EDUCAÇÃO NA MODERNIDADE: DESAFIOS E PERSPECTIVAS FRENTE ÀS NOVAS GERAÇÕES DE ESTUDANTES

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18363960


Risiéli Eskelsen Fey1


RESUMO
O presente estudo discute os desafios e as perspectivas da educação na modernidade frente às características e demandas das novas gerações de estudantes, considerando dimensões tecnológicas, cognitivas, socioemocionais e pedagógicas. Analisa-se de que maneira práticas educativas inovadoras, metodologias ativas e o uso intencional de tecnologias digitais podem contribuir para o engajamento discente, o protagonismo estudantil e o desenvolvimento integral dos alunos. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica, fundamentada na análise de livros, artigos científicos e produções acadêmicas recentes, com recorte temporal dos últimos dez anos. Os resultados evidenciam que a prática docente necessita se adaptar às transformações sociais e tecnológicas contemporâneas, assumindo um papel mediador e reflexivo, capaz de promover aprendizagens significativas, autonomia, pensamento crítico e competências socioemocionais. Conclui-se que a compreensão das especificidades das novas gerações é fundamental para a construção de práticas pedagógicas flexíveis, contextualizadas e humanizadas, alinhadas às demandas da educação contemporânea.
Palavras-chave: Educação contemporânea. Novas gerações. Tecnologias educacionais. Metodologias ativas. Protagonismo estudantil.

ABSTRACT
This study discusses the challenges and perspectives of education in modernity in light of the characteristics and demands of new generations of students, considering technological, cognitive, socio-emotional, and pedagogical dimensions. It analyzes how innovative educational practices, active learning methodologies, and the intentional use of digital technologies can contribute to student engagement, protagonism, and holistic development. The research adopts a qualitative, bibliographic approach, based on the analysis of books, scientific articles, and recent academic publications from the last ten years. The results indicate that teaching practice must adapt to contemporary social and technological transformations, assuming a mediating and reflective role capable of promoting meaningful learning, autonomy, critical thinking, and socio-emotional competencies. It is concluded that understanding the specific characteristics of new generations is essential for the development of flexible, contextualized, and humanized pedagogical practices aligned with the demands of contemporary education.
Keywords: Contemporary education. New generations. Educational technologies. Active methodologies. Student protagonism.

1. INTRODUÇÃO

A educação contemporânea enfrenta desafios sem precedentes diante das intensas transformações sociais, culturais e tecnológicas que caracterizam a modernidade. O avanço acelerado das tecnologias digitais, a ampliação do acesso à informação e a reconfiguração das formas de comunicação e interação social impactam diretamente os modos de ensinar e aprender, exigindo uma revisão crítica das práticas pedagógicas tradicionais. Nesse contexto, a escola deixa de ser apenas um espaço de transmissão de conteúdos e passa a assumir o papel de ambiente formativo integral, voltado ao desenvolvimento de competências cognitivas, socio emocionais e sociais necessárias à vida contemporânea.

As novas gerações de estudantes, frequentemente denominadas nativos digitais, apresentam características cognitivas, comportamentais e socioemocionais fortemente influenciadas pela convivência constante com ambientes digitais, pelo acesso rápido e simultâneo à informação e pela interação mediada por tecnologias desde a infância. Essas características refletem-se em formas diferenciadas de atenção, processamento de informações, resolução de problemas e construção do conhecimento, o que impõe novos desafios à prática docente e à organização do trabalho pedagógico.

Autores como Silva e Lima (2021) ressaltam que os estudantes contemporâneos desenvolvem modos específicos de aprender e de se relacionar com o conhecimento, demandando metodologias pedagógicas que integrem tecnologia, atividades práticas, colaboração e pensamento crítico. Nesse sentido, práticas pedagógicas centradas exclusivamente na exposição oral e na memorização de conteúdos mostram-se insuficientes para atender às expectativas, necessidades e potencialidades das novas gerações, evidenciando a necessidade de abordagens mais dinâmicas, participativas e contextualizadas.

Além das demandas cognitivas e tecnológicas, a educação na modernidade precisa considerar, de forma articulada, o desenvolvimento de competências socioemocionais. Habilidades como empatia, cooperação, comunicação, resiliência e trabalho em equipe tornam-se essenciais em uma sociedade marcada pela complexidade, pela incerteza e pelas rápidas transformações sociais. Johnson e Johnson (2009) destacam que ambientes de aprendizagem colaborativos favorecem o desenvolvimento dessas competências, contribuindo para a formação de sujeitos mais autônomos, críticos e socialmente responsáveis.

Diante desse cenário, evidencia-se a necessidade de integrar práticas pedagógicas inovadoras, metodologias ativas e recursos tecnológicos de forma intencional e planejada, promovendo o protagonismo estudantil e a aprendizagem significativa. A prática docente, nesse contexto, assume um papel mediador e reflexivo, orientando os estudantes na construção do conhecimento, na resolução de problemas reais e no desenvolvimento de competências que extrapolam o domínio cognitivo.

Este estudo busca analisar os desafios e as perspectivas da educação na modernidade frente às novas gerações de estudantes, investigando de que maneira a prática docente pode se adaptar às exigências contemporâneas e contribuir para a construção de aprendizagens significativas, colaborativas e contextualizadas. O objetivo central da pesquisa é compreender os desafios e as perspectivas da educação na modernidade, considerando o impacto das tecnologias digitais, as características das novas gerações e a importância do protagonismo estudantil.

Como objetivos específicos, pretende-se: (1) analisar o papel das metodologias ativas no processo de aprendizagem contemporânea; (2) identificar práticas pedagógicas que favoreçam o engajamento, a autonomia e o desenvolvimento integral dos estudantes; e (3) discutir a relevância da formação continuada do professor para responder às demandas educacionais da modernidade.

A questão de pesquisa que orienta este estudo é: como a educação na modernidade pode se adaptar às características e demandas das novas gerações de estudantes, promovendo aprendizagens significativas, autonomia e protagonismo estudantil?

A compreensão dessas questões mostra-se fundamental para que a escola contemporânea desenvolva estratégias pedagógicas capazes de integrar inovação tecnológica, práticas colaborativas e desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais, contribuindo para a construção de uma educação mais eficaz, contextualizada, inclusiva e humanizada.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A educação contemporânea insere-se em um cenário marcado por intensas transformações sociais, culturais e tecnológicas, que impactam diretamente as formas de ensinar, aprender e produzir conhecimento. A ampliação do acesso às tecnologias digitais, a aceleração do fluxo de informações e a reorganização das relações sociais têm exigido da escola uma revisão de seus modelos pedagógicos tradicionais. Nesse contexto, as novas gerações de estudantes — predominantemente pertencentes à Geração Z e à Geração Alpha — apresentam características específicas, como o contato precoce e contínuo com dispositivos digitais, a familiaridade com ambientes virtuais e a capacidade de lidar simultaneamente com múltiplas fontes de informação. Essas características influenciam significativamente seus modos de aprender, de se comunicar e de interagir com o conhecimento escolar (PRINSKY, 2012; MORAN, 2015).

Esses estudantes tendem a demonstrar maior engajamento em atividades que envolvem interação, colaboração e resolução de problemas, ao mesmo tempo em que apresentam dificuldades em manter a atenção em práticas pedagógicas excessivamente expositivas e descontextualizadas. Nesse sentido, Silva e Lima (2021) argumentam que as novas gerações demandam metodologias pedagógicas que integrem tecnologia, aprendizagem ativa e trabalho colaborativo, de modo a estimular o pensamento crítico, a criatividade e a autonomia. Para os autores, práticas centradas exclusivamente na transmissão de conteúdos não atendem às necessidades cognitivas e socioemocionais desses alunos, tornando-se insuficientes frente às demandas da sociedade contemporânea. Assim, torna-se imprescindível que a escola desenvolva estratégias pedagógicas que articulem inovação, humanização e contextualização do ensino.

É nesse cenário que emerge a Educação 5.0, compreendida como uma abordagem educacional que busca integrar tecnologia, inovação pedagógica e humanização, com foco no desenvolvimento integral do estudante. Diferentemente da Educação 4.0, que enfatiza fortemente a incorporação de tecnologias digitais e a preparação para o mercado de trabalho, a Educação 5.0 propõe uma perspectiva mais ampla, voltada para a formação de sujeitos críticos, éticos e socialmente responsáveis. Bergamini (2019) destaca que a Educação 5.0 prioriza o fortalecimento de competências socioemocionais, valores humanos e consciência social, sem desconsiderar a importância do domínio tecnológico. Dessa forma, o uso de recursos digitais passa a ser compreendido como meio pedagógico, e não como um fim em si mesmo, exigindo planejamento intencional e alinhamento com os objetivos educacionais.

Essa perspectiva dialoga com a compreensão de educação defendida por autores como Demo (2014) e Saviani (2012), que ressaltam a necessidade de a escola ultrapassar o ensino meramente cognitivo e conteudista. Para esses autores, o processo educativo deve considerar o desenvolvimento integral do estudante, contemplando dimensões afetivas, sociais, culturais e éticas. Nessa mesma direção, a teoria da aprendizagem significativa, proposta por Ausubel (2003), contribui para o debate ao enfatizar que a aprendizagem ocorre de forma mais efetiva quando novos conhecimentos são relacionados às experiências prévias dos alunos. Tal abordagem reforça a importância de práticas pedagógicas que valorizem os saberes dos estudantes e promovam a construção ativa do conhecimento.

No âmbito da Educação 5.0, as metodologias ativas assumem papel central, uma vez que favorecem a participação ativa do estudante no processo de aprendizagem. Estratégias como a aprendizagem baseada em projetos (ABP), a aprendizagem colaborativa, o ensino por problemas (PBL) e o uso de tecnologias digitais interativas possibilitam que o aluno explore situações reais, tome decisões, resolva problemas complexos e construa conhecimentos de forma significativa (BACICH; MORAN, 2020; FERREIRA et al., 2025). Essas metodologias contribuem não apenas para o desenvolvimento cognitivo, mas também para o fortalecimento de competências socioemocionais, como comunicação, cooperação, empatia e responsabilidade.

Estudos recentes reforçam essa perspectiva ao apontar que ambientes de aprendizagem colaborativos e mediados por tecnologias digitais tendem a aumentar o engajamento, a motivação e o envolvimento dos estudantes com as atividades propostas. A pesquisa de Oliveira dos Santos (2026) evidencia que esses ambientes favorecem a resolução de desafios complexos e o desenvolvimento de habilidades essenciais para o século XXI, como trabalho em equipe, pensamento crítico e capacidade de adaptação. Nesse contexto, o papel do professor se transforma, deixando de ser o único detentor do conhecimento para atuar como mediador, orientador e facilitador do processo de aprendizagem.

O protagonismo estudantil constitui outro eixo fundamental da educação contemporânea e da Educação 5.0. Para Freire (1997), o estudante deve ser compreendido como sujeito ativo do processo educativo, capaz de questionar, refletir e intervir na realidade. O protagonismo, nesse sentido, vai além da simples participação em atividades escolares, envolvendo a autonomia intelectual, a responsabilidade pelo próprio aprendizado e o desenvolvimento de uma postura crítica frente ao conhecimento. Silva e Lima (2019) complementam essa visão ao afirmar que o protagonismo estudantil pressupõe a capacidade de o aluno tomar decisões, criar, inovar e refletir sobre suas aprendizagens, tornando-se corresponsável pelo processo educativo.

A integração entre tecnologia, metodologias ativas e protagonismo estudantil encontra respaldo em documentos oficiais, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que orienta as escolas brasileiras a promoverem o desenvolvimento de competências cognitivas, socioemocionais e digitais de forma articulada (BRASIL, 2018). A BNCC destaca a importância de formar estudantes capazes de atuar de maneira ética, crítica e autônoma na sociedade, o que demanda práticas pedagógicas alinhadas aos princípios da Educação 5.0. Conforme Lopes (2009), a utilização intencional das tecnologias digitais, associada a estratégias centradas no aluno, contribui para o engajamento, a motivação e a aprendizagem significativa, tornando o processo educativo mais contextualizado e eficaz.

Além disso, a literatura contemporânea enfatiza a necessidade de considerar o contexto sociocultural dos estudantes, a diversidade de estilos de aprendizagem e as experiências prévias como elementos fundamentais na construção do conhecimento. Johnson e Johnson (2009) e Macedo (2022) ressaltam que a educação não pode ser homogênea ou padronizada, devendo ser flexível, adaptativa e sensível às diferenças individuais e coletivas. Essa perspectiva reforça a importância de práticas pedagógicas inclusivas, que promovam equidade, participação ativa e valorização da diversidade no ambiente escolar.

Dessa forma, a fundamentação teórica evidencia que os desafios da educação na contemporaneidade envolvem a integração crítica e humanizada da tecnologia, a adoção de metodologias ativas que promovam a aprendizagem significativa, o fortalecimento do protagonismo estudantil e o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais. Esses elementos são centrais para a consolidação da Educação 5.0 e para a construção de práticas pedagógicas que preparem os estudantes para lidar com a complexidade e as demandas do mundo contemporâneo.

3. METODOLOGIA

A presente pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, tendo como objetivo analisar os desafios e as perspectivas da educação na modernidade frente às transformações sociais, culturais e tecnológicas e às características das novas gerações de estudantes. A abordagem qualitativa mostra-se adequada por possibilitar uma análise aprofundada de conceitos, discursos, práticas pedagógicas e tendências educacionais, permitindo compreender, de forma crítica e reflexiva, os fenômenos relacionados à aprendizagem contemporânea, ao uso de tecnologias educacionais, às metodologias ativas e ao protagonismo estudantil no contexto da Educação Básica.

O procedimento metodológico adotado consistiu em uma pesquisa bibliográfica e documental, fundamentada na análise de livros, artigos científicos, dissertações, teses e documentos oficiais. As fontes foram selecionadas a partir de bases reconhecidas, como SciELO, Google Acadêmico, periódicos nacionais e internacionais e portais especializados nas áreas de educação e tecnologia educacional. O recorte temporal priorizou publicações dos últimos dez anos (2016–2026), com o intuito de garantir a atualidade, a pertinência e a relevância teórica dos estudos analisados, considerando a constante evolução das discussões sobre educação, tecnologia e práticas pedagógicas inovadoras.

A população da pesquisa compreende produções acadêmicas que abordam a educação contemporânea, as novas gerações de estudantes, as metodologias ativas, o uso de tecnologias digitais e o protagonismo estudantil em contextos escolares. A amostragem foi realizada por conveniência, selecionando-se materiais que tratassem, de forma direta ou indireta, dos desafios enfrentados pela docência diante das mudanças cognitivas, sociais e tecnológicas observadas nas últimas décadas. Foram priorizados estudos que apresentassem fundamentação teórica consistente, análises críticas e reflexões sobre práticas pedagógicas inovadoras, bem como aqueles que dialogassem com documentos normativos e orientadores da educação brasileira.

Os instrumentos de coleta de dados utilizados incluíram o fichamento sistemático da literatura, a elaboração de resumos analíticos dos artigos selecionados, a construção de quadros comparativos e a organização das informações em categorias temáticas. Esse processo permitiu a sistematização dos dados, facilitando a identificação de convergências, divergências e tendências presentes na produção científica analisada. As categorias definidas para a análise foram: (1) características e demandas das novas gerações de estudantes; (2) impactos das tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem; (3) metodologias ativas e práticas pedagógicas inovadoras; (4) protagonismo estudantil no contexto educacional contemporâneo; e (5) desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais em ambientes de aprendizagem mediados por tecnologias.

Para a análise dos dados, adotou-se a técnica de interpretação qualitativa, na qual os materiais coletados foram lidos, comparados e discutidos à luz de referenciais teóricos consolidados na área da educação. Esse procedimento possibilitou a construção de uma análise crítica e integrada, permitindo relacionar os achados da literatura com os pressupostos da Educação 5.0 e com as demandas da prática docente na contemporaneidade. A interpretação dos dados buscou identificar desafios, potencialidades e perspectivas para a adoção de práticas pedagógicas centradas no estudante, considerando o desenvolvimento integral e o protagonismo estudantil.

A metodologia adotada garante a transparência e a replicabilidade do estudo, uma vez que descreve de forma clara e detalhada os procedimentos de pesquisa, os critérios de seleção da literatura, os instrumentos de coleta de dados e as etapas de análise. Dessa forma, possibilita que outros pesquisadores realizem investigações em contextos similares, ampliando as discussões sobre educação contemporânea, práticas pedagógicas inovadoras e a adaptação da docência às características das novas gerações de estudantes.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A análise da literatura evidenciou que a educação na modernidade enfrenta múltiplos desafios para a prática docente, especialmente em função das intensas transformações socioculturais e tecnológicas que redefinem o perfil das novas gerações de estudantes. Os estudos analisados apontam que os alunos contemporâneos, embora demonstrem elevada familiaridade com recursos digitais e acesso facilitado à informação, apresentam demandas cognitivas, emocionais e sociais mais complexas, exigindo da escola e dos professores práticas pedagógicas mais flexíveis, contextualizadas e centradas no estudante. Esse cenário reforça a necessidade de superação de modelos tradicionais de ensino, ainda fortemente pautados na transmissão de conteúdos, em favor de abordagens que promovam engajamento, autonomia e protagonismo (SILVA; LIMA, 2019; MORAN, 2015).

Os resultados do levantamento bibliográfico indicam que a adoção de metodologias ativas constitui um elemento central para responder a essas demandas contemporâneas. Estratégias como a aprendizagem baseada em projetos, a aprendizagem colaborativa, os estudos de caso e o uso de tecnologias digitais interativas demonstram potencial significativo para favorecer a construção do conhecimento de forma participativa e significativa. Bergamini (2019) destaca que, no contexto da Educação 5.0, a integração entre inovação tecnológica e humanização pedagógica possibilita experiências educativas que aproximam teoria e prática, estimulando os estudantes a lidar com situações reais, resolver problemas complexos e desenvolver competências socioemocionais essenciais para a vida em sociedade.

Outro aspecto recorrente nos estudos analisados refere-se ao protagonismo estudantil como resultado direto da implementação de práticas pedagógicas inovadoras. Freire (1997) enfatiza que o estudante deve assumir papel ativo no processo educativo, participando das decisões pedagógicas e refletindo criticamente sobre sua própria aprendizagem. Nesse sentido, os dados analisados corroboram a compreensão de que o protagonismo não se limita à participação em atividades, mas envolve autonomia intelectual, responsabilidade e capacidade de tomada de decisões. A pesquisa de Oliveira dos Santos (2026) reforça essa perspectiva ao evidenciar que ambientes digitais e colaborativos ampliam o engajamento, a motivação e a participação efetiva dos alunos, permitindo que experimentem soluções, negociem estratégias coletivamente e internalizem conceitos de maneira mais profunda e duradoura.

A análise dos resultados também evidenciou a centralidade da formação continuada docente para a efetivação das propostas educacionais contemporâneas. Estudos de Souza et al. (2016) e Macedo (2022) indicam que professores preparados para integrar tecnologias digitais, metodologias ativas e estratégias voltadas ao desenvolvimento socioemocional conseguem potencializar a aprendizagem significativa. Esses docentes demonstram maior capacidade de planejar atividades contextualizadas, acompanhar o progresso dos estudantes e promover experiências educativas que equilibrem desafios cognitivos e suporte pedagógico. No entanto, a literatura também aponta que a ausência de formação adequada e de condições estruturais permanece como um entrave significativo, sobretudo em contextos marcados por limitações de infraestrutura tecnológica e desigualdades educacionais.

No que se refere ao uso das tecnologias digitais, os estudos analisados indicam que sua contribuição para a aprendizagem é mais efetiva quando ocorre de forma intencional e pedagogicamente orientada. Plataformas digitais, jogos educacionais e aplicativos interativos possibilitam a simulação de situações-problema, a visualização de conceitos abstratos e a experimentação prática, favorecendo o desenvolvimento de habilidades cognitivas complexas, como raciocínio lógico, tomada de decisões e resolução de problemas (BACICH; MORAN, 2020; FERREIRA et al., 2025). Além disso, esses recursos ampliam as possibilidades de interação social, promovendo o trabalho em equipe, a cooperação e o compartilhamento de conhecimentos, o que contribui para o fortalecimento de competências socioemocionais, como empatia, resiliência e comunicação.

A discussão das evidências aponta que, embora os desafios da educação contemporânea sejam expressivos — incluindo a necessidade de adaptação pedagógica, investimento em formação docente e melhoria da infraestrutura tecnológica —, as oportunidades para a construção de aprendizagens mais significativas, contextualizadas e colaborativas são igualmente relevantes. Lopes (2009) destaca que a integração entre metodologias ativas e tecnologias digitais, quando realizada com intencionalidade pedagógica, potencializa o engajamento, a autonomia e o protagonismo estudantil, contribuindo para aprendizagens mais duradouras e para o desenvolvimento integral dos alunos.

Por fim, os resultados analisados sugerem que a educação na modernidade deve ser compreendida a partir de uma perspectiva integrada, que considere a articulação entre tecnologia, práticas pedagógicas inovadoras, protagonismo estudantil e desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais. Essa compreensão reforça a necessidade de uma escola flexível, adaptativa e inclusiva, capaz de responder às demandas das novas gerações, promovendo equidade, participação ativa e preparação dos estudantes para enfrentar, de forma crítica e ética, os desafios do mundo contemporâneo.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise desenvolvida neste estudo evidencia que a educação na modernidade enfrenta desafios complexos e interdependentes, resultantes das intensas transformações sociais, culturais e tecnológicas que redefinem o perfil das novas gerações de estudantes. Os achados da pesquisa indicam que os alunos contemporâneos demandam práticas pedagógicas que superem modelos tradicionais e fragmentados de ensino, exigindo abordagens capazes de integrar tecnologia, metodologias ativas, colaboração e desenvolvimento sócio emocional, de modo a favorecer o protagonismo discente e a aprendizagem significativa.

Os resultados demonstram que a adoção de metodologias ativas, associada ao uso intencional e pedagógico das tecnologias digitais, contribui de forma consistente para o desenvolvimento da autonomia, do pensamento crítico, da criatividade e da capacidade de resolução de problemas. Conforme apontam Bergamini (2019) e Silva e Lima (2019), essas práticas permitem que os estudantes assumam um papel ativo no processo educativo, vivenciando experiências que articulam teoria e prática, ampliam o engajamento e tornam o aprendizado mais contextualizado, relevante e significativo.

O protagonismo estudantil, conforme defendido por Freire (1997) e reafirmado por Oliveira dos Santos (2026), configura-se como elemento central da aprendizagem contemporânea. Ao participarem ativamente da construção do conhecimento, os estudantes desenvolvem não apenas competências cognitivas, mas também habilidades socioemocionais fundamentais, como responsabilidade, empatia, cooperação e resiliência. Tais competências mostram-se essenciais para que os alunos enfrentem, de maneira crítica e autônoma, os desafios acadêmicos, sociais e profissionais impostos pela sociedade contemporânea.

Outro aspecto relevante evidenciado pela pesquisa refere-se ao papel do professor no contexto da educação moderna. Os resultados reforçam que a formação continuada docente é condição indispensável para a efetiva implementação de práticas pedagógicas inovadoras e humanizadas. Estudos de Macedo (2022) e Souza et al. (2016) destacam que professores preparados para integrar tecnologias digitais, metodologias ativas e estratégias centradas no estudante conseguem exercer uma mediação pedagógica mais qualificada, potencializando o engajamento, a aprendizagem colaborativa e o desenvolvimento integral dos alunos.

Adicionalmente, a análise confirma que a educação na modernidade deve ser concebida como um processo inclusivo, flexível e adaptativo, sensível às diferenças individuais, aos contextos socioculturais e às experiências prévias dos estudantes. A integração entre recursos digitais e práticas pedagógicas inovadoras precisa ocorrer de forma planejada e intencional, equilibrando desafios e suporte pedagógico, de modo a garantir equidade, participação ativa e aprendizagens significativas para todos.

Em síntese, este estudo reforça que repensar a prática docente na educação contemporânea implica reconhecer a centralidade do estudante no processo de aprendizagem e compreender a tecnologia como meio, e não como fim. A articulação entre metodologias ativas, protagonismo estudantil e uso crítico das tecnologias digitais revela-se essencial para promover uma educação que valorize a autonomia, a reflexão crítica e o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais.

Por fim, conclui-se que, para atender às demandas das novas gerações, a escola precisa consolidar uma proposta educativa que combine inovação tecnológica, práticas pedagógicas centradas no estudante e compromisso com a formação integral. Somente por meio dessa abordagem será possível construir uma educação na modernidade verdadeiramente significativa, participativa, inclusiva e transformadora, capaz de preparar os estudantes para intervir de forma crítica, ética e responsável na realidade social em constante transformação.

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1 Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [email protected]