REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779747957
RESUMO
O estudo aborda os fatores que influenciam a permanência da juventude rural no campo, especialmente diante dos desafios da sucessão familiar e da eficácia das políticas públicas voltadas a esse público. O objetivo foi analisar os desafios e oportunidades enfrentados pelos jovens rurais de Marechal Cândido Rondon – PR, destacando o papel do Sindicato Rural na formação e capacitação voltadas à sucessão familiar. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, com base em levantamento bibliográfico e entrevista semiestruturada junto ao sindicato, buscando identificar ações e programas destinados à juventude rural. Os resultados evidenciam que o sindicato atua como mediador essencial entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e os produtores, ofertando cursos voltados à gestão, empreendedorismo e sucessão familiar, com significativa participação de jovens. Contudo, desafios como a falta de tempo, a desmotivação e a burocracia persistem como barreiras à permanência no campo. Conclui-se que a continuidade da agricultura familiar depende do fortalecimento de políticas públicas inclusivas, do acesso a recursos financeiros e da valorização da identidade rural. O estudo contribui ao demonstrar o protagonismo juvenil como elemento central para a inovação e o desenvolvimento sustentável no meio rural.
Palavras-chave: Identidade Rural.; Desenvolvimento Sustentável; Juventude rural; Políticas Públicas Sucessão familiar.
ABSTRACT
This study addresses the factors that influence the permanence of rural youth in the countryside, especially in the face of the challenges of family succession and the effectiveness of public policies aimed at this population. The objective was to analyze the challenges and opportunities faced by rural youth in Marechal Cândido Rondon – PR, highlighting the role of the Rural Union in training and capacity building focused on family succession. The research adopted a qualitative, descriptive, and exploratory approach, based on a literature review and semi-structured interviews with the union, seeking to identify actions and programs aimed at rural youth. The results show that the union acts as an essential mediator between the National Rural Learning Service (Senar) and producers, offering courses focused on management, entrepreneurship, and family succession, with significant participation from young people. However, challenges such as lack of time, demotivation, and bureaucracy persist as barriers to remaining in the countryside. It is concluded that the continuity of family farming depends on the strengthening of inclusive public policies, access to financial resources, and the valorization of rural identity. This study contributes by demonstrating youth leadership as a central element for innovation and sustainable development in rural areas.
Keywords: Rural Identity; Sustainable Development; Rural Youth; Public Policies; Family Succession.
1. INTRODUÇÃO
A questão da sucessão rural tem sido objeto de debates acadêmicos e políticos desde o século XX, momento em que o Brasil intensificou seu processo de modernização agrícola e a migração do campo para a cidade se tornou um fenômeno estrutural (Pacheco; Pacheco, 2010). Nesse contexto histórico, a juventude rural emergiu como um grupo estratégico, tanto pela sua função de herdeira de tradições e conhecimentos transmitidos entre gerações, quanto pelo potencial de inovação frente às transformações tecnológicas e econômicas. Trabalhos clássicos como os de Troian e Breitenbach (2018) e Leite (2018) destacam que a permanência dos jovens no campo não pode ser compreendida apenas como continuidade da herança da terra, mas como um processo social mais amplo, atravessado por identidades, políticas públicas e desafios estruturais.
A relevância do tema reside nos desafios e oportunidades relacionadas à permanência dos jovens no meio rural em Marechal Cândido Rondon, considerando aspectos econômicos, identitários e institucionais, bem como as políticas públicas voltadas a essa categoria. Nesse sentido, o artigo busca analisar o papel das organizações rurais, e em especial do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon na mediação dessas políticas e aspectos.
A motivação para a realização deste trabalho está associada, de um lado, à necessidade acadêmica de aprofundar a compreensão das dinâmicas que juventude, identidade e sucessão familiar; de outro, à vivência prática e local, uma vez que os desafios enfrentados pelos jovens de Marechal Cândido Rondon, Paraná, Brasil refletem, tanto tendências nacionais, quanto especificidades regionais. Assim, compreender como as políticas públicas, a identidade cultural e a estrutura fundiária influenciam as escolhas dos jovens torna-se essencial para indicar caminhos de fortalecimento da sucessão rural.
Diante das transformações sociais, econômicas e produtivas que permeiam o meio rural contemporâneo, este artigo analisa os desafios e as oportunidades relacionados à permanência da juventude no campo no município de Marechal Cândido Rondon, Paraná, com ênfase no papel das políticas públicas, das condições econômicas e da construção da identidade rural nesse processo. A pesquisa aborda aspectos históricos e estruturais da sucessão rural, destacando a atuação do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon como agente de mediação, capacitação e fortalecimento das famílias rurais por meio de ações formativas desenvolvidas em parceria com o SENAR. Além disso, discute-se o potencial da juventude rural como protagonista da inovação, da modernização produtiva e da sustentabilidade no campo.
Nesse sentido, compreende-se a sucessão rural não apenas como continuidade geracional das propriedades, mas como um processo de transformação e reinvenção do espaço rural, que demanda políticas inclusivas e estratégias capazes de reconhecer os jovens como sujeitos centrais para o desenvolvimento do rural brasileiro.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. Juventude Rural e Sucessão Familiar: Desafios e Oportunidades
A juventude rural desempenha um papel estratégico no contexto agrário, sendo simultaneamente guardiã de tradições e agente de transformações. No entanto, os desafios relacionados à sucessão familiar são complexos e multifacetados, envolvendo aspectos como acesso à terra, dinâmicas socioeconômicas e pressões migratórias, fatores que influenciam diretamente a capacidade dos jovens de permanecer no campo e contribuir para a continuidade das atividades agrícolas (Abramovay, 1998; Zonin & Kroth, 2021).
De acordo com Troian e Breitenbach (2018), o jovem é frequentemente associado ao futuro dos espaços que ocupa, sendo o desenvolvimento regional diretamente influenciado pelo comprometimento desses sujeitos com o local. Observa-se, entretanto, um fluxo migratório rural-urbano persistente, especialmente nas áreas de agricultura familiar, o que suscita preocupações quanto à sustentabilidade dessas regiões. Silvestro (2005) enfatiza que a migração juvenil está diretamente relacionada às oportunidades limitadas de sucessão e à baixa atratividade econômica do campo.
A concentração fundiária é um dos principais entraves à sucessão rural. A estrutura agrária brasileira, marcada por grandes propriedades e um número elevado de pequenas áreas, limita as oportunidades para jovens agricultores. Essa configuração gera desinteresse pela agricultura e estimula a migração em busca de melhores condições de vida. Pode-se observar que “a permanência dos jovens no meio rural tem se apresentado de forma distinta ao modelo tradicional de sucessão geracional” (Boscardina et al., 2021, p. 119), indicando a necessidade de alternativas inovadoras e mais adequadas à realidade contemporânea. Abramovay (2003) reforça que o futuro das regiões rurais depende da criação de condições estruturais para que os jovens possam assumir papéis ativos nas propriedades familiares.
No campo das políticas públicas, a juventude rural é impactada pela ausência de ações integradas e pela baixa efetividade de programas voltados à capacitação e ao acesso a crédito. Muitas iniciativas enfrentam entraves relacionados à burocracia e à precariedade da infraestrutura. Conforme Tabarro (2018), a fragilidade das políticas públicas voltadas à juventude rural tem enfraquecido, tanto as entidades governamentais, quanto as não governamentais, dificultando sua articulação e captação de recursos. Essa lacuna contribui para o afastamento dos jovens do campo e compromete a sustentabilidade rural em suas múltiplas dimensões — econômica, social e geracional (Carneiro, 2012; Zonin & Kroth, 2021).
Um aspecto essencial que orienta as decisões da juventude rural diz respeito à identidade rural. A forma como os jovens percebem seu pertencimento, suas tradições e o potencial de inovar no campo exerce influência direta sobre suas escolhas. Troian e Breitenbach (2018) afirmam que “a definição de juventude é tratada mais como uma escolha metodológica do que como uma preocupação real com seus impactos no desenvolvimento”, e ressaltam que mais importante do que estabelecer um consenso conceitual é garantir a escuta ativa dos jovens e sua inclusão em políticas públicas e projetos institucionais. Anita Brumer (2007) destaca que a construção de uma identidade rural sólida está relacionada à valorização das práticas locais, ao reconhecimento social e ao protagonismo juvenil.
Outro fator determinante é o capital financeiro disponível. O acesso a recursos — seja por programas de fomento, herança ou investimentos próprios — influencia a autonomia dos jovens e sua capacidade de empreender. Apesar de participarem ativamente das atividades produtivas, muitos continuam sem remuneração ou reconhecimento formal, o que limita sua inserção como sujeitos sociais ativos (Spanevello, 2015). Propiciar condições financeiras adequadas é, portanto, essencial para a permanência e valorização da juventude rural.
A estrutura fundiária, historicamente desigual, continua sendo um dos maiores desafios ao desenvolvimento rural sustentável. Durante décadas, a concentração de terras no Brasil tem refletido uma herança de desigualdades que restringe o acesso dos jovens à terra e à autonomia produtiva.
Nesse contexto, a problemática da concentração fundiária no Brasil não é um fenômeno recente, mas o resultado de um processo histórico de exclusão. Essa persistência estrutural atua como um entrave para a renovação das gerações no campo e para a viabilização de um modelo agrícola inclusivo. Desta forma, é possível observar que:
O Brasil mantém uma estrutura fundiária altamente concentrada, o que limita o acesso de novos agricultores à terra e perpetua um modelo de desigualdade que impede o avanço do desenvolvimento rural sustentável. A ausência de uma reforma agrária efetiva representa a continuidade de uma herança histórica que exige ações concretas do Estado e da sociedade para promover uma estrutura mais equitativa (Pacheco; Pacheco, 2010).
Nesse cenário, o Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural, articulado por diversos ministérios e com a participação da sociedade civil, surge como instrumento essencial para fortalecer a permanência dos jovens no campo. O plano contempla eixos como acesso à terra, crédito, educação contextualizada, saúde, conectividade, proteção ambiental e inclusão política, buscando atender demandas históricas das juventudes rurais e florestais (Brasil, 2024). Essas ações visam conter o êxodo rural e consolidar o protagonismo juvenil como base de um campo sustentável, produtivo e inclusivo (Stropasolas, 2016; Zonin & Kroth, 2021).
As interações sociais e o engajamento comunitário são fundamentais para valorizar a vida rural e projetar um futuro promissor. A análise crítica das variáveis que afetam a juventude — políticas públicas, identidade, capital e estrutura fundiária — permite compreender, de forma mais ampla, os desafios e oportunidades da sucessão familiar. Assim, a juventude rural deve ser reconhecida não apenas como herdeira de um patrimônio agrícola, mas como protagonista na transformação do campo em um espaço de inovação e desenvolvimento sustentável (Abramovay, 1998; Brumer, 2007).
2.2. Políticas Públicas e Juventude Rural: Um Olhar Crítico
As políticas públicas exercem papel central na permanência da juventude rural brasileira, grupo que representa cerca de 4,5% da população nacional, aproximadamente oito milhões de jovens (Zonin & Kroth, 2021). A análise dessas políticas deve considerar fatores financeiros, estruturais e identitários que influenciam as escolhas dos jovens, especialmente no contexto da sucessão familiar e da inovação no meio rural (Abramovay, 1998; Brumer, 2007).
Historicamente, a concentração e a desigualdade na distribuição de terras constituem barreiras significativas à permanência da juventude no campo, limitando oportunidades de desenvolvimento econômico e afetando suas aspirações e identidade (Leite, 2018, p. 5; Silvestro, 2005). A estrutura fundiária e o acesso restrito a recursos financeiros continuam a ser determinantes na dinâmica da sucessão rural, refletindo tanto políticas históricas quanto o impacto do agronegócio em detrimento da agricultura familiar (Pacheco; Pacheco, 2010; Stropasolas, 2016).
Além dos fatores econômicos, a juventude rural contemporânea busca formas de vida que vão além da sucessão familiar, integrando-se a redes de economia urbana ou promovendo iniciativas sustentáveis. Essa busca por inovação inclui a criação de novos negócios, práticas agrícolas diferenciadas e o turismo rural, demonstrando a necessidade de políticas que apoiem o protagonismo jovem e a diversificação de atividades no campo (Carneiro, 2012; Spanevello, 2015).
Novas gerações buscam autonomia, inovação e propostas que transcendam a continuidade das tradições agrícolas, exigindo políticas públicas que sejam sensíveis às demandas reais e regionais dos jovens rurais (Abramovay, 2003; Zonin & Kroth, 2021). Portanto, políticas públicas efetivas devem promover inclusão social, fortalecer comunidades, oferecer capacitação e criar redes de mentoria entre jovens empreendedores. A permanência da juventude rural deve ser vista como um fenômeno multifacetado, integrando aspectos econômicos, sociais e culturais, de modo a favorecer o protagonismo, a inovação e a sustentabilidade no ambiente rural brasileiro (Abramovay, 1998; Brumer, 2007; Zonin & Kroth, 2021).
2.3. Identidade e Permanência da Juventude no Campo
A construção da identidade da juventude rural é decisiva para sua permanência no campo, refletindo influências sociais, culturais e econômicas. No Brasil, as desigualdades persistentes e as pressões para migração desafiam os jovens a equilibrar suas aspirações individuais com expectativas familiares e comunitárias (Vieira et al., 2019).
A identidade rural é moldada por tradições familiares, história comunitária e forças externas, incluindo oportunidades urbanas. Muitos jovens buscam conciliar valores tradicionais com inovação, integrando novas tecnologias, educação e práticas agrícolas modernas, o que permite fortalecer seus vínculos com a terra e repensar o futuro da agricultura familiar (Abramovay, 1998; Zonin & Kroth, 2021).
As escolhas de permanência são complexas e influenciadas por fatores econômicos. O acesso a recursos financeiros, crédito rural e assistência técnica, como os oferecidos pelo Pronaf, é essencial para viabilizar a continuidade das propriedades e garantir autonomia para os jovens (Menezes et al., 2014). A ausência desses elementos compromete não apenas a permanência no campo, mas também a inovação e o desenvolvimento local.
Mudanças sociais, políticas e ambientais, como a globalização e as transformações climáticas, alteram a percepção dos jovens sobre a vida rural. O acesso à informação amplia suas comparações com outros contextos, levando-os a questionar se permanecer no campo é a melhor alternativa, reforçando a necessidade de políticas públicas que valorizem e sustentem a juventude rural (Brumer, 2007; Spanevello, 2015).
A valorização da identidade rural está diretamente ligada à criação de condições estruturais e econômicas que possibilitem a permanência e a inovação. Políticas públicas eficazes devem reconhecer os jovens como atores sociais essenciais, promovendo capacitação, financiamento, acesso a tecnologias e fortalecimento comunitário (Abramovay, 2003; Vieira et al., 2019).
Dessa forma, a juventude rural pode se tornar agente de transformação, conciliando tradição e modernidade, fortalecendo a agricultura familiar e contribuindo para a sustentabilidade do campo brasileiro (Zonin & Kroth, 2021; Stropasolas, 2016). Este entendimento evidencia a lacuna na literatura sobre como identidade, capital e políticas públicas interagem para influenciar a permanência da juventude. A presente pesquisa busca preencher essa lacuna, oferecendo análise crítica e empírica para orientar políticas e práticas que promovam o fortalecimento e a inovação no meio rural brasileiro.
2.4. A Influência do Capital Financeiro e Estrutura Fundiária na Sucessão Rural
A sucessão rural no Brasil é impactada diretamente pelo capital financeiro disponível e pela estrutura fundiária, fatores que influenciam a capacidade dos jovens de permanecer e inovar no meio rural (Vieira et al., 2019, p. 4; Menezes et al., 2014). A escassez de recursos financeiros limita investimentos, autonomia e inovação, dificultando a transição das propriedades familiares para as novas gerações.
A concentração de terras constitui uma barreira histórica à sucessão rural, com grandes propriedades dominando vastas áreas e restringindo o acesso de pequenos agricultores (Pacheco; Pacheco, 2010). Essa desigualdade fundiária, combinada com o avanço do agronegócio e a industrialização do campo, cria desafios econômicos e sociais que frequentemente desestimulam os jovens a assumir as propriedades familiares (Stropasolas, 2016).
O capital financeiro surge, portanto, como elemento decisivo. O acesso a crédito e a políticas públicas que favoreçam recursos e capacitação permite que os jovens possam diversificar atividades, investir em tecnologias e desenvolver modelos inovadores de negócio, garantindo a continuidade e sustentabilidade das propriedades rurais (Menezes et al., 2014; Abramovay, 1998).
As limitações impostas pela estrutura fundiária também estimulam respostas criativas. Jovens têm buscado novas formas de produção, conciliando inovação e preservação da cultura rural, utilizando tecnologia e estratégias adaptativas para enfrentar desigualdades e revitalizar a vida no campo (Carneiro, 2012; Spanevello, 2015).
Portanto, capital financeiro e estrutura fundiária são determinantes na sucessão rural, criando tanto obstáculos quanto oportunidades. Políticas públicas eficazes, que considerem a realidade econômica, social e identitária dos jovens rurais, são essenciais para fortalecer a permanência, promover inovação e garantir o futuro sustentável da agricultura familiar no Brasil (Abramovay, 2003; Zonin & Kroth, 2021).
2.5. Mudanças nos Padrões de Permanência da Juventude Rural
A juventude rural brasileira tem enfrentado transformações significativas nas últimas décadas, influenciadas por fatores sociais, econômicos e políticos. As decisões dos jovens de permanecer no campo ou migrar para áreas urbanas refletem uma complexa interação entre essas variáveis e determinam o futuro da agricultura familiar e da sucessão rural (Abramovay, 1998; Zonin & Kroth, 2021).
As dinâmicas familiares constituem um aspecto central na permanência dos jovens no meio rural. Estruturas familiares menores e a redução do número de filhos dificultam a sucessão, pois a falta de mão de obra gera limitações na manutenção das propriedades. A passagem de heranças torna-se, assim, uma questão delicada, onde o retorno ao campo muitas vezes é condicionado por oportunidades econômicas percebidas nas cidades (Troian & Breitenbach, 2018).
A identidade rural dos jovens também tem passado por reconfigurações. A migração urbana, o acesso a redes sociais e plataformas digitais e o estigma associado ao estilo de vida rural influenciam a percepção do que significa ser rural. Contudo, muitos jovens procuram conciliar tradição e inovação, utilizando novas tecnologias e práticas agrícolas para fortalecer seu vínculo com a terra e contribuir para o futuro do campo (Brumer, 2007; Spanevello, 2015).
As políticas públicas desempenham papel relevante nesse processo, influenciando tanto o acesso à terra quanto a disponibilidade de recursos financeiros e serviços de educação e saúde. A lacuna entre a oferta de políticas e as necessidades reais da juventude rural evidencia desafios persistentes, indicando que os programas atuais nem sempre conseguem atender à complexidade das demandas locais (Abramovay, 2003; Vieira et al., 2019).
O aumento da conectividade via internet e redes sociais abriu novas oportunidades econômicas para a juventude rural. Setores como turismo rural, agroecologia e comércio eletrônico têm se mostrado alternativas viáveis de renda, permitindo que alguns jovens vejam o campo como espaço de inovação e potencial econômico, e não apenas como limitação (Carneiro, 2012; Silvestro, 2005).
As inovações nas práticas agrícolas são outro fator determinante para a permanência dos jovens. A adoção de tecnologias que aumentam a eficiência e a sustentabilidade, aliada a iniciativas sociais e ambientais, tem transformado a vida no campo em um ambiente mais atrativo e moderno. Dessa forma, a juventude se torna agente de mudança, desafiando práticas tradicionais e promovendo novos modelos de gestão e produção (Stropasolas, 2016; Zonin & Kroth, 2021).
Apesar desses avanços, ainda existem lacunas no conhecimento sobre como fatores socioeconômicos, culturais e tecnológicos interagem para influenciar as decisões da juventude rural. Poucas pesquisas abordam de forma integrada os elementos da sucessão familiar, inovação e políticas públicas voltadas para jovens. Esta pesquisa, portanto, busca preencher essa lacuna, oferecendo uma análise crítica que contribua para o entendimento do papel da juventude na transformação e sustentabilidade do meio rural brasileiro.
3. PROCEEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.1. Caracterização do Estudo
O presente trabalho caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, de natureza descritiva e exploratória, configurando-se como um estudo de caso. Segundo Yin (2010), o estudo de caso permite a compreensão aprofundada de um fenômeno contemporâneo em seu contexto real, o que se aplica ao propósito desta pesquisa — analisar as ações de formação e permanência da juventude rural no município de Marechal Cândido Rondon, Paraná.
A pesquisa qualitativa, conforme Marconi e Lakatos (2003), busca compreender a realidade social a partir das percepções e significados atribuídos pelos sujeitos. Essa abordagem é adequada para investigar temas ligados à juventude rural, uma vez que, como apontam Abramovay (1998; 2003) e Carneiro (1998), a sucessão familiar e a permanência no campo não se limitam a questões econômicas, mas envolvem dimensões simbólicas, identitárias e culturais.
O caráter descritivo e exploratório da pesquisa justifica-se pela intenção de interpretar a realidade local e compreender as relações entre políticas públicas, identidade rural e estratégias de formação profissional. Essa escolha metodológica também dialoga com as análises de Stropasolas (2014) e Spanevello (2015), que ressaltam a importância de abordagens qualitativas para captar as múltiplas dimensões que envolvem o protagonismo juvenil no meio rural.
Assim, o estudo foi desenvolvido como um recorte empírico que permite evidenciar o papel das instituições de apoio — especialmente o Sindicato Rural — na construção de caminhos que favoreçam a sucessão geracional e o desenvolvimento sustentável do campo, em consonância com a perspectiva de Zonin et al. (2024) sobre juventude, territorialidade e inovação na agricultura familiar.
A escolha do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon como espaço central da análise ocorreu por um conjunto de fatores que combinam pertinência metodológica, viabilidade prática e coerência com os objetivos da pesquisa. Em primeiro lugar, destaca-se que a instituição possui uma estrutura consolidada de apoio técnico e formativo aos produtores rurais por meio de ferramentas vinculadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Esse vínculo institucional oferece um ambiente privilegiado para observar ações de capacitação, estratégias de fortalecimento do setor e iniciativas que impactam diretamente os jovens inseridos no meio rural.
Além disso, optou-se por investigar um sindicato patronal com o propósito de compreender de que forma essa entidade vem estruturando seu trabalho e suas pautas em relação ao público jovem. Embora o Sindicato Rural historicamente represente majoritariamente médios e grandes produtores, sua base de associados também inclui agricultores familiares, o que amplia a diversidade interna e permite uma análise abrangente da juventude rural em diferentes contextos produtivos. Dessa forma, o recorte não se restringe exclusivamente à agricultura familiar, mas contempla os jovens rurais em sentido mais amplo, acompanhando a heterogeneidade característica da região.
Outro elemento determinante foi a conveniência metodológica. Os pesquisadores mantêm relação prévia com o Sindicato Rural, o que facilitou o acesso ao público, aos documentos institucionais, às ações promovidas e à participação em atividades. Considerou-se, portanto, que esse vínculo permitiria maior fluidez no processo de coleta de dados e aprofundamento das informações, reduzindo barreiras institucionais e garantindo melhores condições para a realização da pesquisa. Trata-se de uma decisão metodológica transparente, orientada pela viabilidade e pelo compromisso com a qualidade dos dados.
Cabe ressaltar que outras instituições poderiam ter sido selecionadas, como o Sindicato dos Trabalhadores Rurais — historicamente mais ativo em pautas envolvendo juventudes — ou o CAPA, cuja atuação possui foco mais direcionado à formação e ao fortalecimento da agricultura familiar. No entanto, a proposta deste estudo exige uma análise focalizada, e a escolha de uma única entidade foi necessária para garantir profundidade investigativa. Assim, optou-se pelo Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon com base na pertinência aos objetivos traçados e na possibilidade concreta de acesso aos sujeitos e às ações que compõem o fenômeno analisado.
3.2. Local do Estudo
A pesquisa foi realizada no município de Marechal Cândido Rondon, localizado na região Oeste do Estado do Paraná. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022), o município possui área de 745,7 km² e uma população estimada em 58.734 habitantes para o ano de 2025, dos quais cerca de 16,7% residem na zona rural.
A economia local é fortemente vinculada à agricultura familiar e cooperativismo, destacando-se a produção de grãos, leite, aves e suínos, além da presença de agroindústrias e instituições de ensino técnico e superior que promovem a inovação agrícola. Esse cenário representa um espaço fértil para o estudo da juventude rural e dos novos padrões sucessórios, tema amplamente discutido por Silvestro (2001), Brumer (2004) e Abramovay (2003), que apontam as transformações na agricultura familiar diante da modernização e da reconfiguração dos papéis sociais e produtivos no campo.
A escolha do município justifica-se pela relevância regional de suas políticas de capacitação e pela atuação ativa do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, instituição que desempenha papel mediador na articulação de cursos e projetos voltados à formação e sucessão familiar dos jovens agricultores.
3.3. Público-alvo
O público-alvo desta pesquisa é composto por jovens rurais — homens e mulheres — pertencentes a famílias agricultoras do município de Marechal Cândido Rondon, bem como por representantes de instituições locais de apoio à agricultura familiar.
Para compreender o papel das entidades na promoção da permanência da juventude no campo, foi realizada uma entrevista com uma representante do Sindicato Rural, responsável pela coordenação das ações formativas junto ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
A escolha da entrevistada ocorreu de forma intencional, por sua experiência na gestão de programas voltados à formação técnica, empreendedorismo e sucessão familiar, como os cursos Herdeiros do Campo, Kaizen e Negócio Certo Rural. Essa opção metodológica está em consonância com a abordagem proposta por Spanevello (2015) e Zonin et al. (2024), que destacam o valor das narrativas institucionais para compreender os mecanismos de apoio e os desafios da juventude rural.
3.4. Coleta e Análise dos Dados
A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista semiestruturada, composta por onze questões abertas, elaboradas na plataforma do Google Forms e enviada por e-mail à entrevistada. As respostas foram registradas diretamente no formulário digital.
Essa técnica de coleta foi escolhida por possibilitar flexibilidade e profundidade interpretativa, conforme recomendam Marconi e Lakatos (2003), permitindo explorar as percepções da participante sobre os programas de capacitação, os desafios da sucessão familiar e as políticas públicas voltadas à juventude rural.
Os dados foram analisados a partir de uma análise qualitativa de conteúdo, buscando identificar categorias emergentes relacionadas a quatro eixos principais: 1º - Políticas públicas e acesso a recursos; 2º - Identidade e pertencimento rural; 3º - Sucessão e continuidade familiar; 4º - Formação e inovação agrícola.
A interpretação dos resultados foi orientada pelos aportes teóricos de Abramovay (1998; 2003) e Carneiro (1998), que discutem o papel da juventude como agente de mudança na agricultura familiar, e por Stropasolas (2014) e Zonin et al. (2024), que analisam a formação de novas gerações rurais em contextos de modernização e sustentabilidade.
3.5. Sistematização dos Resultados
A sistematização dos resultados foi conduzida a partir da organização e análise dos dados obtidos por meio da entrevista realizada com a representante do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon e das informações coletadas durante a pesquisa. Inicialmente, os dados foram examinados sob uma perspectiva qualitativa, com base em perguntas abertas que possibilitaram identificar percepções, experiências e significados atribuídos à atuação do Sindicato na formação e permanência dos jovens no campo.
Esse procedimento permitiu compreender de forma mais ampla as dinâmicas sociais e identitárias que permeiam o processo de sucessão familiar. Em seguida, os dados de natureza quantitativa foram agrupados e sistematizados em categorias correspondentes aos objetivos específicos do estudo, permitindo uma análise comparativa entre os diferentes eixos investigados. Essa estratégia metodológica garantiu coerência entre os objetivos propostos, o referencial teórico e os resultados alcançados, reforçando a pertinência da abordagem adotada para compreender o papel do Sindicato Rural como agente de fortalecimento da juventude rural.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
4.1. Importância da Atuação do Sindicato Rural no Município
No contexto do meio rural, o principal representante da categoria é o Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, que atua como entidade intermediadora entre os produtores rurais. Essa instituição promove ações de capacitação e qualificação profissional por meio de cursos voltados à gestão das propriedades rurais, ofertados em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
De acordo com informações coletadas do Sindicato, o Senar exerce um papel fundamental no desenvolvimento socioeconômico rural, ao proporcionar formação técnica e gerencial tanto aos produtores quanto aos seus descendentes, contribuindo para o fortalecimento da sucessão familiar, o aperfeiçoamento da gestão das atividades agropecuárias e o desenvolvimento pessoal. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (SENAR-PR), criado em 1993, tem como missão promover a formação profissional e o desenvolvimento social no meio rural, visando à cidadania e à sustentabilidade. A instituição busca ser referência em capacitação e difusão de tecnologias voltadas ao setor rural (SENAR-PR, 2024).
Os treinamentos são direcionados aos produtores com idade a partir de 18 anos, embora oportunize também para jovens a partir dos 16 anos temáticas como gestão, desenvolvimento pessoal, e sucessão familiar, com destaque para programas como: Nota Fiscal Eletrônica, Kaizen, Negócio Certo Rural, Herdeiros do Campo, entre outros.
A identificação das demandas formativas ocorre por meio da atuação em rede com parceiros como cooperativas, empresas, escolas e órgãos públicos, os quais ajudam a mobilizar o público-alvo e definir as temáticas prioritárias. O sindicato atua como intermediador junto ao Senar, garantindo a realização dos treinamentos. A divulgação acontece por meio de redes sociais, WhatsApp, rádio e site institucional.
Ainda, de acordo com a entrevistada, cursos como o Kaizen, apresentam impacto positivo, pois permitem que os participantes apliquem os conceitos de organização da propriedade. No entanto, a efetiva aplicação dos conhecimentos varia entre os participantes, o que demonstra que o envolvimento individual e o interesse são variáveis decisivas no sucesso da aprendizagem. Conforme publicação Agro Marechal (2024), a realização do curso Kaizen 5S no meio rural tem apresentado resultados significativos na melhoria da gestão das propriedades e no engajamento dos produtores em práticas de organização e eficiência. A metodologia, fundamentada nos princípios de utilização, ordenação, limpeza, padronização e disciplina, contribui para a redução de desperdícios e o aumento da produtividade nas atividades rurais.
A entrevista destacou que a adesão dos jovens aos cursos tem sido significativa, especialmente quando existe um plano de sucessão familiar e uma gestão eficiente da propriedade. O jovem no campo envolve mais que capacitação, é essencial que a propriedade seja economicamente viável e que os jovens percebam oportunidades de futuro por meio da inovação e da diversificação das atividades. Além disso, foram relatados desafios, como a falta de tempo e o desinteresse de alguns produtores em participar dos cursos gratuitos, apontados como barreiras ao engajamento.
A Tabela 1 permite visualizar o alcance e a diversidade dos cursos ofertados:
Tabela 1: Programas ofertados via (SENAR) com jovens do Município de M.C.R, Paraná, Brasil
Programa/Curso | Faixa Etária Permitida | Temática | Participação Jovem | Turmas |
Kaizen | ≥16 anos | Organização e gestão rural | Sim | 34 |
Nota Fiscal Eletrônica do Produtor Rural | ≥16 anos | Gestão fiscal | 19 | |
Negócio Certo Rural | ≥16 anos | Empreendedorismo e planejamento | Sim | Não informado |
Técnicas de Negociação | ≥16 anos | Comunicação e vendas | Sim | Não informado |
Gestão Financeira | ≥16 anos | Administração e finanças | Sim | Não informado |
Comunicação Eficiente | ≥16 anos | Comunicação interpessoal | Sim | Não informado |
Gestão de Pessoas | ≥16 anos | Recursos humanos | Sim | Não informado |
Herdeiros do Campo | 16 anos (até 3 gerações) | Sucessão familiar | Sim | 7 |
Agrinho | Educação infantil ao ensino médio | Educação rural e cidadania | Sim | Desenvolvido nas escolas |
Jovem Agricultor Aprendiz (JAA) | ≥13 anos | Formação técnico-profissional | Sim | Desenvolvido nas escolas |
Agropecuária 2030 | Estudantes do ensino técnico agrícola | Inovação e tecnologia no campo | Sim | Nível estadual |
Fonte: Elaborado pelos Autores (2026)
A Tabela 1 evidencia a amplitude e a diversidade das ações formativas desenvolvidas pelo SENAR em parceria com o Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, demonstrando um esforço contínuo de qualificação voltado tanto à gestão das propriedades quanto ao fortalecimento da permanência dos jovens no meio rural. Observa-se que os programas ofertados abrangem diferentes dimensões do desenvolvimento rural, incluindo gestão financeira, empreendedorismo, comunicação, sucessão familiar e inovação tecnológica. A predominância de cursos direcionados a participantes a partir de 16 anos indica uma preocupação em inserir precocemente os jovens nos processos de administração e planejamento das atividades agropecuárias, contribuindo para a formação de competências voltadas à profissionalização do campo. Nesse contexto, iniciativas como Kaizen, Gestão Financeira e Negócio Certo Rural revelam uma abordagem orientada à eficiência produtiva e à modernização da gestão rural, alinhando-se às demandas contemporâneas do agronegócio e da agricultura familiar.
Os dados também demonstram significativo alcance das ações educativas, especialmente no programa Kaizen, que contabilizou 34 turmas entre 2019 e 2025, evidenciando elevada adesão dos produtores e jovens às práticas de organização e gestão rural. O programa Herdeiros do Campo, com sete turmas realizadas, reforça a relevância atribuída à sucessão familiar como estratégia de continuidade das propriedades rurais, aspecto amplamente debatido por Spanevello (2015) ao destacar a formação dos jovens como elemento central para a permanência das novas gerações no campo. Além disso, programas desenvolvidos em ambiente escolar, como Agrinho e Jovem Agricultor Aprendiz (JAA), demonstram a integração entre educação formal e capacitação rural, ampliando as possibilidades de construção de identidade profissional e pertencimento territorial entre os jovens rurais.
Entretanto, embora os dados apontem avanços importantes na capacitação e no engajamento juvenil, a própria entrevista evidencia limites estruturais e culturais que ainda dificultam a participação efetiva dos produtores e sucessores. Barreiras como falta de tempo, baixa percepção da necessidade de qualificação e desinteresse, mesmo diante da gratuidade dos cursos, revelam que a adesão à formação profissional depende não apenas da oferta institucional, mas também das condições econômicas e das dinâmicas socioculturais das famílias rurais. Tais aspectos corroboram as análises de Tabarro (2018) e Menezes et al. (2014), ao indicarem que os desafios da capacitação rural estão relacionados à resistência a mudanças, à sobrecarga de trabalho e às incertezas quanto à viabilidade econômica das propriedades. Assim, os resultados sugerem que as políticas de formação rural precisam ser articuladas a estratégias mais amplas de desenvolvimento territorial, inovação e geração de renda, de modo a fortalecer efetivamente a sucessão familiar e a permanência dos jovens no meio rural.
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com relação ao objetivo específico, é possível concluir que a pesquisa atingiu sua finalidade ao analisar os desafios e oportunidades enfrentados pela juventude rural na permanência no campo, com destaque para o papel do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon como agente de mediação e formação no processo de sucessão familiar. A investigação demonstrou que a permanência dos jovens no meio rural está condicionada a fatores estruturais, econômicos e sociais que influenciam diretamente suas decisões de continuidade nas atividades agrícolas.
Já em relação aos resultados obtidos, verificou-se que a juventude rural enfrenta vulnerabilidades como o difícil acesso à terra, a escassez de oportunidades econômicas e a carência de infraestrutura básica, o que estimula o êxodo para os centros urbanos. Contudo, observou-se que as ações de capacitação promovidas pelo Sindicato Rural, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), têm contribuído positivamente para o fortalecimento da sucessão familiar e para o protagonismo dos jovens nas propriedades rurais.
No tocante às políticas públicas, constatou-se que, embora existam programas voltados à juventude rural, eles ainda se mostram insuficientes para garantir a inserção efetiva dos jovens como agentes do desenvolvimento sustentável. Faz-se necessária, portanto, a adoção de políticas articuladas que integrem educação técnica, crédito, inovação tecnológica e valorização da identidade rural, respeitando as especificidades regionais e culturais. Além disso, conclui-se que fortalecer a sucessão rural requer ações conjuntas entre famílias, instituições de capacitação e políticas públicas locais. A formação oferecida pelo Sindicato é importante, porém depende de condições estruturais para produzir efeitos duradouros na permanência dos jovens no campo.
Quanto às contribuições e limitações, o estudo reforça a importância da juventude rural como elemento central na inovação e na continuidade da agricultura familiar, destacando seu papel essencial para a construção de um campo mais dinâmico e sustentável. Reconhece-se, contudo, a limitação do recorte geográfico e institucional adotado, recomendando-se que pesquisas futuras ampliem o escopo territorial e metodológico, de modo a aprofundar a compreensão sobre os fatores que influenciam a permanência dos jovens no meio rural brasileiro.
AGRADECIMENTOS: Ao Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, Paraná, Brasil, pelas respostas concedidas ao questionário de avaliação aplicado para pesquisa concedida.
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1 Mestranda no Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: http://lattes.cnpq.br/1231660949779907. Orcid: https://orcid.org/0009-0003-0074-1212
2 Mestranda no Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) – E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: http://lattes.cnpq.br/2951892262121475. Orcid: https://orcid.org/0009-0004-6970-3721
3 Mestranda no Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8980428643608866. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8608-656X
4 Mestrando no Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: http://lattes.cnpq.br/1379037509682004
5 Mestranda no Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: http://lattes.cnpq.br/5929184414120248
6 Mestranda no Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: http://lattes.cnpq.br/1069182765612176. Orcid: https://orcid.org/0009-0007-3851-9552
7 Mestrando no Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: https://lattes.cnpq.br/3226553865681114. Orcid: https://orcid.org/0009-0008-8499-8424
8 Doutor em Ciência da Piscicultura pela Universidade de Kagoshima (UK) – Japão. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: http://lattes.cnpq.br/3293912993945437. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-0666-4567
9 Professor Permanente no Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) – Professor Adjunto na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Erechim (RS). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8659202304577769. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-3021-4275