FORMAÇAO DE PROFESSORES E COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS NA PROMOÇÃO DE AMBIENTES ESCOLARES SAUDÁVEIS

TEACHER TRAINING AND SOCIO-EMOTIONAL SKILLS IN PROMOTING HEALTHY SCHOOL ENVIRONMENTS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/773468089

RESUMO
O presente estudo discute a importância da formação de professores e do desenvolvimento de competências socioemocionais na promoção de ambientes escolares saudáveis. Considerando as transformações sociais e educacionais contemporâneas, torna-se cada vez mais necessário compreender o papel das dimensões emocionais e sociais no processo de ensino e aprendizagem. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi analisar como a formação docente voltada ao desenvolvimento de competências socioemocionais pode contribuir para a construção de ambientes escolares mais acolhedores, colaborativos e favoráveis ao desenvolvimento integral dos estudantes. A pesquisa caracteriza-se como um estudo de abordagem qualitativa, desenvolvido por meio de revisão bibliográfica, a partir da análise de produções científicas nacionais e internacionais que abordam as temáticas da formação docente, das competências socioemocionais e da promoção de ambientes escolares saudáveis. Os resultados da análise indicam que o desenvolvimento dessas competências contribui para fortalecer as relações interpessoais no contexto escolar, favorecendo a construção de um clima escolar mais positivo e propício ao processo de aprendizagem. Além disso, evidenciam que professores que desenvolvem habilidades socioemocionais apresentam maior capacidade de mediação de conflitos, de promoção do diálogo e de construção de práticas pedagógicas mais empáticas e inclusivas. Conclui-se que a formação docente orientada para o desenvolvimento socioemocional constitui um elemento fundamental para o fortalecimento das práticas educativas e para a promoção de ambientes escolares mais saudáveis, contribuindo para a formação integral dos estudantes e para o desenvolvimento de relações mais equilibradas no contexto educacional.
Palavras-chave: Competências Socioemocionais; Formação Docente; Ambiente Escolar Saudável.

ABSTRACT
This study discusses the importance of teacher training and the development of social-emotional competencies in promoting healthy school environments. Considering contemporary social and educational transformations, it becomes increasingly necessary to understand the role of emotional and social dimensions in the teaching and learning process. In this context, the objective of this study was to analyze how teacher education focused on the development of social-emotional competencies can contribute to the construction of more welcoming, collaborative, and supportive school environments for students’ integral development. The research is characterized as a qualitative study developed through a bibliographic review based on the analysis of national and international scientific publications addressing teacher training, social-emotional competencies, and the promotion of healthy school environments. The results indicate that the development of these competencies strengthens interpersonal relationships in the school context, contributing to the construction of a more positive school climate that supports learning processes. Furthermore, the findings highlight that teachers who develop social-emotional skills demonstrate greater capacity for conflict mediation, dialogue promotion, and the implementation of more empathetic and inclusive pedagogical practices. It is concluded that teacher training focused on socioemotional development represents a fundamental element for strengthening educational practices and promoting healthier school environments, contributing to students’ integral formation and to more balanced relationships in educational settings.
Keywords: Social-Emotional Competencies; Teacher Training; Healthy School Environment.

1. INTRODUÇÃO

A escola contemporânea tem sido cada vez mais compreendida como um espaço que ultrapassa a mera transmissão de conteúdos curriculares, assumindo também a responsabilidade pela formação integral dos sujeitos. Nesse contexto, os aspectos emocionais, relacionais e sociais passaram a ocupar lugar central nos debates educacionais, sobretudo diante dos desafios associados à convivência escolar, à saúde mental e à construção de ambientes pedagógicos mais humanizados. A valorização das competências socioemocionais surge, portanto, como um caminho relevante para fortalecer as relações educativas e favorecer processos de aprendizagem mais significativos e inclusivos (Carvalho et al., 2016; Shankland et al., 2024).

As competências socioemocionais referem-se ao conjunto de habilidades relacionadas à autoconsciência, autorregulação emocional, empatia, colaboração e tomada de decisões responsáveis. Essas competências têm sido reconhecidas como elementos fundamentais para o desenvolvimento integral dos estudantes e para a promoção de relações mais equilibradas no ambiente escolar. Estudos indicam que a presença dessas habilidades no cotidiano educativo contribui para a melhoria do clima escolar, para o fortalecimento da convivência e para o aumento do engajamento dos alunos nos processos de aprendizagem (Schonert-Reichl, 2017; Xu, 2023).

Nesse cenário, o papel do professor torna-se particularmente relevante, uma vez que sua atuação não se limita ao ensino de conteúdos disciplinares, mas também envolve a mediação das relações sociais e emocionais presentes no cotidiano escolar (carmo, 2024). Professores que desenvolvem competências socioemocionais tendem a estabelecer interações pedagógicas mais empáticas, colaborativas e acolhedoras, favorecendo um ambiente educacional mais equilibrado e propício ao desenvolvimento dos estudantes. Dessa forma, a dimensão socioemocional da docência passa a ser reconhecida como componente essencial da prática pedagógica contemporânea (Dias et al., 2024).

A literatura educacional também aponta que o desenvolvimento dessas competências entre os docentes está diretamente relacionado aos processos de formação inicial e continuada. A formação de professores que integra dimensões cognitivas, sociais e emocionais contribui para ampliar a compreensão dos educadores sobre os processos de aprendizagem e sobre os desafios que emergem nas relações escolares. Nesse sentido, programas de formação voltados ao fortalecimento das competências socioemocionais têm demonstrado resultados positivos tanto para a atuação docente quanto para o ambiente educacional como um todo (Tesch et al., 2024; Molina-Moreno et al., 2024). Além disso, diferentes pesquisas evidenciam que iniciativas formativas voltadas ao desenvolvimento socioemocional dos professores podem impactar significativamente o desempenho profissional e a qualidade das interações pedagógicas (Franco et al., 2025). Programas de formação baseados em práticas reflexivas, autoconsciência e habilidades de comunicação têm demonstrado potencial para fortalecer a capacidade dos docentes de lidar com situações complexas do cotidiano escolar, como conflitos, dificuldades de aprendizagem e desafios relacionados à convivência entre estudantes (Ciucci et al., 2024).

Outro aspecto importante refere-se à relação entre competências socioemocionais e promoção de ambientes escolares saudáveis. Ambientes educativos caracterizados por relações respeitosas, cooperação e apoio mútuo favorecem o desenvolvimento socioemocional dos estudantes e contribuem para a redução de conflitos e situações de violência no espaço escolar (Falcão; Leme; Morais, 2021). Nesse sentido, a atuação docente orientada por princípios socioemocionais pode contribuir para a construção de uma cultura escolar baseada no diálogo, na empatia e na convivência pacífica (Rocha et al., 2025).

Pesquisas desenvolvidas em diferentes contextos educacionais também demonstram que a formação socioemocional de professores e gestores escolares pode gerar impactos positivos no desenvolvimento pessoal e acadêmico dos estudantes. A promoção dessas competências contribui para o fortalecimento da autoestima, da participação e do senso de pertencimento dos alunos, aspectos fundamentais para o sucesso escolar e para a formação de cidadãos mais conscientes e socialmente responsáveis (Orrego; Müller; Valenzuela, 2015; Jesus et al., 2024).

Dessa forma, a discussão sobre competências socioemocionais no campo educacional tem se consolidado como um tema de grande relevância para pesquisadores e profissionais da educação. A compreensão das relações entre formação docente, desenvolvimento socioemocional e clima escolar torna-se essencial para o avanço de práticas pedagógicas que promovam não apenas a aprendizagem acadêmica, mas também o bem-estar e o desenvolvimento integral dos estudantes (Lee, 2024). Ao considerar essas dimensões de maneira integrada, a escola pode fortalecer seu papel social na formação de sujeitos críticos, empáticos e capazes de conviver em contextos diversos (Bastida et al., 2025; Sshankland et al., 2024).

Diante dessas reflexões, o presente estudo tem como objetivo analisar a importância da formação de professores e do desenvolvimento de competências socioemocionais na promoção de ambientes escolares saudáveis, destacando as contribuições dessas habilidades para a melhoria das relações pedagógicas, do clima escolar e do processo de ensino e aprendizagem.

2. METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica. A pesquisa qualitativa busca compreender fenômenos sociais e educacionais em sua complexidade, considerando os significados, interpretações e contextos nos quais se inserem. Diferentemente das abordagens quantitativas, esse tipo de investigação privilegia a análise interpretativa dos fenômenos estudados, permitindo compreender as relações entre diferentes elementos que compõem o objeto de pesquisa. Nesse sentido, a abordagem qualitativa mostra-se adequada para investigar as relações entre formação docente, competências socioemocionais e promoção de ambientes escolares saudáveis (Minayo, 2014; Gil, 2019).

A revisão bibliográfica constitui um procedimento metodológico amplamente utilizado na produção científica, especialmente quando se pretende analisar e sistematizar o conhecimento já produzido sobre determinado tema. De acordo com Gil (2019), a pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de materiais já publicados, como livros, artigos científicos, dissertações e teses, permitindo ao pesquisador examinar diferentes perspectivas teóricas e ampliar a compreensão sobre o fenômeno investigado. Da mesma forma, Marconi e Lakatos (2021) destacam que esse tipo de pesquisa possibilita identificar contribuições relevantes da literatura, bem como estabelecer relações entre diferentes abordagens conceituais presentes nos estudos analisados.

Para a realização da revisão bibliográfica, foram selecionadas produções científicas nacionais e internacionais relacionadas às temáticas da formação de professores, das competências socioemocionais e da promoção de ambientes escolares saudáveis. Foram consideradas diferentes tipologias de documentos acadêmicos, incluindo artigos publicados em periódicos científicos, teses, dissertações, anais de eventos e obras de referência na área da educação e da psicologia educacional. A diversidade de fontes contribuiu para ampliar o escopo da análise e possibilitou a construção de uma fundamentação teórica consistente acerca do objeto de estudo (Gil, 2019; Marconi; Lakatos, 2021).

A seleção dos materiais analisados considerou critérios relacionados à pertinência temática, à relevância acadêmica e à atualidade das publicações. Foram priorizados estudos que abordam diretamente o desenvolvimento de competências socioemocionais no contexto educacional, bem como pesquisas que discutem a formação docente e suas implicações para o clima escolar e para a promoção de ambientes educativos saudáveis. Esse procedimento metodológico permitiu reunir um conjunto diversificado de referências que contribuem para a compreensão do fenômeno investigado (Minayo, 2014; Severino, 2017).

O processo de análise das produções científicas ocorreu por meio de diferentes etapas de leitura, conforme orientam os estudos metodológicos da pesquisa científica. Inicialmente foi realizada uma leitura exploratória, com o objetivo de identificar as principais abordagens e contribuições dos autores sobre a temática investigada. Em seguida, procedeu-se à leitura seletiva, na qual foram escolhidos os textos mais relevantes para a discussão proposta. Por fim, realizou-se a leitura analítica e interpretativa, permitindo a organização das informações e a construção da discussão teórica apresentada no estudo (Severino, 2017; Gil, 2019).

A organização dos dados obtidos na revisão bibliográfica ocorreu de forma temática, possibilitando identificar categorias analíticas relacionadas às competências socioemocionais, à formação docente e à promoção de ambientes escolares saudáveis. Esse procedimento favoreceu a sistematização das contribuições presentes na literatura e permitiu estabelecer relações entre diferentes perspectivas teóricas que discutem o papel da escola e dos professores no desenvolvimento socioemocional dos estudantes. Dessa forma, a metodologia adotada contribuiu para a construção de uma análise crítica e reflexiva acerca da importância das competências socioemocionais no contexto educacional contemporâneo (Minayo, 2014; Marconi; Lakatos, 2021).

3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

3.1. Competências Socioemocionais na Educação Contemporânea

A discussão sobre competências socioemocionais tem ganhado destaque no campo educacional nas últimas décadas, especialmente diante das transformações sociais, culturais e tecnológicas que impactam os processos de ensino e aprendizagem. A escola contemporânea passou a reconhecer que o desenvolvimento cognitivo dos estudantes está profundamente relacionado às dimensões emocionais e sociais que permeiam as interações no ambiente escolar (Schonert-Reichl, 2017). Nesse sentido, educar envolve também promover habilidades que favoreçam a convivência, a empatia, o autocontrole e a capacidade de lidar com desafios e conflitos presentes no cotidiano educativo (Shankland et al., 2024).

As competências socioemocionais compreendem um conjunto de habilidades relacionadas à percepção e à gestão das próprias emoções, ao reconhecimento dos sentimentos dos outros, à construção de relações interpessoais saudáveis e à tomada de decisões responsáveis (Xu, 2023). Essas competências são fundamentais para o desenvolvimento integral dos estudantes, pois contribuem não apenas para o bem-estar individual, mas também para a qualidade das relações sociais estabelecidas no contexto escolar. Estudos indicam que ambientes educativos que valorizam essas habilidades favorecem a participação dos alunos, fortalecem o engajamento nas atividades pedagógicas e contribuem para a melhoria do desempenho acadêmico (Jesus et al., 2024).

Nesse cenário, a escola assume um papel central na promoção dessas competências, uma vez que constitui um dos principais espaços de socialização das crianças e dos jovens. O ambiente escolar possibilita experiências coletivas que favorecem o desenvolvimento de habilidades como cooperação, respeito às diferenças, resolução de conflitos e responsabilidade social. Dessa forma, as práticas pedagógicas que incorporam a dimensão socioemocional da aprendizagem contribuem para a formação de sujeitos mais conscientes, capazes de atuar de forma crítica e colaborativa na sociedade (Carvalho et al., 2016; Bastida et al., 2025).

A literatura educacional tem destacado também a relação entre competências socioemocionais e qualidade do clima escolar. Um ambiente escolar caracterizado por relações respeitosas, apoio mútuo e comunicação aberta favorece tanto o desenvolvimento emocional dos estudantes quanto o fortalecimento das práticas pedagógicas. Nesse contexto, as competências socioemocionais tornam-se elementos essenciais para a construção de uma cultura escolar baseada na cooperação e na convivência democrática (Falcão; Leme; Morais, 2021; Rocha et al., 2025). Além disso, pesquisas evidenciam que o desenvolvimento dessas competências contribui significativamente para a prevenção de problemas relacionados à convivência escolar, como conflitos interpessoais, comportamentos agressivos e situações de violência (Couto, 2024). A promoção de habilidades socioemocionais no contexto educativo favorece a construção de estratégias de mediação e diálogo, permitindo que estudantes e professores desenvolvam formas mais saudáveis de lidar com desafios e tensões presentes nas relações escolares (Jesus et al., 2024).

Outro aspecto relevante refere-se à articulação entre competências socioemocionais e processos de aprendizagem. Estudos apontam que estudantes que desenvolvem habilidades como autorregulação emocional, persistência e capacidade de colaboração tendem a apresentar maior autonomia na realização das atividades escolares e maior capacidade de enfrentar dificuldades no processo de aprendizagem. Dessa forma, a integração entre dimensões cognitivas e socioemocionais torna-se fundamental para a promoção de experiências educativas mais significativas e eficazes (Shankland et al., 2024; Xu, 2023). Nesse contexto, as competências socioemocionais também estão relacionadas à construção de práticas pedagógicas mais humanizadas e inclusivas. Professores que reconhecem a importância dessas habilidades tendem a valorizar estratégias educativas que promovam a escuta, o diálogo e o respeito às diferenças, contribuindo para o fortalecimento das relações no ambiente escolar (Carmo, 2024). Essa perspectiva amplia o papel da escola, que passa a ser compreendida não apenas como espaço de transmissão de conhecimentos, mas também como ambiente de desenvolvimento humano e social (Dias et al., 2024).

A incorporação das competências socioemocionais nas práticas educacionais contemporâneas representa um avanço significativo na compreensão dos processos educativos. Ao reconhecer a importância das dimensões emocionais e sociais da aprendizagem, a escola amplia suas possibilidades formativas e fortalece seu compromisso com a formação integral dos estudantes, contribuindo para a construção de ambientes escolares mais saudáveis, colaborativos e propícios ao desenvolvimento humano (Bastida et al., 2025; Schonert-Reichl, 2017).

3.2. O Papel do Professor no Desenvolvimento Socioemocional dos Estudantes

O professor ocupa uma posição central no processo educativo, não apenas como mediador do conhecimento, mas também como agente fundamental no desenvolvimento socioemocional dos estudantes. A atuação docente influencia diretamente a forma como os alunos percebem o ambiente escolar, estabelecem relações interpessoais e lidam com desafios presentes no processo de aprendizagem (Sousa, 2018). Dessa maneira, a prática pedagógica envolve não apenas a transmissão de conteúdos acadêmicos, mas também a construção de vínculos, a mediação de conflitos e o incentivo ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais essenciais para a vida em sociedade (Dias et al., 2024).

Nesse contexto, as interações estabelecidas entre professor e estudante desempenham papel significativo no fortalecimento das competências socioemocionais. Relações pedagógicas baseadas na confiança, no respeito e na empatia contribuem para que os alunos se sintam acolhidos e motivados a participar das atividades escolares. Quando o professor demonstra sensibilidade às necessidades emocionais dos estudantes, cria-se um ambiente mais seguro e favorável à aprendizagem, no qual os alunos desenvolvem maior autonomia, autoestima e senso de pertencimento ao espaço escolar (Carmo, 2024; Orrego; Müller; Valenzuela, 2015).

Além disso, o professor atua como modelo de comportamento para os estudantes, influenciando diretamente a forma como eles desenvolvem habilidades relacionadas à convivência, ao respeito e à resolução de conflitos (Schonert-Reichl, 2017). As atitudes e posturas adotadas pelos educadores no cotidiano escolar podem estimular práticas de cooperação, diálogo e responsabilidade social entre os alunos. Dessa forma, o desenvolvimento das competências socioemocionais não ocorre apenas por meio de atividades planejadas, mas também pelas experiências vivenciadas nas interações cotidianas dentro da sala de aula (Lee, 2024).

Outro aspecto relevante refere-se à capacidade do professor de promover estratégias pedagógicas que integrem dimensões cognitivas e socioemocionais no processo de ensino e aprendizagem. Ao incentivar a colaboração entre os estudantes, estimular o pensamento reflexivo e promover atividades que valorizem a escuta e o diálogo, o docente contribui para o desenvolvimento de habilidades como empatia, autocontrole e responsabilidade coletiva. Essas práticas ampliam as possibilidades de aprendizagem e fortalecem a construção de ambientes educacionais mais participativos e inclusivos (Tesch et al., 2024; Dias et al., 2024).

A atuação docente também se mostra fundamental na mediação de conflitos e na promoção de uma convivência escolar mais equilibrada. Situações de divergência e conflito fazem parte da dinâmica das relações sociais no ambiente escolar, sendo necessário que o professor esteja preparado para lidar com esses desafios de forma pedagógica (Falcão; Leme; Morais, 2021). Ao utilizar estratégias de mediação e diálogo, o educador contribui para que os estudantes desenvolvam habilidades de comunicação e resolução pacífica de problemas, fortalecendo o desenvolvimento socioemocional e a convivência democrática na escola (Couto, 2024).

Além disso, o professor tem papel importante na promoção da autoestima e do engajamento dos estudantes no processo educativo. Quando o educador reconhece os esforços dos alunos, valoriza suas conquistas e incentiva a participação ativa nas atividades escolares, cria-se um ambiente de aprendizagem mais motivador e significativo. Essa valorização contribui para o fortalecimento da confiança dos estudantes em suas próprias capacidades e para o desenvolvimento de atitudes positivas em relação à aprendizagem (Orrego; Müller; Valenzuela, 2015; Jesus et al., 2024). Nesse sentido, torna-se evidente que o desenvolvimento socioemocional dos estudantes está diretamente relacionado à qualidade das práticas pedagógicas e das relações estabelecidas no ambiente escolar (Carmo, 2024). Professores que compreendem a importância dessas competências e as incorporam em sua atuação profissional contribuem para a construção de ambientes educativos mais saudáveis, nos quais os alunos se sentem respeitados, valorizados e estimulados a desenvolver suas potencialidades (Lee, 2024).

Portanto, o papel do professor no desenvolvimento socioemocional dos estudantes revela-se fundamental para a formação integral dos indivíduos. Ao integrar aspectos cognitivos, sociais e emocionais em sua prática pedagógica, o docente fortalece o processo educativo e contribui para a construção de uma cultura escolar baseada no respeito, na cooperação e no desenvolvimento humano, elementos essenciais para a promoção de ambientes escolares mais saudáveis e inclusivos (Schonert-Reichl, 2017; Dias et al., 2024).

3.3. Formação Docente e Programas de Desenvolvimento Socioemocional

A crescente valorização das competências socioemocionais no campo educacional tem evidenciado a necessidade de repensar os processos de formação docente, tanto na formação inicial quanto na formação continuada. Tradicionalmente, os programas de formação de professores concentraram-se predominantemente nos aspectos pedagógicos e nos conteúdos disciplinares, deixando em segundo plano as dimensões emocionais e relacionais da prática educativa (Bastida et al., 2025). Entretanto, diante dos desafios contemporâneos da educação, torna-se cada vez mais evidente que a atuação docente exige também o desenvolvimento de habilidades socioemocionais que favoreçam relações pedagógicas mais empáticas, colaborativas e humanizadas (Tesch et al., 2024).

Nesse contexto, a formação docente voltada ao desenvolvimento socioemocional busca ampliar a compreensão dos educadores acerca das dimensões afetivas que permeiam os processos de ensino e aprendizagem. Programas formativos que contemplam aspectos como autoconsciência, autorregulação emocional, empatia e habilidades de comunicação contribuem para fortalecer a capacidade dos professores de lidar com situações complexas presentes no cotidiano escolar. Ao desenvolver essas competências, os docentes tornam-se mais preparados para promover ambientes de aprendizagem acolhedores e favoráveis ao desenvolvimento integral dos estudantes (Carmo, 2024; Dias et al., 2024).

Diversos estudos têm evidenciado que programas estruturados de formação socioemocional para professores podem gerar impactos positivos tanto na prática pedagógica quanto no clima escolar. Pesquisas que analisam intervenções formativas voltadas ao desenvolvimento dessas competências indicam que os educadores passam a demonstrar maior sensibilidade às necessidades emocionais dos alunos, além de desenvolver estratégias pedagógicas mais colaborativas e inclusivas. Esses resultados apontam para a relevância de políticas educacionais que incentivem a formação socioemocional como parte integrante do desenvolvimento profissional docente (Ciucci et al., 2024; Molina-Moreno et al., 2024).

Entre as iniciativas voltadas ao fortalecimento dessas competências, destacam-se programas formativos que estimulam processos reflexivos sobre a prática docente e o autoconhecimento profissional (Franco et al., 2025). Ao refletirem sobre suas próprias emoções, atitudes e formas de interação com os estudantes, os professores desenvolvem maior consciência de seu papel no ambiente escolar e passam a adotar estratégias pedagógicas mais sensíveis às dimensões socioemocionais da aprendizagem. Esse processo contribui para a construção de práticas educativas mais conscientes e alinhadas às demandas da educação contemporânea (Bastida et al., 2025). Além disso, a literatura educacional aponta que a formação socioemocional docente favorece o fortalecimento da autoeficácia profissional e da capacidade de gestão das relações no ambiente escolar. Professores que participam de programas de desenvolvimento socioemocional tendem a apresentar maior segurança em lidar com desafios relacionados à disciplina, à convivência e à mediação de conflitos (Molina-Moreno et al., 2024).

Esse fortalecimento das competências pessoais e profissionais contribui para a melhoria das relações pedagógicas e para a construção de ambientes educativos mais equilibrados e colaborativos (Tesch et al., 2024). Outro aspecto relevante refere-se à necessidade de integrar essas competências de forma sistemática aos programas de formação docente. A incorporação da dimensão socioemocional nos currículos de formação de professores permite que os futuros educadores desenvolvam, desde o início de sua trajetória profissional, habilidades relacionadas à escuta, ao diálogo, à empatia e à resolução de conflitos. Dessa forma, a formação docente passa a contemplar de maneira mais abrangente as múltiplas competências necessárias para o exercício da profissão no contexto educacional contemporâneo (Carmo, 2024; Dias et al., 2024).

É importante destacar que o desenvolvimento das competências socioemocionais não se limita à participação em cursos ou programas específicos, mas envolve também um processo contínuo de aprendizagem e reflexão sobre a prática pedagógica (Bastida et al., 2025). A formação continuada desempenha papel fundamental nesse processo, possibilitando que os professores atualizem seus conhecimentos, compartilhem experiências e desenvolvam estratégias pedagógicas que valorizem as dimensões emocionais e sociais da aprendizagem (Tesch et al., 2024). Dessa forma, a formação docente orientada para o desenvolvimento socioemocional configura-se como elemento essencial para o fortalecimento da prática pedagógica e para a promoção de ambientes escolares mais saudáveis. Ao investir na formação integral dos professores, as instituições educacionais ampliam as possibilidades de construção de práticas educativas mais sensíveis às necessidades dos estudantes, contribuindo para a formação de sujeitos capazes de conviver, colaborar e participar ativamente da sociedade (Ciucci et al., 2024; Franco et al., 2025).

3.4. Competências Socioemocionais e Promoção de Ambientes Escolares Saudáveis

A promoção de ambientes escolares saudáveis tem se consolidado como um dos principais desafios da educação contemporânea, especialmente diante das crescentes demandas relacionadas ao bem-estar, à convivência e à saúde mental no contexto educacional (Rocha et al., 2025). Nesse cenário, as competências socioemocionais assumem papel fundamental na construção de espaços escolares mais equilibrados, nos quais as relações humanas são valorizadas e a aprendizagem ocorre em um ambiente de respeito, cooperação e diálogo. A escola, enquanto espaço de formação integral, passa a ser compreendida não apenas como local de transmissão de conhecimentos, mas também como ambiente de desenvolvimento humano e social (Shankland et al., 2024).

As competências socioemocionais contribuem significativamente para a melhoria do clima escolar, uma vez que favorecem o desenvolvimento de habilidades relacionadas à empatia, à comunicação e à resolução de conflitos. Quando essas habilidades são estimuladas no ambiente educativo, torna-se possível fortalecer as relações interpessoais entre estudantes, professores e demais membros da comunidade escolar. Dessa forma, o desenvolvimento dessas competências favorece a construção de uma cultura escolar baseada no respeito mútuo e na convivência democrática (Falcão; Leme; Morais, 2021; Jesus et al., 2024). Além disso, ambientes escolares que valorizam o desenvolvimento socioemocional tendem a apresentar melhores condições para o processo de ensino e aprendizagem. Estudos indicam que estudantes que se sentem acolhidos e emocionalmente seguros no espaço escolar demonstram maior engajamento nas atividades pedagógicas e maior disposição para participar das experiências educativas. Esse sentimento de pertencimento fortalece a motivação para aprender e contribui para o desenvolvimento acadêmico e pessoal dos alunos (Schonert-Reichl, 2017; Lee, 2024).

Nesse contexto, o desenvolvimento das competências socioemocionais também desempenha papel importante na prevenção de conflitos e situações de violência no ambiente escolar (Falcão; Leme; Morais, 2021). A promoção de habilidades relacionadas à empatia, à autorregulação emocional e à comunicação assertiva contribui para que os estudantes desenvolvam estratégias mais saudáveis de lidar com divergências e desafios nas relações sociais. Assim, a escola passa a atuar de forma preventiva na construção de uma convivência mais pacífica e colaborativa (Couto, 2024). Outro aspecto relevante refere-se ao impacto dessas competências na saúde mental dos estudantes e professores. O ambiente escolar pode ser tanto um espaço de desenvolvimento e acolhimento quanto um local de tensões e desafios emocionais. Nesse sentido, a promoção de competências socioemocionais contribui para fortalecer a capacidade dos indivíduos de lidar com frustrações, pressões acadêmicas e conflitos interpessoais, favorecendo o equilíbrio emocional e o bem-estar no contexto educativo (Carvalho et al., 2016; Shankland et al., 2024).

As competências socioemocionais também favorecem a construção de relações pedagógicas mais positivas entre professores e estudantes. Quando o educador valoriza a escuta, o diálogo e a empatia em sua prática pedagógica, cria-se um ambiente de aprendizagem mais acolhedor e colaborativo. Essas relações contribuem para fortalecer a confiança entre os sujeitos envolvidos no processo educativo, favorecendo a participação ativa dos estudantes nas atividades escolares (Sousa, 2018; Dias et al., 2024). Além disso, o desenvolvimento dessas competências no ambiente escolar contribui para o fortalecimento da autoestima e da autonomia dos estudantes. Ao aprenderem a reconhecer e gerenciar suas emoções, os alunos desenvolvem maior capacidade de enfrentar desafios, tomar decisões responsáveis e estabelecer relações saudáveis com os colegas e professores. Essas habilidades são fundamentais para o desenvolvimento integral dos indivíduos e para sua participação ativa na sociedade (Orrego; Müller; Valenzuela, 2015; Xu, 2023).

Outro ponto importante refere-se ao papel das práticas pedagógicas na promoção de ambientes escolares saudáveis. Estratégias educativas que valorizam a cooperação, o trabalho em grupo e a resolução coletiva de problemas contribuem para o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais entre os estudantes (Jesus et al., 2024). Essas práticas estimulam o respeito às diferenças, a solidariedade e a responsabilidade coletiva, fortalecendo a cultura de convivência no ambiente escolar (Dias et al., 2024). A promoção de ambientes escolares saudáveis também está relacionada à implementação de políticas educacionais e projetos institucionais que valorizem o desenvolvimento socioemocional. Escolas que incorporam essas competências em seus projetos pedagógicos ampliam as possibilidades de construção de práticas educativas mais humanizadas e sensíveis às necessidades dos estudantes. Dessa forma, o desenvolvimento socioemocional passa a ser reconhecido como elemento estratégico para a qualidade da educação (Rocha et al., 2025; Bastida et al., 2025).

Outro aspecto relevante refere-se à necessidade de envolver toda a comunidade escolar nesse processo. A promoção de ambientes saudáveis depende da colaboração entre professores, gestores, estudantes e famílias, que juntos contribuem para a construção de relações baseadas no respeito e na cooperação (Carvalho et al., 2016). Quando a escola promove espaços de diálogo e participação, fortalece-se o sentimento de pertencimento e a responsabilidade coletiva pela convivência no ambiente educativo (Jesus et al., 2024). Nesse contexto, a integração entre competências socioemocionais e práticas educativas contribui para ampliar as possibilidades de formação integral dos estudantes. Ao reconhecer a importância das dimensões emocionais e sociais da aprendizagem, a escola passa a desenvolver estratégias pedagógicas que valorizam não apenas o desempenho acadêmico, mas também o desenvolvimento humano e social dos alunos. Essa perspectiva fortalece o papel da educação na formação de sujeitos mais conscientes, empáticos e capazes de conviver em contextos diversos (Schonert-Reichl, 2017; Lee, 2024).

Dessa forma, as competências socioemocionais configuram-se como elementos essenciais para a promoção de ambientes escolares saudáveis e para o fortalecimento das relações educativas. Ao estimular o desenvolvimento dessas habilidades, a escola contribui para a construção de um espaço mais acolhedor, democrático e propício ao desenvolvimento integral dos estudantes, reafirmando seu compromisso com a formação humana e social dos indivíduos (Rocha et al., 2025; Shankland et al., 2024).

4. DISCUSSÃO

A análise da literatura evidencia que o desenvolvimento de competências socioemocionais tem se consolidado como um elemento fundamental para a compreensão dos processos educativos contemporâneos. Diferentes estudos apontam que a aprendizagem não pode ser compreendida exclusivamente a partir de dimensões cognitivas, uma vez que fatores emocionais e sociais exercem influência significativa sobre a forma como os estudantes se relacionam com o conhecimento, com os professores e com o ambiente escolar. Nesse sentido, a promoção dessas competências contribui para ampliar a compreensão sobre a complexidade dos processos educativos e para fortalecer práticas pedagógicas mais integradas e humanizadas (Schonert-Reichl, 2017; Shankland et al., 2024).

Os estudos analisados indicam que as competências socioemocionais desempenham papel relevante na construção de ambientes escolares mais saudáveis e colaborativos. Ambientes educativos que valorizam habilidades como empatia, cooperação e autorregulação emocional tendem a apresentar relações interpessoais mais equilibradas e maior engajamento dos estudantes nas atividades pedagógicas (Falcão; Leme; Morais, 2021). Esse cenário favorece o fortalecimento do clima escolar, elemento considerado essencial para a qualidade das experiências educativas e para o desenvolvimento integral dos alunos (Rocha et al., 2025). Outro aspecto recorrente na literatura refere-se à influência das competências socioemocionais no desempenho acadêmico e no desenvolvimento pessoal dos estudantes (Xu, 2023).

Pesquisas indicam que alunos que desenvolvem habilidades relacionadas à autorregulação, persistência e tomada de decisões responsáveis tendem a apresentar maior autonomia no processo de aprendizagem. Esses estudantes demonstram maior capacidade de lidar com desafios acadêmicos, organizar suas atividades escolares e estabelecer metas de aprendizagem, aspectos que contribuem para o fortalecimento de sua trajetória educacional. Nesse contexto, a atuação docente emerge como um fator determinante para o desenvolvimento dessas competências no ambiente escolar. Professores que demonstram sensibilidade às necessidades emocionais dos estudantes e que valorizam práticas pedagógicas baseadas no diálogo e na empatia contribuem para a construção de relações educativas mais positivas. A qualidade das interações entre professor e aluno influencia diretamente o clima da sala de aula e pode favorecer o desenvolvimento de habilidades socioemocionais que impactam tanto o comportamento quanto a aprendizagem dos estudantes (Dias et al., 2024; Sousa, 2018; Jesus et al., 2024).

A literatura também destaca que o desenvolvimento dessas competências no contexto educacional não ocorre de forma espontânea, sendo necessário que a escola desenvolva estratégias pedagógicas e programas formativos que promovam intencionalmente essas habilidades. Programas de aprendizagem socioemocional implementados em diferentes contextos educacionais têm demonstrado resultados positivos na melhoria do comportamento dos estudantes, na redução de conflitos e na promoção de relações mais colaborativas no ambiente escolar (Shankland et al., 2024; Lee, 2024). Outro elemento importante identificado na análise dos estudos refere-se à formação docente como eixo estruturante para a promoção das competências socioemocionais no contexto educacional. A formação de professores que integra dimensões cognitivas, emocionais e sociais contribui para ampliar a compreensão dos educadores sobre os processos de aprendizagem e sobre os desafios presentes no cotidiano escolar (Tesch et al., 2024). Professores que desenvolvem essas competências tendem a adotar práticas pedagógicas mais sensíveis às necessidades dos estudantes e mais alinhadas às demandas da educação contemporânea (Molina-Moreno et al., 2024).

Programas de formação socioemocional voltados aos professores têm demonstrado potencial significativo para transformar as práticas pedagógicas e fortalecer o clima escolar. Estudos que analisam intervenções formativas indicam que educadores que participam dessas iniciativas desenvolvem maior capacidade de gestão emocional, habilidades de comunicação e estratégias de mediação de conflitos. Essas competências contribuem para que os professores atuem de forma mais equilibrada diante das demandas emocionais presentes no ambiente escolar (Ciucci et al., 2024; Franco et al., 2025). Além disso, a literatura aponta que a formação socioemocional docente também contribui para o fortalecimento da autoeficácia profissional dos professores. Educadores que desenvolvem maior consciência emocional e habilidades relacionais tendem a sentir-se mais preparados para lidar com desafios pedagógicos e com situações de tensão no ambiente escolar. Esse fortalecimento da confiança profissional pode contribuir para a melhoria das práticas pedagógicas e para a construção de relações mais positivas com os estudantes (Xu, 2023; Carmo, 2024).

Outro aspecto relevante refere-se à relação entre competências socioemocionais e promoção da convivência escolar. Ambientes educativos que valorizam o diálogo, o respeito e a cooperação apresentam menor incidência de conflitos e maior capacidade de mediação de divergências entre estudantes (Couto, 2024). Nesse sentido, o desenvolvimento dessas competências contribui para a construção de uma cultura escolar baseada na convivência democrática e na valorização das relações humanas (Falcão; Leme; Morais, 2021).

A análise da literatura também evidencia que o desenvolvimento socioemocional no contexto escolar possui impactos que ultrapassam os limites da sala de aula. Estudantes que desenvolvem habilidades relacionadas à empatia, à colaboração e à autorregulação emocional tendem a apresentar maior capacidade de participação social e de construção de relações saudáveis em diferentes contextos da vida (Orrego; Müller; Valenzuela, 2015). Dessa forma, a promoção dessas competências contribui para a formação de cidadãos mais conscientes, responsáveis e preparados para atuar em sociedades complexas e diversificadas (Bastida et al., 2025).

Outro ponto importante refere-se à necessidade de políticas educacionais que reconheçam a relevância das competências socioemocionais no desenvolvimento educacional. A incorporação dessas competências em currículos escolares, programas de formação docente e projetos pedagógicos institucionais pode contribuir para fortalecer práticas educativas mais integradas e alinhadas às demandas da sociedade contemporânea. Nesse sentido, a promoção dessas habilidades deve ser compreendida como parte de uma política educacional mais ampla voltada à formação integral dos estudantes (Rocha et al., 2025). Os estudos analisados indicam que a promoção de ambientes escolares saudáveis depende da articulação entre diferentes elementos do contexto educacional, incluindo a formação docente, as práticas pedagógicas, as relações interpessoais e as políticas institucionais (Tesch et al., 2024; Dias et al., 2024).

Quando esses elementos são integrados de forma coerente, torna-se possível construir experiências educativas mais significativas, capazes de promover não apenas o desenvolvimento acadêmico, mas também o bem-estar e o desenvolvimento humano dos estudantes (Shankland et al., 2024). Dessa forma, a discussão apresentada reforça que as competências socioemocionais constituem um componente essencial para a construção de ambientes escolares mais saudáveis, colaborativos e inclusivos. Ao reconhecer a importância dessas habilidades na formação de professores e estudantes, a educação amplia suas possibilidades de atuação na promoção do desenvolvimento humano integral e na construção de relações sociais mais equilibradas e solidárias no contexto escolar (Schonert-Reichl, 2017; Rocha et al., 2025).

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa teve como objetivo analisar a importância da formação de professores e do desenvolvimento de competências socioemocionais na promoção de ambientes escolares saudáveis, considerando as contribuições dessas habilidades para o fortalecimento das relações pedagógicas e para a melhoria do clima escolar. A partir da revisão da literatura, foi possível compreender que as competências socioemocionais assumem papel cada vez mais relevante no contexto educacional contemporâneo, especialmente diante das demandas relacionadas ao bem-estar, à convivência e à formação integral dos estudantes.

Os estudos analisados evidenciam que o desenvolvimento dessas competências contribui significativamente para a construção de ambientes escolares mais equilibrados e colaborativos. Habilidades como empatia, autorregulação emocional, comunicação e cooperação favorecem a qualidade das relações interpessoais no espaço educativo, fortalecendo a convivência e criando condições mais favoráveis para o processo de ensino e aprendizagem. Dessa forma, a promoção das competências socioemocionais se apresenta como uma estratégia importante para a construção de práticas pedagógicas mais humanizadas e para a valorização das dimensões sociais e emocionais da aprendizagem.

Outro aspecto relevante identificado na literatura refere-se ao papel central do professor no desenvolvimento socioemocional dos estudantes. As interações estabelecidas no cotidiano escolar exercem influência significativa na forma como os alunos percebem o ambiente educativo e se relacionam com o conhecimento. Professores que desenvolvem competências socioemocionais tendem a promover relações pedagógicas mais empáticas e acolhedoras, contribuindo para a construção de um clima escolar mais positivo e propício à aprendizagem.

Nesse sentido, a formação docente emerge como um elemento fundamental para o fortalecimento dessas competências no contexto educacional. A incorporação da dimensão socioemocional nos processos de formação inicial e continuada possibilita que os educadores ampliem sua compreensão sobre os desafios presentes nas relações escolares e desenvolvam estratégias pedagógicas mais sensíveis às necessidades dos estudantes. Programas de formação socioemocional voltados aos professores têm demonstrado potencial para fortalecer habilidades relacionadas à gestão emocional, à mediação de conflitos e à promoção do diálogo no ambiente escolar.

A análise dos estudos também evidencia que a promoção de ambientes escolares saudáveis depende da articulação entre diferentes elementos do contexto educativo, incluindo práticas pedagógicas, relações interpessoais, políticas institucionais e processos formativos. Quando essas dimensões são consideradas de maneira integrada, torna-se possível desenvolver experiências educativas mais significativas, capazes de promover não apenas o desempenho acadêmico, mas também o bem-estar e o desenvolvimento socioemocional dos estudantes.

Dessa forma, ao responder ao problema de pesquisa, verifica-se que a formação de professores orientada para o desenvolvimento de competências socioemocionais constitui um fator essencial para a promoção de ambientes escolares mais saudáveis. Professores que desenvolvem essas habilidades tornam-se mais preparados para lidar com as complexidades do cotidiano escolar, contribuindo para a construção de relações pedagógicas baseadas no respeito, na cooperação e na convivência democrática.

Portanto, conclui-se que o investimento em políticas educacionais e programas de formação que valorizem o desenvolvimento socioemocional docente representa um caminho promissor para o fortalecimento da educação contemporânea. Ao reconhecer a importância dessas competências na formação de professores e estudantes, a escola amplia suas possibilidades de promover uma educação mais humanizada, comprometida com o desenvolvimento integral dos sujeitos e com a construção de ambientes educativos mais saudáveis e inclusivos.

Por fim, destaca-se a importância de que futuras pesquisas aprofundem a investigação sobre estratégias pedagógicas e programas formativos voltados ao desenvolvimento socioemocional no contexto escolar. A ampliação dos estudos nessa área poderá contribuir para fortalecer práticas educativas mais sensíveis às dimensões humanas da aprendizagem, bem como para orientar políticas públicas que promovam a qualidade das relações e do bem-estar no ambiente escolar.

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1 Doutor em Ciência da Educação. Universidad Técnica de Comercialización y Desarrollo (UTCD) - Revalidado pela Universidade Estácio de Sá. Endereço: Via Trento, 32 - Condomínio Vila Padova, Primavera do Leste/MT - CEP 78850-000. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1671-1766. E-mail: [email protected]

2 Especialista em Estudos Linguísticos e Aplicados, Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS e Atendimento Educacional Especializado - AEE. Universidade Federal do Piauí- UFPI. Endereço: Av. Gurupá 7820, Teresina PI. E-mail: [email protected]

3 Mestra em Comunicação Social. Instituição: Universidade Federal do Piauí (UFPI). Endereço: Rua Agnelo Pereira da Silva, 2246, São João, Teresina, Piauí. Telefone: 86 99826-1000. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8621-6587. E-mail: [email protected]

4 Mestra em Ensino de Biologia. Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Endereço: https://lattes.cnpq.br/1405428772272148. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9665-8995. E-mail: [email protected]

5 Mestre em Ensino de Física, Educação. Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Endereço: Rua Severino Lemos, 50, Vitória de Santo Antão, Pernambuco. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-6645-1062. E-mail primário: [email protected]. E-mail secundário: [email protected]

6 Doutor em educação e Novas tecnologias. Centro Universitário Internacional (Uninter). Endereço: Rua do Campus, s/n, no Bairro Santa Rosa, CEP 85200-000, Pitanga - PR. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5870-2895. E-mail: [email protected]

7 Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física. IFPI Campus Picos. Endereço: Rua Guarani 2 n 815, Bairro Bela Vista. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-5589-3589. E-mail: [email protected]

8 Doutor em Agronomia. Universidade Federal da Paraíba. Endereço: Rodovia BR 079, Km 12, Areia PB, CEP: 58.397-000. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2080-0307. E-mail: [email protected]