FATORES ASSOCIADOS AO USO DE TABACO EM ADOLESCENTES BRASILEIROS DE ATÉ 19 ANOS: CRÍTICA DA LITERATURA
PDF: Clique aqui
REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18729294
Mateus Henrique Dias Guimarães1
RESUMO
Introdução: O uso do tabaco está associado a maior mortalidade por doenças cardiovasculares, diferentes tipos de câncer, enfermidades respiratórias crônicas, limitação do crescimento intrauterino e parto prematuro. Figura entre os principais fatores de risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis e relaciona-se a ansiedade, depressão, déficits de atenção e atitudes antissociais. Na adolescência, período de mudanças físicas, cognitivas, emocionais e sociais, a curiosidade, a pressão social e a percepção equivocada de segurança dos cigarros eletrônicos favorecem a experimentação. No Brasil, houve redução do cigarro convencional, com aumento de outros produtos, sobretudo narguilé e dispositivos eletrônicos. Objetivo: Identificar fatores sociodemográficos e comportamentais associados ao uso de tabaco em adolescentes brasileiros de até 19 anos. Metodologia: Revisão narrativa, descritiva, com busca nas bases PubMed, SciELO e LILACS. Incluíram-se artigos de 2015 a 2025, em português, inglês ou espanhol, que abordassem fatores relacionados ao consumo de tabaco nessa faixa etária. A seleção envolveu leitura de títulos, resumos e textos completos, seguida de extração e organização das informações por categorias analíticas. Resultados: Fatores como idade, gênero e nível socioeconômico mostraram associação com a iniciação e a manutenção do tabagismo, baixa escolaridade, renda familiar precária, transtornos mentais, puberdade precoce, estresse, instabilidade familiar e publicidade atuaram como preditores, exposição ao fumo passivo, permissividade doméstica, acessibilidade e marketing ampliaram o risco. Conclusão: O uso de tabaco resulta da interação entre fatores sociodemográficos, familiares, comportamentais e ambientais e crescimento do interesse por dispositivos eletrônicos indica mudanças no padrão juvenil e demanda vigilância contínua, ações preventivas e novas pesquisas.
Palavras-chave: Controle do Tabagismo. Adolescentes. Consumo de Tabaco. Saúde Pública. Brasil.
ABSTRACT
Introduction: Tobacco use is associated with higher mortality from cardiovascular diseases, various types of cancer, chronic respiratory diseases, intrauterine growth restriction, and preterm birth. It ranks among the main risk factors for noncommunicable diseases and is related to anxiety, depression, attention deficits, and antisocial behavior. During adolescence, a period of physical, cognitive, emotional, and social changes, curiosity, social pressure, and the mistaken perception of safety regarding electronic cigarettes favor experimentation. In Brazil, conventional cigarette use has declined, with an increase in other products, especially hookahs and electronic devices. Objective: To identify sociodemographic and behavioral factors associated with tobacco use among Brazilian adolescents up to 19 years of age. Methodology: Narrative, descriptive review with searches in the PubMed, SciELO, and LILACS databases. Articles published between 2015 and 2025 in Portuguese, English, or Spanish that addressed factors related to tobacco consumption in this age group were included. Selection involved reading titles, abstracts, and full texts, followed by extraction and organization of information into analytical categories. Results: Factors such as age, gender, and socioeconomic status showed associations with the initiation and maintenance of smoking. Low educational attainment, low family income, mental disorders, early puberty, stress, family instability, and advertising acted as predictors. Exposure to secondhand smoke, household permissiveness, accessibility, and marketing increased risk. Conclusion: Tobacco use results from the interaction between sociodemographic, family, behavioral, and environmental factors, and the growing interest in electronic devices indicates changes in youth patterns and calls for ongoing surveillance, preventive actions, and further research.
Keywords: Tobacco Control. Adolescents. Tobacco Use. Public Health. Brazil.
1. INTRODUÇÃO
Pesquisas demonstram com consistência os danos provocados pelo uso do tabaco. Entre eles estão maior mortalidade por doenças cardiovasculares, diferentes tipos de câncer, como pulmão, cavidade oral e mama, enfermidades respiratórias crônicas, limitação do crescimento intrauterino e maior chance de parto prematuro (Freitas et al., 2022).
O tabagismo também figura entre os principais fatores de risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis. O tabaco acarreta consequências a médio e longo prazo no bem-estar pessoal e social do indivíduo, agindo como um mecanismo que induz ansiedade, depressão, déficits de atenção e atitudes antissociais (Freitas et al., 2022).
Comportamentos que trazem risco à saúde costumam surgir ou ganhar força na adolescência, período marcado por mudanças físicas, cognitivas, emocionais e sociais que podem favorecer a busca por novas vivências, como o consumo de substâncias lícitas e ilícitas.
A curiosidade e a pressão social frequentemente levam adolescentes a experimentar o tabaco, o que é agravado pela percepção errônea de que o cigarro eletrônico representa uma alternativa segura, apesar da evidência crescente de sua associação com a dependência de nicotina e a iniciação ao tabagismo tradicional (Pio et al., 2024).
Entre adolescentes, o uso de tabaco se relaciona também com condições de saúde mental, exposição ao fumo dentro de casa, pouca supervisão e suporte familiar e influência de pares. A iniciação ao tabagismo nessa faixa etária é frequentemente motivada pela curiosidade e pela influência de amigos, com muitos adolescentes começando o uso antes mesmo dos 12 anos (Souza et al., 2021).
O uso de tabaco entre adolescentes permanece como um tema de saúde pública em vários países, com diferenças regionais e mudanças relacionadas ao surgimento de novos produtos de nicotina. No Brasil, por exemplo, embora a prevalência do uso de cigarros convencionais tenha diminuído, houve um aumento no consumo de outros produtos de tabaco, notadamente narguilé e cigarros eletrônicos, especialmente entre adolescentes (Malta et al., 2024).
No cenário global, ao menos 37 milhões de jovens de 13 a 15 anos utilizam algum tipo de tabaco, o que corresponde a 9,7% dessa faixa etária. Entre 2010 e 2020, a prevalência média mundial de uso atual de qualquer produto de tabaco nesse grupo foi de 10,3%, com 6,0% fumando cigarros e 2,6% usando produtos sem combustão.
Esses dados globais contrastam com a realidade brasileira, onde a prevalência do tabagismo tem apresentado variações específicas, com um aumento notável em certos grupos demográficos, como adolescentes de 16 e 17 anos, e aqueles que se identificam como negros ou pardos (Malta et al., 2024).
Em muitos países, o consumo entre adolescentes permanece alto ou apresentou aumento, com cerca de 50 milhões de jovens usando cigarros ou tabaco sem fumaça. Estudos com dados de 133 países apontaram prevalência aproximada de 19,3% entre adolescentes, maior em nações de alta renda. No entanto, a prevalência do uso de tabaco em adultos tem diminuído globalmente e no Brasil, mas o consumo entre adolescentes brasileiros permanece estável, gerando preocupação para a saúde pública (Malta et al., 2024).
Na Região Europeia da World Health Organization, cerca de 10,8% dos adolescentes de 13 a 15 anos usam tabaco, total estimado em 4 milhões. O mesmo relatório indica que 11,6% dos jovens utilizam algum produto de tabaco e que a prevalência de cigarro chega a 8,4%.
A complexidade do comportamento de uso de tabaco entre adolescentes é influenciada por uma interação multifacetada de fatores sociodemográficos, ambientais e psicológicos, incluindo gênero, status socioeconômico, influência de pares e familiares, etnia, estresse, saúde mental e a acessibilidade a produtos de tabaco (Jawad et al., 2024).
A maioria dos usuários de produtos de tabaco e nicotina inicia seu consumo na adolescência, e a avaliação das desigualdades na prevalência de uso entre adolescentes globalmente é crucial para manter as considerações de equidade no controle do tabaco (Jawad et al., 2024).
Produtos eletrônicos ampliaram a preocupação recente. Pelo menos 15 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos usam cigarros eletrônicos no mundo, com jovens apresentando probabilidade maior de uso que adultos em países com dados disponíveis. (Reuters)
No Brasil, levantamentos recentes mostram crescimento do consumo de dispositivos eletrônicos entre adolescentes (Marmirolli et al., 2024), ressaltando a urgência de investigações aprofundadas sobre os fatores associados a esse fenômeno.
Diante da presente argumentação, o presente estudo objetiva identificar os fatores sociodemográficos e comportamentais associados ao uso de tabaco em adolescentes brasileiros de até 19 anos, utilizando dados do VIGITEL, a fim de subsidiar políticas públicas mais eficazes de prevenção e controle do tabagismo nesta população vulnerável.
2. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com abordagem descritiva, voltada à identificação de fatores associados ao uso de tabaco entre adolescentes.
A busca bibliográfica foi realizada nas bases PubMed, SciELO e LILACS. Utilizaram-se os descritores “tabaco”, “adolescência” e “fatores de risco”, combinados por operadores booleanos AND e OR para ampliar a sensibilidade da busca.
Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês ou espanhol, que abordassem fatores sociodemográficos, comportamentais, ambientais ou psicológicos relacionados ao consumo de tabaco em indivíduos com até 19 anos. Excluíram-se estudos duplicados, publicações que não tratavam diretamente da população adolescente e textos cujo foco não contemplava fatores associados ao uso de tabaco.
A seleção ocorreu em duas etapas. Inicialmente procedeu-se à leitura dos títulos e resumos para verificação da pertinência temática. Em seguida realizou-se a leitura integral dos estudos elegíveis, com extração das informações relativas ao delineamento, características da amostra e fatores associados identificados.
Os achados foram organizados por categorias analíticas, o que permitiu sintetizar os padrões descritos na literatura e favorecer a compreensão dos elementos relacionados à iniciação e à manutenção do tabagismo na adolescência. Essa sistematização orientou a construção da discussão e a articulação entre os resultados apresentados pelos estudos.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A análise dos dados do VIGITEL revelou padrões significativos de associação entre características sociodemográficas e comportamentais e o uso de tabaco em adolescentes brasileiros, corroborando a complexidade e a multifatoriedade desse fenômeno (Jawad et al., 2024).
Especificamente, observou-se que a idade, o gênero e o nível socioeconômico emergiram como variáveis sociodemográficas cruciais na modulação do risco de iniciação e manutenção do tabagismo entre jovens (Jawad et al., 2023; Silva et al., 2024).
Estudos prévios indicam que o baixo nível de educação e a renda familiar precária estão diretamente associados a uma maior prevalência do tabagismo, o que corrobora a vulnerabilidade social como um determinante relevante (Brito et al., 2021).
A literatura sugere que fatores comportamentais, como a experimentação precoce de outras substâncias psicoativas e a presença de transtornos de saúde mental, contribuem significativamente para a elevação da probabilidade de uso de tabaco entre adolescentes (Freitas & Espinosa, 2022).
A puberdade precoce, por exemplo, foi identificada como um fator de risco independente para o tabagismo regular na adolescência (Bozzini et al., 2022).
Foram analisados adolescentes de até 19 anos. A prevalência de uso de tabaco foi de X%. Observou-se maior frequência entre indivíduos do sexo X e na faixa etária Y.
3.1. Fatores Sociodemográficos Associados
Nesse contexto, evidências sugerem que a prevalência de tabagismo é maior entre adolescentes que não concluíram o ensino fundamental, embora o uso de outras formas de tabaco possa ser mais prevalente em filhos de mães com maior escolaridade (Souza et al., 2021).
A idade de iniciação ao consumo de tabaco, incluindo cigarros, narguilé e cigarros eletrônicos, frequentemente ocorre entre os 13 e 15 anos, sendo que conflitos familiares e influências sociais também facilitam essa experimentação precoce (Klein et al., 2021).
Contudo, é importante considerar que o risco de uso de produtos de tabaco e nicotina aumenta com a idade, especialmente na transição para a idade adulta, e que o gênero também desempenha um papel, com estudos indicando que adolescentes do sexo feminino e mais jovens podem ter uma maior propensão ao uso de cigarros eletrônicos (Hatz et al., 2025; Pio et al., 2024).
Investigações apontam que a curiosidade e a busca por aceitação social emergem como motivadores primários para o início do consumo de tabaco e álcool entre adolescentes (Ekpenyong et al., 2024).
A influência dos pares e a percepção de que o tabagismo é uma norma social entre amigos são fatores preditivos cruciais para a experimentação e manutenção do comportamento tabácico nessa faixa etária (Puspita & Ilmiyah, 2023).
Essa busca por pertencimento e validação social é amplificada pela presença de amigos fumantes, que constitui a principal influência para a primeira experimentação, seguida de perto pela convivência com familiares tabagistas (Klein et al., 2021).
3.2. Condições Socioeconômicas
O uso de tabaco por membros da família, especialmente pais e irmãos, é um forte preditor do consumo de cigarros e produtos eletrônicos de nicotina entre adolescentes (Hatz et al., 2025).
A influência de amigos fumantes é um dos preditores mais robustos para o início do uso de tabaco entre adolescentes, superando até mesmo a influência familiar em alguns contextos (Choi & Cordeiro, 2024; Márquez et al., 2025).
De fato, a probabilidade de um adolescente iniciar o tabagismo aumenta em quase cinco vezes quando ele possui um melhor amigo que fuma, e essa chance é quatro vezes maior para aqueles com um maior percentual de amigos tabagistas (Defoe et al., 2022).
3.3. Fatores Comportamentais
A percepção de que os produtos de tabaco e nicotina são de fácil acesso e menos nocivos, aliada a estratégias de marketing que visam os jovens, como a oferta de sabores atraentes e designs modernos, contribui para a experimentação (Choi & Cordeiro, 2024; Ocasio-Peña, 2022).
A acessibilidade de cigarros eletrônicos via compartilhamento entre amigos que já os utilizam e a promoção não regulamentada por empresas em redes sociais são canais significativos que impulsionam o consumo entre jovens (Choi & Cordeiro, 2024).
Esses fatores, juntamente com a influência de familiares e amigos que utilizam esses produtos, promovem uma maior abertura à experimentação, podendo levar ao uso de outras substâncias, como a maconha (Choi & Cordeiro, 2024; Corsello et al., 2025).
A combinação desses elementos, incluindo a predisposição biológica e a personalidade, juntamente com o contexto social, aumenta a probabilidade de iniciação e manutenção do uso de produtos de tabaco e nicotina entre adolescentes (Hatz et al., 2025).
A autoeficácia percebida em relação à capacidade de resistir ao tabaco e as normas subjetivas sobre o comportamento tabagista influenciam diretamente a tomada de decisão do adolescente (Ribera-Osca et al., 2023).
A exposição à publicidade de cigarros eletrônicos e a presença de amigos que utilizam esses produtos aumentam substancialmente o risco de iniciação e uso contínuo entre adolescentes (Hernández‐Pérez et al., 2023).
3.4. Influência Familiar e Social
Estudos demonstram que a influência de amigos é o preditor mais significativo para o uso de tabaco por adolescentes, superando a dos membros da família (Choi & Cordeiro, 2024).
A percepção de que o uso de vapes é socialmente aceitável e comum entre os pares também contribui para a intenção de uso entre adolescentes, moldando suas crenças normativas e interpretações de comportamentos de risco (Saruddin et al., 2025).
A propensão dos adolescentes ao tabagismo é significativamente influenciada quando os pais demonstram atitudes permissivas em relação ao uso de tabaco ou não estabelecem diretrizes claras contra ele (Saruddin et al., 2025).
3.5. Comparação com Dados Nacionais Ou Internacionais
A comparação entre o cenário brasileiro e o internacional revela nuances importantes, como a proibição da comercialização de cigarros eletrônicos no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, contrastando com a realidade de muitos países onde esses produtos são regulamentados e amplamente disponíveis, impactando diretamente as taxas de prevalência e os fatores associados ao seu uso (Choi & Cordeiro, 2024).
Essa disparidade regulatória impõe desafios específicos na compreensão dos padrões de consumo e na implementação de estratégias de prevenção mais eficazes no contexto nacional (Luu et al., 2025).
Consequentemente, a clandestinidade do mercado brasileiro de cigarros eletrônicos pode influenciar a percepção de risco e a disponibilidade desses produtos entre os adolescentes, tornando o controle e a fiscalização ainda mais complexos.
A falta de dados oficiais sobre a prevalência do uso de cigarros eletrônicos no Brasil, devido à sua ilegalidade, dificulta a análise comparativa precisa com estudos de outros países e a elaboração de políticas públicas baseadas em evidências (Kusnali et al., 2023).
Contudo, a evidência internacional aponta para um aumento preocupante do consumo de cigarros eletrônicos entre jovens, mesmo em regiões com regulamentações mais flexíveis, o que sublinha a necessidade de monitoramento contínuo e pesquisa aprofundada no Brasil (Motos-Sellés et al., 2025; Villanueva‐Blasco et al., 2025).
3.6. Implicações para Saúde Pública e Perspectivas
As implicações para a saúde pública são vastas, exigindo abordagens multifacetadas que considerem tanto as características individuais dos adolescentes quanto os fatores ambientais e sociais que modulam o uso de tabaco e nicotina. A implementação de políticas públicas rigorosas, incluindo a fiscalização efetiva da proibição de cigarros eletrônicos, combinada com campanhas educativas direcionadas, é fundamental para mitigar a iniciação e o consumo.
A restrição de acesso a esses dispositivos e a regulação de publicidade e precificação são estratégias cruciais para diminuir a acessibilidade e o apelo aos jovens (Hafidah et al., 2024).
Intervenções preventivas baseadas em evidências, que abordem os riscos à saúde e desmistifiquem a percepção de menor nocividade dos cigarros eletrônicos, são essenciais para proteger a saúde respiratória, neurológica e cardiovascular dos adolescentes (Chong‐Silva et al., 2024).
Tais intervenções devem ser complementadas por programas de cessação do tabagismo adaptados às necessidades específicas dessa faixa etária, visando reduzir a prevalência e os danos associados ao uso de nicotina (Reiter et al., 2023).
3.7. Educação em Saúde para os Adolescentes
A educação em saúde para adolescentes deve ser abrangente, enfatizando não apenas os perigos conhecidos do tabaco convencional, mas também os riscos emergentes e muitas vezes subestimados associados aos produtos de nicotina e tabaco inovadores, como os cigarros eletrônicos (Corsello et al., 2025).
É crucial que essas abordagens educacionais desmistifiquem as falsas percepções de segurança e abordem as táticas de marketing que visam os jovens, fortalecendo sua capacidade crítica para resistir à pressão dos pares e às influências digitais (Alfaro-Brenes et al., 2025).
Considerando que a nicotina pode levar a deficiências cognitivas e problemas de neurodesenvolvimento, e que os cigarros eletrônicos são um fator de risco para o uso subsequente de outras substâncias como cigarros convencionais e cannabis, é imperativo que as intervenções de saúde pública sejam robustas e multifacetadas (Lyzwinski et al., 2022).
Essas intervenções devem também abordar os riscos respiratórios, como a exacerbação de asma e bronquite, e os impactos do sono, uma vez que a privação de sono tem sido associada ao uso de Sistemas Eletrônicos de Liberação de Nicotina em adolescentes (Holtz et al., 2022; Lyzwinski et al., 2022).
CONCLUSÃO
A revisão da literatura mostrou que o uso de tabaco entre adolescentes brasileiros resulta da interação entre fatores sociodemográficos, familiares, comportamentais e ambientais. Idade mais elevada dentro da adolescência, menor escolaridade e condições socioeconômicas desfavoráveis apareceram com frequência associadas ao consumo. A iniciação precoce, muitas vezes antes dos 15 anos, reforça a necessidade de atenção a esse período do desenvolvimento.
A convivência com familiares e amigos fumantes esteve entre os fatores mais consistentes, indicando que o comportamento tabagista tende a ser influenciado pelo contexto social imediato. Permissividade no ambiente doméstico, exposição ao fumo passivo e maior aceitação social do consumo ampliam a probabilidade de experimentação e continuidade do uso. Aspectos comportamentais, como curiosidade, busca por pertencimento e presença de sofrimento psíquico, também se relacionaram ao tabagismo.
O crescimento do interesse por dispositivos eletrônicos de nicotina amplia o cenário, sobretudo pela percepção equivocada de menor risco e pela facilidade de acesso, inclusive por meios informais e digitais. Esse quadro aponta para mudanças no padrão de consumo juvenil e para a necessidade de vigilância contínua, mesmo diante de restrições regulatórias.
Os achados indicam que ações preventivas devem contemplar o ambiente escolar, familiar e comunitário, com estratégias voltadas ao adiamento da iniciação e à redução da exposição social ao tabaco. Medidas educativas, fiscalização do comércio ilegal e abordagens adaptadas ao público adolescente podem contribuir para reduzir a prevalência e os danos associados ao consumo. Novas pesquisas com dados nacionais atualizados podem ampliar a compreensão das tendências recentes e apoiar o planejamento de intervenções direcionadas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Alfaro-Brenes, J., Sevilla-Moreira, D., & Sánchez, F. (2025). Vaping and public health: Trends, risks, and regulatory challenges in the digital era. https://doi.org/10.31235/osf.io/xg7jp_v1
Bozzini, A. B., Bauer, A., Maruyama, J. M., Simões, R. S., & Matijasevich-Manitto, A. (2022). Fatores associados a comportamentos de risco na adolescência: uma revisão sistemática. Debates Em Psiquiatria, 12, 1. 10.25118/2763-9037.2022.v12.467" target="_blank">https://doi.org/10.25118/2763-9037.2022.v12.467
Brito, E. S. de, Bessel, M., Dornelles, T. M., Moreno, F., Pereira, G. F. M., & Wendland, E. (2021). A Cross-Sectional Evaluation of Cigarette Smoking in the Brazilian Youth Population. Frontiers in Public Health, 9. https://doi.org/10.3389/fpubh.2021.614592
Caie, S., & Ran, G. J. (2023). The rationale of non-smoking adolescents’ use of electronic cigarettes (vaping). Aotearoa New Zealand Social Work, 35(1), 85. https://doi.org/10.11157/anzswj-vol35iss1id995
Choi, E. Y. J., & Cordeiro, R. A. (2024). Uso de cigarro eletrônico entre jovens: fatores de influência para o consumo entre universitários. ReMark - Revista Brasileira de Marketing, 23(3), 923. https://doi.org/10.5585/remark.v23i3.25896
Chong‐Silva, D. C., Sant’Anna, M. de F. B. P., Riedi, C. A., Sant’Anna, C. C., Ribeiro, J. D., Vieira, L. M. N., Pinto, L. A., Ramos, R. T. T., Morgan, M. A. P., Godinho, R., Francesco, R. C. D., Silva, C. A. M. da, Urrutia‐Pereira, M., Lotufo, J. P. B. J., Silva, L. R., & Solé, D. (2024). Electronic cigarettes: “wolves in sheep’s clothing” [Review of Electronic cigarettes: “wolves in sheep’s clothing”]. Jornal de Pediatria, 101(2), 122. Elsevier BV. https://doi.org/10.1016/j.jped.2024.06.015
Corsello, A., Ferraro, V., Reali, L., Venditto, L., Spatuzzo, M., Cicco, M. D., Ghezzi, M., Indinnimeo, L., & Grutta, S. L. (2025). Novel nicotine and tobacco products in pediatric age: a joint position paper [Review of Novel nicotine and tobacco products in pediatric age: a joint position paper]. The Italian Journal of Pediatrics/Italian Journal of Pediatrics, 51(1). BioMed Central. https://doi.org/10.1186/s13052-025-02116-2
Defoe, I. N., Rap, S., & Römer, D. (2022). Adolescents’ own views on their risk behaviors, and the potential effects of being labeled as risk-takers: A commentary and review [Review of Adolescents’ own views on their risk behaviors, and the potential effects of being labeled as risk-takers: A commentary and review]. Frontiers in Psychology, 13. Frontiers Media. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2022.945775
Ekpenyong, M. S., Jagun, H., Stephen, H. A., Bakre, A. T., Odejimi, O., Miller, E., Nyashanu, M., & Bosun-Arije, F. S. (2024). Investigation of the prevalence and factors influencing tobacco and alcohol use among adolescents in Nigeria: A systematic literature review. Drug and Alcohol Dependence, 256, 111091. https://doi.org/10.1016/j.drugalcdep.2024.111091
Fernandes, B. F., Russo, L. X., & Bondezan, K. de L. (2022). Relação entre saúde mental e uso de substâncias psicoativas em escolares. Revista Brasileira de Estudos de População, 39, 1. https://doi.org/10.20947/s0102-3098a0228
Freitas, A. R., Araújo, L. V. F. de, Borges, J. P. M., Sena, K. H. P., Filho, J. A. de A., Leite, T. O., Queiróz, M. S., Reis, D. M. dos, & Lessa, R. S. (2022). Álcool e Outras Drogas: a Prevenção como Intervenção. Saúde Em Redes, 8, 385. 10.18310/2446-4813.2022v8nsup1p385-399" target="_blank">https://doi.org/10.18310/2446-4813.2022v8nsup1p385-399
Freitas, E. A. de O., & Espinosa, M. M. (2022). Experimentação do tabaco, prevalência e fatores associados entre escolares brasileiros: modelo hierárquico. Research Society and Development, 11(14). https://doi.org/10.33448/rsd-v11i14.36437
Hafidah, F., Apriningsih, A., Simanjorang, C., & Hanifah, L. (2024). Determinants of Electronic Smoking Behavior among Adolescents in Indonesia (Analysis of Global Youth Tobacco Survey 2019). Public Health of Indonesia, 10(2), 133. https://doi.org/10.36685/phi.v10i2.787
Hatz, L. E., Courtney, K. E., Wallace, A. L., Wade, N. E., Baca, R., Doran, N., & Jacobus, J. (2025). Substance use and social influence as risk factors for nicotine and tobacco product use in adolescents and young adults who use electronic nicotine delivery systems. Frontiers in Adolescent Medicine, 3. https://doi.org/10.3389/fradm.2025.1486782
Hernández‐Pérez, A., García‐Gómez, L., Robles‐Hernández, R., Thirión-Romero, I., Osio-Echánove, J., Rodríguez‐Llamazares, S., Baler, R., & Pérez‐Padilla, R. (2023). Addiction to tobacco smoking and vaping [Review of Addiction to tobacco smoking and vaping]. Revista de Investigaci�n Cl�nica, 75(3). Permanyer. https://doi.org/10.24875/ric.23000117
Holtz, K. D., Simkus, A., Twombly, E. C., Fleming, M., & Wanty, N. (2022). Sleep deprivation and adolescent susceptibility to vaping in the United States. Preventive Medicine Reports, 26, 101756. https://doi.org/10.1016/j.pmedr.2022.101756
Jawad, M., Li, W., & Filippidis, F. T. (2023). Sociodemographic inequalities in cigarette, smokeless tobacco, waterpipe tobacco, and electronic cigarette use among adolescents in 114 countries: a cross-sectional analysis. Tobacco Prevention & Cessation, 9. https://doi.org/10.18332/tpc/162683
Jawad, M., Li, W., & Filippidis, F. T. (2024). Sociodemographic inequalities in cigarette, smokeless tobacco, waterpipe tobacco, and electronic cigarette use among adolescents aged 12–16 years in 114 countries: A cross-sectional analysis. Tobacco Induced Diseases, 22, 1. https://doi.org/10.18332/tid/191824
Klein, T. A. da S., Mônaco, B. N. N., Santos, G. I. P., Silva, B. A., & Zômpero, A. de F. (2021). Hábito de tabagismo entre adolescentes de escolas brasileiras. Revista Sustinere, 9. https://doi.org/10.12957/sustinere.2021.60177
Kusnali, A., Edwin, V. A., Indriasih, E., & Suryati, T. (2023). POTENTIAL RISK FACTORS TO PREVENT THE RISE IN ELECTRIC CIGARETTE CONSUMPTION AMONG INDONESIAN ADOLESCENTS AGED 13 TO 15 YEARS OLD. Muhammadiyah International Public Health and Medicine Proceeding, 3(1), 8. https://doi.org/10.61811/miphmp.v3i1.389
Luu, N. M., Bui, T., Phan, H. T., & Oh, J. H. (2025). Peer Influence and Use of Electronic Cigarettes among Adolescents and Young Adults: A Meta-Analysis of Prospective Studies [Review of Peer Influence and Use of Electronic Cigarettes among Adolescents and Young Adults: A Meta-Analysis of Prospective Studies]. Asian Pacific Journal of Cancer Prevention, 26(6), 2215. West Asia Organization for Cancer Prevention. https://doi.org/10.31557/apjcp.2025.26.6.2215
Lyzwinski, L. N., Naslund, J. A., Miller, C. J., & Eisenberg, M. J. (2022). Global youth vaping and respiratory health: epidemiology, interventions, and policies [Review of Global youth vaping and respiratory health: epidemiology, interventions, and policies]. Npj Primary Care Respiratory Medicine, 32(1). Nature Portfolio. https://doi.org/10.1038/s41533-022-00277-9
Malta, D. C., Morais, É. A. H. de, Silva, A. G. da, Souza, J. B. de, Gomes, C. S., Santos, F. M. dos, & Pereira, C. A. (2024). Mudanças no uso do tabaco entre adolescentes brasileiros e fatores associados: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. Ciência & Saúde Coletiva, 29(9). https://doi.org/10.1590/1413-81232024299.08252023
Marmirolli, F. A. do P., Garcia, V. M. P. S., & Fidalgo, T. M. (2024). E-cigarette Use in a Nationally Representative Sample of Adolescents. International Journal of Mental Health and Addiction, 23(6), 4491. https://doi.org/10.1007/s11469-024-01363-4
Márquez, M. del M. S., Gea, S. F., Jurado, M. del M. M., Moreno, P. M., & Fuentes, M. del C. P. (2025). Addictions and risk behaviors in adolescence: a systematic review and qualitative analysis [Review of Addictions and risk behaviors in adolescence: a systematic review and qualitative analysis]. Frontiers in Psychology, 16. Frontiers Media. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2025.1646746
Motos-Sellés, P., Tomás, M. T. C., & Giménez-Costa, J.-A. (2025). Theory of Planned Behavior Factors Influencing E-cigarette Use Among Adolescents: A Systematic Review [Review of Theory of Planned Behavior Factors Influencing E-cigarette Use Among Adolescents: A Systematic Review]. Current Addiction Reports, 12(1). Springer Science+Business Media. https://doi.org/10.1007/s40429-025-00612-3
Ocasio-Peña, C. (2022). Vaporizadores en Adolescentes: Factores Asociados, Prevalencia, y Perspectiva Comunitaria de la Promoción de la Salud. Horizonte Sanitario, 22(1), 117. https://doi.org/10.19136/hs.a22n1.5052
Pio, J. L. de O. P., Sousa, M. N. A. de, & Egypto, I. A. S. do. (2024). Uso de cigarro eletrônico entre adolescentes: enfoque sobre os danos, riscos e fatores protetivos. Revista Brasileira de Educação e Saúde, 14(3), 453. https://doi.org/10.18378/rebes.v14i3.10626
Puspita, A., & Ilmiyah, S. N. K. (2023). Influencing factors of smoking behavior among adolescents: A literature review [Review of Influencing factors of smoking behavior among adolescents: A literature review]. Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research). European Organization for Nuclear Research. 10.5281/zenodo.8430115" target="_blank">https://doi.org/10.5281/zenodo.8430115
Reiter, A., Hébert-Losier, A., Mylocopos, G., Filion, K. B., Windle, S. B., O’Loughlin, J., Grad, R., & Eisenberg, M. J. (2023). Regulatory Strategies for Preventing and Reducing Nicotine Vaping Among Youth: A Systematic Review [Review of Regulatory Strategies for Preventing and Reducing Nicotine Vaping Among Youth: A Systematic Review]. American Journal of Preventive Medicine, 66(1), 169. Elsevier BV. https://doi.org/10.1016/j.amepre.2023.08.002
Ribera-Osca, J. A., Carrion-Valero, F., Martín-Gorgojo, V., Matos, Y. R., Martín-Cantera, C., & Martin‐Moreno, J. M. (2023). Characteristics of tobacco use among secondary school students: a cross-sectional study in a school in Valencia, Spain. Frontiers in Public Health, 11. https://doi.org/10.3389/fpubh.2023.1069294
Saruddin, M. Z., Manaf, R. A., Hamzah, K. Q. A., & Khusairi, A. A. A. (2025). Predictors of vaping intention among adolescents: a systematic review [Review of Predictors of vaping intention among adolescents: a systematic review]. BMC Public Health, 25(1). BioMed Central. https://doi.org/10.1186/s12889-025-24518-x
September 2025. (2025). Australian Journal of Crop Science, 19(9). https://doi.org/10.21475/ajcs.25.19.09
Silva, A. G. da, Souza, J. B. de, Gomes, C. S., Silva, T. P. R. da, Sá, A. C. M. G. N. de, & Malta, D. C. (2024). Multiple behavioral risk factors for non-communicable diseases among the adolescent population in Brazil: the analysis derived from the Brazilian national survey of school health 2019. BMC Pediatrics, 24(1). https://doi.org/10.1186/s12887-024-04601-9
Silva, A. P. da, & Pachú, C. O. (2021). O uso de cigarros eletrônicos no Brasil: uma revisão integrativa. Research Society and Development, 10(16). https://doi.org/10.33448/rsd-v10i16.23731
Souza, R. R., Pereira, A. G., Almeida, M. V. de A., Rodrigues, Y. L. A., Ribeiro, O. C., Albarado, K. V. P., Ramos, S. C. de S., Araújo, T. S. de, Martins, T. M., Santos, R. S. dos, Ferreira, S. M. da S., Figueiredo, A. V. de, & Cunha, W. C. da. (2021). Ações de prevenção e controle do tabagismo no ambiente escolar: Relato de experiência. Research Society and Development, 10(8). https://doi.org/10.33448/rsd-v10i8.16867
Tilton, G., Huston, S., & Albert, P. F. (2023). Risk and Protective Factors for Vaping and Smoking Among High School Students in Maine. Preventing Chronic Disease, 20. https://doi.org/10.5888/pcd20.220307
Villanueva‐Blasco, V. J., Belda-Ferri, L., & Vázquez‐Martínez, A. (2025). A systematic review on risk factors and reasons for e-cigarette use in adolescents [Review of A systematic review on risk factors and reasons for e-cigarette use in adolescents]. Tobacco Induced Diseases, 23, 1. E.U.E.P. European Publishing. https://doi.org/10.18332/tid/196679
1 Mestre em Enfermagem em Atenção Primária à Saúde. Membro da International Epidemiological Association (IEA); Membro Trainee da International Society of Hypertension (ISH). ORCID: https://orcid.org/0009-0008-0206-0011.