MARIA: FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS E DA TRADIÇÃO CATÓLICA. UM DOGMA DE FÉ

MARY: THEOLOGICAL FOUNDATIONS AND CATHOLIC TRADITION. A DOGMA OF FAITH

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/787849268

RESUMO
Essa laboração tem o fito de expressar o crescimento da fé e, igualmente, a importância da Mariologia para a economia da salvação. Uma vez que, através da tradição e, sem dúvidas, através da escritura observa–se a participação fundamental em Maria, a Mater Dei, no apontar a Jesus, como filho de Deus. Destarte, esta fundamentação e tradição não seriam possíveis sem o aprofundamento dos estudiosos pretéritos, aos doutores da Igreja e, inegavelmente ao comprometimento da própria Igreja. A Palavra de Deus aponta Maria como a escolhida. Que o “Fiat” da Mater Dei, teve papel fundamental na economia da salvação. Através da fundamentação na Palavra restou provado que seus dogmas e fundamentações tornam cristalino que Maria é a mãe de Deus. Que a o estudo da Mariologia, em absoluto, aponta Jesus como Senhor. Perpassando os dogmas marianos poderão ser compreendidas as suas fundamentações bíblicas, teológicas e, inclusive, o senso dos fiéis e a importância destes para a proclamação dos dogmas. No percurso de leitura deste artigo o leitor irá conhecer passagens da sagrada escritura que atestam os dogmas, bem como escritores, livros e teólogos que já preteritamente escreveram sobre o tema. É sabido ainda que após o Concílio Vaticano II teve papel determinante na devoção mariana. Confirmando Maria como modelo de fé, devoção a Jesus e entrega tendo, desta forma, participação única na economia da salvação.
Palavras-chave: Maria; Dogmas Marianos; Mariologia; Religiosidade Popular; Igreja Católica.

ABSTRACT
This study aims to articulate the growth of faith and the importance of Mariology within the economy of salvation. Through both Tradition and Scripture, one observes the fundamental role of Mary—the *Mater Dei* (Mother of God)—in pointing to Jesus as the Son of God. Such theological grounding and tradition would not have been possible without the in-depth work of past scholars and Doctors of the Church, as well as the unwavering commitment of the Church itself. The Word of God identifies Mary as the Chosen One, and the *Fiat* of the *Mater Dei* played a pivotal role in the economy of salvation. Grounded in the Word, it is demonstrated that the Church's dogmas and theological foundations make it abundantly clear that Mary is the Mother of God. Furthermore, the study of Mariology invariably points to Jesus as Lord. An examination of the Marian dogmas reveals their biblical and theological foundations, as well as the *sensus fidelium* (sense of the faithful) and its importance in the proclamation of these dogmas. Throughout this article, the reader will encounter scriptural passages that attest to these dogmas, alongside the works of past writers, authors, and theologians who have addressed the subject. It is also acknowledged that the Second Vatican Council played a decisive role in Marian devotion, affirming Mary as a model of faith, devotion to Jesus, and total surrender, thereby highlighting her unique participation in the economy of salvation.
Keywords: Mary; Marian Dogmas; Mariology; Popular Religiosity; Catholic Church.

1. INTRODUÇÃO

Estudar a Mariologia é capital para o entendimento da economia da salvação. No decorrer dos séculos, os sentidos mariológicos foram estudados e apresentados na tradição, na Sagrada Escritura, através dos estudiosos e, inclusive, através dos fiéis.

Maria é figura ímpar na história da salvação e desta forma, toda a sua reflexão e estudo devem ser orientados pelo mistério de Cristo, O estudo de Maria e seus Dogmas evidencia a importância de Maria para a centralidade da salvação em Jesus Cristo.

Neste fito, a pesquisa dedicou–se a auscultar textos bíblicos, documentos da igreja, escritos em livros, com o intuito de fundamentar a certeza de que Maria, desde sempre, foi escolhida para ser a Mãe de Deus. E que desde o Antigo Testamento ela já referenciada como a mãe de Deus. Este estudo visa ajudar a demonstrar que a Mariologia aproxima os homens de Deus. Estreitando os laços de pai e filho. Criador e criatura, uma vez que, humaniza Deus. Que se fez homem através de uma mulher, Maria.

Ao estudar a Mariologia, vemos que, Deus quis ter uma família para o filho. Desejou nascer de uma mulher, virgem, remida do pecado, para que essa mulher, anunciada desde a criação fosse a Mãe de Deus.

É cristalino, no estudo mariano, que Maria não é o centro da Igreja, tampouco é a mais importante. Merecedora de adoração. Pelo contrário, Maria, Mãe de Deus, é a primeira a apontar que em Jesus, seu filho, o próprio Deus, está à razão da salvação e o local de adoração. Ademais, toda a importância do culto mariano e da Mariologia está nisso, mesmo sendo a mãe de Deus, faz–se humilde a mostra que apesar de os fiéis lhe dotarem de especial relevância, a verdadeira importância e o centro de tudo encontram-se em seu filho Jesus. O Concílio de Éfeso (431) foi fundamental para a centralidade de Maria. Onde, nesta produção será estudado, reconheceu Maria como Theotokos, reconhecimento decisivo e fundamental para a estrutura dos estudos marianos. No concílio Vaticano II (1964) influenciou a compreensão da espiritualidade mariana. Papa Paulo VI firmou critérios para que as devoções e dogmas marianos fossem fundamentadas na Sagrada Escritura.

O objetivo geral consiste em verificar e analisar os fundamentos bíblicos, teológicos e da tradição do magistério da Igreja sobre a devoção mariana em seus dogmas. Identificar e apontar fundamentos bíblicos onde confirmam os dogmas marianos na Igreja Católica e a importância dos Dogmas na religiosidade cristã católica.

Para que os objetivos possam ser alcançados durante esta produção serão abordadas passagens bíblicas onde apontam os dogmas marianos fundamentados conforme determinava Paulo VI enfatizava em 1974, apresentar as fundamentações teológicas da Igreja quanto aos seus Dogmas Marianos e identificar na tradição da Igreja os seus fundamentos.

2. METODOLOGIA

A pesquisa proposta e abordada neste artigo foi realizada através de um procedimento elaborado bibliográfico, tendo como característica os objetivos de forma exploratória e qualitativa.

Esta pesquisa sendo de caráter exploratório como sabido é realizada através de materiais já elaborados e publicados através de livros, artigos, revistas para que através dos estudos e análises possam formular e explanar hipóteses e certezas relacionadas ao tema central estudado (Gil, 2010).

Como o objetivo do presente artigo é desenvolver e compreender os aspectos e características do tema, visando preservar a sua importância para futuros estudos, fora realizado uma vasta pesquisa bibliográfica.

Corroborando com o aludido anteriormente, Marconi e Lakatos (2011, p. 43):

[...] um procedimento formal com método de pensamento reflexivo que requer um tratamento científico e se constitui no caminho para se conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais. Significa muito mais do que apenas procurar a verdade: é encontrar respostas para questões propostas, utilizando métodos científicos.

De acordo com Gil (2019), a pesquisa bibliográfica possibilita estabelecer diálogo critico com produções científicas já existentes com novas pesquisas. Desta forma, permite compreender e identificar o fenômeno estudado. Observando suas convergências e divergências e preencher possíveis lacunas.

No intuito de realizar esta pesquisa a revisão bibliográfica permeou obras clássicas dedicadas ao magistério da Igreja e à Mariologia onde podemos observar autores reconhecidos como Boff (2019), Coyle (2012), Hahn (2015), De Fiores (1995).

Em paralelo fora realizado investigação documental de fontes primárias do magistério da Igreja Católica, tais como o Catecismo da Igreja Católica (1997), Constituição Dogmática Lumen Gentium (CV II, 1964), A Exortação Apostólica de 1974 do Papa Paulo VI “Exortação Apostólica Marialis Cultis” entre outras fontes documentais oficiais da Igreja.

Esta seleção estudada foi elencada através de critérios temáticos e sua relevância para a produção e ao tema selecionado pára estudo. Onde a primazia estava nas Sagradas Escrituras e fontes primárias documentais da Igreja. Em contínuo os demais documentos da Igreja, obras literárias de autores reconhecidos e artigos temáticos.

Para melhor entendimento e organização, o corpus documental deste estudo foi analisado e apresentado em eixos temáticos: (i) o que são Dogmas, (ii) Dogmas Marianos, (iii) A Maternidade Divina, (iv) Virgindade Perpétua, (v) Imaculada Conceição (vi) Assunção de Maria.

Salienta-se que tal estudo realizado através de investigações documentais não tem a pretensão de avaliar práticas religiosas de forma empírica e, igualmente, não pretende analisar comportamentos religiosos de fiéis da Igreja Católica. O propósito fim desta produção consiste em analisar os fundamentos que constituem os Dogmas Marianos de maneira teológica na fé católica.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1. O Que São Dogmas

A palavra dogma tem sua origem na língua grega, desta forma, dogma significa decisão e/ou opinião. Estudiosos pretéritos e primeiros escritores da Eclésia usavam a palavra dogma para representar o conjunto de ensinamento conferido pela Igreja.

Aos poucos, a Igreja, conseguiu esclarecer o verdadeiro sentido da palavra dogma em nossa Igreja. Desta forma, em uma linguagem atual o magistério eclesial afirma que todo dogma é uma doutrina na qual a própria Igreja com seu juízo e magistério universal e ordinário, aventa uma verdade revelada e infalível, de forma que, a negação deste dogma por parte de um fiel pode ser considerada até mesmo uma heresia.

Estabelecidos pela doutrina e magistério da Igreja, os dogmas são verdades inequívocas de fé, contidas dentro da tradição da Igreja e, inclusive, na Bíblia.

“O magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define os dogmas, ou seja, quando utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdade contidas na revelação divina ou ainda verdades que com estas tem uma relação necessária. (Catecismo da Igreja Católica, Nֻº 88)

Na Igreja, não há dúvidas, que os dogmas têm suma importância, uma vez que, ajudam os cristãos a manterem – se firmes na fé.

“Os dogmas são como placas que apontam o caminho da nossa fé. Foram criados para ajudar o povo a manter se rumo ao Santuário Vivo, que é Jesus.” (CNBB. Com Maria, Rumo ao Novo Milênio. P. 81).

Neste estudo, vamos nos manter e buscar entender mais especificamente sobre os quatros dogmas marianos

3.2. Dogmas Marianos

Importante salientar que os dogmas marianos mostram a importância de Maria para nossa Igreja Católica, bem como, para a nossa Fé.

“Os dogmas marianos glorificam Maria. Ela é exaltada precisamente em sua insignificância e simplicidade e é por intermédio dos insignificantes, dos pobres – como Maria e os que ela declara libertados – que o Reino se torna realidade entre nós. Em toda a longa tradição cristã, os dogmas marianos concentram nossa atenção na glória de Deus que brilha sobre a mãe de Jesus” Kathleen Coyle (2012).

Sabe – se que os dogmas marianos foram definidos e confirmados pela Igreja em momentos diferentes, contexto e situações históricas diferentes.

3.2.1. Maternidade Divina

Primeiro e mais antigo dos dogmas marianos: A Maternidade Divina de Maria. Dogma este que tem uma importância central e decisiva para os estudos dos dogmas, inclusive, para a economia da salvação.

Surgiu, também, como reação às pregações de Nestório (380-421), um dos patriarcas de Constantinopla. Nestório tornou–se um herege afirmando que Cristo possuía duas naturezas unidas, mas, porém, Maria era apenas a Mãe de Jesus Homem.

Como citado, este é o primeiro dogma mariano da Santa Igreja, datado em 22 de junho 431 D.C. No distante Concílio de Éfeso, que vem nos confirmar como verdade de fé que Maria é verdadeiramente a mãe de Deus, Mater Dei em Latim, ou Theotókos em grego.

Desde os primeiros anos após a morte de Jesus inúmeros padres como Inácio (107), Orígenes (254), João Crisóstomo (400) já utilizavam a nomenclatura Theotókos em grego ou Mater Dei em latim, ambas as palavras significam mãe de Deus.

No Concílio de Éfeso fora ratificado a unidade do reconhecer Maria como mãe de Deus (Theotókos).

Maria é progenitora de Deus porque o Logos encarnado é verdadeiro Deus, porque não se perde sua natureza divina por causa da união com a natureza humana nem é limitada de qualquer forma. Maria é progenitora de Deus, porque deu à luz o logos divino “segundo a carne”, porque deu a vida a um ser humano. (Muller; Sattler, 2009, p.162)

Sem dúvidas, a maternidade divina de Maria, constitui o título mais importante. Deus encarnado quis comunicar–se com seu povo. Corroborando com isso, Dom Murilo nos diz:

“Deus quer ser homem, isto é, deseja autocomunicar-se. Maria é o meio escolhido por Deus para a encarnação de seu Filho. Os caminhos de Deus e da humanidade cruzam-se nela. O que valoriza a participação de Maria é sua liberdade: livremente dá a Deus o seu ‘sim’. Não se pode aceitar um Deus encarnado sem aceitar Maria que lhe deu a carne humana” (Dom Murilo S. R. Krieger)

Na literatura cristã, a primeira menção do título Mãe de Deus (“Theotókos”), segundo estudiosos, surgiu nos escritos de Orígenes de Alexandria. São João Damasceno (675-749) explicava o dogma assim:

“Nós dizemos que Deus nasceu de Maria, não no sentido de que a divindade do Verbo dependia de Maria, mas no sentido de que o Verbo, o qual, fora antes do tempo, nasceu do Pai, é eterno como o Pai e o Espírito Santo; na plenitude dos tempos viveu no seu seio, para nossa salvação e sem mudança, tornou carne e nasceu dela. A virgem não gerou simplesmente um homem, mas um verdadeiro Deus, Deus não sem carne, mas feito de carne”.

Como citado supra, pode – se ser observado às fundamentações da tradição. Mas, O Dogma da Maternidade Divina de Maria tem sólidas e profundas fundamentações bíblicas. Possuindo diversas citações diversos livros da Bíblia e, obviamente, nos evangelhos.

Neste fito, infra, abordar – se – á algumas das passagens nas quais os evangelistas relatam sobre a Maternidade de Maria. Para que, desta forma, seja compreendido o papel da Mariologia na economia da salvação. Destarte, citar –se – á determinadas passagens, porém, há outras na Palavra de Deus.

Mateus, em seu Evangelho, faz – se saber que Maria é a mãe do filho de Deus, Mesmo ela sendo uma humilde menina, prometida a seu noivo, José. Que Maria, mesmo sendo virgem, daria a luz ao filho de Deus.

Mateus 1, 23 - "Eis que uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Isaias 7,14), que significa: Deus conosco."

Confirmando o que Deus Pai já prometia através do profeta no Antigo Testamento:

Isaias 7,14 - "Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará ‘Deus Conos­co’.”

Neste fito, Lucas, em seu escrito vem dizer:

Lucas 1,32 - Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,*

Prosseguindo a leitura deste capítulo de Lucas:

Lucas 1,35 - Respondeu-lhe o anjo: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso, o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.

Em suma, ainda neste capítulo podemos observar o maior título dogmático de Maria no momento da visitação a sua prima Isabel

Lucas 1, 43 “Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?"

Esta perícope nos revela que Isabel, cheia do Espírito Santo (Lc 1,41), age como verdadeira profetisa ao anunciar que no ventre de Maria está o Salvador. Aqui, reside o papel de Maria na economia da salvação, ser a Mãe do Salvador, testemunha e partícipe do mistério fundamental da fé.

Já na segunda metade do seu evangelho, João, anuncia de Maria lindíssima Maria a mãe de Jesus aos pés da cruz. De Pé. Firme. Apresentando a maternidade divina e também o sofrimento de seu filho na crucificação. Ainda com sua Mãe aos pés da cruz de seu filho Jesus, o Filho de Deus, os discípulos recebem Maria como sua mãe.

Ademais, o Novo Testamento utiliza a expressão Mãe de Jesus, em sua maioria de relatos, para se referir a nossa senhora. Maria, exemplo inexorável, mulher confiante na graça e no poder de Deus. O fiat de Maria, a Mãe de Deus, nos mostra que deve – se fazer a vontade do Senhor. Que Deus está sempre a atuar e agir naqueles que abrem – se a vontade D’Ele.

Por Derradeiro, no “Diálogo com Trifão” de Justino Mártir o reconhecimento de que o salvador deveria vir através de uma mulher conforme segue.

Ele se chamava a si mesmo Filho do Homem, seja por causa do seu nascimento de uma virgem que era, como já disse da descendência de Davi, Jacó, Isaac e Abraão, seja porque o próprio Adão é pai desses que acabo de enumerar, dos quais Maria tem a sua origem. (JUSTINO, 2016, p. 169)

É sabido que Maria, desde sempre, foi a escolhida e agraciada para ser a Mãe de Deus. A grandeza da maternidade divina tem como fonte a grandeza do próprio filho de Deus (Paredes 2011).

3.2.2. A Virgindade Perpétua

Este dogma como todos os outros é vinculado à participação de Maria, a Mater Dei, no plano de salvação através de seu filho Jesus. Destarte, tem participação fundamental na economia da salvação e na cristologia.

Este dogma, da virgindade perpétua, não é atestado em todos os evangelhos da sagrada escritura. Mas, podemos as fontes bíblicas a nós, informada, pelos evangelistas Mateus e Lucas.

Mateus, vai nos dizer que não houve coabitação entre Maria e José.

Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. Mt 1,18.

Que a virgem dará à luz um filho concebido pelo espírito santo. Sem que seu noivo José a tivesse conhecido.

Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Eis que uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7,14) que significa: Deus conosco. E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu a luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus (Mt 1, 20.23.25).

Lucas, em seu evangelho relata a surpresa e a dúvida de Maria de como isso se procederá, pois, ela não conhece homem. Vemos aqui que Maria teve o pensamento inicialmente humano, porém, após a fala do anjo em dizer que ela conceberia sob a ação do espírito santo para ser a mãe do filho de Deus ela deu o seu Fiat, simples, sincero e obediente a Deus.

Maria perguntou ao anjo: “Como se fará isso, pois não conheço homem?” E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo,; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. (Lc 1,34-35)

De acordo com Boff (2010) as principais afirmações que definem a virgindade de Maria são os credos apostólicos, o Concílio de Constantinopla II e o de Latrão.

Nos credos apostólicos no qual se professa que Jesus “Nasceu da Virgem Maria”. No Concílio de Constantinopla II, no ano de 553, foi a primeira vez que a Igreja oficialmente afirmou que Maria, a mãe de Deus, como Aeiparthrnos, a sempre virgem. A Igreja, em seu Concílio de Latrão no ano de 649, definiu como um dogma, uma verdade de fé virgindade perpetua da mãe de Deus.

O Papa Paulo IV, em sua bula “Cum quorumdam hominum”, 1555 afirmou que Nossa Senhora é sempre virgem, isto é, é virgem antes do parto, no parto e depois do parto. O dogma da virgindade perpétua de Maria tem fundamentação bíblica.

Ao estudar a história da Igreja, seus textos iniciais, documentos dos santos padres podem ser observados que estes utilizaram as palavras, virgem e mãe de Deus mais de milhares de vezes. Isto feito não somente pelos escritos dos santos padres, mas, igualmente, era senso comum entre os fiéis. Que o povo de Deus, tinha como verdade de fé que Maria, é a Mãe de Deus e sempre virgem.

O catecismo da Igreja vai nos dizer em seu número 506 que: “A virgindade é nela o sinal da sua fé”. Virgindade esta que não foi parcial, mas, integral, ou seja, no que diz respeito à entrega de seu corpo e alma a Deus, mas, igualmente, um entrega perpétua (Boff, 2010).

Em Maria, virgem, que se torna a mãe de Deus, é necessário reconhecer graça sem medida através do Espírito Santo, presente do amor de Deus a todos nós, através de sua tremenda misericórdia e amabilidade (Pessoto, 2018).

Neste fito, corroborado pelo parágrafo supra, São Pio nos diz que por culpa de Eva nascemos filhos da ira, por Maria, recebemos Jesus. A Eva foi informada que teria dores, Maria isenta desta. Conservando assim, sua virgindade perpétua (ROMANO, 2017).

Destarte, podemos ter a certeza que, desde os primeiros cristãos Maria já era não somente chamada de Mate, bem como, Aeiparthernos.

3.2.3. Imaculada Conceição

Este dogma mariano nos diz que, toda a concepção de Maria, a mãe de Deus, fora gerado sem máculas, sem a mancha do pecado original. Neste fito, Maria, foi preservada por Deus da mácula do pecado. Nas palavras do Anjo Gabriel:

“Ave Maria, cheia de garça o senhor é convosco...” (Lc 1,28)

Ao analisar essa passagem, observa-se que o anjo faz uma alusão direta a imaculada. Nas traduções primeiras, nesta perícope, vê-se a palavra grega Kekaritomene, que tem como significado aquilo que foi preenchido. Neste propósito pode ser afirmado que Maria, plena da graça, foi preenchida pela graça de Deus para que pura ela gerasse o Salvador.

Neste fito, o Papa Pio IX em sua Bula “Ineffabilis Deus” em 1854 definiu este como o terceiro dogma mariano. O pontífice declarou que Maria, fora imune de todas as máculas e manchas do pecado original, por privilégio e graça de Deus. Não somente em sua concepção, mas, em toda a sua vida terrena.

Corroborando com texto supracitado que em Maria inicia-se o processo de purificação e salvação de todos através de Jesus Dom Murilo nos ensina que:

Ela “é toda de Deus, protótipo do que somos chamados a ser. Em Maria e em nós age a mesma graça de Deus. Se nela Deus pôde realizar seu projeto, poderá realizá-lo em nós também” (Dom Murilo S. R. Krieger)

Escritos cristãos das primeiras comunidades, datados a partir do século segundo já testemunhavam o senso dos fiéis que Maria, era Imaculada, ou seja, sem a mácula do pecado.

Outro fator primordial para esse dogma é que o dogma da maternidade divina é uma de suas bases, pois, para que Jesus, o Deus Salvador sem pecado pudesse vir ao mundo e remir os pecadores, far-se-ia necessário nascer de uma mulher, igualmente, imaculada, por graça e redenção de Deus.

Na Sagrada Escritura, não há de maneira explicita menção sobre tal dogma, todavia, há inúmeras citações que ajudam a embasar este dogma biblicamente, como por exemplo, a passagem supracitada neste capítulo da saudação do anjo Gabriel a Maria, quando este a chama de Ave Cheia de Graça, ou seja, sem pecado, imaculada. Maria tornou-se um santuário vivo com Jesus, seu filho, no ventre.

No livro de Cânticos, igualmente há uma passagem bíblica a embasar este dogma.

És toda bela, ó minha amada, e não há mancha em ti (Ct 4,7);

Você é um jardim fechado, minha irmã, minha noiva; você é uma nascente fechada, uma fonte selada (Ct 4,12).

Participando com as passagens acima, no livro de Jó há uma citação onde relata que uma pessoa pura não pode vir de uma pessoa impura. Destarte, para que o puro (Jesus) viesse, como veio de Maria, esta deveria, tal-qualmente, pura, sem manchas como seu filho Jesus.

Este dogma perpassa as paredes da Igreja Católica, chegando a outros credos. Os islamitas, no Alcorão assim definem a pureza de Maria, a Mãe de Deus.

"Ó Maria! Por certo Deus te escolheu e te purificou, e te escolheu sobre todas as outras mulheres dos mundos" (Alcorão 3:42).

A passagem do Alcorão acima, revela um aspecto particularmente significativo: Maria ocupa um lugar de destaque não apenas na tradição cristã, mas também na tradição islâmica. Embora o Islã não reconheça Maria nos mesmos termos da fé católica e não a considere Mãe de Deus, o Alcorão a apresenta como uma mulher escolhida e purificada por Deus, distinguindo-a entre todas as mulheres.

Desse modo, a referência do Alcorão à escolha e à purificação de Maria pode ser compreendida como um testemunho relevante da grandeza de sua figura no contexto das religiões abraâmicas. Ainda que existam diferenças fundamentais entre as interpretações católica e islâmica, ambas atribuem a Maria uma condição excepcional entre as mulheres e reconhecem nela uma mulher especialmente escolhida por Deus. Essa convergência torna sua figura ainda mais expressiva para a compreensão da fé, da obediência e da disponibilidade humana diante da vontade divina.

Além disso, o Catecismo da Igreja Católica vem nos dizer em seu número 491 que ao longo dos séculos, toda a Igreja tomou consciência que Maria era Imaculada, ou seja, cumulada de graça (CIC491).

Ademais, era intrínseco ao plano de salvação que Maria, fosse preservado do pecado. É sabido que o pecado afasta os filhos de Deus desde Adão e Eva, para que o plano salvífico do criador, manifestado na encarnação de Jesus pudesse ser concebido far-se-ia necessário como relata o livro de Jó uma mulher pura para então gerar o santo dos santos.

Por derradeiro, Maria é a primeira remida, não em forma batismal como todos os filhos de Deus, mas, de forma preventiva. Ela não á uma exceção em meio aos demais filhos de Deus, doravante, é a primeira remida por Cristo. (LG, N.53-56).

3.2.4. Assunção de Maria

Papa Pio XII, em 1.950, em sua Constituição Munificenrissimus Deus, vem a definir dogmaticamente a Assunção de Maria, a Mãe de Deus. Esta foi a única vez que Pio XII fez uso da prerrogativa ex cathedra. Vejamos:

“... Declaramos a definição ser dogma divinamente revelado que: a Imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminando o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial...”.

É sabido que este dogma se encontra, também, alicerçado nos demais dogmas supracitados. Onde Maria é a mãe de Deus, imaculada e incorruptível, que teve seus pecados remidos por Deus que em sua grandeza assuntou Maria para que esta não sofresse as intempéries da vida humana.

O Catecismo da Igreja Católica vem nos dizer em seu número 966:

“A Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos” (CIC 966).

No que diz respeito ao senso comum dos fiéis pode ser citado elementos históricos, apócrifos, e teológicos que demonstram que já nos primeiros séculos da gloriosa assunção, ainda chamada de festa da dormição, celebrada em Jerusalém, Constantinopla e cidades menores.

O Imperador Maurício (582-602) através de um decreto estabeleceu a festa da assunção no dia 15 de agosto, festa essa considerada a mais importante do oriente que com o passar dos anos foi se estendendo ao ocidente. Já no ocidente por volta do século 18 houve um chamado movimento assuncionista, movimento este que fez inúmeras petições, escritos, envios a Santa Sé buscando que a Igreja proclamasse este como um Dogma Mariano.

Importante ressaltar que a assunção aos céus não é uma elevação ou subida especial de Maria. Mas sim, uma assunção por graça de Deus, onde hoje ela está na glória de Deus com seu filho Jesus.

4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo teve como objetivo primaz estudar os fundamentos bíblicos, teológicos, históricos dos Dogmas Marianos. Através das bibliografias estudadas, compreender e elucidar as contribuições destes dogmas para a fé católica.

Estudar e conhecer as nuance dos dogmas marianos é estudar a economia da salvação. É conhecer mais sobre a cristologia que é apontada através de Maria e seus dogmas. A Mariologia nos apresenta Maria, a mãe de Deus, trazendo a salvação e redenção ao mundo através de seu filho, Jesus. Aponta que o centro da fé e salvação é seu filho. Que mesmo ela tendo sido sacrário vivo, a salvação não vem dela e sim D’Ele. Onde mesmo ela sendo a mãe de Deus foi e é exemplo de humildade e serviço.

A análise apresentada neste estudo permite demonstrar que a devoção aos Dogmas Marianos vem desde o início da Igreja através dos atos e práticas dos primeiros cristãos. Onde através dos escritos antigos e da tradição cristã essa pratica dogmática converge para as escrituras e tradição da Igreja. Observado o fato de profunda inserção na experiência dos fiéis com o apontar mariano para cristo salvador.

No estudo elaborado, encontram-se as respostas dos objetivos iniciais e confirma o pressuposto que Maria sempre esteve presente no projeto de salvação. Onde desde o antigo testamento ela já era citada como exemplo de mãe, serva e que traria o salvador ao mundo. Neste fito, pode ser observada a importância de Maria na economia da salvação e a importância daqueles que buscam conhecer a Igreja estudar a mariologia. Estudar, compreender a mariologia e aprender sobre a própria cristologia, Maria nos aponta para o Salvador.

O resultado encontrado através da pesquisa restou cristalino que Maria compreende essencialmente a relação com a cristologia. Ademais, os documentos estudados como encíclicas, exortações, livros e artigos, ao serem analisados encontram sua confirmação quando através de seus dogmas acabam conduzindo os fiéis ao encontro com Jesus Cristo. A pesquisa permitiu evidenciar que através de Maria e seus dogmas o crente é levado ao encontro com o Salvador.

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