HISTÓRIA DAS PRIMEIRAS IGREJAS EVANGÉLICAS NAS MONTANHAS DE NOVA FRIBURGO, RIO DE JANEIRO: UMA ANÁLISE HISTÓRICA E SOCIOCULTURAL


REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10689848


Atila Barros da Silva1


RESUMO
Este artigo propõe uma análise da história das primeiras igrejas evangélicas nas montanhas de Nova Friburgo, Rio de Janeiro. A região, marcada por sua beleza natural e história cultural diversificada, testemunhou o surgimento e desenvolvimento do protestantismo ao longo dos séculos. Observasse o contexto histórico e sociocultural que possibilitou a chegada e estabelecimento dessas igrejas, explorando sua influência na comunidade local e sua contribuição para a diversidade religiosa da região. Utilizando uma abordagem interdisciplinar que combina história, sociologia e antropologia religiosa, este artigo oferece uma visão abrangente do papel das primeiras igrejas evangélicas nas montanhas de Nova Friburgo, destacando suas práticas, desafios e impactos ao longo do tempo.
Palavras-chave: Igreja. Igrejas Evangélicas. Montanhas. Ocupação.

ABSTRACT
This article proposes an analysis of the history of the first evangelical churches in the mountains of Nova Friburgo, Rio de Janeiro. The region, marked by its natural beauty and diverse cultural history, has witnessed the emergence and development of Protestantism over the centuries. Observe the historical and sociocultural context that enabled the arrival and establishment of these churches, exploring their influence on the local community and their contribution to the region's religious diversity. Using an interdisciplinary approach that combines history, sociology and religious anthropology, this article offers a comprehensive overview of the role of the first evangelical churches in the mountains of Nova Friburgo, highlighting their practices, challenges and impacts over time.
Keywords: Church. Evangelical Churches. Mountains. Occupation.

INTRODUÇÃO

As montanhas de Nova Friburgo, situadas no estado do Rio de Janeiro, Brasil, representam não apenas uma paisagem de beleza natural deslumbrante, mas também um palco de eventos históricos e socioculturais significativos. Entre esses eventos, destaca-se a chegada e estabelecimento das primeiras igrejas evangélicas na região, marcando um ponto de inflexão na história religiosa e comunitária local que irá se reemitir na história de Brasil.

Com sua paisagem uma paisagem de beleza natural notável e clima ameno, Nova Friburgo foi originalmente colonizadas por imigrantes suíços no início do século XIX, como parte de um esforço de colonização incentivado pelo governo brasileiro. Esses colonos trouxeram consigo não apenas suas habilidades agrícolas, mas também suas tradições culturais e religiosas, que se entrelaçaram com o tecido social da região.

No entanto, foi apenas no século XX que o cenário religioso começou a se diversificar com a chegada do protestantismo às montanhas de Nova Friburgo. Influenciados por missionários estrangeiros e por um crescente interesse no evangelicalismo, grupos de devotos locais começaram a se organizar e estabelecer suas próprias congregações, dando origem às primeiras igrejas evangélicas na região.

O processo de formação das primeiras igrejas evangélicas nessas montanhas foi multifacetado e complexo. Em muitos casos, os líderes religiosos locais desempenharam um papel fundamental na disseminação do evangelho, pregando em praças públicas, casas particulares e até mesmo em espaços improvisados ao ar livre. Essas iniciativas foram muitas vezes acompanhadas por uma crescente aceitação e curiosidade por parte da população, ávida por uma experiência espiritual renovadora e por respostas às suas inquietações existenciais.

À medida que as igrejas evangélicas começaram a se estabelecer de forma mais formal, surgiram também desafios e conflitos com as instituições religiosas tradicionais, como a Igreja Católica, que detinha uma forte presença na região. A competição por fiéis e recursos, bem como as diferenças doutrinárias e culturais, muitas vezes resultaram em tensionamentos e rivalidades que moldaram o cenário religioso local.

O impacto das primeiras igrejas evangélicas em Nova Friburgo foi profundo e heterogênea, deixando um legado significativo na história e na cultura da região. Desde sua chegada, essas igrejas influenciaram não apenas a esfera religiosa, mas também a vida cotidiana, a estrutura social e a identidade coletiva dos habitantes locais.

Uma das principais contribuições das primeiras igrejas evangélicas foi a diversificação do cenário religioso. Antes de sua chegada, a região era predominantemente católica, refletindo a influência da colonização portuguesa e da presença histórica da Igreja Católica. No entanto, com a vinda de missionários e a formação de congregações evangélicas, uma nova dimensão espiritual foi introduzida, proporcionando aos habitantes locais uma alternativa religiosa e um espaço para expressar suas crenças e práticas espirituais de maneira diferente.

Ainda, as primeiras igrejas evangélicas desempenharam um papel importante na promoção da educação e alfabetização. Muitas dessas igrejas estabeleceram escolas dominicais e programas de educação religiosa, oferecendo às crianças e jovens locais a oportunidade de aprender a ler, escrever e estudar os ensinamentos religiosos. Isso não apenas contribuiu para o desenvolvimento educacional da comunidade, mas também fortaleceu os laços entre as famílias e a igreja, criando uma rede de apoio e solidariedade.

Além disso, as igrejas evangélicas também desempenharam um papel importante na promoção da assistência social e no apoio à comunidade de Nova Friburgo. Muitas congregações estabeleceram programas de caridade, distribuição de alimentos, assistência médica e apoio emocional para os necessitados, demonstrando um compromisso prático com os ensinamentos evangélicos de amor ao próximo e serviço à comunidade. Essas iniciativas não apenas aliviaram o sofrimento dos mais vulneráveis, mas também fortaleceram os laços de solidariedade e cooperação dentro da comunidade.

Do mesmo modo, as igrejas evangélicas desempenharam um papel importante na construção da identidade coletiva e no fortalecimento do senso de pertencimento entre os habitantes locais. Ao oferecer um espaço para reuniões, celebrações e atividades comunitárias, essas igrejas se tornaram centros vitais de vida social e cultural, onde as pessoas podiam se reunir, compartilhar experiências e fortalecer laços de amizade e solidariedade.

A participação das igrejas evangélicas nas montanhas de Nova Friburgo vai além da esfera religiosa, mas também a vida cotidiana, a estrutura social e a identidade coletiva dos moradores destas regiões. Ao fornecer uma alternativa espiritual, promover a educação, oferecer assistência social e fortalecer os laços comunitários, essas igrejas deixaram um legado duradouro que continua a moldar a paisagem cultural e religiosa da região até os dias atuais.

A história das primeiras igrejas evangélicas de Nova Friburgo é uma história de fé, perseverança e transformação que se mescla as raízes da história protestante no Brasil. Ao explorar esse fenômeno histórico e sociocultural, somos convidados a refletir não apenas sobre a diversidade religiosa do Brasil, mas também sobre o papel das comunidades religiosas na construção de identidades locais e na promoção do bem-estar social. Ao fazê-lo, podemos apreciar melhor a riqueza e complexidade da experiência humana nas montanhas de Nova Friburgo e além.

A CHEGADA DAS PRIMEIRAS IGREJAS

A história da cidade de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, está profundamente entrelaçada com a história da igreja protestante no Brasil, especialmente durante o período de colonização do país. Fundada em 1818 por imigrantes suíços, Nova Friburgo foi um importante centro para o estabelecimento e a disseminação do Protestantismo no território brasileiro.

Os colonos suíços que se estabeleceram em Nova Friburgo eram em sua maioria protestantes, e trouxeram consigo sua fé e tradições religiosas. Muitos deles eram membros de igrejas reformadas ou luteranas, e desde os primeiros anos da cidade, a presença protestante foi significativa.

Durante o período colonial brasileiro, a Coroa Portuguesa incentivou a imigração de europeus para o Brasil, visando colonizar e desenvolver áreas pouco habitadas do território. As políticas de imigração abriram espaço para a chegada de comunidades protestantes, que encontraram em Nova Friburgo um local propício para se estabelecerem e praticarem sua fé.

A presença protestante em Nova Friburgo não se limitou apenas ao aspecto religioso, mas também contribuiu para o desenvolvimento social, econômico e cultural da cidade e região. Os colonos suíços trouxeram consigo conhecimentos técnicos e habilidades que foram fundamentais para o desenvolvimento econômico local, especialmente na indústria têxtil, que se tornou uma das principais atividades econômicas da região.

Além disso, a influência protestante em Nova Friburgo promoveu a educação e a cultura na região. Os imigrantes suíços fundaram escolas e instituições de ensino que ajudaram a disseminar o conhecimento e a promover o desenvolvimento intelectual da comunidade local.

Ao longo dos anos, Nova Friburgo continuou a ser um importante centro do Protestantismo no Brasil, abrigando diversas congregações e instituições religiosas protestantes. A história da cidade é um testemunho da contribuição significativa que a fé protestante trouxe para o desenvolvimento social, econômico e cultural do Brasil, especialmente durante o período colonial e além, quando imigrantes europeus deixaram sua marca indelével na construção da nação brasileira.

O Protestantismo chegou ao Brasil durante o período colonial, mais precisamente no século XVI, com a chegada dos primeiros colonizadores europeus, especialmente os holandeses, franceses e ingleses. No entanto, sua presença foi inicialmente restrita e enfrentou forte resistência por parte da Igreja Católica, que detinha o monopólio religioso e político na colônia.

O marco mais significativo da chegada do Protestantismo ao Brasil foi durante a ocupação holandesa no nordeste do país, entre 1630 e 1654. Nesse período, os holandeses permitiram a prática do Protestantismo, especialmente o calvinismo, em suas colônias. Isso levou à fundação de igrejas protestantes e à conversão de alguns povoados locais.

No entanto, após a expulsão dos holandeses pelas forças portuguesas, a prática do Protestantismo foi proibida e seus seguidores foram perseguidos. Foi somente no século XIX, com a abertura do Brasil ao comércio internacional e à imigração europeia em larga escala, que o Protestantismo começou a ganhar força novamente.

Missionários de diferentes denominações protestantes, como batistas, metodistas e presbiterianos, começaram a chegar ao Brasil para realizar trabalhos missionários e estabelecer comunidades religiosas. O Protestantismo ganhou espaço principalmente entre a população de imigrantes europeus e seus descendentes, bem como entre grupos étnicos e sociais marginalizados.

Hoje, o Protestantismo é uma das principais correntes religiosas do Brasil, com uma presença significativa em todas as regiões do país. Denominações como a Igreja Universal do Reino de Deus, a Assembleia de Deus, os Batistas, os Presbiterianos e os Metodistas têm uma forte presença e influência na sociedade brasileira.

O Protestantismo de missão chegou oficialmente ao Rio de Janeiro, então capital do Brasil, por meio da Missão Fluminense da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, liderada pelo pastor Ashbel Green Simonton. Esse evento ocorreu em 12 de agosto de 1859, quando Simonton desembarcou no Rio de Janeiro com o objetivo de iniciar o trabalho missionário na cidade e em suas proximidades.

Ashbel Green Simonton era um jovem pastor presbiteriano norte-americano que foi enviado como missionário ao Brasil pela Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. Ele tinha como missão estabelecer uma presença protestante na capital do Império brasileiro e propagar a fé reformada entre os habitantes locais.

Ao chegar ao Rio de Janeiro, Simonton enfrentou diversos desafios, incluindo a resistência da Igreja Católica e a falta de liberdade religiosa garantida pelo governo imperial. No entanto, ele persistiu em seu trabalho missionário, estabelecendo a primeira igreja presbiteriana do Brasil em 1862 e fundando também o jornal "Imprensa Evangélica" para divulgar as ideias protestantes.

A presença inicial do Protestantismo no Rio de Janeiro foi modesta, mas o trabalho missionário de Simonton e seus seguidores estabeleceu as bases para o crescimento posterior do Protestantismo no país. A chegada oficial da Missão Fluminense marca um ponto crucial na história do Protestantismo no Brasil, especialmente na região sudeste, onde o Rio de Janeiro exercia uma influência significativa.

Em 1855, Robert Kalley e sua esposa, Sarah Poulton Kalley, foram para o Brasil como missionários da Igreja Presbiteriana Escocesa. Eles se estabeleceram no Rio de Janeiro e iniciaram um trabalho missionário que teve um impacto duradouro na disseminação do Protestantismo no país.

Robert Kalley foi um dos pioneiros na fundação da Igreja Evangélica Fluminense, em 1862, que foi a primeira igreja presbiteriana estabelecida no Brasil. Ele também foi fundamental na fundação de outras congregações e na formação de líderes religiosos locais. Além de seu trabalho eclesiástico, Kalley era médico e prestou serviços médicos gratuitos à população carente do Rio de Janeiro. Sua atuação como médico missionário ajudou a ganhar o respeito e a confiança das comunidades onde ele pregava.

No entanto, Kalley também enfrentou oposição e hostilidade por parte das autoridades católicas e de outros setores da sociedade brasileira. Ele foi alvo de perseguição e ataques, e em 1876, após anos de dificuldades e controvérsias, ele e sua esposa foram obrigados a deixar o Brasil e retornar à Escócia.

Apesar dos desafios e das adversidades enfrentadas, o trabalho missionário de Robert Kalley deixou um legado duradouro no Brasil. Sua dedicação ao Evangelho e seu compromisso com a disseminação do Protestantismo contribuíram para o crescimento e a consolidação das igrejas protestantes no país. Ele é lembrado como um dos pioneiros do Protestantismo no Brasil e um exemplo de coragem e fé (Mendonça, 2005).

No Brasil, a partir do início do século XIX, chegaram as igrejas Luterana, Presbiteriana, Batista, Congregacional e Metodista. De acordo com o último censo, feito pelo IBGE, elas reúnem mais de seis milhões de brasileiros (IBGE, 2010).

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana desembarcou no Brasil em 1824 para acompanhar os imigrantes alemães. Na segunda metade do século XIX, chegaram os missionários americanos da Igreja Evangélica Luterana e criaram escolas para divulgar o modo de ser protestante.

A Igreja Presbiteriana chegou ao Brasil em 12 de agosto de 1859, marcando o início do presbiterianismo no país. Esse marco histórico está associado à chegada do missionário escocês Ashbel Green Simonton ao Rio de Janeiro. Simonton foi enviado pela Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos com o objetivo de estabelecer uma presença presbiteriana no Brasil e iniciar trabalhos missionários no país.

Ao chegar ao Rio de Janeiro, Ashbel Simonton começou a desenvolver seu trabalho missionário, pregando o evangelho, estabelecendo contatos e organizando grupos de estudo bíblico. Em 12 de agosto de 1859, ele realizou o primeiro culto presbiteriano na residência do Sr. Robert Kalley, outro missionário protestante que havia se estabelecido no Brasil anteriormente.

A partir desse ponto, a Igreja Presbiteriana começou a crescer e a se expandir pelo território brasileiro, estabelecendo congregações em diferentes cidades e regiões. A chegada de Simonton e o estabelecimento do presbiterianismo no Brasil representaram não apenas a introdução de uma nova denominação religiosa, mas também o início de um movimento missionário que teve um impacto duradouro na história religiosa e cultural do país.

A chegada da Igreja Batista ao Brasil remonta ao século XIX, especificamente ao ano de 1881. Esse marco histórico está associado à chegada do missionário norte-americano Thomas Jefferson Bowen ao país. Bowen foi enviado pela Junta de Richmond, uma organização missionária batista dos Estados Unidos, com o objetivo de iniciar trabalhos missionários e estabelecer uma presença batista no Brasil.

Em 16 de agosto de 1881, Thomas Jefferson Bowen fundou a Primeira Igreja Batista Brasileira na cidade de Salvador, Bahia, considerada a primeira congregação batista no país. A partir desse ponto, a denominação batista começou a expandir-se gradualmente por outras regiões do Brasil, influenciando significativamente o cenário religioso e contribuindo para o crescimento do protestantismo no país.

A chegada dos batistas ao Brasil representou não apenas a introdução de uma nova denominação religiosa, mas também o início de um movimento missionário que teve um impacto duradouro na história religiosa e cultural do país. Ao longo dos anos, as igrejas batistas brasileiras cresceram em número e influência, contribuindo para o desenvolvimento social, educacional e espiritual das comunidades onde estão inseridas. (De Matos, 2011).

A Igreja Congregacional chegou ao Brasil no final do século XIX, em 1855, através da chegada do missionário norte-americano Robert Reid Kalley e sua esposa, Sarah Poulton Kalley. Robert Kalley era originalmente um médico que, após se converter ao cristianismo, sentiu um chamado missionário. Ele e sua esposa foram enviados pela Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Congregacional dos Estados Unidos.

Os Kalleys inicialmente estabeleceram-se na cidade de Pernambuco (atual Recife), onde começaram a realizar atividades missionárias, incluindo a pregação do evangelho e a fundação de escolas. Em 1858, eles fundaram a Igreja Evangélica Fluminense, no Rio de Janeiro, sendo esta a primeira congregação congregacional no Brasil.

A Igreja Congregacional, assim como outras denominações protestantes, desempenhou um papel significativo no cenário religioso e social do Brasil, contribuindo para o desenvolvimento de instituições educacionais e colaborando para a difusão da fé cristã. A chegada dos missionários congregacionais faz parte do contexto mais amplo do movimento missionário que ocorreu no século XIX, quando várias denominações protestantes enviaram representantes para estabelecerem sua presença no Brasil.

A Igreja Metodista chegou ao Brasil em 1835, sendo uma das primeiras denominações protestantes a estabelecer uma presença significativa no país. A chegada dos metodistas ao Brasil está associada ao trabalho missionário do pastor norte-americano Daniel Parish Kidder e do médico Thomas R. Welch.

Kidder e Welch foram enviados pela Igreja Metodista dos Estados Unidos para iniciar trabalhos missionários no Brasil. Eles desembarcaram no Rio de Janeiro em 20 de março de 1835. Seu objetivo era pregar o evangelho, estabelecer igrejas e promover a educação entre a população brasileira.

A presença metodista no Brasil cresceu ao longo dos anos, com a fundação de igrejas, escolas e instituições de caridade. Os metodistas também tiveram um papel importante na abolição da escravidão e na promoção dos direitos humanos e sociais.

Com a independência do Brasil, surgiu a necessidade de atrair imigrantes europeus, inclusive protestantes para povoamento das áreas distantes da capital. A Constituição Imperial, promulgada em 1824, concedeu-lhes certa liberdade de culto, ao mesmo tempo em que confirmou o catolicismo como religião oficial. Até a Proclamação da República, os protestantes enfrentariam sérias restrições no que diz respeito ao casamento civil, uso de cemitérios e educação (Da Silva, 2011).

Segundo o historiador Boanerges Ribeiro (1973), ao iniciar-se o século XIX, não havia no Brasil vestígio de protestantismo, porém em de 1808, com a chegada da família real ao Rio de Janeiro, o príncipe-regente João decretou a abertura dos portos do Brasil às nações amigas. Em novembro, um novo decreto concedeu amplos privilégios a imigrantes de qualquer nacionalidade ou religião (Ribeiro, 1973).

Em fevereiro de 1810, Portugal assinou com a Inglaterra tratados de Aliança e Amizade e de Comércio e Navegação. Este último, em seu artigo 12, concedeu aos estrangeiros perfeita liberdade de consciência para praticarem sua fé. Tratava-se de uma tolerância limitada, porque vinha acompanhada da proibição de fazer prosélitos e de falar contra a religião oficial. Além disso, as capelas protestantes não teriam forma exterior de templo nem poderiam utilizar sinos.

O primeiro capelão anglicano, Robert C. Crane, chegou em 1816. A primeira capela anglicana foi inaugurada no Rio de Janeiro em 26 de maio de 1822. Outros estrangeiros protestantes que chegaram nos primeiros tempos foram americanos, suecos, dinamarqueses, escoceses, franceses e especialmente alemães e suíços, de tradição luterana e reformada (De Matos, 2011).

Em 1820, um contingente de suíços católicos iniciou a colônia de Nova Friburgo, mas logo a área seria abandonada e oferecida a alemães luteranos que chegaram em maio de 1824. Eram 324 imigrantes acompanhados do seu pastor, Friedrich Oswald Sauerbronn (1784-1864). A maior parte dos imigrantes alemães foram para o sul, cerca de 4.800 entre os anos de 1824 e 1830, 60% dos quais eram protestantes. Seus primeiros pastores foram Johann Georg Ehlers, Karl Leopold Voges e Friedrich Christian Klingelhöffer.

Em junho de 1827, por iniciativa do cônsul da Prússia, Wilhelm von Theremin, foi criada no Rio de Janeiro a Comunidade Protestante Alemã-Francesa, congregando luteranos e calvinistas, cujo primeiro pastor foi Ludwig Neumann. Em 1837, o primeiro santuário passou a funcionar em um edifício alugado, sendo o edifício próprio inaugurado em 1845 (Da Silva, 2011).

Durante o século XIX, milhares de imigrantes alemães, em sua maioria luteranos, desembarcaram no sul do país em busca de melhores oportunidades de vida e liberdade religiosa. Esses imigrantes, que inicialmente se estabeleceram principalmente no estado do Rio Grande do Sul, trouxeram consigo sua fé e tradições religiosas, contribuindo para a formação de comunidades luteranas na região. A partir daí, o Protestantismo, em especial o luteranismo, começou a ganhar espaço e influência no sul do Brasil.

Os primeiros missionários luteranos chegaram ao Brasil para atender às necessidades espirituais desses imigrantes. Um dos marcos importantes foi a chegada do pastor Friedrich Wilhelm Christian Brackmann, em 1824, que fundou a primeira congregação luterana em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.

Com o passar dos anos, mais congregações foram estabelecidas e o luteranismo se espalhou por outras áreas do sul do Brasil, como Santa Catarina e Paraná. Escolas, igrejas e instituições sociais foram fundadas para atender às necessidades espirituais, educacionais e sociais dessas comunidades.

O luteranismo se tornou uma parte integrante da identidade cultural e religiosa do sul do Brasil, influenciando não apenas a vida espiritual das pessoas, mas também aspectos da cultura, educação e sociedade local. Hoje, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e a Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) são as principais denominações luteranas presentes na região, com milhões de membros e uma forte presença em diversas áreas da vida pública e privada.

Em 1868, o Rev. Hermann Borchard, que havia chegado em 1864, e outros colegas fundaram o Sínodo Evangélico Alemão da Província do Rio Grande do Sul, que foi extinto em 1875. Em 1886, o Rev. Wilhelm Rotermund que se estabeleceu em 1874, organizou o Sínodo Rio-Grandense, que se tornou modelo para outras organizações similares. Até o final da II Guerra Mundial as igrejas luteranas permaneceram culturalmente isoladas da sociedade brasileira.

A SEPARAÇÃO ENTRE IGREJA E ESTADO NO BRASIL

A intrincada história da separação entre Igreja e Estado no Brasil remonta aos primórdios da colonização e se estende até os dias atuais, marcada por uma série de eventos, conflitos e transformações sociais e políticas, envolvendo não apenas a Igreja Católica, mas também a participação ativa da Igreja Protestante ao longo dos séculos.

No período colonial, a Igreja Católica desfrutava de um poder considerável sobre a sociedade brasileira, sendo inclusive a religião oficial do Estado. A catequização dos povos indígenas e a imposição do catolicismo eram elementos centrais da política colonial portuguesa. Essa relação simbiótica entre Igreja e Estado se perpetuou ao longo dos séculos, influenciando a estrutura social, cultural e política do país.

No entanto, o século XIX trouxe consigo mudanças significativas. Com a independência do Brasil em 1822 e a promulgação da primeira Constituição brasileira em 1824, estabeleceu-se o princípio da liberdade religiosa, embora o catolicismo continuasse sendo a religião oficial do Estado. Ainda assim, movimentos separatistas, como a Revolução Pernambucana de 1817, evidenciaram o descontentamento com o domínio da Igreja sobre aspectos políticos e sociais.

Durante o Império, a relação entre Igreja e Estado foi objeto de disputas constantes. A questão do padroado, que conferia ao Estado o direito de nomear autoridades eclesiásticas, gerava conflitos com a hierarquia católica. Essas tensões culminaram na Questão Religiosa, um embate entre o governo imperial e o episcopado católico, que resultou na separação entre Igreja e Estado em 1890, com a promulgação da primeira Constituição republicana.

A Constituição de 1891 estabeleceu de forma clara a separação entre as esferas religiosa e estatal, garantindo a liberdade de culto e extinguindo o catolicismo como religião oficial do país. As comunidades protestantes, no entanto, enfrentaram certa resistência e discriminação por parte das autoridades e da população majoritariamente católica, porquanto a Igreja Católica manteve sua influência na sociedade brasileira, especialmente nas áreas educacional e assistencial.

Ao longo do século XX, o Brasil testemunhou mudanças sociais e culturais significativas, acompanhadas por transformações políticas que afetaram a relação entre Igreja e Estado. O movimento pela redemocratização do país nas décadas de 1970 e 1980 trouxe à tona novas discussões sobre o papel da Igreja na esfera pública, especialmente diante de questões como direitos humanos, justiça social e democratização do acesso à terra.

A Constituição de 1988 reafirmou os princípios de liberdade religiosa e laicidade do Estado, garantindo autonomia às diferentes religiões e proibindo qualquer forma de intervenção religiosa no âmbito estatal. No entanto, embora o Estado brasileiro seja oficialmente laico, a influência religiosa ainda permeia debates políticos e sociais, refletindo a diversidade e complexidade da sociedade brasileira.

A história da separação entre Igreja e Estado no Brasil é marcada por um processo gradual de emancipação política e religiosa, permeado por conflitos, negociações e transformações que moldaram a configuração da sociedade brasileira contemporânea, e ao longo destas décadas, as igrejas protestantes no Brasil experimentaram um crescimento significativo, especialmente com o surgimento de denominações pentecostais e neopentecostais. Essas igrejas, com suas práticas fervorosas e ênfase na conversão e no crescimento numérico, desempenharam um papel importante na vida política e social do país, influenciando eleições, políticas públicas e debates morais.

A QUESTÃO DA PRIMEIRA IGREJA PROTESTANTE

O Brasil é um país conhecido por sua diversidade cultural e religiosa, e o protestantismo desempenha um papel significativo em sua história religiosa. No entanto, a questão sobre qual foi a primeira igreja evangélica no Brasil tem sido motivo de debate e controvérsia ao longo dos anos.

O protestantismo teve seu início no Brasil durante o século XIX, com a chegada de missionários de diferentes denominações cristãs europeias e norte-americanas. Estes missionários, inspirados pelo movimento missionário global e motivados por um desejo de difundir sua fé, estabeleceram as bases para o desenvolvimento do protestantismo no país. A questão sobre qual foi a primeira igreja evangélica no Brasil é motivo de debate e controvérsia entre historiadores e religiosos há décadas. Existem diversas vertentes e versões sobre esse tema, muitas vezes relacionadas à interpretação dos eventos históricos e à definição do que constitui uma "igreja evangélica".

Uma das versões mais difundidas é a que aponta a Igreja Presbiteriana como a primeira igreja evangélica no Brasil. Segundo essa narrativa, a chegada do pastor escocês Ashbel Green Simonton ao Rio de Janeiro em 1859 marca o início oficial do presbiterianismo no país. Simonton fundou a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro em 12 de janeiro de 1862, considerada por muitos como a primeira congregação evangélica organizada no Brasil (Cavalcanti, 2001).

Segundo Cavalcanti (2001), a missão presbiteriana no Brasil começa em 1859, com a chegada do reverendo Ashbel Green Simonton ao Rio de Janeiro. Sua primeira congregação seria organizada quatro anos depois, no dia 15 de maio de 1863. Durante a segunda metade do século XIX, a Igreja se expande principalmente nas províncias do sul, levando mais tempo para alcançar o Nordeste (Cavalcanti, 2001).

O trabalho presbiteriano no Brasil é custeado pelas duas maiores igrejas presbiterianas dos Estados Unidos, a igreja do norte e a igreja do sul (divisão gerada durante a guerra civil americana). Enquanto o primeiro Presbitério (conselho regional de congregações locais), criado no Rio de Janeiro em 1865, foi organizado pelos missionários da igreja do norte, os Presbitérios de Campinas e Minas, criados em 1886, foram organizados pelo esforço missionário da igreja do sul. O Presbitério do Recife, fundado em 1888, teve o apoio das duas igrejas e da emergente liderança de clérigos nacionais (Bear, 1961; Ferreira, 1959):

No período de implantação, o Presbiterianismo busca equipar a fé presbiteriana com as benesses do mundo moderno. Jornais presbiterianos da época exaltam o sucesso do capitalismo norte-americano e as virtudes do estilo de vida daquela nação. A Igreja tenta atrair membros em meio às elites brasileiras (tanto urbanas como rurais). Nas últimas três décadas do século os missionários encontram adeptos entre a aristocracia nacional e certos segmentos mais abastados da burguesia urbana (Cavalcanti, 2001, p. 75).

A criação do primeiro Sínodo (conselho de Presbitérios, ou instâncias jurídicas regionais) em 1888 eleva a Igreja a um status nacional. Nessa altura o Presbitério do Rio se divide em Presbitério do Rio e Presbitério de São Paulo e a Igreja cria o seu primeiro seminário teológico para a formação de clérigos brasileiros. Em 1890, trinta e um anos após a chegada de Simonton, a Igreja Presbiteriana do Brasil conta com 20 missionários, 12 clérigos nacionais, 59 congregações, e uma lista de membros com 3,199 adultos e 1,461 crianças (Ferreira, 1959).

No entanto, outras correntes históricas defendem que a Igreja Batista foi a primeira denominação evangélica a estabelecer-se no país. Os batistas têm uma história anterior ao presbiterianismo no Brasil, remontando ao trabalho missionário do missionário batista norte-americano Thomas Jefferson Bowen, que chegou ao país em 1881. Bowen fundou a Primeira Igreja Batista Brasileira em Salvador, Bahia, no mesmo ano, e sua atividade missionária é considerada por alguns como o marco inicial do movimento batista no Brasil.

Além das igrejas presbiteriana e batista, há também aqueles que argumentam que outras denominações, como a Igreja Congregacional e a Igreja Metodista, tiveram um papel significativo nos primórdios do protestantismo no país.

A divergência sobre qual foi a primeira igreja evangélica no Brasil muitas vezes está relacionada a diferentes critérios utilizados para definir o que constitui uma igreja, se é a fundação de uma congregação local, a chegada de missionários, a formação de uma estrutura denominacional, entre outros aspectos. Além disso, as disputas históricas também podem ser influenciadas por questões denominacionais e teológicas.

A controvérsia sobre a primeira igreja evangélica no Brasil reflete a complexidade da história do protestantismo no país e a diversidade de trajetórias e interpretações que marcam esse processo.

A CHEGADA DAS PRIMEIRAS IGREJAS EM NOVA FRIBURGO

A história das primeiras igrejas evangélicas nas montanhas de Nova Friburgo remonta ao século XIX, período marcado por intensas transformações sociais, políticas e religiosas no Brasil. A imigração suíça para a região, no contexto da industrialização do café, trouxe consigo não apenas novas técnicas agrícolas, mas também diferentes tradições religiosas, incluindo o protestantismo. Os colonos suíços, muitos dos quais pertencentes a denominações reformadas, estabeleceram as bases para a presença evangélica na área.

A fundação da primeira igreja evangélica de Nova Friburgo ocorreu em 3 de maio de 1824 por um grupo de imigrantes alemães, estabelecendo assim a mais antiga comunidade luterana da América Latina. Inicialmente, os cultos eram realizados em residências particulares dos imigrantes, as quais careciam de infraestrutura eclesiástica adequada, tais como bancos, púlpito e altar. Em 1827, uma pequena capela foi erguida, porém, teve de ser demolida seguindo diretrizes das autoridades locais.

Diante da crescente demanda por espaço para acomodar a comunidade, em 1857 foi construída uma segunda edificação, ainda que modesta, mas já provida de um altar. Contudo, a estrutura revelou-se insuficiente para acomodar o contingente de fiéis, culminando na inauguração, em 1952, de um novo templo, ainda presente no centro de Nova Friburgo.

Paralelamente, em 1892, uma iniciativa significativa tomou forma com a chegada à cidade dos pastores John Merril Kyle e John Rockwell Smith, com o propósito de estabelecer o primeiro Seminário Protestante do Brasil. Esta empreitada contou com a colaboração do então pastor da igreja luterana local, Johan Gaspar Meyer, cuja formação era calvinista. O Seminário funcionou até 1896, quando foi transferido para São Paulo. Entretanto, o Rev. Kyle, percebendo a carência de uma instituição religiosa protestante influente em Nova Friburgo, decidiu estabelecer-se na cidade e fundar a primeira igreja evangélica voltada para sua comunidade.

Apesar de ser de nacionalidade norte-americana, John Merril Kyle possuía notável proficiência na língua portuguesa, o que lhe permitiu comunicar de forma eficaz a relevância do Protestantismo na sociedade friburguense. Tal habilidade facilitou sua capacidade de pregação e argumentação, angariando o apoio de figuras influentes na sociedade local, como o presidente da Câmara dos Vereadores Alberto Meyer, o jornalista e professor Menezes Wanderley, bem como diversos comerciantes e membros devotos. Essa mobilização culminou, em 1898, na organização da Igreja Presbiteriana de Nova Friburgo, a primeira instituição religiosa protestante dedicada à cidade.

A FUNDAÇÃO DE NOVA FRIBURGO

Até o século XIX, a região correspondente à atual Nova Friburgo era habitada pelos índios Coroado Purí. O interesse do Rei Dom João VI em estreitar relações com a Alemanha visava garantir apoio contra o império francês, resultando na proposição de um assentamento planejado destinado a fomentar o desenvolvimento civilizacional no Brasil. Por meio de um decreto real emitido em maio de 1818, foi concedida autorização ao Cantão de Friburgo, na Suíça, para estabelecer uma colônia composta por 100 famílias suíças na Fazenda Morro Queimado, localizada no distrito de Cantagalo, caracterizado por um clima e características naturais análogas às do território suíço.

Entre os anos de 1819 e 1820, a região foi colonizada por 265 famílias suíças, totalizando 1.458 imigrantes, sendo então denominada Nova Friburgo pelos próprios colonos em homenagem à sua terra natal predominante.

Após a Independência do Brasil em 1822, o Governo Imperial prosseguiu com a política de povoamento do país, incentivando a imigração europeia. O desvio de oitenta famílias alemãs, previamente destinadas a assentamentos na Província da Bahia, para Nova Friburgo em maio de 1824, permanece obscurecido por razões desconhecidas. A chegada subsequente de imigrantes italianos, portugueses e uma minoria de sírios contribuiu para um aumento significativo na população, culminando com a elevação da antiga vila à categoria de cidade em 8 de janeiro de 1890 (Da Silva, 2011).

Em 1872, o Barão de Nova Friburgo introduziu na região a Estrada de Ferro Leopoldina, com o intuito de facilitar o escoamento da produção cafeeira de Cantagalo. A agricultura desempenhou um papel fundamental na economia local até aproximadamente 1910, quando a chegada de industriais catalisou o desenvolvimento de um setor industrial, que ainda persiste em parte até os dias atuais.

A liderança na indústria têxtil coube a três empresários conhecidos como a "Trindade Teutônica": Peter Julius Ferdinand Arp, Maximilianus Falck e Otto Siems, respectivamente fundadores da Fábrica de Rendas Arp, da Fábrica Ypu Artefatos de Tecidos, Couro e Metal S. A., e da Fábrica Filó. Tanto o capital quanto a maquinaria necessária para essa indústria foram importados da Alemanha. A demanda por mão de obra especializada motivou a imigração de técnicos alemães adicionais, e até mesmo de marinheiros alemães detidos inicialmente no Sanatório Naval de Nova Friburgo durante a Primeira Guerra Mundial como prisioneiros.

Além de gerar empregos, a indústria contribuiu para o desenvolvimento urbano da cidade, facilitando o acesso à eletricidade. A construção de bairros inteiros, a exemplo do bairro Ypú, originou-se das vilas operárias, derivando seu nome da Fábrica Ypu (Oliveira, 2012).

De igual importância para o desenvolvimento da cidade foi a relativa proximidade de Niterói e Rio de Janeiro e a melhoria das ligações de transporte e comunicação, como estradas asfaltadas e telégrafo. Isso estimulou o crescimento de uma pequena indústria turística que, juntamente com o comércio local, se tornou a principal fonte de renda da cidade.

No decorrer do século XIX, conforme relatado por historiadores e viajantes que exploraram a região da Serra do Mar fluminense no final do século XVIII, a área era predominantemente habitada por povos indígenas. Até o ano de 1790, a expansão da fronteira agrícola na província ainda não havia alcançado as terras montanhosas da serra. As grandes propriedades rurais de origem portuguesa limitavam-se às encostas iniciais da região montanhosa. A densidade populacional na área rural dessa região do estado do Rio de Janeiro era, então, consideravelmente baixa até o início do século XIX. Embora alguns fazendeiros tenham obtido concessões de sesmarias para colonização, as vastas extensões de terra disponíveis não eram plenamente utilizadas devido à predominância de florestas que ocupavam a maior parte dessas propriedades.

Entre os anos de 1800 e 1850, observaram-se dois importantes movimentos migratórios: por um lado, a progressão gradual dos brasileiros, descendentes de portugueses, entre 1800 e 1819, que gradualmente ocuparam vastas extensões de terra concedidas pelo governo; por outro lado, ocorreu o recuo do território ocupado pelos indígenas. O primeiro movimento migratório ampliou-se consideravelmente entre 1819 e 1850, em virtude da chegada de colonos europeus (Léonard, 1952).

A chegada de colonos suíços e alemães de maioria protestante a Nova Friburgo marca uma mudança significativa no contexto internacional. Para o rei Dom João VI, a imigração representava uma solução viável para a rápida ocupação do interior da colônia. Um acordo foi estabelecido com a Confederação Helvética para a realização de uma primeira experiência nesse sentido. A fazenda do Morro Queimado, com seus 9.000 hectares, foi adquirida pelo governo com o propósito de estabelecer uma colônia suíça. As autoridades da época consideravam o terreno bastante acidentado como adequado para a criação de gado bovino.

Dos imigrantes suíços que partiram para o Brasil em busca de novas oportunidades, 75% possuíam experiência agrícola. O grupo variava desde pessoas abastadas, com capital suficiente para investir e prosperar no Brasil, até aquelas enfrentando dificuldades econômicas, para as quais a emigração representava a única saída viável. Um total de 2006 suíços imigraram para o Brasil. Em 17 de abril de 1820, as primeiras 94 famílias desembarcaram e estabeleceram-se na colônia. Por meio de um sorteio conduzido pelas autoridades coloniais, foram designados lotes de terra para cada família, totalizando 120 parcelas de 75 hectares, delineadas em limites retangulares (Oliveira, 2012).

A distribuição arbitrária das propriedades resultou em numerosos conflitos. Muitos dos lotes consistiam em áreas montanhosas, pedregosas e com declividade acentuada, tornando a atividade agrícola praticamente inviável. A disparidade entre os lotes era considerável. Do ponto de vista político, a situação da colônia tornou-se complexa, uma vez que não atendia aos objetivos de autonomia alimentar e enfrentava altas taxas de mortalidade. Após a independência do Brasil em 1822, a situação da colônia começou a se estabilizar, com o estabelecimento do fortalecimento das colônias europeias no país como prioridade. Como resultado, as restrições de despotismo e arbitrariedade foram gradualmente relaxadas, permitindo que os colonos desempenhassem livremente diversas atividades econômicas e até mesmo deixassem a colônia, onde anteriormente estavam praticamente aprisionados.

Diante das adversidades enfrentadas, os colonos desenvolveram práticas agrícolas semelhantes aos sistemas de corte e queima, influenciados pelas técnicas aprendidas com os fazendeiros portugueses e indígenas. Baseadas no autoconsumo, as unidades de produção que foram estabelecidas consistiam predominantemente na criação de gado leiteiro e pastagens cultivadas com sementes europeias, voltadas para a produção de queijos. Poucos colonos conseguiram gerar excedentes para comercialização. A maioria buscou oportunidades fora da colônia, adquirindo terrenos maiores e migrando para áreas ao norte do município, onde iniciaram o cultivo de café.

Em 1824, um grupo de 343 imigrantes do sul da Alemanha instalou-se em lotes abandonados pelos suíços. Dos 1.662 indivíduos que habitavam no local da cidade de Nova Friburgo em 1820, restaram 362 em 1830. Alguns colonos, cujos lotes não eram viáveis e que não tinham condições de voltar para Europa, trocaram a pobreza de Nova Friburgo pela esperança das terras de café de Cantagalo, pequena vila mais desenvolvida, ao Norte de Nova Friburgo. Outros imigrantes conseguiram concessões e se mudaram para o Leste. Porém, um número indeterminado de colonos suíços e alemães decidiu ir trabalhar como empregados em fazendas já estabelecidas como a Fazenda March[2], futuro município de Teresópolis. Aproveitando a desordem administrativa, alguns colonos compraram escravos, prática essa proibida para os colonos europeus e estabeleceram fazendas lucrativas (Ferrez, 1970).

Durante o século XIX, a totalidade das terras na bacia do alto Rio Grande estava sob posse de dois grandes latifundiários, perpetuando um sistema de produção baseado na escravidão. As atividades econômicas predominantes, como o cultivo da cana-de-açúcar, dominavam as planícies úmidas da região, enquanto nas encostas dos morros eram encontradas plantações de milho, batata doce e pastagens. A mão de obra empregada consistia principalmente de escravos, com contingentes que variavam de dez a várias centenas por fazenda. O cultivo da cana-de-açúcar ocorria de forma contínua por até três anos consecutivos na mesma parcela de terra, podendo ser estendido para até sete anos em áreas mais férteis. Durante o período de colheita, a intensidade de trabalho atingia o pico, sendo que uma Unidade de Trabalho Anual (UTA) conseguia colher cerca de 0,7 hectares de cana por ano, permitindo que uma fazenda com 200 escravos colhesse aproximadamente 140 hectares de cana anualmente.

Antes do plantio do milho, áreas de floresta eram derrubadas e queimadas durante os meses de agosto a setembro, que correspondiam à estação seca. O milho era semeado isoladamente ou em associação com a mandioca ou o feijão. A capina era realizada apenas uma vez, em novembro. A colheita do feijão ocorria em dezembro, enquanto o milho continuava seu crescimento vegetativo. Enquanto o milho secava na roça, era possível semear uma segunda safra de feijão, para o qual as hastes de milho eram quebradas para permitir maior luminosidade às plantas. O milho era então colhido entre março e abril, seguido pela segunda safra de feijão um mês depois. No ano seguinte, o ciclo de plantio de milho e feijão era repetido, seguindo o mesmo padrão técnico.

No terceiro ano, as terras eram deixadas em pousio por um período de dez anos, durante o qual não havia cultivo. A colheita do milho mobilizava todos os escravos disponíveis, incluindo mulheres e crianças. Os rendimentos da cultura do milho não excediam uma tonelada por hectare, sendo que a maior parte da produção era destinada à criação de suínos, enquanto o restante era processado para produção de fubá.

A suinocultura apresentava um alto grau de desenvolvimento e representava a atividade mais eficiente em termos econômicos nas fazendas da região. Embora haja poucos dados quantitativos disponíveis sobre essa produção, é sabido que os suínos eram alimentados com milho e batatas-doces cultivadas na própria fazenda. A carne suína era processada, incluindo a produção de banha, linguiça, entre outros, ainda nas dependências da fazenda antes de ser comercializada.

No final do século XIX, ocorreu uma modificação na estrutura da força de trabalho nas fazendas da região. Antes mesmo da abolição da escravidão em 1888, os fazendeiros já haviam começado a substituir gradualmente a mão de obra escrava por famílias descendentes de colonos. No entanto, esses trabalhadores enfrentavam a concorrência direta da mão de obra escrava, e sua subsistência dependia da produção de alimentos para consumo próprio, bem como da eventual venda de sua força de trabalho para as grandes propriedades agrícolas. Em média, uma fazenda seguindo esse modelo empregava cerca de 100 escravos (Ferrez, 1970).

Após a promulgação da Lei de Terras em 1850, os colonos foram impedidos de obter concessões de terras gratuitas. Em muitas fazendas, adotou-se um padrão comum de remuneração da mão de obra, no qual as famílias recebiam 50% do lucro líquido das áreas de terra que cultivavam (glebas[3]). Esse arranjo foi o precursor do surgimento dos primeiros meeiros[4] em Nova Friburgo.

O desenvolvimento da horticultura na região da Serra dos Órgãos teve seu início por volta de 1830, como registrado por diversos autores. Relatos históricos confirmam que na área correspondente ao atual município de Teresópolis, brasileiros de ascendência inglesa e ex-colonos suíços de Nova Friburgo estabeleceram grandes propriedades dedicadas à produção e comercialização de frutas e legumes. Esses empreendimentos obtiveram êxito no cultivo de diversas variedades, tais como couve-flor, batata-inglesa, ervilha e alcachofra, além da criação de extensos pomares de laranjeiras, bananeiras, pereiras, pessegueiros e macieiras. Tais propriedades, longe de se configurarem como pequenos sítios, constituíam importantes fazendas que demandavam considerável mão de obra escrava, capazes de abastecer a cidade do Rio de Janeiro ao longo de todo o ano (Kidder, et al., 1868).

Embora as causas precisas para o surgimento dessas fazendas não estejam claramente determinadas, é incontestável que o crescimento da então capital do Império brasileiro desempenhou um papel significativo, mantendo a demanda e estimulando o desenvolvimento agrícola ao longo do século XIX. Viajantes que percorriam a região descreviam a pobreza rural da cidade e das plantações de batatas. A dificuldade predominante residia na ausência de infraestrutura de transporte adequada; uma viagem de Nova Friburgo à cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, demandava mais de 12 dias a pé. Apesar da distância relativamente curta entre as duas localidades, que totalizava 136 km, o acesso era severamente dificultado por obstáculos naturais, especialmente durante o período inicial de colonização.

Até 1800, a conectividade entre a Região Serrana e a Baixada Fluminense era limitada, consistindo principalmente em estradas usadas por tropas de burros para o transporte de ouro e outros minerais de Minas Gerais. A partir dos anos 1820, com o início do ciclo do café na Província do Rio de Janeiro, o tráfego nessas estradas aumentou consideravelmente, impulsionando a modernização da infraestrutura de transporte. Com o crescimento da economia cafeeira ao longo do século XIX, tornou-se essencial fortalecer as ligações entre a capital e as áreas de produção. A partir das décadas de 1850 e 1860, iniciou-se o processo de estabilização das estradas para facilitar o transporte em regiões de topografia íngreme. Apesar das melhorias desde 1800, as viagens ainda eram demoradas, levando cerca de 12 dias para chegar ao Rio de Janeiro vindo de Nova Friburgo.

Diante da pressão dos grandes produtores de café da região serrana, as obras ferroviárias tiveram início em torno de 1873, sendo Nova Friburgo a primeira cidade serrana a se beneficiar desse investimento no mesmo ano. Observações de viajantes que percorreram a região antes desse período indicam um cenário de estagnação demográfica e econômica nas cidades serranas. Foi com a introdução do transporte ferroviário que a economia agrícola teve a oportunidade de realizar exportações em larga escala para a capital.

A partir do final do século XIX, o vale do alto Rio Grande passou por um processo de reorganização espacial da estrutura fundiária e da organização da mão de obra. As famílias de fazendeiros enfrentaram questões relacionadas à herança, o que possibilitou a alguns meeiros mais prósperos adquirir títulos de propriedade. A partir das primeiras décadas do século XX, os agricultores familiares começaram a se tornar proprietários de terras na região, adquirindo lotes geralmente localizados em áreas afastadas das estradas ou em terrenos íngremes, com dimensões que variavam de 300 a 3.000 hectares.

Apesar disso, as antigas fazendas não foram completamente fragmentadas, algumas delas continuaram em atividade até 1990, como é o caso da Fazenda Rio Grande. Os sistemas de produção permaneceram essencialmente os mesmos até as décadas de 1950 e 1960. Cada propriedade agrícola tinha entre 5 e 30 meeiros, e todos os proprietários, descendentes de colonos ou fazendeiros, mantiveram o sistema de meação para aproveitar totalmente as terras do lote. Assim, cada propriedade era dividida em várias unidades de produção de 40 a 60 hectares, sendo que aquelas administradas diretamente pelo proprietário não eram maiores do que as dos meeiros.

Os meeiros deviam entre um terço e metade de sua produção para o proprietário, que era responsável pelo transporte por tropas de burros e pela comercialização dos produtos. Dentro de cada unidade de produção, a mão de obra era composta por famílias e equivalia a cinco a dez unidades de trabalho agrícola familiares. Em períodos de alta demanda, diaristas podiam ser contratados.

Com o desenvolvimento da infraestrutura de transporte, a região tornou-se mais acessível. Além de produzir para consumo próprio, os agricultores passaram a ter mais facilidade para vender seus produtos. No entanto, ainda era necessário de dois a três dias de viagem com tropas de burros para levar a produção até a estação de trem de Nova Friburgo, de onde poderia ser facilmente transportada para a cidade do Rio de Janeiro.

A especialização da agricultura começou na década de 1970, com o cultivo de novas espécies em maior proporção do que antes. Em 1974, o governo federal criou a primeira rede de mercados agrícolas próximos das grandes capitais, como as Centrais de Abastecimento (CEASA), visando uma melhor administração do abastecimento das áreas urbanas. Em Nova Friburgo, o mercado da CEASA-RJ, estabelecido em Conquista, substituiu o antigo mercado informal de Barracão dos Mendes. Apesar do sucesso inicial, o volume total anual comercializado na CEASA-RJ em Nova Friburgo apresentou uma lenta queda. Na década de 1980, quase metade da produção friburguense era vendida através da CEASA-RJ na própria cidade. No entanto, após 1990, os intermediários tornaram-se o principal canal de exportação dos produtos.

O município de Nova Friburgo, emergiu como um dos principais polos de produção hortícola da região. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do município alcançou R$ 5 bilhões em 2020, classificando-o como o 23º em termos de PIB no estado do Rio de Janeiro e o 208º no Brasil. O PIB per capita nesse mesmo ano atingiu R$ 29,7 mil, posicionando-o em 41º lugar no estado do Rio de Janeiro e 1733º no Brasil.

Em 2022, o município contava com um rebanho composto por 13.000 galináceos (frangos, galinhas, galos e pintinhos), 5.644 bovinos, 350 ovinos, 330 caprinos, 5.200 suínos e 1.210 equinos. No que concerne à produção agrícola temporária, foram colhidas 12.600 toneladas de tomates e 576 toneladas de mandiocas, enquanto na lavoura permanente, registraram-se 434 toneladas de goiabas, 2.141 toneladas de bananas e 1.345 toneladas de caquis. Adicionalmente, o município produziu 170 litros de leite, 108 ovos de galinhas e 60.500 quilos de mel de abelha durante o mesmo período.

Ao longo do século XX, Nova Friburgo testemunhou uma significativa diversificação econômica, expandindo suas atividades para além da agricultura. A indústria têxtil, em particular a produção de lingerie e moda íntima, emergiu como uma importante fonte de emprego e renda na cidade. Paralelamente, o turismo experimentou um crescimento substancial, atraindo visitantes pelas suas belas paisagens, clima ameno e rica herança histórica e cultural.

Atualmente, o município de Nova Friburgo, situado no estado do Rio de Janeiro, Brasil, apresenta uma distância de 187 quilômetros em relação à capital estadual, abrangendo uma área territorial de 935,429 km². Segundo dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2023, sua população residente está estimada em 165.123 habitantes, conferindo-lhe o 16° posto no ranking dos municípios mais populosos do estado do Rio de Janeiro e o 78° na região Sudeste do país. Quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Nova Friburgo apresenta uma pontuação de 0,730, ocupando a 13ª posição nesse indicador, embora seja superado por Miguel Pereira, outro município do mesmo estado (IBGE, 2023).

Geograficamente, a sede do município de Nova Friburgo encontra-se a uma altitude de 846 metros, marcada por um ponto de referência representado por um marco de ferro localizado junto à estátua de Alberto Braune, situada no centro da Praça Getúlio Vargas. Destaca-se que o ponto mais elevado de Nova Friburgo é o Pico Maior de Friburgo, atingindo uma altitude de 2.366 metros, o qual também é o ponto culminante de toda a Serra do Mar. Adicionalmente, merece menção o Pico da Caledônia, que apresenta uma altitude de até 2.257 metros.

Com o tempo, as primeiras congregações evangélicas começaram a surgir nas montanhas de Nova Friburgo. Missionários e líderes locais desempenharam um papel crucial na organização e expansão dessas igrejas, promovendo a fé reformada entre os colonos e a população local. Apesar dos desafios enfrentados, como a resistência da igreja católica predominante e a escassez de recursos, as congregações evangélicas perseveraram e ampliaram sua influência na região.

Enquanto o catolicismo reinou por muitos anos na região, o surgimento das primeiras igrejas evangélicas marcou uma mudança significativa no panorama religioso local. Este artigo busca explorar a trajetória dessas igrejas desde seus primórdios até os dias atuais, examinando os principais fatores que impulsionaram sua chegada e expansão.

NOVAS IGREJAS MIGRAM PARA AS MONTANHAS

No ano de 1906, os missionários Daniel F. Crosland e A. L. Dustam iniciaram suas atividades religiosas em Nova Friburgo. Posteriormente, em 1907, uma residência foi alugada para servir como local de culto, com o auxílio do evangelista Kleber Martins. Foi somente em 1908 que o pastor Daniel Crosland realizou os primeiros batismos, imergindo os irmãos Evaristo e Dorcelina dos Santos. Este período foi marcado por uma série de perseguições religiosas, tornando-se necessário solicitar a proteção do Governo do Estado do Rio de Janeiro, conforme previsto pela constituição. Para garantir a liberdade religiosa, foram enviados 12 soldados de infantaria e cavalaria. Ainda em 1908, o missionário A. B. Christie mudou-se para a cidade, e em 21 de outubro de 1911, foi oficialmente estabelecida a Primeira Igreja Batista de Nova Friburgo (Oliveira, 2012).

A liderança da igreja ao longo dos anos foi exercida pelos pastores Antônio Charles, Aristóteles Queiroz, Clério Boechat, Abelar Suzano de Siqueira, Benjamim Monteiro, Antonio Soares Ferreira, Gladistone Francisco Paixão, Waldir Rocha, Francisco Mancebo Reis, Dylton Francioni de Abreu, Nilson Nobre de Oliveira, João Soares Filho, Jair Garcia de Cerqueira, Jairo Moreira e atualmente, há 17 anos, pelo pastor José Francisco Aguiar do Amaral.

Em 1928, João Evangelista, membro da Assembleia de Deus de São Cristóvão-RJ, dirigiu-se a Rio Bonito para pregar a Mensagem Pentecostal, expandindo-se posteriormente para as cidades de Pirineus, Cachoeiras de Macacu, Bananeiras, Sumidouro, Carmo, Duas Barras e Nova Friburgo. Mais tarde, em 1936, Anatálio Joaquim de Oliveira chegou a Nova Friburgo, enviado pelo Missionário Nils Kastberg, líder da Assembleia de Deus de São Cristóvão, para continuar o trabalho de evangelização. Em 1939, o Missionário Samuel Nyström delegou ao Pastor Moysés Soares da Fonseca a responsabilidade por várias igrejas, incluindo as Assembleias de Deus em Bananeiras, Sumidouro e Nova Friburgo, para onde ele se mudou e trabalhou por um ano. Durante esse período inicial em Nova Friburgo, o Pr. Moysés Soares conheceu Waldo Benjamim de Oliveira, um sapateiro e membro da Assembleia de Deus de Bananeiras, distrito de Silva Jardim-RJ, onde realizavam cultos em sua própria residência, no bairro de Duas Pedras, plantando assim a semente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Central em Nova Friburgo.

A fundação da Igreja Assembleia de Deus em Nova Friburgo remonta ao período da década de 1930, marcado por um cenário de expansão do movimento pentecostal no Brasil. Em 1928, João Evangelista, membro da Assembleia de Deus de São Cristóvão-RJ, empreendeu uma jornada missionária para Rio Bonito, onde começou a pregar a Mensagem Pentecostal. Esta iniciativa foi fundamental para a disseminação do movimento em diversas localidades, incluindo Nova Friburgo.

Posteriormente, em 1936, Anatálio Joaquim de Oliveira chegou a Nova Friburgo, enviado pelo Missionário Nils Kastberg, líder da Assembleia de Deus de São Cristóvão, para dar continuidade ao trabalho de evangelização na região. Este período foi marcado por um esforço incansável na propagação da fé pentecostal, alcançando diferentes camadas da população local.

Em 1939, o Missionário Samuel Nyström delegou ao Pastor Moysés Soares da Fonseca a responsabilidade por várias igrejas na região, incluindo Nova Friburgo. O Pastor Moysés Soares mudou-se para a cidade e trabalhou arduamente por um ano. Durante este período, ele estabeleceu laços com membros locais, como Waldo Benjamim de Oliveira, um sapateiro e membro da Assembleia de Deus de Bananeiras, distrito de Silva Jardim-RJ. Juntos, realizaram cultos em residências, especialmente na casa de Waldo Benjamim de Oliveira no bairro de Duas Pedras, semeando assim as bases da futura Igreja Evangélica Assembleia de Deus Central em Nova Friburgo.

A perseverança e dedicação desses pioneiros, aliadas ao fervor pentecostal que caracterizava o movimento na época, contribuíram significativamente para o estabelecimento e crescimento da Igreja Assembleia de Deus em Nova Friburgo. Ao longo dos anos, a igreja continuou a se expandir e se firmar como uma importante instituição religiosa na região, exercendo impacto não apenas espiritual, mas também social e cultural na comunidade local.

Ao longo das décadas seguintes, outras denominações protestantes surgiram na região serrana. Em 27 de março de 1947, fundou-se a Segunda Igreja Batista, conhecida como Igreja Batista Ebenezer, inicialmente estabelecida em uma casa alugada na Rua Visconde de Bom Retiro, 115, no centro da cidade. A igreja foi organizada com 22 membros e seis pastores que participaram dos esforços evangelísticos. Em abril de 1947, o pastor Walter Mac Nealy, missionário da junta Richimond-USA, assumiu a liderança.

A partir de setembro de 1957, o pastor Isidoro Pires dos Santos liderou a igreja até fevereiro de 1964. Durante seu pastoreio, a igreja adquiriu uma propriedade ao lado do templo e iniciou a construção de instalações para educação religiosa. Nesse período, a Escola Batista já estava em funcionamento, com uma campanha de alfabetização. Em fevereiro de 1964, o pastor João José Soares Filho assumiu a liderança da igreja, falecendo em dezembro de 2004. Durante seu ministério, a igreja construiu a casa pastoral, adquiriu um terreno no bairro Cascatinha e iniciou um ponto de pregação no Parque Maria Tereza, onde hoje funcionam duas congregações. Com a conclusão da construção do novo templo, a igreja foi inaugurada em 1993, com a participação da Assembleia Anual da Convenção Batista Fluminense.

A IGREJA EVANGÉLICA E O NAZISMO EM NOVA FRIBURGO

A relação entre a Igreja Evangélica e o Nazismo em Nova Friburgo é um tema de grande importância histórica e social, que merece uma análise cuidadosa e contextualizada. Durante o período do regime nazista na Alemanha, entre os anos de 1933 e 1945, a igreja evangélica desempenhou um papel intricado e multifacetado. Embora muitos líderes religiosos tenham resistido ativamente às ideologias e práticas totalitárias do regime, outros acabaram por colaborar ou se omitir diante das atrocidades perpetradas. Neste contexto, explorar a interseção entre a história da Igreja Evangélica e o Nazismo em Nova Friburgo permite compreender como as dinâmicas locais se entrelaçaram com os acontecimentos globais, influenciando e sendo influenciadas por eles. A pesquisa lança luz sobre as diferentes posturas adotadas pela instituição religiosa diante do autoritarismo e da intolerância, além de proporcionar reflexões importantes sobre ética, responsabilidade moral e memória histórica.

O nascimento de Johannes Edward Schlupp na Alemanha, em 19 de abril de 1911, marca o início de uma trajetória que o levaria a desempenhar um papel crucial na comunidade evangélica em Nova Friburgo, Brasil. Schlupp, após sua formação e estudos teológicos em sua terra natal, emigrou para o Brasil em 1933, respondendo a uma convocação para assumir responsabilidades pastorais em solo brasileiro. Após dominar o idioma português, ele iniciou suas atividades como pastor auxiliar em Petrópolis e, posteriormente, foi chamado a intervir nas tensões existentes dentro da comunidade luterana de Nova Friburgo, que se manifestavam em relação às ideologias nazistas.

As divergências ideológicas em relação ao nacional-socialismo geraram conflitos dentro da comunidade evangélica luterana de Nova Friburgo. A ascensão do partido nazista na Alemanha foi vista por alguns como uma solução para a crise econômica que assolava o país na década de 1930, enquanto outros se opunham veementemente às suas ideologias, especialmente ao racismo. Essas tensões culminaram em uma cisão na "Deutscher Schul und Kirchenverein", que se dividiu em duas facções, uma favorável e outra contrária ao nazismo, refletindo a polarização dentro da comunidade.

A intervenção de Schlupp foi crucial para mitigar essas tensões. Ele advogou pela união dos evangélicos luteranos, destacando sua identidade cultural e religiosa comum, e enfatizando a necessidade de se manterem distantes das disputas políticas na Alemanha. Seu sucesso em pacificar os conflitos levou Julius Arp a solicitar sua permanência em Nova Friburgo, onde Schlupp acabou por se estabelecer por 44 anos, constituindo família.

A presença dos industriais alemães, liderados por Julius Arp, desempenhou um papel significativo no desenvolvimento e apoio à comunidade alemã em Nova Friburgo desde 1910. A concessão do fornecimento de energia elétrica por Arp impulsionou o crescimento industrial na região, beneficiando não apenas os empresários, mas também os colonos alemães estabelecidos na área.

Os primeiros colonos alemães em Nova Friburgo, chegados em 1824, enfrentaram dificuldades iniciais, pois não contavam com o mesmo apoio institucional recebido pelos colonos suíços. A construção de templos protestantes era restrita por regulamentações locais, o que limitava a expressão pública de sua fé. No entanto, com o apoio dos industriais alemães, os luteranos ganharam maior dignidade e estrutura para sua prática religiosa, culminando na construção de um novo templo em 1952, refletindo o crescimento e prestígio da comunidade na cidade.

A trindade teutônica formada por Julius Arp, Maximilian Falck e Otto Siems, bem como Hans Gaiser auxiliaram, além da construção do templo, na melhoria do cemitério e em várias obras assistenciais. Quando morreu o filho do Pastor Sauerbronn em 1824, o infante foi impedido pelo vigário Jacob Joye de ser enterrado no cemitério da vila, e foi-lhe reservado um local no morro, onde hoje se localiza o cemitério dos luteranos. Era um local ermo na ocasião e desde então nunca mereceu a atenção das autoridades municipais.

Com o auxílio desses industriais o cemitério luterano teve uma grande reforma, com a duplicação de sua área e pavimentação de seu acesso. Mas quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu e o Brasil entrou na guerra, muitos alemães em Nova Friburgo foram presos e levados para Niterói. O Pastor Schlupp os acompanhou. Os cultos e as reuniões dos luteranos foram proibidos. Casamentos e batizados deveriam ter autorização expressa. Foi uma época difícil para os alemães que viviam em Nova Friburgo, apesar de grande parte deles ser de nacionalidade brasileira.

Na história das confissões protestantes no Brasil a historiografia costuma distinguir três tipos de protestantismo: protestantismo de imigração, protestantismo de missão e protestantismo pentecostal. Apesar de que a ala do luteranismo que atualmente constitui a Igreja Evangélica Luterana do Brasil tenha sua origem na atuação de missionários norte americanos, que desde o início do século XX sempre de novo enfatizaram que sua atuação nunca visou especificamente à população de origem alemã, chegando, inclusive, a ter comunidades constituídas exclusivamente por afro-brasileiros, a verdade é que o luteranismo, como um todo, continua a caracterizar-se, até hoje, por membros de sobrenome de origem alemã.

O destaque a esse aspecto das comunidades da época é muito importante, pois a partir dessas precárias escolas desenvolveu-se um sistema escolar que foi “nacionalizado” na Segunda Guerra, mas deu origem a uma enraizada cultura escolar, cujos efeitos são sentidos até hoje. Muitas dessas comunidades apresentam os mais baixos índices de analfabetismo do Brasil.

Na outra extremidade da pirâmide social encontravam-se aqueles luteranos que se estabeleceram nos centros urbanos, a partir de 1850. Tratava-se, em geral, de pessoas econômica e intelectualmente mais bem posicionadas (Donos de indústrias e influenciadores políticos), que, em muitos casos, haviam participado dos movimentos políticos de 1848 na Alemanha.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil viveu um período de intensa polarização política e social, refletindo as tendências globais da época. Enquanto o país oficialmente adotava uma posição de neutralidade, diversos grupos e comunidades dentro do Brasil se viram divididos em relação aos eventos que ocorriam no cenário internacional, incluindo as igrejas evangélicas luteranas.

As igrejas evangélicas luteranas no Brasil enfrentaram desafios expressivos durante o período do nazismo devido à sua conexão histórica com a Alemanha, berço do movimento luterano, e devido à presença de comunidades de imigrantes alemães no país. A ascensão do nazismo na Alemanha e sua influência em certas comunidades luteranas no Brasil levantaram questões sobre a identidade e lealdade dessas igrejas.

Alguns líderes e membros das igrejas evangélicas luteranas no Brasil expressaram apoio ao regime nazista, especialmente entre os descendentes de imigrantes alemães que mantinham fortes laços culturais e linguísticos com a Alemanha. Esses indivíduos, influenciados pela propaganda nazista e por uma narrativa de nacionalismo alemão, encontraram-se simpatizantes do regime de Adolf Hitler.

Ao mesmo tempo, uma segunda conclusão que se chega é que, para as autoridades brasileiras da época, o binômio luterano e germanismo estava associado de maneira irrestrita, ou seja, toda a instituição, inclusive a Igreja Luterana – Sínodo de Missouri, mesmo que oficialmente declara-se posição contrária, era um fervoroso defensor do germanismo, um potencial aliado do nacional-socialismo alemão e, no mínimo, um perigo à proposta de “abrasileiramento” orquestrada pelo Governo Vargas (Marlow, 2011, p.10).

Segundo Marlow (2011), durante o período da Segunda Guerra Mundial, a tentativa de compreender o pensamento das autoridades brasileiras em relação aos luteranos leva a duas importantes conclusões. Em primeiro lugar, evidencia-se que, para essas autoridades, todos os luteranos, independentemente do grupo ao qual pertenciam, eram considerados como possíveis súditos do Eixo e, portanto, merecedores de vigilância. Não havia distinção entre os diferentes grupos do luteranismo brasileiro, sendo que todos eram percebidos como representantes de uma mesma ameaça potencial.

Essa percepção uniforme sobre os luteranos reflete uma falta de conhecimento por parte das autoridades brasileiras sobre as nuances e diversidades dentro do luteranismo nacional. Não havia um entendimento real sobre os diferentes pensamentos e posicionamentos adotados pelos diversos grupos luteranos no Brasil durante aquele período. Ao invés disso, predominava uma visão generalizada e simplificada, na qual todos os luteranos eram colocados sob a mesma suspeita de simpatia ou colaboração com os países do Eixo.

Essa abordagem homogeneizante por parte das autoridades brasileiras revela as limitações do entendimento oficial em relação às complexidades das identidades religiosas e das nuances ideológicas presentes no luteranismo brasileiro da época. Além disso, sugere uma postura de precaução extrema por parte do Estado, que optava por uma vigilância ampla e indiscriminada em detrimento de uma abordagem mais contextualizada e informada sobre as diferentes facções do luteranismo no país.

Portanto, a análise do pensamento das autoridades brasileiras sobre os luteranos durante a Segunda Guerra Mundial evidencia não apenas uma falta de conhecimento sobre as nuances internas do luteranismo brasileiro, mas também uma tendência à generalização e à suspeita generalizada em relação a esse grupo religioso (Marlow, 2011).

É importante destacar que essa não foi a posição unânime das igrejas evangélicas luteranas no Brasil. Muitos líderes e membros dessas igrejas rejeitaram firmemente o nazismo e suas ideologias de ódio e intolerância. Eles se opuseram à disseminação do nacional-socialismo e se empenharam em manter a neutralidade política enquanto buscavam preservar os valores e princípios do luteranismo, como a justiça social, a compaixão e a paz.

Além disso, algumas igrejas evangélicas luteranas no Brasil foram ativas na resistência ao nazismo, apoiando os esforços dos Aliados na luta contra o regime de Hitler. Elas forneceram assistência a refugiados e perseguidos políticos, promoveram a conscientização sobre os horrores do Holocausto e defenderam os direitos humanos e a dignidade de todas as pessoas.

As igrejas evangélicas luteranas no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial refletiram as complexidades e divisões da sociedade brasileira da época. Enquanto alguns membros se alinhavam com o nacionalismo alemão e o nazismo, outros se mantinham firmes em seus princípios religiosos e éticos, resistindo ativamente às ideologias totalitárias e promovendo a paz e a justiça em um momento de grande turbulência global.

O papel das igrejas evangélicas luteranas no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial reflete as complexidades e divisões da sociedade brasileira da época. Embora algumas comunidades tenham sucumbido à influência do nacionalismo alemão e do nazismo, outras permaneceram fiéis aos seus princípios religiosos e éticos, resistindo ativamente às ideologias totalitárias. O legado dessas igrejas serve como um lembrete importante da importância da solidariedade, da compaixão e da defesa dos direitos humanos, mesmo nos momentos mais sombrios da história.

Durante o tumultuoso período da Segunda Guerra Mundial, as igrejas evangélicas no Brasil enfrentaram desafios éticos e teológicos que moldaram seus posicionamentos e ações diante do conflito global. Em meio à destruição e à carnificina que assolavam o mundo, as comunidades evangélicas brasileiras se viram diante de escolhas decisivas, tanto em relação à sua postura em relação à guerra quanto à sua visão do nazismo e de suas atrocidades.

Para algumas denominações e líderes evangélicos, a mensagem central do Evangelho, fundamentada no amor ao próximo e na busca pela paz, traduziu-se em uma postura de neutralidade e pacifismo. Essas igrejas, embasadas em princípios cristãos, optaram por não se envolver diretamente no conflito armado, buscando antes promover a reconciliação e a solidariedade entre os povos.

Por outro lado, para muitas igrejas evangélicas brasileiras, o nazismo representava não apenas uma ameaça política e militar, mas também uma afronta aos valores fundamentais do Cristianismo. A ideologia nazista, baseada em preconceitos raciais, supremacia e intolerância, foi repudiada veementemente por líderes e comunidades que reconheciam na dignidade humana e na igualdade perante Deus os pilares de sua fé.

Nesse contexto, diversas igrejas e líderes evangélicos engajaram-se em ações humanitárias, oferecendo auxílio e acolhimento às vítimas da guerra, incluindo refugiados, prisioneiros de guerra e civis deslocados. Essa atuação refletia não apenas a compaixão cristã, mas também a compreensão de que o serviço ao próximo era uma expressão tangível da fé em tempos de crise.

Entretanto, não se pode ignorar as divisões e controvérsias que permearam o cenário evangélico brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial. Alguns líderes e congregações podem ter adotado posições mais ambíguas, influenciadas por ideologias nacionalistas ou por uma visão mais pragmática dos desafios geopolíticos da época, principalmente nos estados da região sul.

De acordo com Gertz (1987:86), a literatura política e policial da época indica que havia uma ampla crença de que a maioria da população de origem alemã em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul simpatizava com o nazismo.

Conforme destacado por Gertz (1987:88), praticamente qualquer aspecto da cultura alemã poderia ser interpretado como indício de simpatia ao nazismo, como o falar alemão, a leitura de jornais em língua alemã, a participação em sociedades recreativas e culturais de origem alemã, ou a filiação à Igreja Luterana. Assim, mesmo que não houvesse evidências concretas de atividades nazistas no Brasil, a longa tradição de temor em relação ao "perigo alemão" foi reacendida durante o Estado Novo[5] e, consequentemente, durante a Segunda Guerra Mundial.

Durante o Estado Novo no Brasil, a percepção das manifestações de nazismo entre os alemães e seus descendentes foi objeto de análise por parte de diversos estudiosos, como Marlow (2011). o autor argumenta que, embora o número de alemães e seus descendentes envolvidos com o nazismo no Brasil fosse pequeno, qualquer demonstração ou representação por parte desses indivíduos poderia ser interpretada como uma ameaça à integridade e soberania nacional.

A análise de Marlow (2011) lança luz sobre a sensibilidade das autoridades brasileiras em relação às atividades e expressões associadas ao nazismo entre os cidadãos de origem alemã no país. Mesmo que apenas uma parcela reduzida dessa comunidade estivesse envolvida com o nazismo, a percepção generalizada dessas manifestações como uma ameaça à integridade nacional reflete os temores e as preocupações do Estado brasileiro durante aquele período.

Essa postura de vigilância e suspeita em relação aos alemães e seus descendentes remonta a um contexto histórico marcado pelo antecedente da Primeira Guerra Mundial e pela ascensão do nazismo na Europa. O receio de que simpatizantes do nazismo pudessem representar uma ameaça à estabilidade política e à coesão nacional levou as autoridades brasileiras a adotarem uma abordagem cautelosa em relação a qualquer manifestação associada ao regime de Hitler.

A argumentação de Marlow (2011) destaca a importância de compreender não apenas o número absoluto de indivíduos envolvidos com o nazismo no Brasil durante o Estado Novo, mas também a percepção e a reação das autoridades brasileiras diante dessas manifestações. Essa abordagem ampla e contextualizada contribui para uma análise mais abrangente dos desafios enfrentados pelo Estado brasileiro em relação à integração e ao monitoramento das comunidades de origem alemã durante aquele período conturbado da história nacional.

Assim, tanto Gertz quanto Marlow ressaltam a percepção difundida na época de que a população de origem alemã no Brasil estava potencialmente alinhada com o nazismo, devido a aspectos culturais e étnicos, ainda que as evidências concretas de atividades nazistas fossem escassas. Essa percepção contribuiu para a intensificação do monitoramento e da suspeita em relação aos alemães e seus descendentes durante o Estado Novo e o período da Segunda Guerra Mundial, refletindo as preocupações com a segurança nacional e a lealdade dos cidadãos brasileiros:

É difícil precisar o número de teuto-brasileiros que aderiram ao programa nazista no Brasil. Segundo, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, considerados focos em potencial de uma ação do Terceiro Reich, os números mostravam apenas um pequeno grupo organizado que realmente pertencia ao partido nazista local. “Estimativas apontam para um número entre 400 e 500 para o Rio Grande do Sul e, para Santa Catarina, deve-se admitir número semelhante, levando em conta a quantidade e o nível de grupos nazistas daquele Estado. No entanto, existiam mais de 25.000 indivíduos nascidos na Alemanha neste dois Estados” (Marlow, 2011, p.2).

O Estado brasileiro durante o período do Estado Novo demonstrou um considerável temor em relação ao que era denominado de "perigo alemão", o qual encontrou apoio na difusão e manutenção de uma ideologia entre os imigrantes alemães, bem como na falta de compreensão por parte das autoridades brasileiras da época.

Para os teuto-brasileiros, um conceito fundamental expressava sua visão de nação e cidadania, sendo de grande importância para a preservação de certas tradições e heranças de seus antepassados: o Deutschtum, que significa germanidade. Este conceito englobava não apenas aspectos étnicos, mas também culturais, religiosos e linguísticos.

Segundo Gertz (1987:93), havia um empenho notável por parte dos imigrantes e de seus descendentes na preservação da pureza étnica, da língua, dos costumes e das tradições alemãs. Os teuto-brasileiros se consideravam tanto alemães quanto brasileiros, buscando conciliar harmoniosamente essas identidades aparentemente contraditórias. Eles valorizavam as tradições e a cultura herdadas de seus antepassados, trazidas para o Brasil pelos primeiros imigrantes e cultivadas por eles, ao mesmo tempo em que se sentiam parte integrante da nação brasileira.

Portanto, o temor do Estado brasileiro em relação ao "perigo alemão" foi alimentado pela perpetuação da identidade teuto-brasileira, que valorizava aspectos culturais e étnicos herdados da Alemanha, ao mesmo tempo em que se inseria na sociedade brasileira. Essa dicotomia entre ser alemão e ser brasileiro evidenciava as complexidades da identidade nacional e étnica dos teuto-brasileiros durante o Estado Novo.

O papel das igrejas evangélicas brasileiras durante a Segunda Guerra Mundial foi marcado por uma diversidade de posicionamentos e respostas, reflexo das complexidades éticas, teológicas e políticas do contexto histórico em que estavam inseridas. No entanto, em meio às incertezas e aos conflitos, muitas dessas comunidades mantiveram-se firmes em sua busca pela justiça, pela paz e pelo testemunho do amor de Cristo em um mundo dilacerado pela guerra.

CRESCIMENTO DOS EVANGÉLICOS NO BRASIL

Após a Segunda Guerra Mundial, o cenário religioso mundial passou por mudanças significativas, especialmente no que diz respeito ao crescimento das igrejas protestantes. Este período foi marcado por uma série de fatores que influenciaram o aumento da adesão ao protestantismo em diversas regiões do globo. Este ensaio busca analisar esses fatores e entender o fenômeno do crescimento das igrejas protestantes após a Segunda Guerra Mundial de uma perspectiva acadêmica.

O período pós-Segunda Guerra Mundial foi caracterizado por uma busca por estabilidade e significado após os horrores da guerra. Muitos indivíduos voltaram-se para a religião em busca de conforto espiritual e orientação moral. Além disso, o aumento da urbanização e migração interna em muitos países proporcionou um ambiente propício para o crescimento das igrejas protestantes, que muitas vezes estavam mais presentes em áreas urbanas em rápida expansão.

Durante o século XX, ocorreram diversos movimentos de avivamento e renovação espiritual dentro do protestantismo. Esses movimentos enfatizaram a experiência pessoal com Deus e a busca por uma fé mais vibrante e ativa. O pentecostalismo, em particular, experimentou um crescimento significativo, atraindo adeptos com sua ênfase na experiência do Espírito Santo e na manifestação de dons espirituais.

O desenvolvimento da rádio, televisão e, posteriormente, da internet, proporcionou às igrejas protestantes uma plataforma para alcançar um público mais amplo. Programas religiosos transmitidos por esses meios de comunicação ajudaram a disseminar os ensinamentos protestantes e atrair novos devotos. Além disso, a globalização facilitou a propagação do protestantismo para outras partes do mundo, através de missões e atividades evangelísticas.

O crescimento da população evangélica no Brasil é um dos fenômenos sociais mais marcantes das últimas décadas. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2023, os evangélicos já representam 31,2% da população brasileira, um aumento significativo em comparação aos 22,2% registrados em 2010. Essa ascensão, que desafia a hegemonia histórica do Catolicismo no país, abre espaço para reflexões sobre as motivações por trás desse crescimento e seus impactos na sociedade brasileira.

O crescimento evangélico não é homogêneo em todo o território nacional. As regiões Norte e Centro-Oeste concentram a maior proporção de evangélicos, com 41,8% e 38,5%, respectivamente. Já a região Sul, com 26,2%, apresenta a menor porcentagem. A faixa etária entre 20 e 29 anos é a que possui a maior proporção de evangélicos, com 41,7%. Já a faixa etária acima de 60 anos apresenta a menor proporção, com 22,1%.

A proporção de evangélicos é maior entre as classes sociais mais baixas. Entre os brasileiros com renda familiar de até 2 salários-mínimos, 36,2% se declaram evangélicos. Já entre aqueles com renda familiar superior a 10 salários-mínimos, a proporção cai para 22,8%. As mulheres evangélicas são mais numerosas que os homens, representando 53,4% da população evangélica total.

Diversos fatores contribuem para o crescimento evangélico no Brasil. Entre os principais, podemos destacar:

Ação Social e Caritativa: As igrejas evangélicas desempenham um papel crucial na comunidade, oferecendo amparo social e psicológico a populações fragilizadas. Através de trabalhos assistenciais, programas de combate às drogas e ações de cuidado com idosos e crianças, elas conquistam a confiança e fidelidade de seus fiéis.

Acessibilidade e Proximidade: As igrejas evangélicas se caracterizam por sua capilaridade, presença marcante em periferias e comunidades carentes. A linguagem simples, cultos vibrantes e foco na experiência individual com Deus atraem principalmente jovens e pessoas em busca de acolhimento e pertencimento.

Ênfase na Prosperidade: A teologia da prosperidade, presente em muitas igrejas evangélicas, prega a recompensa material como resultado da fé e do trabalho árduo. Essa mensagem encontra ressonância em um contexto de desigualdade social e busca por ascensão social, especialmente entre classes menos favorecidas.

O crescimento evangélico não se restringe à esfera religiosa, mas impacta diversos âmbitos da sociedade brasileira, como a política, a bancada evangélica no Congresso Nacional vem crescendo em representatividade e influência, defendendo pautas conservadoras em temas como família, costumes e educação. Essa ascensão gera debates sobre o papel da religião na esfera pública e a necessidade de laicidade do Estado.

O aumento da população evangélica se reflete em mudanças nos costumes e valores sociais. Há um crescimento da religiosidade no país, com maior frequência de cultos e práticas religiosas, e uma influência crescente da moral evangélica em debates sobre temas como aborto, casamento homoafetivo e uso de drogas. As igrejas evangélicas investem cada vez mais em canais de comunicação próprios, como rádios, TVs e sites, para divulgar suas mensagens e alcançar novos fiéis. Essa estratégia contribui para a formação de uma opinião pública mais conservadora e para o debate sobre o papel da mídia na promoção da diversidade religiosa.

O crescimento evangélico no Brasil abre caminho para diversos desafios e oportunidades. É necessário garantir o respeito à liberdade religiosa e à diversidade de crenças, além de promover o diálogo inter-religioso para evitar conflitos e promover a tolerância. Compreender as motivações por trás do crescimento evangélico e seus impactos na sociedade é fundamental para entendermos o Brasil contemporâneo. As implicações dessa transformação social se estendem por diversos setores da vida brasileira, exigindo reflexões e debates aprofundados sobre o futuro da religiosidade, da política e da cultura.

O REFLEXO DAS IGREJAS EVANGÉLICAS NAS COMUNIDADES RURAIS MONTANHOSAS

A religião desempenha um papel importante na vida das comunidades, oferecendo não apenas uma fonte de consolo espiritual e orientação moral, mas também desempenhando um papel central na coesão social e na construção de identidades comunitárias. Nas áreas rurais montanhosas do município de Nova Friburgo, onde a vida muitas vezes é marcada por desafios como isolamento geográfico dos vales e montanhas, escassez de recursos e dificuldades econômicas, a religião frequentemente serve como um ponto de ancoragem, fornecendo apoio emocional e social para os residentes.

As comunidades rurais muitas vezes encontram na prática religiosa uma forma de enfrentar adversidades comuns, fortalecendo laços interpessoais e promovendo o senso de solidariedade e pertencimento. Além disso, a religião pode desempenhar um papel importante na preservação de tradições culturais e na transmissão de conhecimentos ancestrais, ajudando a manter a coesão e a continuidade geracional dentro da comunidade.

No contexto das comunidades rurais, as igrejas evangélicas desempenham um papel particularmente significativo devido à sua abordagem enraizada na fé e na comunidade. As igrejas evangélicas muitas vezes adotam uma abordagem prática e acessível à religião, oferecendo não apenas serviços de adoração, mas também programas sociais, apoio emocional e assistência material às comunidades rurais.

Uma das características marcantes das igrejas evangélicas é sua ênfase na evangelização e no envolvimento ativo dos membros da comunidade na disseminação da mensagem religiosa. Isso muitas vezes leva a um forte senso de engajamento cívico e participação comunitária entre os fiéis, que se veem não apenas como membros de uma congregação, mas também como agentes de mudança e transformação em suas comunidades.

As comunidades rurais montanhosas de Nova Friburgo são fortemente influenciadas pela presença das igrejas evangélicas no campo. Além de serem centros espirituais, essas igrejas desempenham papéis multiformes em suas áreas de atuação. Elas não apenas proporcionam um espaço para práticas religiosas, mas também se tornam catalisadoras de mudanças sociais e culturais.

Por meio de programas de assistência social, as igrejas evangélicas fornecem apoio às famílias rurais, suprindo necessidades básicas e promovendo o bem-estar comunitário. Além disso, influenciam as normas e valores culturais, muitas vezes enfatizando uma ética de trabalho rigorosa e desencorajando comportamentos considerados pecaminosos. Essas igrejas também se tornam importantes atores políticos locais, apoiando candidatos e causas alinhadas com suas convicções religiosas. Isso pode moldar as políticas públicas e direcionar recursos para as comunidades rurais. Além disso, as igrejas evangélicas oferecem redes de apoio social e emocional, proporcionando conforto e suporte em momentos de dificuldade. Seja por meio de programas educacionais, eventos comunitários ou assistência direta, a presença dessas igrejas é inegavelmente marcante na vida das comunidades rurais de Nova Friburgo, influenciando diversos aspectos de sua existência cotidiana.

Em síntese, as igrejas evangélicas desempenham um papel admirável na vida das comunidades rurais, oferecendo não apenas uma fonte de inspiração espiritual, mas também desempenhando um papel ativo no fortalecimento da coesão social, na promoção do bem-estar comunitário e na construção de identidades locais. Ao reconhecer a importância da religião nas áreas rurais e o papel significativo das igrejas evangélicas neste contexto, podemos apreciar melhor a complexidade e a diversidade das experiências humanas dentro dessas comunidades.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A história das primeiras igrejas evangélicas nas montanhas de Nova Friburgo, Rio de Janeiro, reflete não apenas a trajetória do protestantismo na região, mas também a interação complexa entre fé, cultura e sociedade. Ao investigar esse fenômeno histórico, somos capazes de compreender melhor as dinâmicas religiosas e sociais que moldaram e continuam a moldar a identidade da comunidade local.

As igrejas evangélicas têm ganhado proeminência ao longo dos anos e, enquanto sujeito do desenvolvimento e formação de ideias e indivíduos, ainda está num processo de fortalecimento e valorização diante de um cenário cada vez mais dicotômico, que dependem de um conjunto de fatores econômicos, sociais, políticos e culturais.

A partir da sua fundação, a igreja é vista como um local de auxílio material e imaterial aos seus membros mais necessitados. Nota-se que uma educação cristã e humana é fundamental para o desenvolvimento da dignidade e da consciência social, contribuindo para a formação de cidadãos muito mais integrados na sociedade e que sejam capazes de mudá-la, pouco a pouco, para a melhor.

A formação cristã, assim como as doutrinas evangélicas apostólicas, baseia-se nos princípios advogados pelo evangelho cristão, incluindo a igualdade, a promoção da vida, a fraternidade, a justiça e a busca pela prosperidade para todos os membros da sociedade. Seu objetivo primordial é cultivar nos indivíduos características cristãs e, em um segundo plano, influenciar a sociedade para que esta se torne mais harmoniosa e justa, promovendo a formação de indivíduos altruístas e equitativos, inspirados por um ideal conservador, porém com a aspiração de libertação. Nesse contexto, torna-se evidente que uma educação cristã e humanística desempenha um papel admirável na promoção da dignidade e da consciência social, promovendo a formação de cidadãos mais engajados com a comunidade e capazes de promover mudanças progressivas em prol do bem-estar coletivo.

Através da transmissão de valores como igualdade, fraternidade e justiça, a formação cristã contribui para a construção de um sistema de significados compartilhado dentro das comunidades religiosas, que por sua vez impacta as interações sociais e as estruturas de poder. No entanto, é importante reconhecer que essa influência religiosa pode gerar tensões e conflitos em uma sociedade pluralista, especialmente quando se trata da relação entre religião e esfera pública, bem como questões relacionadas a direitos individuais e divergências morais. Assim, compreender o impacto da formação cristã na sociedade requer uma análise antropológica sensível e multiforme, que leve em consideração as complexidades culturais, sociais e políticas envolvidas.

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1 Coordenador e docente do Curso de Especialização (Lato Sensu), MBA e Pós-Graduação em Inteligência Artificial e Gestão do Conhecimento na Faculdade de Estudos Sociais Aplicados de Viana (FESAV). Mestrado em Educação (UNESA-RJ). Pós-Graduado em Antropologia e Ciência da religião (FAVENI-MG). Historiador pela Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU-SP). e-mail: [email protected]

2 No ano de 1818, o inglês George March arrendou a fazenda de Sant'Anna do Paquequer e as quatro sesmarias em seu entorno, e rebatizou com seu nome a localidade, que ficava na Região Serrana fluminense, onde hoje estão as cidades de Teresópolis e Guapimirim (Pereira, 2016).

3 2º da Lei no 6.766, de 1979, define gleba como sendo "o terreno que não foi objeto de parcelamento aprovado ou regularização em cartório". Em assim sendo, todo o terreno que tenha sido objeto de parcelamento deixa de ser gleba, passando a ser lote. Mv153-99 – Planalto (L6766, 1979).

4 O sistema de meeiros era comum em áreas rurais onde não havia acesso fácil à propriedade da terra por parte dos trabalhadores, seja por motivos legais, como após a promulgação da Lei de Terras em 1850 no Brasil, ou por falta de recursos financeiros para adquirir terras próprias. Os meeiros representavam uma forma de utilização da terra em que o proprietário fornecia o terreno e, em troca, os trabalhadores realizavam as atividades agrícolas necessárias para o cultivo (Pinho, 2018).

5 O Estado Novo foi o período em que Getúlio Vargas governou o Brasil, entre 1937 até 1945, de forma ditatorial, concedendo benefícios aos trabalhadores e se aproximando deles. O Estado Novo foi o período em que Getúlio Vargas governou o Brasil logo após um golpe de Estado, em 10 de novembro de 1937. Foi caracterizado pela centralização do poder, nacionalismo, anticomunismo e por seu autoritarismo. É parte do período da história do Brasil conhecido como Era Vargas. (D'araujo, 2000).