REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/789788379
RESUMO
A utilização de laminados cerâmicos na Odontologia possui fundamento na busca pela junção harmônica da estética e da função. A busca pelo “sorriso perfeito” se tornou ainda mais viável com o advento da faceta cerâmica, em decorrência da acessibilidade da técnica, do conhecimento odontológico acerca dos biomateriais e da aplicabilidade de conceitos morfológicos e funcionais do sistema estomatognático. Sendo assim, além da estética reestabelecida, os laminados cerâmicos apresentam excelente resiliência na mastigação e no atrito, durabilidade superior a outros materiais e sucesso nos tratamentos previamente planejados. O objetivo deste artigo foi realizar uma revisão de literatura acerca da aplicabilidade da técnica supracitada apresentando um panorama de benefícios, durabilidade, cuidados e sucesso clínico. Como metodologia foi realizado um estudo na literatura no período temporal dos últimos 20 anos (2006/2026) nas bases de dados PubMed, SciELO, Google Acadêmico, LILACS e BVS, selecionando 23 artigos para compor esta pesquisa. Os resultados obtidos através da análise dos estudos demonstram que os laminados cerâmicos representam uma terapêutica estratégica de excelência para a reabilitação estética e morfofuncional dos dentes. O sucesso clínico está relacionado ao planejamento criterioso, à correta seleção do material e à execução rigorosa da cimentação adesiva. Portanto, é de fundamental importância que o cirurgião-dentista domine a técnica e as individualidade de cada paciente, focando-se em um tratamento individualizado e exclusivo.
Palavras-chave: Laminados cerâmicos; Facetas dentárias; Odontologia estética; Reabilitação oral; Longevidade.
ABSTRACT
The use of ceramic veneers in Dentistry is based on the pursuit of a harmonious combination of esthetics and function. The search for the “perfect smile” has become increasingly feasible with the advent of ceramic veneers due to the accessibility of the technique, advances in dental knowledge regarding biomaterials, and the application of morphological and functional concepts of the stomatognathic system. In addition to restoring esthetics, ceramic veneers exhibit excellent resistance to mastication and wear, greater durability compared with other restorative materials, and high success rates in properly planned treatments. The aim of this study was to conduct a literature review on the applicability of this technique, presenting an overview of its benefits, longevity, maintenance requirements, and clinical success. The methodology consisted of a literature review covering the last 20 years (2006–2026) using the PubMed, SciELO, Google Scholar, LILACS, and Virtual Health Library (VHL) databases, resulting in the selection of 23 articles for analysis. The findings demonstrate that ceramic veneers represent an excellent therapeutic option for the esthetic and morphofunctional rehabilitation of teeth. Clinical success is associated with careful treatment planning, appropriate material selection, and rigorous adhesive cementation procedures. Therefore, it is essential that dentists master the technique and understand each patient’s individual characteristics, focusing on a personalized and exclusive treatment approach.
Keywords: Ceramic veneers; Dental veneers; Esthetic dentistry; Oral rehabilitation; Longevity.
1. INTRODUÇÃO
Com o advento de novas tecnologias aplicadas à Odontologia que visam a estética, amplamente divulgadas na internet por famosos e em mídia nacional, a busca pelo “sorriso perfeito” tornou-se ainda mais procurada pela população em decorrência de inúmeros fatores que acarretam o desequilíbrio morfofuncional dos elementos dentários, como: cárie, erosão, má-oclusão, diastemas e escurecimento dentário (Cardoso et al., 2011, Cury et al., 2017; Neto et al., 2013; Okida et al., 2016). Nesta perspectiva, os laminados cerâmicos, também conhecidos como facetas ou lentes de contato dentais, surgiram com o objetivo de contribuir no melhoramento da aparência dos dentes descoloridos ou manchados, corrigir o desalinhamento leve dos dentes e de realizar o fechamento de diastemas, ajustando a anatomia do dente em proporção à estrutura óssea do paciente, conforme explica o Conselho Regional de Odontologia do Estado de São Paulo (2026).
Por definição, estes laminados são camadas finas camadas de porcelana ou outro material cerâmico cimentadas sobre a superfície frontal do dente. Essa técnica foi descrita primariamente por Charles Pincus em 1938, entretanto tratava-se de uma alternativa temporária pela ausência de propriedades adesivas. Nesta perspectiva, Simonsen e Calamia (1983) e Horn (1983) solucionaram a problemática introduzindo adesividade aos laminados cerâmicos através da adição do condicionamento ácido (Peumans et al., 2000). Atualmente, esse tratamento atinge altos índices de sucesso, aprovação e satisfação clínica do paciente, justamente pela resistência e durabilidade (Mazaro et al., 2010; Salles et al., 2011; Botelho et al., 2017). Na Odontologia Estética, os materiais cerâmicos destacam-se como uma das opções mais utilizadas e suas principais vantagens estão a elevada resistência ao desgaste e às tensões mastigatórias, a excelente compatibilidade com os tecidos bucais, a capacidade de reproduzir com fidelidade a aparência natural dos dentes, a radiopacidade adequada para avaliação radiográfica, a precisão na adaptação marginal e a manutenção estável da cor ao longo do tempo. Além disso, as cerâmicas apresentam baixa retenção de biofilme, elevada estabilidade química e resistência ao manchamento, contribuindo para a preservação da saúde periodontal e da estética do sorriso (Amoroso et al., 2012; Melo et al., 2025; Zavanelli et al., 2015).
Desde o surgimento desta técnica até a atualidade, foi é possível a redução na espessura na confecção das restaurações cerâmicas, além de preparos minimamente invasivos em decorrência do aprimoramento das estratégias adesivas de cimentação. Com isso, hoje, preconiza-se procedimentos indiretos em relação aos diretos, que promovem maiores desgastes e perdas de esmalte dentário (Higashi et al., 2012).
A procura pelos laminados cerâmicos está relacionada aos elevados índices de sucesso clínico, à preservação da estrutura dentária e à alta satisfação dos pacientes, além da excelente durabilidade, não alterando a função do sistema estomatognático e desgastando minimamente o esmalte dentário. Para alcançar resultados naturais, pode ser necessária a realização prévia de procedimentos adicionais, como clareamento dental e intervenções periodontais, como gengivoplastia, além da utilização de recursos de planejamento, como protocolo fotográfico, enceramento diagnóstico e planejamento digital do sorriso (Rodrigues et al., 2012). Dessa forma, a integração entre diagnóstico preciso, planejamento individualizado e execução criteriosa das etapas clínicas e laboratoriais é fundamental para garantir excelência estética, funcionalidade e longevidade da reabilitação (Venancio et al., 2017). Nesta perspectiva, o objetivo deste estudo é apresentar uma revisão de literatura com o panorama atual dos laminados cerâmicos na Odontologia com base na durabilidade, na reabilitação estética e no sucesso clínico.
2. PROPOSIÇÃO
O presente trabalho tem como proposição apresentar uma revisão de literatura com o panorama atual dos laminados cerâmicos na Odontologia com base na durabilidade, na reabilitação estética e no sucesso clínico.
3. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão de literatura de caráter exploratório e descritivo que buscava estabelecer um panorama acerca dos laminados cerâmicos na odontologia em relação a materiais, durabilidade, técnicas e benefícios, conforme fluxograma abaixo (Figura 1). Este método permite a busca, a avaliação crítica e a síntese das evidências disponíveis sobre o tema investigado.
A coleta de dados foi realizada em bibliotecas virtuais e bases de dados nacionais e internacionais selecionadas: PubMed (National Library of Medicine), SciELO (Scientific Electronic Library Online), Google Acadêmico, LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) nos últimos 20 anos (2006/2026). Utilizou-se os buscadores “facetas cerâmicas”, “lentes de contato dentais”, “laminados cerâmicos”, “reabilitação”, “estética”, “longevidade” e “função”. Os idiomas selecionados foram Português, Inglês e Espanhol.
Como critério de inclusão, todos os estudos deveriam estar disponíveis na íntegra e ter acesso gratuito, abrangência temática, achados relevantes e atender ao período temporal estabelecido nesta metodologia.
Como critério de exclusão, todos os artigos anteriores a 2006, resumos em anais, cartas ao editor, artigos de opinião, publicações predatórias e estudos sem metodologia estruturada foram descartados.
Primeiramente, os títulos e os resumos dos estudos foram lidos e passaram por rigorosa triagem de qualidade. A partir desta seleção prévia, 32 artigos foram lidos na íntegra, destes 23 estudos foram selecionados para compor esta revisão de literatura.
Figura 1. Fluxograma de metodologia
4. REVISÃO DE LITERATURA
Dos artigos lidos, 23 foram selecionados para compor esta revisão de literatura, conforme Tabela 1. Os resultados obtidos através da análise dos estudos demonstram que os laminados cerâmicos representam uma terapêutica estratégica de excelência para a reabilitação estética e morfofuncional dos dentes (Bispo, 2018; Santos; Alves, 2020; Uzêda et al., 2020).
A longevidade clínica dessas restaurações é significante, com taxas de durabilidade que variam entre 90% e 96% em períodos de acompanhamento que podem chegar a 20 anos (Lago; Marçal, 2022). Verificou-se que o sucesso do tratamento está intrinsecamente ligado a variáveis críticas, como o planejamento minucioso, a correta indicação do caso e a precisão do protocolo de cimentação adesiva (Gonzalez et al., 2012; Gomes et al., 2023; Uzêda et al., 2020).
Entre as composições disponíveis, o dissilicato de lítio destaca-se por sua elevada resistência flexural, estabilidade de cor e excelente capacidade de união ao substrato dental (Bispo, 2018; Santos; Alves, 2020). Adicionalmente, fatores como a preservação do esmalte remanescente por meio de preparos minimamente invasivos e a manutenção de uma higiene bucal adequada são apontados como determinantes fundamentais para evitar falhas e garantir a durabilidade das restaurações a longo prazo (Gonzalez et al., 2012; Lago; Marçal, 2022; Neves; Miranda; Yamashita, 2021).
Tabela 1. Levantamento de dados dos artigos lidos e selecionados.
Autor | Ano | Tipo de estudo | Principais achados | Conclusão |
Gresnigt et al. | 2019 | Ensaio clíni (10-11 anos) | Taxa de sobrevivência de 100% para facetas de cerâmica (IPS Empress) contra 75% para facetas de resina indireta após 10 anos de acompanhamento. | Facetas cerâmica têm desempenho significativamente melhor em longevidade e qualidade em comparação com resinas compostas. |
Demirekin, Turkaslan. | 2022 | Estudo retrospectivo (10 anos) | Acompanhamento de 358 facetas em dentes com fluorose com alta sobrevivência utilizando vitrocerâmica reforçada com dissilicato de lítio. | Facetas cerâmicas são o tratamento de escolha para mascarar descolorações por fluorose de forma previsível. |
Santos, Alves. | 2020 | Revisão de literatura | O dissilicato de lítio é superior em resistência flexural (- MPa) e capacidade adesiva em relação às cerâmicas feldspáticas. | As porcelanas à base de dissilicato de lítio são as mais indicadas por apresentarem maior resistência e excelente estética. |
Silva et al. | 2018 | Revisão de literatura | Comparação entre sistemas cerâmicos: feldspáticas (foco em estética), dissilicato de lítio (estética e resistência) e zircônia (máxima resistência flexural). | É necessário conhecimento profundo das propriedades dos materiais para garantir longevidade e correta reabilitação protética. |
Almeida et al. | 2020 | Revisão de literatura | Cerâmicas feldspáticas e dissilicato de lítio para CAD/CAM possuem boa capacidade óptica. O dissilicato de lítio é preferível em casos de maior carga mastigatória. | O dissilicato de lítio deve ser a escolha em situações de espessura reduzida da peça ou esforço mecânico elevado. |
Silva et al. | 2024 | Revisão de literatura | Cerâmica oferece maior durabilidade (até 10 anos) e melhor acabamento em relação à resina composta, que apresenta instabilidade de cor. | Laminados cerâmicos são indicados para maior durabilidade, enquanto resinas são úteis para baixo custo e sessões únicas. |
Gonzalez et al. | 2012 | Revisão de literatura | A cimentação é a fase mais crítica. Falhas comuns incluem trincas, fraturas coesivas e falhas de adesão quando o substrato é majoritariamente dentina (>80%). | O sucesso depende da correta seleção do caso, uso de cerâmica, preparo em esmalte e cimentação criteriosa. |
Santos et al. | 2022 | Revisão de literatura | A longevidade das restaurações depende criticamente do substrato (esmalte vs. dentina), do tipo de cimentação e do padrão oclusal do paciente. | Fatores como substrato e tipo de cerâmica são determinantes no sucesso clínico a longo prazo. |
Lima | 2019 | Relato de caso | Reabilitação de dentes desgastados por bruxismo usando dissilicato de lítio. Enfatiza a necessidade de associação com placas miorrelaxantes. | Laminados de porcelana são soluções de excelência, mas exigem controle da parafunção para evitar fraturas catastróficas. |
Uzêda et al. | 2020 | Relato de caso | Uso de dissilicato de lítio para substituir facetas de resina composta manchadas. Requer planejamento multidisciplinar (gengivoplastia e clareamento). | O conhecimento da técnica operatória e o protocolo reabilitador adequado permitem reestabelecer o sorriso de forma estética e funcional. |
Tuzzolo et al. | 2018 | Relato de caso | O uso de cerâmicas feldspáticas estratificadas com bom planejamento e tecnologia alcança previsibilidade clínica e preservação dental. | Pode-se alcançar bons resultados funcionais e estéticos seguindo a sequência correta de etapas clínicas. |
Elgaly et al. | 2023 | Relato de caso | Porcelana feldspática oferece vantagens em espessura (ultrafina) e translucidez, com alta resistência de união ao esmalte via ácido fluorídrico. | A técnica resulta em uma restauração aparentemente natural com preparação mínima. |
Cardoso et al. | 2011 | Relato de caso | Substituição de resinas por sistema IPS Empress Esthetic (reforçado por leucita). Uso de mock-up para planejamento cirúrgico gengival. | A inter-relação entre Periodontia e Dentística é essencial para resultados estéticos e funcionais satisfatórios. |
Abrantes et al. | 2019 | Relato de caso | Laminados cerâmicos permitiram reestabelecer a estética com mínimo desgaste dentário (a mm) e melhora na anatomia. | A técnica de laminados é eficaz para devolver a jovialidade do sorriso preservando tecidos sadios. |
Noronha et al. | 2020 | Relato de caso | Substituição de laminados após falhas biológicas e estéticas. Abordagens minimamente invasivas garantem segurança no procedimento. | Laminados cerâmicos são alternativas seguras para reabilitações estéticas e funcionais de dentes anteriores. |
Alnassar | 2022 | Revisão sistemática | Zircônia monolítica sofre perda de estabilidade de cor e brilho sob condições de envelhecimento, escovação e exposição ácida. | Tratamentos e condições bucais têm impacto negativo nas propriedades ópticas da zircônia. |
Kreve, Reis. | 2021 | Revisão sistemática | Estudo sobre adesão bacteriana em cerâmicas. Resultados insuficientes para demonstrar influência da condição eletrostática. | Facetas laminadas de porcelana são opções estéticas conservadoras que requerem menos preparo. |
Minase | 2023 | Relato de caso | Em pacientes com boa higiene e esmalte suficiente, facetas de porcelana superam resinas por não descolorirem com o tempo. | As facetas são a melhor opção de tratamento em dentes vitais sem hábitos parafuncionais. |
Cordeiro et al. | 2019 | Relato de caso | A harmonização do sorriso depende do planejamento rigoroso e da execução técnica precisa para evitar falhas. | O planejamento e execução corretos são fundamentais para o sucesso clínico em longo prazo. |
Espíndola-Castro et al. | 2020 | Relato de caso | Laminados cerâmicos foram eficazes no fechamento de diastemas e correção de anatomia dental. | O emprego desse material melhora significativamente a harmonia do sorriso. |
Ferreira et al. | 2020 | Revisão de literatura | Laminados cerâmicos são apontados como a melhor escolha para correções estéticas em dentes anteriores com mínimo desgaste. | O material é ideal para transformação do sorriso e satisfação do paciente. |
Alves et al. | 2021 | Relato de caso | Demonstra eficácia na recuperação de dentes desgastados e com múltiplas cáries em áreas estéticas. | Laminados cerâmicos são alternativas eficientes para recuperação funcional de elementos desgastados. |
Vijaya et al. | 2023 | Relato de caso | Tratamento de diastema com facetas de espessura mínima (lentes de contato dental). | Laminados são uma opção conservadora que exige nenhuma ou mínima preparação do esmalte. |
Fonte: Elaboração Própria (2026).
A longevidade dos laminados cerâmicos é uma perspectiva comum entre os autores dos artigos selecionados na pesquisa, com taxas de durabilidade que variam entre 90% e 96% em períodos de até 20 anos. Essa durabilidade é superior a de outras terapeuticas restauradoras, tornando os laminados cerâmicos uma intervenção de alta previsibilidade estética e morfofuncional (Bezerra et al., 2014, Cassiano et al., 2021; Menezes et al., 2015).
Enquanto Gonzalez e colaboradores (2012) destacam a durabilidade depende do seguimento rigoroso das etapas operatórias, Santos et al. (2022) advertem que a estabilidade do tratamento está condicionada a fatores intrínsecos do paciente, como o padrão oclusal e o tipo de substrato dental, ou seja, fatores ambientais e genéticos corroboram para o sucesso clínico.
No que se refere aos modelos cerâmicos, há um consenso das evidências científicas de que o dissilicato de lítio representa o "padrão ouro", porque apresenta elevada resistência e excelente capacidade adesiva (Soares et al., 2012). Santos e Alves (2020) afirmam que este material é o mais indicado por triplicar a resistência em comparação a outros compostos, além de simular com precisão as propriedades ópticas do dente. Em contrapartida, as cerâmicas feldspáticas ainda são defendidas por demais autores como Neves et al. (2021) e Gomes et al. (2023) que estabelecem que para a confecção de lentes de contato ultrafinas, esse material permite restaurações com espessura mínima, embora exijam maior cuidado devido à sua natureza mais friável.
A comparação entre laminados cerâmicos e facetas em resina composta evidencia disparidades marcantes na manutenção estética. Silva et al. (2024) pontuam que, embora a resina tenha menor custo e seja mais conservadora por permitir reparos diretos, ela sofre com a instabilidade de cor e o desgaste superficial ao longo do tempo. Santos et al. (2022) reforçam que os laminados cerâmicos apresentam um desempenho significativamente melhor após uma década, com maior integridade marginal e resistência ao manchamento. Assim, o insucesso prévio com resinas é apontado por Uzêda et al. (2020) como uma das principais motivações para a indicação de cerâmicas.
No que se refere à cimentação, a literatura enfatiza que a cimentação adesiva e o planejamento são os fatores mais críticos para o êxito do tratamento (Deitos et al, 2023). Gonzalez et al. (2012) advertem que a cimentação é a fase em que ocorre a maioria das falhas, exigindo do profissional domínio técnico e escolha correta dos agentes cimentantes.
Por fim, Bispo (2018) traz uma reflexão importante ao questionar o termo "conservador", argumentando que mesmo os preparos minimamente invasivos podem remover até 30% da estrutura dentária, o que reforça a necessidade de um diagnóstico preciso antes da intervenção, além do conhecimento anatomofisiológico individualizado do paciente.
Em síntese, a longevidade é influenciada por diversos fatores, desde fatores genéticos e ambientais, até o seguimento minuncioso da técnica, conforme infográfico 1.
Infográfico 1. Síntese dos fatores de longevidade
5. CONCLUSÃO
Conclui-se que os laminados cerâmicos representam uma alternativa eficaz, previsível e duradoura para a reabilitação estética de dentes anteriores, desde que indicados e executados adequadamente. O sucesso clínico está relacionado ao planejamento criterioso, à correta seleção do material e à execução rigorosa da cimentação adesiva. Dessa forma, a associação entre técnicas minimamente invasivas, materiais de alta qualidade e prática baseada em evidências permite alcançar resultados estéticos e funcionais satisfatórios a longo prazo.
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1 Doutorando em Clínica Odontológica, Núcleo de Reabilitação Oral da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Juiz de Fora
2 Mestranda em Clínica Odontológica, Núcleo de Reabilitação Oral, da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Juiz de Fora
3 Mestre em Odontologia, Departamento de Materiais Odontológicos e Prótese da Faculdade de Odontologia de Araçatuba, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"
4 Cirurgião-dentista, Especialista em Implantodontia e Mestre em Ciências Odontológicas pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
5 Professora Dra. Docente da Universidade Federal do Espírito Santo.
6 Professor Dr. do Departamento de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Universidade Federal de Juiz de Fora, Campus Governador Valadares
7 Doutoranda em Doenças Infecciosas e Saúde Global, Universidade de São Paulo.