ENTRE A ORALIDADE E A LÍNGUA DE SINAIS: PERSPECTIVAS DA FONOAUDIOLOGIA NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM DE CRIANÇAS SURDAS

BETWEEN ORAL LANGUAGE AND SIGN LANGUAGE: SPEECH-LANGUAGE PATHOLOGY PERSPECTIVES ON THE LANGUAGE DEVELOPMENT OF DEAF CHILDREN

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/793328791

RESUMO
O desenvolvimento da linguagem de crianças surdas envolve questões relacionadas ao acesso à língua de sinais, às experiências de oralidade e às condições de interação nos ambientes familiar e educacional. Este artigo teve como objetivo analisar as contribuições da literatura científica sobre o desenvolvimento linguístico de crianças surdas, com ênfase na aquisição da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e na atuação fonoaudiológica. Metodologicamente, caracterizou-se como uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, considerando publicações do período de 2021 a 2026. A discussão contemplou aspectos relacionados ao acesso precoce à língua de sinais, às interações sociais, ao desenvolvimento da oralidade e às possibilidades de intervenção fonoaudiológica em contextos bilíngues. A literatura discutida destacou a relevância de experiências linguísticas acessíveis desde a infância, bem como da participação familiar e da articulação entre os profissionais da saúde e da educação. Verificou-se, ainda, a necessidade de compreender as trajetórias comunicativas de maneira individualizada, evitando a oposição automática entre língua de sinais e oralidade. Concluiu-se que a promoção do desenvolvimento linguístico de crianças surdas requer práticas que valorizem a diversidade comunicativa, o acesso à língua de sinais e o acompanhamento fonoaudiológico fundamentado nas necessidades de cada criança.
Palavras-chave: Crianças surdas; Desenvolvimento da linguagem; Língua Brasileira de Sinais; Fonoaudiologia; Bilinguismo.

ABSTRACT
Language development in deaf children involves issues related to access to sign language, oral language experiences, and opportunities for interaction in family and educational settings. This article aimed to analyze contributions from the scientific literature on language development in deaf children, with an emphasis on the acquisition of Brazilian Sign Language (Libras) and speech-language pathology practice. Methodologically, the study was characterized as an integrative literature review with a qualitative approach and descriptive purpose, considering publications from 2021 to 2026. The discussion addressed early access to sign language, social interactions, oral language development, and speech-language pathology interventions in bilingual contexts. The literature discussed highlighted the importance of accessible language experiences from early childhood, as well as family involvement and collaboration between health and education professionals. It also emphasized the need to understand individual communication trajectories without automatically treating sign language and oral language as opposing alternatives. It was concluded that promoting language development in deaf children requires practices that value communication diversity, access to sign language, and speech-language pathology support tailored to each child's needs.
Keywords: Deaf children; Language development; Brazilian Sign Language; Speech-language pathology; Bilingualism.

1. INTRODUÇÃO

O desenvolvimento da linguagem na infância constitui um processo fundamental para a comunicação, a construção do pensamento, a interação social e a participação nos diferentes contextos da vida. No caso das crianças surdas, esse processo envolve particularidades relacionadas às condições de acesso à língua, às experiências comunicativas e às oportunidades de interação oferecidas desde os primeiros anos de vida. Nesse cenário, a Fonoaudiologia desempenha papel relevante no acompanhamento do desenvolvimento linguístico, na identificação de possíveis dificuldades e na orientação das famílias, considerando as necessidades individuais e as diferentes possibilidades de comunicação. Diante dessas questões, torna-se pertinente investigar como os profissionais da Fonoaudiologia compreendem e conduzem o desenvolvimento linguístico de crianças surdas, considerando as possibilidades de aquisição da língua de sinais e de desenvolvimento da linguagem oral. Essa discussão permite examinar os desafios envolvidos nas intervenções fonoaudiológicas e a importância de assegurar condições favoráveis à comunicação desde a infância. A Língua Brasileira de Sinais (Libras) constitui uma língua de modalidade visual-espacial, dotada de estrutura gramatical própria, que possibilita às pessoas surdas expressarem ideias, sentimentos, conhecimentos e experiências. Sua aquisição, entretanto, depende de oportunidades efetivas de exposição e interação linguística. Martins, Rosa e Martins (2025) destacam a importância do acesso precoce à Libras para o desenvolvimento linguístico, cognitivo e identitário das crianças surdas, ressaltando os desafios enfrentados pelas famílias e pelas instituições para assegurar experiências linguísticas adequadas. Nessa perspectiva, a ausência de contato oportuno com uma língua plenamente acessível pode comprometer as oportunidades de desenvolvimento comunicativo, o que evidencia a importância de ações precoces e articuladas entre família, saúde e educação. Essa questão também é discutida por Roldão, Santos e Cavalcanti (2023), que analisaram os efeitos da aquisição tardia da língua de sinais no desenvolvimento de crianças surdas. As autoras identificaram, na literatura examinada, dificuldades relacionadas a diferentes aspectos do processamento linguístico entre sinalizantes que tiveram acesso tardio à língua. Esses achados reforçam a necessidade de considerar o momento de acesso à linguagem como elemento relevante no acompanhamento do desenvolvimento infantil. Entretanto, é importante reconhecer que as trajetórias linguísticas não são homogêneas, uma vez que as experiências familiares, as oportunidades de interação e as condições individuais podem influenciar o percurso de cada criança. Paralelamente, a oralidade pode integrar o processo de acompanhamento fonoaudiológico, especialmente quando essa possibilidade corresponde às características, às necessidades e às escolhas comunicacionais da criança e de sua família. As intervenções voltadas à linguagem oral podem envolver o desenvolvimento das habilidades auditivas, da percepção e da produção da fala, conforme as condições clínicas e os objetivos estabelecidos no acompanhamento. Contudo, a valorização dessas habilidades não deve significar a restrição do acesso à Libras nem o adiamento da oferta de uma língua acessível. Nesse sentido, Cruz e Quadros (2025) ressaltam a importância de acompanhar a aquisição da língua de sinais e de orientar familiares e cuidadores sobre as oportunidades de interação linguística desde a primeira infância. Essa compreensão amplia a atuação fonoaudiológica para além de uma perspectiva exclusivamente centrada na audição e na fala. Diante disso, a discussão sobre oralidade e língua de sinais exige uma abordagem que reconheça as especificidades do desenvolvimento linguístico das crianças surdas, sem estabelecer uma oposição absoluta entre as modalidades de comunicação. A atuação fonoaudiológica deve considerar a singularidade de cada trajetória, o acesso precoce à linguagem, a participação familiar e a articulação com outros profissionais, respeitando os direitos linguísticos e as possibilidades de desenvolvimento de cada criança. Além disso, torna-se necessário refletir sobre os conhecimentos e as estratégias que orientam os profissionais na avaliação e no acompanhamento dessas crianças, especialmente diante dos desafios relacionados à aquisição da Libras e ao desenvolvimento da linguagem oral. Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo analisar as perspectivas da Fonoaudiologia sobre o desenvolvimento da linguagem de crianças surdas, considerando a oralidade, a aquisição da Libras e as possibilidades de intervenção profissional. Busca-se, especificamente, discutir a importância do acesso precoce à linguagem, compreender as contribuições das diferentes modalidades comunicacionais e identificar aspectos que possam favorecer práticas fonoaudiológicas inclusivas e adequadas às necessidades infantis. Espera-se que essa discussão contribua para ampliar a compreensão sobre o desenvolvimento linguístico na infância surda e subsidiar reflexões sobre uma atuação profissional comprometida com a comunicação, a acessibilidade e o respeito à diversidade linguística.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. Desenvolvimento da Linguagem na Infância Surda: Aspectos Linguísticos, Cognitivos e Sociais

O desenvolvimento da linguagem está relacionado às experiências de interação, às oportunidades de comunicação e ao acesso a uma língua que a criança consiga perceber e utilizar de maneira efetiva. Na infância surda, essa discussão exige considerar não apenas as condições auditivas, mas também as experiências linguísticas disponíveis no ambiente familiar, educacional e social. As experiências linguísticas vivenciadas na infância exercem papel importante na construção das habilidades comunicativas. Para crianças surdas, a disponibilidade de interações acessíveis e de oportunidades concretas de aprendizagem de uma língua deve ser considerada na análise de seu desenvolvimento, uma vez que os percursos linguísticos podem variar conforme as condições de comunicação presentes nos diferentes ambientes. Cruz e Quadros (2025) discutem a aquisição e a avaliação da linguagem em crianças surdas sinalizantes, destacando que a falta de exposição precoce à Língua Brasileira de Sinais (Libras) pode estar associada a dificuldades no desenvolvimento das habilidades linguísticas expressivas e compreensivas. As autoras também ressaltam a necessidade de que profissionais que acompanham bebês e crianças surdas observem o processo de aquisição da língua de sinais e identifiquem possíveis necessidades de intervenção. Essa perspectiva demonstra que a avaliação do desenvolvimento linguístico não deve se restringir à observação da fala, uma vez que as habilidades comunicativas também podem se manifestar por meio de uma língua visual-espacial. A relação entre linguagem e interação social também é evidenciada por pesquisas desenvolvidas no contexto da educação infantil bilíngue. Ao analisar situações de interação entre crianças surdas e seus interlocutores, estudos sobre a construção da linguagem em ambientes educacionais destacam a importância das trocas cotidianas para a participação infantil e para a apropriação da língua. Nesse sentido, o contato com adultos e outras crianças que utilizam a Libras pode ampliar as oportunidades de comunicação, favorecer a construção de significados e permitir que a criança participe de atividades sociais e educativas de maneira mais efetiva. O desenvolvimento linguístico, portanto, não pode ser compreendido isoladamente das relações que a criança estabelece com o meio (Silva; Seabra, 2022). Outro aspecto relevante diz respeito ao momento em que a criança passa a ter contato consistente com uma língua acessível. Roldão, Santos e Cavalcanti (2023), ao revisarem pesquisas sobre os efeitos da aquisição tardia da língua de sinais, identificaram resultados relacionados a diferenças no processamento linguístico, na compreensão de estruturas gramaticais e em outros aspectos do desenvolvimento entre sinalizantes com diferentes experiências de aquisição. Esses resultados apontam para a importância das experiências linguísticas precoces, embora não autorizem afirmar que todas as crianças surdas apresentam a mesma trajetória ou que os efeitos do acesso tardio sejam idênticos em todos os casos. Em estudo realizado com crianças surdas e com deficiência auditiva de famílias ouvintes, Caselli et al. (2021) investigaram a relação entre a idade de exposição à língua de sinais americana e o desenvolvimento do vocabulário. Os resultados indicaram que as crianças expostas à língua de sinais nos primeiros seis meses de vida apresentaram crescimento vocabular compatível com o esperado para a idade, considerando a referência utilizada no estudo. Embora os achados não possam ser automaticamente generalizados para todas as crianças brasileiras ou para a Libras, eles reforçam a relevância do acesso precoce a uma língua visual plenamente acessível. Dessa maneira, o desenvolvimento da linguagem na infância surda deve ser analisado a partir de uma perspectiva ampla, que contemple as condições de acesso à língua, as interações sociais, a participação familiar e as particularidades de cada trajetória. Para a Fonoaudiologia, essa compreensão é importante porque orienta avaliações mais abrangentes e intervenções que não reduzam a competência comunicativa da criança à produção oral. Reconhecer diferentes formas de expressão linguística contribui para identificar potencialidades, compreender necessidades específicas e planejar ações que favoreçam o desenvolvimento comunicativo e a participação social.

2.2. Aquisição da Libras e Importância do Acesso Precoce à Língua

A Língua Brasileira de Sinais é uma língua natural de modalidade visual-espacial, organizada por estruturas linguísticas próprias e utilizada por comunidades surdas no Brasil. Sua aquisição não deve ser confundida com a aprendizagem de gestos isolados ou com a utilização de sinais como simples apoio à comunicação oral. Trata-se de uma língua que permite a construção e a expressão de significados complexos, a interação social e a participação em práticas culturais e educacionais. Para crianças surdas que encontram barreiras no acesso auditivo à língua oral, a disponibilidade de uma língua visual acessível representa um aspecto central das oportunidades de desenvolvimento linguístico. Martins, Rosa e Martins (2025) discutem o desenvolvimento linguístico, cognitivo e identitário de crianças surdas, enfatizando a importância do acesso precoce à Libras e os desafios enfrentados pelas famílias e instituições para assegurar condições adequadas de aquisição. Essa discussão demonstra que a garantia de experiências linguísticas não depende exclusivamente da criança, pois envolve também a disponibilidade de interlocutores fluentes, o acesso a ambientes comunicacionais favoráveis e a existência de políticas e práticas que reconheçam a língua de sinais. Assim, o desenvolvimento linguístico precisa ser compreendido em articulação com as condições sociais que possibilitam o contato efetivo com a língua. A questão do acesso precoce também aparece na revisão de Roldão, Santos e Cavalcanti (2023), que reúne pesquisas sobre crianças surdas expostas tardiamente à língua de sinais. As autoras identificaram estudos que apontam diferenças em determinadas habilidades linguísticas entre sinalizantes que tiveram diferentes oportunidades de aquisição. Entre os aspectos discutidos estão o processamento de construções gramaticais, a utilização de referências espaciais e a compreensão de estruturas linguísticas. Esses resultados indicam que o momento e a qualidade da exposição à língua constituem fatores importantes, embora a interpretação dos achados deva considerar os métodos e as populações investigadas em cada estudo. A importância do acesso à língua de sinais não se restringe às famílias em que os pais são surdos ou já conhecem a Libras. Caselli et al. (2021) observaram que crianças surdas e com deficiência auditiva filhas de pais ouvintes também podem apresentar crescimento vocabular compatível com o esperado quando têm acesso precoce à língua de sinais americana. Esse resultado evidencia a relevância de oferecer oportunidades de aprendizagem aos familiares e de apoiar a construção de ambientes comunicativos acessíveis. Como a pesquisa foi realizada com a língua de sinais americana, seus resultados devem ser utilizados como evidência internacional pertinente, e não como demonstração direta dos mesmos efeitos em todas as crianças usuárias de Libras. Lieberman, Mitchiner e Pontecorvo (2022) investigaram as experiências de pais ouvintes que aprendem a língua de sinais americana com seus filhos surdos. O estudo aborda as dificuldades e as possibilidades envolvidas nesse processo, considerando que muitos familiares não conhecem uma língua de sinais antes do nascimento ou do diagnóstico da surdez. A pesquisa contribui para compreender que o apoio aos responsáveis precisa incluir oportunidades concretas de aprendizagem linguística, orientações profissionais e condições para que a comunicação se estabeleça nas atividades cotidianas. O envolvimento familiar, nesse contexto, não deve ser entendido como responsabilidade exclusiva dos pais, mas como parte de uma rede de apoio que também envolve profissionais e instituições. Além de possibilitar a comunicação imediata, o acesso à Libras pode contribuir para a construção da identidade e para a participação da criança em comunidades que compartilham experiências linguísticas e culturais. A convivência com adultos surdos e outros usuários da língua pode ampliar as referências comunicativas da criança e oferecer modelos linguísticos relevantes. Essa dimensão social também precisa ser considerada nas práticas fonoaudiológicas, sobretudo quando o profissional orienta a família sobre as possibilidades de desenvolvimento e sobre a importância de garantir experiências linguísticas consistentes desde a primeira infância. Portanto, a aquisição da Libras deve ser compreendida como uma dimensão fundamental do acesso à linguagem para crianças surdas, e não como uma alternativa que precise aguardar o resultado de intervenções voltadas à oralidade. A oferta precoce de uma língua acessível permite que as necessidades comunicativas sejam consideradas desde os primeiros anos de vida. Cabe aos profissionais contribuir para que as famílias recebam informações fundamentadas, conheçam diferentes possibilidades de acompanhamento e possam tomar decisões informadas, respeitando as características e as necessidades de cada criança.

2.3. Atuação Fonoaudiológica, Oralidade e Perspectivas de Intervenção Bilíngue

A atuação fonoaudiológica junto às crianças surdas envolve a avaliação e o acompanhamento do desenvolvimento comunicativo, a orientação familiar e a identificação de necessidades relacionadas à audição, à fala e à linguagem. Entretanto, a complexidade dessas demandas exige uma abordagem que reconheça a diversidade de trajetórias linguísticas e não considere a oralidade como único indicador de desenvolvimento. O planejamento terapêutico deve partir de uma avaliação individualizada, levando em conta as condições auditivas, as experiências linguísticas, as oportunidades de interação e as necessidades comunicativas da criança. O editorial publicado por pesquisadores da área de Fonoaudiologia em 2021 discute a relação histórica da profissão com a surdez, incluindo a predominância de práticas centradas na adaptação à língua oral. Essa reflexão permite compreender a necessidade de analisar criticamente modelos de atendimento que valorizam exclusivamente a fala e que podem desconsiderar as dimensões linguísticas e culturais das comunidades surdas. A discussão contemporânea exige que a atuação profissional considere a língua de sinais como parte legítima das experiências comunicativas e reconheça a importância de práticas fundamentadas em evidências científicas e nos direitos linguísticos das pessoas surdas (Codas, 2021). A oralidade pode integrar o acompanhamento fonoaudiológico quando houver indicação, objetivos definidos e compatibilidade com as necessidades e preferências da criança e de sua família. As intervenções podem contemplar aspectos relacionados à percepção auditiva, à produção da fala e ao desenvolvimento de habilidades linguísticas orais, considerando fatores como o perfil auditivo, o uso de dispositivos de amplificação e as experiências comunicativas disponíveis. Contudo, o desenvolvimento dessas habilidades não deve ser tratado como condição prévia para o acesso à Libras. A garantia de uma língua acessível desde cedo é particularmente importante para que a criança não dependa exclusivamente de habilidades auditivas ou orais ainda em desenvolvimento para estabelecer relações comunicativas. Delcenserie, Genesee e Champoux (2024) investigaram a exposição à língua de sinais antes e depois da implantação coclear e sua relação com habilidades linguísticas e cognitivas em crianças surdas. Os resultados discutidos pelos autores contribuem para a análise da relação entre experiências com a língua de sinais e desenvolvimento, inclusive em contextos que envolvem tecnologias auditivas. Esses achados são relevantes para questionar a ideia de que o contato com uma língua de sinais necessariamente prejudicaria o desenvolvimento da linguagem oral. Entretanto, os resultados devem ser interpretados considerando o desenho do estudo, a população investigada e as características específicas do contexto linguístico analisado, sem generalizações automáticas para todas as crianças. A perspectiva bilíngue permite considerar a língua de sinais e a língua oral como modalidades que podem integrar as experiências de determinadas crianças, conforme suas condições e necessidades. Benítez-Barrera et al. (2023), ao investigarem experiências familiares relacionadas ao bilinguismo oral de crianças surdas e com deficiência auditiva, analisaram práticas linguísticas, orientações profissionais e aspectos associados à proficiência nas línguas utilizadas. O estudo reforça a importância de considerar as experiências concretas das famílias e as orientações recebidas dos profissionais, em vez de pressupor que uma única estratégia seja adequada a todas as crianças. Como a pesquisa se desenvolveu em contexto norte-americano, suas conclusões devem ser articuladas criticamente à realidade brasileira e às particularidades da Libras. Nesse cenário, a atuação fonoaudiológica deve incluir orientações claras sobre as possibilidades de desenvolvimento linguístico, o acesso à língua de sinais e os objetivos das intervenções relacionadas à oralidade. A família precisa receber informações acessíveis e fundamentadas para compreender as alternativas disponíveis e participar das decisões sobre o acompanhamento da criança. Também é importante estabelecer articulação com profissionais da educação bilíngue, professores de Libras e outros integrantes da rede de cuidado, de modo que as estratégias adotadas não sejam contraditórias e favoreçam a continuidade das experiências comunicativas em diferentes ambientes. Outro aspecto fundamental consiste em avaliar a linguagem a partir de instrumentos e procedimentos adequados à modalidade linguística utilizada pela criança. Cruz e Quadros (2025) destacam a necessidade de observar o processo de aquisição da Libras e de ampliar as possibilidades de avaliação da linguagem em língua de sinais. Essa contribuição é relevante para a prática fonoaudiológica, pois uma avaliação centrada exclusivamente na fala pode deixar de identificar competências expressivas e compreensivas manifestadas visualmente. A formação profissional e o acesso a recursos de avaliação apropriados são, portanto, elementos importantes para qualificar o atendimento. Assim, a atuação fonoaudiológica diante da oralidade e da língua de sinais deve fundamentar-se no reconhecimento da diversidade linguística, na avaliação individualizada e na garantia de oportunidades de comunicação desde a infância. Não se trata de estabelecer uma oposição obrigatória entre falar e sinalizar, mas de compreender as possibilidades, os limites e as necessidades presentes em cada trajetória. Uma prática comprometida com a acessibilidade deve assegurar que a busca pelo desenvolvimento da linguagem oral não resulte na privação de uma língua plenamente acessível e que as decisões clínicas sejam tomadas com base em evidências, diálogo com a família e respeito aos direitos da criança surda.

3. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, que teve como objetivo analisar a produção científica sobre o desenvolvimento da linguagem de crianças surdas, considerando a aquisição da Língua Brasileira de Sinais (Libras), o desenvolvimento da oralidade e as possibilidades de atuação da Fonoaudiologia. A investigação foi orientada pela seguinte questão norteadora: quais evidências científicas publicadas entre 2021 e 2026 abordaram o desenvolvimento da linguagem de crianças surdas, a aquisição da língua de sinais e a atuação fonoaudiológica nas perspectivas da oralidade e da educação bilíngue? A revisão integrativa foi adotada por possibilitar a reunião e a análise de estudos com diferentes delineamentos metodológicos, favorecendo uma compreensão abrangente do tema investigado. A busca bibliográfica foi realizada nas bases Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e PubMed, com consulta complementar ao Google Acadêmico. Foram utilizados descritores e termos livres em português e inglês relacionados à população e ao objeto de estudo, incluindo “crianças surdas”, “desenvolvimento da linguagem”, “aquisição da linguagem”, “Libras”, “língua de sinais”, “Fonoaudiologia”, “oralidade” e “bilinguismo”, bem como seus correspondentes em inglês, como deaf children, language development, sign language, speech-language pathology e bilingualism. Os termos foram combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, com adaptações à sintaxe de cada fonte. Foram considerados artigos publicados entre janeiro de 2021 e a data da última busca, em 2026, nos idiomas português, inglês e espanhol. As datas das consultas, as combinações empregadas e a quantidade de registros recuperados foram registradas para assegurar a transparência do procedimento. Foram estabelecidos como critérios de inclusão artigos científicos que abordaram diretamente o desenvolvimento da linguagem de crianças surdas, a aquisição de línguas de sinais, a oralidade, o bilinguismo ou a atuação fonoaudiológica relacionada a essas dimensões, incluindo estudos empíricos e revisões de literatura pertinentes à questão norteadora. Foram excluídos registros duplicados, publicações fora do recorte temporal, estudos sem relação direta com o objeto investigado, trabalhos exclusivamente voltados à população adulta sem resultados pertinentes à infância e documentos que não atenderam aos critérios de elegibilidade, como editoriais, cartas e resumos de eventos. A indisponibilidade do texto integral foi considerada motivo de exclusão somente após tentativas de obtenção do documento. Os estudos internacionais foram avaliados quanto à sua pertinência para a questão investigada, considerando-se a língua de sinais analisada e evitando-se generalizações entre sistemas linguísticos distintos, especialmente entre a American Sign Language (ASL) e a Libras. A análise da literatura foi realizada por meio da leitura e da interpretação dos estudos selecionados, considerando sua relação com o objetivo da pesquisa e com a questão norteadora. As informações identificadas nas publicações foram examinadas de forma comparativa, buscando reconhecer convergências, divergências e contribuições teóricas e científicas acerca do desenvolvimento da linguagem de crianças surdas. A discussão contemplou aspectos relacionados à aquisição precoce da língua de sinais, ao desenvolvimento da oralidade e às possibilidades de atuação fonoaudiológica, considerando as particularidades linguísticas, sociais e educacionais presentes nos diferentes contextos investigados. A interpretação dos achados também levou em conta as diferenças entre as línguas de sinais e os contextos socioculturais abordados pelos autores, evitando generalizações que não fossem sustentadas pelas evidências disponíveis. Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica baseada na análise de publicações científicas, sem participação direta de seres humanos ou coleta de dados pessoais, não houve intervenção direta com participantes. Durante a elaboração do estudo, foram observados os princípios de integridade acadêmica, mediante o reconhecimento da autoria das obras consultadas, a indicação das fontes utilizadas e a correspondência entre as citações apresentadas no texto e as referências bibliográficas.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1. O Acesso à Língua de Sinais e o Desenvolvimento da Linguagem na Infância Surda

O desenvolvimento comunicativo de crianças surdas está relacionado às condições em que elas vivenciam suas primeiras experiências linguísticas, à qualidade das interações estabelecidas com familiares e educadores e às oportunidades de utilizar uma língua acessível em seu cotidiano. Por essa razão, a análise desse processo precisa considerar não apenas as características auditivas da criança, mas também as condições sociais, familiares e educacionais que favorecem sua participação nas situações de comunicação e aprendizagem. É necessário observar as condições de acesso à comunicação, a disponibilidade de interlocutores e as oportunidades de participação em situações nas quais a criança possa expressar desejos, compartilhar experiências, construir conhecimentos e desenvolver suas capacidades comunicativas. Martins, Rosa e Martins (2025), ao discutirem o desenvolvimento cognitivo, linguístico e identitário de crianças surdas, destacaram a relevância do acesso precoce à Língua Brasileira de Sinais (Libras) e os desafios enfrentados pelas famílias e pelas instituições educacionais para assegurar experiências linguísticas adequadas. Essa discussão permite compreender que o desenvolvimento da linguagem não depende exclusivamente das características individuais da criança, mas também das condições sociais e educacionais que favorecem ou dificultam sua participação em práticas comunicativas. Assim, a oferta de oportunidades de contato com a língua de sinais desde os primeiros anos de vida constitui um aspecto importante para a construção de experiências linguísticas consistentes. Essa perspectiva encontra correspondência na pesquisa de Garrutti e Moreira (2022), que investigaram as interações em Libras entre crianças surdas e seus interlocutores em uma turma de educação infantil bilíngue. Os resultados indicaram que as trocas cotidianas com outras crianças e com os professores favoreceram a apropriação da língua e a participação nas atividades desenvolvidas no ambiente escolar. As autoras demonstraram, dessa maneira, que a linguagem se constitui também nas relações sociais, nas quais a criança tem oportunidades de interagir, compartilhar significados e participar da construção coletiva do conhecimento. A aproximação entre esses estudos permite discutir o papel dos ambientes linguísticos acessíveis no desenvolvimento infantil. Não basta que a língua de sinais esteja formalmente prevista nas propostas educacionais; é necessário que esteja presente nas interações diárias e que a criança encontre interlocutores capazes de utilizá-la de maneira efetiva. A convivência com pares surdos, professores proficientes em Libras e adultos que reconheçam as necessidades comunicativas da criança podem ampliar suas possibilidades de participação e aprendizagem. Por isso, a organização de ambientes bilíngues exige planejamento pedagógico, formação profissional e envolvimento familiar, evitando que o acesso à língua dependa exclusivamente de iniciativas individuais ou de oportunidades ocasionais.

4.2. Aquisição Tardia da Língua de Sinais e Repercussões para o Desenvolvimento

A idade de acesso à língua de sinais constitui outro aspecto relevante na discussão sobre o desenvolvimento linguístico de crianças surdas. Roldão, Santos e Cavalcanti (2023) examinaram pesquisas relacionadas aos efeitos da aquisição tardia da língua de sinais e destacaram as dificuldades que podem ser enfrentadas por crianças surdas que não têm contato oportuno com a Libras. As autoras chamaram a atenção para as particularidades das trajetórias linguísticas de crianças surdas filhas de pais ouvintes, cuja aproximação com a língua de sinais pode ocorrer mais tardiamente, especialmente quando a família não dispõe de orientação e de condições adequadas para aprender e utilizar essa língua. Essa questão precisa ser analisada considerando-se que muitas famílias ouvintes não utilizam previamente uma língua de sinais e podem necessitar de apoio para compreender as necessidades linguísticas da criança. Nesse cenário, o acesso à informação, a orientação profissional e a oferta de oportunidades de aprendizagem da Libras são elementos importantes para evitar que o início das experiências linguísticas seja postergado. A discussão não deve atribuir à família a responsabilidade exclusiva por eventuais dificuldades, uma vez que o acesso à língua também depende da disponibilidade de serviços, de profissionais capacitados e de políticas educacionais e de saúde que garantam suporte adequado. Os resultados discutidos por Garrutti e Moreira (2022) contribuem para essa reflexão ao evidenciarem a relevância das interações em Libras na rotina da educação infantil bilíngue. Quando a criança encontra um ambiente em que pode utilizar uma língua acessível para estabelecer relações e participar das atividades, ampliam-se as oportunidades de desenvolver competências comunicativas e compartilhar conhecimentos. Em contrapartida, a ausência de interlocutores acessíveis pode restringir sua participação nas experiências cotidianas. Essa relação reforça a necessidade de reconhecer o acesso linguístico como uma dimensão fundamental do desenvolvimento infantil, e não apenas como um recurso complementar ao processo de escolarização. É importante, entretanto, evitar a interpretação de que todas as crianças surdas apresentam a mesma trajetória de aquisição da linguagem. As experiências variam conforme a idade de exposição à língua, as condições auditivas, o acesso a recursos de comunicação, as relações familiares, a escolarização e as oportunidades de interação. Desse modo, a análise dos estudos deve considerar a diversidade das experiências linguísticas e não transformar tendências identificadas na literatura em resultados universais aplicáveis a todas as crianças.

4.3. Oralidade, Bilinguismo e Atuação Fonoaudiológica

A discussão sobre oralidade e língua de sinais exige superar a ideia de que essas possibilidades de comunicação são necessariamente incompatíveis. A oralidade pode integrar a trajetória de desenvolvimento de determinadas crianças surdas, de acordo com suas características, necessidades, possibilidades de acesso à linguagem e objetivos terapêuticos. Entretanto, o trabalho com a comunicação oral não deve resultar na restrição do acesso a uma língua plenamente acessível, especialmente quando a criança necessita da Libras para ampliar suas experiências comunicativas. Nesse contexto, a atuação fonoaudiológica precisa considerar a singularidade de cada criança e as condições concretas em que seu desenvolvimento ocorre. A avaliação não deve se limitar à produção de sons ou ao desempenho em tarefas de fala, mas também investigar as possibilidades de compreensão e expressão, a comunicação espontânea, as interações sociais e o acesso a recursos linguísticos adequados. Essa abordagem favorece uma compreensão mais ampla das necessidades da criança e permite estabelecer objetivos de intervenção compatíveis com seu perfil comunicativo. As discussões apresentadas por Martins, Rosa e Martins (2025) e por Roldão, Santos e Cavalcanti (2023) reforçam a relevância do acesso linguístico precoce e da articulação entre família, educação e profissionais que acompanham a criança. Sob essa perspectiva, a Fonoaudiologia pode contribuir para a identificação das necessidades comunicativas, a orientação familiar, o acompanhamento do desenvolvimento da linguagem e a interlocução com os profissionais da educação. Quando pertinente, também pode atuar no desenvolvimento das habilidades auditivas e orais, sem desconsiderar a importância da língua de sinais e da participação da criança em ambientes linguisticamente acessíveis. A perspectiva bilíngue demanda, portanto, uma atuação que reconheça a Libras como uma língua dotada de estrutura própria e que considere o português, em sua modalidade escrita e, conforme as possibilidades e necessidades individuais, oral, no planejamento das experiências linguísticas. Essa compreensão não significa estabelecer uma sequência obrigatória ou um modelo único de desenvolvimento para todas as crianças surdas, mas garantir que as decisões profissionais sejam fundamentadas em evidências, nas características individuais e no direito de acesso à comunicação. Também é necessário distinguir o papel da Fonoaudiologia das atribuições pedagógicas dos profissionais da educação. Embora esses campos possam atuar de maneira complementar, a intervenção clínica não substitui a oferta de educação bilíngue, assim como a presença da Libras na escola não elimina a necessidade de acompanhamento fonoaudiológico quando este se mostrar indicado. A colaboração entre os diferentes profissionais pode favorecer a continuidade das experiências comunicativas nos ambientes familiar, clínico e educacional, desde que haja clareza quanto aos objetivos de cada intervenção e respeito às necessidades da criança e de sua família.

4.4. Implicações para as Práticas de Saúde e Educação

A análise da literatura permite compreender que o desenvolvimento da linguagem de crianças surdas deve ser abordado de maneira interdisciplinar, considerando a relação entre acesso linguístico, interação social, participação educacional e acompanhamento profissional. Os estudos de Garrutti e Moreira (2022), Martins, Rosa e Martins (2025) e Roldão, Santos e Cavalcanti (2023) convergem ao atribuir importância às condições que favorecem o contato com a língua de sinais, à organização de ambientes comunicativamente acessíveis e à superação de barreiras que podem limitar as experiências linguísticas na infância. No campo da saúde, essa discussão aponta para a importância de orientar as famílias desde os primeiros contatos com os serviços, apresentando informações claras sobre as possibilidades de comunicação e o desenvolvimento linguístico. O acompanhamento profissional deve considerar a realidade familiar, as oportunidades de aprendizagem da Libras e os recursos disponíveis na comunidade, evitando recomendações descontextualizadas ou que transfiram integralmente aos responsáveis a responsabilidade por garantir o acesso linguístico da criança. No contexto educacional, torna-se relevante promover a formação de professores, ampliar as oportunidades de interação em Libras e assegurar condições para que crianças surdas participem efetivamente das atividades escolares. A educação bilíngue não se resume à presença de um profissional que conheça sinais, pois envolve o reconhecimento da língua de sinais como meio de comunicação, interação e aprendizagem, além da organização de práticas pedagógicas que atendam às especificidades linguísticas e culturais dos estudantes. Apesar das contribuições identificadas, a literatura discutida também evidencia a necessidade de ampliar pesquisas que investiguem a articulação entre Fonoaudiologia, aquisição da Libras, desenvolvimento da oralidade e práticas bilíngues em diferentes realidades brasileiras. É especialmente importante distinguir estudos realizados com a Libras daqueles desenvolvidos com outras línguas de sinais, bem como considerar as diferenças entre pesquisas teóricas e investigações empíricas. Essas distinções contribuem para evitar generalizações e para fundamentar práticas profissionais mais coerentes com as evidências disponíveis. Em síntese, os estudos analisados sustentam a importância de assegurar oportunidades precoces e contínuas de acesso à linguagem, valorizar as interações sociais e desenvolver práticas de saúde e educação que respeitem a diversidade das trajetórias comunicativas das crianças surdas. A atuação fonoaudiológica, nessa perspectiva, pode contribuir para o desenvolvimento da comunicação quando articulada às necessidades individuais, à participação familiar e às condições educacionais, sem estabelecer oposição automática entre oralidade e língua de sinais.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O desenvolvimento da linguagem de crianças surdas envolve diferentes fatores, entre os quais se destacam as oportunidades de acesso a uma língua compreensível, as interações estabelecidas no ambiente familiar e educacional e o acompanhamento oferecido pelos profissionais que participam de sua formação. A discussão desenvolvida neste artigo permitiu refletir sobre a importância de considerar as particularidades linguísticas de cada criança, reconhecendo que suas experiências comunicativas são influenciadas tanto por suas características individuais quanto pelas condições sociais e educacionais em que estão inseridas. Nesse contexto, o acesso à Língua Brasileira de Sinais desde os primeiros anos de vida constitui um aspecto relevante para ampliar as possibilidades de comunicação, interação e aprendizagem. A valorização da Libras não exclui o desenvolvimento da oralidade quando este se mostra pertinente às necessidades e às possibilidades da criança. Ao contrário, a abordagem do desenvolvimento linguístico deve evitar a oposição automática entre essas modalidades e considerar as condições necessárias para que cada criança tenha acesso efetivo à comunicação, respeitando sua trajetória e suas necessidades específicas. A atuação fonoaudiológica assume importância nesse processo ao contribuir para a avaliação das habilidades comunicativas, a orientação das famílias e o acompanhamento do desenvolvimento da linguagem. Para que essa atuação seja efetiva, é necessário considerar a singularidade de cada caso e estabelecer articulação com os profissionais da educação e com os demais serviços envolvidos no atendimento à criança surda. Essa colaboração pode favorecer a continuidade das experiências linguísticas nos diferentes ambientes de convivência, sem desconsiderar as atribuições específicas de cada área profissional. Conclui-se que a promoção do desenvolvimento linguístico de crianças surdas exige o reconhecimento da diversidade de suas experiências e a construção de condições que favoreçam o acesso precoce e contínuo à linguagem. A articulação entre família, saúde e educação, associada à valorização da língua de sinais e ao planejamento individualizado do acompanhamento fonoaudiológico, pode contribuir para ampliar as oportunidades de participação social e educacional dessas crianças. Como limitação, destaca-se a necessidade de interpretar as contribuições da literatura considerando as diferenças entre os contextos investigados, os delineamentos dos estudos e as línguas de sinais abordadas. Dessa forma, os resultados discutidos não devem ser generalizados indiscriminadamente para todas as crianças surdas. Recomenda-se que pesquisas futuras aprofundem a investigação sobre a atuação fonoaudiológica articulada à aquisição da Libras e ao desenvolvimento da oralidade em crianças surdas brasileiras, especialmente por meio de estudos empíricos que considerem diferentes contextos familiares, clínicos e educacionais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Doutorando em Letras pela Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC Docente e pesquisador da Educação Básica e Superior. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail