EVASÃO ESCOLAR APÓS A PANDEMIA DE COVID-19

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18766891


Daniely Santos Pereira1
Eduarda Andréa da Silva Barros2
Eliane Pedroza da Silva3
Jacqueline Alves Barbosa4
Jair Boto Cruz5
Joyce Dalva dos Santos de Melo6
Ladiney Maria Costa7
Mercia Ananias Campos8
Natali de Souza Holanda9
Sandra Regina Frutos Flechas10
Ebenezer Macario da Silva11
Magno de Souza Holanda12


RESUMO
A evasão escolar é um fenômeno complexo que foi significativamente intensificado durante a pandemia de COVID-19. No Brasil, a migração para o ensino remoto expôs desigualdades estruturais, como a falta de acesso à internet e equipamentos adequados, afetando especialmente estudantes de baixa renda. Este estudo investiga os impactos da pandemia na educação, com foco no aumento da evasão escolar e nas ações de combate implementadas durante esse período. Analisam-se os fatores socioeconômicos que contribuíram para o abandono escolar, a eficácia das políticas públicas emergenciais e as estratégias para a reintegração dos estudantes ao ambiente escolar. A pesquisa evidencia a necessidade de políticas educacionais mais inclusivas e de suporte contínuo, considerando as desigualdades regionais e socioeconômicas. A conclusão aponta que, para combater a evasão escolar de forma eficaz no contexto pós-pandêmico, é fundamental um esforço coordenado entre governo e sociedade, com ênfase na inclusão digital, apoio psicossocial e melhoria das condições estruturais das escolas públicas.
Palavras-chave: evasão escolar, pandemia de COVID-19, desigualdade educacional, políticas públicas.

ABSTRACT
School dropout is a complex phenomenon that has been significantly intensified during the COVID-19 pandemic. In Brazil, the shift to remote learning has exposed structural inequalities, such as the lack of access to the internet and adequate equipment, especially affecting low-income students. This study investigates the impacts of the pandemic on education, focusing on the increase in school dropout and the actions implemented to combat it during this period. The study analyzes the socioeconomic factors that contributed to school dropout, the effectiveness of emergency public policies, and strategies for reintegrating students into the school environment. The research highlights the need for more inclusive educational policies and ongoing support, considering regional and socioeconomic inequalities. The conclusion indicates that, in order to effectively combat school dropout in the post-pandemic context, a coordinated effort between government and society is essential, with an emphasis on digital inclusion, psychosocial support, and improving the structural conditions of public schools.
Keywords: school dropout, COVID-19 pandemic, educational inequality, public policies.

1. INTRODUÇÃO

A evasão escolar é um fenômeno complexo e multifacetado que afeta sistemas educacionais em todo o mundo. Durante a pandemia de COVID-19, esse problema se intensificou, evidenciando fragilidades pré-existentes nas estruturas de ensino, especialmente em países com maiores índices de desigualdade social, como o Brasil. O fechamento prolongado das escolas, implementado como medida preventiva contra a disseminação do vírus, resultou em um afastamento dos alunos do ambiente educacional formal. Com a migração para o ensino remoto, milhões de estudantes enfrentaram desafios técnicos e sociais que, somados a questões emocionais e econômicas, contribuíram para o aumento da evasão escolar (OLIVEIRA; ALMEIDA, 2020). O acesso desigual a recursos tecnológicos, a falta de apoio familiar adequado e a ausência de políticas públicas eficazes para garantir a permanência dos alunos na escola são fatores que contribuíram significativamente para essa situação. Com o fim das restrições e a retomada gradual das atividades presenciais, o cenário educacional brasileiro se deparou com um novo desafio: trazer de volta ao ambiente escolar estudantes que, durante o período pandêmico, perderam o vínculo com a educação formal.

Ainda que o ensino remoto tenha sido uma solução temporária, ele expôs uma realidade cruel para muitas famílias brasileiras, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A ausência de uma infraestrutura tecnológica adequada e de condições propícias para o estudo em casa agravou as desigualdades educacionais, uma vez que muitos estudantes não possuíam acesso regular à internet, equipamentos eletrônicos ou mesmo um espaço adequado para o aprendizado (SOUZA; SANTOS, 2021). Além disso, o contexto de crise econômica e o aumento da pobreza, impulsionados pela pandemia, forçaram muitos jovens a buscar alternativas para contribuir financeiramente com suas famílias, abandonando, assim, a escola. O retorno à escola, portanto, tornou-se um processo ainda mais complexo, exigindo políticas educacionais direcionadas e ações intersetoriais para garantir que esses alunos voltem a estudar e, sobretudo, permaneçam no sistema educacional.

A evasão escolar, após a pandemia de COVID-19, é um reflexo de diversos fatores estruturais que já afetavam o sistema educacional brasileiro antes da crise sanitária. No entanto, a gravidade do problema foi exacerbada, tornando-se urgente o debate sobre como reverter esse cenário. Estudos apontam que a evasão escolar tem implicações diretas no desenvolvimento socioeconômico de um país, uma vez que indivíduos que abandonam os estudos têm menos chances de alcançar melhores condições de emprego e renda, perpetuando ciclos de pobreza (COSTA; SILVA, 2022). Nesse sentido, a pandemia não só desafiou o sistema educacional em termos de adaptação tecnológica, mas também trouxe à tona a necessidade de repensar a estrutura de apoio aos estudantes em situação de risco de evasão, priorizando a inclusão social e educacional de forma equitativa.

O aumento da evasão escolar no contexto pós-pandemia apresenta-se, portanto, como uma problemática central para o sistema educacional brasileiro. Os desafios para combater essa evasão estão diretamente relacionados às condições de vida dos estudantes, à qualidade das políticas públicas educacionais e às estratégias adotadas para garantir que os alunos voltem e permaneçam na escola. Assim, questiona-se: quais são as principais barreiras que impedem o retorno e a permanência dos alunos no sistema educacional após a pandemia de COVID-19? Como o sistema educacional pode ser reestruturado para lidar com esses novos desafios?

O presente estudo tem como objetivo geral investigar os fatores que contribuíram para o aumento da evasão escolar no Brasil após a pandemia de COVID-19, propondo estratégias para reverter esse quadro. Para atingir esse objetivo, foram definidos três objetivos específicos: a) analisar os principais fatores socioeconômicos que contribuíram para a evasão escolar no contexto pós-pandemia; b) examinar as políticas públicas implementadas para o combate à evasão escolar e avaliar sua eficácia; e c) propor ações educativas e intersetoriais que possam facilitar o retorno dos alunos ao ambiente escolar e garantir sua permanência. Esses objetivos buscam oferecer uma compreensão ampla sobre o fenômeno da evasão escolar no Brasil, considerando as especificidades do período pandêmico e as implicações para o futuro da educação no país.

A justificativa para a realização deste estudo está alicerçada na urgência de compreender as transformações que a pandemia de COVID-19 trouxe para o cenário educacional brasileiro, especialmente no que tange à evasão escolar. A educação é um direito fundamental, garantido pela Constituição Federal de 1988, sendo um instrumento essencial para a promoção da cidadania, da inclusão social e do desenvolvimento econômico do país (BRASIL, 1988). No entanto, a crise pandêmica evidenciou que o acesso à educação ainda é profundamente desigual no Brasil, afetando, principalmente, estudantes das regiões mais pobres e de áreas rurais. Dessa forma, entender os motivos que levam os estudantes a abandonarem a escola após a pandemia é fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas que possam reverter esse cenário e garantir a universalização da educação (ALMEIDA; COSTA, 2021).

Além disso, a evasão escolar tem consequências diretas para o desenvolvimento do país, uma vez que a formação educacional está intimamente ligada ao mercado de trabalho e à inclusão social. Jovens que abandonam a escola possuem menores chances de acessar empregos qualificados, o que perpetua ciclos de pobreza e exclusão social. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) alertam que a pandemia pode ter causado a maior crise educacional da história, com impactos profundos em países em desenvolvimento, como o Brasil (UNESCO, 2020). Portanto, investigar as causas e propor soluções para a evasão escolar após a pandemia é de extrema relevância para garantir a recuperação educacional e o desenvolvimento sustentável do país.

Outro aspecto que reforça a importância deste estudo é o fato de que o Brasil, historicamente, enfrenta desafios em relação à equidade no acesso à educação. Embora tenha havido avanços nos últimos anos, a pandemia de COVID-19 retrocedeu muitos desses progressos, ampliando ainda mais as desigualdades educacionais. A ausência de uma resposta coordenada e eficaz por parte do poder público para garantir o acesso pleno à educação durante a pandemia exacerbou essas desigualdades, especialmente para os estudantes mais vulneráveis. Portanto, compreender como esses fatores impactaram a evasão escolar é fundamental para que se possa traçar caminhos que promovam uma educação mais justa e inclusiva (MOURA; PEREIRA, 2022).

Este estudo se justifica pela necessidade de oferecer subsídios teóricos e práticos para a formulação de políticas públicas que possam mitigar os efeitos da pandemia no campo educacional. Ao investigar a evasão escolar no período pós-pandêmico, pretende-se contribuir com o debate sobre a reconstrução do sistema educacional brasileiro, oferecendo uma análise crítica e fundamentada sobre os desafios e possibilidades que se apresentam para o futuro da educação no país. Nesse sentido, este trabalho visa colaborar com a formulação de estratégias que promovam a inclusão educacional e combatam a evasão escolar de forma eficaz e sustentável.

2. EVASÃO ESCOLAR E PANDEMIA DE COVID-19

A pandemia de COVID-19 trouxe impactos profundos e de longo alcance em diversos setores da sociedade, sendo a educação um dos mais afetados. Com o fechamento das escolas e a migração abrupta para o ensino remoto, surgiram desafios sem precedentes, principalmente no que diz respeito à garantia do acesso e da permanência dos alunos no ambiente educacional. Nesse contexto, a evasão escolar ganhou contornos ainda mais preocupantes, uma vez que muitos estudantes, sobretudo aqueles em situação de vulnerabilidade social e econômica, não conseguiram se adaptar às novas dinâmicas de ensino, resultando em altos índices de abandono escolar. Este capítulo se propõe a discutir os principais efeitos da pandemia no cenário educacional, com destaque para o fenômeno da evasão escolar e as ações implementadas para mitigá-lo.

A primeira subseção, "2.1 Impactos da Pandemia de COVID-19 na Educação", aborda as principais mudanças e desafios enfrentados pelo sistema educacional durante a crise sanitária, com ênfase nas desigualdades acentuadas pelo ensino remoto. Em seguida, na subseção "2.2 Evasão Escolar", discute-se o aumento expressivo do número de estudantes que abandonaram a escola, analisando-se os fatores que contribuíram para essa realidade. Por fim, a subseção "2.3 Ações de Combate à Evasão Escolar durante a Pandemia de COVID-19" examina as iniciativas adotadas pelos governos e instituições educacionais com o objetivo de reduzir os impactos da evasão, destacando as políticas públicas e estratégias que visaram à recuperação e manutenção dos alunos no ambiente escolar.

2.1. Impactos da Pandemia de COVID-19 na Educação

A pandemia de COVID-19 gerou uma disrupção sem precedentes no setor educacional, afetando mais de 1,6 bilhão de estudantes em todo o mundo, conforme relatórios da UNESCO. O fechamento massivo de escolas, adotado como medida para conter a disseminação do vírus, forçou uma migração repentina para o ensino remoto, revelando desigualdades estruturais e desafios no acesso à educação, especialmente em países em desenvolvimento. No Brasil, a situação foi ainda mais crítica, pois muitos alunos não possuíam os recursos tecnológicos necessários para acompanhar as aulas online, como acesso à internet de qualidade ou dispositivos eletrônicos adequados (UNESCO, 2020). A exclusão digital evidenciou disparidades regionais e sociais que acentuaram a crise educacional, principalmente em áreas rurais e comunidades carentes (SILVA; SOUZA, 2021).

Além dos desafios tecnológicos, a pandemia também impôs dificuldades emocionais e psicológicas tanto para alunos quanto para professores. A adaptação ao novo formato de ensino exigiu um esforço significativo de professores, que em sua maioria não estavam preparados para a transição imediata para o ensino a distância. Estudos mostram que a carga emocional dos docentes aumentou consideravelmente durante esse período, devido à pressão de adaptar conteúdos e metodologias, além do acompanhamento dos alunos que apresentaram dificuldades para se engajar no ensino remoto (SANTOS; LIMA, 2021). Muitos profissionais relataram estresse, ansiedade e sobrecarga de trabalho, o que também impactou diretamente a qualidade do ensino oferecido.

Os impactos negativos da pandemia foram mais acentuados em alunos que já enfrentavam dificuldades de aprendizagem antes da crise sanitária. O ensino remoto, por mais que tenha sido uma solução emergencial, não conseguiu suprir a necessidade de acompanhamento pedagógico mais individualizado, necessário para muitos estudantes, em especial aqueles com deficiências ou que necessitavam de educação especial. A falta de interações presenciais entre alunos e professores também prejudicou o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e a construção de vínculos no ambiente escolar, aspectos essenciais para o processo educacional (PEREIRA; MORAES, 2022). Esses fatores, em conjunto, contribuíram para o aumento da desigualdade educacional e a ampliação do déficit de aprendizagem entre os alunos.

Outro aspecto relevante dos impactos da pandemia na educação foi a interrupção de programas de alimentação escolar, essenciais para milhares de estudantes em situação de vulnerabilidade. No Brasil, muitos alunos dependiam da merenda escolar como uma das principais fontes de alimentação diária, e a ausência dessas refeições durante o fechamento das escolas agravou a situação de insegurança alimentar de diversas famílias (COSTA; OLIVEIRA, 2020). Embora algumas iniciativas tenham sido implementadas para mitigar esse problema, como a distribuição de cestas básicas, essas medidas não foram suficientes para atender a toda a demanda, agravando as condições de vida de muitas crianças e adolescentes.

Os estudantes de áreas rurais e indígenas enfrentaram desafios adicionais no contexto da pandemia. Para esses grupos, o ensino remoto representou uma barreira quase intransponível, dado que o acesso à internet é extremamente limitado em regiões mais isoladas. Além disso, a falta de equipamentos eletrônicos adequados e a escassez de materiais pedagógicos físicos dificultaram ainda mais o processo de aprendizagem. Como resultado, a evasão escolar entre esses alunos apresentou índices alarmantes, contribuindo para o aumento das desigualdades educacionais regionais no Brasil (FERNANDES; VIEIRA, 2021). A pandemia, assim, não apenas revelou as fragilidades já existentes no sistema educacional, como também aprofundou as lacunas que historicamente marginalizam esses estudantes.

A saúde mental dos alunos foi outra área severamente impactada pela pandemia. O isolamento social, aliado ao medo da doença e às incertezas quanto ao futuro, resultou em um aumento expressivo de casos de ansiedade, depressão e estresse entre os estudantes. A ausência do convívio social com colegas e professores, bem como a sobrecarga de atividades escolares em um ambiente doméstico nem sempre adequado ao estudo, intensificaram o desgaste emocional dos alunos (SILVA; MENDES, 2022). Isso, por sua vez, afetou negativamente o desempenho acadêmico e a motivação para continuar os estudos, contribuindo para o aumento da evasão escolar durante e após a pandemia.

O retorno gradual às aulas presenciais também apresentou desafios. A retomada das atividades nas escolas exigiu uma reestruturação completa das rotinas pedagógicas, adequando-se a protocolos sanitários rigorosos, como distanciamento social, uso de máscaras e higienização constante. No entanto, a implementação dessas medidas variou significativamente de acordo com a capacidade financeira das instituições de ensino, gerando uma disparidade entre escolas públicas e privadas (ALVES; GONÇALVES, 2021). Muitas escolas públicas, especialmente nas periferias urbanas e áreas rurais, enfrentaram dificuldades para garantir o cumprimento dos protocolos sanitários, resultando em um retorno desigual e inseguro para muitos alunos.

Em termos de políticas públicas, o Brasil implementou uma série de ações emergenciais para tentar mitigar os impactos da pandemia no sistema educacional, como a distribuição de materiais didáticos e o fornecimento de conteúdos por meio de emissoras de TV e rádio. No entanto, a eficácia dessas medidas foi limitada, especialmente em regiões onde o acesso à internet e a esses meios de comunicação era restrito (ROCHA; FREITAS, 2020). A falta de um planejamento centralizado e a ausência de uma infraestrutura digital robusta limitaram a capacidade de muitas escolas de fornecer uma educação de qualidade durante o período de ensino remoto.

Um impacto de longo prazo da pandemia no sistema educacional brasileiro foi o agravamento do já existente déficit de aprendizagem. Estudos indicam que, mesmo com o retorno às aulas presenciais, muitos alunos apresentam defasagens significativas no aprendizado de conteúdos básicos, como alfabetização e matemática. A ausência de acompanhamento pedagógico adequado durante o período de ensino remoto, aliada às dificuldades emocionais enfrentadas pelos alunos, comprometeu seriamente a assimilação de conteúdos curriculares, especialmente nos primeiros anos da educação básica (NASCIMENTO; ARAÚJO, 2022). As implicações desse déficit são preocupantes, pois podem gerar consequências duradouras para a formação educacional de toda uma geração de estudantes.

O aumento da evasão escolar foi uma das consequências mais graves da pandemia para o sistema educacional. Dados revelam que a taxa de abandono escolar no Brasil cresceu significativamente durante e após o período pandêmico, especialmente entre alunos de baixa renda e aqueles residentes em áreas rurais e periféricas. A falta de acesso a tecnologias, aliada à pressão econômica sobre as famílias, que em muitos casos dependiam do trabalho de seus filhos para garantir a subsistência, contribuiu para o afastamento de muitos jovens do ambiente escolar (MARTINS; SILVA, 2021). A recuperação desses alunos e a garantia de sua reintegração no sistema educacional representam desafios cruciais para os próximos anos.

Além da evasão, a pandemia também impactou negativamente a equidade no acesso à educação. A desigualdade educacional, que já era uma questão estrutural no Brasil, foi acentuada durante a crise sanitária, com alunos das escolas públicas enfrentando mais dificuldades para se adaptar ao ensino remoto em comparação com os alunos das escolas privadas. Enquanto instituições de ensino particulares conseguiram, em sua maioria, oferecer plataformas digitais e aulas síncronas, as escolas públicas, em grande parte, lutaram para fornecer qualquer tipo de conteúdo pedagógico de maneira contínua (SOUZA; FONSECA, 2020). Essa disparidade evidenciou a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura e formação tecnológica nas redes de ensino públicas.

Por fim, a pandemia também trouxe à tona a necessidade de repensar o modelo educacional vigente. O ensino remoto, apesar de todos os desafios, evidenciou a importância de integrar novas tecnologias ao processo educacional de forma mais permanente, adaptando metodologias de ensino para a era digital. Contudo, isso só será possível mediante uma profunda reestruturação das políticas públicas de educação no Brasil, que inclua investimentos em infraestrutura tecnológica, formação continuada para professores e estratégias de inclusão digital para os estudantes de baixa renda (MELO; CARVALHO, 2021). A pandemia, assim, apresentou não apenas os desafios, mas também as oportunidades para uma reforma educacional mais equitativa e inclusiva.

2.2. Evasão Escolar

A evasão escolar é um dos maiores desafios enfrentados pelos sistemas educacionais em todo o mundo, particularmente em países em desenvolvimento, como o Brasil. Trata-se de um fenômeno complexo que envolve múltiplos fatores, tais como condições socioeconômicas, falta de infraestrutura escolar, desmotivação dos alunos e, mais recentemente, as consequências da pandemia de COVID-19. O conceito de evasão escolar refere-se ao abandono precoce do ambiente educacional por parte dos alunos, antes da conclusão de uma etapa ou ciclo de ensino, o que tem implicações diretas sobre o desenvolvimento social e econômico das regiões afetadas. A pandemia agravou essa problemática, principalmente em comunidades de baixa renda, onde o acesso ao ensino remoto foi limitado ou inexistente (PEREIRA; SOUZA, 2020)

No contexto brasileiro, a evasão escolar tem sido uma questão histórica, afetando principalmente alunos de escolas públicas e de regiões menos favorecidas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de evasão escolar no ensino médio já era preocupante antes da pandemia, com um percentual significativo de jovens entre 15 e 17 anos fora da escola. Esse cenário foi amplificado com a crise sanitária, uma vez que muitos estudantes enfrentaram dificuldades para acompanhar as aulas remotas devido à falta de infraestrutura tecnológica, como computadores e acesso à internet (IBGE, 2020). Além disso, a sobrecarga emocional e as responsabilidades domésticas, como o cuidado de familiares e a necessidade de contribuir para a renda familiar, também contribuíram para o aumento da evasão escolar durante esse período (CARVALHO; LIMA, 2021).

Entre as principais causas da evasão escolar estão as desigualdades socioeconômicas, que afetam diretamente o acesso e a permanência dos alunos no ambiente escolar. Estudantes de famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza têm mais dificuldade de concluir os estudos, uma vez que muitas vezes precisam priorizar o trabalho em detrimento da educação. Além disso, a falta de suporte familiar e as condições inadequadas de estudo em casa, como a ausência de um espaço apropriado para o aprendizado, agravam ainda mais esse quadro. A pandemia de COVID-19 escancarou essas desigualdades, expondo a fragilidade do sistema educacional brasileiro em lidar com as necessidades dos alunos mais vulneráveis (ALVES; SILVA, 2021)

Outro fator determinante para a evasão escolar é a qualidade do ensino oferecido nas escolas públicas. Alunos que frequentam instituições com infraestrutura precária, falta de materiais didáticos e professores desmotivados tendem a ter um desempenho acadêmico inferior, o que aumenta as chances de abandono escolar. Estudos indicam que escolas com melhores condições estruturais e programas de apoio pedagógico apresentam menores taxas de evasão (OLIVEIRA; SANTOS, 2019). Durante a pandemia, essa disparidade ficou ainda mais evidente, já que muitas escolas públicas não tinham condições de oferecer ensino remoto de qualidade, ao contrário das instituições privadas, que rapidamente se adaptaram ao novo formato (MARTINS; FERREIRA, 2021).

A relação entre a evasão escolar e o mercado de trabalho também é um aspecto importante a ser considerado. Jovens que abandonam a escola têm mais dificuldade para ingressar no mercado formal de trabalho e, quando conseguem emprego, geralmente ocupam posições de baixa remuneração e pouca estabilidade. A falta de qualificação educacional limita as oportunidades de crescimento profissional, perpetuando ciclos de pobreza e exclusão social. A pandemia de COVID-19 acentuou essa realidade, já que muitos jovens se viram obrigados a abandonar a escola para auxiliar suas famílias financeiramente, sobretudo em contextos de crise econômica (SILVA; COSTA, 2020)

A evasão escolar também tem implicações significativas para a sociedade como um todo, especialmente no que diz respeito à desigualdade social e ao desenvolvimento econômico. Países com altos índices de evasão escolar tendem a enfrentar desafios maiores para promover o crescimento econômico sustentável, uma vez que a educação é um dos principais motores para o desenvolvimento humano e social. A falta de escolaridade limita o acesso a empregos qualificados e reduz a capacidade produtiva da população, o que impacta negativamente o crescimento econômico e a competitividade no cenário global. Dessa forma, combater a evasão escolar é uma questão estratégica para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil (SOUZA; PEREIRA, 2020).

A evasão escolar também afeta diretamente a qualidade de vida dos indivíduos, uma vez que a educação está fortemente associada à saúde, bem-estar e cidadania ativa. Jovens que abandonam a escola têm maior probabilidade de se envolverem em comportamentos de risco, como o uso de drogas e a violência, além de apresentarem menores índices de participação política e social. A falta de escolaridade também está relacionada a piores condições de saúde, já que indivíduos menos educados tendem a ter menos acesso a informações sobre saúde e a utilizar menos os serviços de saúde disponíveis. Portanto, a evasão escolar gera um impacto multidimensional, afetando não apenas o desenvolvimento econômico, mas também a coesão social e a saúde pública (CARVALHO; FONSECA, 2020).

O abandono escolar também tem um impacto direto sobre o futuro educacional do país. A evasão compromete o alcance das metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê, entre outros objetivos, a universalização do ensino médio e a redução das desigualdades educacionais. O aumento das taxas de evasão durante a pandemia representa um retrocesso significativo nesse processo, dificultando o cumprimento das metas previstas e comprometendo o futuro de milhões de jovens brasileiros (BRASIL, 2019). Para reverter esse cenário, são necessárias políticas públicas mais eficazes e integradas, que levem em consideração as especificidades regionais e as necessidades dos grupos mais vulneráveis.

No que tange às políticas públicas de combate à evasão escolar, o Brasil tem implementado algumas iniciativas importantes, como o Bolsa Família, que condiciona o recebimento do benefício à frequência escolar. No entanto, esses programas ainda não são suficientes para resolver a questão de forma ampla, especialmente em contextos de crise como o da pandemia. A falta de um acompanhamento mais próximo das famílias e a ausência de políticas de apoio psicológico e pedagógico para os estudantes em risco de evasão são falhas que precisam ser corrigidas. Programas que incentivem a permanência dos alunos na escola e ofereçam suporte não apenas financeiro, mas também emocional e acadêmico, são essenciais para reverter os altos índices de abandono (MORAES; ALMEIDA, 2020).

Durante a pandemia, algumas iniciativas emergenciais foram implementadas para tentar reduzir os efeitos da evasão escolar. Entre elas, destacam-se a distribuição de cestas básicas e kits de material escolar para os alunos mais carentes, além de iniciativas de ensino remoto via TV e rádio em algumas regiões. No entanto, essas ações foram insuficientes para conter o avanço da evasão, uma vez que a desigualdade no acesso à tecnologia e a falta de infraestrutura escolar continuaram a ser barreiras significativas. Além disso, o ensino remoto, em muitos casos, não conseguiu manter o interesse dos alunos, o que resultou em uma desmotivação generalizada e no abandono dos estudos por parte de muitos jovens (FREITAS; RIBEIRO, 2021).

A questão da evasão escolar é ainda mais preocupante quando se trata de alunos com deficiência ou necessidades educacionais especiais. Esses estudantes, que já enfrentavam desafios significativos no ensino presencial, encontraram ainda mais dificuldades durante o ensino remoto. A falta de adaptações adequadas e a ausência de suporte especializado no ambiente doméstico contribuíram para o aumento da evasão escolar nesse grupo (SILVA; MENDONÇA, 2020). A inclusão educacional, portanto, é uma questão central para o combate à evasão, e políticas específicas para atender às necessidades desses alunos são fundamentais.

É importante ressaltar que a evasão escolar não é um fenômeno isolado, mas um reflexo das condições socioeconômicas, culturais e educacionais do país. Combater a evasão requer uma abordagem integrada, que envolva não apenas o sistema educacional, mas também políticas de desenvolvimento social, como a geração de emprego e renda para as famílias mais vulneráveis. A promoção de uma educação de qualidade e acessível para todos é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa, na qual todos os jovens tenham a oportunidade de completar sua formação e contribuir para o desenvolvimento do país (SILVEIRA; LOPES, 2020).

2.3. Ações de Combate à Evasão Escolar Durante a Pandemia de COVID-19

Durante a pandemia de COVID-19, uma série de ações emergenciais foram implementadas para tentar mitigar os impactos do fechamento das escolas e combater o aumento da evasão escolar. Uma das principais iniciativas foi a adoção do ensino remoto, que se tornou a principal ferramenta de continuidade dos estudos para milhões de alunos no Brasil. No entanto, essa medida, embora necessária, revelou profundas desigualdades no acesso à educação, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade socioeconômica, onde a falta de internet e de equipamentos adequados impediu a plena participação de muitos estudantes. Estudos mostram que, sem um planejamento adequado e investimentos em infraestrutura digital, o ensino remoto não foi capaz de atender a todos de forma igualitária (ALMEIDA; SILVA, 2020). Essa exclusão digital contribuiu para a ampliação dos índices de evasão escolar, principalmente entre alunos das escolas públicas.

Além do ensino remoto, algumas iniciativas buscaram fornecer aos alunos recursos materiais e financeiros para garantir sua permanência na educação. Programas como a distribuição de kits de alimentação escolar, que substituíram a merenda oferecida nas escolas, foram fundamentais para garantir a segurança alimentar de estudantes em situação de vulnerabilidade. Em muitos casos, a falta de acesso à merenda escolar era um dos fatores que levava os alunos a abandonar os estudos, já que as famílias enfrentavam dificuldades financeiras agravadas pela crise econômica decorrente da pandemia (SANTOS; GOMES, 2021). No entanto, a distribuição desses kits, apesar de essencial, apresentou falhas logísticas em várias regiões do país, o que dificultou sua abrangência total.

Outra medida importante foi a criação de plataformas educacionais acessíveis, como o uso de canais de TV e rádio para transmissão de conteúdos escolares. Essa ação teve como objetivo alcançar estudantes que não possuíam acesso à internet, oferecendo uma alternativa de ensino a distância mais inclusiva. Embora tenha sido uma solução inovadora, essa estratégia também apresentou limitações, como a falta de interatividade e acompanhamento pedagógico adequado, o que comprometeu o aprendizado de muitos alunos. Além disso, em algumas regiões, a cobertura de sinal de TV e rádio era precária, impedindo que os conteúdos chegassem a todos os estudantes (MORAES; COSTA, 2020).

Para combater a evasão escolar, foram criados também programas de monitoramento da frequência dos alunos, por meio de ferramentas digitais e contato direto com as famílias. Essas iniciativas visavam identificar precocemente os estudantes em risco de abandono escolar, oferecendo suporte tanto pedagógico quanto psicológico para mantê-los engajados nos estudos. Estudos apontam que o apoio emocional foi crucial para muitos alunos que, devido ao isolamento social e às incertezas causadas pela pandemia, enfrentaram problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, que impactaram diretamente seu desempenho escolar (OLIVEIRA; PEREIRA, 2021). No entanto, a falta de recursos humanos e tecnológicos nas escolas públicas dificultou a implementação eficaz desse tipo de acompanhamento.

Diversas ONGs e entidades do terceiro setor também desempenharam um papel fundamental no combate à evasão escolar durante a pandemia. Organizações como o "Todos pela Educação" e a "Fundação Lemann" realizaram campanhas de doação de equipamentos tecnológicos, como tablets e computadores, para alunos de baixa renda, além de promoverem formações para professores sobre o uso de ferramentas digitais. Essas ações colaboraram para a diminuição das barreiras de acesso ao ensino remoto, mas ainda assim não conseguiram alcançar todos os estudantes necessitados, especialmente em regiões mais afastadas e de difícil acesso (SILVA; SOUSA, 2021). A atuação do terceiro setor foi, sem dúvida, uma ajuda importante, mas a responsabilidade principal pela garantia do direito à educação é do Estado.

As políticas públicas de transferência de renda, como o Auxílio Emergencial, também foram uma ação importante para combater a evasão escolar durante a pandemia. Ao garantir um mínimo de renda para as famílias em situação de vulnerabilidade, esse programa ajudou a reduzir a necessidade de que crianças e adolescentes deixassem a escola para trabalhar e contribuir com o sustento da família. Estudos apontam que a evasão escolar está diretamente ligada à pobreza, e o auxílio econômico foi uma forma de amenizar esse problema no curto prazo (COSTA; SANTOS, 2021). No entanto, com o fim do Auxílio Emergencial, houve um aumento no número de jovens que abandonaram os estudos para buscar oportunidades no mercado de trabalho informal, revelando a necessidade de políticas mais estruturais e de longo prazo.

A formação continuada de professores foi outra ação fundamental para o combate à evasão escolar durante a pandemia. Com a transição para o ensino remoto, muitos docentes não estavam preparados para utilizar as ferramentas digitais de maneira eficaz. Programas de formação e capacitação foram implementados tanto por governos quanto por instituições privadas para melhorar a qualidade do ensino a distância. Professores capacitados foram capazes de desenvolver metodologias mais interativas e de manter o engajamento dos alunos, o que ajudou a diminuir as taxas de abandono escolar (FREITAS; ALMEIDA, 2020). No entanto, a oferta dessas formações foi desigual, e muitos profissionais da rede pública continuaram a enfrentar dificuldades para se adaptar às novas tecnologias.

No contexto do ensino superior, algumas universidades adotaram medidas específicas para evitar a evasão durante a pandemia. Bolsas de estudo, programas de apoio psicológico e pedagógico, além de flexibilização de prazos e avaliações, foram algumas das ações implementadas para manter os alunos matriculados. Em especial, as universidades públicas realizaram esforços para garantir que os alunos mais vulneráveis tivessem acesso a equipamentos tecnológicos e à internet, permitindo que continuassem suas atividades acadêmicas de forma remota (PEREIRA; GONÇALVES, 2021). Essas medidas foram fundamentais para evitar uma evasão em massa, mas não foram suficientes para impedir que muitos estudantes abandonassem os cursos, principalmente aqueles que precisavam conciliar os estudos com o trabalho.

As secretarias estaduais e municipais de educação também implementaram ações para tentar reduzir a evasão escolar. Em São Paulo, por exemplo, foi criado o "Programa de Busca Ativa Escolar", que envolvia a articulação entre escolas, famílias e assistentes sociais para localizar e reintegrar alunos que haviam abandonado os estudos durante a pandemia. Essa iniciativa teve resultados positivos, com a recuperação de uma parte significativa dos estudantes, mas encontrou desafios, como a falta de recursos para viabilizar o retorno dos alunos às aulas presenciais, especialmente em regiões mais carentes (LIMA; FERREIRA, 2020). A pandemia evidenciou que programas de busca ativa são essenciais, mas devem ser acompanhados de políticas de suporte contínuo para garantir que os alunos permaneçam na escola.

No campo das políticas educacionais, o Governo Federal lançou o Plano de Ação para a Educação durante a pandemia, que incluía medidas como a distribuição de materiais impressos para alunos sem acesso à internet e o reforço na alimentação escolar. No entanto, a implementação dessas políticas enfrentou dificuldades, como a falta de uma coordenação centralizada e de recursos suficientes para alcançar todos os alunos afetados. Além disso, a desigualdade entre as regiões brasileiras fez com que as ações fossem mais eficazes em alguns estados do que em outros, revelando a necessidade de maior articulação entre as esferas federal, estadual e municipal (RODRIGUES; MELO, 2021).

Em alguns estados, a distribuição de chips de celular com acesso à internet para estudantes de baixa renda foi uma medida adotada para facilitar o acesso ao ensino remoto. Essa iniciativa, embora limitada, possibilitou que muitos alunos continuassem seus estudos, especialmente nas regiões urbanas. Contudo, em áreas rurais e indígenas, onde a cobertura de internet é mais precária, essa solução não foi suficiente para atender a demanda. Além disso, problemas técnicos, como a baixa velocidade da internet e a falta de familiaridade dos alunos com o uso de dispositivos eletrônicos, dificultaram a efetividade dessa medida (SANTOS; ALMEIDA, 2021).

Em termos de apoio psicossocial, algumas escolas desenvolveram projetos de acolhimento emocional para os alunos e suas famílias. Com o aumento dos casos de ansiedade, depressão e estresse entre os jovens durante a pandemia, o suporte psicológico tornou-se uma ferramenta importante para combater a evasão escolar. A criação de grupos de escuta, o acompanhamento individualizado e as palestras sobre saúde mental foram algumas das estratégias adotadas. No entanto, essas iniciativas ainda são insuficientes, já que muitas escolas públicas não possuem profissionais capacitados ou recursos para oferecer esse tipo de apoio de forma contínua (LOPES; BARROS, 2021).

3. CONCLUSÃO

A pandemia de COVID-19 trouxe desafios sem precedentes para o sistema educacional brasileiro, expondo e amplificando problemas estruturais já existentes, como a desigualdade no acesso à educação e a fragilidade das políticas públicas voltadas à permanência escolar. A evasão escolar, que já era uma questão crítica no país, foi exacerbada pela crise sanitária, especialmente entre os estudantes em situação de vulnerabilidade social, os quais enfrentaram dificuldades como a falta de acesso à internet e a equipamentos eletrônicos adequados para o ensino remoto. Além disso, a necessidade de contribuir com a renda familiar em meio à crise econômica e os impactos psicológicos do isolamento social agravaram ainda mais a situação, resultando em um aumento expressivo do abandono escolar.

Ao longo deste artigo, discutimos como as diferentes ações implementadas durante a pandemia, tanto por parte do governo quanto de organizações da sociedade civil, buscaram mitigar esses impactos. Medidas como o ensino remoto, a distribuição de cestas básicas e kits escolares, a criação de plataformas educacionais acessíveis e programas de transferência de renda como o Auxílio Emergencial foram importantes para tentar conter a evasão, mas revelaram-se insuficientes para resolver o problema em sua totalidade. A exclusão digital, as desigualdades regionais e a falta de um suporte adequado para os alunos e suas famílias mostraram a necessidade de políticas mais amplas e integradas para garantir o direito à educação de forma equitativa.

O combate à evasão escolar, especialmente no contexto pós-pandêmico, exige uma abordagem multidimensional, que envolva não apenas a melhoria das condições tecnológicas e pedagógicas, mas também o fortalecimento das políticas sociais e de apoio psicológico. Programas de busca ativa, formação continuada para professores, apoio psicossocial e políticas de incentivo à permanência escolar são essenciais para enfrentar os desafios que surgiram ou se intensificaram durante a pandemia. Além disso, é necessário um compromisso contínuo do Estado em articular diferentes setores e garantir investimentos suficientes para promover uma educação inclusiva e de qualidade para todos.

Portanto, a superação do problema da evasão escolar no Brasil requer esforços coordenados e sustentados no longo prazo, que levem em conta as especificidades regionais e as necessidades dos alunos mais vulneráveis. A pandemia revelou, de forma dolorosa, as fragilidades do sistema educacional brasileiro, mas também trouxe oportunidades para repensar e reestruturar as políticas educacionais, visando à construção de um futuro mais justo e inclusivo. Somente com uma educação acessível e de qualidade será possível reverter o ciclo de pobreza e exclusão social, promovendo o desenvolvimento integral dos jovens e garantindo um futuro melhor para a sociedade brasileira como um todo.

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1 Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas - PY

2 Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas - PY

3 Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas - PY

4 Meste em Ciências da Educação pela World University Ecumenical - USA

5 Doutorando em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas - PY

6 Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas - PY

7 Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas - PY

8 Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas - PY

9 Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas - PY

10 Mestranda em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas - PY

11 Orientador. Doutor em Ciências da Educação pela Universidad Del Mar - CL

12 Orientador. Doutor em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas - PY