente regulamentado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), que define a EJA como modalidade destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria (Brasil, 1996).

Outro importante instrumento normativo é o Plano Nacional de Educação (PNE), instituído pela Lei nº 13.005/2014, que estabelece metas voltadas à ampliação da escolaridade da população jovem e adulta, bem como à redução das desigualdades educacionais existentes no país. O plano reforça a necessidade de políticas públicas capazes de garantir não apenas o acesso, mas também a permanência e a conclusão dos estudos pelos educandos da EJA (Brasil, 2014).

Mais recentemente, a Resolução CNE/CEB nº 1/2021 atualizou as Diretrizes Operacionais para a Educação de Jovens e Adultos, reafirmando os princípios da educação ao longo da vida e reconhecendo a diversidade dos sujeitos atendidos pela modalidade. O documento destaca a importância da flexibilização curricular, da contextualização dos conteúdos e da adoção de metodologias que considerem as especificidades dos estudantes jovens, adultos e idosos (Brasil, 2021).

Apesar dos avanços legais e das conquistas alcançadas nas últimas décadas, a EJA ainda enfrenta desafios significativos. Entre eles destacam-se a evasão escolar, a redução das matrículas, as dificuldades relacionadas ao financiamento educacional e a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas à permanência e ao sucesso escolar dos estudantes (Lages; Machado; Sant'ana, 2024). Além disso, as transformações sociais, tecnológicas e econômicas do século XXI exigem novas estratégias pedagógicas capazes de responder às demandas contemporâneas e garantir uma educação mais inclusiva e significativa (Vieira et al., 2025).

Nesse contexto, a Educação de Jovens e Adultos permanece como instrumento fundamental para a efetivação do direito à educação e para a promoção da justiça social. Conforme destacam Pereira et al., (2025), a modalidade continua representando um importante espaço de defesa dos direitos educacionais e de enfrentamento das desigualdades históricas. Da mesma forma, Barbi et al., (2025) ressaltam que a valorização das experiências de vida dos estudantes e o reconhecimento de suas potencialidades constituem elementos essenciais para o fortalecimento da EJA e para a construção de práticas educativas mais humanizadas e transformadoras.

2.2. Aprendizagem Significativa e os Processos de Construção do Conhecimento

A aprendizagem significativa compreende o processo pelo qual o estudante relaciona novos conhecimentos aos saberes já existentes em sua estrutura cognitiva, atribuindo sentido ao que aprende. No contexto da Educação de Jovens e Adultos, esse princípio assume especial relevância, pois os educandos chegam à escola com trajetórias de vida, experiências profissionais, culturais e sociais que precisam ser reconhecidas como ponto de partida para a construção do conhecimento (Augustinho; Vieira, 2021). Assim, aprender significativamente não significa apenas memorizar conteúdos, mas estabelecer relações entre conceitos escolares e situações concretas da realidade, favorecendo uma aprendizagem mais duradoura, crítica e contextualizada (Viana; Silva; Rufino, 2023).

Nessa perspectiva, o conhecimento é construído de forma ativa, por meio da interação entre os conteúdos, as experiências prévias dos estudantes e as mediações pedagógicas desenvolvidas pelo professor. Para Urban e Frasson (2025), o uso de metodologias ativas na EJA contribui para ampliar a participação dos estudantes, pois favorece práticas investigativas, colaborativas e orientadas pela resolução de problemas. Dessa forma, o estudante deixa de ocupar uma posição passiva diante do conteúdo e passa a atuar como sujeito do próprio processo formativo, mobilizando saberes, formulando hipóteses e produzindo novos significados a partir das situações vivenciadas no ambiente escolar (Assunção; Cruz; Ribeiro, 2024).

A valorização dos conhecimentos prévios constitui um dos elementos centrais da aprendizagem significativa, especialmente na EJA, modalidade marcada pela diversidade de idades, histórias de escolarização e experiências sociais. Conforme Cruz et al. (2025), as metodologias ativas favorecem a transformação do processo educativo ao promoverem uma aprendizagem dinâmica, colaborativa e centrada no estudante. Nesse sentido, quando o professor articula os conteúdos escolares ao cotidiano dos educandos, torna-se possível aproximar teoria e prática, fortalecendo a autonomia intelectual, o pensamento crítico e a capacidade de aplicação do conhecimento em diferentes contextos sociais (Bezerra et al., 2024).

Os processos de construção do conhecimento também dependem da mediação docente, uma vez que cabe ao professor organizar situações didáticas que estimulem a problematização, o diálogo e a reflexão. Augustinho e Vieira (2021) destacam que, na EJA, as metodologias ativas possibilitam articular a aprendizagem significativa ao protagonismo dos estudantes, superando práticas baseadas apenas na transmissão de informações. Desse modo, o professor atua como mediador do processo educativo, criando condições para que os educandos relacionem novos conteúdos aos seus repertórios de vida e desenvolvam aprendizagens com sentido pessoal, social e formativo (Urban; Frasson, 2025).

Além disso, a aprendizagem significativa na EJA está diretamente relacionada à contextualização dos conteúdos e à escolha de estratégias pedagógicas capazes de dialogar com a realidade dos estudantes. Viana, Silva e Rufino (2023), ao discutirem uma formação sobre educação financeira apoiada na Etnomatemática e na Teoria da Aprendizagem Significativa, evidenciam que temas vinculados ao cotidiano favorecem maior envolvimento dos educandos e ampliam as possibilidades de compreensão dos conceitos trabalhados. Assim, situações-problema, projetos, debates, estudos de caso e atividades colaborativas tornam-se caminhos relevantes para transformar o conhecimento escolar em instrumento de leitura e intervenção na realidade (Cruz et al., 2025).

Portanto, a aprendizagem significativa e a construção do conhecimento na Educação de Jovens e Adultos exigem práticas pedagógicas que reconheçam os saberes prévios, promovam a participação ativa e possibilitem a relação entre os conteúdos escolares e a vida concreta dos estudantes. Para Assunção, Cruz e Ribeiro (2024), metodologias atrativas e participativas são fundamentais para estimular o interesse dos jovens e adultos, especialmente diante de trajetórias escolares interrompidas e de experiências anteriores marcadas por dificuldades de permanência. Dessa maneira, a aprendizagem torna-se mais efetiva quando o estudante compreende a utilidade social do conhecimento e participa ativamente de sua elaboração, fortalecendo sua autonomia, criticidade e permanência no processo educativo (Bezerra et al., 2024).

2.3. O Protagonismo do Estudante na EJA por Meio das Metodologias Ativas

O protagonismo estudantil constitui um dos princípios centrais das metodologias ativas, uma vez que desloca o foco do processo educativo da transmissão de conteúdos para a participação efetiva dos estudantes na construção do conhecimento. Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), essa perspectiva torna-se especialmente relevante por reconhecer que os educandos possuem experiências acumuladas ao longo da vida que podem contribuir significativamente para o processo de aprendizagem (Cruz et al., 2025). Dessa forma, o estudante deixa de ser mero receptor de informações e passa a assumir papel ativo na investigação, reflexão e resolução de problemas relacionados à sua realidade social, profissional e cultural (Urban; Frasson, 2025).

As metodologias ativas favorecem o protagonismo ao estimular a autonomia, a participação e a corresponsabilidade dos estudantes em relação ao próprio aprendizado. Segundo Viana, Silva e Rufino (2023), estratégias que valorizam os conhecimentos prévios e as experiências cotidianas possibilitam maior envolvimento dos educandos nas atividades desenvolvidas em sala de aula. Nesse contexto, o estudante passa a participar das decisões relacionadas ao processo educativo, desenvolvendo competências como pensamento crítico, criatividade, colaboração e capacidade de tomada de decisão (Assunção; Cruz; Ribeiro, 2024).

Entre as diferentes estratégias utilizadas na EJA, destacam-se a resolução de problemas, os projetos investigativos, os estudos de caso, os debates e as atividades colaborativas, que colocam o estudante no centro do processo de ensino e aprendizagem. Conforme Queiroz (2023), a utilização de situações-problema relacionadas ao cotidiano dos educandos favorece o interesse, o engajamento e a participação ativa nas atividades escolares. Ao serem desafiados a analisar situações concretas e buscar soluções para problemas reais, os estudantes desenvolvem maior autonomia intelectual e ampliam sua capacidade de compreender e transformar a realidade em que estão inseridos (Cruz et al., 2025).

Outro aspecto importante refere-se ao fortalecimento da identidade e da autoestima dos estudantes da EJA. Muitas vezes, esses sujeitos retornam à escola após trajetórias marcadas por interrupções nos estudos, experiências de fracasso escolar ou dificuldades socioeconômicas. Nesse sentido, as metodologias ativas contribuem para a valorização de seus saberes e vivências, favorecendo o reconhecimento de suas capacidades e potencialidades (Malta et al., 2025). Ao perceberem que seus conhecimentos são considerados durante o processo educativo, os estudantes tendem a apresentar maior confiança, motivação e participação nas atividades propostas (Da Cruz et al., 2025).

O protagonismo estudantil também está relacionado à transformação do papel do professor no ambiente escolar. Em vez de atuar exclusivamente como transmissor de conteúdos, o docente assume a função de mediador e facilitador da aprendizagem, criando situações que estimulem a investigação, o diálogo e a construção coletiva do conhecimento (Silva; Assunção, 2026). Essa mediação favorece o desenvolvimento da autonomia dos educandos, permitindo que participem ativamente da elaboração de estratégias, da resolução de desafios e da produção de novos conhecimentos a partir de suas experiências (Geraldo; Silva, 2026).

Além disso, a utilização de metodologias ativas contribui para a formação de sujeitos críticos e participativos, capazes de exercer sua cidadania de maneira mais consciente. Segundo Jahnke (2025), práticas pedagógicas baseadas na colaboração, na investigação e na problematização da realidade promovem maior envolvimento dos estudantes e fortalecem sua capacidade de análise crítica. Dessa forma, o protagonismo discente ultrapassa os limites da sala de aula e passa a contribuir para a formação de indivíduos capazes de compreender, questionar e intervir nas situações sociais presentes em seu cotidiano (Kauling, 2025).

De modo geral, a literatura evidencia que as metodologias ativas constituem importantes instrumentos para o fortalecimento do protagonismo estudantil na Educação de Jovens e Adultos. Ao valorizar os conhecimentos prévios, estimular a participação e promover a construção colaborativa do conhecimento, essas abordagens favorecem o desenvolvimento da autonomia e do pensamento crítico dos educandos (Cruz et al., 2025). Assim, o protagonismo discente torna-se elemento fundamental para a consolidação de práticas pedagógicas mais democráticas, inclusivas e significativas, contribuindo para a permanência dos estudantes na escola e para sua formação integral (Urban; Frasson, 2025).

2.4. Metodologias Ativas Como Estratégia para Promover Aprendizagem Significativa na EJA

A Educação de Jovens e Adultos requer práticas pedagógicas que considerem as experiências e os conhecimentos construídos pelos estudantes ao longo de suas trajetórias de vida, uma vez que esses saberes constituem a base para a construção de novas aprendizagens significativas (Geraldo; Silva, 2026). Nessa perspectiva, a aprendizagem significativa ocorre quando os novos conhecimentos são relacionados às experiências prévias dos educandos, tornando o processo educativo mais relevante e contextualizado (Fracaro, 2023).

Segundo Geraldo e Silva (2026), promover a aprendizagem significativa na EJA exige práticas que ultrapassem os limites da sala de aula e estabeleçam relações entre os conteúdos escolares, o cotidiano, o trabalho e a cultura dos estudantes. As autoras destacam que as metodologias ativas favorecem esse processo ao possibilitarem a participação dos alunos na construção do conhecimento, contribuindo para o desenvolvimento da autonomia e do pensamento crítico.

De modo semelhante, Cruz et al. (2025) afirmam que a aprendizagem significativa na EJA depende do reconhecimento dos conhecimentos oriundos das experiências de vida, trabalho e cultura dos estudantes. Para os autores, a valorização desses saberes fortalece a autoestima dos educandos e favorece a construção de aprendizagens mais duradouras e aplicáveis à realidade.

As metodologias ativas contribuem significativamente para a promoção da aprendizagem significativa na EJA ao favorecerem a participação ativa dos estudantes na construção do conhecimento. De acordo com Seixas, Santarosa e Ferrão (2020), estratégias como resolução de problemas, análise de situações do cotidiano, mapas conceituais e discussões em grupo possibilitam a articulação entre os conteúdos escolares e as experiências vivenciadas pelos educandos.

Nessa abordagem, o estudante assume papel protagonista no processo de aprendizagem, desenvolvendo autonomia, pensamento crítico e capacidade de aplicar os conhecimentos em situações reais (Fracaro, 2023). Paralelamente, o professor deixa de ser o único detentor do saber e passa a atuar como mediador, organizador e orientador do processo educativo, promovendo condições para que os estudantes construam conhecimentos de forma crítica e contextualizada (Fracaro, 2023; Cruz et al., 2025).

Além disso, a articulação de diferentes materiais e estratégias pedagógicas pode contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico e para o estabelecimento de relações entre os conceitos trabalhados no ambiente escolar e as situações práticas do cotidiano dos estudantes (Seixas; Santarosa; Ferrão, 2020).

Entre as metodologias ativas, a resolução de problemas destaca-se como uma estratégia eficaz para promover a aprendizagem significativa na EJA. Conforme Fracaro (2023), essa abordagem parte dos conhecimentos prévios e da realidade dos estudantes, propondo desafios relacionados ao cotidiano e favorecendo a aplicação prática dos conteúdos estudados.

A contextualização dos conteúdos por meio de situações-problema permite que os educandos compreendam a utilidade do conhecimento escolar, aumentando o interesse, a participação e o engajamento nas atividades de aprendizagem (Fracaro, 2023). Nesse sentido, ao enfrentar problemas contextualizados, os estudantes desenvolvem habilidades de análise, argumentação e tomada de decisão, fortalecendo sua autonomia intelectual e sua capacidade crítica.

A proposta apresentada por Seixas, Santarosa e Ferrão (2020) exemplifica essa perspectiva ao estruturar uma sequência didática composta por diferentes estratégias, como questionário semiestruturado, diário de aula, livro didático, questões do Encceja associadas a situações cotidianas e mapas conceituais, possibilitando a articulação entre teoria e prática.

Diversas metodologias ativas podem contribuir para a promoção da aprendizagem significativa na EJA. Entre elas, Viana, Silva e Rufino (2023) destacam a Etnomatemática, por valorizar os conhecimentos culturais e as formas de raciocínio desenvolvidas pelos estudantes em seu cotidiano. Ao trabalharem a educação financeira como tema gerador, os autores demonstram como situações relacionadas ao orçamento familiar, consumo e renda podem tornar o ensino mais participativo e significativo.

Outra abordagem relevante é a Educação Maker. Segundo Silva e Assunção (2026), essa metodologia fundamenta-se no princípio do aprender fazendo, estimulando os estudantes a experimentar, criar e resolver problemas reais. Ao relacionar os conteúdos escolares às vivências pessoais e profissionais dos educandos, a Educação Maker favorece o desenvolvimento da autonomia, da criatividade, da cooperação e do pensamento crítico.

Além disso, Oliveira (2026) ressalta a importância dos jogos como recurso pedagógico na EJA. Quando planejados de forma intencional, os jogos possibilitam a aplicação prática dos conteúdos curriculares, promovem a interação entre os estudantes e favorecem o desenvolvimento de habilidades cognitivas e sociais. Para a autora, essa estratégia também contribui para o fortalecimento da autoestima e da motivação dos educandos, aspectos fundamentais para a permanência e o sucesso escolar.

De modo geral, os estudos analisados convergem ao afirmar que as metodologias ativas favorecem a aprendizagem significativa na Educação de Jovens e Adultos ao estabelecerem relações entre os conteúdos escolares e as experiências dos estudantes. Essas abordagens promovem maior participação discente, fortalecem a autonomia e o pensamento crítico e possibilitam a aplicação dos conhecimentos em situações concretas do cotidiano (Seixas; Santarosa; Ferrão, 2020; Fracaro, 2023; Cruz et al., 2025; Geraldo; Silva, 2026).

Com o intuito de sintetizar as principais contribuições identificadas na literatura acerca das metodologias ativas para a promoção da aprendizagem significativa na EJA, apresenta-se o Quadro 1.

Quadro 1. Contribuições das metodologias ativas para a aprendizagem significativa na EJA

Autor(es)

Metodologia/Estratégia

Principais contribuições para a EJA

Seixas, Santarosa e Ferrão (2020)

Resolução de problemas, mapas conceituais, discussões em grupo e sequência didática

Relaciona conteúdos escolares às experiências dos estudantes, favorecendo aprendizagem significativa e pensamento crítico.

Fracaro (2023)

Resolução de problemas e contextualização

Valoriza conhecimentos prévios, promove protagonismo discente e aplicação prática dos conteúdos.

Geraldo e Silva (2026)

Projetos, pesquisas, debates e atividades comunitárias

Aproxima a escola da realidade dos estudantes e fortalece a autonomia e o engajamento.

Viana, Silva e Rufino (2023)

Etnomatemática e educação financeira

Valoriza saberes culturais e cotidianos, aproximando teoria e prática.

Cruz et al. (2025)

Projetos, estudos de caso, debates e trabalho colaborativo

Desenvolve autonomia, reflexão crítica e participação ativa dos estudantes.

Silva e Assunção (2026)

Educação Maker

Estimula o aprender fazendo, a criatividade, a cooperação e a resolução de problemas reais.

Oliveira (2026)

Jogos pedagógicos

Favorece motivação, interação, autoestima e aprendizagem contextualizada.

Fonte: Elaborado pelos autores com base em Seixas, Santarosa e Ferrão (2020), Fracaro (2023), Viana, Silva e Rufino (2023), Cruz et al. (2025), Geraldo e Silva (2026), Silva e Assunção (2026) e Oliveira (2026).

Assim, ao reconhecer os saberes prévios dos educandos e promover práticas contextualizadas, colaborativas e investigativas, as metodologias ativas contribuem para que a aprendizagem adquira significado e relevância social, atendendo aos objetivos formativos da Educação de Jovens e Adultos. Além de favorecerem a construção do conhecimento, essas estratégias fortalecem a autonomia, o pensamento crítico e a capacidade dos estudantes de compreender e transformar a realidade em que estão inseridos.

2.5. Desafios e Perspectivas para Implementação das Metodologias Ativas na EJA

As metodologias ativas vêm sendo apontadas pela literatura como estratégias fundamentais para a qualificação do processo de ensino e aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos (EJA), por promoverem a participação ativa dos estudantes e valorizarem seus saberes, experiências de vida e trajetórias socioculturais. Para Cruz et al. (2025), Malta et al. (2025), Rodrigues et al. (2026) e Da Cruz et al. (2025), essas abordagens representam uma mudança significativa em relação ao modelo tradicional de ensino, uma vez que deslocam o foco da simples transmissão de conteúdos para a construção colaborativa do conhecimento, favorecendo o desenvolvimento da autonomia, do pensamento crítico e da formação cidadã.

Nessa perspectiva, as metodologias ativas possibilitam a contextualização dos conteúdos escolares, aproximando-os da realidade dos estudantes e tornando o processo educativo mais significativo. Estratégias como projetos interdisciplinares, resolução de problemas, temas geradores, debates, estudos de caso, jogos educativos e atividades investigativas permitem relacionar os conhecimentos escolares às demandas do cotidiano, do trabalho e da comunidade, contribuindo para uma aprendizagem mais relevante e aplicada (Malta et al., 2025; Kauling, 2025). Além disso, autores como Rocha e Carvalho (2025) destacam que essas abordagens favorecem a valorização dos conhecimentos prévios dos estudantes, elemento essencial para a construção de aprendizagens significativas na EJA.

Experiências desenvolvidas em contextos específicos também evidenciam o potencial dessas metodologias. Queiroz (2023), ao investigar práticas pedagógicas em ambientes prisionais, observou que estratégias como experimentos, resolução de situações-problema e debates em grupo favoreceram o interesse dos estudantes, a compreensão dos conteúdos e o desenvolvimento da autonomia e da autoestima. De forma semelhante, Jahnke (2025) destaca que atividades investigativas e colaborativas contribuem para o fortalecimento da participação dos alunos e para a construção de uma postura mais crítica diante da realidade social.

Apesar das contribuições evidenciadas pela literatura, a implementação das metodologias ativas na EJA ainda enfrenta desafios significativos. Um dos principais obstáculos refere-se à formação docente, frequentemente considerada insuficiente para atender às especificidades dessa modalidade de ensino e para o planejamento de práticas pedagógicas inovadoras (Cruz et al., 2025; Rodrigues et al., 2026; Kauling, 2025; Da Cruz et al., 2025). Muitos professores não tiveram oportunidades de formação voltadas para o uso dessas metodologias ou para a compreensão das particularidades dos sujeitos da EJA, o que dificulta a adoção de práticas mais participativas e contextualizadas.

Outro desafio recorrente diz respeito às condições estruturais das instituições de ensino. A carência de recursos didáticos adequados, às limitações de infraestrutura e a ausência de materiais pedagógicos adaptados à realidade dos jovens e adultos comprometem a implementação efetiva dessas estratégias (Rodrigues et al., 2026; Queiroz, 2023; Rocha; Carvalho, 2025). Soma-se a isso a permanência de currículos rígidos e pouco contextualizados, que dificultam a flexibilização necessária para a realização de atividades mais investigativas e colaborativas (Kauling, 2025; Da Cruz et al., 2025).

Além dos fatores institucionais, as próprias condições de vida dos estudantes representam desafios importantes para a consolidação das metodologias ativas. Muitos alunos da EJA conciliam estudo, trabalho e responsabilidades familiares, enfrentando dificuldades relacionadas ao tempo disponível para os estudos, à frequência escolar e à participação em atividades que exigem maior envolvimento e continuidade (Rodrigues et al., 2026; Da Cruz et al., 2025). A heterogeneidade das turmas, característica marcante dessa modalidade, também exige do professor um planejamento flexível e sensível às diferentes trajetórias, ritmos e necessidades de aprendizagem dos educandos (Jahnke, 2025).

Diante desses desafios, a literatura aponta diversas perspectivas para a ampliação e consolidação das metodologias ativas na EJA. Entre elas, destacam-se os investimentos em formação continuada específica para os docentes, a reorganização dos tempos e espaços escolares, a flexibilização curricular e a produção de materiais didáticos adequados às características desse público (Kauling, 2025; Rodrigues et al., 2026; Da Cruz et al., 2025). Também se evidencia a necessidade de políticas públicas que reconheçam a identidade própria do EJA e garantam condições estruturais para o desenvolvimento de práticas pedagógicas inovadoras e inclusivas.

Nesse sentido, a adoção de metodologias ativas deve ser compreendida não apenas como uma estratégia didática, mas como uma possibilidade de transformação educacional e social. Ao promover a participação dos estudantes, valorizar seus conhecimentos e aproximar os conteúdos escolares de suas experiências de vida, essas abordagens contribuem para fortalecer a permanência na escola, a autonomia intelectual, a formação cidadã e a inclusão social. Assim, mesmo diante dos desafios existentes, as perspectivas apontam para a consolidação de práticas pedagógicas mais democráticas, contextualizadas e significativas na Educação de Jovens e Adultos.

3. METODOLOGIA

3.1. Tipo de Estudo

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão sistemática da literatura, de abordagem qualitativa, natureza descritiva e analítica, cujo objetivo foi reunir, analisar e discutir produções científicas relacionadas à utilização das metodologias ativas na Educação de Jovens e Adultos (EJA), com ênfase em suas contribuições para a promoção da aprendizagem significativa, desenvolvimento da autonomia, participação discente e formação crítica dos estudantes.

A escolha pela revisão sistemática justifica-se pela necessidade de sistematizar o conhecimento científico disponível acerca das metodologias ativas aplicadas à EJA, considerando a crescente produção acadêmica sobre práticas pedagógicas inovadoras voltadas para esse público. Dessa forma, busca-se compreender como diferentes estratégias metodológicas vêm sendo utilizadas para favorecer processos de ensino e aprendizagem mais contextualizados, participativos e significativos.

O delineamento metodológico foi fundamentado em referenciais voltados à condução de revisões sistemáticas da literatura, priorizando critérios de rigor científico, transparência e reprodutibilidade. Para tanto, foram adotados procedimentos sistematizados de busca, seleção, avaliação e análise das produções científicas, assegurando a consistência dos resultados obtidos.

Além disso, o processo de levantamento e seleção dos estudos foi orientado pelas recomendações do protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), conforme atualização proposta por Page et al. (2021), visando garantir maior rigor metodológico e transparência nas etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos analisados.

3.2. Bases de Dados e Estratégia de Busca

O levantamento bibliográfico foi realizado em bases de dados nacionais e internacionais amplamente utilizadas nas áreas de educação, formação docente e metodologias de ensino. As principais fontes consultadas foram Google Scholar (Google Acadêmico), SciELO, Portal de Periódicos CAPES, ERIC (Education Resources Information Center) e Scopus.

Para a realização das buscas foram utilizados descritores em português e inglês, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR. Entre os principais termos empregados destacam-se: “metodologias ativas”, “aprendizagem significativa”, “Educação de Jovens e Adultos”, “EJA”, “ensino de jovens e adultos”, “formação cidadã”, “active methodologies”, “active learning”, “meaningful learning”, “youth and adult education”, “adult education” e “student-centered learning”.

O recorte temporal contemplou publicações entre os anos de 2014 e 2026, período marcado pela ampliação das discussões sobre metodologias ativas e inovação pedagógica no contexto educacional. Complementarmente, foram analisadas as referências bibliográficas dos estudos selecionados, com o objetivo de identificar trabalhos relevantes não localizados nas buscas iniciais.

3.3. Critérios de Inclusão e Exclusão

Foram incluídos estudos que abordassem diretamente a utilização de metodologias ativas na Educação de Jovens e Adultos, suas contribuições para a aprendizagem significativa, desenvolvimento da autonomia, participação dos estudantes e formação crítica.

Também foram considerados artigos científicos, revisões de literatura, dissertações, teses, capítulos de livros e documentos acadêmicos publicados em português ou inglês, disponíveis na íntegra e provenientes de fontes científicas reconhecidas.

Foram excluídos trabalhos que não apresentavam relação direta com a temática proposta, estudos voltados exclusivamente para outras modalidades de ensino sem discussão aplicável à EJA, documentos duplicados, resumos simples de eventos científicos, artigos de opinião e produções que não apresentavam informações metodológicas suficientes para análise.

3.4. Processo de Seleção dos Estudos

O processo de seleção dos estudos foi conduzido de acordo com as etapas propostas pelo protocolo PRISMA. Inicialmente, realizou-se a identificação das produções científicas por meio das estratégias de busca aplicadas nas bases de dados selecionadas.

Na etapa de triagem, foram analisados os títulos, resumos e palavras-chave dos estudos encontrados, verificando sua adequação aos objetivos da pesquisa. Posteriormente, os trabalhos potencialmente relevantes foram submetidos à leitura integral, compondo a etapa de elegibilidade.

Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, os estudos considerados pertinentes foram incorporados à revisão final e utilizados na construção do referencial teórico e da discussão dos resultados. O processo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos foi representado por meio de fluxograma adaptado do protocolo PRISMA (Figura 1).

Figura 1. Fluxograma do processo de seleção dos estudos segundo PRISMA.

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

O fluxograma apresentado na Figura 1 descreve detalhadamente o processo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos, conforme recomendações do protocolo PRISMA.

3.5. Avaliação das Produções Selecionadas

Os estudos incluídos na revisão foram submetidos à análise qualitativa, considerando aspectos como objetivos da pesquisa, abordagem metodológica, estratégias de metodologias ativas utilizadas, público-alvo, contexto de aplicação e principais resultados apresentados.

Também foram analisadas informações relacionadas às contribuições das metodologias ativas para a aprendizagem significativa, ao desenvolvimento da autonomia dos estudantes, à participação discente, ao papel do professor como mediador e aos desafios encontrados para a implementação dessas estratégias na Educação de Jovens e Adultos. Essa etapa permitiu identificar convergências, divergências, tendências investigativas e lacunas científicas relacionadas à utilização das metodologias ativas no contexto da EJA.

3.6. Procedimentos de Análise e Organização dos Dados

As informações extraídas dos estudos selecionados foram organizadas em quadros sínteses contendo dados referentes à autoria, ano de publicação, objetivo do estudo, metodologia empregada, estratégias de metodologias ativas utilizadas e principais resultados encontrados.

A análise foi realizada por meio de categorização temática, contemplando os seguintes eixos: fundamentos das metodologias ativas na Educação de Jovens e Adultos; aprendizagem significativa e valorização dos saberes prévios; estratégias metodológicas aplicadas à EJA; contribuições para a autonomia e o pensamento crítico; e desafios e perspectivas para implementação das metodologias ativas.

Com base nessas categorias, foi elaborada uma síntese interpretativa das evidências científicas disponíveis, possibilitando compreender as contribuições das metodologias ativas para a promoção da aprendizagem significativa e para a construção de práticas pedagógicas mais inclusivas, participativas e contextualizadas na Educação de Jovens e Adultos.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A busca realizada nas bases de dados Google Scholar, SciELO, Portal de Periódicos CAPES, ERIC e Scopus resultou na identificação de estudos que abordam a utilização de metodologias ativas na Educação de Jovens e Adultos (EJA), especialmente no que se refere à promoção da aprendizagem significativa, ao protagonismo discente e ao desenvolvimento da autonomia dos estudantes. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos na metodologia, foram selecionadas produções científicas que apresentavam relação direta com a temática investigada e contribuem para a compreensão das potencialidades e limitações dessas abordagens no contexto da EJA.

A análise dos estudos evidenciou que as metodologias ativas têm sido amplamente reconhecidas como estratégias capazes de tornar o processo de ensino e aprendizagem mais participativo, contextualizado e significativo. Os trabalhos analisados convergem ao afirmar que a aprendizagem ocorre de forma mais efetiva quando os conteúdos escolares são relacionados às experiências de vida, trabalho e cultura dos estudantes, aspecto particularmente relevante na Educação de Jovens e Adultos, cuja característica central é a diversidade de trajetórias e saberes acumulados ao longo da vida (Cruz et al., 2025; Geraldo; Silva, 2026). Os principais achados da literatura analisada estão sintetizados na Tabela 1, a qual apresenta as contribuições e desafios das metodologias ativas na EJA.

Tabela 1. Principais contribuições e desafios das metodologias ativas na EJA.

Aspectos analisados

Evidências encontradas

Aprendizagem significativa

Relação entre conteúdos escolares e experiências dos estudantes.

Protagonismo estudantil

Participação ativa na construção do conhecimento.

Desenvolvimento da autonomia

Maior capacidade de tomada de decisões e resolução de problemas.

Pensamento crítico

Reflexão sobre situações do cotidiano e da realidade social.

Motivação e permanência escolar

Aumento do interesse e do engajamento dos estudantes.

Formação docente

Necessidade de capacitação específica para uso das metodologias ativas.

Infraestrutura escolar

Limitações de recursos materiais e tecnológicos.

Flexibilização curricular

Necessidade de currículos mais contextualizados e adaptáveis.

Fonte: Dados dos autores (2026).

Conforme apresentado na Tabela 1, observa-se que as metodologias ativas promovem benefícios relacionados à aprendizagem significativa, ao protagonismo estudantil e ao desenvolvimento da autonomia, embora ainda enfrentam desafios ligados à formação docente e à infraestrutura escolar.

Entre as metodologias mais frequentemente identificadas nos estudos selecionados destacam-se a resolução de problemas, os projetos investigativos, os estudos de caso, os debates, os jogos pedagógicos, os mapas conceituais, a Educação Maker e as práticas fundamentadas na Etnomatemática. Essas estratégias foram apontadas como instrumentos eficazes para estimular a participação dos estudantes, promover a reflexão crítica e favorecer a aplicação dos conhecimentos em situações concretas do cotidiano. Conforme observado por Fracaro (2023), a resolução de problemas permite que os educandos estabeleçam relações entre os conteúdos escolares e desafios presentes em sua realidade, favorecendo a construção de aprendizagens mais significativas e duradouras.

Outro aspecto recorrente identificado na literatura refere-se ao fortalecimento do protagonismo estudantil. Os estudos demonstram que as metodologias ativas contribuem para deslocar o estudante da condição de receptor passivo de informações para uma posição de sujeito ativo na construção do conhecimento. Nesse sentido, os educandos passam a participar de forma mais efetiva das atividades propostas, desenvolvendo autonomia, capacidade de tomada de decisão, pensamento crítico e responsabilidade sobre seu próprio processo de aprendizagem (Urban; Frasson, 2025; Assunção; Cruz; Ribeiro, 2024).

Os resultados também evidenciam que a valorização dos conhecimentos prévios constitui um dos principais fatores responsáveis pela eficácia das metodologias ativas na EJA. Os estudos analisados destacam que o reconhecimento das experiências pessoais, profissionais e socioculturais dos estudantes favorece o estabelecimento de conexões entre os novos conteúdos e os conhecimentos já existentes, condição essencial para a ocorrência da aprendizagem significativa. Essa constatação corrobora os pressupostos teóricos de Ausubel, ao indicar que a aprendizagem torna-se mais relevante quando novos conceitos são integrados às estruturas cognitivas previamente construídas pelos educandos.

No que se refere ao papel docente, os estudos analisados apontam uma transformação significativa das funções tradicionalmente atribuídas ao professor. Em vez de atuar exclusivamente como transmissor de conteúdos, o docente passa a desempenhar o papel de mediador da aprendizagem, organizando situações didáticas que estimulem a investigação, o diálogo, a colaboração e a reflexão crítica. Essa mudança favorece a construção coletiva do conhecimento e amplia as possibilidades de participação dos estudantes, contribuindo para a consolidação de práticas pedagógicas mais democráticas e inclusivas (Silva; Assunção, 2026).

A análise das produções também revelou impactos positivos das metodologias ativas sobre a motivação, a autoestima e a permanência dos estudantes na escola. Diversos autores destacam que muitos educandos da EJA retornam ao ambiente escolar após experiências marcadas por interrupções dos estudos, dificuldades socioeconômicas ou vivências de fracasso escolar. Nesse contexto, estratégias que valorizam seus conhecimentos e promovem sua participação ativa tendem a fortalecer a confiança, o interesse e o sentimento de pertencimento ao ambiente educacional (Malta et al., 2025; Da Cruz et al., 2025).

Entretanto, apesar dos benefícios identificados, a literatura também evidencia importantes desafios para a implementação efetiva das metodologias ativas na Educação de Jovens e Adultos. Entre os obstáculos mais citados destacam-se a insuficiência da formação docente voltada para essas práticas, a limitação de recursos didáticos e tecnológicos, as condições estruturais inadequadas das instituições de ensino e a rigidez curricular. Tais fatores dificultam a adoção de estratégias mais participativas e comprometem a consolidação de propostas pedagógicas inovadoras (Rodrigues et al., 2026; Kauling, 2025).

Além disso, aspectos relacionados ao perfil dos estudantes da EJA também foram identificados como desafios para o desenvolvimento dessas metodologias. Muitos educandos conciliam trabalho, responsabilidades familiares e estudos, enfrentando dificuldades para manter a frequência escolar e participar de atividades que demandam maior envolvimento e continuidade. A heterogeneidade das turmas, marcada por diferenças de idade, escolarização prévia e experiências de vida, exige dos professores planejamento flexível e capacidade de adaptação das estratégias pedagógicas às necessidades dos diferentes sujeitos envolvidos no processo educativo (Jahnke, 2025).

Apesar dessas limitações, os estudos analisados apontam perspectivas promissoras para a ampliação das metodologias ativas na EJA. Entre as recomendações mais frequentes destacam-se o investimento em formação continuada de professores, a flexibilização curricular, a ampliação dos recursos pedagógicos disponíveis e a implementação de políticas públicas voltadas às especificidades dessa modalidade de ensino. Tais medidas podem contribuir para a consolidação de práticas pedagógicas mais significativas, inclusivas e alinhadas às necessidades dos estudantes jovens e adultos.

De modo geral, os resultados desta revisão sistemática demonstram que as metodologias ativas constituem estratégias relevantes para a promoção da aprendizagem significativa na Educação de Jovens e Adultos. Ao valorizarem os conhecimentos prévios dos estudantes, estimularem sua participação ativa e aproximarem os conteúdos escolares das situações vivenciadas em seu cotidiano, essas abordagens favorecem o desenvolvimento da autonomia, do pensamento crítico e da formação cidadã. Assim, embora ainda existam desafios relacionados à sua implementação, as evidências encontradas indicam que as metodologias ativas representam importantes possibilidades para a construção de uma educação mais democrática, participativa e transformadora no contexto da EJA.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão sistemática da literatura, as contribuições das metodologias ativas para a promoção da aprendizagem significativa na Educação de Jovens e Adultos (EJA), identificando suas principais estratégias, potencialidades, desafios e perspectivas de aplicação no contexto educacional.

Os resultados obtidos evidenciam que as metodologias ativas constituem abordagens pedagógicas relevantes para a EJA, uma vez que favorecem a participação ativa dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem, promovem a valorização dos conhecimentos prévios e contribuem para o desenvolvimento da autonomia, do pensamento crítico e do protagonismo discente. Além disso, tais metodologias permitem maior articulação entre os conteúdos escolares e as experiências de vida, trabalho e cultura dos educandos, tornando o processo educativo mais significativo e contextualizado.

A análise da literatura também demonstrou que estratégias como resolução de problemas, projetos investigativos, estudos de caso, jogos pedagógicos, Educação Maker e Etnomatemática apresentam potencial expressivo para fortalecer o engajamento dos estudantes da EJA, ampliando a motivação, a autoestima e a permanência escolar. Nesse sentido, o estudante passa a ocupar uma posição central no processo de aprendizagem, enquanto o professor assume o papel de mediador, facilitador e organizador de situações didáticas mais dinâmicas e participativas.

Entretanto, apesar das contribuições identificadas, ainda existem desafios importantes para a consolidação dessas práticas no contexto da EJA, especialmente relacionados à formação docente, às limitações de infraestrutura escolar, à escassez de recursos pedagógicos e à rigidez curricular. Soma-se a isso a heterogeneidade do público da EJA, que exige planejamento pedagógico flexível e sensível às diferentes trajetórias e condições de vida dos estudantes.

Diante disso, destaca-se a necessidade de investimentos em formação continuada de professores, reorganização curricular e ampliação de políticas públicas voltadas à EJA, de modo a garantir condições adequadas para a implementação de práticas pedagógicas inovadoras e inclusivas.

Conclui-se que as metodologias ativas representam uma alternativa significativa para a qualificação do processo de ensino e aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos, contribuindo para uma educação mais democrática, participativa e alinhada às necessidades dos sujeitos dessa modalidade. Assim, sua adoção pode fortalecer não apenas o desempenho acadêmico, mas também a formação cidadã e a inclusão social dos educandos.

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1 Doutoranda em Geografia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Discente do Curso de licenciatura em Pedagogia - Anhanguera. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Doutorando em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Discente do Curso de Pós-graduação em Agricultura e Ambiente na Universidade Federal de Alagoas Campus Arapiraca. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Discente do Curso Superior de Licenciatura em Geografia na Universidade Estadual de Alagoas Campus Palmeira dos índios. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

6 Mestra em Agroecossistema pela Universidade Tecnólogica Federal do Paraná (UTFPR). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

7 Discente do Curso Superior de Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Estadual de Alagoas Campus Palmeira dos Índios. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mailm

8 Discente do Curso de Pós-graduação em Agricultura e Ambiente na Universidade Federal de Alagoas Campus Arapiraca. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

9 Discente do Curso de Pós-graduação em Agricultura e Ambiente na Universidade Federal de Alagoas Campus Arapiraca. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

10 Especialista em Educação Infantil e Anos Iniciais pela (FACULESTE). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

11 Especialista em Ensino da Biologia pela Universidade de Pernambuco. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail