GESTÃO HOTELEIRA NO RIO DE JANEIRO – A QUALIDADE DO ATENDIMENTO COMO FATOR DE CRESCIMENTO EMPRESARIAL


REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10460176


Filipe Luiz de Abreu Sales1
Lohayne Alves Monteiro Jesus2
Ricardo Nascimento Ferreira3


1. INTRODUÇÃO

O segmento hoteleiro, desde sua criação até os dias de hoje, tem se qualificado em vários requisitos, onde uma parcela de diferentes segmentos e classificações de hotéis estão à disposição no mercado. Seu início aconteceu na Grécia Antiga devido aos Jogos Olímpicos se aliando com o começo do turismo pelo mundo, e em consequência dando origem a uma alternativa de lazer que passa ser a visitação de novos lugares. Porém os serviços de hotelaria se desenvolveram com a expansão do Império Romano em razão dos percursos entre as cidades que se tornaram cada vez maiores e, desta forma, buscavam-se abrigos ao longo do caminho até o destino.

A Revolução Industrial foi um marco na história, constituindo-se em uma grande revolução social que proporcionou avanços em todas as áreas da sociedade, com isso a forma de hospedaria torna-se um processo com diferentes necessidades e os hotéis deveriam atender a variadas demandas dos hóspedes que os procuravam, seja por questões de saúde, lazer ou trabalho.

O início da linha férrea no Brasil trouxe os primeiros relatos de serviços ligados a hospedagem nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, provenientes do grande fluxo dos portos brasileiros e com forte influência da Revolução Industrial da Europa. A Igreja Católica também atuou neste cenário oferecendo alojamentos para visitantes e hóspedes, prática que se manteve por muitos anos. Grandes construções de hotéis começam a surgir no Brasil com características europeias na arquitetura, culinária e serviços de atendimento aos clientes e visitantes.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 A História da Hotelaria no Mundo

A origem da hospedagem aponta para os Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, em meado no ano de 776 a.C. O evento era de grande importância na sociedade gerando um forte crescimento do iniciante turismo mundial e deslocando milhares de pessoas à Grécia, onde as competições duravam dias. Com os jogos olímpicos surgem também os percursos turísticos, onde percebeu-se então a necessidade de uma hospedaria, com o passar do tempo e aumento desordenado de visitantes à cidade antiga. Sendo assim, a primeira edificação nesse contexto foi construída com cerca de 10 mil metros quadrados tendo objetivo de abrigar os visitantes (VENTURA, 2017; MELLO, 2005 apud MOTTA, 2019).

Com a expansão do Império Romano, surgiu o aumento do serviço em hotelaria, onde as pessoas criaram o hábito e a necessidade de se hospedar em locais que não fossem sua residência, inicialmente com as construções de estradas que ligavam as cidades. Tais vias foram se expandindo com o passar dos anos e cidades surgiram cada vez mais afastadas do centro romano. A comunicação era realizada através de correspondências naquela época, sendo que o governo possuía um encarregado do correio que tinha como atribuição levar e buscar correspondências. Porém, isso criou a necessidade de hospedar colaboradores já que a distância era muito grande. (VENTURA, 2017; MELLO, 2005 apud MOTTA, 2019).

Logo após, no período feudal, com o início do Cristianismo e por se tratar de uma religião que prega o cuidado ao próximo, começa a existir uma melhor segurança dos residentes quanto aos viajantes que se hospedavam em suas casas ou pousadas, assim como também dos clientes quanto ao lugar que estariam. Nessa época, os castelos e mosteiros tiveram grande relevância para os serviços de hotelaria, colocando a disposição local para alimentação, respouso e banho, sendo serviços oferecidos de boa vontade em forma de caridade sem cobrança a quem utiliza-se. (VENTURA, 2017; MELLO, 2005 apud MOTTA, 2019).

Houve um alto nível de melhorias, renovações e incrementos na sociedade com a Revolução Industrial e a chegada das vias férreas, sendo assim os pequenos donos de pousadas não conseguiam oferecer um serviço com maior qualidade, tendo muitos que fechar as portas. Nessa época, os meios de transporte estavam cada vez mais acelerados e completos, seja por trens ou navios, diminuindo assim a necessidade de um lugar no meio do caminho ou itinerários, pois o grande tempo em viagem haviam diminuído. Com isso, hotéis e pousadas foram construídos ao entorno das estações de trens e cidades portuárias e não mais ao longo das estradas e afastadas do centro urbano, onde os meios de hospedagem tiveram que se adaptar à nova fase. (VENTURA, 2017; MELLO, 2005 apud MOTTA, 2019).

Dessa forma, iniciou-se o turismo, com o aumento e expansão das vias férreas na Europa que gerou um enorme fluxo de visitantes e o aumento significativo de hotéis, pois muitas pessoas comecaram a viajar não somente por necessidade, mas também por lazer. Outro ponto importante é que, com a diminuição das distâncias entre cidades, o turismo não se manteve apenas no perímetro regional e os deslocamentos começaram a ser feitos a nível mundial, atravessando fronteiras e oceanos. A grande precursora no desenvolvimento da hotelaria foi a Europa, onde se destacam a Inglaterra e França, considerado o pioneiro como hoteleiro o suíço César Ritz, marcando a história da hotelaria no século XIX com a remodelação em 1870, sendo posteriormente o primeiro estabelecimento no âmbito hoteleiro em Paris. (VENTURA, 2017; MELLO, 2005 apud MOTTA, 2019).

As inovações das primeiras hotelarias planejadas foram os banheiros privativos em cada quarto e a uniformização dos funcionários. A imagem abaixo mostra o Hotel Ritz, primeira instalação de um hotel na Europa, logo seguido, ainda no final do século XIX, por uma nova potência com grandes valores de qualidade e modernização, os Estados Unidos da América (VENTURA, 2017; MELLO, 2005 apud MOTTA, 2019).

Figura 1. A) Fachada Hotel Ritz / B) Acomodação do Hotel Ritz