REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/792820581
RESUMO
Este artigo refere-se à emigração de brasileiros para Portugal, durante o período de 2015 a 2025 O artigo tem como objetivo, identificar o perfil desses brasileiros, bem como, analisar as condições de vida das mulheres, comparadas com as dos homens. Foi inicialmente realizada a pesquisa literária, no mesmo período do estudo, sobre as categorias Trabalho, Gênero e Imigração. Realizamos também uma pesquisa empírica, em dois distritos da área metropolitana de Lisboa, em junho e julho de 2025. .Esta foi realizada, de caráter amostral, com os brasileiros imigrantes, acompanhada de pesquisa bibliográfica sobre a imigração brasileira em Portugal. Além desta, fizemos um levantamento sobre a legislação portuguesa para imigrantes brasileiros. As variáveis analisadas, permitiram em reconstruir as relações sociais de sexo, raça/cor e etnia , levando em conta, as condições de trabalho desses imigrantes, no contexto histórico considerado. As hipóteses de trabalho, confirmadas ao final do estudo, apontaram para a presença de situações de preconceito e discriminação enfrentados pelos imigrantes brasileiros homens e mulheres, mas, sobretudo, pelas mulheres brasileiras que trabalhavam em atividades pouco valorizadas, como cuidadoras de idosos e limpeza. Suas rendas eram menores que as dos homens, com apenas um salário mínimo. As mulheres tinham uma escolaridade maior que a dos homens, mas este fator não ajudou as mulheres a terem melhor renda. .Os homens sofreram esta discriminação, em menor grau. Eles trabalhavam, frequentemente, em serviços ligados à restauração, construção civil e comércio. .Apesar de ocorrer a discriminação,o preconceito e outras dificuldades com os imigrantes brasileiros, eles gostavam de viver em Portugal.
Palavras-chave: Palavras Chave; brasileiros em Portugal; imigração; preconceito; trabalho; gênero.
ABSTRACT
This article examines the emigration of Brazilians to Portugal between 2015 and 2025. It draws on a literature review covering the themes of work, gender, and immigration, as well as empirical research conducted in two districts of the Lisbon metropolitan area during June and July 2025. The study aims to identify the profile of these Brazilians and analyze the living conditions of women compared to those of men. Field research based on a sample of Brazilian immigrants was complemented by a bibliographic review of Brazilian immigration to Portugal and an analysis of Portuguese legislation concerning Brazilian immigrants. The variables analyzed made it possible to reconstruct social relations regarding gender, race/color, and ethnicity, while also considering the immigrants' working conditions within the historical context in question. The study’s hypotheses—which were ultimately confirmed—pointed to the existence of prejudice and discrimination against Brazilian immigrants; however, this was particularly acute for Brazilian women, who often worked in low-status roles such as elderly care and cleaning and earned less than men (often receiving only the minimum wage). Men also faced discrimination, albeit to a lesser extent, and frequently worked in the restaurant, construction, and retail sectors. Despite the discrimination, prejudice, and other difficulties they encountered, the Brazilian immigrants enjoyed living in Portugal. Although the women had higher levels of education than the men, this factor did not translate into higher incomes for them.
Keywords: Keywords-Brazilians in Portugal; immigration; prejudice; work; gender.
1. INTRODUÇÃO
Este artigo propõe apresentar um estudo sobre a Imigração de Brasileiros em Portugal, analisando as categorias Imigração, Trabalho e Género.
Justifica-se pelo aumento de imigrantes brasileiros em Portugal, nos últimos anos, no qual demonstrei interesse em fazer este estudo, quando estive fazendo o meu pós-doutorado em Portugal. Procuramos verificar se Portugal tinha estrutura para receber esses imigrantes brasileiros. Também procuramos fazer um levantamento sobre a legislação portuguesa, para verificar se houve mudanças nesta legislação, para os novos imigrantes brasileiros. O processo de Imigração em Portugal, teve ênfase, com a entrada de Portugal na União Europeia, sem necessidade de visto, através do Tratado do Espaço Schengen. Este representou um acordo histórico, que criou uma área livre de circulação de pessoas, sem controle de fronteiras internas. Isso, significa que, ao viajar entre os países membros, a pessoa não precisa apresentar passaporte nas fronteiras terrestres ou em voos internos.
Este processo da Emigração começou a expandir em Portugal. Com os Brasileiros, o aumento da Emigração para Portugal se deu , depois do acordo realizado entre Brasil e Portugal, em 16 de novembro de 1953, com a assinatura do Tratado de Amizade e Consulta (promulgado no Brasil pelo Decreto nº 36.776 de 1955). Esse foi o marco histórico que formalizou o tratamento recíproco e os direitos entre cidadãos brasileiros e portugueses.
Com este Tratado de Amizade e Consulta entre Brasil e Portugal, ocorreu um grande crescimento da emigração de brasileiros para Portugal (Nacionalidade Portuguesa 2025).
Diante deste aumento de imigrantes brasileiros em Portugal, procuramos realizar um estudo, sobre a Emigração de Brasileiros para Portugal. Inicialmente, realizamos uma pesquisa literária em Portugal , sobre os seguintes temas: as relações sociais de sexo, raça e etnia; o processo histórico do trabalhoe a Imigração. Também procuramos realizar o estudo sobre a imigração de brasileiros em Portugal e sobre a legislação portuguesa, para a entrada de imigrantes brasileiros nos últimos anos (2015 a 2025) . Além da pesquisa literária, também realizamos uma pesquisa empírica, usando a metodologia do estudo, que se refere a aplicação de questionários padronizados, aos imigrantes brasileiros, durante o período de junho e julho de 2025. As áreas definidas para o estudo empírico foram: a freguesia Foros de Amora, localizada na cidade de Amora, distrito de Seixal, e a freguesia Venteira, localizada na cidade de Amadora, que fica localizada, na região metropolitana de Lisboa. Nesse estudo empírico, consideramos as categorias :Trabalho, Gênero e Imigração.
Com os dados da pesquisa empírica e literária, foi possível obtermos o conhecimento, de como se deu a Imigração Brasileira em Portugal, neste período de 2015 a 2025, destacando o perfil desses imigrantes brasileiros, a questão do trabalho entre homens e mulheres, e por ultimo, conhecendo a nova legislação portuguesa para a emigração de brasileiros.
Como um dos resultados do estudo, podemos concluir que , a maioria dos brasileiros que emigraram para Portugal, foram mulheres, neste período. Sobre a categoria Trabalho, as mulheres exerceram trabalhos considerados femininos e com menor renda. Esses trabalhos considerados femininos, dizem respeito ao sistema patriarcal, que consiste em uma estrutura social em que os homens detêm o poder principal na família, ele é a autoridade moral, que faz o controle das propriedades e as funções de liderança, enquanto as mulheres e outros grupos, ocupam posições subalternas. É um sistema que existe uma separação de papéis, entre homens e mulheres, que, frequentemente, restringe as mulheres ao trabalho doméstico e ao cuidado. O sistema patriarcal, ainda acontece na nossa sociedade mundialmente.
Verificamos outros dados do estudo. Os imigrantes brasileiros que vivem em Portugal, moram em casas arrendadas com mais de 3 pessoas morando na mesma casa. Eles possuem, em sua maioria, uma renda de 1 salário mínimo. Entretanto, eles dizem que querem continuar vivendo em Portugal, pois encontraram segurança e qualidade de vida, que não tinham no Brasil. Portanto, para eles, estes são os motivos para viver e continuar vivendo em Portugal.
2. DESENVOLVIMENTO
Durante o desenvolvimento do artigo, iremos abordar o referencial teórico, trazendo um debate sobre os temas: Relações de Sexo, Raça e Etnia; O Processo Histórico do Trabalho em Portugal e a Imigração dos Brasileiros em Portugal. Também procuraremos pesquisar sobre a Legislação Portuguesa durante o período do estudo. Posteriormente apresentaremos os dados da pesquisa empírica, realizada através da aplicação de questionários padronizados, aos imigrantes brasileiros; a análise dos dados das entrevistas e por último, os resultados do estudo.
Iniciaremos realizando a pesquisa literária em Portugal, considerando os temas abordados acima. Utilizaremos as categorias do estudo: Imigração, Trabalho e Género,Raça e Etnia.
2.1. Referencial Teórico
Descreveremos neste item, os temas da pesquisa literária do Estudo Científico sobre a Imigração de Brasileiros em Portugal.
2.1.1. Relações Sociais de Sexo, Raça e Etnia
Uma das categorias fundamentais para o estudo sobre a Emigração Brasileira para Portugal, foi a categoria gênero, raça e etnia. Iniciamos a pesquisa literária, utilizando estas categorias, apresentando como ponto de reflexão, os estudos da pesquisadora Heleieth Saffioti realizados em 2009. Para ela, a categoria género é considerada em sua historicidade, pois se apresenta de maneira complexa, envolvendo, não apenas, relações e características entre os sexos, mas, indo além. É determinada também, em uma dinâmica temporal, por elementos que são, ao mesmo tempo, significativos, no que diz respeito às relações entre sociabilidade e cultura. Trata-se de apreender como as relações sociais entre os indivíduos se efetivam, e as particularidades, produzidas mediante a forma como se organizam, bem como, o modo como absorvem e reproduzem valores, poder e direitos, nos mais diferentes ambientes, como o trabalho, a família, a política e nas relações afetivo-sexuais (Saffioti, 2009)
O Sistema Patriarcal perpassa todas as esferas da vida social, não se restringindo ao ambiente doméstico. Isso significa que, tanto na esfera política, quanto no mercado de trabalho, na esfera cultural, religiosa e em todos os aspectos, o sistema patriarcal está presente. A estrutura da nossa sociedade é, assim, patriarcal.
Os primeiros estudos apresentados por Saffioti (1987) no Brasil, se iniciaram com a tese defendida por ela, em 1960, intitulada “ A Mulher na Sociedade de Classes”, que teve como preocupação, estudar a opressão da mulher nas sociedades patriarcais. Para Saffioti (1987), o verdadeiro problema não está no gênero, mas nos seres humanos históricos. Para ela, são os papéis sociais e as imagens construídas, que tornam a opressão da mulher, como um processo vivido na relação do homem com a mulher. (Saffioti, 1987)
Conforme analisa Saffioti (1987), a opressão da mulher é um fator cultural. Isto quer dizer que a própria sociedade diferencia a mulher como um ser “inferior”, quando esta mulher desempenha o seu papel social como trabalhadora, mulher, mãe. A divisão sexual do trabalho, possui dois principais elementos organizativos: 1) o da separação: que existem trabalhos de homem, geralmente associados às atividades de produção, e outros de mulher, associados às tarefas de reprodução; 2) o da hierarquização: o trabalho de homem vale mais (social e economicamente) do que o da mulher (Safiotti, 1994).
As relações sociais de sexo, e baseiam, antes de tudo, em uma relação hierárquica, que trata de uma relação de poder, de dominação.(Kergoat, 2009)
A adoção do conceito feminista fracófono, das relações sociais de sexo, correspondem mais diretamente à perspectiva teórico-política- a marxista (Falquet, 2012).
Os estudos franceses sobre a apropriação dos homens em relação às mulheres, utilizou-se do conceito de relações sociais de sexo. Isso foi justificado pelos estudiosos, argumentando que as relações entre homens e mulheres, constituem-se numa relação social, enquanto o gênero, diz mais sobre a caracterização do sexo. (Malheiros, 2014)
.Em Portugal, a literatura mais recente sobre as políticas de igualdade, tem prestado grande atenção à inserção da interseccionalidade nas políticas públicas, especialmente, desde que a União Europeia apostou em introduzir a nova agenda das desigualdades múltiplas. A interseccionalidade é um conceito que descreve como diferentes fatores sociais e identitários, como raça, gênero e deficiência, se cruzam e se sobrepõem, gerando experiências únicas de opressão ou privilégio. (Malheiros, 2014).
Usando a tipologia apresentada por Hancock (2007), argumenta-se que, em Portugal,, iniciou a transição para uma perspectiva múltipla, partindo da aprovação de novos planos e organismos, nos quais as desigualdades nem sempre foram tratadas de modo independente. Paralelamente, foi dada a atenção, às peculiaridades demonstradas pela experiência de Portugal, como a aposta nos conselhos de participação ou o desenvolvimento de um modelo institucional diferenciado.(Malheiros, 2014).
Durante as últimas décadas, os estudos de gênero passaram a considerar a sua combinação, com outros tipos de critérios de diferença, como a classe, a raça ou a orientação sexual, sublinhando a relevância de todos eles, para entender as desigualdades sofridas pelas mulheres. Ainda que este tipo de realidade fosse conceptualizado de diversas maneiras (dupla discriminação, discriminações compostas, etc.), um dos termos que conta com maior aceitação, é o da interseccionalidade. (Malheiros, 2014).
A metáfora da intersecção foi introduzida por Kimberlé Crenshaw(1989), para dar ênfase à existência de vários eixos de desigualdade (raça,etnia, género, etc.), que, tal como avenidas, numa grande cidade, transcorreram de modo independente, contando, no entanto, com múltiplas e variadas intersecções (Crenshaw, 1989, 1993, 2002).
A criação dos mecanismos oficiais de mulheres e de igualdade foram desencadeadas, na maioria dos Estados Ocidentais, pela influência Internacional das Nações Unidas (Ferreira, 2000). Para Boaventura de Souza Santos (1999), ele defende que os Estados Nacionais desenvolveram agendas de igualdade de mulheres e homens, devido às pressões dos compromissos internacionais, sendo os Estados Nacionais, “caixas de ressonância” de forças que os transcendem (Ferreira, 2000).
Os estudos de género têm revelado que, homens e mulheres não podem ser considerados como categorias duais, e internamente homogêneas. Dessa forma, classe, etnia, orientação sexual, idade e geração, condição de deficiência, contexto nacional e global, constituem fatores contextuais, que condicionam os modos de viver no masculino e no feminino. Esses estudos são essenciais para reconhecer e valorizar os contributos do feminismo, como movimento social, tanto pelos seus avanços teóricos e metodológicos, quanto pelas linguagens plurais do feminismo, expressas nas artes, cultura, literatura e filosofia. Essas diversas manifestações permitem a transgressão de fronteiras, valorizando várias formas de conhecimento da realidade, incluindo abordagens científicas (Ferreira, 2005).
Em Portugal, podemos referir que, a igualdade entre homens e mulheres se encontra consagrada na Declaração Universal dos Direitos Humanos, desde 1948, sendo que, à partir desta Declaração, nasceram os instrumentos políticos, com o intuito de contribuir para a igualdade de gênero, ou seja, para atenuar, as discrepâncias existentes. Em Portugal, “a Constituição da República Portuguesa, salvaguarda também, os princípios da igualdade e não discriminação, em função do sexo. O Código Civil Português, confere, a nível da família, idênticos direitos e ambos os elementos do casal, atribuindo iguais responsabilidades, ao pai e à mãe, na manutenção e educação dos filhos (PERNAS et,al. apud COSTA, 2001, p. 6).
Portugal tem a peculiaridade de desenvolver um modelo institucional intermédio, para abordar as desigualdades múltiplas. Nem segue o modelo europeu, criando um organismo único (modelo integrado), nem mantém os órgãos existentes como totalmente independentes (modelo separado). A estratégia de Portugal, foi a de desenvolver uma “terceira via”, baseada no fortalecimento dos “velhos” organismos de igualdade e na criação de diversas estruturas de coordenação, lideradas por estes mesmos organismos.(Hancock, 2007)
Este modelo, que podemos aqui denominar de coordenado, desafia a literatura existente, que tende a abordar a arquitetura institucional, à partir de uma perspectiva dicotômica – modelo integrado versus modelo separado e que identifica o modelo integrado, como a única via para implementar a interseccionalidade. O caso português levanta, assim, uma nova questão: será possível evoluir para a interseccionalidade, sem criar um organismo único de igualdade? (Hancock, 2007)
Enquanto em outros países, houve uma grande explosão nos Estudos de Gênero e a criação de inúmeros centros de pesquisa, no contexto universitário, à partir dos anos de 1970, do século passado, Portugal enfrentou um expressivo atraso nessa matéria. Somente em 2012, foi criado o Centro Interdisciplinar de Estudos de Gênero (CIEG), o primeiro centro de pesquisa científica, inteiramente dedicado a este domínio, e hoje, reconhecido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) (Ferreira, 2005).
2.1.2. O Processo Histórico do Trabalho em Portugal
Na década neoliberal, se tornou clara a debilitação do mundo do Trabalho. Se instaurou o desemprego estrutural e a proliferação do trabalho precário nos principais países capitalistas. Nos anos 1990, ocorreram as novas formas de exclusão social e as novas clivagens de desigualdades, ou seja, uma nova pobreza no interior do centro capitalista. Passou a ocorrer, a insegurança no mercado de trabalho, no emprego, na renda, na contratação e na representação (Mattoso, 1995:525). Ocorreu a explicação histórica da própria condição da classe do proletariado: a insegurança, a situação de estar a mercê do acaso, submetido ao “poder das coisas”, ao mercado (Marx,1987:120). Um novo e precário mundo do trabalho, contribuiu para a debilitação do movimento operário e para a crise do sindicalismo. O novo complexo de reestruturação produtiva, em sua dimensão contingente, surgiu como uma ofensiva do capital, na produção. Ocorreu a recriação dos novos mundos do trabalho, instaurando novas provocações sócio históricas para a classe dos trabalhadores assalariados. (Mattoso, 1995:525). Criou-se, desse modo, um novo patamar de estranhamento para milhões de desvinculados das promessas de modernidade, numa época de “pós-modernidade” (Harvey, 1993).
O capital configurou-se como uma ofensiva contra o trabalho assalariado, uma ofensiva do capital na produção, debilitando o movimento operário, para o mundo do trabalho complexificado, fragmentado e heterogeneizado (Antunes, 1995).
As diferenças entre homens e mulheres eram mais evidentes entre os/as trabalhadores/as nacionais. Observou-se também as diferenças, ao nível do contrato laboral e do regime de tempo de trabalho. Cerca de três quartos dos trabalhadores e das trabalhadoras, por conta de outrem, de nacionalidade portuguesa, tinham contratos de trabalho sem termo (76,2% das mulheres e 75,3% dos homens), ao passo que este valor desceu para 44,1%, no caso das trabalhadoras de nacionalidade estrangeira e para 38% no caso dos trabalhadores homens de nacionalidade estrangeira.(Eurostat,2024).
O trabalho a tempo parcial, teve peso reduzido, representando apenas 6,8% do total das pessoas empregadas, mas, esse valor foi superior entre as mulheres, especialmente, de nacionalidade estrangeira. Cerca de 12,6% das mulheres de nacionalidade estrangeira e 9,3% das mulheres de nacionalidade portuguesa, trabalhavam a tempo parcial, face a 4-5% entre os homens, de nacionalidades portuguesa e não portuguesa .(Eurostat,2024).
Os padrões de atividade laboral nos diferentes setores econômicos, variavam entre trabalhadores e trabalhadoras de nacionalidade portuguesa e não portuguesa. Em geral, as pessoas empregadas de nacionalidade estrangeira estavam mais representadas no setor do alojamento e da restauração (categoria I) e nas atividades administrativas e dos serviços de apoio (categoria N). Comparativamente com as pessoas empregadas de nacionalidade portuguesa, estavam representadas com maior prevalência, nas indústrias transformadoras (categoria C), bem como, no setor do comércio por grosso e a retalho; reparação de automóveis e motociclos. Estas diferenças laborais entre estrangeiros e portugueses, foram verificadas no ano de 2024 (Eurostat,2024).
Continuando sobre o tema Trabalho, em 2024, um quarto (25,0%) das mulheres de nacionalidade estrangeira trabalhavam nos setores do alojamento, restauração e similares (categoria I) e um quinto (20,1%) nos setores das atividades administrativas e dos serviços de apoio (categoria N).(Eurostat,2024).
Os homens de nacionalidade estrangeira, também estavam fortemente representados no setor do alojamento, restauração e similares (categoria I), com 18,5%, mas também, se destacaram no setor da construção (17%).O diferencial remuneratório ajustado entre homens e mulheres (DRHM) em Portugal, estava na ordem dos 17,5%, de remuneração ganho (14,7% antes do ajustamento), de acordo com as mais recentes estimativas do Observatório da Imigração. Entre os trabalhadores e trabalhadoras de nacionalidade estrangeira, o diferencial foi ligeiramente mais baixo, estimado para a ordem dos 11,4%, para a remuneração ganho (15,9% antes do ajustamento) . Estes dados estão apresentados no instituto de pesquisa da EUROSTAT.(Eurostat,2024).
No ano de 2024, encontramos ainda, os dados sobre o nível de remuneração, sendo em média, das trabalhadoras de nacionalidade estrangeira que recebiam menos de 14,2%, que as trabalhadoras de nacionalidade portuguesa. Quanto aos trabalhadores de nacionalidade estrangeira, recebiam menos de 13,2%, que os trabalhadores nacionais.(Eurostat,2024).
Ajustando as características individuais (ao nível de idade, nível de escolaridade e antiguidade da relação laboral), a estimativa do diferencial entre os/as trabalhadores/as de nacionalidade portuguesa e não portuguesa, diminuíram significativamente, especialmente, entre as mulheres. Na estimativa, para a remuneração base, os trabalhadores de nacionalidade não portuguesa auferiram apenas, menos de 3%. e as mulheres menos de 1%. conforme a (Declaração de Registro de Cidadão da União Européia- Dpre, 2024).
Complementou-se este destaque, com as estimativas sobre trabalhadores/as em risco de pobreza. Cerca de 9,7% dos trabalhadores e 7,8% das trabalhadoras, de nacionalidade portuguesa, estavam em risco de pobreza. Entretanto, 16,5% dos homens e 19,9% das mulheres de nacionalidades estrangeiras, estavam em situação de pobreza, com maior percentual. Esses dados, demonstram que, com as mulheres estrangeiras, existiu uma diferença percentual, que é mais do que o dobro das mulheres nacionais e para os homens estrangeiros, existiu uma diferença relevante que os homens nacionais.(Eurostat, 2025).
2.1.3. A Imigração dos Brasileiros em Portugal e Sua Legislação
A Imigração brasileira em Portugal, ocorreu em períodos diferentes, com características peculiares, nas últimas décadas do século XX. Em particular, ocorreu em maior número, desde a adesão de Portugal com a União Européia, através do Tratado da União Européia, assinado em 1 de janeiro de 1986 e, também, quando Portugal teve acesso ao espaço Schengen, segundo Dias (2003). Neste período, os imigrantes se tornaram mais evidentes aos olhos da população portuguesa, principalmente, na região metropolitana de Lisboa, onde a maioria possuía domicílio, e nas redes sociais, estabelecidas entre os estrangeiros. (Dias, 2003)
Segundo Fonseca (2023). a entrada de Portugal na União Europeia, foi o principal acordo de emigração e mobilidade, envolvendo os dois países. Outro acordo importante foi com o Brasil, que ocorreu em 16 de novembro de 1953, com a assinatura do Tratado de Amizade e Consulta (promulgado no Brasil pelo Decreto nº 36.776 de 1955). Esse foi o marco histórico que formalizou o tratamento recíproco e os direitos entre cidadãos brasileiros e portugueses. Com este acordo, ocorreu um grande crescimento da emigração de brasileiros para Portugal (Nacionalidade Portuguesa, 2025).
A emigração dos brasileiros para Portugal foi realizada de formas diferentes em períodos diferentes.
Os primeiros indivíduos que foram designados para migrarem para Portugal, foram os portugueses regressados do Brasil, durante o século XIX e início do século XX (Machado,2005).
Posteriormente, a emigração de brasileiros para Portugal ocorreu, nas décadas de 1970-1980., com brasileiros altamente qualificados, que possuíam a escolaridade de curso superior, frequentemente, de origem portuguesa. Em 1990, os brasileiros que emigraram para Portugal, foi em maior número, entretanto, diversificada, com algumas pessoas qualificadas, que possuíam ensino superior e pessoas não qualificadas, que possuíam curso médio completo ou curso fundamental completo. O número destes imigrantes multiplicou-se, e mudou em composição social, muito diversa, oriundos de camadas médias de renda ou de camadas de baixa renda. Não dispunham de vínculos ancestrais com Portugal. Se inseriram em mercados de trabalho menos privilegiados, com trabalhos voltados ao comércio, restauro, cuidador de idoses, e, também, com trabalhos informais, como motorista de UBER. (Malheiros, 2007).
Em 1986, com a adesão de Portugal a União Européia, o número total de brasileiros em Portugal acelerou, principalmente, durante o período entre 1990 e 2014. (Malheiros, 2007).
No período entre 2000 a 2001, os imigrantes brasileiros em Portugal passaram de 22.022 imigrantes para 44.710 imigrantes brasileiros em Portugal. A aceleração permaneceu até o ano de 2010, totalizando 119.363 imigrantes brasileiros em Portugal. (Malheiros, 2007).
Com a crise econômica dos EUA, em 2008, e seus efeitos negativos em Portugal, diminuiu a emigração de brasileiros para Portugal, constituindo neste período, a emigração de estudantes brasileiros (Malheiros, 2007).
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), foram concedidas 30.333 nacionalidades portuguesas, aos brasileiros imigrantes em Portugal. Em 2006, ocorreu a alteração legislativa de nacionalidade Portuguesa, que permitiu que muitos estrangeiros , se tornassem portugueses. Depois de adquirida a nacionalidade portuguesa, alguns desses, se dirigiram para outros países da União Europeia. (INE, 2006).
As principais variáveis que afetaram o sistema migratório foram a economia e o mercado de trabalho, neste período. Entre 2011 e 2016, Portugal passou por um período de recessão.(INE, 2016). Só no período entre 2017 a 2019. começou o crescimento de imigrantes brasileiros em Portugal. Desde o início das Guerras, ocorridas no mundo, como a Guerra entre Rússia e Ucrânia , em fevereiro de 2022 e depois, com as guerras existentes no oriente médio, a imigração estrangeira em Portugal e em outros países, se tornaram mais uma variável para a imigração dos cidadãos afetados pelas Guerras, que ainda continuam em 2026, devido as guerras não terem acabado.(INE, 2025)
Em 2021, o INE registrava cerca de 278.109 brasileiros residentes.Até o fim de 2025 / 2026, os dados oficiais do INE apontaram cerca de 574.195 cidadãos brasileiros com autorização de residência em Portugal (representando cerca de 35,9% de todos os estrangeiros no país), um aumento de mais de 106% em quatro anos.(INE, 2026).
.Os imigrantes em Portugal, no ano de 2010, representaram, cerca de 26,8% no número de imigrantes e no ano de 2014, os imigrantes brasileiros, representaram cerca de 22,1%. Devido as novas nacionalidades portuguesas, concedidas aos imigrantes brasileiros, ocorreu a diminuição de brasileiros imigrantes em Portugal, devido o SEF, já não mais inserir nos dados estatísticos, esses imigrantes que foram concedidas a cidadania Portuguesa .(Malheiros, 2007).
O movimento decrescente do total de imigrantes brasileiros em Portugal, foi muito acentuado no ano de 2014, quando o número de estrangeiros foi inferior a 400 mil. (INE, 2006)
No ano de 2014, o número de imigrantes brasileiros em Portugal, passaram para 87.493 imigrantes.(INE, 2006)
Em 2016, foi revertido o número de imigrantes, que existiu em 2014, com ligeira recuperação no número de imigrantes, em comparação com o ano de 2015, segundo o relatório estatístico anual, do Observatório das Migrações e o Alto Comissariado para as Migrações em 2017 (OLIVEIRA, Catarina, 2017).
De acordo com os dados do Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), da Embaixada Portuguesa, o número de brasileiros que decidiram morar em Portugal, cresceu mais que o dobro, desde 2016. A maioria das pessoas que emigraram para Portugal tem entre 2 e 4 anos de residência no país. Neste período, muitos dos brasileiros em Portugal, eram jovens, e possuíam formação universitária. Alguns deixaram o Brasil, em busca de oportunidades de trabalho, em áreas como: tecnologia, finanças, saúde e educação, aproveitando a alta demanda por profissionais qualificados no país europeu, naquele período.(SEF, 2016),
No ano de 2017, pelo segundo ano consecutivo, desde o início da década, o total de estrangeiros em Portugal, voltou a superar 400 mil. (SEF, 2018).
Em 2018, além da continuação da tendência de crescimento do número de imigrantes brasileiros em Portugal, foi o número mais elevado, desde a criação do Serviço de Emigrantes e Fronteiras (SEF), em 1976. (SEF, 2018).
A comunidade brasileira manteve-se em Portugal, em 2018, como a mais expressiva, representando cerca de um quinto do estoque de imigrantes em Portugal, correspondendo a 105.423 imigrantes brasileiros. Neste ano, foi registrado o aumento de cerca de 10,9%, nas solicitações de nacionalidades portuguesas, realizadas pelos imigrantes brasileiros. (SEF, 2018).
Comparado com o ano de 2017, houve o crescimento de 5,2% de solicitações de nacionalidades portuguesas, pelos imigrantes brasileiros em 2018. Dos 32.414 pareceres positivos, emitidos em 2018, o Brasil liderou o ranking das 10 nacionalidades mais representativas, sendo cerca de 35,7% , de nacionalidades portuguesas concedida aos imigrantes brasileiros (SEF, 2018).
Para a comunidade brasileira, os imigrantes concentraram-se geograficamente, em regiões de grandes metrópoles em Portugal, como a região de Lisboa, que foi a de maior atração, recebendo aproximadamente metade dos imigrantes brasileiros em Portugal.(SEF, 2018)
Diante dos dados acima, no período de 2016 a 2018, Portugal foi considerado para os imigrantes brasileiros, o país que oferecia uma chance a eles, para realizarem seus estudos e obterem qualificações, aproveitando as vantagens de conceder um ensino superior de qualidade e mais acessível, em comparação com os estudos no Brasil. Também ocorreu que, alguns imigrantes brasileiros se mudaram para Portugal, por serem empreendedores, em busca de oportunidades de negócios, em áreas como turismo, gastronomia e comércio. Por último, algumas pessoas escolheram para morar em Portugal, pela qualidade de vida, clima ameno, segurança e tranquilidade. (SEF, 2018).
Ser imigrante em Portugal, também, enfrenta alguns desafios, como, adaptação cultural e a burocracia.para a retirada de documentos portugueses. Porém, alguns brasileiros relataram que a qualidade de vida e as oportunidades de trabalho e estudo, existentes em Portugal, foram condições importantes, para que eles pudessem emigrar para Portugal. Os brasileiros procuraram se integrar bem, com a sociedade portuguesa, participando de eventos culturais e sociais, desfrutando da gastronomia e dos espaços de lazer no país.
Estima-se, que existiam no ano de 2023, o número de 230 mil brasileiros morando em Portugal, representando cerca de 30% de toda a comunidade estrangeira, que vivem de forma regularizada no país. Neste período, as 5 cidades onde moravam mais brasileiros, foram: Lisboa, que é a capital de Portugal, cidade mais populosa, cosmopolita, cheia de vida e cultura; e oferece oportunidades de emprego nas áreas de tecnologia, finanças, turismo; a segunda cidade foi a do Porto, com um centro histórico charmoso, opções de lazer e entretenimento e algumas oportunidades de trabalho nas áreas de tecnologia, turismo e indústria; depois de Lisboa, situada no norte de Portugal. Não podemos deixar de classificar que na região metropolitana de Lisboa; é onde existem mais imigrantes brasileiros, como as cidades de Almada, Amora e Amadora, devido oferecer algumas oportunidades de trabalho. Outra cidade chamada de Braga, localiza-se na região norte de Portugal, existem muitos brasileiros imigrantes, que já formaram uma organização de imigrantes brasileiros. (SEF, 2025).
A cidade de Braga, foi considerada a cidade mais jovem de Portugal, e tem atraído muitos jovens, que procuram uma formação de qualidade e boas oportunidades de emprego. Existe em Braga, uma ampla oferta de cursos superiores e uma economia forte. Braga tem um custo de vida muito menor, em comparação com as outras cidades européias. Possui belas paisagens naturais, ‘uma cidade que tem segurança e infraestrutura moderna, com transporte público de qualidade, e opções de lazer. A cidade já tem uma grande comunidade brasileira bem estabelecida, devido a cidade de Braga, oferecer a esses imigrantes brasileiros, a oferta de serviços públicos, como, educação e saúde, dentre outros, e também, estabelecimentos de produtos brasileiros e restaurantes, com comidas típicas do Brasil.(SEF, 2025).
Portanto, as regiões com maior concentração de brasileiros. são as áreas metropolitanas de Lisboa, onde concentra-se quase a metade de toda a comunidade brasileira em Portugal. Englobava a capital Lisboa e os municípios vizinhos, como, Amadora, Sintra, Cascais, Oeiras e Almada. Existem também outras regiões de destaque, a região do Algarve, que fica no sul de Portugal. Outros município que se localizam mais ao Centro de Portugal, são as cidades de Aveiro, Leiria e Coimbra. (SEF, 2025).
Iremos abordar agora sobre a Legislação Portuguesa para os Imigrantes que decidiram viver em Portugal.
A evolução da população estrangeira em Portugal foi diretamente beneficiada pelas alterações legislativas, ocorridas no período de 1992 a 2001. As Regularizações Extraordinárias de 1992 e 1996, via emissão de títulos de residência, resultaram em um crescimento da população estrangeira. (SEF, 1996).
Em 2001, com a alteração na lei dos estrangeiros, criou-se a “autorização de permanência”, permitindo a regularização de trabalhadores residentes no país, há pelo menos, cinco anos, mediante a emissão de autorização de residência Luso-Brasileiro, sobre a “Contratação Recíproca de Nacionais”, aplicável exclusivamente a cidadãos brasileiros. (SEF, 2001).
Anteriormente ao período de 2015, o processo de imigração de brasileiros em Portugal, passou por algumas mudanças, no que diz respeito a legislação trabalhista. Ocorreu um período de austeridade em 2011, e em 2012, a legislação mudou radicalmente. As alterações na legislação trabalhista, com a retirada dos subsídios de férias e de Natal, e os cortes nos salários. promoveram uma profunda precarização no trabalho.(SEF, 2012). No ano de 2010, já se observava a precarização do trabalho. Em 2013, houve uma grande manifestação dos imigrantes brasileiros em Portugal, em função desta crise do trabalho. Além dessas alterações, houveram enquadramentos legais específicos, como é o caso do “Acordo, segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras”. (SEF, 2013).
Outra alteração na legislação, ocorreu em 2023. Foi criado um visto para o trabalho, para a emigração de brasileiros para Portugal, a procura de trabalho. Este novo tipo de visto destinou-se exclusivamente aos imigrantes brasileiros que queriam trabalhar em Portugal. Ocorreram alguns problemas com alguns imigrantes, como, a documentação que não foi autorizada; problemas de não encontrar atividade, de acordo com a sua qualificação e a falta de experiência para o trabalho. Os imigrantes teriam um prazo de 120 dias, para conseguirem o trabalho em Portugal.
O país não tinha estrutura para receber esses novos imigrantes brasileiros. bem como, alguns imigrantes não conseguiram trabalho. Portanto, se o imigrante brasileiro não conseguisse trabalho, durante este período de 120 dias, deveria regressar ao Brasil. .Entretanto, devido a esses problemas ocorridos com vários imigrantes brasileiros, que não conseguiram trabalho e não conseguiram tirar a documentação portuguesa, Portugal ficou com o prejuízo, de manter essas pessoas no país, que não tinham dinheiro para moradia e seu sustento, tendo que tomar a atitude de expulsar essas pessoas do país e revogar este visto através do Consulado Português em 2025. .(SEF, 2025).
As principais normas e regras que afetaram os brasileiros que desejavam ser imigrantes em Portugal, à partir do ano de 2025, baseou-se na Lei dos Estrangeiros e na Lei da Nacionalidade. A regra que permitia a entrada como turista e posteriormente, ficar residindo em Portugal, como imigrante brasileiro, solicitando da SEF, o pedido de autorização de residência, foi definitivamente proibida. Vistos de trabalho ou estudo em 2025 passaram a serem obtidos ainda no Brasil. Outra modificação da SEF foi sobre a. Fiscalização em Aeroportos, onde ocorreram várias recusas para os estrangeiros, entrarem em Portugal, sendo que, os brasileiros, lideraram o número de recusas de entrada na chegada a Portugal. A exigência de Portugal, para os brasileiros, foi a de apresentar a passagem de volta, comprovante de hospedagem e meios financeiros de subsistência, durante o período que estaria em Portugal, como turistas, Para os imigrantes, teriam que apresentar o visto de trabalho ou estudo, retirado no Brasil. A fiscalização nos aeroportos tornou-se muito rigorosa. Outra mudança na legislação Portuguesa, para os imigrantes brasileiros, foi o aumento do tempo de residência dos imigrantes em Portugal, exigindo agora um mínimo de 7 anos vivendo em Portugal, para depois, solicitarem a Cidadania Portuguesa. Portanto, tem ficado mais difícil para os cidadãos brasileiros emigrarem para Portugal e também, ser concedida a cidadania Portuguesa. (SEF, 2025).
3. METODOLOGIA
A pesquisa empírica foi fundamentada em três categorias: Imigração, Gênero e Trabalho. Com a realização da pesquisa literária, através do estudo destas categorias e com a realização da pesquisa empírica, pudemos conhecer como ocorreu o processo de Emigração de Brasileiros para Portugal, considerando também, as desigualdades de Gênero, etnia e classe social.
A pesquisa empírica teve como metodologia, processos participativos, onde buscou aprofundar o conhecimento sobre as categorias estudadas, através da utilização de instrumentos técnicos, com a aplicação de questionários padronizados. A pesquisa literária, foi importante, para dar embasamento ao estudo científico, realizada em instituições científicas, teses de doutorado, livros publicados , dentre outras fontes literárias.
O Estudo sobre a imigração de brasileiros em Portugal, definiu realizar a pesquisa empírica em dois distritos de Portugal. As áreas estudadas foram: a freguesia de Foros de Amora, localizada na cidade de Amora, pertencente ao distrito de Seixal e a freguesia de Venteira, localizada na cidade de Amadora, pertencente a, região metropolitana de Lisboa, Portugal.
A metodologia da Pesquisa empírica, foi construída com a aplicação de questionários de pesquisa padronizados, com perguntas abertas e fechadas, aplicados aos imigrantes brasileiros em Portugal, para cada área estudada: Venteira e Foros de Amora. Com os dados dos questionários, foi possível obter informações dos imigrantes brasileiros, pois a pesquisa literária, realizada nos órgãos e instituições em Portugal, não foram suficientes.
Para participarem das entrevistas, os imigrantes brasileiros, tinham que atender aos seguintes critérios: possuir local de residência , identificar o gênero, e possuir a idade ativa do trabalho (18 anos a 65 anos). Nesta pesquisa empírica, fizemos um estudo comparativo, dos dados coletados dos questionários, aplicados aos entrevistados, nos dois distritos, utilizando as categorias do estudo. Imigração, Trabalho, Gênero.
A pesquisa empírica foi iniciada na Freguesia Foros de Amora, localizada na Cidade de Amora, Conselho de Seixal, em junho/2025. Em seguida, realizamos a pesquisa, na Freguesia Venteira, localizada na Cidade de Amadora, região metropolitana de Lisboa, em julho/2025,, .
Falaremos a seguir da cidade de Amora, localizada no conselho de Seixal, em Portugal, para contextualizarmos o local onde realizamos a pesquisa empírica. Esta é uma freguesia antiga, mencionada no século XIV, que se desenvolveu, principalmente, através da agricultura (vinha) e exploração de madeira. Originalmente, existia em Amora, uma área de pescadores, trabalhadores e lavadeiras. A sua história económica, foi moldada, pela sua localização estratégica no estuário do Tejo e por estradas importantes. Em 1989, foi elevada a vila, e, em 1993, foi elevada a cidade, tornando-se parte do Concelho do Seixal, localizado na Região Metropolitana de Lisboa. (Plano de Desenvolvimento Social, 2009/2011)
Apresentamos a seguir a Foto 1, da Freguesia Foros de Amora
Foto 1. Foros de Amora
Descrevendo sobre os moradores de Amora, eles eram homens do mar, carreiros, matreiros, moleiros, trabalhadores e lavadeiras, como nos refere o “Livro das Visitações”, do século XVIII, que foi publicado por volta de 1.718. o livro foi gerado por fregueses, padres e inspetores eclesiásticos (visitadores). As "Visitações" eram inspeções periódicas que as autoridades da Igreja Católica realizavam nas paróquias. É neste documento paroquial mais tardio que se encontra a famosa descrição social detalhada das profissões dos habitantes de Amora, relatando que os moradores dali eram:Homens do mar e barqueiros (que transportavam mercadorias pelo Tejo) e Carreiros e mateiros (responsáveis pelo corte e transporte de lenha), segundo a Junta da Freguesia de Amora/Portugal, em 1.718.
A Cidade de Amora foi constituída pelas seguintes freguesias: Amora de Baixo, Amora de Cima, Belverde, Correr d’água de Amora, Cruz de Pau, Fogueteiro, Foros de Amora, Marco Severino, Paivas, Pinhal, Conde da Cunha, Ponta dos Corvos, Quinta dos Caldinhos, Quinta do Conde, Foros de Amora, Quinta do Paço, Quinta da Princesa, Santa Marta, Soutelo, Talaminho e Vale de Gatos. (Plano de Desenvolvimento Social, 2009/2011)
Falaremos a seguir sobre a Cidade de Amadora.
No dia 11 de Setembro de 1979 é a Amadora, elevada a concelho e cidade. Continuava nesta altura, o espírito associativo desta cidade. Nasceram muitas novas instituições de carácter social. O Diagnóstico Social do Município da Amadora. elaborado pela rede social, em 2008, diz‑nos: “ o tecido social da Amadora é composto por assimetrias, fruto da existência de territórios e grupos vulneráveis, que tornam o Município mais suscetível à emergência de problemas sociais”.(Plano de Desenvolvimento Social, 2009/2011)
Se olharmos numa perspectiva histórica, sobre a cidade de Amadora, podemos ver uma enorme beleza e uma vida própria. Segundo o Plano de Desenvolvimento Social para 2009/2011, “o desenvolvimento do município da Amadora, tem dependido fundamentalmente, da implementação de uma rede social cada vez mais interventiva, e que tem feito um claro esforço para integrar todas as instituições (públicas e privadas), num processo sólido de participação ativa, no combate à pobreza e exclusão social.”(Plano de Desenvolvimento Social, 2009/2011).
Nesse período, a Amadora foi um lugar emblemático da sub-urbanização da capital portuguesa. O crescimento da população residente, passou de 45 mil habitantes, para 110 mil habitantes. O crescimento do número de habitantes, foi rápido e intenso. Variadas formas de crescimento urbano transformaram o espaço físico e o espaço social da vila, dos grandes conjuntos residenciais, aos bairros de barracas, passando por assentamentos de carácter formal, destinados às camadas médias e populares. As suas instituições urbanas renovaram-se, com a abertura de escolas, com a instalação de comércios mais diversificados, e com o surgimento de associações vocacionais, para a ação social e cultural. Grupos de pessoas notáveis locais, indicavam a autonomia administrativa da vila e a sua passagem a município. (Plano de Desenvolvimento Social, 2009/2011).
Apresentamos a seguir, a Foto 2 da cidade de Amadora.
Foto 2. Cidade de Amadora
4. ANÁLISE DOS DADOS
Neste item, iremos analisar os dados da pesquisa empírica, buscados nos questionários de pesquisa empírica, aplicados aos imigrantes brasileiros que residiam nas freguesias Foros de Amora, localizada na cidade de Amora e Venteira, localizada na cidade de Amadora, região metropolitana de Lisboa, em Portugal.
4.1. Análise dos Dados dos Imigrantes Brasileiros Que Residiam na Freguesia de Foros de Amora, Localizada na Cidade de Amora
Iniciamos a pesquisa empírica, aplicando o questionário de pesquisa, aos imigrantes brasileiros que residiam na Freguesia de Foros de Amora, localizada na cidade de Amora. O questionário foi padronizado, com perguntas fechadas e abertas. A primeira pergunta, foi se os entrevistados, eram imigrantes brasileiros. Ttodos os entrevistados responderam que SIM, que eram brasileiros imigrantes.
A segunda pergunta aos entrevistados, foi sobre “Qual a Documentação que eles possuíam”, até o ano de 2025.
Conforme os dados apresentados na pesquisa, a maioria dos entrevistados possuíam como documentação, o Título de Residência, com o percentual de cerca de 59,1%. Existiam imigrantes brasileiros, vivendo em Portugal, ainda em 2025, sem documentação portuguesa. Neste caso, eram em sua maioria, imigrantes recém chegados em Portugal, porém, haviam imigrantes que já estavam morando há mais de 6 meses, sem documentação portuguesa. Quem ainda em 2026, só possuir a documentação portuguesa , Manifestação de Interesse, não estará de forma regular no país. As documentações corretas em 2026, são o Título de Residência ou a Cidadania Portuguesa ou Europeia. Na nova legislação portuguesa, o documento Manifestação de Interesse, foi excluído pelo Consulado Português.
Na pergunta que se fez aos entrevistados, sobre quanto tempo de moradia eles tinham em Portugal, a maioria deles responderam, que estavam vivendo em Portugal, apenas por 1 a 3 anos, representando cerca de 22,7%. O percentual de 18,2%, representava, os entrevistados que viviam em Portugal, até 1 ano. Tiveram entrevistados que viviam em Portugal por 3 a 5 anos. Os que possuíam o mesmo percentual de 4,5%, foram: os entrevistados que residiam em Portugal, durante 7 anos; 16 anos: 20 anos e 28 anos.
Ainda perguntamos aos entrevistados, se eles pretendíam continuar morando em Portugal. Representando cerca de 72,7% dos entrevistados, responderam que SIM. Este dado foi muito relevante , pois significou que os imigrantes brasileiros estavam se adaptando de forma positiva, paraviver em Portugal.
No tocante a outra pergunta do questionário, sobre o sexo dos entrevistados, cerca de 66,7%, eram mulheres imigrantes brasileiras que viviam em Portugal e quanto aos homens imigrantes brasileiros, representaram cerca de 33,3%.
No que diz respeito ao tipo de moradia que os entrevistados viviam, todos informaram que residiam em moradias arrendadas, ou em quartos de moradias arrendadas. Assim, destacamos um problema que Portugal estava enfrentando, com a chegada de muitos imigrantes, que não possuíam condições financeiras para arrendarem imóveis e só quartos, devido ao aumento dos preços dos arrendamentos de imóveis, com o aumento da inflação de preços em Portugal, depois do início da Guerra Russo-Ucraniana. Outro fator também relevante, foi que em Portugal, não existiam muitos imóveis sendo construídos, para receber estes imigrante brasileiros. Além de que , os imóveis que estavam sendo construídos, não eram casas populares. Eram imóveis para a classe média e de alta renda. .Estes resultados puderam significar, um grande problema de moradia em Portugal, com a chegada de mais imigrantes brasileiros.
Outra pergunta realizada com os entrevistados, foi sobre quantas pessoas moravam na mesma moradia. Analisando os dados da pesquisa , cerca de 40% dos entrevistados moravam na mesma moradia, com 4 a 6 pessoas. Cerca de 33,4% residiam com cerca de 2 a 3 pessoas. Os entrevistados que residiam sozinhos, corresponderam a 26,7%,
Os entrevistados que se encontravam na idade para o trabalho, representavam mais de 20%, ou seja, entre 18 a 25 anos representavam cerca de 26,7%. Em seguida, o percentual que foi mais destacado, foi na idade entre 26 a 35 anos, com cerca de 33,40%. Também ocorreu que., na idade entre 35 a 59 anos, o percentual foi o mesmo da idade entre 18 a 25 anos, com cerca de 26,7% dos entrevistados. Portanto, pudemos afirmar que a imigração de brasileiros em Portugal nesta faixa etária, de 18 anos a 59 anos, representou cerca de 86,6%, onde .os imigrantes brasileiros foram para Portugal, com o motivo do TRABALHO.
Outra questão perguntada aos entrevistados, se referiu aos dados sobre a escolaridade. Com os dados da pesquisa empírica, pudemos dizer que é de se estranhar, que, a maioria dos imigrantes brasileiros, possuíam Curso Superior, com o percentual de 40%., Também existiam imigrantes brasileiros que possuíam curso de pós-graduação, representando (13,3%). Um percentual considerável, foram dos entrevistados que possuíam Ensino Médio Completo (20%). O mesmo percentual de (20%) representaram os entrevistados com apenas o Ensino Fundamental. Os entrevistados com Curso Técnico completo, representaram cerca de (6,7%). Esses dados sobre a escolaridade dos imigrantes brasileiros, foram bastante interessantes, onde mostraram que cerca de 73,3% dos imigrantes brasileiros, possuíam desde a pós-graduação até o ensino médio completo. Significou, que estes entrevistados, imigrantes brasileiros, possuíam uma escolaridade muito boa, sendo importante para eles obterem melhores trabalhos.
No que se referiu a raça dos entrevistados, pudemos observar com os dados da pesquisa, que, a maioria, ou seja, cerca de 93,3% , eram de raça branca e apenas 6,7% eram de raça negra.
Uma outra questão que foi feita aos entrevistados, foi se eles possuíam algum telefone. A maioria dos entrevistados responderam que NÃO , com cerca de 77,8% , e os que responderam que SIM , foram apenas cerca de 22,2%. dos entrevistados
No que diz respeito ao transporte individual, os entrevistados responderam , que em sua maioria, não possuíam nenhum meio de transporte, representando 80%. dos entrevistados. Quem possuía carro, representou 6,7% e quem possuía moto, representou cerca de 13,40% dos entrevistados. Ou seja, a maioria dos entrevistados usavam o transporte público.
Com relação aos entrevistados possuírem objetos eletrônicos, como computador, celular e Internet, os dados da pesquisa demonstraram que: cerca de 73,3% dos entrevistados possuíam computador , celular e acesso a Internet. Portanto, para quem trabalha e estuda, esses objetos eletrônicos, são os principais instrumentos utilizados por eles.
A seguir, demonstraremos os dados dos imigrantes brasileiros entrevistados, sobre o tema Trabalho. Os dados apresentaram que, são as mulheres imigrantes brasileiras, que mais trabalham, com percentual de cerca de 66,7%. Os homens imigrantes brasileiros que trabalam, representaram apenas, cerca de 26,7%. Também pudemos dizer, que na pesquisa, verificamos que os entrevistados que viviam com outras pessoas, na mesma casa, representando cerca de 6,7%,, todas essas pessoas trabalhavam, tanto os homens, como as mulheres.
Continuando a falar sobre o Tema Trabalho, conforme observações nos dados da pesquisa literária, realizada nos institutos e órgãos de pesquisa, existentes em Portugal, como o EUROSTAT, as informações apontaram sobre o crescimento no número de mulheres que trabalhavam, ultrapassando os homens, em alguns lugares, e em algumas profissões, principalmente, nas atividades consideradas femininas. Comparando estas informações da EUROSTAT, com os resultados da pesquisa empírica, os dados sobre as mulheres imigrantes brasileiras sobre o tema TRABALHO, coincidem, por ter mais mulheres imigrantes brasileiras trabalhando.
Com relação a Forma de Trabalho dos entrevistados, pudemos verificar nos dados da pesquisa empírica, que a maioria dos entrevistados, possuem Contrato de Trabalho, representando cerca de 46,7%. Grande parte dos entrevistados trabalham de forma informal, com cerca de 26,7%. Os entrevistados que trabalham com Recibo Verde, representam 20%. Também encontramos desempregados, com um menor percentual, com 7%. Significa que, os imigrantes brasileiros que foram viver em Portugal, com o motivo do Trabalho, conseguiram encontrar um trabalho formal, representando cerca de 66,7% dos imigrantes brasileiros Sobre as profissões e o tipo de trabalho dos entrevistados, observamos que a atividade que representou o maior percentual,, com cerca de 20,00 %,, foi o trabalho da LIMPEZA. Em seguida, temos o trabalho de CABELEREIRA, representando cerca de 13,3 % dos entrevistados.
Outros trabalhos foram citados pelos entrevistados, cujos percentuais se repetem: Pedreiro (6,7%); ajudante de pedreiro (6,7%); técnico de produção (6,7%); logística (6,7%), assistente dentária (6,7%), gerente de restaurante (6,7%); babá (6,7%); promotora (6,7%); atendente de mesa (6,7%) e empregado de mesa (6,7%). Podemos aferir que,os trabalhos dos entrevistados eram bastante diversificados. Eles trabalhavam de acordo com a demanda, mesmo não sendo na sua profissão. Esses trabalhos, geralmente, não são ocupados pelos Portugueses, devido serem trabalhos pouco valorizados. Também tem o fato dos brasileiros culturalmente serem mais atenciosos e simpáticos e os empresários da área de restauro, preferem o trabalho sendo realizado pelos imigrantes brasileiros. Os trabalhos ligados a construção civil, muitos construtores preferem os trabalhadores, também imigrantes brasileiros, pela experiência que eles tiveram no Brasil, por terem sempre novas construções.
Sobre o Tempo de Trabalho que exerciam os entrevistados, com os dados da pesquisa, observamos que, a maioria dos entrevistados possuíam 2 anos de trabalho, representando cerca de 57,1%. Já os entrevistados com 3 anos de trabalho, representavam cerca de 21,4%. Também encontramos entrevistados que representaram apenas 7,1%: com 1 ano e 6 meses de tempo de trabalho;; com apenas 4 meses e com 11 anos de trabalho.
Uma pergunta importante que fizemos aos entrevistados, diz respeito a Renda Familiar. Os dados nos dizem que, a maioria dos entrevistados, receberam cerca de 1 salário mínimo, representando cerca de 78,6%. Até 3 salários mínimos, representavam cerca de 14,3% dos entrevistados, e, por último, os entrevistados que receberam mais de 3 salários mínimos, tinham o percentual de 14,3%.
Passaremos agora a apresentar os dados da pesquisa, com informações dos entrevistados, sobre o bairro onde moravam, em relação ao serviço prestado pela prefeitura e ao comércio existente, na freguesia de Foros de Amora. Cerca de 93,3% dos imigrantes brasileiros, responderam que não faltava nada na sua freguesia. Apenas 6,7% dos entrevistados, informaram que faltava farmácia e creche.
Sobre os pontos positivos para os imigrantes brasileiros terem ido morar em Portugal,, conforme dados da pesquisa, foram citados vários pontos positivos, com destaque para o da SEGURANÇA, representando cerca de 20% e outro ponto positivo destacado foi o de PODER DE COMPRA, com 13,3%. Outro ponto positivo relatado pelos entrevistados, foi Segurança e Emprego (20%). Os demais pontos positivos, representaram cerca de (6,7%) ; Segurança e centro de saúde;,oferta de emprego; Bens Materiais; Segurança, saúde, alimentação; Segurança e Educação; Tranquilidade ; Não quiseram responder, foram cerca de (6,7%) dos imigrantes brasileiros.
Outra questão feita com os imigrantes brasileiros, foi sobre se eles realizavam alguma atividade em casa. A maioria deles responderam que NÃO, com cerca de 93,3%. Apenas 6,7% deles, responderam que realizavam a atividade de cabelereira.
4.2. Análise dos Dados dos Imigrantes Brasileiros Que Residiam na Freguesia Venteira, Localizada na Cidade de Amadora
Iniciamos a pesquisa empírica, aplicando o questionário de pesquisa aos imigrantes brasileiros, moradores de Venteira, cidade de Amadora, perguntando se eles eram imigrantes brasileiros. Todos os pesquisados informaram que SIM, que eram brasileiros imigrantes.
Em seguida, a próxima pergunta, se referiu a “Qual a Documentação que os entrevistados possuíam”.
Segundo os dados levantados na pesquisa, cerca de 11,1% dos entrevistados, possuíam a documentação de Manifestação de Interesse. Com relação a documentação de Título de Residência, foram a maioria dos entrevistados, com cerca de 77,8%. A documentação de Cidadania Portuguesa, representou cerca de 11,2%. Portanto, a maioria dos entrevistados, se encontravam em situação regular, com relação a documentação portuguesa, na época da pesquisa empírica. Em 2026, a documentação de Manifestação de Interesse, foi excluída . Isto significa que , os imigrantes brasileiros, que em 2025, ainda possuíam a documentação de Manifestação de Interesse, tiveram que retirar a documentação de Título de Residência, para continuarem vivendo em Portugal.
Quanto a pergunta, se eles pretendiam ficar morando em Portugal, cerca de 83,3% dos entrevistados, responderam que SIM, que pretendiam ficar morando em Portugal. Entretanto, cerca de 16,8% dos entrevistados, informaram que NÃO, pelo motivo de quererem futuramente, voltarem para o Brasil.
Sobre o tempo que moravam em Portugal, com os dados contidos na pesquisa empírica, indicaram que, a maioria deles, possuíam de 3 a 5 anos, morando em Portugal, representando cerca de 22,2%. Em seguida, são os que moravam com mais de 5 anos, representando 16,1%. Com mais de 10 anos, representaram cerca de 16,7%. Os demais entrevistados possuíam tempos diferentes que moravam em Portugal: 2 meses (5,6%), até 1 ano (11,1%), de 1 a 3 anos (16,7%). Concluímos que. a maioria dos entrevistados, possuíam até 5 anos, vivendo em Portugal. Portanto, nos fez refletir que , este aumento da Emigração Brasileira para Portugal ocorreu nos últimos 5 anos.
Com relação ao Sexo, a maioria dos imigrantes brasileiros entrevistados, eram do sexo Feminino (72,2%) e do sexo Masculino, apenas com o percentual de (27,8%). .Portanto, existiam mais mulheres do que homens imigrantes em Portugal.
Apresentamos os dados sobre a idade dos imigrantes brasileiros. Observamos que, a maior parte dos entrevistados, possuíam entre 26 a 35 anos de idade, com cerca de 44,4%. Já os mais jovens de 1 a 25 anos, representam 22,2% dos entrevistados. Os mais velhos, acima de 60 anos, representavam cerca de 33,3% dos entrevistados. Ficamos surpresos com os entrevistados que possuíam idade acima de 60 anos. A maioria dos imigrantes brasileiros possuíam a idade propicia para o trabalho, ou seja, de 26 a 35 anos.
Sobre o tema da Escolaridade, os dados da pesquisa empírica, representaram. que, a maioria dos entrevistados, possuíam ensino médio completo, com percentual de 56,6%. Encontramos também imigrantes brasileiros com curso técnico, com cerca de 16,7%. Temos também entrevistados que tem apenas ensino fundamental, dificultando a questão do trabalho, com percentual de 16,7%. também. Por outro lado, encontramos entrevistados com curso Superior, representando cerca de 11,2%. A escolaridade é sempre importante para o trabalho. Na Freguesia de Venteira, concluímos que a escolaridade dos imigrantes brasileiros foi, em sua maioria, de possuir o ensino médio.
Sobre a pergunta sobre a raça, a maioria dos entrevistados possuíam a raça branca, com cerca de, 89% e os que possuíam a raça preta, representavam 11,1% dos entrevistados.
Os dados apresentados na pesquisa empírica, sobre o tema TRANSPORTE, em sua maioria, os entrevistados, não possuíam algum meio de transporte, representando cerca de 44,4%. Quem possuía carro, representava cerca de 16,7%. Quem possuía carro e patinete, representava 11,1%. Os demais meios de transporte representavam 5,6%: quem possuía carro e moto; quem possuía moto; quem possuía Bicicleta; quem possuía Trutinete e Bicicleta e quem possuía só Trutinete. Portanto, a maioria dos entrevistados utilizam o transporte público.
Com relação a pergunta- se eles possuíam telefone, os entrevistados responderam que SIM.
Analisando os dados dos entrevistados na pesquisa empírica, sobre se eles possuíam os objetos eletrônicos, como computador, celular e Internet, cerca de 81,3 % dos entrevistados responderam que SIM. Cerca de 16,7% dos entrevistados responderam que NÃO.
Com relação ao tema TRABALHO, verificamos nos dados da pesquisa empírica, que a maioria das pessoas que trabalham, são mulheres, com cerca de 56,6%. Os homens que trabalham, representaram cerca de 16,7%. Também tivemos entrevistados que responderam que tanto os homens como as mulheres que viviam na mesma casa, trabalhavam os dois, representando cerca de 22,2%, e, apenas, alguns entrevistados responderam que ninguém trabalhava em sua casa, representando 5,6%. Portanto, justifica-se o que os institutos de pesquisa descrevem, que tem crescido o número de mulheres trabalhando em Portugal.
Ainda sobre o tema Trabalho, identificamos que os entrevistados exerceram diversos trabalhos. Os que representavam um percentual maior, foram os que trabalhavam com Vendas e Restaurantes (11,1%) O Trabalho informal de Motorista de Aplicativo, representava cerca de 11,2%. Os demais trabalhos, cada um, possuía o mesmo percentual de 5,6%: atendimento ao público; Cozinheira; Gerente de Projetos; Informática; Manicure; Estética; Administrativo; Aposentado; Cabelereiro; Atendente de Balcão; Construção; Limpeza; Depilação Facial; Depilação em geral; e por último, Serralheiro. O trabalho das mulheres foram os trabalhos considerados femininos, como Limpeza, Estética, Cuidador de idosos, Cabelereira.
Os dados sobre o Tempo de Trabalho dos entrevistados, o maior percentual foi de quem trabalhava até 1 ano, representando cerca de 23,5%. O mesmo percentual foram para os que trabalhavam 3 anos. Os que trabalhavam 2 anos, representava cerca de 1,6% dos entrevistados. Com apenas 6 meses de trabalho, os entrevistados, representavam cerca de 11,8%. Os demais entrevistados representavam cerca de 5,8% com o tempo de trabalho: 5 anos; 6 anos; 1 a 2 anos e 23 anos. Analisando estes dados, identificamos que, a maioria dos entrevistados, possuíam pouco tempo de trabalho, variando de 6 meses a 6 anos, com exceção dos que já trabalham há 23 anos. Fizemos uma comparação .com o tempo que estão vivendo em Portugal, constatarmos que eles iiam em Portugal, poucos anos, que corresponderam há cerca de 3 a 5 anos. Justificando o tempo de trabalho tão curto, fomos fazer uma análise da renda familiar. Este foi um item muito importante para os imigrantes brasileiros e que estavam relacionados a experiência de trabalho, documentação e a escolaridade dos imigrantes entrevistados.Observamos que, a maioria dos entrevistados que só recebiam 1 salário mínimo, representaram cerca de 55,6%. Os que recebiam até 3 salários mínimos, representavam cerca de 33,3%. Temos também, poucos entrevistados, que possuíam uma renda familiar de mais de 3 salários mínimos, representando cerca de 5,6%. Os que trabalhavam com recursos próprios, representavam 5,6% também.
Sobre os dados dos serviços e do comércio oferecidos na freguesia de Venteira, cidade de Amadora, os entrevistados, em sua maioria, responderam que NENHUM serviço ou comércio faltava na sua freguesia, representando cerca de 87,5%. Outros entrevistados responderam que faltava CULTURA DIFERENTE, com cerca de 12,5% .Portanto, a freguesia Venteira, possuía a prestação de serviços e o comércio, necessários para a vida desses imigrantes brasileiros entrevistados na pesquisa...
Quanto aos dados sobre os problemas que os entrevistados informaram na pesquisa empírica, eles disseram que tiveram alguns problemas, ao chegarem em Portugal. O maior deles, foi obter a documentação de Portugal, representando cerca de 16,7 %. Os outros problemas apresentados, representavam cerca de 5,6%: trabalho, burocracia, saudades da Família, conseguir emprego, ficar endividado. Portanto, a maioria deles disseram que não tiveram problemas, representando cerca de 50%.
Sobre os Pontos Positivos de viverem em Portugal, a pesquisa destacou a SEGURANÇA, representando cerca de 33,3. Em seguida foi o PODER DE COMPRA, com cerca de 16,7%. Também temos como ponto positivo, a QUALIDADE DE VIDA, com cerca de 11,1%. Os demais pontos positivos, com cerca de 5,6% são: muito estudo; segurança e poder; Segurança e qualidade de vida; Segurança e igualdade perante as pessoas; Segurança e Custo de Vida e Poder de Compra. Com esses dados citados anteriormente, pudemos inferir que, para os imigrantes brasileiros entrevistados, a Segurança e o Poder de Compra, são os principais motivos para eles viverem em Portugal. Comparando com o Brasil, são exatamente os piores motivos dos brasileiros que enfrentam todos os dias a falta de Segurança e a diminuição do Poder de Compra.
Por último, na pesquisa empírica, foi perguntado ao entrevistados sobre, se eles exerciam outra atividade em casa. A maioria dos entrevistados responderam que NÃO, representando cerca de 94,4% e SIM, com as atividades de: Design de vendas, representando apenas 5,6% dos entrevistados que realizavam esta atividade em casa.
5. CONCLUSÕES
Os imigrantes brasileiros, tanto em Portugal como em outros países estrangeiros, são cidadãos brasileiros que, assim como, tantos imigrantes, fizeram a travessia, em busca de melhores condições de vida, em um país estrangeiro. Como já descrito, as condições difíceis do país de origem, sejam elas econômicas, sociais, políticas ou outras, foram um fator importante, para a decisão dos brasileiros de emigrar para outro país, como se observa nos movimentos migratórios brasileiros, com intensidade ao longo das últimas décadas
Dados da OIM – Organização Internacional para Migrações (McAuliffe; Oucho, 2024), revelavam que, a emigração segura, ordenada e regular é, atualmente, um motor das transformações humanas, que trazem benefícios consideráveis, para os emigrantes e suas famílias. Isto é verificado nas redes sociais, e em seus territórios de origem, destino e trânsito. A própria narrativa migratória, desde sempre, versou sobre a oportunidade de mudanças positivas, especialmente, de caráter econômico (a conhecida “busca por uma vida melhor”), revelando resiliência e estratégias de enfrentamento, de todo o tipo de dificuldades, pelos emigrantes. O que é enfatizado na contemporaneidade, são seus impactos econômicos, além de, sociais, culturais, políticos e ambientais.
A migração é considerada o elemento transversal na Agenda 2030, das Nações Unidas. O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável e Redução das desigualdades, tem em sua meta, na agenda 2030, “facilitar a migração e a mobilidade ordenada, segura, regular e responsável, das pessoas que emigram para outros países, inclusive, por meio da implementação de políticas de migração, planejada e bem gerida”.
Partindo sobre um tema de grande interesse no mundo, procurei estudar a Emigração de Brasileiros para Portugal, por ter vivenciado em Portugal, este processo de ser imigrante em Portugal, quando estive realizando o meu pós-doutorado em Ciências Sociais, na Universidade de Coimbra/ Coimbra-Portugal, e por isso, obtive o interesse em estudar este tema, quando finalizei o meu pós-doutorado em Coimbra/Portugal, em março de 2024.
Em março de 2025, ao iniciar outro pós-doutorado na Pontífica Universidade Católica de São Paulo- PUC/SP/BRASIL, também na área de Ciências Sociais, procurei realizar o estudo sobre a Emigração de Brasileiros para Portugal.
‘Sobre a legislação portuguesa , podemos colocar que os documentos exigidos para viver em Portugal eram: Manifestação de interesse e depois o Título de Residência, durante o período de 2015 a 2022. Posteriormente, ocorreu a alteração na legislação, em 2023, permitindo ao emigrante brasileiro que tinha interesse em trabalhar em Portugal, ter um visto para o trabalho. Esta legislação portuguesa,impulsionou os brasileiros a emigrarem para Portugal, pela demanda de TRABALHO.
Portugal mudou a legislação, mas não se estruturou para receber uma quantidade maior de brasileiros que migraram para Portugal, representando cerca de seiscentos mil brasileiros nos últimos anos, que migraram com a possibilidade do trabalho e do estudo. Os Emigrantes Brasileiros que foram viver em Portugal entre 2023/2025, encontraram problemas estruturais no país, como: falta de moradia; sistema de saúde estrangulado; as escolas lotadas de alunos imigrantes brasileiros; ofertas de trabalhos menos qualificados; problemas com a retirada da documentação. Este último, era uma dificuldade para eles conseguirem trabalho. Alguns brasileiros tiveram que voltar para o Brasil ou ficar irregular em Portugal, por um certo tempo, trabalhando de forma informal, como ajudante de pedreiro ou motorista de UBER.
Em 2025, as principais normas e regras da legislação portuguesa,foram atualizadas, e afetaram os brasileiros, que desejaram ser imigrantes em Portugal. Exigiram a obrigatoriedade de conseguirem seus vistos de trabalho ou estudo ainda no Brasil, para poderem entrar em Portugal, para viver, trabalhar ou estudar. Outro fator importante, foi sobre a .fiscalização portuguesa, com os imigrantes brasileiros, que estavam mais rígidas. Esta fiscalização, tem ocorrido justamente, nos Aeroportos em Portugal, onde, os emigrantes brasileiros, obtiveram algumas recusas de entrada no país, na sua chegada a Portugal.
Com a realização da pesquisa empírica, foi possível observar uma das categorias do estudo, a questão de gênero. Esta, é ainda, uma questão que permanece na nossa sociedade. A maioria dos brasileiros imigrantes em Portugal, eram mulheres. Na contemporaneidade, existem muitos motivos para que as mulheres tenham tratamento diferente dos homens. Atualmente, os nascimentos de bebês, em maior quantidade, são de mulheres. Na sociedade brasileira, as mulheres.são chefes de família, em sua maioria com maior demanda de trabalhos sobre cuidados, onde, geralmente, são as mulheres que exercem estas atividades, além do sustento da família, dentre outras.
.Quando estudamos a categoria Trabalho, verificamos nas pesquisas literárias e empíricas, em Portugal, que, as mulheres, ainda realizam trabalho feminino desqualificado, como limpeza, cuidador de idosos, estética, cabeleireira, como se fosse a continuidade do espaço doméstico, segundo é colocado por Saffioti (1994) . Também tem relação com o sistema patriarcal, que se repetem nas pesquisas, e que perpassam todas as esferas da vida social, não se restringindo ao ambiente doméstico. Isso significa que, tanto na esfera política, quanto no mercado de trabalho, na esfera cultural, religiosa e em todos os aspectos, o sistema patriarcal está presente, segundo Saffioti (1994).
Os homens, por sua vez, exerciam as ocupações de vigilante, construção civil, restauro, dentre outras. São trabalhos considerados mais qualificados, portanto, os homens brasileiros imigrantes, trabalhavam nessas atividades. Em sua minoria, esses imigrantes brasileiros, não conseguiram estes tipos de trabalho facilmente, pois existiam, em menor percentual, em Portugal.
Dando continuidade, iremos realizar um estudo comparativo entre as duas freguesias, Foros de Amora e Venteira, onde constatamos com os dados pesquisados, que existiram algumas diferenças entre os dados das duas freguesias.
Sobre a relação entre as duas freguesias, sobre os dados da escolaridade dos imigrantes brasileiros pesquisados, os que viviam em Venteira, possuíam, em sua maioria, a escolaridade de curso de Ensino Médio, mas, não existia nenhum imigrante brasileiro que tivesse algum Curso Superior. Enquanto em Foros de Amora, muitos imigrantes brasileiros tinham curso superior, e alguns, possuíam pós-graduação, mas, o curso de ensino médio predominava.
A maioria dos imigrantes brasileiros trabalhavam, nas duas freguesias. Possuíam computador, celular e internet, e não possuíam meios de transporte, em sua maioria, utilizando o transporte público. Verificamos ainda na pesquisa empírica, que tanto em Foros de Amora, como em Venteira, as duas freguesias ofereciam bons serviços para os moradores, tanto na área de saúde, educação, comércio, transporte. Para eles, os pontos positivos, que influenciavam eles continuarem morando em Portugal, eram: a qualidade da saúde; do estudo, a existência de trabalho, e, principalmente , a segurança.
Estes são os pontos positivos que levaram os imigrantes brasileiros, ficarem morando em Portugal e terem todos esses benefícios, que não tinham em seu país de origem. Diferentemente do Brasil, que:a cada dia, estamos longe de ser um país igualitário, onde os brasileiros possam viver sem estresse, pelos seguintes motivos: juros altos; falta de qualidade de vida; insegurança; baixo poder de compra, principalmente, com os alimentos; endividamento. Estes problemas vem aumentando nos últimos anos. Esses pontos positivos foram importantes para os brasileiros imigrantes, viverem em Portugal.
O Brasil com várias dificuldades de ordem econômica, política, social, ambiental, nos últimos anos, tem perdido pessoas brasileiras, qualificadas, que poderiam estar contribuindo para o desenvolvimento do país. Muitas delas, são pessoas Pós-graduado e com muita experiência. Nós brasileiros, somos sábios, fortes, criativos, inteligentes, para o trabalho e o país está perdendo a inteligência e a criatividade desses brasileiros que Emigraram para Portugal e outros países. Os Brasileiros estão repassando seus conhecimentos para outros países, perdendo então o Brasil, o seu capital social.
Os maiores problemas no Brasil, estão no funcionamento dos órgãos Governamentais. Cada vez mais, os brasileiros, todo ano, Emigram para o exterior, porque não querem viver com seus filhos no Brasil, principalmente, quando se pensa em segurança e educação. Os nossos direitos no Brasil, muitos deles, já não temos mais. São direitos constitucionais que estamos perdendo a cada dia.
Sobre as relações sociais de sexo entre as brasileiras e brasileiros, os dados das pesquisas literária e empírica, demonstraram que entre os imigrantes brasileiros em Portugal, as mulheres são em sua maioria, comparadas com os homens. Que em Portugal a cultura é do casal trabalhar e também, terem os dois, a responsabilidade e a educação com os filhos. Por isso, a demanda grande de mulheres, tanto portuguesas como brasileiras, trabalhando em atividades de caráter mais feminino, do cuidado, comparando com os homens imigrantes, que exercem outras atividades, diferentes das mulheres. No Brasil, a responsabilidade e a educação dos filhos, são realizadas pelas mulheres. Com os casais mais jovens, tem alguns homens que ajudam as mulheres com os filhos, mas não se responsabilizam pelos filhos, só a mulher.
As mulheres brasileiras imigrantes são diferentes no cuidado com os filhos, pois no Brasil, quando as mulheres trabalham ou estudam, a responsabilidade pelos filhos continuam com as mulheres.
Uma outra questão na relação entre homens e mulheres, dizem respeito a escolaridade. As mulheres possuem uma maior escolaridade do que os homens. Apesar deste fator, as mulheres continuam com uma menor renda do que os homens, em sua maioria, e, com trabalhos de cuidado. Outra questão vivenciada pelos imigrantes brasileiros em Portugal, foi sobre a presença de situações de preconceito e discriminação por parte dos portugueses com eles, sobretudo, com as mulheres brasileiras, que trabalhavam em atividades pouco valorizadas, como cuidadoras de idosos e limpeza.
A Emigração dos Brasileiros para Portugal, em busca de estudo ou trabalho, tem aumentado todos os anos. Eles Emigram para Portugal, também, em busca de um processo positivo para suas vidas e de suas família, com qualidade de vida e segurança, onde no Brasil não mais encontram.
Este estudo de pesquisa científica, nos fez entender, como ocorre o processo de imigracão em Portugal e como vivem os imigrantes fora do seu país. Verificamos que existem momentos difíceis, porém superados.
Com os dados apontados na pesquisa científica, as relações de sexo, ratificaram o sistema patriarcal, onde os imigrantes brasileiros em Portugal, tem como maioria, imigrantes mulheres. Essas possuem melhor escolaridade e ainda trabalham em atividades que são consideradas femininas, como cuidadoras de idosos, cabeleireiras, estética, como também, recebem uma renda inferior a dos homens, de um salário mínimo.
Concluímos, que as relações sociais de sexo, entre homens e mulheres, imigrantes brasileiros em Portugal, se efetivaram. As particularidades, produzidas entre os homens e as mulheres, foram consideradas, mediante a forma como se organizaram, bem como, o modo como absorveram e reproduziram valores, poderes e direitos, nos mais diferentes ambientes, como o trabalho, a família, a política e nas relações afetivo-sexuais, segundo é colocado por Saffioti (2009).
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1 Phd em Ciências Sociais pela Universidade de Coimbra, Coimbra, Coimbra/Portugal; Doutorado em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco, Recife/Brasil; Mestre em Desenvolvimento urbano pela Universidade Federal de Pernambuco, Recife/Brasil; Coordenadora Técnica na Gerência de Desenvolvimento Urbano, na Caixa Econômica Federal, Recife-PE,Brasil.Professora na Universidade Rstácio, Rio de Janeiro/Brasil.
2 Doutora em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo; Professora titular do Departamento de Sociologia da Pontífica Universidade Católica de São Paulo. E coordenadora , desde 1999, do Núcleo São Paulo do Observatório das Metrópoles, rede de pesquisa vinculada ao Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, INCT-CNPQ-MCTLE. Editora dos Cadernos Metrópole, Coordena o Comitê de Pesquisa de Sociologia Urbana, da Sociologia Brasileira de Sociologia (SBS) .
3 Esta pesquisa está sendo realizada por estudantes do Pós-doc, na área de Ciências Sociais, da Pontífica Universidade Católica de São Paulo, durante o período do estudo, entre 2025 e 2027.