REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/776937316
RESUMO
O tema desta pesquisa que originou este artigo é formação docente, delimitada no curso de Pedagogia, investigando a díade teoria e prática, por meio das ações extensionistas, na Universidade Estadual de Goiás, de 2016 a 2018. A pesquisa apresenta a problemática “Quais as perspectivas e os limites da relação teoria e prática na formação de professores do Curso de Pedagogia pela extensão universitária?”. Nesse contexto o objetivo geral é avaliar quais as perspectivas e os limites da relação teoria e prática na formação de professores do Curso de Pedagogia, pela extensão universitária, na Universidade Estadual de Goiás, de 2016 a 2018. É uma pesquisa qualitativa e tem como base teórica Gramsci (1979, 1991, 1995, 2000, 2010) e Marx (1979, 1987) sobre emancipação e práxis, também de Vazquez (1968), Saviani (2000, 2007) e Silva (2011, 2015) e; Saviani (2006, 2008, 2009) sobre a universidade brasileira e o curso de Pedagogia. A análise documental fará um mapeamento das ações de extensão em execução nos 14 Câmpus do curso de Pedagogia, da UEG, em seguida a análise dos resumos dos projetos, dos relatórios mensais e final das ações, e seus produtos acadêmicos-científicos. Intenta-se também uma entrevista semiestruturada com os coordenadores das ações, alunas e alunos participantes e observação não participante da execução de ações extensionistas selecionadas intencionalmente, com diário de bordo. Também realizar-se-á como grupo focal um projeto de extensão na instituição a qual a pesquisa de doutorado está vinculada. A pesquisa está em fase gestacional e por isso, aqui serão apresentados somente os dados teóricos.
Palavras-chave: Formação docente; Díade teoria e prática; Extensão Universitária; Curso de Pedagogia.
ABSTRACT
The theme of this research that originated this article is teacher training, delimited in the Pedagogy course, investigating the theory and practice dyad, through extension actions, at the State University of Goiás, from 2016 to 2018. The research presents the problem "What are the perspectives and limits of the relationship between theory and practice in the training of teachers of the Pedagogy Course by university extension?". In this context, the general objective is to evaluate the perspectives and limits of the relationship between theory and practice in the training of teachers of the Pedagogy Course, by university extension, at the State University of Goiás, from 2016 to 2018. It is a qualitative research and has as its theoretical basis Gramsci (1979, 1991, 1995, 2000, 2010) and Marx (1979, 1987) on emancipation and praxis, also by Vazquez (1968), Saviani (2000, 2007) and Silva (2011, 2015) and; Saviani (2006, 2008, 2009) on the Brazilian university and the Pedagogy course. The documentary analysis will map the extension actions being carried out in the 14 Campuses of the Pedagogy course at UEG, followed by the analysis of the project summaries, the monthly and final reports of the actions, and their academic-scientific products. A semi-structured interview with the coordinators of the actions, participating students and non-participating observation of the execution of intentionally selected extension actions is also attempted, with a logbook. An extension project will also be carried out as a focus group at the institution to which the doctoral research is linked. The research is in the gestational phase and therefore, only the theoretical data will be presented here.
Keywords: Teacher training; Dyad theory and practice; University Extension; Pedagogy Course.
INTRODUÇÃO
O objeto da presente pesquisa de doutoramento em educação é a formação de professores, especificamente a formação da pedagoga e do pedagogo. O problema é “Quais as perspectivas e os limites da relação teoria e prática na formação de professores do Curso de Pedagogia pela extensão universitária?”. Delimita-se em investigar a formação do pedagogo levando em consideração a relação teoria e prática, pelas vias da extensão universitária, na Universidade Estadual de Goiás, no período de 2016 a 2018. O objeto pertence à linha “Profissão docente, currículo e avaliação” por abranger discussões: da profissão docente em seu momento de formação; da formação de profissionais para a educação básica; da organização do trabalho pedagógico durante a formação; do currículo e formação de profissionais da educação básica e superior; do currículo e saberes profissionais; dos saberes teóricos e metodológicos do trabalho pedagógico escolar e universitário; bem como das dimensões do processo didático e da relação pedagógica.
Essa abrangência se delineará ao passo que as discussões da extensão universitária traçar seu percurso pela historicização da extensão universitária no Brasil e suas contribuições para a formação do pedagogo, bem como seus reflexos para a atuação desse profissional da educação básica e superior. Um segundo delineamento se efetiva com as discussões da extensão universitária se apresentar como obrigatoriedade curricular na formação do pedagogo, mediante Resolução CNE/CP n. 01/2006 e o PPC do Curso de Pedagogia em análise. Um terceiro delineamento é sobre saberes teóricos e metodológicos do trabalho pedagógico escolar e não escolar que a extensão universitária pode propiciar na formação acadêmica do pedagogo. Um quarto delineamento se estabelece ao considerar que a extensão universitária demanda de um processo didático e de uma relação pedagógica para sua execução, que contribuiu para a formação acadêmica do pedagogo.
METODOLOGIA
Esta pesquisa qualitativa se configura enquanto bibliográfica e empírica. Enquanto bibliográfica terá como corpus teórico a concepção de Gramsci (1979, 1991, 1995, 2000, 2010) e Marx (1979, 1987) sobre emancipação e práxis, tendo contribuição de autores como Vazquez (1968), Saviani (2000, 2007) e Silva (2011, 2015) e; em Saviani (2006, 2008, 2009) sobre a universidade brasileira e o curso de Pedagogia. Seguirá a perspectiva crítico-emancipadora de Silva (2008, 2015) e histórico-crítico-dialético de Saviani (2008) se apresentam como procedimentos metodológicos e tendências educacionais.
Os instrumentos de coleta de dados para a análise da empiria, valer-se-á da análise documental da UEG, mapeando as ações de extensão em execução dos Câmpus, analisando os resumos e projetos, analisando os relatórios mensais e final das ações, bem como analisando os produtos acadêmicos-científicos. Esses dados estão dispostos na Plataforma Pégasus, do sistema de informação da UEG. Acessando a Plataforma, pesquisa-se por ano e por Câmpus, obtendo-se os projetos de extensão por modalidades. Realizar-se-á entrevista semi estruturada com os professores proponentes das ações e participantes destas ações. Haverá diário de bordo das observações não participante de ações extensionistas, escolhidas intencionalmente, mediante avaliação de descritores que configurem a práxis da formação acadêmica. Essa temática é questão de formação de professores e políticas educacionais. Intenta-se também a realização de um projeto extensionista enquanto projeto piloto de um grupo focal, atentando-se para todos os conceitos, elementos, sentidos, limites e possibilidades que o aporte teórico nos apresenta. A vivência com a essa ação extensionista concomitante com as análises das ações extensionistas possibilitará uma maior compreensão das questões apontadas para avaliação.
A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: limites e perspectivas na formação docente
Discutir a formação docente é uma questão social que envolve vários enfoques. Podemos eleger alguns enfoques como políticas educacionais, prática pedagógica, tendências curriculares, trabalho concreto, dentre outras. Perpassando a todas essas questões, precisamos compreender que existem elementos que favorecerem uma formação docente. Um desses elementos defendemos que é a extensão universitária. Como todos os elementos, esse também resvala em vários limites mas, apresenta perspectivas.
A formação docente sofre influência de vários aspectos, com muitos limites mas, também muitas perspectivas. Essa formação ocorre na maioria das vezes nas universidades públicas. As universidades apresentam em seus currículos a efetivação da prática pedagógica embasada no tripé pesquisa, ensino e extensão. Comumente lemos em resultados de pesquisa que a extensão fica a segundo plano.
A universidade brasileira deve ser compreendida como produtora de conhecimento viabilizado pela pesquisa e somente tem sentido se revertido em ensino e em extensão. Caso contrário, é inócua. Uma das características da pesquisa científica é ser útil à sociedade e, para isso seus resultados devem chegar até a comunidade. A pesquisa por meio da publicação científica chega a comunidade acadêmica. Uma forma da pesquisa chegar à comunidade em geral ou as massas é por meio da extensão universitária. A extensão universitária não pode ser vista como uma parte meramente prática da universidade. Ela é envolta de intensidade teórica, advinda da pesquisa ou que propicia a pesquisa.
Como a referida pesquisa de doutoramento que originou este artigo está em período de gestação inicial, a priori infere-se que um dos grandes limites da extensão universitária é a compreensão de sua concepção e sentido de ser. Os atores da extensão universitária, bem como as instituições ofertantes, precisam conhecer o seu conceito e o seu fazer, o seu sentido. Não se pode fazer extensão universitária por fazer. É preciso intencionalidade.
Segundo o Forproext (2012, p. 15) “A Extensão Universitária, sob o princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, é um processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político que promove a interação transformadora entre Universidade e outros setores da sociedade”. Esse conceito de extensão universitária precisa ser bem compreendido para possibilitar a elaboração de um projeto/programa, pois apresenta concepções importantes, tais sejam:
* é um processo | * é educativo | * é cultural | * é político |
* é científico | * é interdisciplinar | * é articulador | * é indissociável |
* é transformador | * é Universidade e Sociedade enquanto relação de ganhos mútuos. |
Comumentemente a extensão universitária é vista como o retorno à sociedade do conhecimento adquirido na academia e muitas vezes ou quase sempre é reflexo de uma ação intervencionista ou assistencialista. A extensão universitária precisa ser compreendida enquanto uma atividade que promove conhecimentos e possibilita condições de mudança na prática social coletiva. A abrangência conceitual da extensão universitária extrapola as barreiras disciplinares e os muros da universidade. Portanto, deveria ser entendida como o elemento constitutivo mais importante do tripé universitário.
A extensão universitária enquanto processo é preciso compreender como atividades contínuas ao longo dos anos de formação inicial. Não é somente processo educativo que pode ser efetivo pelo ensino. Mas, é também cultural que demanda envolvimento social, bem como científico. Isso denota que a extensão universitária é viabilizada pela realização de pesquisa, garantindo o domínio teórico para as atividades ao longo do processo e envolvimento social. Fica explícito que a pesquisa e o ensino, podem acontecer isoladamente. Mas, a extensão para sua efetivação se apresenta como dialógica, ou seja, estabelece diálogo com o ensino e a pesquisa.
A extensão universitária apresenta como diretrizes, segundo o Forproext (2012) a interação dialógica, interdisciplinaridade e interprofissionalidade, indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão, impacto na formação do estudante e, finalmente, impacto e transformação social. O viés que a pesquisa de doutoramento que este texto representa é a formação do estudante, futuro docente. Portanto, a análise é no tocante a perceber os limites e as perspectivas de ocorrer novos processos de aprendizagem e prática social na formação do estudante, por meio da extensão universitária.
Os trabalhos cujo tema é extensão universitária, tem se voltado para compreender como as atividades extensionistas se aplicam na sociedade. Pelo estado da arte que realizamos em 2015, nenhum trabalho foi encontrado, analisando o viés acadêmico. Quanto ao mapeamento realizou-se uma pesquisa avançada, com o descritor no título ou no resumo, “extensão universitária” no portal www.bancodeteses.capes.gov.br. Encontramos 38 registros. Dos 38, 6 foram analisados, pois 32 eram, de áreas outras e assuntos outros. Das 6 pesquisas, 5 eram de mestrado e 1 de doutorado. Após a leitura dos resumos descartamos 3 de mestrado, pois uma era estudo de caso fenomenológico com experimento didático em matemática, outro um estudo de caso tendo como sujeito um professor que realiza ações extensionistas vinculados a pesquisa e ao ensino e a outra era um dispositivo avaliativo.
Dos 3 trabalhos restantes que foram analisados 1 do mestrado discute de maneira teórica sobre a importância da extensão e sua pouca exploração na universidade, defendendo sua relevância para a formação do acadêmico. O outro trabalho de mestrado investigou 14 profissionais de Educação Física que em sua formação participaram de projetos de extensão, constatando várias questões dentre elas que é necessário sedimentar a questão universitária como processo educativo.
O trabalho de doutorado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de 2012, buscou captar o sentido e o significado das experiências extensionistas de professores, estudantes e participantes de comunidades envolvidas. Portanto, conclui-se que nenhuma pesquisa aborda o olhar, tanto teórico quanto empírico, da teoria e prática, pela extensão universitária, na formação de professores, em especial de pedagogos.
Como a perspectiva da pesquisa de doutoramento é a formação docente pelo viés da extensão universitária é preciso considerar o conceito e as diretrizes que o Forproext (2012). Nesse interim, defendemos a extensão enquanto um trabalho que não se realiza de maneira alienante, mas que conduz a compreensão do ser humano em sua totalidade e na sua dimensão ontológica, resgatando a sua dimensão humana. Isso ocorre devido o envolvimento do estudante com a realidade social de seu tempo. Por isso, a extensão universitária é histórica e política. É na prática social com uma intencionalidade clara e com um planejamento adequado para a realidade em questão, que o estudante pode sofrer o impacto em sua formação. Pois, nesse momento, o conhecimento advindo do ensino e da pesquisa serão colocados em prática com intuito de possibilitar condições de um projeto de mudança coletiva.
Celeste (2014) apresenta as concepções de extensão universitária que Silva (1999) discute: a concepção tradicional ou funcionalista que geralmente é assistencialista; a concepção processual que visa o combate do assistencialismo e tenta superar a sua independência, articulando-a com o ensino e a pesquisa e; a concepção crítica, a qual adotamos como defesa. A concepção crítica da extensão universitária, segundo Celeste (2014, p. 5)
Propõe uma visão radical em relação à indissociabilidade. A extensão se faz dentro e com pesquisa e ensino, assim suas ações aparecem dentro dos currículos e nos projetos de pesquisa e pós-graduação, propondo até mesmo que as pró-reitorias de extensão sejam fundidas com pesquisa e ensino. A extensão é necessária para o ensino e a pesquisa cumprirem seus papéis inseridos na realidade da comunidade local [...]
A concepção crítica pode favorecer ainda mais o impacto da formação do estudante. Essa concepção leva em consideração que a extensão está imbricada no ensino e na pesquisa e ganha um cenário da formação inicial e continuada. Esse impacto na formação do estudante extrapola as ações tradicionais e visa uma formação mais consciente de seu papel no mundo e de pensamento crítico, político, histórico e humano. Para isso a extensão universitária deve se estabelecer enquanto uma práxis.
A extensão é uma práxis quando entendida como uma ação transformadora, com bases sólidas, tanto teórica quanto metodológica, visando a emancipação do ser humano. Uma universidade que visa cumprir com seu papel social para além da produção do conhecimento, pela pesquisa, realiza a socialização de suas elaborações, por meio das ações de extensão.
A extensão se define como um vasto conjunto de ações e com uma grande demanda de possibilidades para a formação acadêmica. E realizada principalmente, através de projetos e programas, podendo se expressar por seu conjunto de publicações. A extensão é uma forma de divulgar a conclusão do que foi pesquisado e ensinado, é uma forma de expor o que se alcançou com a pesquisa. Nos documentos legais da UEG a extensão está assim conceituada, segundo o Plano de Desenvolvimento Institucional (2010, p. 28) “A UEG conceitua a extensão universitária como o processo educativo, cultural e científico que articula o ensino e a extensão, de forma indissociável, e viabiliza a relação transformadora entre a Universidade e a sociedade.”.
Sendo um processo educativo, científico e articulado deve ser bem planejado, com base teórica e com a prática metodológica, ou seja, a práxis. A extensão não é prática por prática. A extensão é a prática teorizada. Assim, a extensão é uma ação em que a indissociabilidade teoria e prática acontecem. O acadêmico que realizar ações extensionistas terá uma experiência de práxis acadêmica. Isso contribuirá grandemente para sua formação e atuação profissional.
As contribuições da extensão universitária para a formação dos acadêmicos têm sido discutidas em congressos e explicitadas em documentos e livros, como na Política Nacional de Extensão Universitária, em que a Universidade Estadual de Goiás se embasa para elaborar as suas diretrizes. A UEG apresenta no Plano de Desenvolvimento Institucional (2010, p. 28) que
A participação dos estudantes é um dos pilares das ações que viabilizam a extensão como momento da prática profissional, da consciência social e do compromisso político, devendo ser obrigatória para todos os cursos, desde os primeiros semestres, se possível, e estar integrada a programas decorrentes das unidades acadêmicas e à temática curricular, sendo computada para a integralização do currículo dos discentes.
O que se espera de uma universidade pública que trabalha para a formação docente é que ela cumpra com seu papel social de possibilitar aos futuros docentes uma formação crítica e emancipadora e não mais reprodutora das relações sociais de submissão e opressão. Isso deve estar presente no currículo e pode ocorrer por meio da práxis acadêmica. Discutir o conceito de práxis com autores evidentemente filiados ao marxismo se torna necessário neste momento.
Na concepção de Gramsci (2010, p. 33) as instituições escolares e universidades precisam pensar seus currículos como sendo os norteadores do trabalho concreto que viabiliza a emancipação, assim, “Trata-se, porém, de inovar os métodos, os conteúdos e a organização do estudo com base nas seguintes advertências: uma vinculação mais estreita entre a escola e o trabalho, entre a teoria e a prática; [...]”. Essa inovação não pode se pautar em pensar que qualquer prática é práxis. Sobre isso Vazquez (1968) é lembrado por Silva (2015, p. 9) quando diz que a práxis “[...] consiste numa atitude teórica e prática de transformação da natureza e da sociedade, sendo que toda práxis é atividade, mas nem toda atividade ou prática é práxis.”.
Gramsci, é a base de sustentação teórica de muitos pesquisadores sobre esse assunto e, foi lembrado por Silva e Cruz (2015, p. 191) ao salientar que
A elevação da consciência da práxis, portanto a construção da unidade teoria e prática, é um devir histórico, como afirma Gramsci. Consequentemente, o desenvolvimento de uma práxis exige processos contínuos de formação de professores, onde coletivamente os professores possam ter espaço de troca e estudos para compreender sua ação numa perspectiva de totalidade da organização do trabalho pedagógico articulado a organização do trabalho social historicamente constituído.
Para Gramsci (1995, 2000, 2010) e Marx (1979, 1987) o homem deve ser emancipado e não alienado. A formação acadêmica deve propiciara a emancipação do homem. Essa investigação propõe analisar a formação do pedagogo focando os estudos sobre a relação teoria e prática, tendo como recorte a extensão universitária, prevista no currículo da UEG como elemento formador obrigatório. Para que se processe a emancipação humana é necessária uma práxis emancipadora. Para Silva (2008, p. 45) “Uma práxis emancipadora só pode ser construída se a atividade for analisada e modificada em sua forma (aparência) e em seu conteúdo (essência).”.
A discussão sobre teoria e prática na formação docente deve ser aliada a concepção da extensão universitária e visar à emancipação humana. Na concepção de Silva (2008, p. 76)
A busca da unidade entre teoria e prática exige, portanto, reflexão, o que, em virtude do processo de alienação, pode se configurar apenas em um procedimento superficial, que se traduz em pragmatismo referido ao imediato. Essa relação não pode ser vista de maneira simplista, pois não é mecânica, nem direta. Há uma ressignificação que a burguesia tenta dar aos termos, em especial ao termo “prática” e à expressão “unidade teoria e prática”, termo e expressão que não possuem, inequivocamente, o mesmo significado quando inseridos em um discurso que visa à emancipação humana.
Visando a emancipação humana Silva (2008, p. 112), assevera que “Numa visão crítica de educação, também se deseja constituir profissionais [...] para transformar a escola e a educação como um todo, com vistas à emancipação humana e ao fim da exploração do homem pelo homem.”. Analisar as concepções, os sentidos, os limites e as perspectivas da extensão universitária enquanto elemento de formação docente se tornou a base de uma pesquisa de doutoramento pelo fato de que toda universidade deve realizar sua prática pedagógica pautada na indissociabilidade pesquisa, ensino e extensão, bem como pelo fato de que a extensão universitária no Brasil tem um histórico de segundo plano. Assim, a extensão universitária se apresenta como potencial de formação docente mas também de objeto de investigação.
CONSIDERAÇÕES
Aqui tentamos apenas fazer um esboço sobre a extensão universitária no Brasil, a partir de concepções e sentidos para a formação docente. A extensão universitária tratada como indissociável do ensino e da pesquisa, enquanto uma práxis emancipatória e produtora de conhecimento, viabiliza uma formação crítica e emancipatória. Para isso é necessário compreender suas concepções e sentidos.
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1 Pós-doutora em Educação (PUC/GO), Doutora em Educação (UnB), Mestre em Educação (PUC/GO), Especialista em Docência Universitária (UEG), Pedagoga (UEG), Docente da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Docente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Gestão, Educação e Tecnologia da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Coordenadora do GEFOPI (Grupo de Estudos em Formação de Professores e Interdisciplinaridade). E-mail: [email protected].
2 Mestre em Gestão, Educação e Tecnologias (PPGET/UEG), Especialista em Docência do Ensino Superior (FACETEN), Especialista em Orientação Educacional (UNIVERSO), Licenciada em Letras (Luso-Italiana), Licenciada em Pedagogia (UEG), Docente da Secretaria Estadual de Educação do Estado de Goiás (SEDUC/GO, membro do GEFOPI (Grupo de Estudos em Formação de Professores e Interdisciplinaridade). E-mail: [email protected]