REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/781839096
RESUMO
A presente pesquisa tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento do letramento literário por meio do trabalho com o gênero textual crônica, no contexto do 8º ano do Ensino Fundamental. Parte-se do pressuposto de que a leitura literária deve ultrapassar a decodificação de palavras, constituindo-se como prática de construção de sentidos, reflexão crítica e formação humana. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de cunho bibliográfico, com abordagem descritiva e exploratória, fundamentando-se em autores como Cosson (2011), Soares (2009), Candido (2006) e Kleiman (2013), entre outros. Como procedimento metodológico, realizou-se levantamento bibliográfico e a elaboração de uma proposta de intervenção pedagógica baseada na leitura, análise e socialização de crônicas, por meio de estratégias como: leitura compartilhada, rodas de conversa e interpretação crítica dos textos. A escolha da crônica justifica-se por sua linguagem acessível e por sua capacidade de transformar o cotidiano em matéria estética e reflexiva, aproximando o aluno da leitura literária. Como proposta pedagógica, elaborou-se uma sequência didática baseada na leitura, análise e socialização de crônicas, com vistas ao desenvolvimento da competência leitora e da sensibilidade estética dos estudantes. Conclui-se que a literatura, quando trabalhada de forma contextualizada e reflexiva, desempenha papel fundamental na formação integral do sujeito.
Palavras-chave: letramento literário; leitura; crônica; ensino de literatura; formação do leitor.
ABSTRACT
This research aims to contribute to the development of literary literacy through the use of the chronicle as a textual genre in the context of the 8th grade of elementary education. It is based on the assumption that literary reading should go beyond word decoding, constituting a practice of meaning construction, critical reflection, and human development. The study is characterized as qualitative and bibliographic, with a descriptive and exploratory approach, based on authors such as Cosson (2011), Soares (2009), Candido (2006), and Kleiman (2013), among others. As a methodological procedure, a bibliographic survey was carried out, along with the development of a pedagogical intervention proposal based on the reading, analysis, and discussion of chronicles, through strategies such as shared reading, discussion circles, and critical interpretation of texts. The choice of the chronicle is justified by its accessible language and its ability to transform everyday life into an aesthetic and reflective experience, bringing students closer to literary reading. As a pedagogical proposal, a didactic sequence was developed based on the reading, analysis, and discussion of chronicles, aiming at the development of reading competence and students’ aesthetic sensitivity. It is concluded that literature, when approached in a contextualized and reflective way, plays a fundamental role in the integral development of the individual.
Keywords: literary literacy; reading; chronicle; literature teaching; reader formation.
1. INTRODUÇÃO
Ler é uma forma de encontro, pois é por meio do contato com a palavra que o sujeito aprende a compreender o mundo e a si mesmo, construindo sentidos que perpassam o individual e o coletivo. Nesse contexto, a literatura se apresenta como um espaço privilegiado de escuta, reflexão e elaboração da experiência humana, contribuindo para a formação crítica e sensível dos indivíduos.
O conceito de letramento literário é entendido como uma prática social que ultrapassa a simples decodificação de palavras. De acordo com Cosson (2011, p. 34), “o letramento literário consiste na apropriação da literatura como forma de construção de sentidos sobre o mundo, reconhecendo a leitura literária como uma experiência estética e humanizadora”. Assim, a leitura literária envolve o leitor em um processo que mobiliza emoções, memórias e reflexões, favorecendo ao desenvolvimento de indivíduos conscientes.
Entre os diversos gêneros literários, a crônica configura-se como um recurso didático relevante para o desenvolvimento da competência leitora. Caracterizada por sua linguagem acessível, estrutura breve e temática voltada ao cotidiano, esse gênero aproxima o estudante da leitura, favorecendo sua identificação com o texto. Para Cavalcante (2016, p. 6) “a crônica é capaz de mostrar ao leitor uma visão mais profunda dos fatos corriqueiros, além de fazê-lo refletir sobre os acontecimentos”, evidenciando seu potencial formativo no contexto educacional.
Entretanto, observa-se que o ensino de literatura, em muitas instituições escolares, ainda ocorre de forma descontextualizada, priorizando práticas mecânicas que afastam os estudantes do prazer pela leitura. Essa realidade evidencia a necessidade de práticas pedagógicas que valorizem textos próximos da vivência dos alunos, tornando o processo de leitura mais significativo e atrativo.
Diante desse cenário, formula-se o seguinte problema de pesquisa: de que maneira o gênero textual crônica pode contribuir para o desenvolvimento do letramento literário dos estudantes do 8º ano? A escolha da temática justifica-se pela necessidade de repensar o ensino da leitura literária, a partir de estratégias que promovam o interesse e o protagonismo dos alunos. Além disso, a proposta emerge das experiências vivenciadas durante o Estágio Supervisionado, bem como das reflexões advindas de diálogo com docentes da educação básica.
Este trabalho propõe como objetivo geral contribuir para o desenvolvimento do letramento literário, favorecendo à formação de leitores críticos e reflexivos no contexto escolar. Como objetivos específicos, pretendeu-se identificar os fundamentos teóricos que embasam o conceito de letramento literário e sua relevância para a formação do leitor; desenvolver, por meio da leitura de crônicas, um olhar investigativo e subjetivo sobre o cotidiano; e possibilitar que o estudante amplie sua compreensão crítica da realidade, ultrapassando uma perspectiva meramente pragmática da leitura.
Por fim, este trabalho está estruturado nas seguintes seções: inicialmente, a introdução seguida da fundamentação teórica, na qual se discutem os conceitos de letramento literário e o gênero crônica. Em continuidade, descreve-se a metodologia adotada na pesquisa. Posteriormente, são analisados e discutidos os resultados obtidos a partir do desenvolvimento da proposta pedagógica. Por fim, são apresentadas as considerações finais, destacando as contribuições do estudo para a prática docente e para a formação de leitores.
2. LER O COTIDIANO COM OLHOS LITERÁRIOS
Ler o cotidiano com olhos literários implica reconhecer que a realidade, mesmo em suas manifestações mais simples, pode ser ressignificada por meio da linguagem e da sensibilidade estética. A literatura não se limita à representação do extraordinário, mas encontra, no ordinário, matéria significativa para a construção de sentidos, possibilitando ao leitor perceber novas camadas de significado nas experiências diárias.
Essa perspectiva articula-se com o letramento literário, que propõe uma leitura que ultrapassa a decodificação e se constitui como prática de interpretação, reflexão e diálogo com o mundo. De acordo com Cosson (2011, p. 32), o letramento literário é “o processo de apropriação da literatura como forma de conhecimento e de construção de sentidos sobre o mundo”, evidenciando que a leitura literária contribui para a formação de sujeitos críticos e sensíveis.
A literatura assume um papel fundamental na formação humana, ao permitir que o leitor vivencie diferentes experiências e amplie sua compreensão da realidade. Conforme Candido (2006, p. 84) “A literatura é, pois, um sistema vivo de obras, agindo umas sobre as outras e sobre os leitores; e só vive na medida em que estes a vivem, decifrando-a, aceitando-a, deformando-a”. Vê se aqui a ideia de que a leitura literária é uma prática dinâmica, que se constrói na interação entre texto e leitor, possibilitando múltiplas interpretações e potencializando o desenvolvimento da sensibilidade estética e da consciência crítica.
Além disso, o texto literário oferece instrumentos para a compreensão da experiência humana, ao representar a realidade. Colomer (2007, p. 27) afirma que a literatura possui a capacidade de “reconfigurar a atividade humana e oferecer instrumentos para compreendê-la”, propiciando o desenvolvimento de leitores mais reflexivos e conscientes de seu papel social.
No contexto escolar, o trabalho com gêneros como a crônica revela-se especialmente significativo, pois esse tipo de texto nasce das vivências cotidianas e transforma acontecimentos aparentemente banais em experiências carregadas de sentido. A crônica, ao explorar o cotidiano sob diferentes perspectivas, seja pelo humor, pela crítica ou pelo lirismo, convida o leitor a revisitar a realidade com um olhar mais atento e reflexivo.
Assim, ler literariamente o cotidiano significa atribuir valor às pequenas experiências, reconhecendo nelas possibilidades de interpretação e construção de conhecimento. Trata-se de um exercício que articula linguagem, cultura e subjetividade, contribuindo para que haja leitores capazes de compreender não apenas o texto, mas também o mundo que os cerca.
Dessa forma, ao promover práticas de leitura que valorizem o cotidiano como objeto literário, o ensino de Língua Portuguesa pode favorecer ao desenvolvimento de competências leitoras mais amplas, estimulando a sensibilidade estética, o pensamento crítico e a autonomia dos estudantes. Essa abordagem reforça a importância da literatura como instrumento de formação humana e social, consolidando-se como elemento crucial na prática de ensino.
Diante dessa compreensão da literatura como prática que ressignifica o cotidiano e amplia a percepção do sujeito sobre o mundo, torna-se necessário aprofundar a discussão acerca dos fundamentos teóricos que sustentam essa abordagem no contexto educacional. Nesse sentido, destaca-se o conceito de letramento literário, que orienta práticas de leitura voltadas à formação de leitores críticos, sensíveis e capazes de construir sentidos a partir da interação com o texto.
Assim, a partir dessa perspectiva, a próxima seção abordará o letramento literário e sua contribuição para a formação do leitor, evidenciando sua importância no desenvolvimento de competências interpretativas e na construção de uma relação significativa entre o sujeito, a linguagem e a realidade.
2.1. O Letramento Literário e a Formação do Leitor
O ensino da literatura na escola contemporânea demanda práticas pedagógicas que ultrapassem a simples decodificação de textos, exigindo uma abordagem que reconheça o leitor como sujeito ativo no processo de construção de sentidos. Nesse contexto, a leitura literária deve ser compreendida como uma experiência estética, crítica e humanizadora, capaz de promover o desenvolvimento integral do indivíduo. A literatura quando trabalhada sob essa perspectiva, configura-se como um espaço de encontro entre o texto e a vida, entre o sensível e o reflexivo, contribuindo para a formação de leitores mais conscientes de si e do mundo.
O letramento literário emerge como uma prática formativa que transcende os limites da alfabetização tradicional, ao propor o desenvolvimento de competências que envolvem não apenas a compreensão textual, mas também a interpretação crítica, a sensibilidade estética e a capacidade de atribuir sentidos à realidade. Soares (2009, p. 39) define o letramento como “o estado ou condição de quem se apropriou da escrita e de suas práticas sociais”, evidenciando que o domínio da leitura implica a inserção do sujeito em práticas sociais mediadas pela linguagem.
Dessa forma, compreender o letramento como prática social permite reconhecer que o ato de ler é também um modo de estar no mundo, de interagir com diferentes discursos e de construir significados a partir das experiências vividas. Portanto, o letramento literário amplia essa concepção ao enfatizar o papel da literatura na formação do sujeito, ao possibilitar o contato com diferentes visões de mundo, valores e experiências humanas.
De acordo com Cosson (2011, p. 32), o letramento literário “é o processo de apropriação da literatura como forma de conhecimento e de construção de sentidos sobre o mundo”. Tal definição reforça que a leitura literária não deve ser reduzida a uma atividade escolar obrigatória, mas compreendida como uma prática cultural significativa, capaz de promover a reflexão, a imaginação e a construção de uma consciência crítica. Nesse sentido, o trabalho com textos literários na escola deve priorizar experiências de leitura que valorizem o envolvimento do aluno com o texto, estimulando a interpretação e o diálogo com diferentes perspectivas.
Sob esse viés, Street (2014) afirma que as práticas de letramento são essencialmente sociais e ideológicas, sendo influenciadas pelos contextos culturais nos quais os sujeitos estão inseridos. O ensino da literatura precisa considerar as vivências, os repertórios e as identidades dos alunos, de modo a tornar a leitura mais significativa e contextualizada. Nesse cenário, a escolha de gêneros textuais próximos do cotidiano dos estudantes, como a crônica, favorece à construção de sentidos, pois permite à articulação entre o texto literário e a realidade vivida.
Além disso, Kleiman (2013, p. 45) ressalta que “ler é um ato de interação, no qual se constroem significados a partir do diálogo entre texto e leitor”, evidenciando que o sentido não está previamente dado, mas é construído no processo de leitura. Essa perspectiva interacionista reforça a importância de práticas pedagógicas que estimulem a participação ativa dos alunos, promovendo a troca de interpretações, a problematização de ideias e o desenvolvimento da autonomia leitora.
O papel do professor torna-se fundamental como mediador do processo de leitura, sendo responsável por criar situações didáticas que favoreçam o contato significativo com o texto literário. A mediação pedagógica deve possibilitar que o aluno desenvolva habilidades de interpretação, análise e reflexão, reconhecendo a leitura como uma prática social e cultural que contribui para sua formação crítica e cidadã.
O letramento literário configura-se como um eixo essencial para a formação de leitores capazes de compreender, interpretar e transformar a realidade. Ao promover o desenvolvimento da sensibilidade estética, da imaginação e do pensamento crítico, a literatura se consolida como uma ferramenta elementar na dinâmica pedagógica, favorecendo a formação de sujeitos autônomos, reflexivos e socialmente participativos.
Diante dessa compreensão do letramento literário como prática que ultrapassa a decodificação e se consolida na construção de sentidos, torna-se fundamental refletir sobre a natureza da própria literatura e sua função no processo formativo do leitor. Se o letramento literário pressupõe a interação entre sujeito e texto, é necessário reconhecer que a literatura não se configura como um objeto estático, mas como uma prática dinâmica, marcada pelo diálogo entre diferentes vozes, contextos e experiências. Compreender a literatura como uma prática viva e dialógica permite aprofundar a discussão sobre seu papel na formação humana, evidenciando sua capacidade de promover encontros, reflexões e ressignificações no ato da leitura.
2.2. A Literatura Como Prática Viva e Dialógica
A literatura constitui-se como uma prática essencialmente viva e dialógica, na medida em que se realiza na interação constante entre autor, texto e leitor. Longe de ser um objeto estático, o texto literário se transforma a cada leitura, assumindo novos significados conforme as experiências, vivências e contextos socioculturais dos sujeitos que o interpretam. Nesse sentido, a literatura ultrapassa o campo estético e se consolida como um espaço de construção de sentidos, reflexão e formação humana.
De acordo com Candido (2006), a literatura exerce uma função humanizadora, pois permite ao indivíduo entrar em contato com diferentes formas de existência, ampliando sua percepção do mundo e sua capacidade de empatia. Para o autor, a literatura é uma necessidade universal, uma vez que responde às dimensões simbólicas e imaginativas do ser humano, contribuindo para o desenvolvimento da sensibilidade e da consciência crítica. Assim, o contato com obras literárias possibilita ao leitor compreender a si mesmo e ao outro, promovendo uma formação mais integral.
Essa perspectiva evidencia o caráter dinâmico da literatura, que se constitui como um sistema em constante movimento. Para Candido (2006, p. 84) “A literatura é, pois, um sistema vivo de obras, agindo umas sobre as outras e sobre os leitores; e só vive na medida em que estes a vivem, decifrando-a, aceitando-a, deformando-a”. A leitura literária não é um ato passivo, mas um processo ativo de construção de significados, no qual o leitor assume papel fundamental. É por meio da leitura que o texto ganha vida, sendo reinterpretado e ressignificado a cada nova experiência. O ensino da literatura deve priorizar práticas que valorizem a participação do aluno, estimulando o diálogo, a reflexão e a construção coletiva de sentidos.
A literatura pode ser compreendida como uma prática social e cultural, inserida em contextos históricos e ideológicos específicos. Conforme destaca Street (2014), as práticas de letramento são sempre situadas socialmente, o que implica reconhecer que a leitura literária também é atravessada por valores, crenças e experiências dos sujeitos. Ao trabalhar com a literatura na escola deve-se considerar o contexto dos estudantes, suas vivências e suas formas de interpretar o mundo.
Na perspectiva dialógica, a leitura literária configura-se como um espaço de encontro entre diferentes vozes, discursos e visões de mundo. O texto literário não apresenta um sentido único e fechado, mas abre possibilidades interpretativas, permitindo que o leitor dialogue com o autor e com outros leitores. Esse processo contribui para o desenvolvimento da autonomia, da criticidade e da capacidade de argumentação.
Ao compreender a literatura como prática viva e dialógica implica reconhecer seu potencial formativo, não apenas no âmbito cognitivo, mas também no desenvolvimento ético, estético e social dos sujeitos. Ao promover o diálogo entre texto e leitor, a literatura favorece à construção de uma consciência crítica e sensível, essencial para a formação de indivíduos capazes de atuar de maneira reflexiva na sociedade.
A partir da compreensão da literatura como uma prática viva e dialógica, que se constitui na interação entre texto, leitor e contexto, torna-se pertinente refletir sobre quais gêneros literários, no âmbito escolar, potencializam essa relação de forma mais significativa. A crônica se destaca por sua capacidade de estabelecer um diálogo direto com o cotidiano, aproximando o leitor das experiências narradas e favorecendo à construção de sentidos. Ao transitar entre o real e o simbólico, esse gênero literário promove uma leitura sensível e reflexiva, configurando-se como uma experiência estética e formativa que contribui para o desenvolvimento do letramento literário, conforme será abordado a seguir.
2.3. Crônica Como Experiência Estética e Formativa
A crônica, enquanto gênero literário, ocupa um lugar singular no ensino de literatura por sua capacidade de articular o cotidiano à dimensão estética e reflexiva. Caracterizada por uma linguagem acessível e por abordar temas do dia a dia, a crônica aproxima o leitor da experiência literária, permitindo que ele reconheça, nas situações narradas, aspectos de sua própria vivência. Esse gênero configura-se como um importante instrumento para a formação de leitores críticos, ao favorecer a construção de sentidos e a reflexão crítica.
Para Pereira (2014, p. 22), “a crônica é um gênero que articula o útil e o fútil, o efêmero e o permanente, o cotidiano e o poético”, evidenciando sua capacidade de transformar experiências simples em matéria significativa de reflexão. Essa característica possibilita que o leitor perceba o valor literário presente nas pequenas situações do cotidiano, ampliando sua sensibilidade estética e sua capacidade interpretativa.
Na mesma perspectiva Moisés (2011) afirma que a crônica apresenta um olhar lírico sobre a realidade, no qual o autor ressignifica o banal, convertendo-o em expressão artística. Ao tratar de acontecimentos comuns com sensibilidade, humor ou crítica social, o gênero estimula o leitor a perceber novas dimensões da realidade, cooperando para o desenvolvimento de uma leitura mais profunda e reflexiva.
Ainda Sá (1999, p. 14) destaca que “a crônica é o gênero que melhor traduz o espírito do tempo”, pois registra, de maneira sensível, os aspectos culturais, sociais e históricos de uma determinada época. O estudo das crónicas permite ao aluno situar-se no meio em que vive, consolidando uma percepção reflexiva do mundo ao seu redor.
Para Cavalcante (2016, p. 14) “O gênero crônica, como ferramenta didática, é de grande importância, pois é capaz de mostrar ao leitor uma visão mais profunda dos fatos corriqueiros, além de fazê-los refletir sobre os acontecimentos”. O que reforça o potencial formativo da crônica, especialmente no contexto escolar, ao possibilitar que o aluno não apenas compreenda o texto, mas também se reconheça como sujeito de experiências, capaz de interpretar e ressignificar o mundo ao seu redor.
Por sua vez, a crônica configura-se como uma experiência estética, na medida em que envolve o leitor em um processo de fruição e apreciação da linguagem, ao contribuir para o desenvolvimento da sensibilidade, da criticidade e da consciência social. Ao transformar o cotidiano em objeto de reflexão literária, esse gênero favorece à construção de um olhar mais atento e sensível sobre a realidade, promovendo uma leitura que vai além do texto e se estende à compreensão do mundo.
Portanto, ao compreender a crônica como uma experiência estética e formativa, que possibilita ao leitor atribuir novos sentidos ao cotidiano e desenvolver uma leitura sensível e crítica da realidade, torna-se necessário situar essa prática no contexto das orientações educacionais vigentes. A incorporação do gênero crônica no ambiente escolar deve estar alinhada às diretrizes que fundamentam o ensino de Língua Portuguesa, sobretudo no tange ao desenvolvimento das competências leitoras. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) apresenta-se como um importante referencial, ao estabelecer habilidades que valorizam a leitura literária como prática de construção de sentidos, interpretação e formação crítica, aspectos que dialogam diretamente com as potencialidades formativas da crônica.
2.4. Leitura e Compreensão da Crônica à Luz da BNCC
A leitura e a compreensão da crônica, no contexto escolar, devem estar articuladas às orientações da BNCC, que propõe o desenvolvimento de competências e habilidades voltadas ao desenvolvimento da competência leitora, autônomos e sensíveis. O trabalho com gêneros literários, como a crônica, deve ultrapassar a abordagem meramente estrutural, promovendo práticas de leitura que favoreçam à construção de sentidos, à reflexão e ao diálogo com a realidade.
A BNCC orienta o ensino de Língua Portuguesa a partir de uma perspectiva sociointeracionista, na qual a linguagem é compreendida como prática social. A leitura é concebida como um processo ativo, que envolve a interação entre texto, leitor e contexto, exigindo do estudante não apenas a compreensão literal, mas também a capacidade de inferir, interpretar e posicionar-se de forma crítica diante dos textos (Brasil, 2018).
Ao se trabalhar com os textos literários, a BNCC destaca a importância de desenvolver a fruição estética, a sensibilidade e a apreciação da linguagem artística. A leitura da crônica deve ser orientada para além da identificação de elementos formais, contemplando a análise dos sentidos produzidos, das intenções do autor e das relações estabelecidas com o cotidiano.
Entre as habilidades previstas para os anos finais do Ensino Fundamental, destacam-se aquelas relacionadas à interpretação e análise de textos literários, como a capacidade de identificar efeitos de sentido decorrentes da mobilização de mecanismos linguísticos e da apreensão das propriedades genéricas dos textos. (Brasil, 2018). Tais habilidades dialogam diretamente com as potencialidades da crônica que, ao abordar situações do dia a dia com humor, lirismo e criticidade, favorece ao desenvolvimento dessas competências.
No que lhe concerne, a BNCC enfatiza a importância do protagonismo do estudante no processo de aprendizagem, incentivando estratégias didáticas que requeiram a participação ativa, o diálogo e a construção coletiva do conhecimento. O trabalho com a crônica pode ser desenvolvido por meio de atividades como leitura compartilhada, rodas de conversa e interpretação textual, possibilitando ao aluno demonstrar suas interpretações e desenvolver sua autonomia como leitor.
Cosson (2011) afirma que o letramento literário pressupõe práticas de leitura que promovam a interação entre leitor e texto, favorecendo a construção de sentidos e o desenvolvimento da criticidade. Para Kleiman (2013) a leitura é um processo interativo, no qual os significados são construídos a partir do diálogo entre o sujeito e o texto.
Outra vertente essencial refere-se à constituição do sujeito leito, que, segundo a BNCC, deve ser capaz de apreciar diferentes manifestações artísticas e reconhecer a arte literária como património imaterial (Brasil, 2018). A crônica, por sua proximidade com o cotidiano e sua linguagem acessível, constitui-se como um gênero propício para despertar o interesse pela leitura, contribuindo para a formação de leitores mais participativos.
A leitura e compreensão da crônica, orientadas pelas diretrizes da BNCC, configuram-se como uma prática pedagógica significativa, que articula o desenvolvimento de competências leitoras à formação estética e crítica dos estudantes. Ao integrar teoria e prática, o ensino da literatura por meio da crônica contribui para a construção de sujeitos capazes de interpretar não apenas os textos, mas também a realidade em que estão inseridos.
Diante das orientações da BNCC, que enfatizam a leitura como prática social, interativa e formativa, torna-se necessário refletir sobre as estratégias pedagógicas capazes de materializar tais diretrizes no contexto da sala de aula. O trabalho com a crônica, orientado para a construção de sentidos e o desenvolvimento da competência leitora, demanda uma organização didática que favoreça o protagonismo estudantil e a progressão das aprendizagens. A sequência didática apresenta-se como uma metodologia adequada, por possibilitar a sistematização das atividades de leitura, interpretação e produção textual, promovendo uma mediação pedagógica intencional e significativa, conforme será discutido a seguir.
2.5. A Sequência Didática Como Prática Pedagógica Mediadora
A sequência didática constitui-se como uma estratégia pedagógica fundamental para a organização do ensino, especialmente no trabalho com gêneros textuais. Ao estruturar as atividades de forma sistemática e progressiva, essa abordagem possibilita o desenvolvimento das capacidades linguísticas e discursivas dos alunos, promovendo o engajamento intelectual dos alunos.
De acordo com Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004, p. 97), a sequência didática é “um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual”. Essa organização permite que o aluno compreenda as características do gênero, desenvolva habilidades de leitura e produção textual e participe de práticas sociais de linguagem.
Desse modo, a sequência didática configura-se como uma prática mediadora, pois possibilita a construção do conhecimento de forma gradual, considerando a bagagem cultural dos estudantes até a produção final. Esse processo envolve etapas como diagnóstico, exploração do gênero, análise de suas características e produção textual, promovendo a emancipação intelectual do discente.
Segundo Zabala (1998), o ensino eficaz deve considerar a progressão da aprendizagem, respeitando o ritmo e as necessidades dos alunos. A organização do trabalho pedagógico por meio de sequências didáticas contribui para uma prática mais estruturada e coerente, favorecendo a participação ativa dos estudantes.
Ao ser articulada com o letramento literário, a sequência didática possibilita a realização de atividades que promovem a interpretação, a reflexão e a construção de sentidos. Cosson (2011) destaca que o ensino da literatura deve proporcionar experiências reais de leitura, nas quais o aluno se envolva de forma crítica e sensível com o texto.
Outrossim, a sequência didática se apresenta como uma ferramenta pedagógica essencial para a mediação da prática educativa integrando teoria e prática. Ao promover o desenvolvimento das competências leitoras e escritoras, essa abordagem contribui para a formação de sujeitos autônomos, críticos e capazes de atuar de forma significativa na sociedade.
Considerando o embasamento teórico apresentado, que evidenciam o letramento literário como prática de construção de sentidos, a literatura como experiência viva e dialógica, bem como a crônica como gênero capaz de articular o cotidiano à reflexão estética e crítica, torna-se necessário delinear os caminhos metodológicos que viabilizam a concretização dessas concepções no contexto escolar. Ao considerar as orientações da BNCC e a importância de estratégias de mediação didática, a presente pesquisa estrutura-se em procedimentos que articulam teoria e prática, baseado no desenvolvimento da competência leitora dos estudantes.
Assim, a metodologia adotada busca operacionalizar os pressupostos teóricos discutidos, por meio da seleção de textos literários, da mediação da leitura e da análise interpretativa, compreendendo o aluno como sujeito ativo no processo de construção de sentidos. O percurso metodológico constitui-se como um desdobramento das reflexões apresentadas na fundamentação, assegurando coerência entre os objetivos da pesquisa, o referencial teórico e a proposta pedagógica desenvolvida.
3. METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como de natureza qualitativa, de cunho bibliográfico, com abordagem descritiva e exploratória, tendo como objetivo compreender o papel do gênero textual crônica no desenvolvimento do letramento literário. A escolha por essa abordagem justifica-se pela necessidade de analisar o fenômeno em sua complexidade, considerando os aspectos subjetivos envolvidos no processo de leitura literária e na construção de sentidos pelos estudantes.
O caráter bibliográfico fundamenta-se na análise de obras e estudos já publicados, que contribuem para a compreensão dos conceitos de leitura, letramento literário, ensino de literatura e das especificidades do gênero crônica. Nesse sentido, a pesquisa estabelece diálogo com autores como Cosson (2011) e Soares (2009), no que se refere ao letramento literário; Candido (2006) e Kleiman (2013), quanto à função humanizadora da literatura; Sá (1999), Pereira (2014), Moisés (2011) e Cavalcante (2016), no que concerne às características da crônica.
A natureza descritiva da pesquisa permite analisar e explicitar as contribuições do gênero crônica no contexto do ensino de leitura, enquanto o caráter exploratório possibilita ampliar a compreensão acerca do letramento literário no ambiente escolar, especialmente no que se refere à formação de leitores críticos e reflexivos.
A escolha do público-alvo, estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental, fundamenta-se nas experiências vivenciadas durante o Estágio Supervisionado, no qual foi possível observar dificuldades significativas na leitura e interpretação de textos. Constatou-se que muitos alunos apresentam limitações na construção de sentidos, restringindo-se a uma leitura superficial e pouco reflexiva, o que evidencia a necessidade de práticas pedagógicas que promovam uma leitura significativa, crítica e sensível.
3.1. Etapas da Pesquisa
A pesquisa foi organizada em etapas interdependentes, articuladas aos objetivos propostos e ao referencial teórico adotado. Inicialmente, realizou-se o levantamento bibliográfico, com o objetivo de identificar os fundamentos teóricos que sustentam a leitura literária como prática formativa, compreendendo o ato de ler como um processo de interação entre texto, leitor e contexto.
Em seguida, procedeu-se à seleção e mediação da leitura de crônicas de autores consagrados da literatura brasileira, como Rubem Braga, Luís Fernando Veríssimo e Carlos Drummond de Andrade. A escolha desses autores justifica-se pela linguagem acessível e pela abordagem de temas cotidianos, que favorecem à identificação dos estudantes com os textos.
A mediação da leitura foi estruturada por meio de estratégias pedagógicas como leitura compartilhada e expressiva, rodas de conversa, identificação de elementos do cotidiano presentes nas narrativas e reflexão sobre os sentidos simbólicos, emocionais e sociais construídos nos textos.
Posteriormente realizou-se a análise literária das crônicas, considerando aspectos como linguagem, tom, ritmo, uso de recursos expressivos, visão de mundo do autor e possibilidades de leitura crítica da realidade. Essa etapa teve como finalidade promover a construção de sentidos e o desenvolvimento da competência interpretativa dos estudantes.
3.2. Articulação Metodológica da Pesquisa
A articulação metodológica desta pesquisa fundamentar-se-á na integração entre o referencial teórico, a mediação da leitura e a análise interpretativa, de modo a assegurar coerência entre os objetivos propostos e os procedimentos a serem adotados. A metodologia não se configurará apenas como um conjunto de etapas isoladas, mas como um processo dinâmico e contínuo, no qual teoria e prática pedagógica se complementarão.
A análise literária das crônicas será orientada pela observação de elementos como linguagem, tom, ritmo, recursos expressivos e visão de mundo dos autores, possibilitando aos estudantes uma leitura mais reflexiva e interpretativa. Dessa forma, pretende-se estimular o desenvolvimento do letramento literário, compreendendo o aluno como sujeito ativo no processo de aprendizagem.
A avaliação ocorrerá de forma qualitativa e processual, considerando aspectos como participação, envolvimento nas atividades, capacidade de escuta e desenvolvimento da interpretação textual. Assim, a avaliação não se restringirá à mensuração de resultados, mas será concebida como um instrumento de acompanhamento da evolução dos estudantes enquanto leitores.
Por fim, a articulação entre teoria e prática pedagógica permitirá compreender o gênero crônica como uma ferramenta eficaz para o desenvolvimento do letramento literário, contribuindo para a formação de leitores críticos, sensíveis e capazes de interpretar tanto os textos quanto a realidade que os cerca.
4. PROPOSTA PEDAGÓGICA
A presente proposta pedagógica tem como finalidade promover o letramento literário por meio da leitura e análise do gênero textual crônica, compreendendo a literatura como uma prática estética, sensível e formativa. Parte-se do pressuposto de que a leitura literária não se limita à decodificação de palavras, mas envolve a construção de sentidos, a interpretação crítica e a reflexão sobre o cotidiano.
Logo, a proposta busca articular teoria e prática, considerando as orientações da BNCC, que enfatiza a formação de leitores autônomos, críticos e participativos. O trabalho com a crônica configura-se como uma estratégia pedagógica significativa, capaz de aproximar o aluno da literatura por meio de textos que dialogam com sua realidade.
4.1. Público-alvo
A proposta destina-se a estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental, considerando que, conforme observado durante o Estágio Supervisionado, esses alunos já apresentam domínio básico da leitura, mas ainda enfrentam dificuldades relacionadas à interpretação e à construção de sentidos mais complexos.
Dessa forma, a crônica apresenta-se como um recurso didático adequado, por sua linguagem acessível e por abordar situações do cotidiano, favorecendo à aproximação dos estudantes com o texto literário e contribuindo para o desenvolvimento de uma leitura crítica e sensível.
4.2. Objetivos da Proposta
Apresenta o seguinte objetivo geral: promover o desenvolvimento do letramento literário por meio da leitura e interpretação de crônicas, favorecendo à formação de leitores críticos e reflexivos. E objetivos específicos: reconhecer as características estruturais, temáticas e linguísticas do gênero crônica; desenvolver a competência leitora a partir da análise de textos literários; estimular a reflexão crítica e sensível sobre o cotidiano representado nas crônicas; e promover o protagonismo discente por meio da socialização das interpretações.
4.3. Articulação com a BNCC
A proposta está alinhada às habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especialmente no componente de Língua Portuguesa:
EF69LP44: Inferir efeitos de sentido em textos;
EF69LP45: Analisar textos literários;
EF89LP33: Ler e interpretar textos literários;
Assim, a proposta contribui para o desenvolvimento das competências leitoras, interpretativas e comunicativas dos estudantes, conforme as diretrizes educacionais vigentes.
4.4. Desenvolvimento da Sequência Didática
A proposta será desenvolvida por meio de uma sequência didática organizada em etapas, articulando momentos de sensibilização, leitura, análise e socialização.
Etapa | Atividade | Objetivo | Tempo |
1. Sensibilização | Apresentação do gênero crônica, destacando características, função social e relação com o cotidiano. | Despertar o interesse e preparar os alunos para a leitura literária. | 1 AULA |
2. Leitura e análise | Leitura das crônicas A outra noite (Rubem Braga) e A invenção do milênio (Luís Fernando Veríssimo), com discussão sobre tema, linguagem e sentidos. | Desenvolver a interpretação e a leitura crítica. | 2 AULAS |
3. Sistematização | Organização em grupos para análise das crônicas, considerando autor, contexto, linguagem e mensagem. | Desenvolver síntese, argumentação e interpretação. | 2 AULAS |
4. Culminância | Apresentação em seminário, com uso de recursos visuais ou dramatizações. | Consolidar a aprendizagem e promover protagonismo. | 2 AULAS |
Fonte: Dados da pesquisa (2026).
4.5. Avaliação
A avaliação será de caráter processual e qualitativo, considerando:
Participação nas atividades;
Capacidade de interpretação e argumentação;
Envolvimento nas discussões;
Clareza e coerência nas apresentações.
A avaliação será contínua, buscando acompanhar o desenvolvimento do aluno enquanto leitor crítico e reflexivo.
4.6. Resultados Esperados
Espera-se que, ao final da proposta, os estudantes:
Desenvolvam maior capacidade de leitura e interpretação;
Reconheçam a crônica como instrumento de reflexão sobre o cotidiano;
Ampliem sua visão crítica da realidade;
Despertem o interesse pela leitura literária.
A proposta contribui para o desenvolvimento das competências leitoras, interpretativas e comunicativas dos estudantes, conforme as diretrizes educacionais vigentes. A proposta pedagógica apresentada evidência que o trabalho com o gênero crônica, aliado a práticas de mediação de leitura intencionais, pode contribuir significativamente para o desenvolvimento do letramento literário no contexto escolar. Ao valorizar o cotidiano como espaço de construção de sentidos e promover a participação ativa dos estudantes, a sequência didática possibilita uma aprendizagem significativa, crítica e sensível.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa objetivou contribuir para o desenvolvimento do letramento literário por meio do trabalho com o gênero textual crônica, buscando favorecer à formação de leitores críticos, sensíveis e reflexivos no contexto escolar. A partir da análise teórica e da proposta pedagógica elaborada, foi possível compreender que a leitura literária, quando mediada de forma significativa, ultrapassa o caráter instrumental e se constitui como prática formativa essencial para o desenvolvimento humano.
Ao longo do estudo, evidenciou-se que o letramento literário, para Cosson (2011), vai além da decodificação de textos., mas envolve a construção de sentidos, a interação entre leitor e texto e a desenvolvimento de um pensamento reflexivo. Nesse sentido, a literatura se apresenta como um espaço de encontro entre o sujeito e o mundo, possibilitando a ampliação do olhar sobre a realidade e o desenvolvimento da sensibilidade estética.
A escolha da crônica como objeto de estudo mostrou-se pertinente, uma vez que esse gênero, por sua linguagem acessível e temática voltada ao cotidiano, aproxima o estudante da leitura literária, favorecendo a identificação e a relação com a textualidade. Conforme apontam autores como Sá (1999) e Moisés (2011), a crônica tem a capacidade de transformar o ordinário em matéria de reflexão, contribuindo para que o leitor desenvolva uma percepção mais crítica e sensível das experiências vividas.
No que se refere ao problema de pesquisa acredita-se que a sequência didática proposta, favorecerá significativamente o desenvolvimento da competência leitora, da interpretação e da reflexão crítica. A utilização de estratégias como leitura compartilhada, rodas de conversa e seminários possibilitam o protagonismo dos educandos, viabilizando uma aprendizagem mais ativa e significativa.
O trabalho com a crônica, aliado a uma prática pedagógica intencional e fundamentada teoricamente, pode promover avanços significativos na formação de leitores. A pesquisa reafirma a importância de práticas de leitura que valorizem a experiência estética, a reflexão e o diálogo, contribuindo para uma educação mais humanizadora e transformadora.
Por fim, espera-se que a sequência didática elaborada seja colocada em prática e seus resultados sejam apresentados em trabalhos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2011.
DOLZ, Joaquim; NOVERRAZ, Michèle; SCHNEUWLY, Bernard. Sequências didáticas para o oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In: SCHNEUWLY, Bernard; DOLZ, Joaquim (org.). Gêneros orais e escritos na escola. Campinas: Mercado de Letras, 2004. p. 95-128.
KLEIMAN, Angela B. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. 15. ed. Campinas: Pontes, 2013.
MOISÉS, Massaud. A criação literária: prosa. 20. ed. São Paulo: Cultrix, 2011.
PEREIRA, Maria Teresa Gonçalves. A crônica: um gênero textual em sala de aula. 2014. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Letras) – [Instituição não informada], 2014.
SÁ, Jorge de. A crônica. 6. ed. São Paulo: Ática, 1999.
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 3. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.
STREET, Brian V. Letramentos sociais: abordagens críticas do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação. São Paulo: Parábola Editorial, 2014.
ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.
1 Professora Associada II, lotada no Centro de Ciências Humanas, Sociais e Letras (CCHSL), da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL), no Campus de Imperatriz. É Diretora do Curso de Letras Licenciatura em Língua Inglesa e Literaturas. É Coordenadora Geral do Programa de Formação de Professores Caminhos do Sertão. É Advogada. Graduou-se em Letras, pelo Centro de Estudos Superiores de Imperatriz CESI/UEMA (1994), fez Mestrado em Ciências da Educação pelo Instituto Pedagógico Latino Americano e Caribenho - IPLAC (1999) cujo título foi revalidado pela Universidade Estadual do Pará (UEPA) e fez Doutorado em Ciencias de la Educacion, pela Universidad del Norte (UNINORTE), em 2008,cujo título foi revalidado pela Universidade do Estado do Amazonas. Integra os seguintes Grupos de Pesquisa: GEPLALA Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada e Literaturas Anglófonas e o Grupo de Estudos em PráticasEducativas e Formação de Professores (GEPEFP).Tem experiência na área de Letras, Educação e Metodologia da Pesquisa Científica, ministrando aulas e desenvolvendo pesquisas sobre as seguintes temáticas: Letras, ensino-aprendizagem de Língua Inglesa, formação docente, Literatura anglófona, Ensino Médio, Estágio Supervisionado de Língua inglesa, Educação, Direitos Humanos, Letramentos, políticas públicas de educação, escola pública e qualidade na educação. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
2 Graduanda em Licenciatura em Letras Língua Portuguesa. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
3 Graduanda em Licenciatura em Letras Língua Portuguesa. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
4 Graduando em Licenciatura em Letras Língua Portuguesa. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.