GESTÃO DA QUALIDADE NA EDUCAÇÃO: CAMINHOS PARA A EFETIVAÇÃO DA EXCELÊNCIA INSTITUCIONAL
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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18776631
Rafaela Nascimento Pereira de Souza1
RESUMO
A gestão da qualidade nas instituições educacionais configura-se como um desafio permanente diante das exigências contemporâneas por excelência nos processos e nos resultados educacionais. Esta pesquisa tem como objetivo compreender de que modo é possível promover qualidade em uma instituição educacional a partir de práticas gestoras eficientes, participativas e orientadas à melhoria contínua. Considera-se que a qualidade educacional abrange não apenas os resultados de aprendizagem dos estudantes, mas também aspectos estruturais, organizacionais e humanos que compõem o ambiente escolar. A análise fundamenta-se em três estudos referenciais que evidenciam a relevância de práticas gestoras voltadas à participação democrática, ao desenvolvimento científico e à inovação educacional. Os resultados indicam que a integração entre ações administrativas e pedagógicas, o fortalecimento da comunicação interna e externa, o investimento na formação continuada dos profissionais e o incentivo ao envolvimento da comunidade escolar contribuem de forma significativa para a consolidação da qualidade institucional. Conclui-se que a gestão da qualidade, quando implementada de forma sistemática e participativa, constitui um pilar essencial para a promoção de uma educação transformadora e eficaz.
Palavras-chave: Gestão educacional. Qualidade na educação. Instituições escolares. Inovação pedagógica. Participação democrática.
ABSTRACT
Quality management in educational institutions has become an ongoing challenge in light of contemporary demands for excellence in educational processes and outcomes. This study aims to understand how quality can be promoted in an educational institution through efficient, participatory management practices oriented toward continuous improvement. Educational quality is understood as encompassing not only students’ learning outcomes but also structural, organizational, and human factors that shape the school environment. The analysis is based on three reference studies that highlight the relevance of management practices that value democratic participation, scientific development, and educational innovation. The results indicate that the integration of administrative and pedagogical actions, the strengthening of internal and external communication, investment in the continuing professional development of staff, and the encouragement of community involvement contribute significantly to the consolidation of institutional quality. It is concluded that quality management, when implemented in a systematic and participatory manner, constitutes an essential pillar for the promotion of transformative and effective education.
Keywords: Educational management. Quality in education. School institutions. Pedagogical innovation. Democratic participation.
1. INTRODUÇÃO
A busca pela qualidade na educação tem se consolidado como uma das principais preocupações das instituições educacionais contemporâneas, em todos os níveis de ensino. Em um cenário marcado por profundas transformações sociais, tecnológicas e culturais, a educação assume papel estratégico no desenvolvimento social, econômico e humano, o que impõe às instituições educacionais a necessidade de repensar suas formas de organização, gestão e atuação. Nesse contexto, a qualidade educacional não pode ser compreendida apenas a partir de indicadores quantitativos de desempenho, mas deve ser analisada de maneira ampla, considerando os aspectos pedagógicos, administrativos, organizacionais e humanos que influenciam diretamente o processo de ensino e aprendizagem (FIALHO, 2010).
A literatura especializada aponta que a gestão educacional exerce influência direta na consolidação de ambientes escolares capazes de promover aprendizagens significativas e de responder às demandas da sociedade contemporânea. Segundo Fialho (2010), a gestão da qualidade na escola pressupõe planejamento sistemático, acompanhamento contínuo das ações desenvolvidas e participação efetiva dos diferentes atores institucionais. Dessa forma, a qualidade passa a ser entendida como um processo construído coletivamente, sustentado por práticas gestoras que articulam objetivos pedagógicos, administrativos e sociais.
No âmbito da educação superior e das instituições educacionais de forma geral, Franco, Afonso & Bordignon (2012) ressaltam que a gestão educacional voltada à qualidade deve integrar, de maneira indissociável, a investigação científica, a inovação educacional e o compromisso institucional com a formação integral dos sujeitos. Para os autores, a gestão universitária e escolar precisa assumir uma postura proativa diante das mudanças, promovendo ações que favoreçam a melhoria contínua dos processos institucionais e o fortalecimento do papel social da educação. Essa perspectiva evidencia que a qualidade não se restringe ao produto final do processo educativo, mas envolve o percurso formativo, as condições institucionais e as relações estabelecidas no ambiente educacional.
Apesar dessas contribuições teóricas, observa-se que a implementação de práticas efetivas de gestão da qualidade ainda enfrenta desafios significativos no cotidiano das instituições educacionais. Selva (2024) destaca que, embora os princípios da gestão democrática, da participação coletiva e da inovação pedagógica sejam amplamente reconhecidos, muitas instituições apresentam dificuldades para operacionalizá-los de forma consistente e contínua. Essa realidade revela a existência de fragilidades na articulação entre o discurso teórico e as práticas gestoras efetivamente desenvolvidas, especialmente no que se refere à integração entre ações administrativas e pedagógicas, à valorização dos profissionais da educação e ao envolvimento da comunidade escolar nos processos decisórios.
Nesse sentido, torna-se relevante aprofundar a compreensão sobre como a gestão da qualidade pode ser promovida de maneira concreta nas instituições educacionais, considerando suas especificidades e contextos de atuação. A problematização que origina esta pesquisa decorre da necessidade de analisar de que forma práticas gestoras eficientes, participativas e orientadas à melhoria contínua podem contribuir para a consolidação de uma cultura institucional comprometida com a qualidade educacional. Trata-se de uma questão que possui aplicabilidade social, uma vez que a melhoria da gestão impacta diretamente a qualidade da educação ofertada e, consequentemente, a formação dos sujeitos envolvidos no processo educativo.
Diante desse contexto, o problema de pesquisa que orienta este estudo pode ser formulado da seguinte maneira: como promover a qualidade em instituições educacionais por meio de práticas gestoras eficientes, participativas e orientadas à melhoria contínua? O objetivo geral do trabalho consiste em compreender de que modo a gestão da qualidade pode contribuir para a construção de uma educação mais eficaz, justa e transformadora, a partir da análise de três estudos referenciais da área. A justificativa desta pesquisa fundamenta-se em sua relevância teórica e prática, ao ampliar a compreensão sobre estratégias de gestão educacional que possam qualificar os processos institucionais, fortalecer a participação da comunidade escolar e promover a melhoria contínua da educação.
2. A GESTÃO DA QUALIDADE COMO PILAR ESTRUTURANTE DA EDUCAÇÃO
A gestão da qualidade nas instituições educacionais configura-se como um pilar estruturante para a garantia de uma formação sólida, ética e socialmente comprometida, assumindo papel central na promoção de transformações educacionais significativas. Em contextos marcados por desigualdades sociais, mudanças aceleradas e demandas educacionais cada vez mais complexas, a simples manutenção da estrutura escolar mostra-se insuficiente para assegurar resultados consistentes. Torna-se necessário adotar práticas de gestão capazes de integrar de forma articulada as diferentes dimensões institucionais, com foco no desenvolvimento humano, na aprendizagem significativa e na excelência dos processos internos.
A consolidação de uma gestão educacional orientada para a qualidade exige um trabalho contínuo e sistemático de planejamento, execução, acompanhamento e avaliação das ações institucionais. Nesse sentido, os gestores precisam assumir uma postura crítica, reflexiva e aberta ao diálogo, promovendo a escuta ativa da comunidade escolar e valorizando a participação dos diversos segmentos envolvidos no processo educativo, como professores, estudantes, familiares, técnicos administrativos e demais colaboradores. Essa participação qualificada contribui para que as decisões institucionais sejam tomadas de maneira coerente com a realidade local, respeitando as especificidades de cada contexto e fortalecendo o protagonismo coletivo.
A qualidade na gestão educacional também está diretamente relacionada à capacidade da instituição de estabelecer metas claras, coerentes e passíveis de acompanhamento. Essas metas devem ser definidas a partir de indicadores que considerem não apenas os resultados de avaliações externas, mas também os processos internos de ensino e aprendizagem, o clima organizacional, a satisfação da comunidade escolar e a efetividade das ações pedagógicas desenvolvidas. A utilização de dados e evidências no processo decisório possibilita ajustes estratégicos e favorece a construção de melhorias sustentáveis e duradouras na educação ofertada.
Outro elemento fundamental da gestão da qualidade refere-se à valorização da formação continuada dos profissionais da educação. Instituições que investem na capacitação permanente de seus docentes e gestores criam condições mais favoráveis para a inovação pedagógica, a resolução de problemas complexos e a adoção de práticas educacionais mais inclusivas e eficientes. Assim, a gestão da qualidade não se restringe à dimensão administrativa, mas deve estar intrinsecamente articulada à dimensão pedagógica, assegurando que os esforços institucionais estejam orientados para a aprendizagem e o desenvolvimento integral dos estudantes.
Além disso, a promoção da qualidade requer a construção de um ambiente organizacional saudável, transparente e democrático. A cultura institucional deve ser fundamentada em valores como respeito, colaboração, compromisso ético e responsabilidade social. Uma gestão comprometida com esses princípios fortalece os vínculos entre os membros da comunidade escolar, estimula o engajamento coletivo e consolida uma identidade institucional orientada para a excelência educacional. A confiança mútua, a comunicação eficaz e a clareza dos objetivos institucionais são elementos essenciais para manter a equipe motivada e comprometida com a melhoria contínua.
Portanto, compreender a gestão da qualidade como um pilar estruturante da educação implica reconhecer seu papel central na construção de instituições mais coerentes, resilientes e preparadas para enfrentar os desafios contemporâneos. Esse modelo de gestão contribui não apenas para a elevação dos resultados educacionais, mas também para a formação de cidadãos críticos, autônomos e socialmente responsáveis, evidenciando que a qualidade educacional se concretiza como um processo coletivo, intencional e contínuo.
2.1. Práticas e Estratégias para Promover a Qualidade na Gestão Educacional
Promover a qualidade na gestão educacional ultrapassa a aplicação de modelos administrativos tradicionais, exigindo a implementação de práticas integradas que envolvam toda a comunidade escolar em um processo permanente de melhoria. Para Selva (2024), a promoção da qualidade está diretamente associada à capacidade da instituição em alinhar gestão e aprendizagem, por meio de ações planejadas que favoreçam tanto a elevação dos indicadores educacionais quanto a construção de ambientes institucionais mais humanizados e eficientes.
Entre as estratégias mais relevantes destaca-se a adoção de uma gestão participativa, que reconhece professores, estudantes, gestores e familiares como sujeitos ativos do processo educativo. Essa abordagem democrática, conforme ressalta Fialho (2010), possibilita a descentralização das decisões e favorece a criação de espaços de escuta e deliberação coletiva. O envolvimento direto da comunidade escolar fortalece o sentimento de pertencimento e corresponsabilidade, ampliando o compromisso com a melhoria da qualidade do ensino.
A avaliação institucional também se apresenta como instrumento estratégico no fortalecimento da gestão da qualidade. De acordo com Selva (2024), a avaliação sistemática dos processos e resultados permite identificar fragilidades, orientar o planejamento e subsidiar a tomada de decisões mais assertivas. Nessa perspectiva, a avaliação deixa de ser um mecanismo meramente classificatório e passa a constituir-se como uma ferramenta de aprimoramento das práticas pedagógicas e administrativas. Essa concepção é compartilhada por Franco, Afonso & Bordignon (2012), que defendem a articulação entre qualidade, inovação e reflexão crítica como fundamentos do desenvolvimento educacional.
A formação continuada dos profissionais da educação constitui outro eixo indispensável para o fortalecimento da qualidade institucional. Gestores comprometidos com a excelência devem investir em programas permanentes de capacitação, possibilitando que docentes e equipes técnicas reflitam sobre suas práticas e se atualizem diante das demandas contemporâneas. Conforme destaca Fialho (2010), o engajamento e o envolvimento efetivo dos professores representam desafios que precisam ser enfrentados por meio de políticas de valorização profissional e incentivo à inovação pedagógica.
No que se refere à gestão de recursos, a eficiência e a transparência configuram-se como elementos fundamentais para garantir condições adequadas de ensino e aprendizagem. A utilização responsável dos recursos financeiros e materiais, conforme argumenta Selva (2024), possibilita a implementação de melhorias sustentáveis, desde que orientadas por um planejamento estratégico e participativo. A infraestrutura adequada, associada a uma gestão ética e comprometida, impacta diretamente a qualidade do serviço educacional prestado à comunidade.
Por fim, destaca-se o papel da liderança educacional como mediadora dos processos de transformação institucional. O gestor comprometido com a qualidade deve atuar como articulador, mobilizador e agente de mudança. Fialho (2010) aponta que uma liderança bem exercida contribui para superar resistências internas, ampliar a adesão aos projetos pedagógicos e promover ações alinhadas à realidade da escola. Quando fundamentada em princípios éticos e democráticos, a liderança fortalece um ambiente favorável ao aprendizado e ao desenvolvimento coletivo.
2.2. O Papel da Inovação, Avaliação e Liderança na Consolidação da Qualidade Educacional
A consolidação da qualidade nas instituições educacionais requer atenção especial às dimensões da inovação, da avaliação contínua e da liderança pedagógica. Quando articulados, esses elementos constituem a base para a transformação das práticas institucionais e para a promoção de uma educação socialmente relevante. A qualidade, nesse contexto, deve ser compreendida como um processo sistêmico, que envolve o aprimoramento permanente das práticas, das estruturas organizacionais e das relações humanas.
A inovação educacional configura-se como elemento essencial para impulsionar mudanças metodológicas e estruturais nas instituições de ensino. Conforme destacam Franco, Afonso & Bordignon (2012), a inovação deve ser entendida como um movimento estratégico que articula ciência, investigação, tecnologia e cultura organizacional em favor da melhoria dos processos educativos. Isso implica valorizar metodologias ativas, abordagens interdisciplinares e modelos de gestão que estimulem a criatividade, a autonomia e o pensamento crítico dos estudantes.
Nesse cenário, a avaliação institucional desempenha função estratégica ao atuar como mecanismo de retroalimentação das práticas pedagógicas e administrativas. Segundo Selva (2024), a gestão da qualidade pressupõe o uso contínuo da avaliação como ferramenta de aperfeiçoamento institucional, permitindo identificar fragilidades, redefinir metas e acompanhar a evolução dos processos educacionais. Avaliar, portanto, significa refletir coletivamente sobre o currículo, a formação docente, a gestão de pessoas, os recursos disponíveis e o impacto social da instituição.
Entretanto, para que a avaliação produza resultados efetivos, é necessário que esteja inserida em uma cultura organizacional aberta à mudança. Fialho (2010) ressalta que resistências internas e dificuldades de integração entre os membros da equipe podem comprometer a consolidação da qualidade. Por isso, torna-se fundamental investir na formação ética, política e pedagógica dos profissionais, criando espaços de diálogo e construção coletiva de soluções. Nessa perspectiva, a avaliação deixa de ser um fim em si mesma e passa a constituir uma prática contínua de autoaperfeiçoamento institucional.
A liderança educacional assume, nesse contexto, papel indispensável. Um líder comprometido com a qualidade é capaz de articular diferentes interesses, mediar conflitos e inspirar mudanças significativas. Para Fialho (2010), a liderança na gestão da qualidade deve ser democrática, participativa e descentralizada, orientando e mobilizando a equipe em torno de objetivos comuns. Selva (2024) complementa ao afirmar que a consolidação de um projeto institucional de qualidade exige visão crítica, sensibilidade social e competência técnica por parte da liderança.
Dessa forma, a integração entre inovação, avaliação e liderança revela-se essencial para a consolidação da qualidade educacional. Essas dimensões se complementam em um ciclo contínuo de aprimoramento institucional, no qual a inovação oferece os meios, a avaliação fornece os diagnósticos e a liderança impulsiona as ações. Somente por meio dessa articulação torna-se possível transformar a instituição educacional em um espaço formador, equitativo e alinhado às demandas contemporâneas da sociedade.
3. METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza qualitativa, com abordagem descritiva e analítica, fundamentado em pesquisa bibliográfica. Esse tipo de investigação mostra-se adequado ao objetivo do trabalho, que consiste em compreender de que maneira a gestão da qualidade pode contribuir para a promoção de uma educação mais eficaz, justa e transformadora, a partir da análise de produções científicas consolidadas na área da gestão educacional.
A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida com base na análise de estudos já publicados, permitindo a identificação de conceitos, perspectivas teóricas e contribuições relevantes sobre a temática da gestão da qualidade nas instituições educacionais. Segundo esse delineamento metodológico, o levantamento teórico possibilita a construção de um quadro analítico consistente, capaz de sustentar a discussão do problema de pesquisa e favorecer a compreensão aprofundada do fenômeno investigado.
O universo da pesquisa foi constituído por produções científicas voltadas à gestão educacional e à qualidade na educação. A amostra foi definida de forma intencional, sendo composta por três estudos referenciais amplamente alinhados ao objetivo do trabalho, a saber: Fialho (2010), Franco, Afonso & Bordignon (2012) e Selva (2024). A escolha dessas obras justifica-se por sua relevância teórica, atualidade e contribuição direta para a compreensão das práticas gestoras, da inovação educacional e da gestão da qualidade no contexto educacional.
Como instrumento de coleta de dados, utilizou-se a análise documental, por meio da leitura sistemática e criteriosa das obras selecionadas. O procedimento adotado envolveu a identificação de categorias analíticas relacionadas à gestão da qualidade, tais como: práticas gestoras, participação democrática, inovação educacional, avaliação institucional, formação continuada e liderança educacional. Essas categorias foram definidas a partir do referencial teórico e dos objetivos da pesquisa, orientando a organização e interpretação dos dados.
A análise dos dados ocorreu por meio de uma análise qualitativa interpretativa, buscando estabelecer relações entre os conceitos apresentados nos estudos analisados e o problema de pesquisa proposto. Os dados foram organizados de forma temática, permitindo a comparação das abordagens dos autores e a síntese das principais contribuições teóricas sobre a gestão da qualidade nas instituições educacionais.
Dessa forma, a metodologia adotada forneceu suporte adequado para o alcance dos objetivos do estudo, garantindo rigor científico, coerência teórica e possibilidade de replicação da pesquisa em investigações futuras sobre a temática da gestão da qualidade na educação.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
Os resultados desta pesquisa decorrem da análise qualitativa dos três estudos referenciais selecionados, permitindo identificar convergências teóricas relevantes acerca da gestão da qualidade nas instituições educacionais. A organização dos dados seguiu categorias analíticas relacionadas aos objetivos do estudo, o que possibilitou interpretar de forma integrada os principais elementos que contribuem para a promoção da qualidade educacional. A análise evidencia que a gestão da qualidade se consolida como um processo institucional contínuo, sustentado pela articulação entre práticas administrativas, pedagógicas e participativas.
Os estudos analisados indicam que a integração entre as dimensões administrativa e pedagógica constitui um fator determinante para a eficácia da gestão educacional. Fialho (2010) ressalta que a fragmentação entre esses setores compromete a coerência das ações institucionais e dificulta a consolidação de uma cultura voltada à melhoria contínua. Quando a gestão assume uma postura integradora, alinhando planejamento, acompanhamento e avaliação, torna-se possível fortalecer os processos educacionais e criar ambientes mais organizados e favoráveis à aprendizagem. Essa perspectiva é corroborada por Franco, Afonso & Bordignon (2012), ao destacarem que a qualidade institucional está diretamente relacionada à capacidade da gestão em articular organização administrativa, inovação pedagógica e produção do conhecimento.
Outro resultado expressivo refere-se à centralidade da participação democrática na promoção da qualidade educacional. A análise da literatura evidencia que a participação ativa da comunidade escolar contribui para o fortalecimento dos processos decisórios e para o comprometimento coletivo com os objetivos institucionais. Selva (2024) enfatiza que a gestão educacional de qualidade se efetiva quando professores, estudantes, gestores e demais atores institucionais são reconhecidos como sujeitos do processo educativo. De forma complementar, Fialho (2010) aponta que a descentralização das decisões e a escuta ativa favorecem a construção de soluções mais coerentes com a realidade local, promovendo o sentimento de pertencimento e corresponsabilidade.
A avaliação institucional também se destaca como um elemento estratégico para a consolidação da qualidade. Os estudos analisados indicam que a utilização sistemática da avaliação permite identificar fragilidades, redefinir metas e orientar ações corretivas de forma mais assertiva. Selva (2024) defende que a avaliação deve ser compreendida como um processo formativo e contínuo, voltado ao aprimoramento das práticas pedagógicas e administrativas. Essa concepção é reforçada por Franco, Afonso & Bordignon (2012), ao afirmarem que a avaliação, quando associada à reflexão crítica e à inovação educacional, contribui para a melhoria dos processos institucionais e para o fortalecimento da gestão da qualidade.
Os resultados também evidenciam a importância da formação continuada dos profissionais da educação e da liderança educacional na promoção da qualidade institucional. Fialho (2010) destaca que o envolvimento efetivo dos docentes e gestores depende de políticas de valorização profissional e de oportunidades constantes de desenvolvimento. A formação continuada favorece a reflexão sobre a prática, a adoção de estratégias inovadoras e o fortalecimento do trabalho coletivo. Nesse contexto, a liderança educacional assume papel fundamental ao mobilizar a equipe, mediar conflitos e impulsionar mudanças significativas. Selva (2024) ressalta que lideranças comprometidas com princípios éticos e democráticos contribuem para a consolidação de uma cultura organizacional voltada à qualidade, à participação e à justiça educacional.
De forma sintética, os resultados da análise demonstram que a promoção da qualidade nas instituições educacionais depende de um conjunto articulado de práticas gestoras, envolvendo integração entre gestão administrativa e pedagógica, participação democrática, avaliação institucional, formação continuada e liderança educacional. Esses achados dialogam diretamente com o objetivo do estudo, ao evidenciar que a gestão da qualidade se configura como elemento central para a construção de uma educação mais eficaz, equitativa e socialmente relevante. A discussão apresentada reforça que a qualidade educacional não resulta de ações isoladas, mas de processos institucionais intencionais, coletivos e contínuos, capazes de responder aos desafios contemporâneos da educação.
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo demonstra que a promoção da qualidade nas instituições educacionais depende de uma gestão comprometida com princípios democráticos, inovadores e éticos, capaz de articular de forma integrada as dimensões pedagógica, administrativa e relacional. Os objetivos propostos são atingidos ao evidenciar que a gestão da qualidade constitui um elemento central para a melhoria dos processos educacionais e para o fortalecimento de ambientes institucionais mais participativos, organizados e orientados ao desenvolvimento integral dos sujeitos.
Conclui-se que a gestão educacional de qualidade não se limita à racionalização de recursos ou ao cumprimento de normas institucionais, mas se configura como um processo contínuo de construção coletiva, sustentado pela participação da comunidade escolar, pela avaliação institucional permanente e pela valorização dos profissionais da educação. A pesquisa confirma a suposição de que lideranças democráticas e práticas gestoras participativas contribuem de forma significativa para a consolidação de uma cultura institucional orientada à melhoria contínua e à inovação educacional.
Como contribuição teórica, o trabalho reforça a compreensão da gestão da qualidade como um processo sistêmico e relacional, ampliando o debate sobre sua aplicabilidade em diferentes contextos educacionais. Do ponto de vista prático, oferece subsídios para gestores educacionais refletirem sobre suas práticas e adotarem estratégias mais coerentes com as demandas contemporâneas da educação.
Reconhecem-se como limitações do estudo a natureza bibliográfica da pesquisa e a ausência de dados empíricos diretos, o que restringe a generalização dos achados. Sugere-se, para pesquisas futuras, a realização de estudos de campo que permitam aprofundar a análise das práticas gestoras em contextos específicos, bem como a utilização de metodologias mistas que ampliem a compreensão sobre os impactos da gestão da qualidade no cotidiano escolar.
Dessa forma, conclui-se que investir em uma gestão educacional de qualidade representa um caminho viável e necessário para a construção de instituições educacionais mais justas, eficazes e socialmente relevantes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FIALHO, Lia Machado Fiuza. Avaliando a gestão da qualidade na escola. In: CONGRESSO INTERNACIONAL EM AVALIAÇÃO EDUCACIONAL, 5., Fortaleza, 4-6 nov. 2010. Anais... Fortaleza: Imprece, 2010. p. 1792-1810. FRANCO, M. E. D. P.; AFONSO, M. R.;
BORDIGNON, L. S. Gestão universitária: qualidade, investigação científica e inovação educacional. Revista Gestão Universitária na América Latina – GUAL, p. 83-103, 2012.
SELVA, A. Contribuições da gestão educacional de qualidade: uma ação pedagógica em prática. Revista Tópicos, v. 2, n. 9, p. 1-16, 2024.
1 Discente do Curso de Mestrado em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [email protected].