GHEMAT-BRASIL, UBIRATAN D’AMBROSIO, CEMAT E APUA EM PESQUISAS DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

GHEMAT-BRASIL, UBIRATAN D’AMBROSIO, CEMAT, AND APUA IN RESEARCH ON THE HISTORY OF MATHEMATICS EDUCATION

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/792464061

RESUMO
Este texto empenha-se em apresentar resultados parciais de uma pesquisa de pós-doutoramento em curso e elege o GHEMAT-BRASIL, o CEMAT e APUA como objeto de pesquisa. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de cunho histórico-documental, que envolve a procedimentalização de ler, selecionar, anotar e analisar documentos à luz de procedimentos metodológico epistolar. Interessa-nos saber: como o GHEMAT-Brasil, constitui uma referência para o desenvolvimento de pesquisas no campo da História da Educação Matemática, considerando as contribuições de Ubiratan D’Ambrosio e as possibilidades investigativas de fontes documentais no CEMAT e no APUA? O referencial teórico, dialoga com a maestria do grupo de historiadores franceses Marc Bloch, Roger Chartier, Michel de Certeau, Jacques Le Goff, Peter Burke considerados os epítetos de Nouvelle Histoire. e, do grupo de pesquisadores brasileiros ghematianos, como Wagner Valente, Neuza Bertoni, Luciane Bertini, Iran Mendes, David Costa, da Educação Matemática, que fazem uso de métodos e técnicas aplicados à análise histórica na produção de novos saberes. Resultados preliminares apontam a produção científica, a articulação de pesquisadores, a trajetória intelectual e institucional de D’Ambrosio e as correspondências epistolares como fundamentais para o processo histórico de constituição do campo da História da Educação Matemática.
Palavras-chave: GHEMAT-Brasil; Ubiratan D’Ambrosio; CEMAT; APUA; História da Educação Matemática.

ABSTRACT
This text presents partial results from an ongoing postdoctoral research project focusing on GHEMAT-BRASIL, CEMAT, and APUA. It is a qualitative, historical-documentary study involving the processes of reading, selecting, annotating, and analyzing documents through the lens of epistolary methodological procedures. The study seeks to answer the following question: How does GHEMAT-Brasil serve as a reference for research in the field of the History of Mathematics Education, considering the contributions of Ubiratan D’Ambrosio and the research potential of documentary sources held at CEMAT and APUA? The theoretical framework engages with the work of prominent French historians—such as Marc Bloch, Roger Chartier, Michel de Certeau, Jacques Le Goff, and Peter Burke (associated with the *Nouvelle Histoire*)—as well as Brazilian researchers from the GHEMAT group in Mathematics Education—such as Wagner Valente, Neuza Bertoni, Luciane Bertini, Iran Mendes, and David Costa—who employ methods and techniques of historical analysis to generate new knowledge. Preliminary results indicate that scientific output, researcher networking, D’Ambrosio’s intellectual and institutional trajectory, and epistolary correspondence are fundamental to the historical process of establishing the field of the History of Mathematics Education.
Keywords: GHEMAT-Brasil; Ubiratan D’Ambrosio; CEMAT; APUA; History of Mathematics Education.

1. INTRODUÇÃO

Este texto apresenta resultados parciais de uma pesquisa de pós-doutoramento em curso intitulada GHEMAT-Brasil, Ubiratan D’Ambrosio, CEMAT e o APUA em pesquisas da História da Educação Matemática. Emergiu nos debates e reflexões do Grupo de Pesquisa de História da Educação Matemática – SP (GHEMAT-SP) a partir do projeto coletivo de pesquisa de maior amplitude em desenvolvimento. Interessa-nos, saber: como o GHEMAT-Brasil, constitui uma referência para o desenvolvimento de pesquisas no campo da História da Educação Matemática, considerando as contribuições de Ubiratan D’Ambrosio e as possibilidades investigativas de fontes documentais no CEMAT e no APUA?

Essa questão é a tônica que norteia o percurso investigativo da pesquisa. A resposta à questão vem sendo construída a partir da empiria desta pesquisa, onde, utiliza-se as cartas (missivas), correspondências epistolares de Ubiratan D’Ambrosio dispostas no APUA do Centro de Documentação do GHEMAT-Brasil (Santos-SP), como fontes históricas. Segundo Valente (2013), o pesquisador da Educação Matemática tem por ofício,

[...] saber como historicamente foram construídas representações sobre os processos de ensino e aprendizagem da Matemática e de que modo essas representações passaram a ter um significado nas práticas pedagógicas dos professores em seus mais diversos contextos e épocas [...] (Valente, 2013, p. 26).

O excerto acima, nos coloca em sintonia com o historiador Jacques Le Goff que, ao prefaciar a obra de Marc Bloch interroga sobre a organização de uma pesquisa histórica: como organizar o procedimento e a exploração dessa observação histórica? Le Goff, advoga, que tal processo se dar através do estabelecimento de “guias técnicos, inventários, repertórios, transmissão de testemunhos, aos encontros entre historiadores, às trocas de informações, a tudo que chamamos hoje de comunicação em história” (Le Goff, 2013 apud BLOCH, 2001, p.21).

Nesse investigativa reside as opções teórico-metodológicas que coloca em relevo a Nova História Cultural (NHC), atualmente História Cultural, como status epistemológico arraigados nos modos da História da educação matemática-Hem que dialoga com a maestria de dois grupos: os historiadores franceses e pesquisadores brasileiros ghematianos da História da Educação Matemática. Com essa dupla escolha, somado as contribuições da epistolografia poder-se-á captar elementos mobilizadores para responder à pergunta geratriz da pesquisa.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Base Teórica da Pesquisa Epistolar – Imersão no Campo Investigativo

Nesta seção, apresentamos à caixa de ferramentas de conceitos e procedimentos a partir da maestria de dois grupos: i) primeiro: o grupo de historiadores franceses (Marc Bloch, Roger Chartier, Michel de Certeau, Jacques Le Goff, Peter Burke) considerados como epítetos de Nouvelle Histoire: ii) segundo: o grupo de pesquisadores brasileiros ghematianos (Wagner Valente, Neuza Bertoni, Luciane Bertini, Iran Mendes, David Costa) da História da Educação Matemática que fazem uso de métodos e técnicas aplicados à análise e interpretação histórica na produção de novos saberes. Logo, interessa-nos examinar e dissecar os egodocumentos do APUA: o que e o como é dito e refletido na prática. Isso interessa, para dizer que algumas ferramentas conceituais e procedimentais ainda serão produzidas e analisadas durante o percurso desta investigação.

De início (do grupo de historiadores franceses) trazemos como contributo, dois de seus principais expoentes da geração dos Annales: Roger Chartier e Michel de Certeau, ambos em consonância com o sociólogo Pierre Bourdieu. Roger Chartier, historiador francês advoga que o conceito História Cultural, tal como a entendemos, “tem por principal objeto identificador o modo como em diferentes lugares e momentos uma determinada realidade cultural é construída, pensada, dada a ler” (Chartier, 1990, p.17). Chartier, acrescenta, que as representações, inserem-se “em um campo de concorrência e de competições cujos desafios se enunciam em termos de poder e de dominação. O modelo de Chartier é atravessado pela noção de poder e, tem à sua entrada outra noção primordial. “Apropriação”, conjuntamente com as noções de “representação” e de “prática”, constitui precisamente a perspectiva de História Cultural desenvolvida por Roger Chartier, que nos dizeres do próprio historiador francês procura compreender as práticas que constroem o mundo como representação (Chartier, 1990, 27-28).

Michel Jean Emmanuel de la Barge de Certeau, ou simplesmente Michel de Certeau nasceu em maio de 1925, em Chambéry, na Savoia francesa, historiador jesuíta, epistemólogo, psicanalista do fazer história, conforme definição de Diana Gonçalves Vidal (2005). Na historiográfica, Certeau, possuía uma característica inimitável de atravessar as fronteiras entre os campos do saber e provar que o lugar onde ela se produz é capaz de compreender o passado. Como professor-pesquisador, Certeau, transitou por múltiplos caminhos já percorridos por pensadores, optou, por explorar novas fronteiras entre campos de conhecimentos, espaços-tempos diversos, novos objetos de estudo e procedimentos metodológicos, a partir de sua obra: a escrita da história ou operação historiográfica. Certeau (1982) destacou que a operação historiográfica, remete a combinação do lugar social, das práticas científicas e de uma escrita, “[...] toda pesquisa historiográfica se articula com um lugar de produção sócio-econômico, político e cultural (Certeau, 1982, p. 66).

No segundo grupo de pesquisadores, destaca-se os brasileiros Wagner Valente e Neuza Bertoni, do GHEMAT-Brasil, que, em pesquisas da História da Educação Matemática se destacaram com o uso de métodos e técnicas aplicados à análise e interpretação histórica na produção de novos saberes.

Nessa imersão historiográfica, destaca-se o Centro de Documentação do GHEMAT-Brasil sob a égide do professor-pesquisador Wagner Valente que ganha relevo com contributos de pesquisas em perspectiva histórica voltado a estudos de

“[...] processos e dinâmicas que estiveram presentes na configuração de saberes que possibilitaram a instalação de comunidades científicas como a Sociedade Brasileira de História da Matemática, a Sociedade Brasileira de Educação Matemática e os grupos mobilizados em torno da Etnomatemática” (Valente, 2023, p.4).

No excerto, acima, Valente (2023), traz para o centro da discussão “saberes” que ganha conotação em três diferentes grupos de pesquisa em torno do APUA – Arquivo Pessoal de Ubiratan D’Ambrosio. São eles: o GPSEM – Grupo de Pesquisa Práticas Socioculturais e Educação Matemática (UFPA), o GEPEm – Grupo de Estudos e Pesquisas em Etnomatemática (FE-USP) e o GHEMAT Brasil – Grupo Associado de Estudos e Pesquisas em História da Educação Matemática (Valente, 2023). Essa tríade de grupo (GPSEM – GEPEm – GHEMAT Brasil), tem no APUA, o lugar, ou seja, o laboratório da produção de análise científica que envolvem processos e dinâmicas na produção de novos saberes (Valente, 2023, p. 3).

Desse modo, as pesquisas epistolares alinhadas ao Centro de Documentação do GHEMAT Brasil, ganham materialidade nos artigos: (1) El Centro de Documentación GHEMAT-Brasil como laboratório de investigación: APUA – Archivo Personal D’Ambrosio Y su correspondência epistolar, de autoria de Valente (2023), que, esclarece sobre pesquisas no APUA. O autor, pondera, destacando os arquivos pessoais do Centro de Documentação do GHEMAT-Brasil - enfatiza a importância desse tipo de pesquisa para Hem - e tece considerações sobre as correspondências epistolares do personagem ao qual o arquivo pertence; (2) Arquivo Pessoal Ubiratan D’Ambrosio (APUA): desvelando a transdisciplinaridade, de autoria de Pereira e Valente (2023), apresenta um recorte da pesquisa de estágio pós-doutoral, no âmbito da História da educação Matemática, revela processos e dinâmicas de sistematização de saberes da Educação Matemática no Arquivo Pessoal de Ubiratan D’Ambrosio que culminaram com as cartas epistolares;

Ainda sobre pesquisas acerca do APUA do GHEMAT-Brasil, destaca-se, a Conferência do professor-pesquisador Wagner Valente, em Costa Rica, no VII CIHEM, com título, o APUA – Arquivo pessoal Ubiratan D’ Ambrosio – documentos para a História da educação matemática. Na oportunidade, Valente provocou os pesquisadores de diversos países a refletirem sobre a relevância de Arquivos Pessoais e do APUA com suas nuances no que diz respeito aos processos de elaboração de novos saberes a partir da História da Educação Matemática.

3. METODOLOGIA

3.1. Metodologia Epistolar a Partir da Procedimentalização: Ler, Selecionar, Anotar e Analisar Documentos

Chegamos à pedra de toque da pesquisa: as escolhas teórico-metodológicas. Nesta asserção trazemos Valente (2007) com o seguinte questionamento: “qual o método seguir”? alude acentuar que o ofício do historiador consiste em construir os fatos históricos a partir de pistas, traços e rastros deixados no presente pelo passado (p.31). O próprio Valente (2007) na obra História da Educação Matemática: interrogações metodológicas, parafraseando o professor e historiador francês Prost se mune de subsídios para fundamentar que no ensino os fatos estão todos prontos, constituídos, contudo, na pesquisa, urge construí-los, ultrapassando relações ingênuas, românticas e memorísticas realizadas noutros tempos, isto, impera ser a especificidade do historiador da educação matemática em produzir fatos históricos, mais, precisamente relativos ao ensino de matemática (Valente, 2007, p.31-32).

Portanto, trata-se de uma pesquisa qualitativa em uma perspectiva histórico-documental que envolve a procedimentalização de ler, selecionar, anotar e analisar documentos com vista a um percurso metodológico epistolar a ser explorado gradualmente das missivas epistolares que comporá o corpus (latim; plural corpora) da pesquisa. De pronto, o estudo se filia no projeto de pesquisa do GHEMAT-Brasil que mobilizou referenciais teóricos do grupo de historiadores franceses (Marc Bloch, Roger Chartier, Michel de Certeau, Jacques Le Goff, Peter Burke) considerados como epítetos de Nouvelle Histoire e do grupo de pesquisadores brasileiros ghematianos (Wagner Valente, Neuza Bertoni, Luciane Bertini, Iran Mendes, David Costa) da História da Educação Matemática que fazem uso de métodos e técnicas aplicados à análise e interpretação histórica na produção de novos saberes. Esses teóricos foram lentes para a leitura da empiria desse estudo.

Nesse movimento, também, foi necessário o ir-vir no Centro de Documentação do Ghemat-Brasil para referenciar o lugar de onde se escreve: o APUA, objetivando inventariar as cartas para compreender a história desse personagem Ubiratan D’Ambrosio e suas nuances no campo da Educação, História da Educação Matemática e Educação Matemática como disposto na seção seguinte.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1. Ubiratan D’Ambrosio: História de Formação e Atuação Profissional Inter (Nacional)

Ubiratan D’Ambrosio, nasceu em 8 de dezembro de 1932 e faleceu em 12 de maio de 2021, na cidade de São Paulo. Viveu sua infância em bairros tradicionais da região central da cidade (Brás, Belenzinho e Bom Retiro). Seus pais Nicola e Albertina D’Ambrosio, ele Professor de Matemática e Advogado e ela Técnica em Ciências Contábeis. Foi matemático de formação, historiador da matemática e educador matemático, tem seu nome fincado nas credenciais a nível mundial como incomensurável, pelo legado profissional-científico-bibliográfico. Ubiratan D’Ambrosio inicia sua trajetória acadêmica na Universidade de São Paulo (USP), nos anos de 1955, onde obteve o Bacharelado e a Licenciatura em Matemática. Em 1963, concluiu seu doutorado na área de Matemática Pura. No mesmo ano deu seus primeiros passos na docência. Ubi, como era conhecido entre amigos, tem sua estadia e atuação profissional inter (nacional) entre os anos de 1964-1972.

Ubiratan D’Ambrosio, foi laureado com honrarias e prêmios por suas contribuições nas áreas da Educação e Matemática, como por exemplo: em 1978, recebeu o prêmio Nobel da Paz. Em 1995, na Unicamp, recebeu o título de Professor Emérito. Em 2001, ganhou o prêmio Kenneth O. May, da Comissão Internacional da História da Matemática. Em 2005, recebeu a medalha “Felix Klein” da Comissão Internacional de Instrução Matemática, considerado o maior reconhecimento na área da Educação Matemática (Coll, 2021, on line). D’Ambrosio, retornou ao Brasil (1972) a convite do professor e reitor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Zeferino Vaz (1908-1981), para assumir a direção do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (IMECC) (Valente, et al., 2025).

4.2. GHEMAT, CEMAT e APUA na Constituição do Campo da Educação Matemática

4.3. GHEMAT-Brasil (Grupo de Pesquisa de História da Educação Matemática no Brasil)

A história do GHEMAT (Grupo de Pesquisa de História da Educação Matemática), (www.ghemat.com.br) começa em 2000 no Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), sob presidência de Wagner Rodrigues Valente com o incentivo do professor Ubiratan D’Ambrosio, e ao longo do tempo, foi reunindo pesquisadores de outras universidades da federação brasileira para desenvolvimento de projetos colaborativos no âmbito da História da educação matemática. Foi transladado da PUC/SP (2008), a um novo espaço, cedido por uma escola privada, localizada na zona oeste de São Paulo, município de Osasco. D’Ambrosio, àquela época, fez doações de materiais, documentos e livros, corroborando na transformação do APUA em um acervo de destaque no Brasil.

Em 2018, o GHEMAT-Brasil-Grupo Associado de Estudos e Pesquisa sobre História da Educação Matemática, foi criado e, com ele, eleita a /primeira diretoria conforme Estatuto, Art.4º (REGULAMENTO, 2018).

Em 2021, com o falecimento de Ubiratan D’Ambrosio, sua esposa, Dona Maria José, entrou em contato com o Centro e fez novas e volumosas doações da documentação de seu esposo, triplicando em volume o material já existente.

Em 2022, o espaço anteriormente cedido ao Centro de Documentação foi requisitado pela escola privada onde os acervos estavam guardados. O GHEMAT-Brasil, então, buscou um novo lugar, desta vez não provisório, sendo adquirido um grande espaço no município de Santos-SP (Valente, 2020).

4.4. CEMAT- Centro de Memória Científica e Pedagógica do Ensino de Matemática

O Centro de Memória Científica e Pedagógica do Ensino de Matemática (CEMAT) do GHEMAT-Brasil (https://www.cemat-ghemat.com) com sede em Santos, litoral do estado de São Paulo, constituído no ano 2000 teve sua nova versão inaugural em maio de 2023. Reuniu pesquisadores e pesquisadoras da Educação e Educação Matemática de universidades brasileira do Norte e Nordeste, Sul e Sudeste e Centro Oeste para participar das palestras, oficinas pedagógicas, roda de conversas, etc., no XXII Seminário Internacional e no II Encontro de Arquivos Pessoais.

Atualmente, o CEMAT reúne cerca de trinta arquivos pessoais de matemáticos e educadores matemáticos brasileiros, destacando exponencialmente, os acervos de Ubiratan D’Ambrosio, Euclides Roxo, Oswaldo Sangiorgi, Luis Imenes, Neuza Bertoni, Amabile Mansutti, Lydia Lamparelli, Lucia Varella, Lourdes Onuchic, Jairo Bezerra (outros). Tais acervos encontram-se em pleno processo de reorganização, com auxílios financeiros vindos da FAPESP –Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo e do CNPq –Conselho Nacional de Pesquisas. Esses apoios mostram-se fundamentais para compras de papéis especiais que auxiliam a preservação documental, caixas próprias para abrigo dos materiais, além de outros elementos importantes para a higienização e guarda dos acervos (Valente, 2020).

4.5. APUA-Arquivo Pessoal de Ubiratan D’Ambrosio

Os documentos do Arquivo Pessoal de Ubiratan D’Ambrosio (APUA), foram doados em vida pelo o professor Ubiratan D’Ambrosio ao Centro de Documentação, atualmente, CEMAT. Os primeiros lotes (I e II) de doação, constituíram o APUA (fase I e fase II) seguido do lote III (fase III) doados em vida por Ubiratan D’Ambrosio. Os pesquisadores brasileiros, europeus e americanos em suas pesquisas no campo da Educação Matemática narram o APUA como o lugar de guarda para essa massa documental com foco na análise da produção de novos saberes. O APUA, organizado pelo GHEMAT, permite rastrear a correspondência e as conexões de D’Ambrosio entre os anos de 1960 e 1970, postos-chave permitem pesquisar os bastidores e os projetos de institucionalização da Educação Matemática como área de pesquisa no Brasil (Valente, 2020; 2025).

De forma conjunta, GHEMAT-CEMAT-APUA desempenham um papel relevante na constituição da História da Educação Matemática no Brasil, ao atuar como um espaço de produção e circulação de saberes que investiga práticas, processos e dinâmicas que envolvem formação docente e intercâmbio na pesquisa coletiva para o fortalecimento do campo como área de investigação científica.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A questão-problema que conduziu o texto: como o GHEMAT-Brasil, constitui uma referência para o desenvolvimento de pesquisas no campo da História da Educação Matemática, considerando as contribuições de Ubiratan D’Ambrosio e as possibilidades investigativas de fontes documentais no CEMAT e no APUA? sinalizou que a articulação desses elementos possibilita examinar as relações entre pesquisa científica, preservação documental, trajetórias acadêmicas e circulação de saberes considerando as especificidades históricas e institucionais de cada objeto. Percebe-se um cabedal de respostas. Contudo, nesse primeiro movimento, buscou-se tracejar um fio condutor entre as teorizações dos autores, além, de amealhar documentos no APUA do CEMAT para compreender as possibilidades de contribuição do GHEMAT-Brasil para a investigação histórica da Educação Matemática. A confirmação dessas contribuições dependerá da análise efetiva do corpus e da verificação documental das relações entre os elementos estudados. Sua contribuição consistirá em produzir uma análise historicamente fundamentada, sustentada por fontes verificáveis e procedimentos metodológicos elaborados assegurando rigor na construção dos argumentos.

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1 Docente do Departamento de Educação/Pedagogia Licenciatura da Universidade Estadual do Maranhão-UEMA Campus Barra do Corda. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail