REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/773518278
RESUMO
A expansão da inteligência artificial no campo educacional tem impulsionado debates sobre a necessidade de orientar sua integração às práticas pedagógicas e às políticas educacionais. Nesse contexto, o estudo investiga de que maneira diretrizes institucionais elaboradas no âmbito do Conselho Nacional de Educação, em diálogo com orientações da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, contribuem para organizar a inserção dessas tecnologias na educação. O objetivo consiste em analisar como essas orientações institucionais orientam o uso educacional da inteligência artificial, considerando suas implicações para o ensino, para a formação docente e para a organização das políticas educacionais. O referencial teórico articula estudos que discutem inteligência artificial na educação, tecnologias digitais no ensino e políticas públicas voltadas à educação digital. Metodologicamente, o trabalho adota revisão integrativa da literatura, baseada na análise de produções científicas e documentos institucionais que abordam o uso educacional da inteligência artificial. Os resultados indicam que a presença dessas tecnologias tem sido associada à ampliação de ambientes digitais de aprendizagem, ao uso de dados educacionais para apoiar processos pedagógicos e ao desenvolvimento de competências digitais necessárias à atuação docente. Conclui-se que as diretrizes analisadas contribuem para orientar a integração da inteligência artificial às práticas educacionais, indicando caminhos para a organização de políticas educacionais e processos formativos voltados ao uso responsável dessas tecnologias no ensino.
Palavras-chave: inteligência artificial na educação. políticas educacionais. tecnologias digitais na educação. formação docente.
ABSTRACT
The expansion of artificial intelligence in the educational field has intensified discussions about the need to guide its integration into pedagogical practices and educational policies. In this context, the study investigates how institutional guidelines developed within the National Council of Education, in dialogue with recommendations from the United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization, contribute to organizing the incorporation of these technologies into education. The objective is to analyze how these institutional orientations guide the educational use of artificial intelligence, considering its implications for teaching, teacher education, and the organization of educational policies. The theoretical framework brings together studies addressing artificial intelligence in education, digital technologies in teaching, and public policies related to digital education. Methodologically, the study adopts an integrative literature review based on the analysis of scientific publications and institutional documents that examine the educational use of artificial intelligence. The results indicate that the presence of these technologies has been associated with the expansion of digital learning environments, the use of educational data to support pedagogical processes, and the development of digital competencies required for teaching practice. It is concluded that the analyzed guidelines contribute to guiding the integration of artificial intelligence into educational practices, indicating pathways for the organization of educational policies and teacher education processes focused on the responsible use of these technologies in teaching.
Keywords: artificial intelligence in education. educational policies. digital technologies in education. teacher education.
1. INTRODUÇÃO
A expansão das tecnologias digitais tem transformado formas de produzir conhecimento, comunicar informações e organizar práticas educacionais. Nesse cenário, a inteligência artificial passou a ocupar espaço crescente no debate educacional, especialmente em relação às possibilidades de apoiar processos de ensino, aprendizagem e gestão pedagógica (Holmes; Bialik; Fadel, 2019).
De modo geral, a inteligência artificial pode ser compreendida como um conjunto de sistemas capazes de processar dados, identificar padrões e executar tarefas com base em algoritmos computacionais. No campo educacional, essas tecnologias têm sido utilizadas para apoiar atividades pedagógicas, organizar informações educacionais e ampliar formas de interação em ambientes digitais de aprendizagem (Wang et al., 2024).
A presença dessas tecnologias nas práticas educacionais também tem impulsionado reflexões sobre mudanças na organização do ensino. Ferramentas digitais baseadas em inteligência artificial vêm sendo utilizadas para apoiar a produção de materiais didáticos, acompanhar o desempenho de estudantes e diversificar estratégias de aprendizagem em diferentes níveis educacionais (Tan; Cheng; Ling, 2025).
Ao mesmo tempo, a incorporação dessas tecnologias envolve questões relacionadas à formação docente e às políticas educacionais que orientam seu uso. A utilização de sistemas digitais em ambientes educacionais exige que professores desenvolvam competências relacionadas ao uso pedagógico das tecnologias e à interpretação de informações geradas por ferramentas digitais (Bot; Kowalski; Santos, 2026).
Nesse contexto, organismos internacionais passaram a elaborar orientações destinadas a apoiar governos e instituições educacionais na integração dessas tecnologias aos sistemas de ensino. Entre essas iniciativas, destacam-se documentos produzidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, voltados à elaboração de princípios e recomendações para o uso responsável da inteligência artificial na educação (UNESCO, 2021).
Essas orientações ressaltam a necessidade de desenvolver políticas educacionais capazes de assegurar equidade, transparência e responsabilidade no uso de tecnologias digitais. O objetivo dessas recomendações consiste em orientar sistemas educacionais para que a incorporação dessas tecnologias ocorra de forma alinhada aos direitos educacionais e aos princípios da educação pública (UNESCO, 2023).
No cenário brasileiro, a presença desse debate também se relaciona à formulação de políticas públicas voltadas à educação digital. A Política Nacional de Educação Digital estabelece diretrizes para ampliar o acesso às tecnologias e promover a formação necessária para seu uso educacional em diferentes níveis de ensino (Brasil, 2023).
Além das diretrizes legais, o Conselho Nacional de Educação tem discutido orientações relacionadas ao uso da inteligência artificial no campo educacional. Essas discussões buscam estabelecer parâmetros que orientem instituições de ensino e sistemas educacionais diante das transformações provocadas pelas tecnologias digitais (Brasil, 2025).
Paralelamente, estudos sobre inteligência artificial na educação indicam que essas tecnologias podem contribuir para ampliar formas de personalização da aprendizagem e apoiar processos pedagógicos baseados em dados educacionais. Sistemas digitais podem auxiliar professores no planejamento didático e no acompanhamento do progresso dos estudantes (Arruda, 2024).
Pesquisas também indicam que a presença da inteligência artificial no ensino envolve desafios relacionados à organização das práticas pedagógicas e ao papel do professor. A utilização dessas tecnologias exige reflexão sobre mediação pedagógica, autonomia docente e formas de integrar ferramentas digitais aos processos de aprendizagem (Selwyn, 2019).
Outro aspecto relevante refere-se à relação entre inteligência artificial, currículo e desenvolvimento de competências digitais. A Base Nacional Comum Curricular destaca a importância de preparar estudantes para compreender e utilizar tecnologias digitais de maneira responsável, participando de ambientes digitais de aprendizagem (Brasil, 2018).
Investigações recentes também indicam que a presença dessas tecnologias no ensino exige novas formas de compreender a relação entre tecnologia, conhecimento e organização do processo educativo. Esse debate envolve aspectos pedagógicos, institucionais e formativos relacionados à integração das tecnologias digitais na educação (Huang et al., 2026).
Além disso, a incorporação da inteligência artificial no ensino tem sido analisada em diferentes pesquisas que discutem caminhos para integrar tecnologias digitais às práticas pedagógicas. Esses estudos destacam que o uso educacional da inteligência artificial envolve dimensões pedagógicas, tecnológicas e institucionais (Silva et al., 2025).
Nesse contexto, compreender as diretrizes institucionais relacionadas ao uso da inteligência artificial torna-se relevante para analisar como sistemas educacionais têm buscado orientar a presença dessas tecnologias na educação. Documentos institucionais e recomendações internacionais apresentam princípios que podem apoiar políticas públicas e práticas educacionais (Romero et al., 2023).
A relevância deste estudo está associada à necessidade de compreender como orientações institucionais contribuem para organizar o uso da inteligência artificial na educação. A análise dessas diretrizes permite identificar caminhos adotados por instituições educacionais diante das transformações provocadas pelas tecnologias digitais.
Apesar do crescimento das pesquisas sobre inteligência artificial na educação, ainda se observa a necessidade de examinar de forma mais detalhada como diretrizes institucionais e recomendações internacionais se articulam na organização das políticas educacionais. Essa questão indica um campo de investigação relevante para compreender a relação entre tecnologia e educação.
Diante desse cenário, o estudo busca responder à seguinte pergunta de pesquisa: de que maneira as diretrizes elaboradas pelo Conselho Nacional de Educação, em diálogo com recomendações da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, orientam a inserção da inteligência artificial no campo educacional?
Com base nessa questão, o objetivo do estudo consiste em analisar como as orientações produzidas pelo Conselho Nacional de Educação, articuladas às recomendações da UNESCO, contribuem para orientar políticas educacionais e práticas pedagógicas relacionadas ao uso da inteligência artificial na educação.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. Inteligência Artificial e Educação
A inteligência artificial tem sido compreendida como um conjunto de tecnologias capazes de processar dados, identificar padrões e apoiar decisões por meio de algoritmos computacionais. No campo educacional, essas ferramentas passaram a ser analisadas como recursos capazes de apoiar processos de ensino, aprendizagem e gestão do conhecimento em ambientes digitais (Holmes; Bialik; Fadel, 2019).
Pesquisas sobre o tema indicam que sistemas baseados em inteligência artificial podem contribuir para a personalização da aprendizagem e para a organização de ambientes educacionais apoiados por dados. Essas tecnologias permitem acompanhar trajetórias de aprendizagem e ampliar formas de interação entre estudantes, professores e recursos digitais (Wang et al., 2024).
Investigações recentes também apontam que a presença da inteligência artificial no ensino envolve diferentes dimensões pedagógicas. Entre elas destacam-se o apoio à elaboração de materiais educacionais, a organização de ambientes digitais e o acompanhamento do desempenho acadêmico por meio de sistemas computacionais (Tan; Cheng; Ling, 2025).
Esses avanços também têm ampliado debates sobre o papel da tecnologia na mediação do conhecimento. A incorporação de sistemas digitais no ensino exige compreender de que maneira essas ferramentas podem ser utilizadas como apoio às práticas pedagógicas sem substituir a mediação humana no processo educativo (Selwyn, 2019).
Nesse sentido, a inteligência artificial na educação tem sido analisada como um campo que envolve relações entre tecnologia, aprendizagem e organização institucional. Esse conjunto de transformações indica que o uso educacional dessas tecnologias depende da articulação entre recursos digitais, políticas educacionais e formação docente, além de favorecer abordagens educacionais que integram diferentes áreas do conhecimento no processo formativo (Romero et al., 2023; Gonsales et al., 2022).
2.2. Inteligência Artificial e Práticas Pedagógicas
A presença da inteligência artificial nas práticas educacionais tem estimulado reflexões sobre novas formas de organizar o ensino. Ferramentas digitais baseadas em algoritmos têm sido utilizadas para apoiar a produção de conteúdos, ampliar possibilidades de interação e diversificar estratégias pedagógicas (Arruda, 2024).
Essas tecnologias também têm sido associadas à ampliação de ambientes educacionais baseados em dados. Sistemas digitais podem apoiar professores no acompanhamento do progresso dos estudantes, permitindo observar padrões de aprendizagem e identificar dificuldades durante o processo educativo (Huang et al., 2026).
Outro aspecto recorrente refere-se à possibilidade de adaptação de conteúdos educacionais. Plataformas baseadas em inteligência artificial podem organizar trilhas de aprendizagem e oferecer atividades diferenciadas conforme o ritmo e as necessidades de cada estudante (Silva et al., 2025).
Essas transformações indicam que a inteligência artificial não atua isoladamente no processo educativo. Seu uso envolve a mediação pedagógica do professor, responsável por orientar o uso dessas ferramentas e integrá-las aos objetivos educacionais definidos no currículo (Holmes; Bialik; Fadel, 2019).
Além disso, o uso pedagógico dessas tecnologias também envolve reflexão sobre aspectos éticos e institucionais. A incorporação da inteligência artificial no ensino exige considerar questões relacionadas à transparência, responsabilidade e organização das práticas educacionais mediadas por tecnologias digitais (UNESCO, 2023).
2.3. Formação Docente e Competências Digitais
A inserção da inteligência artificial na educação tem sido associada à necessidade de ampliar competências digitais de professores. O uso pedagógico dessas tecnologias exige conhecimentos relacionados à interpretação de dados educacionais, ao funcionamento de sistemas digitais e à integração dessas ferramentas ao planejamento didático (Bot; Kowalski; Santos, 2026).
Nesse contexto, a formação docente passa a envolver dimensões tecnológicas que dialogam com práticas pedagógicas tradicionais. Professores precisam compreender o funcionamento de sistemas digitais para avaliar suas possibilidades educacionais e orientar estudantes em ambientes de aprendizagem mediados por tecnologia (Tan; Cheng; Ling, 2025).
Estudos também indicam que o desenvolvimento dessas competências não se limita ao domínio técnico das ferramentas. A formação docente envolve compreender implicações pedagógicas e institucionais relacionadas ao uso de sistemas baseados em inteligência artificial no processo educativo (Huang et al., 2026).
Outro aspecto relevante refere-se à necessidade de integrar competências digitais à formação inicial e continuada de professores. Esse processo busca preparar educadores para atuar em contextos educacionais marcados pela presença crescente de tecnologias digitais e ambientes de aprendizagem conectados (Bot; Kowalski; Santos, 2026).
Dessa forma, a formação docente torna-se elemento central para a integração da inteligência artificial na educação. O desenvolvimento dessas competências contribui para que professores utilizem tecnologias digitais de forma alinhada aos objetivos pedagógicos e às necessidades de aprendizagem dos estudantes (Arruda, 2024).
2.4. Diretrizes Educacionais e Políticas Públicas para Inteligência Artificial
A expansão das tecnologias digitais no campo educacional também tem sido acompanhada pela formulação de políticas públicas voltadas à educação digital. No Brasil, a Política Nacional de Educação Digital estabelece orientações destinadas a ampliar o acesso às tecnologias e promover a formação necessária para seu uso educacional (Brasil, 2023).
Esse marco normativo busca promover o desenvolvimento de competências digitais e ampliar o uso pedagógico das tecnologias no sistema educacional. A política também reconhece a importância de preparar estudantes e professores para contextos educacionais mediados por tecnologias digitais (Brasil, 2023).
A Base Nacional Comum Curricular também apresenta orientações relacionadas ao uso educacional das tecnologias digitais. O documento destaca a necessidade de desenvolver competências que permitam aos estudantes utilizar tecnologias de forma responsável, interpretar informações e participar de ambientes digitais de aprendizagem (Brasil, 2018).
Além das orientações curriculares, o Conselho Nacional de Educação tem discutido diretrizes relacionadas ao uso da inteligência artificial no sistema educacional. Essas iniciativas buscam orientar instituições de ensino diante das transformações provocadas pela expansão das tecnologias digitais (Brasil, 2025).
Paralelamente, organismos internacionais também têm elaborado recomendações voltadas ao uso educacional da inteligência artificial. A UNESCO tem publicado orientações destinadas a apoiar governos e instituições educacionais na formulação de políticas relacionadas à integração dessas tecnologias aos sistemas de ensino (UNESCO, 2021).
Essas recomendações ressaltam a necessidade de desenvolver políticas educacionais que considerem aspectos pedagógicos, tecnológicos e institucionais. Entre os princípios destacados encontram-se a promoção da equidade educacional, a transparência no uso de dados e a responsabilidade no desenvolvimento de tecnologias educacionais (UNESCO, 2023).
Nesse contexto, a relação entre políticas públicas, diretrizes educacionais e tecnologias digitais torna-se elemento central para compreender a inserção da inteligência artificial na educação. A articulação entre orientações institucionais e práticas pedagógicas contribui para organizar caminhos que orientem o uso dessas tecnologias no sistema educacional.
3. METODOLOGIA
O estudo adotou abordagem de revisão integrativa da literatura, orientada pela análise de produções científicas e documentos institucionais relacionados ao uso da inteligência artificial na educação. Essa escolha metodológica permite reunir e interpretar conhecimentos produzidos em diferentes pesquisas, possibilitando compreender como o tema tem sido tratado em investigações acadêmicas e em orientações educacionais.
A revisão integrativa foi escolhida por possibilitar a síntese de resultados provenientes de diferentes tipos de estudos, permitindo identificar conceitos recorrentes, abordagens teóricas e diretrizes institucionais relacionadas à inserção da inteligência artificial no campo educacional. Esse procedimento contribui para organizar conhecimentos produzidos em diferentes contextos e analisar sua relação com políticas educacionais e práticas pedagógicas.
A coleta de dados foi realizada em bases científicas reconhecidas internacionalmente, entre elas Scopus, Web of Science, SciELO e Google Scholar. Essas bases foram selecionadas por reunir periódicos científicos de ampla circulação na área educacional e tecnológica, permitindo identificar estudos relevantes sobre inteligência artificial, educação digital e formação docente.
A busca pelos estudos utilizou descritores amplos relacionados ao tema da pesquisa, formulados em português e inglês para ampliar o alcance dos resultados. Entre os principais termos utilizados encontram-se inteligência artificial na educação, artificial intelligence in education, educação digital, formação docente e tecnologias educacionais, combinados por operadores booleanos para ampliar a recuperação de publicações pertinentes.
As combinações de busca foram organizadas por meio de expressões que articulam os descritores principais, como artificial intelligence AND education, artificial intelligence AND teacher education e inteligência artificial AND educação digital. A utilização dessas combinações permitiu identificar estudos que abordam tanto aspectos pedagógicos quanto institucionais relacionados ao tema.
Os critérios de inclusão consideraram estudos publicados em periódicos científicos, livros acadêmicos e documentos institucionais relacionados à inteligência artificial na educação. Foram priorizadas publicações que discutem aplicações educacionais da inteligência artificial, formação docente para uso de tecnologias digitais e diretrizes institucionais para integração dessas tecnologias no ensino.
Também foram incluídos documentos produzidos por organismos internacionais e instituições educacionais responsáveis por orientar políticas públicas no campo educacional. Entre esses materiais encontram-se recomendações e orientações voltadas à formulação de políticas educacionais relacionadas ao uso de tecnologias digitais no ensino.
Os critérios de exclusão envolveram estudos que não abordavam diretamente o uso da inteligência artificial no contexto educacional ou que tratavam apenas de aspectos técnicos da computação sem relação com processos pedagógicos. Também foram excluídas publicações que não apresentavam relação com políticas educacionais ou formação docente.
O processo de seleção dos estudos ocorreu em etapas sucessivas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão, seguindo orientações utilizadas em revisões de literatura sistematizadas. Inicialmente foram identificadas publicações nas bases selecionadas a partir das combinações de descritores estabelecidas.
Na etapa de triagem foram examinados títulos e resumos das publicações recuperadas, verificando sua relação com o tema da pesquisa. Os estudos que apresentavam aderência ao tema foram selecionados para leitura integral, permitindo avaliar sua pertinência para os objetivos da investigação.
A etapa de elegibilidade envolveu a leitura completa dos textos selecionados, observando aspectos como abordagem teórica, relação com o tema investigado e contribuição para compreender o uso da inteligência artificial na educação. Esse procedimento permitiu selecionar estudos alinhados aos objetivos do trabalho.
Os estudos que atenderam aos critérios estabelecidos foram organizados para análise interpretativa, considerando suas contribuições para compreender o desenvolvimento da inteligência artificial na educação, suas implicações pedagógicas e as orientações institucionais relacionadas ao tema.
A análise dos dados concentrou-se na identificação de conceitos recorrentes, abordagens teóricas e diretrizes institucionais presentes nas publicações selecionadas. Esse procedimento permitiu compreender como diferentes pesquisas e documentos educacionais têm abordado a integração da inteligência artificial nas práticas educativas.
A interpretação dos estudos também buscou observar como orientações institucionais e pesquisas acadêmicas têm contribuído para compreender os desafios e possibilidades associados ao uso dessas tecnologias no ensino. Esse processo permitiu relacionar produções acadêmicas com políticas educacionais voltadas à educação digital.
A sistematização dos resultados foi organizada de modo a relacionar contribuições teóricas, evidências de pesquisas e orientações institucionais relacionadas ao uso da inteligência artificial na educação. Esse procedimento possibilitou examinar como diferentes estudos e documentos têm contribuído para orientar práticas pedagógicas e políticas educacionais nesse campo.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A análise dos estudos selecionados evidenciou que a inserção da inteligência artificial na educação tem sido associada a transformações nas práticas pedagógicas, na organização do currículo e nas políticas educacionais. Pesquisas indicam que essas tecnologias ampliam possibilidades de apoio ao ensino, especialmente em ambientes digitais de aprendizagem (Holmes; Bialik; Fadel, 2019).
Outro aspecto identificado refere-se ao uso da inteligência artificial para apoiar processos de personalização da aprendizagem. Sistemas educacionais baseados em dados permitem acompanhar trajetórias de aprendizagem e apoiar decisões pedagógicas relacionadas ao planejamento didático e à organização das atividades escolares (Wang et al., 2024).
Investigações recentes também indicam que essas tecnologias podem contribuir para a ampliação de ambientes educacionais interativos. Ferramentas digitais capazes de gerar conteúdos, organizar informações e apoiar atividades educacionais vêm sendo gradualmente incorporadas a práticas pedagógicas em diferentes níveis de ensino (Arruda, 2024).
No entanto, os resultados também indicam que a integração dessas tecnologias exige preparo institucional e formação docente adequada. O uso pedagógico da inteligência artificial depende do desenvolvimento de competências digitais que permitam aos professores interpretar dados educacionais e integrar tecnologias ao processo de ensino (Bot; Kowalski; Santos, 2026).
Essas evidências também revelam que a presença da inteligência artificial na educação envolve desafios relacionados à organização do trabalho docente e às formas de mediação pedagógica. A utilização dessas tecnologias requer reflexão sobre o papel do professor na condução do processo educativo em ambientes digitais (Selwyn, 2019).
Outro resultado relevante refere-se à presença crescente de diretrizes institucionais voltadas à orientação do uso educacional da inteligência artificial. Documentos internacionais destacam a necessidade de desenvolver políticas que assegurem transparência, responsabilidade e equidade na utilização dessas tecnologias no ensino (UNESCO, 2021).
No contexto educacional brasileiro, também foram identificadas iniciativas voltadas à organização do uso das tecnologias digitais na educação. A Política Nacional de Educação Digital estabelece orientações destinadas à ampliação do acesso às tecnologias e ao desenvolvimento de competências digitais no sistema educacional (Brasil, 2023).
Além disso, documentos educacionais indicam a necessidade de integrar tecnologias digitais aos processos formativos de estudantes e professores. A Base Nacional Comum Curricular reconhece o uso de tecnologias digitais como parte das competências necessárias à formação educacional (Brasil, 2018).
Outro aspecto identificado refere-se ao papel de instituições educacionais na formulação de orientações relacionadas à inteligência artificial. Discussões conduzidas pelo Conselho Nacional de Educação indicam a necessidade de estabelecer parâmetros institucionais para orientar o uso dessas tecnologias no ensino (Brasil, 2025).
Os estudos analisados também destacam a importância de compreender a relação entre tecnologia, educação e organização do conhecimento. A integração da inteligência artificial ao ensino envolve dimensões pedagógicas, institucionais e tecnológicas que precisam ser consideradas na elaboração de políticas educacionais (Romero et al., 2023).
Essas evidências também indicam que a presença da inteligência artificial na educação exige reflexão sobre aspectos relacionados à organização do currículo e à formação docente. Pesquisas apontam que o uso dessas tecnologias requer a construção de práticas pedagógicas capazes de integrar recursos digitais ao processo educativo (Huang et al., 2026).
Outro elemento recorrente nas pesquisas refere-se à ampliação das possibilidades de inovação pedagógica associadas ao uso dessas tecnologias. A presença de sistemas digitais no ensino pode contribuir para a diversificação de estratégias educacionais e para a organização de ambientes de aprendizagem mais dinâmicos (Silva et al., 2025).
A tabela 1 apresenta a síntese dos principais eixos identificados nos estudos analisados, destacando contribuições recorrentes relacionadas à inserção da inteligência artificial na educação.
Tabela 1 - Eixos identificados sobre inteligência artificial na educação
Dimensão analisada | Principais contribuições identificadas | REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS |
Transformações pedagógicas | Ampliação de ambientes digitais e novas formas de organização do ensino | Holmes; Bialik; Fadel (2019); Romero et al. (2023) |
Personalização da aprendizagem | Uso de dados educacionais para acompanhar trajetórias de aprendizagem | Wang et al. (2024); Huang et al. (2026) |
Inovação pedagógica | Produção de conteúdos digitais e diversificação de estratégias educacionais | Arruda (2024); Silva et al. (2025) |
Formação docente | Necessidade de competências digitais para uso pedagógico da tecnologia | Bot; Kowalski; Santos (2026); Tan; Cheng; Ling (2025) |
Diretrizes institucionais | Orientações para uso ético e responsável da inteligência artificial na educação | UNESCO (2021; 2023); Brasil (2023; 2025) |
Fonte: elaboração própria com base nos estudos analisados.
A interpretação desses resultados indica que a inserção da inteligência artificial na educação envolve processos que ultrapassam o desenvolvimento de tecnologias educacionais. O uso dessas ferramentas está associado à reorganização das práticas pedagógicas e à formulação de orientações institucionais voltadas à educação digital.
Também se observa que a presença dessas tecnologias exige articulação entre políticas educacionais, formação docente e desenvolvimento de ambientes digitais de aprendizagem. A integração entre esses elementos contribui para orientar o uso da inteligência artificial no campo educacional.
Os resultados indicam ainda que diretrizes institucionais e orientações internacionais têm desempenhado papel relevante na organização do debate educacional sobre inteligência artificial. Essas iniciativas contribuem para orientar políticas públicas e práticas pedagógicas relacionadas ao uso dessas tecnologias no ensino.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo examinou diretrizes relacionadas à inserção da inteligência artificial na educação, considerando orientações institucionais e pesquisas que investigam o uso dessas tecnologias no ensino. O objetivo consistiu em compreender como essas diretrizes contribuem para orientar políticas educacionais e práticas pedagógicas em contextos educacionais mediados por tecnologias digitais.
A síntese dos estudos analisados indica que a inteligência artificial tem sido associada à ampliação de ambientes digitais de aprendizagem, ao uso de dados educacionais e à diversificação de estratégias pedagógicas. Essas tecnologias vêm sendo consideradas recursos capazes de apoiar o planejamento didático, o acompanhamento do progresso dos estudantes e a organização de atividades educacionais em ambientes digitais.
Outro aspecto identificado refere-se à importância da formação docente para o uso pedagógico dessas tecnologias. A presença da inteligência artificial no ensino exige que professores desenvolvam competências relacionadas à interpretação de informações digitais, ao uso de sistemas educacionais e à integração de ferramentas tecnológicas às práticas pedagógicas.
Também se observa que orientações institucionais têm buscado estabelecer princípios para o uso educacional dessas tecnologias. Essas diretrizes indicam a necessidade de integrar tecnologias digitais aos processos formativos de forma alinhada à organização curricular, à mediação pedagógica e às finalidades educacionais.
Nesse contexto, a integração da inteligência artificial na educação envolve articulação entre políticas educacionais, formação docente e desenvolvimento de ambientes digitais de aprendizagem. A presença dessas tecnologias exige planejamento institucional e organização pedagógica capazes de orientar seu uso de forma coerente com os objetivos educacionais.
A análise realizada também indica caminhos para ampliar a compreensão sobre a relação entre inteligência artificial e educação. Investigações futuras podem aprofundar a análise de experiências educacionais que integrem tecnologias digitais ao ensino, bem como examinar formas de formação docente voltadas ao uso pedagógico dessas ferramentas.
O avanço das discussões sobre inteligência artificial na educação tende a ampliar reflexões sobre práticas pedagógicas, organização curricular e políticas educacionais. A compreensão desses processos contribui para orientar iniciativas educacionais que busquem integrar tecnologias digitais ao ensino de forma alinhada às necessidades formativas da educação.
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1 Mestre em Memória: Linguagem e Sociedade, Universidade do Sudoeste da Bahia (UESB)
2 Mestre em estudos sobre a Europa. Uab Portugal. E-mail: [email protected]