INFLUÊNCIA DO USO DE TELAS NO DESENVOLVIMENTO NA PRIMEIRA INFÂNCIA: REVISÃO NARRATIVA DE LITERATURA
PDF: Clique aqui
REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.15073290
Laís Valentina Resnauer Taques da Silva Dias1
Marcela de Lima Pereira2
Flávia Eloah Martins da Silva3
Rebeca Krebs Pacheco4
Joice Casagrande Piovezani5
RESUMO
O desenvolvimento neuropsicomotor é um processo complexo, dinâmico e progressivo, que ocorre especialmente durante a primeira infância. Caracteriza-se pela maturação neurológica, cognitiva e motora, além do desenvolvimento físico e aprendizagem psicossocial da criança. Atualmente, crianças têm sido expostas cada vez mais cedo a dispositivos digitais, o que impacta diretamente na aquisição dos marcos do desenvolvimento. Este estudo tem como objetivo analisar as consequências do uso de telas no desenvolvimento infantil, com um enfoque na primeira infância. Trata-se de um estudo de revisão narrativa de literatura, em que foram selecionados 10 artigos publicados entre 2017 e 2024 para análise, utilizando as bases de dados Scielo, PubMed, BVS e Cochrane Library. Os resultados demonstraram que o uso de telas durante a primeira infância influencia diretamente a aquisição dos marcos de desenvolvimento motores e cognitivos. A introdução precoce e o uso excessivo dos dispositivos digitais podem ocasionar atrasos significativos no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometendo aspectos como capacidade de atenção, desenvolvimento de linguagem e habilidades motoras e de comportamento. Conclui-se que os estudos analisados destacaram que o uso excessivo de telas prejudica o desenvolvimento infantil, enquanto o uso controlado e supervisionado e estímulos sociais e físicos, contribui para um crescimento saudável e a conquista dos marcos neuropsicomotores.
Palavras-chave: Desenvolvimento infantil. Dispositivos digitais. Neurodesenvolvimento.
ABSTRACT
Neuropsychomotor development is a complex, dynamic, and progressive process that occurs primarily during early childhood. It is characterized by neurological, cognitive, and motor maturation, as well as the child's physical development and psychosocial learning. Currently, children are being exposed to digital devices at increasingly younger ages, which directly impacts the acquisition of developmental milestones. This study aims to analyze the consequences of screen use on child development, focusing on early childhood. It is a narrative literature review in which 10 articles published between 2017 and 2024 were selected for analysis, using databases such as Scielo, PubMed, BVS, and the Cochrane Library. The results demonstrated that screen use during early childhood directly influences the acquisition of motor and cognitive developmental milestones. Early introduction and excessive use of digital devices can lead to significant delays in neuropsychomotor development, compromising aspects such as attention span, language development, and motor and behavioral skills. In conclusion, the studies reviewed highlighted that excessive screen use negatively affects child development, whereas controlled and supervised use, combined with social and physical stimuli, contributes to healthy growth and the achievement of neuropsychomotor milestones.
Keywords: Child Development. Digital Devices. Neurodevelopment.
1 INTRODUÇÃO
A infância é um período marcado por transformações tanto biológicas quanto psicossociais, que proporcionam avanços significativos nas áreas de desenvolvimento motor, emocional, social e cognitivo (BLACK et al., 2016). Durante esse período, o sistema nervoso central (SNC) passa por intensas transformações, incluindo processos de mielinização e reorganização sináptica. O ápice dessas mudanças ocorre por volta dos 24 meses de vida, o que potencializa a capacidade de aprendizado infantil (NOBRE et al., 2021).
Entretanto, crianças, cada vez mais cedo, têm tido contato com dispositivos eletrônicos como celulares, smartphones, notebooks e computadores utilizados por seus familiares e outras pessoas de seu convívio em ambientes variados (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2019b).
As crianças começam a assistir à televisão por volta dos 6 meses de idade, mas sua capacidade de prestar atenção cresce até os 5 anos, à medida que compreendem diferentes tipos de conteúdo. No entanto, elas só desenvolvem uma compreensão significativa do conteúdo assistido a partir dos 2 anos. Nesse início, aprendem menos com vídeos do que em situações reais, embora esse déficit possa ser reduzido por repetição, experiências com vídeos interativos e ao tornar o vídeo mais semelhante a uma interação social (ANDERSON; SUBRAHMANYAM, 2017).
O acesso às tecnologias visa entreter as crianças por meio de dispositivos eletrônicos, mantendo-as ocupadas, o que permite que os pais realizem suas tarefas diárias (ARUMUNGAM; SAID; FARID, 2021). Isso é conhecido como distração passiva, consequência da pressão consumista promovida por jogos e vídeos nas telas, além da publicidade das indústrias de entretenimento. Esse comportamento contrasta fortemente com o brincar ativo, que é um direito universal e fundamental para o desenvolvimento saudável do cérebro e da mente das crianças (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2019a).
Apesar de a comunicação digital poder ser uma ferramenta eficaz para auxiliar as crianças no desenvolvimento de relacionamentos sociais, especialmente através de tecnologias como o FaceTime, que possibilitam a interação virtual em tempo real (MYERS et al., 2016). Outros contextos e formas de utilização da comunicação digital podem prejudicar o desenvolvimento infantil emocional, social, comportamental (DOMOFF et al., 2019), além do desenvolvimento motor, em que observa-se uma correlação negativa entre a idade de início do uso de telas e os marcos do desenvolvimento motor e da linguagem, com efeitos moderados para essa faixa etária. Ou seja, quanto mais tarde as crianças são expostas às telas, mais rapidamente atingem esses marcos de desenvolvimento (STAMATI et al., 2022).
Os marcos de desenvolvimento na primeira infância podem ser avaliados por meio da Escala de Denver II, na qual é possível identificar atrasos no desenvolvimento da criança em comparação a outras da mesma faixa etária. A aplicação da escala consiste em uma triagem da população assintomática de 0 a 6 anos, avaliando quatro áreas do desenvolvimento neuropsicomotor, sendo elas, pessoal-social, motor fino-adaptativo, linguagem e motor grosso (SILVA et al., 2011).
Considerando o uso crescente da tecnologia por crianças e seus efeitos negativos em diversos aspectos do desenvolvimento, este trabalho tem como objetivo reunir e analisar estudos que exploram as consequências do uso de telas no desenvolvimento infantil, com um enfoque na primeira infância.
2 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de revisão narrativa de literatura. Os artigos de revisões narrativas são publicações amplas, que objetivam descrever e discutir o desenvolvimento ou o “estado da arte” de um determinado assunto, sob o ponto de vista teórico e contextual. Baseiam-se na análise bibliográfica e na interpretação crítica pessoal do autor (ROTHER, 2007).
O presente estudo foi realizado de forma não sistemática no período de setembro a dezembro de 2024. A pergunta norteadora da pesquisa foi: Quais são os principais impactos do uso de telas durante a primeira infância para o desenvolvimento infantil?
O levantamento da literatura baseou-se na busca de artigos científicos relacionados à problemática em questão, encontrados nas seguintes bases de dados: Scielo, PubMed, BVS e Cochrane Library. Os descritores utilizados nas buscas foram: “desenvolvimento infantil”, “dispositivos digitais”, “neurodesenvolvimento”, utilizando o operador de busca “AND”.
Foram encontrados 27 artigos sobre a temática, aos quais foram aplicados critérios de elegibilidade para a seleção. Como critérios de inclusão teve-se: publicações originais e de revisão, publicadas entre os anos de 2017 a 2024 nos idiomas português, espanhol e inglês, que abordassem diretamente o tema da pergunta norteadora.
Os critérios de exclusão foram aplicados da seguinte maneira: 7 trabalhos foram descartados por terem sido publicados antes de 2017, 3 foram descartados por serem Trabalhos de Conclusão de Curso ou Dissertação de Mestrado, 3 artigos foram descartados por não abordarem especificamente a faixa etária entre 0 a 6 anos, e, 4 foram descartados por não atenderem diretamente o enfoque temático principal.
Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, foram selecionados 10 artigos. Realizou-se uma análise de caráter qualitativo e abordagem descritiva, com o objetivo de identificar os principais impactos do uso de telas durante a primeira infância no desenvolvimento infantil, além de estratificar a influência direta na Escala de Denver II. Todos os artigos selecionados respeitam os princípios éticos da pesquisa.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A Tabela 1 sumariza os estudos selecionados para análise conforme a metodologia descrita, contendo informações relevantes, como título do artigo, autor e ano de publicação, objetivo do trabalho e principais achados.
Tabela 1: Visão geral dos artigos incluídos neste estudo sobre os impactos do uso de telas no desenvolvimento neuropsicomotor.
Título | Autor e ano | Objetivo | Principais achados |
Os impactos do uso de telas no neurodesenvolvimento infantil | Martins, et al. (2024) | Analisar os impactos do uso de telas no neurodesenvolvimento infantil, abordando a influência que o tempo de exposição a dispositivos eletrônicos pode ter em diferentes áreas do desenvolvimento. | O uso desmedido de dispositivos eletrônicos está relacionado a dificuldades de atenção, problemas de sono e prejuízos nas áreas de desenvolvimento cognitivo e comportamental. |
Asociación entre el uso de medios electrónicos, hitos del desarrollo y lenguaje en infantes | Stamati, et al. (2022) | Utilizar questionários online que coletaram dados sociodemográficos, uso de telas e marcos de desenvolvimento, analisados com testes não paramétricos e regressão linear para avaliar o impacto das telas no desenvolvimento infantil. | O estudo mostrou que bebês que começaram a usar telas mais tarde atingiram marcos motores e de linguagem mais cedo, entretanto assistir a vídeos estava relacionado a um vocabulário um pouco maior. Vale ressaltar que o tipo de conteúdo e os fatores sociais não influenciaram diretamente o desenvolvimento ou a linguagem. |
Os impactos relacionados ao uso de ferramentas digitais no desenvolvimento motor e cognitivo durante a infância | Luciano, et al. (2024) | Verificar de que forma as ferramentas digitais interferem no desenvolvimento motor e cognitivo durante a infância. | O uso de ferramentas digitais, associados a fatores sociais e familiares, pode beneficiar o desenvolvimento motor e cognitivo infantil. Para isso, faz-se necessário o acompanhamento das ferramentas digitais, mediando o tempo de tela e os conteúdos acessados. |
Tecnologias no desenvolvimento neuropsicomotor em escolares de quatro a seis anos | Fink; Mélo; Israel. (2019) | Verificar a influência da tecnologia no desenvolvimento neuropsicomotor de crianças de quatro a seis anos de idade em uma escola particular. | Observou-se uma influência da idade na existência de atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, de modo que, quanto menor a idade maior o atraso. As áreas mais comprometidas foram as de pessoal-social, seguido por motor grosso e linguagem. |
Screen time and young children: Promoting health and development in a digital world | Canadian Paediatric Society. (2017) | Examinar os benefícios e riscos potenciais da mídia de tela em crianças menores de 5 anos, com foco no desenvolvimento, na saúde psicossocial e física. | Verificou-se que alta exposição à TV de fundo afeta negativamente o uso e a aquisição da linguagem, a atenção, o desenvolvimento cognitivo e a função executiva em crianças menores de 5 anos. Também reduz a quantidade e a qualidade da interação entre pais e filhos. |
Unrestricted prevalence of sedentary behaviors from early childhood | Azabdaftari, et al. (2020) | Avaliar o tempo gasto em comportamentos sedentários entre crianças e adolescentes, além de investigar o conhecimento dos pais e seus estilos comportamentais. | Concluiu-se que comportamentos sedentários excessivos na infância estão diretamente ligados ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos, sendo os principais a televisão e o computador. |
Desenvolvimento infantil e práticas parentais de crianças brasileiras no segundo ano da pandemia de COVID-19 | Briet, Mélo, Polastri. (2023) | Avaliar crianças durante o segundo ano da pandemia, combinando avaliações presenciais do desenvolvimento infantil pelo teste Denver-II com um questionário online sobre práticas parentais e fatores ambientais. Uso de métodos descritivos e análise estatística para examinar possíveis associações entre práticas parentais e desenvolvimento neuropsicomotor. | Mostrou que 83,3% das crianças tiveram desenvolvimento típico, enquanto 16,7% apresentaram atraso, principalmente em linguagem. A maioria passou tempo excessivo de tela, mas manteve atividades físicas e contato social. Crianças com desenvolvimento questionável tinham maior tempo de tela inadequado. O acesso regular à saúde e a estimulação familiar ajudaram a minimizar os impactos da pandemia. |
Parental Education for Limiting Screen Time in Early Childhood: a Randomized Controlled Trial | Poonia, et al. (2024) | Avaliar o impacto da educação parental, focada na limitação do tempo de tela na primeira infância, considerando o tempo permitido pelos pais para o uso de dispositivos e os efeitos resultantes nas crianças. | A educação parental desde a primeira infância é uma intervenção eficaz para reduzir a exposição das crianças às telas, além de promover benefícios no desenvolvimento de suas habilidades motoras e no comportamento. |
Impacto das telas no Desenvolvimento Neuropsicomotor Infantil: uma revisão narrativa | Costa, et al. (2021) | Descrever os impactos causados pelo uso excessivo de telas no desenvolvimento neuropsicomotor de crianças e adolescentes. | Os bebês que são apresentados de forma contínua a telas, possuem, frequentemente, atraso na fala e na linguagem. Além disso, foi possível perceber relação do tempo de tela com prejuízos à saúde mental, como depressão e ansiedade. |
Consequências do tempo de tela precoce no desenvolvimento infantil | Moreira, et al. (2021) | Analisar as possíveis interferências da tecnologia no desenvolvimento infantil ao longo do tempo, além de ressaltar a importância do limite do tempo de tela no estilo de vida atual. | A introdução precoce do uso de tela em menores de seis anos pode trazer danos ao desenvolvimento infantil, com atrasos cognitivo, de linguagem e socioemocional. |
Fonte: As autoras, 2024.
Luciano, et al. (2024) afirma em seu estudo que os fatores ambiente social e familiar são os principais estimuladores para o desenvolvimento das habilidades motoras e cognitivas. Quando influenciados pelo uso de telas, estes fatores podem interferir no resultado final da aquisição completa dos marcos de desenvolvimento neuropsicomotor. Esta influência pode ser positiva ou negativa, visto que, quando inseridos corretamente, o uso de ferramentas digitais pode beneficiar as fases dos estímulos específicos.
O impacto do uso de telas pode variar dependendo de fatores como o tipo de conteúdo acessado, o contexto em que é realizado o uso dos dispositivos digitais e o papel dos pais e cuidadores na regulação do tempo de tela. A introdução precoce e o uso excessivo de dispositivos digitais durante a primeira infância podem interferir no desenvolvimento neurológico, comprometendo aspectos essenciais como a capacidade de atenção e processamento de informações (MARTINS et al. 2024). Ademais, os bebês que são apresentados de forma contínua a estes dispositivos, possuem, frequentemente, atraso na fala e na linguagem (COSTA et al. 2021).
Fink, Mélo, Israel (2019) realizaram um estudo com 23 crianças de 4 a 6 anos de um Centro de Educação Infantil e Ensino Fundamental privado em Curitiba, Paraná, onde aplicaram a Escala de Denver II juntamente com um questionário aos pais. Os resultados demonstraram que, na amostra investigada, quanto menor a idade, maior o atraso, sendo a faixa etária de 4 anos a mais afetada. Além disso, o uso de telas demonstrou grande relação com a presença de atrasos no DNPM das crianças. Nas crianças com 4 anos, a principal área de atraso foi a pessoal-social, seguida pela motora grossa e linguagem; para crianças de 5 anos, foi a motora grossa e de linguagem e, para as de 6 anos, a área motora grossa.
Conforme o estudo de Azabdaftari et al. (2020), concluiu-se que crianças com comportamentos sedentários tiveram contato com TV, smartphones e computadores desde muito cedo. Essa exposição está diretamente relacionada à permissividade dos pais, à falta de conhecimento e à ausência de regras impostas durante a primeira infância. Esses resultados são corroborados pela pesquisa de Poonia et al. (2024), que analisou crianças por aproximadamente seis meses, até os 16 meses de idade. Nesse estudo, os pais de um grupo foram orientados sobre o uso adequado de telas, enquanto o grupo controle não recebeu orientação. Observou-se que as crianças cujos pais foram educados apresentaram melhor desenvolvimento de habilidades motoras finas e adaptativas em comparação ao grupo controle.
Os estudos de Stamati et al (2022) e da Canadian Paediatric Society (2017) mostram que o uso de telas pode prejudicar o desenvolvimento infantil, especialmente a linguagem. Stamati et al concluiu que adiar o uso de telas pode beneficiar o vocabulário e o desenvolvimento. Mas, a Canadian Paediatric Society diz que a TV de fundo prejudica a linguagem, a atenção e a interação pais-filhos. Ambos alertam que o uso excessivo de telas pode afetar o desenvolvimento infantil, especialmente sem mediação.
Utilizando a escala de Desenvolvimento Infantil Denver II, o estudo de Briet, Mélo e Polastri (2023), avaliou o impacto da pandemia de COVID-19 no desenvolvimento infantil, com destaque para a correlação entre o tempo excessivo de tela e atrasos no desenvolvimento, mais frequentes em crianças com resultados questionáveis. Apesar disso, muitas dessas crianças mantiveram contato social e praticaram atividades físicas. O estímulo familiar mostrou-se essencial para proteger e promover o desenvolvimento neuropsicomotor nesse contexto.
No último estudo apresentado na Tabela 1, realizado por Moreira et al. (2021), foi concluído que a primeira infância é um período essencial para o desenvolvimento cerebral e das habilidades infantis, sendo que o uso precoce de telas pode impactar negativamente esse processo. Os prejuízos incluem alterações na qualidade do sono, problemas visuais, comportamentais, ansiedade, entre outros, especialmente em lactentes e pré-escolares. Além disso, é importante ressaltar que conforme orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria, crianças menores de 2 anos não devem ser expostas a telas. Para aquelas entre 2 e 5 anos, o uso deve ser limitado a, no máximo, 1 hora por dia, sempre com supervisão (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2019a).
A fim de que esses problemas se diminuam, é essencial a formulação de políticas públicas que promovam a conscientização sobre os impactos do uso excessivo de telas no neuropsicodesenvolvimento infantil. A aprovação, pela Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados, de um projeto que prevê a inclusão de alertas sobre o uso de telas por crianças nas embalagens de produtos eletrônicos destaca a relevância dessa discussão. A medida busca informar pais, responsáveis e profissionais sobre os riscos associados à exposição precoce e sem controle às telas, que pode comprometer o desenvolvimento cognitivo, motor e social na primeira infância (CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2024).
4 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os estudos analisados destacaram a influência do uso de telas no desenvolvimento infantil, ressaltando que o uso precoce e excessivo pode impactar negativamente o desenvolvimento neuropsicomotor. Entre os principais prejuízos estão o atraso na fala, no desenvolvimento motor, além de comprometimentos na qualidade do sono, problemas visuais e comportamentais.
Entretanto, alguns resultados sugerem que o uso controlado e adequado de telas, aliado à supervisão de pais devidamente orientados, pode trazer benefícios em determinadas etapas do desenvolvimento. Para minimizar os impactos negativos, alguns estudos reforçam que é crucial a imposição de limites claros e mediação ativa dos cuidadores, promovendo um uso mais consciente e direcionado das tecnologias.
Em geral, as pesquisas evidenciam que estratégias de conscientização e orientação aos pais, como regras sobre o tempo de tela e estímulos ao contato social e às atividades físicas, são fundamentais para proteger o desenvolvimento infantil. Essas medidas podem ser estimuladas através de políticas públicas, de forma contribuir para a promoção de um crescimento saudável e garantir que as crianças alcancem os marcos do desenvolvimento neuropsicomotor.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDERSON, D. R.; SUBRAHMANYAM, K. Digital Screen Media and Cognitive Development. Pediatrics, v. 140, n. Supplement 2, p. S57–S61, 1 nov. 2017.
ARUMUGAM, C. T.; SAID, M. A.; NIK FARID, N. D. Screen-based media and young children: Review and recommendations. Malaysian Family Physician, v. 16, n. 2, p. 7–13, 4 jun. 2021.
AZABDAFTARI, F. et al. Unrestricted prevalence of sedentary behaviors from early childhood. BMC Public Health, v. 20, n. 1, 19 fev. 2020.
BLACK, M. M. et al. Early Childhood Development Coming of age: Science through the Life Course. The Lancet, v. 389, n. 10064, p. 77–90, jan. 2017.
BRIET, R. N.; RIBAS, M. T.; POLASTRI, P. F. Desenvolvimento infantil e práticas parentais de crianças brasileiras no segundo ano da pandemia de COVID-19. Saúde Pesqui. (Online), p. 12012–12012, out./dez. 2023.
CÂMARA DOS DEPUTADOS. Comissão aprova projeto que inclui alerta sobre uso de telas por crianças em embalagens de produtos eletrônicos - Notícias. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/1089972-comissao-aprova-projeto-que-inclui-alerta-sobre-uso-de-telas-por-criancas-em-embalagens-de-produtos-eletronicos/. Acesso em: 26 nov. 2024.
CANADIAN PAEDIATRIC SOCIETY, Screen time and young children: Promoting health and development in a digital world. Paediatrics & Child Health, Ottawa, v. 22, i. 8. p. 461 - 468. dez. 2017.
COSTA, I. M. et al. Impacto das Telas no Desenvolvimento Neuropsicomotor Infantil: uma revisão narrativa. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 4, n. 5. p. 21060 - 21071, sep./oct. 2021.
DOMOFF, S. E. et al. Development and validation of the Problematic Media Use Measure: A parent report measure of screen media “addiction” in children. Psychology of Popular Media Culture, v. 8, n. 1, p. 2–11, jan. 2019.
FINK, K; MÉLO, T. R; ISRAEL, V. L. Tecnologias no desenvolvimento neuropsicomotor em escolares de quatro a seis anos. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, São Carlos, v. 27, n. 2, p. 270 - 278, abr-jun. 2019.
FRANKENBURG, W. K. et al. Denver II: Manual de Treinamento. 2ª ed. Denver, EUA: Denver Developmental Materials; 1992.
LUCIANO, V. M. A. P. et al. Os impactos relacionados ao uso de ferramentas digitais no desenvolvimento motor e cognitivo durante a infância. Conexões Interdisciplinares, Juazeiro do Norte, v. 1, n. 1, p. 1 - 12, jan. 2024.
MARTINS, B. K. L. et al. Os impactos do uso de telas no neurodesenvolvimento infantil. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, São Paulo, v. 10, n. 08, ago. 2024.
MOREIRA, L. H. et al. Consequências do tempo de tela precoce no desenvolvimento infantil. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 7, n. 10, p. 97125 - 97133, oct. 2021.
MYERS, L. J. et al. Baby FaceTime: can toddlers learn from online video chat? Developmental Science, v. 20, n. 4, p. e12430, 14 jul. 2016.
NOBRE, J. N. P. et al. Fatores determinantes no tempo de tela de crianças na primeira infância. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, n. 3, p. 1127–1136, mar. 2021.
POONIA, Y. et al. Parental Education for Limiting Screen Time in Early Childhood: A Randomized Controlled Trial. Indian Pediatrics, v. 61, n. 1, p. 32–38, 15 jan. 2024.
ROTHER, E. T.. Revisão sistemática X revisão narrativa. Acta Paulista de Enfermagem, v. 20, n. 2, p. v–vi, jun, 2007.
SILVA, N. D. S. H. et al. Instrumentos de avaliação do desenvolvimento infantil de recém-nascidos prematuros. Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, São Paulo, v. 21, n. 1, p. 85-98, 2011.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. #MENOS TELAS #MAIS SAÚDE. SBP, dez. 2019a. Disponível em: <https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/_22246c-ManOrient_-__MenosTelas__MaisSaude.pdf>. Acesso em: 3 out. 2024.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Uso saudável de telas, tecnologias e mídias nas creches, berçários e escolas. SBP, jun. 2019b. Disponível em: <https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/21511d-MO_-_UsoSaudavel_TelasTecnolMidias_na_SaudeEscolar.pdf>. Acesso em: 3 out. 2024.
STAMATI, M. et al. Asociación entre el uso de medios electrónicos, hitos del desarrollo y lenguaje en infantes. Interdisciplinaria, v. 39, n. 3, 25 ago. 2022.
1 Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Campo Real Campus Guarapuava, e-mail: [email protected]
2 Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Campo Real Campus Guarapuava, e-mail: [email protected]
3 Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Campo Real Campus Guarapuava, e-mail: [email protected]
4 Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário Campo Real Campus Guarapuava, e-mail: [email protected]
5 Docente do Curso Superior de Medicina e Fisioterapia do Centro Universitário Campo Real Campus Guarapuava. Mestre e doutoranda em Desenvolvimento Comunitário (UNICENTRO), e-mail: [email protected]