INFLUENZA SAZONAL: DIAGNÓSTICO, VIGILÂNCIA E PREVENÇÃO NA MEDICINA — UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

SEASONAL INFLUENZA: DIAGNOSIS, SURVEILLANCE AND PREVENTION IN MEDICINE — A SYSTEMATIC REVIEW

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/792412213

RESUMO
Introdução: A influenza sazonal é uma infecção respiratória aguda de circulação anual, responsável por elevada carga de hospitalizações, óbitos e custos aos sistemas de saúde. Objetivo: Sintetizar as evidências científicas publicadas entre 2021 e 2026 sobre diagnóstico, vigilância epidemiológica e prevenção da influenza sazonal. Metodologia: Revisão sistemática conduzida conforme as recomendações PRISMA 2020, com busca na base PubMed/MEDLINE por meio de estratégia booleana combinando descritores MeSH e termos livres relacionados à influenza humana, sazonalidade, diagnóstico, vigilância e vacinação. Dos 4.922 registros identificados, 70 estudos publicados entre 2021 e 2026 foram incluídos. Resultados: Os estudos foram agrupados em cinco eixos: aspectos clínicos e diagnósticos; vigilância epidemiológica, genômica e modelagem preditiva; efetividade e recomendações vacinais; novas plataformas vacinais, com destaque para as vacinas de RNA mensageiro; e cobertura vacinal, hesitação e grupos prioritários. A vacinação anual permanece como principal estratégia preventiva, embora sua efetividade varie conforme a temporada, o subtipo viral circulante e a faixa etária. A pandemia de COVID-19 alterou a dinâmica de circulação da influenza, incluindo o provável desaparecimento da linhagem B/Yamagata. Conclusão: O controle da influenza sazonal depende da integração entre diagnóstico laboratorial oportuno, vigilância sentinela e genômica contínua, vacinação anual com ampla cobertura e enfrentamento da hesitação vacinal, especialmente em gestantes, idosos, crianças e imunocomprometidos.
Palavras-chave: Influenza Humana; Estações do Ano; Monitoramento Epidemiológico; Vacinas contra Influenza; Prevenção de Doenças.

ABSTRACT
Introduction: Seasonal influenza is an acute respiratory infection with annual circulation, causing a high burden of hospitalizations, deaths and health system costs. Objective: To synthesize the scientific evidence published between 2021 and 2026 on the diagnosis, epidemiological surveillance and prevention of seasonal influenza. Methods: Systematic review conducted according to PRISMA 2020 guidelines, with a search in PubMed/MEDLINE using a Boolean strategy combining MeSH descriptors and free-text terms related to human influenza, seasonality, diagnosis, surveillance and vaccination. Of the 4,922 records identified, 70 studies published between 2021 and 2026 were included. Results: Studies were grouped into five axes: clinical and diagnostic aspects; epidemiological and genomic surveillance and predictive modeling; vaccine effectiveness and recommendations; new vaccine platforms, particularly messenger RNA vaccines; and vaccination coverage, hesitancy and priority groups. Annual vaccination remains the main preventive strategy, although its effectiveness varies by season, circulating viral subtype and age group. The COVID-19 pandemic altered influenza circulation dynamics, including the probable disappearance of the B/Yamagata lineage. Conclusion: Seasonal influenza control depends on integrating timely laboratory diagnosis, continuous sentinel and genomic surveillance, annual vaccination with broad coverage and addressing vaccine hesitancy, especially among pregnant women, older adults, children and immunocompromised individuals.
Keywords: Influenza; Human; Seasons; Epidemiological Monitoring; Influenza Vaccines; Disease Prevention.

1. INTRODUÇÃO

A influenza é uma infecção viral aguda do trato respiratório, causada principalmente pelos vírus influenza A e B, que circula de forma sazonal e provoca epidemias anuais em todo o mundo (Uyeki, 2021). Sua apresentação clínica varia de quadros leves e autolimitados a pneumonia viral, exacerbação de doenças crônicas e óbito, sobretudo em idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com comorbidades (Nypaver; Dehlinger; Carter, 2021; Idowu et al., 2025).

A sazonalidade da doença difere entre regiões. Em áreas temperadas, a circulação concentra-se nos meses de inverno, enquanto em regiões tropicais e subtropicais o padrão é mais irregular, com implicações diretas para a definição do momento da vacinação e para a orientação de viajantes (Kakoullis et al., 2023). Essa variabilidade exige sistemas de vigilância capazes de detectar precocemente o início das temporadas e identificar os subtipos e linhagens circulantes (Hasan et al., 2022; Radhi; Ibrahim; Alhilifi, 2023).

O impacto econômico também é expressivo. Estudos recentes estimaram custos elevados associados a consultas, internações e perda de produtividade, reforçando o valor das estratégias de prevenção como investimento em saúde pública (Chen et al., 2026; Wang et al., 2023).

A vacinação anual é a principal medida de prevenção recomendada por autoridades sanitárias internacionais para todas as pessoas a partir dos seis meses de idade sem contraindicações (Grohskopf et al., 2024; Grohskopf et al., 2025). Contudo, a efetividade das vacinas é influenciada pela deriva antigênica, pela correspondência entre as cepas vacinais e as circulantes e por fatores do hospedeiro, como idade e imunossenescência (Chen et al., 2022; Guo et al., 2024).

O período entre 2021 e 2026 foi marcado por mudanças importantes: a redução atípica da circulação da influenza durante a pandemia de COVID-19, seguida de retomada intensa em algumas temporadas; o provável desaparecimento da linhagem B/Yamagata; e o avanço das vacinas de RNA mensageiro (Dhanasekaran et al., 2022; Russell et al., 2024; Leroux-Roels et al., 2026). Diante desse cenário, esta revisão sistemática teve como objetivo sintetizar as evidências publicadas entre 2021 e 2026 sobre diagnóstico, vigilância epidemiológica e prevenção da influenza sazonal.

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, elaborada de acordo com as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020). A pergunta norteadora foi: quais são as evidências científicas recentes sobre diagnóstico, vigilância epidemiológica e prevenção da influenza sazonal?

A busca foi realizada na base PubMed/MEDLINE, com a seguinte estratégia booleana, combinando descritores do Medical Subject Headings (MeSH) e termos livres:

("Influenza, Human"[MeSH] OR "seasonal influenza" OR flu) AND ("Seasons"[MeSH] OR seasonality OR seasonal) AND (diagnosis OR "RT-PCR" OR "Epidemiological Monitoring"[MeSH] OR "Sentinel Surveillance"[MeSH] OR "Influenza Vaccines"[MeSH] OR prevention)

Foram adotados como critérios de inclusão: artigos publicados entre 2021 e 2026; estudos originais, revisões, ensaios clínicos, estudos de vigilância, estudos de modelagem e documentos de recomendação oficial; e abordagem da influenza sazonal humana em pelo menos um dos eixos de interesse (diagnóstico, vigilância ou prevenção). Foram excluídos estudos duplicados, publicações fora do recorte temporal e trabalhos sem relação com a influenza sazonal humana.

A seleção ocorreu em duas etapas: leitura de títulos e resumos, seguida da leitura na íntegra dos textos elegíveis. A busca, aplicada ao período de 2021 a 2026, identificou 4.922 registros. Após a remoção de duplicatas e a aplicação dos critérios de elegibilidade, 4.852 registros foram excluídos, e 70 estudos (1,4% do total identificado) compuseram a amostra final, conforme a Figura 1.

Figura 1. Fluxograma de seleção dos estudos, adaptado do PRISMA 2020

Fonte: Elaborada pelos autores (2026).

De cada estudo, foram extraídos autoria, ano, periódico, país ou contexto, delineamento e principais achados. Os resultados foram organizados em cinco eixos temáticos por análise de conteúdo: (1) aspectos clínicos e diagnósticos; (2) vigilância epidemiológica, genômica e modelagem; (3) efetividade, segurança e recomendações das vacinas; (4) novas plataformas vacinais; e (5) cobertura vacinal, hesitação e grupos prioritários. Por se tratar de pesquisa com dados secundários de domínio público, não houve necessidade de apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa.

3. RESULTADOS

Dos 4.922 registros identificados, 70 estudos publicados entre 2021 e 2026 foram incluídos, com maior concentração em 2022 (n = 15) e 2024 (n = 16). O eixo com mais publicações foi o de efetividade, segurança e recomendações vacinais (n = 27), seguido pela vigilância epidemiológica e modelagem (n = 19).

Tabela 1. Distribuição dos estudos incluídos por ano de publicação

Ano

Número de estudos

%

2021

12

17,1

2022

15

21,4

2023

10

14,3

2024

16

22,9

2025

10

14,3

2026

7

10,0

Total

70

100

Fonte: Elaborada pelos autores (2026).

Tabela 2. Distribuição dos estudos por eixo temático

Eixo temático

Número de estudos

%

Efetividade, segurança e recomendações vacinais

27

38,6

Vigilância epidemiológica, genômica e modelagem

19

27,1

Cobertura vacinal, hesitação e grupos prioritários

13

18,6

Aspectos clínicos e diagnósticos

8

11,4

Novas plataformas vacinais

3

4,3

Total

70

100

Fonte: Elaborada pelos autores (2026).

3.1. Aspectos Clínicos e Diagnósticos

As revisões clínicas destacaram que o diagnóstico da influenza pode ser presumido clinicamente em períodos de alta circulação, mas a confirmação laboratorial, preferencialmente por testes moleculares como o RT-PCR, orienta o tratamento antiviral precoce e o manejo hospitalar (Uyeki, 2021; Nypaver; Dehlinger; Carter, 2021). Na gestação, a infecção associa-se a maior risco de complicações maternas e fetais, o que reforça a importância da suspeição clínica e da vacinação (Idowu et al., 2025).

Fatores associados à hospitalização foram investigados no Marrocos (Ezzine et al., 2023), e a transmissão domiciliar dos vírus influenza A foi documentada nos Estados Unidos na temporada 2021–2022 (Rolfes et al., 2023). Em pacientes de unidade coronariana, a proteção sorológica contra influenza foi analisada em relação a eventos cardiovasculares durante as epidemias sazonais (Galar et al., 2026). O risco em viajantes e as diferenças de sazonalidade entre hemisférios também foram abordados (Kakoullis et al., 2023; Brehm et al., 2024).

3.2. Vigilância Epidemiológica, Genômica e Modelagem

A vigilância sentinela mostrou-se central para caracterizar a circulação viral em diferentes países, como Paquistão, Iraque, Laos e Dinamarca (Hasan et al., 2022; Radhi; Ibrahim; Alhilifi, 2023; Wodniak et al., 2024; Emborg et al., 2024). Na China, séries históricas de até 15 anos descreveram padrões sazonais por subtipo, linhagem e faixa etária (Huo et al., 2022; Jin et al., 2026).

A pandemia de COVID-19 reduziu drasticamente a circulação da influenza e esteve associada ao provável desaparecimento da linhagem B/Yamagata, com consequências para a composição vacinal (Dhanasekaran et al., 2022). A baixa circulação em uma temporada pode aumentar a suscetibilidade populacional na seguinte, como observado no início precoce e intenso da temporada 2022–2023 entre crianças (Krauland et al., 2022; Thomas et al., 2023; Merced-Morales et al., 2022).

A vigilância genômica permitiu relacionar a deriva antigênica à gravidade das temporadas (Chen et al., 2022) e aprimorar a previsão evolutiva do H3N2 para seleção de cepas vacinais (Huddleston; Bedford, 2025). Modelos matemáticos em múltiplas escalas e de metapopulação foram propostos para prever a atividade da influenza e planejar cenários de longo prazo (Osthus; Moran, 2021; Turtle; Ben-Nun; Riley, 2024; Papst; O'Keeffe; Strogatz, 2022; Han et al., 2023). Também foram descritas as interações entre os tipos virais em escala global (Chen et al., 2024), a transmissão reversa da influenza humana para suínos (Sylvén et al., 2024) e a carga econômica da doença na China entre 2010 e 2019 (Chen et al., 2026).

3.3. Efetividade, Segurança e Recomendações das Vacinas

As recomendações do Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP) mantiveram a vacinação anual de rotina para todas as pessoas a partir de seis meses de idade sem contraindicações, com transição para vacinas trivalentes após a retirada da linhagem B/Yamagata (Grohskopf et al., 2024; Grohskopf et al., 2025).

A metanálise de estudos com delineamento teste-negativo identificou que a efetividade vacinal no mundo real varia com a idade, que atua como modificador de efeito (Guo et al., 2024). Estimativas de efetividade foram publicadas para Austrália, Chile, Estados Unidos e Japão, com variações entre temporadas e subtipos (Diefenbach-Elstob et al., 2025; Olivares Barraza et al., 2022; McLean et al., 2023; Tadakuma et al., 2022). Nos Estados Unidos, as vacinas de 2022–2023 reduziram a carga hospitalar estimada (Bi et al., 2025), e maior cobertura vacinal associou-se a menos óbitos por influenza e pneumonia (Newall et al., 2024).

Em grupos específicos, a vacinação repetida em idosos com doenças cardiovasculares ou respiratórias foi relacionada aos desfechos de hospitalização (Pang et al., 2021), e vacinas de alta dose e baseadas em cultura celular foram apresentadas como alternativas para melhorar a resposta imune (Diaco et al., 2021; Gärtner et al., 2024). Em gestantes, estudos avaliaram a efetividade contra atendimentos de urgência e a segurança da exposição vacinal na gravidez (Reeves et al., 2025; Nwoji, 2022). A vigilância de segurança pós-vacinação da temporada 2023–2024 também foi conduzida (Lloyd et al., 2025).

No campo imunológico, as vacinas inativadas e atenuadas estimularam anticorpos amplamente neutralizantes em crianças (Yegorov et al., 2022), e foram investigados correlatos de proteção contra o H3N2 (Okuda et al., 2022) e a reatividade cruzada frente ao subclado K do H3N2 (Wilson et al., 2026). Estudos avaliaram ainda a reatividade cruzada limitada contra vírus aviários H5N1, suínos e H2 (Sun et al., 2025; Zhang et al., 2025; Encinas et al., 2025; Beau Reneer et al., 2021). A diferença de resposta entre os sexos foi discutida como aspecto relevante (Sánchez-de Prada et al., 2021). A coadministração com vacinas contra COVID-19 foi considerada viável (Aydillo et al., 2024; Kou et al., 2022), e a vacinação infantil na China foi custo-efetiva segundo modelagem (Wang et al., 2023). A proteção esperada para as temporadas seguintes também foi analisada (Burki, 2022).

3.4. Novas Plataformas Vacinais

As limitações das vacinas convencionais, como o tempo de produção e a adaptação dos vírus em ovos, motivaram o desenvolvimento de vacinas de RNA mensageiro, que permitem atualização mais rápida das cepas (Russell et al., 2024). Ensaio clínico recente avaliou a eficácia e a segurança de uma vacina sazonal de mRNA em adultos (Leroux-Roels et al., 2026), e vacinas de RNA autoamplificável mostraram imunogenicidade aumentada com potencial de economia de dose (Huang et al., 2026).

3.5. Cobertura Vacinal, Hesitação e Grupos Prioritários

A cobertura vacinal ainda é insuficiente em diversos grupos, como adultos imunocomprometidos na França e mulheres em idade fértil na Polônia (Cailleaux et al., 2026; Jagielska; Jasik; Nitsch-Osuch, 2021). Nas Américas, a pandemia de COVID-19 trouxe desafios adicionais aos programas de vacinação (Nogareda et al., 2023), e na Coreia do Sul foram comparadas as coberturas em idosos antes e durante a pandemia (Kim et al., 2024). A experiência do Butão demonstrou a viabilidade da introdução da vacina em países de menor renda (Wangchuk et al., 2023).

A hesitação vacinal foi associada a conhecimento, atitudes, crenças e confiança, segundo estudos com responsáveis por crianças, idosos, profissionais de saúde e pacientes psiquiátricos (Wei et al., 2021; Alenazi, 2022; Riad; Truksová; Koščík, 2024; Hakim et al., 2021; Borthwick; O'Connor; Kennedy, 2021). A recomendação do médico obstetra influencia a adesão das gestantes (SteelFisher et al., 2021). As barreiras e atitudes mudaram entre 2007 e 2023 (Skyles et al., 2024), e a aceitação da vacinação simultânea contra influenza e COVID-19 também foi descrita (Sansone et al., 2024).

4. DISCUSSÃO

Os achados desta revisão indicam que diagnóstico, vigilância e prevenção da influenza sazonal funcionam como etapas interdependentes. A confirmação laboratorial oportuna alimenta os sistemas de vigilância, e estes orientam a escolha das cepas vacinais e o momento das campanhas (Uyeki, 2021; Huddleston; Bedford, 2025).

A predominância de estudos sobre efetividade vacinal reflete a centralidade da vacina no controle da doença, mas também evidencia seu principal limite: a proteção varia a cada temporada. A deriva antigênica, sobretudo do subtipo H3N2, e a idade do vacinado modificam a efetividade, o que justifica o monitoramento contínuo e o uso de formulações diferenciadas para idosos, como as vacinas de alta dose (Chen et al., 2022; Guo et al., 2024; Diaco et al., 2021). Mesmo com efetividade moderada, o impacto populacional é relevante, com redução de hospitalizações e óbitos quando a cobertura é ampla (Bi et al., 2025; Newall et al., 2024).

A pandemia de COVID-19 funcionou como um experimento natural. As medidas não farmacológicas reduziram a circulação da influenza, mas geraram um acúmulo de suscetíveis que contribuiu para temporadas precoces e intensas, especialmente em crianças (Krauland et al., 2022; Thomas et al., 2023). O provável desaparecimento da linhagem B/Yamagata levou à transição das vacinas quadrivalentes para trivalentes, uma mudança concreta derivada da vigilância global (Dhanasekaran et al., 2022; Grohskopf et al., 2025).

As vacinas de mRNA representam a principal inovação do período, pela possibilidade de produção mais rápida e atualização de cepas mais próxima da temporada (Russell et al., 2024; Leroux-Roels et al., 2026). Contudo, sua incorporação dependerá de dados sobre durabilidade da proteção, custo e aceitação pela população. Paralelamente, a reatividade cruzada limitada das vacinas sazonais contra vírus H5N1 e suínos reforça a importância da abordagem de Saúde Única na vigilância (Sun et al., 2025; Zhang et al., 2025; Sylvén et al., 2024).

A hesitação vacinal surge como barreira transversal. A queda de confiança observada após a pandemia, somada a crenças sobre segurança e baixa percepção de risco, compromete a cobertura em grupos prioritários (Skyles et al., 2024; Riad; Truksová; Koščík, 2024). A recomendação direta do profissional de saúde é um dos fatores mais consistentes de adesão, inclusive entre gestantes (SteelFisher et al., 2021), o que destaca o papel do médico na prevenção.

Para o contexto brasileiro, os resultados apontam a necessidade de fortalecer a vigilância sentinela de síndrome gripal e de síndrome respiratória aguda grave, ampliar o acesso ao diagnóstico molecular e adequar o calendário vacinal às diferenças de sazonalidade entre as regiões do país, especialmente no Norte, onde a circulação segue padrão tropical (Kakoullis et al., 2023).

Esta revisão apresenta limitações: a busca restringiu-se a uma única base de dados, os estudos são heterogêneos em delineamento e contexto, e não foi realizada avaliação formal do risco de viés nem síntese quantitativa por metanálise. Além disso, a elevada proporção de registros excluídos (4.852 de 4.922) reflete a sensibilidade ampla da estratégia de busca, que recuperou muitos estudos sem foco na influenza sazonal humana.

5. CONCLUSÃO

A literatura publicada entre 2021 e 2026 confirma que a vacinação anual continua sendo a principal estratégia de prevenção da influenza sazonal, com impacto comprovado na redução de hospitalizações e óbitos, apesar da efetividade variável entre temporadas, subtipos e faixas etárias.

A vigilância sentinela e genômica mostrou-se indispensável para detectar o início das temporadas, orientar a composição vacinal e antecipar mudanças, como as observadas após a pandemia de COVID-19. O diagnóstico laboratorial oportuno, especialmente por métodos moleculares, sustenta tanto o manejo clínico quanto a qualidade dos dados de vigilância.

As vacinas de RNA mensageiro despontam como alternativa promissora para superar limitações das plataformas convencionais. Ainda assim, o controle efetivo da doença depende da superação da hesitação vacinal e da ampliação da cobertura em gestantes, idosos, crianças e imunocomprometidos, com participação ativa dos profissionais de saúde na recomendação da vacina. Recomenda-se que estudos futuros incluam múltiplas bases de dados, avaliação do risco de viés e dados brasileiros, considerando as diferenças regionais de sazonalidade.

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1 Mestre em Saúde e Biodiversidade (Professor de Enfermagem e Medicina pela UERR). Universidade Estadual de Roraima – UERR. Boa Vista, Roraima, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-8787-2260

2 Graduando em Medicina. Universidade Estadual de Roraima – UERR. Boa Vista, Roraima, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-7909-4346

3 Graduando em Medicina. Universidade Estadual de Roraima – UERR. Boa Vista, Roraima, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-2723-831X

4 Graduando em Medicina. Universidade Estadual de Roraima – UERR. Boa Vista, Roraima, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-0396-5599

5 Graduando em Medicina. Universidade Estadual de Roraima – UERR. Boa Vista, Roraima, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-8607-070X

6 Graduando em Medicina. Universidade Estadual de Roraima – UERR. Boa Vista, Roraima, Brasil. E-mail: E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-6048-1575