DESAFIOS E OPORTUNIDADES NO EMPREENDEDORISMO FEMININO: UM ESTUDO SOBRE A DIVERSIFICAÇÃO DA LIDERANÇA EMPRESARIAL NOS EUA
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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.15073303
Juliana de Paula Souza de Melo1
RESUMO
Mulheres que empreendem têm ganhado cada vez mais destaque no cenário empresarial dos Estados Unidos como impulsionadoras de mudanças e progressos nas organizações comerciais do país. Neste estudo qualitativo busca-se investigar o importante papel do empreendedorismo feminino na promoção da diversidade entre os líderes empresariais e no fortalecimento da economia dos Estados Unidos da América (EUA). A abordagem metodológica adotada se fundamentou na análise de fontes bibliográficas e documentais com embasamento teórico. Os resultados mostram que as mulheres empreendedoras contribuem para ambientes mais colaborativos e sustentáveis e promovem a criatividade, apesar dos obstáculos estruturais como acesso limitado a financiamento e falta de apoios de rede e preconceito de gênero. Conclui-se que é crucial implementar políticas públicas inclusivas e programas de capacitação e mentoria para fortalecer o papel das mulheres na liderança.
Palavras-chave: Empreendedorismo Feminino, Liderança, Diversidade, Equidade de Gênero, Inovação.
ABSTRACT
Women entrepreneurs have increasingly gained prominence in the US business scene as drivers of change and progress in the country's commercial organizations. This qualitative study seeks to investigate the impactful role of female entrepreneurship in promoting diversity among business leaders and in strengthening the economy of the United States of America (USA). The methodological approach adopted was based on the analysis of bibliographic and documentary sources with a theoretical basis. The results show that female entrepreneurs contribute to more collaborative and sustainable environments and promote creativity despite structural obstacles such as limited access to financing and lack of network support and gender bias. It is concluded that it is crucial to implement inclusive public policies and training and mentoring programs to strengthen the role of women in business leadership.
Keywords: Female Entrepreneurship, Leadership, Diversity, Gender Equity, Innovation
1 INTRODUÇÃO
O avanço do empreendedorismo feminino nos Estados Unidos é uma reflexão importante das mudanças no mundo dos negócios atualmente e aponta para transformações significativas nas estruturas de poder e nos métodos de administração nas empresas. Mulheres têm se destacado como criadoras de startups e como gestoras e líderes em áreas-chave como tecnologia da informação (TI), saúde e finanças, conforme relatórios recentes indicam que aproximadamente 42% das empresas no país são lideradas por mulheres, evidenciando uma tendência sólida em direção à diversidade e inclusão na liderança corporativa. O aumento dessa representatividade desafia conceitos historicamente enraizados e sinaliza uma nova perspectiva de crescimento econômico que seja mais inclusiva e diversificada.
No passado, as mulheres enfrentaram obstáculos sociais para ingressar no mundo empresarial que as limitaram a papeis domésticos ou de apoio. Porém, recentemente houve um aumento notável na presença feminina nos negócios devido a movimentos feministas e políticas de igualdade de gênero, mas educacionais que promovem diversidade e responsabilidade social. Lideranças femininas muitas vezes são ligadas a estilos de gestão que enfatizam a colaboração, o cuidado com o bem-estar das equipes e a habilidade de se adaptar e serem criativas em situações difíceis. Essas características acabam se tornando vantagens competitivas em um mercado cada vez mais turbulento e exigente.
No cenário atual caracterizado por rápidas mudanças tecnológicas e instabilidades geopolíticas crescentes e uma maior demanda por sustentabilidade e inclusão, o papel de mulheres empreendedoras se tornou ainda mais importante. A participação delas contribui para a criação de modelos de negócio que unem desempenho econômico com impactos sociais positivos, fortalecendo o tecido econômico e social das comunidades onde estão presentes. A inserção de mulheres em cargos de liderança não só fomenta a igualdade de gênero, mas também impulsiona a inovação e a competitividade das empresas. O objetivo deste estudo é examinar de maneira crítica e embasada o impacto do empreendedorismo feminino na ampliação da representação de líderes corporativos nos Estados Unidos bem como no crescimento econômico do país; apontando suas dificuldades enfrentadas até aqui, seus progressos alcançados até o momento atual e suas possíveis projeções futuras.
2 METODOLOGIA
2.1 ABORDAGEM DA PESQUISA
Essa pesquisa adota uma abordagem qualitativa focada na compreensão e interpretação de fenômenos sociais complexos relacionados ao empreendedorismo feminino nos Estados Unidos. Essencialmente voltada para capturar nuances subjetivas como percepções e motivações que influenciam as experiências das mulheres no mundo dos negócios empresariais americanos. Ao contrário da investigação quantitativa que busca quantificar dados de maneira objetiva, a abordagem qualitativa possibilita uma análise mais aprofundada dos significados e interpretações atribuídos pelas próprias protagonistas ao seu caminho empreendedor. Busca-se identificar dados estruturais e compreender como a liderança feminina é simbolizada em diferentes ambientes socioculturais. O método qualitativo favorece a conexão entre teoria e prática ao permitir interpretações mais críticas sobre diversidade de gênero, equidade e as diversas maneiras como as mulheres empreendedoras superam barreiras institucionais.
2.2 TIPO DE PESQUISA
Este estudo se caracteriza como uma pesquisa de cunho teórico e possui um enfoque exploratório-descritivo específico. A abordagem teórica tem como propósito reunir informações já existentes sobre empreendedorismo feminino e organizá-las de maneira coerente para oferecer uma visão abrangente das contribuições acadêmicas e institucionais relacionadas ao tema. A natureza exploratória justifica-se pelo interesse em identificar lacunas no conhecimento atual e propor novas questões para ampliar as discussões sobre o papel das mulheres em diversos setores do mercado dos Estados Unidos. A dimensão descritiva procura apresentar de maneira clara e articulada os principais componentes desse fenômeno social, como os obstáculos estruturais enfrentados pelas mulheres e as formas de resistência e criatividade que elas desenvolvem, além do importante papel delas na economia e na cultura empresarial. Esses elementos combinados possibilitam uma análise abrangente e coesa apoiada em bases conceituais sólidas.
2.3 PROCEDIMENTOS DE LEVANTAMENTO DE DADOS
A pesquisa de dados foi realizada exclusivamente por meio da análise de materiais bibliográficos e documentais relevantes sobre o empreendedorismo feminino, tanto diretamente quanto indireta. Foram consultados artigos científicos em bases de dados reconhecidas e confiáveis, livros especializados, dissertações de mestrado, teses de doutorado, relatórios técnicos de ONGs, documentos institucionais e políticas públicas relacionadas à igualdade de gênero e ao estímulo ao empreendedorismo. A seleção priorizou fontes publicadas entre os anos de 2019 a 2024 para garantir a relevância e atualidade dos dados utilizados. Este período foi estabelecido para garantir que a pesquisa esteja atualizada com as recentes mudanças na economia global e na digitalização em curso e os impactos das políticas públicas destinadas a promover a inclusão ativa das mulheres no mercado de trabalho produtivo. A análise detalhada permitiu a identificação dos principais debates em curso e estruturas conceituais fundamentais e abordagens teóricas relevantes que formam uma base sólida para embasar as reflexões apresentadas ao longo do estudo.
2.4 CRITÉRIOS DE SELEÇÃO E ANÁLISE
Os critérios utilizados para escolher os trabalhos consultados englobam a relevância do tema em relação ao estudo em questão e a atualidade das publicações disponíveis no mercado editorial especializado no assunto tratado; também consideraram a solidez metodológica adotada pelos pesquisadores e a diversidade de perspectivas teóricas apresentadas nos estudos analisados. Buscou-se contemplar uma ampliação do olhar crítico sobre o fenômeno investigado ao reunir diferentes visões, sociológicas, econômicas, culturais e de gênero, com o intuito de fomentar um entendimento profundo e reflexivo da temática estudada.
A avaliação das fontes e embasamentos seguiu a metodologia da análise de conteúdo, lida com interpretações dos textos baseadas na identificação de padrões temáticos que se repetem ao longo do material examinado. As principais áreas de foco na análise foram liderança feminina e sua influência nos negócios contemporâneos; o papel da criatividade e da inovação no ambiente empreendedor; as disparidades estruturais que afetam a participação das mulheres; a importância da diversidade corporativa; e os impactos sociais e econômicos do empreendedorismo feminino. Ao examinar esses temas em conjunto, foi possível obter uma visão ampliada sobre os elementos que moldam a presença feminina no mundo empresarial, revelando tanto avanços significativos quanto obstáculos persistentes.
2.5 LIMITAÇÕES DO ESTUDO
Por se tratar de um estudo puramente teórico e baseado em fontes bibliográficas exclusivamente acadêmicas e científicas, esta pesquisa não envolveu coleta de dados diretamente das mulheres empreendedoras por meio de entrevistas pessoais, observações ou questionários. Esse método limitado restringe a análise ao que já foi pesquisado e publicado por outros pesquisadores e o acesso a experiências específicas e subjetivas vividas pelas empreendedoras em diferentes cenários.
Além disso, a falta de dados práticos impede a verificação direta de certas suposições que poderiam enriquecer nossa compreensão desse fenômeno. No entanto, optar pela abordagem teórica se justifica pela busca em organizar e estruturar o conhecimento já existente de forma abrangente e fundamentada sobre o assunto. Essas decisões levaram à construção de um arcabouço crítico que destaca a importância social, econômica e simbólica do empreendedorismo feminino como uma ferramenta de mudança e democratização das hierarquias no mundo dos negócios.
3 IMPACTOS DO EMPREENDEDORISMO FEMININO
3.1 GERAÇÃO DE EMPREGOS E ESTÍMULO À ECONOMIA LOCAL
Nos últimos tempos o empreendedorismo feminino tem sido crucial na criação de postos de trabalho em áreas frequentemente deixadas à margem pelos principais centros de investimento. Ao embarcarem na jornada do empreendedorismo próprio, as mulheres não só ganham independência financeira como também promovem a abertura de novas vagas de emprego para outros indivíduos na região local, resultando diretamente no fortalecimento das economias regionais e também na redução das disparidades econômicas entre regiões (RODRIGUES; SILVA, 2023).
Diversas empreendedoras estão ativas em diferentes setores como comércio e serviços e educação. Isso resultou em uma variedade de ocupações tanto formais quanto informais sendo criadas por elas. Essencialmente, isso ajuda a distribuir a renda localmente e a impulsionar o desenvolvimento social de maneira mais estável no longo do tempo. Adicionalmente, a empresa liderada por mulheres são frequentemente guiadas por princípios inclusivos, integrando outras mulheres em circunstâncias difíceis e promovendo um ambiente colaborativo nas comunidades onde estão presentes (SOARES et al., 2021).
O empreendedorismo feminino, além de representar um caminho para a autonomia econômica das mulheres, tem gerado impactos significativos na economia local, especialmente em áreas carentes de investimento. Mulheres que lideram seus próprios negócios conseguem gerar empregos, estimular o consumo interno e promover mudanças sociais importantes nas comunidades onde atuam (RODRIGUES; SILVA, 2023, p. 5).
As mulheres desempenham um papel significativo na economia local ao introduzir modelos gerenciais que promovem maior participação e consciência social. Sua presença no mundo empreendedor geralmente resulta em uma visão mais empática das necessidades da comunidade e incentiva práticas que buscam equilíbrio entre lucratividade e impactos sociais positivos. Assim sendo, as empreendedoras não só impulsionam a economia local como também fortalecem redes de suporte e transformam a realidade por meio de iniciativas voltadas para o desenvolvimento comunitário (LIMA et al., 2021).
3.2 INOVAÇÃO E NOVOS MODELOS DE GESTÃO
A inclusão de mulheres em posições de liderança tem trazido mudanças significativas nas práticas de gestão nas organizações modernas. Em contraste com os modelos tradicionais caracterizados por estruturas hierárquicas rígidas e focados em controle e resultados imediatos; a liderança feminina introduz uma abordagem mais humanizada e colaborativa. As gestoras do sexo feminino priorizam o diálogo aberto com a equipe e a busca por soluções coletivas que favorecem ambientes de trabalho mais inclusivos e harmônicos. Nos ambientes de trabalho atuais é fundamental valorizar a diversidade e priorizar o bem-estar emocional dos funcionários como elementos essenciais da cultura organizacional. Ao adotar essa postura mais atenciosa e unificada promovem um ambiente de trabalho mais positivo, e impulsionam a produtividade e a manutenção de profissionais talentosos (CINEGLAGIA et al., 2021).
Essa visão de gestão incentiva a criação de novidades nos modelos de negócio, principalmente no que se refere à integração entre metas financeiras e valores sociais estabelecidos pelas mulheres empreendedoras que se destacam na elaboração de estratégias, combinando o desenvolvimento empresarial e o compromisso com questões ambientais, sociais e culturais. É frequente encontrar empresas lideradas por mulheres que se organizam com base em princípios de responsabilidade social, sustentabilidade, consumo conscientemente e inclusão. A união entre empatia social e perspicácia estratégica aumenta a habilidade das organizações de se ajustarem aos desafios atuais de forma mais eficiente, tornando-as mais resistentes, éticas e comprometidas com o bem comum. Ao optarem por causar impactos positivos em vez de focar somente no lucro, essas lideranças ajudam a promover o desenvolvimento de negócios mais alinhados com as expectativas de uma sociedade que está em constante mudança (SILVA; ANCELMO, 2022).
Além disso, a presença de mulheres em cargos de liderança tem contribuído para promover práticas governamentais que questionam estruturas discriminatórias e incentivam a valorização da diversidade tanto como um aspecto estratégico quanto culturalmente relevante. Muitas mulheres em posições-chave tornam-se modelos e fonte de inspiração para outras pessoas, motivando-as a assumir funções decisivas e quebrando os estereótipos relacionados à presença feminina em postos executivos elevados. Ao mostrar que é viável alcançar resultados duráveis por meio de uma administração participativa e engajada com a igualdade de direitos, essas líderes impulsionam transformações não somente dentro de suas organizações, mas também em redes de produção, entidades e políticas governamentais. Assim sendo, o empreendedorismo feminino estabelece-se como uma força renovadora capaz de introduzir novos modelos de liderança que se fundamentam em equidade social, inovação e responsabilidade ética (CINEGLAGLIA et al., 2021).
3.3 DIVERSIFICAÇÃO DE SETORES E NICHOS DE MERCADO
Os avanços no empreendedorismo feminino desempenham um papel importante na diversificação dos setores econômicos e na expansão das oportunidades de mercado. Especialmente com a crescente presença de mulheres em áreas tradicionalmente dominadas por homens, como tecnologia e startups, essa participação feminina está quebrando barreiras simbólicas e estruturais. Desse modo, desafia os estereótipos de gênero e promove uma nova configuração do cenário empresarial atual.
As mulheres demonstram habilidades técnicas e de liderança nesses setores específicos e trazem novos enfoques para a administração e a criatividade empresarial baseados em valores como diversidade, inclusão e responsabilidade ambiental e social. Por ocuparem esses papeis-chave no cenário profissional atual, fomentam a competitividade e o espírito criativo nas empresas, auxiliando na geração de um mercado mais diversificado, justo e alinhado com as necessidades sociais emergentes (FELIPPE, 2022).
As mulheres empreendedoras não se limitam a nichos tradicionalmente femininos, mas vêm ocupando também setores como tecnologia e engenharia, historicamente dominados por homens. Essa expansão representa não somente uma quebra de paradigmas, mas uma redefinição do papel feminino no mercado de trabalho e no ecossistema empreendedor (FELIPPE, 2022, p. 12).
Ao mesmo tempo que estão adentrando em setores historicamente dominados pelos homens, as mulheres seguem desempenhando um papel crucial no fortalecimento de áreas tradicionalmente ligadas ao cuidado e ao bem-estar, como educação, saúde, beleza, alimentação e economia criativa. Estas esferas, apesar de terem sido por muito tempo subestimadas no mundo dos negócios, estão conquistando um novo reconhecimento graças à atuação visionária das empreendedoras, que introduzem nessas áreas uma gestão mais eficiente, atenta às necessidades sociais e comprometida com a sustentabilidade.
A participação das mulheres nestas áreas não só mantém uma tradição de cuidado viva como também redefine esse legado ao convertê-lo em fonte de rendimento próprio e independência social. Ao unir conhecimentos emocionais e técnicos comunitários, várias empresárias desenvolvem negócios versáteis e com propósitos múltiplos nos quais o aspecto econômico está intrinsecamente ligado à missão social. A conexão entre o propósito e a eficiência possibilitam que os negócios liderados por mulheres conquistem maior aceitação entre as pessoas. Dessa forma atendem de maneira efetiva às demandas sociais frequentemente deixadas de lado pelo mercado convencional (BAPTISTA, 2021).
A diversidade de participações e a energia das ações femininas têm um impacto positivo no desenvolvimento do ambiente de negócios na totalidade e ajudam a aumentar a base de produção e a tornar o mercado mais inclusivo e dinâmico. A presença feminina em vários setores econômicos traz novas ideias para as estratégias empresariais e amplia as perspectivas nas decisões tomadas nas empresas. Além disso, enriquece os processos de criação com diferentes experiências pessoais que refletem muitas vezes superação e criatividade.
Em um mundo global que busca soluções mais sustentáveis e éticas e promove diversidade, a presença das mulheres no empreendedorismo combate desigualdades de gênero, fundamental para o crescimento econômico e social. Dessa forma, o empreendedorismo feminino se apresenta como um meio para ampliar oportunidades, redistribuir poder econômico e promover a igualdade como valor central nas relações comerciais (RODRIGUES et al., 2022).
3.4 PROMOÇÃO DA EQUIDADE DE GÊNERO
A progressão das mulheres em posições de liderança tem sido crucial para promover a igualdade de gênero no ambiente corporativo; isso reflete mudanças significativas nas estruturas organizacionais e nas relações de poder sociais. Ao assumirem esses papeis de destaque, as mulheres quebram barreiras históricas ligadas à exclusão e à desigualdade social, desafiando a predominância masculina em áreas tradicionalmente controladas por homens.
A presença dessas mulheres nesses contextos contribui para uma nova conceituação simbólica de autoridade e sucesso e incentiva outras mulheres a acreditarem em seu próprio potencial. A exposição dessas líderes femininas atua como um exemplo de capacitação e estímulo positivo que pode influenciar a cultura empresarial e promover a participação feminina em diversas esferas hierárquicas e setores de mercado (SOUZA; SILVA, 2021).
A participação das mulheres no mundo dos negócios também está intimamente ligada à adoção de práticas organizacionais mais inclusivas e ao cultivo de uma cultura de liderança baseada na igualdade e na valorização da diversidade. Mulheres empreendedoras costumam valorizar ambientes de trabalho colaborativos nos quais o diálogo construtivo e o respeito mútuo são elementos essenciais para a eficiência e o bem-estar das equipes de trabalho.
Esse enfoque promove a construção de relações interpessoais mais equilibradas e sustentáveis, minimizando conflitos e fortalecendo laços profissionais mais positivos. Adicionalmente, ter mulheres em cargos estratégicos incentiva a implementação de políticas internas mais atentas às questões de gênero, tais como licença parental igualitária, combate ao assédio e ações afirmativas. Essas mudanças culturais internas reconfiguram os valores organizacionais com impactos que ultrapassam o ambiente empresarial, alcançando também a esfera social mais ampla (LIMA et al., 2021).
Além das fronteiras das instituições tradicionais de poder e autoridade pública e privada, o empreendedorismo feminino desempenha um papel fundamental na concepção e implementação de políticas públicas e ações sociais para promover a igualdade de oportunidades entre os gêneros. Muitas mulheres que lideram negócios com foco em causar impactos positivos na sociedade tornam-se agentes principais de mudanças significativas em suas comunidades, estimulando a formação de redes solidárias, espaços para desenvolvimento profissional e projetos que visam à inclusão social e econômica.
A participação ativa dessas líderes contribui para um movimento social voltado para a equidade, impactando positivamente na definição de pautas públicas mais inclusivas e participativas. Assim sendo, a defesa da igualdade de gênero não se limita a um tema empresarial, mas sim se tornar parte de um conjunto mais amplo de práticas e princípios voltados para a justiça social, o desenvolvimento humano e a democratização do acesso às oportunidades (SOUZA; SILVA, 2021).
3.5 RESILIÊNCIA E SUPERAÇÃO DE BARREIRAS
As vivências das empreendedoras são marcadas por diversos desafios que demandam grande resiliência e determinação para se adaptarem a um ambiente empresarial historicamente moldado por uma perspectiva masculina predominante. Lidar com preconceitos baseados no gênero e estigmas sociais é uma realidade diária para muitas mulheres nesse cenário onde suas capacidades profissionais são frequentemente subestimadas. Buscar legitimidade e reconhecimento em setores tradicionalmente dominados por homens se tornam uma jornada constante que exige competências técnicas, mas também criatividade emocional e habilidades para resistir à marginalização simbólica. Mesmo diante dessas dificuldades significativas, as mulheres empreendedoras continuam avançando, redesenhando suas estratégias de negócio, buscando aprimoramento, expandindo seu círculo de contatos, e desenvolvendo novas abordagens para garantir a continuidade e expansão de suas empresas. A resiliência demonstrada pelas mulheres neste contexto é uma resposta aos desafios enfrentados, um impulso para a mudança e a criatividade no mundo dos negócios (LIMA et al., 2021).
Uma das situações mais desafiadoras para essas mulheres é ter que equilibrar suas tarefas domésticas e familiares com as demandas da vida como empreendedoras. Essencialmente estressante e muitas vezes considerada algo normalizado, essa sobrecarga impacta diretamente no tempo disponível, na eficiência e na saúde mental e física das empreendedoras. No entanto, ao invés de desanimá-los, esses obstáculos são frequentemente transformados em fontes que impulsionam sua motivação e criatividade. Muitas mulheres se inspiram em suas próprias experiências para criar produtos e soluções que atendam às necessidades das mulheres e famílias de maneira única. Isso traz uma perspectiva especial aos negócios que elas lideram.
A habilidade de transformar desafios do dia a dia em oportunidades de criatividade evidencia resiliência e liderança embasada em empatia e vivências sociais profundamente enraizadas. Dessa forma, a capacidade de se adaptar diante das dificuldades tornam-se um elemento essencial no papel feminino. No mundo do empreendedorismo para dar autenticidade conferindo valor estratégico às suas iniciativas (CINEGAGLIA et al., 2021).
As empreendedoras, muitas vezes, encontram obstáculos que vão desde a falta de acesso a crédito até o preconceito velado nos espaços de negócios. No entanto, é justamente a partir dessas dificuldades que surgem estratégias inovadoras de atuação, baseadas na criatividade, na resistência e no compartilhamento de experiências entre mulheres (LIMA et al., 2021, p. 6).
Além disso, muitas empreendedoras ainda enfrentam grandes obstáculos como restrições de acesso ao crédito, falta de redes de contatos eficientes e dificuldades para investir em seus negócios. Apesar dessas barreiras, diversas mulheres encontram maneiras criativas de superá-las, criando redes de apoio entre si e fortalecendo o empreendedorismo colaborativo como forma de resistência. Essa capacidade para lidar com adversidades, juntamente com sua criatividade, tem se mostrado crucial para o sucesso sustentável e o desenvolvimento positivo de muitos empreendimentos liderados por mulheres (LIMA et al., 2021).
4 POLÍTICAS PÚBLICAS E RECOMENDAÇÕES
4.1 ACESSO A FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
A obtenção de crédito e investimentos continua sendo um desafio significativo para as mulheres empreendedoras, apesar dos progressos na busca pela igualdade de gênero. Aprovar propostos liderados por mulheres ainda é uma barreira comum em muitos fundos financeiros, mesmo em setores considerados arriscados ou dominados por homens como tecnologia ou engenharia. Essa situação impacta negativamente o crescimento dos negócios femininos, dificultando a sua capacidade de se destacarem pela sua criatividade e competitivamente no mercado. Estabelecer linhas de crédito direcionadas com taxas justas e critérios mais equitativos é fundamental para promover uma maior inclusão financeira. Além disso, mecanismos públicos e privados que facilitem o acesso de investidores e investidores em projetos liderados por mulheres desempenham um papel crucial em diminuir as disparidades no financiamento entre os gêneros (RODRIGUES; DA SILVA, 2023).
4.2 APOIO A REDES DE MENTORIA E CAPACITAÇÃO
As redes de mentoria interferem positivamente na jornada das mulheres empreendedoras ao fornecer suporte técnico e emocional em diferentes etapas dos negócios. Compartilhar experiências com outras mulheres que enfrentaram desafios semelhantes fortalece o sentimento de pertencimento e autoconfiança e contribui para o desenvolvimento pessoal e profissional. Essas redes também auxiliam a combater o isolamento enfrentado por muitas empreendedoras, principalmente aquelas que operam em áreas periféricas ou sob circunstâncias vulneráveis.
A fim de que isso efetivamente aconteça , é necessário haver um incentivo por parte das políticas públicas para a criação de ambientes propícios à aprendizagem contínua e à conexão entre empreendedores iniciantes e líderes experientes. A expansão de programas de treinamento com foco na equidade de gênero também desempenha um papel fundamental no estímulo às mulheres para desenvolverem habilidades em áreas como liderança financeira e estratégica e nas práticas de planejamento e de inovação (SOUSA; SILVA, 2021).
4.3 INCLUSÃO DIGITAL E EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA
No mundo atual em constante mudança digitalizada, a habilidade de dominar tecnologias e ferramentas digitais é vital para o sucesso de empresas. Entretanto, muitas mulheres, especialmente aquelas com menos recursos financeiros, enfrentam desafios para acessar internet de qualidade, dispositivos apropriados e formação técnica. Isso cria um obstáculo significativo para o crescimento de seus negócios, dificultando desde a administração até a promoção de produtos e serviços. A educação digital deve ser considerada uma prioridade nas políticas públicas focadas no empreendedorismo feminino.
Participar de cursos de tecnologia voltados para gestão e marketing digital e aprender sobre o uso de plataformas de comércio eletrônico e mídias sociais é fundamental para aumentar as chances de entrada no mercado de trabalho. Ao garantir que as mulheres estejam incluídas digitalmente nessas áreas específicas, é possível promover sua independência e habilidade para trazer novidades nos diversos setores em que estão envolvidas (LIMA et al., 2021).
4.4 VALIDAÇÃO INSTITUCIONAL DA LIDERANÇA FEMININA
A importância dada à liderança feminina nas instituições vai além do reconhecimento simbólico e envolve criar oportunidades efetivas para que mulheres assumam posições de poder e influência em organizações públicas, privadas e sem fins lucrativos, também conhecidas como organizações do terceiro setor. A escassa presença de mulheres em conselhos de administração empresariais, diretorias executivas e na elaboração de políticas compromete a diversidade de perspectivas estratégicas e perpetua modelos de gestão que excluem partes da população.
Torna-se necessário que os governos, com as empresas e organizações da sociedade civil, estabeleçam metas claras para promover a igualdade de gênero nesses ambientes. Tomar medidas como estabelecer quotas de gênero nas empresas e incentivar ativamente as mulheres para assumirem cargos de liderança pode ser uma estratégia eficiente para garantir que haja mais representatividade feminina nas decisões corporativas importantes. O apoio à diversidade de liderança promove um ambiente democrático nas organizações, contribuindo para torná-las mais criativas e socialmente conscientes (CINEGLAGLIA et al., 2021).
5 CONCLUSÃO
Empreendedorismo feminino nos Estados Unidos é fundamental para impulsionar uma economia mais criativa e inclusiva. Além de diversificar, os líderes empresariais femininos trazem valores como parceria e responsabilidade social ao mundo dos negócios. Esse movimento modifica o cenário empresarial e as regiões em que essas mulheres estão inseridas, impactando positivamente a criação de empregos, a dinâmica da economia local e a promoção de modelos de gestão mais humanizados. A presença crescente de mulheres em áreas tradicionalmente dominadas por homens ressalta a importância de superar preconceitos históricos e valorizar a liderança feminina como um recurso econômico e social extremamente relevante.
No entanto, embora tenham havido progressos significativos, ainda existem obstáculos estruturais que dificultam integrar totalmente as mulheres no cenário empresarial. Restrições ao acesso ao crédito, falta de redes de apoio, exclusão digital e sub-representação em instâncias decisórias são somente alguns dos desafios que requerem respostas práticas e coordenação entre o governo, empresas privadas e organizações da sociedade civil.
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1 Bacharel em Administração de Empresas, Mestre em Digital Marketing e Pós-Graduada em Gestão Financeira, Gestão da Qualidade e Gestão de Pessoas. Autora do livro "Gestão 360", possui ampla experiência como Consultora Empresarial e Mentora de Negócios. E-mail: [email protected]