REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779133118
RESUMO
Este estudo tem como objetivo analisar a produção acadêmica recente que articula Educação Infantil e Teoria Histórico-Cultural, identificando tendências, contribuições e lacunas no campo investigativo, bem como discutir suas implicações pedagógicas para a organização do ensino na Educação Infantil. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, com abordagem bibliográfica e delineamento do tipo Estado do Conhecimento, realizada a partir do Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES, considerando o recorte temporal de 2020 a 2025. Foram identificadas 80 produções, das quais nove foram selecionadas para análise, com base em critérios de pertinência temática e disponibilidade integral. Os resultados evidenciam a centralidade do brincar, formação docente e políticas educacionais na compreensão do desenvolvimento das funções psicológicas superiores na infância. Observa-se que a Teoria Histórico-Cultural se consolida como referencial teórico relevante, ao compreender o desenvolvimento infantil como processo socialmente mediado. Contudo, identificam-se contradições entre os fundamentos teóricos e sua materialização nas práticas pedagógicas, especialmente no que se refere à abordagem espontaneísta do brincar e à influência de perspectivas baseadas em competências. Conclui-se que, embora haja avanço na produção teórica, ainda se faz necessária a ampliação de estudos empíricos e de processos formativos que promovam a construção de práticas pedagógicas intencionais e voltadas ao desenvolvimento integral da criança
Palavras-chave: Educação Infantil; Teoria Histórico-Cultural; Desenvolvimento infantil; Mediação pedagógica; Brincar.
ABSTRACT
This study aims to analyze recent academic production that articulates Early Childhood Education and Cultural-Historical Theory, identifying trends, contributions, and gaps in the field of research, as well as discussing its pedagogical implications for the organization of teaching in Early Childhood Education. This is a qualitative study with a bibliographic approach and a State of Knowledge design, conducted based on the CAPES Theses and Dissertations Catalog, considering the time frame from 2020 to 2025. A total of 80 studies were identified, of which nine were selected for analysis based on criteria of thematic relevance and full-text availability.
The results highlight the centrality of play, teacher education, and educational policies in understanding the development of higher psychological functions in childhood. It is observed that Cultural-Historical Theory has been consolidated as a relevant theoretical framework by understanding child development as a socially mediated process. However, contradictions are identified between theoretical foundations and their materialization in pedagogical practices, particularly regarding the spontaneous approach to play and the influence of competency-based perspectives. It is concluded that, although there has been progress in theoretical production, there is still a need to expand empirical studies and training processes that promote the development of intentional pedagogical practices aimed at the integral development of the child.
KEYWORDS: Early Childhood Education; Cultural-Historical Theory; Child Development; Pedagogical Mediation; Play.
RESUMEN
Este estudio tiene como objetivo analizar la producción académica reciente que articula la Educación Infantil y la Teoría Histórico-Cultural, identificando tendencias, contribuciones y vacíos en el campo investigativo, así como discutir sus implicaciones pedagógicas para la organización de la enseñanza en la Educación Infantil. Se trata de una investigación de naturaleza cualitativa, con enfoque bibliográfico y diseño del tipo Estado del Conocimiento, realizada a partir del Catálogo de Tesis y Disertaciones de CAPES, considerando el período de 2020 a 2025. Se identificaron 80 producciones, de las cuales nueve fueron seleccionadas para el análisis, con base en criterios de pertinencia temática y disponibilidad de texto completo. Los resultados evidencian la centralidad del juego, la formación docente y las políticas educativas en la comprensión del desarrollo de las funciones psicológicas superiores en la infancia. Se observa que la Teoría Histórico-Cultural se consolida como un referente teórico relevante al comprender el desarrollo infantil como un proceso socialmente mediado. Sin embargo, se identifican contradicciones entre los fundamentos teóricos y su materialización en las prácticas pedagógicas, especialmente en lo que respecta al enfoque espontaneísta del juego y la influencia de perspectivas basadas en competencias. Se concluye que, aunque existe un avance en la producción teórica, aún es necesario ampliar los estudios empíricos y los procesos formativos que promuevan la construcción de prácticas pedagógicas intencionales orientadas al desarrollo integral del niño.
Palabras-clave: Educación Infantil. Teoría Histórico-Cultural. Desarrollo infantil. Mediación pedagógica. Juego.
INTRODUÇÃO
A Educação Infantil, enquanto primeira etapa da Educação Básica, tem se consolidado como um campo de investigação relevante no cenário educacional contemporâneo, especialmente no que se refere à compreensão dos processos de desenvolvimento e aprendizagem das crianças.
Além disso, ao se tratar da Educação Infantil, o espaço educativo pode ser compreendido sob diferentes perspectivas, em razão de seu contexto histórico marcado pelo binarismo entre atendimento assistencial e educativo (Oliveira, 2011). Nos séculos XVIII e XIX, essa etapa passou a ser concebida como preparação da criança para o ingresso no mundo adulto. Nesse período, a escola tornou-se fundamental, sobretudo para as classes mais favorecidas. Entretanto, tal compreensão não se estabeleceu de forma homogênea, uma vez que, para as crianças em situação de vulnerabilidade social, o acesso à educação formal não ocorreu da mesma maneira. Conforme destaca Oliveira, “não seria correto para a sociedade como um todo que se educassem as crianças pobres, para as quais era proposto apenas o aprendizado de uma ocupação e piedade” (Oliveira, 2011, p. 62).
Diante desse fato histórico e social, a Educação Infantil, embora reconhecida como a primeira etapa da Educação Básica a partir da Constituição Federal de 1988, seguida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96, pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Brasil, 2010) e pela Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2017), ainda sofre processos de descaracterização e redução de sua função social, frequentemente tensionada entre as dimensões do cuidar e do educar.
Além disso, observa-se a presença de interferências diretas nas práticas pedagógicas, muitas vezes orientadas por perspectivas baseadas em competências e no senso comum, em detrimento de uma prática pedagógica fundamentada em uma teoria coerente, articulada e intencional, voltada ao desenvolvimento máximo das funções psicológicas superiores desde a infância, como propõe a Teoria Histórico-Cultural.
Nesse contexto, a Teoria Histórico-Cultural destaca-se como um referencial teórico de grande relevância, ao compreender o desenvolvimento humano como um processo histórico, social e culturalmente mediado, superando perspectivas biologizantes e naturalizantes da aprendizagem.
Fundamentada nas contribuições de Vigotski, Leontiev e Elkonin, essa abordagem teórica sustenta que o desenvolvimento das funções psicológicas superiores ocorre por meio das interações sociais, sendo mediado pela linguagem, pelos instrumentos culturais e pela atividade. Nesse sentido, Vigotski (2007, p. 57) afirma que “toda função no desenvolvimento cultural da criança aparece duas vezes: primeiro no plano social e depois no plano individual”, evidenciando que o desenvolvimento psíquico se constitui inicialmente no plano interpsicológico e, posteriormente, internaliza-se no plano intrapsicológico.
No âmbito da Educação Infantil, essa perspectiva implica compreender a criança como sujeito ativo do processo de aprendizagem, inserido em um contexto social e cultural, cuja formação depende da qualidade das interações e da organização intencional do ensino. Assim, o brincar, a mediação pedagógica e a atividade assumem papel central no desenvolvimento infantil, especialmente no período pré-escolar.
Além disso, observa-se que a produção acadêmica recente tem ampliado o debate acerca das contribuições da Teoria Histórico-Cultural para a Educação Infantil, destacando a importância da mediação docente, da organização do ensino e da intencionalidade pedagógica como elementos estruturantes do desenvolvimento infantil. Entretanto, ainda se identificam lacunas no campo investigativo, especialmente no que se refere à articulação entre teoria e prática e à realização de estudos empíricos que evidenciem intervenções pedagógicas concretas.
Diante desse cenário, este artigo tem como objetivo analisar a produção acadêmica recente que articula Educação Infantil e Teoria Histórico-Cultural, identificando tendências, contribuições e lacunas no campo investigativo, bem como discutir suas implicações pedagógicas para a organização do ensino na Educação Infantil.
REFERENCIAL TEÓRICO
Fundamentos Epistemológicos da Teoria Histórico-Cultural
A Teoria Histórico-Cultural constitui-se como uma abordagem crítica do desenvolvimento humano, fundamentada no materialismo histórico-dialético, cujas bases teóricas remontam às contribuições de Marx e Engels. Essa perspectiva compreende o ser humano como um sujeito histórico e social, cuja constituição psíquica se dá nas relações com o mundo e com os outros, mediadas pela cultura. Nesse sentido, o desenvolvimento não é entendido como resultado de fatores exclusivamente biológicos, mas como um processo dinâmico, marcado por contradições e transformações próprias da vida social.
Ao propor uma nova psicologia, Vigotski (2007) rompe com as correntes psicológicas de sua época, especialmente aquelas de base naturalista e idealista, ao afirmar que as funções psicológicas superiores têm origem nas relações sociais. Conforme o autor, “toda função no desenvolvimento cultural da criança aparece duas vezes: primeiro no plano social e depois no plano individual” (Vigotski, 2007, p. 29). Tal formulação evidencia o caráter dialético do desenvolvimento, no qual o social antecede o individual, configurando um movimento de internalização que transforma qualitativamente o psiquismo humano.
A mediação constitui-se como categoria central nessa abordagem, sendo compreendida como o processo pelo qual o sujeito se apropria da cultura por meio de instrumentos e signos. A linguagem ocupa papel privilegiado nesse processo, uma vez que possibilita a organização do pensamento e a formação de conceitos científicos. Vigotski (2001, p. 63) afirma que “o significado da palavra é a unidade do pensamento e da linguagem”, indicando que o desenvolvimento cognitivo não pode ser dissociado das práticas sociais de comunicação.
Luria (1992, p. 48) aprofunda essa compreensão ao destacar que “as origens das formas superiores do comportamento consciente estavam nas relações sociais do indivíduo com o meio externo”. Essa afirmação reforça que a consciência não é um dado natural, mas uma construção histórica, resultante da participação do sujeito em práticas sociais culturalmente organizadas.
Outro conceito fundamental refere-se à zona de desenvolvimento proximal, que expressa a distância entre aquilo que a criança realiza de forma independente e aquilo que pode realizar com a mediação de um outro mais experiente. Tal conceito evidencia o papel estruturante do ensino no desenvolvimento humano, ao indicar que a aprendizagem orientada possibilita a emergência de novas funções psíquicas.
A teoria da atividade, desenvolvida por Leontiev (1978), amplia essa compreensão ao situar o desenvolvimento humano nas atividades socialmente organizadas. Para o autor, “a consciência não é um produto direto do cérebro, mas da vida do homem em sociedade” (Leontiev, 1978, p. 88). Assim, o desenvolvimento é compreendido como resultado da participação do sujeito em atividades orientadas por motivos e objetivos socialmente determinados.
Dessa forma, a Teoria Histórico-Cultural apresenta-se como um referencial teórico robusto para a compreensão do desenvolvimento humano, ao articular dimensões biológicas, sociais e históricas, superando reducionismos e oferecendo bases para a organização de práticas educativas intencionais.
A Criança, a Cultura e o Desenvolvimento na Educação Infantil
No campo da Educação Infantil, a Teoria Histórico-Cultural contribui para a compreensão da criança como sujeito histórico, inserido em um contexto social e cultural, cuja formação depende das interações que estabelece e das condições de ensino às quais está submetida. Essa perspectiva rompe com concepções que compreendem a infância como uma fase meramente preparatória, ao reconhecer a criança como protagonista de seu processo de desenvolvimento.
Com base em Vigotski (2007), a Teoria Histórico-Cultural sustenta a proposição de que a aprendizagem constitui o motor do desenvolvimento, o que implica compreender que ela não apenas acompanha o desenvolvimento psíquico, mas o impulsiona e cria condições para que o sujeito alcance níveis mais elevados de funcionamento cognitivo. Nesse sentido, o autor afirma que “a aprendizagem corretamente organizada conduz ao desenvolvimento mental e ativa uma série de processos de desenvolvimento que não poderiam ocorrer de outra forma” (Vigotski, 2007, p. 115).
Tal compreensão rompe com concepções maturacionistas, segundo as quais o desenvolvimento precede a aprendizagem, e evidencia que o ensino, quando orientado de forma intencional, pode antecipar e promover o desenvolvimento das funções psicológicas superiores. Isso significa que o processo educativo assume papel estruturante na formação do sujeito, ao possibilitar a internalização de conhecimentos historicamente produzidos.
Nessa perspectiva, a aprendizagem se efetiva por meio da mediação social, especialmente nas interações entre a criança e sujeitos mais experientes, como professores e pares. Esse processo está diretamente relacionado ao conceito de zona de desenvolvimento proximal, que expressa a distância entre o nível de desenvolvimento real e o potencial, sendo esse último alcançado por meio da intervenção pedagógica.
Assim, a aprendizagem, longe de ser um processo passivo ou secundário, configura-se como elemento central na constituição do desenvolvimento humano, exigindo uma organização do ensino pautada na intencionalidade pedagógica e na mediação consciente, de modo a favorecer a formação de capacidades cognitivas cada vez mais complexas.
Outrossim, desde o nascimento, a criança encontra-se imersa em um universo cultural, sendo progressivamente inserida nas práticas sociais por meio da mediação dos adultos. Nesse sentido, Luria (1988, p. 27) afirma que “as crianças estão em constante interação com os adultos, que procuram incorporá-las à cultura”, evidenciando o papel ativo das relações sociais na constituição do psiquismo.
Essa compreensão implica reconhecer que o desenvolvimento não ocorre de forma espontânea ou natural, mas depende das experiências sociais e culturais vivenciadas pela criança. Assim, a Educação Infantil assume papel fundamental, uma vez que constitui espaço privilegiado de mediação, no qual a criança tem acesso aos conhecimentos historicamente produzidos.
Prestes (2010, p. 37) destaca que “as funções psíquicas biológicas transformam-se em funções superiores por meio da assimilação dos sistemas de signos”, indicando que o desenvolvimento humano resulta da interação entre fatores biológicos e culturais, com predominância das condições sociais.
Nesse contexto, a organização do ensino na Educação Infantil deve ser orientada por uma intencionalidade pedagógica, capaz de promover o desenvolvimento das funções psicológicas superiores. Isso implica superar práticas baseadas no senso comum ou no espontaneísmo, ainda presentes em muitas instituições, e construir propostas pedagógicas fundamentadas teoricamente.
Além disso, a Educação Infantil deve ser compreendida como espaço de humanização, no qual a criança se apropria da cultura e desenvolve suas capacidades cognitivas, afetivas e sociais. Tal perspectiva exige uma prática pedagógica que reconheça a criança como sujeito ativo, capaz de participar, interagir e construir conhecimentos.
O Brincar Como Atividade-guia do Desenvolvimento Infantil
No âmbito da Teoria Histórico-Cultural, a brincadeira assume papel central no desenvolvimento da criança, sendo compreendida como atividade-guia na idade pré-escolar. Diferentemente de abordagens que a consideram como atividade natural ou recreativa, essa perspectiva a compreende como prática socialmente construída, carregada de significados culturais.
Autores da perspectiva THC, como Vygotsky (1998) e Leontiev (1983), destacam que a brincadeira de papéis sociais é uma das principais formas de mediação entre a criança e o mundo, possibilitando a construção de conceitos e o desenvolvimento humano omnilateral. Arce (2004, p. 22) explica:
Na brincadeira a criança cria uma ruptura entre sentido e significado de um objeto, isto é, um pequeno pedaço cilíndrico de madeira não perde seu significado para a criança, mas durante a brincadeira esse objeto pode assumir para a criança o sentido de uma seringa de aplicação de vacina. Importante destacar que a criança não realiza essa ruptura antes de iniciar a brincadeira nem mesmo depois de encerrada a brincadeira. Somente durante a atividade é que se faz necessária a imaginação
Nesse sentido, compreender a brincadeira de papéis sociais como situações desencadeadoras de aprendizagem significa reconhecer que tais práticas não se limitam a momentos recreativos, mas constituem estratégias pedagógicas que favorecem a mediação do conhecimento e apropriação do conceito com sentido e significado. Através do brincar, a criança reconstrói o real, experimenta papéis sociais, formula hipóteses e desenvolve raciocínio lógico, linguagem e criatividade.
Pasqualini afirma que “a brincadeira não é resultado de uma suposta natureza imaginativa da criança, mas uma atividade que demanda a criação de situações imaginárias” (Pasqualini, 2020, p. 86). Essa compreensão evidencia que o brincar possui uma estrutura e uma função no desenvolvimento psíquico, estando diretamente relacionado às condições sociais e culturais em que a criança está inserida.
A brincadeira de papéis sociais emerge como resposta a uma contradição fundamental do desenvolvimento infantil: o desejo de participar do mundo adulto e a impossibilidade concreta de realizar tais ações. Nesse contexto, a criança recorre à imaginação para representar situações sociais, internalizando normas, valores e modos de agir.
Leontiev destaca que “é na brincadeira que ocorrem as transformações mais significativas do desenvolvimento psíquico da criança” (Leontiev, 2001, p. 122), indicando que essa atividade constitui o espaço privilegiado para a formação da consciência e para a reorganização das funções psicológicas.
Além disso, o brincar favorece o desenvolvimento da linguagem, da imaginação, da memória voluntária, da atenção e do pensamento simbólico. Vigotski afirma que “na brincadeira a criança se comporta além do comportamento habitual de sua idade” (Vigotski, 1998, p. 115), evidenciando seu potencial de desenvolvimento e sua capacidade de antecipar formas mais complexas de comportamento.
Outro aspecto relevante refere-se ao caráter social da brincadeira, que envolve interação, negociação de regras e construção coletiva de significados. Nesse processo, a criança aprende a se relacionar com o outro, desenvolvendo habilidades sociais e cognitivas fundamentais.
Nesse sentido, o brincar deve ser compreendido como prática pedagógica intencional, sendo responsabilidade do professor organizar situações que potencializem sua função formativa. Isso implica reconhecer a brincadeira como elemento estruturante do ensino na Educação Infantil, articulando-a a objetivos educativos claros.
Dessa forma, a atividade lúdica, quando mediada pedagogicamente, constitui-se como um instrumento fundamental para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, contribuindo para a formação integral da criança.
METODOLOGIA
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa, com abordagem bibliográfica, objetivo exploratório e delineamento do tipo Estado do Conhecimento, cujo objetivo consistiu em mapear, sistematizar e analisar a produção acadêmica recente que articula a Educação Infantil e a Teoria Histórico-Cultural, buscando identificar tendências investigativas, lacunas teóricas e implicações pedagógicas no campo educacional.
A escolha pelo Estado do Conhecimento justifica-se por sua relevância no campo das pesquisas educacionais, uma vez que permite compreender como determinado tema vem sendo produzido, discutido e consolidado no âmbito acadêmico. Conforme Romanowski e Ens (2006, p. 40), esse tipo de investigação possibilita “identificar, analisar e discutir a produção acadêmica em uma determinada área do conhecimento, evidenciando avanços, limites e perspectivas”. Nesse sentido, trata-se de uma abordagem que não apenas descreve, mas interpreta criticamente o movimento da produção científica.
O levantamento das produções foi realizado no Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) considerando sua relevância e abrangência no cenário científico nacional. Foram utilizados descritores articulados por operadores booleanos, tais como: “Educação Infantil” AND “Teoria Histórico-Cultural”, “desenvolvimento infantil” AND “Vigotski”, bem como combinações correlatas que possibilitassem maior abrangência dos resultados e o recorte temporal de 2020 a 2025.
Como critérios de inclusão, foram selecionados estudos que: a) apresentassem como eixo central a Teoria Histórico-Cultural; b) estivessem vinculados ao campo da Educação Infantil; c) fossem produções stricto sensu (teses e dissertações); d) estivessem disponíveis na íntegra para análise. Como critérios de exclusão, desconsideraram-se estudos que, embora mencionassem a Teoria Histórico-Cultural, não estabeleciam relação direta com o desenvolvimento infantil ou com a organização do ensino na Educação Infantil.
Após a etapa de levantamento, procedeu-se à leitura exploratória dos títulos e resumos, com o objetivo de identificar a pertinência dos estudos ao objeto de investigação. Em seguida, realizou-se a leitura analítica das produções selecionadas, buscando apreender os principais fundamentos teóricos, categorias de análise, metodologias empregadas e resultados apresentados.
A análise dos dados foi orientada por uma perspectiva qualitativa interpretativa, fundamentada no materialismo histórico-dialético, considerando que a produção do conhecimento científico é um processo histórico, social e contraditório. Nesse sentido, buscou-se compreender não apenas o conteúdo das produções, mas também suas relações com o contexto educacional mais amplo, identificando convergências, divergências e lacunas no campo investigativo. Foram encontrados na busca avançada o total de 80 produções, contudo apenas 09 (nove) foram analisadas.
Dessa forma, a metodologia adotada possibilitou uma compreensão aprofundada do estado atual das pesquisas que articulam Educação Infantil e Teoria Histórico-Cultural, contribuindo para a construção de uma análise crítica e fundamentada acerca das implicações pedagógicas desse referencial teórico.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir da busca realizada e da análise dos achados nas produções selecionadas, procedeu-se à organização dos resultados em forma de síntese sistematizada, apresentada na tabela a seguir, com o objetivo de evidenciar as principais características, contribuições teóricas e enfoques investigativos dos estudos analisados.
Tabela 1. Pesquisas – Catálogo de Dissertações e Teses – CAPES
Tipo / Ano | Autor | Título | Instituição |
Dissertação | ALMEIDA, Elizabete Ferreira de | Contribuições da Teoria Histórico-Cultural para a compreensão do brincar na Educação Infantil: análise de artigos científicos brasileiros no período 2017 a 2024 | Pontifícia Universidade Católica de Goiás |
Dissertação | GONÇALVES, Jacqueline da Silva | “NÃO É UMA CAIXA!”: uma análise das vivências das crianças na atividade de brincar ao longo de três anos | Universidade Federal de Minas Gerais |
Dissertação | MOLIN, Tamires de Souza | O lúdico na BNCC para a educação infantil: um estudo à luz da teoria histórico-cultural | Universidade Estadual do Paraná |
Dissertação | NAKAMURA, Sueli Rosa | O Brincar no contexto das políticas públicas para a Educação Infantil: Implicações da Teoria Histórico-Cultural | Universidade Estadual de Londrina - UEL |
Tese | GAZOLI, Monalisa | A Formação Inicial de professoras e professores para a Educação Infantil e as contribuições da Teoria Histórico-Cultural e da atividade de estudo | Universidade Estadual Paulista (Unesp) |
Tese | ZOIA, Elvenice Tatiana | Formação continuada para professores de educação infantil na perspectiva histórico-cultural: desafios e potencialidades | Universidade Estadual de Maringá |
Dissertação | MACHADO, Rosa Cleide Marques | Transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental: contribuições da Teoria Histórico-Cultural pelo Olhar dos Professores | Universidade Estadual do Oeste do Paraná/UNIOESTE |
Dissertação 2022 | BERTOLO, Sara ManzinI | Jogo de Papéis à luz da Teoria Histórico-Cultural: pressupostos teóricos-metodológicos para a Educação Infantil | Universidade Federal de São Carlos |
Dissertação 2022 | SOUZA, Cristiane Baldinotti de | Implicações pedagógicas da Teoria Histórico-Cultural para a educação em creches e pré-escolas | Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP |
Fonte: Elaborado pelos autores
A análise das produções acadêmicas selecionadas evidencia a consolidação da Teoria Histórico-Cultural como referencial teórico central para a compreensão do desenvolvimento infantil e para a fundamentação das práticas pedagógicas na Educação Infantil. Os estudos mapeados, embora distintos em seus objetos e metodologias, apresentam convergências significativas quanto à centralidade da mediação pedagógica, do brincar, da formação docente e das políticas educacionais como elementos estruturantes do desenvolvimento das funções psicológicas superiores.
Inicia-se a análise com o estudo de Almeida (2025), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC Goiás, que realizou uma revisão integrativa da literatura com o objetivo de analisar a abordagem do brincar na Educação Infantil em artigos nacionais fundamentados na Teoria Histórico-Cultural, no período de 2017 a 2024. A investigação concentrou-se na pré-escola e analisou oito artigos, organizados a partir da categoria “natureza do brincar na perspectiva histórico-cultural”, desdobrada em duas dimensões: a brincadeira de papéis sociais como atividade-guia do desenvolvimento e a formação docente.
Os resultados indicam que a brincadeira de papéis sociais é reconhecida como promotora das funções psicológicas superiores, destacando conceitos fundamentais como mediação, imaginação, internalização e zona de desenvolvimento proximal. Ademais, evidencia-se a necessidade de uma intervenção pedagógica intencional e de uma formação docente consistente para que o brincar se constitua como prática efetivamente formativa.
Em consonância com essa perspectiva, o estudo de Gonçalves (2024) amplia a compreensão do brincar ao investigar os processos de imaginação e criação em crianças desde a fase de bebês, a partir do entrecruzamento entre a Teoria Histórico-Cultural e a Etnografia em Educação. A pesquisa evidencia que a imaginação, enquanto função psicológica superior, se desenvolve na atividade de brincar, sendo a criação compreendida como produto desse processo. Os resultados revelam que as crianças, ao interagirem com objetos e situações do cotidiano, atribuem sentidos a partir da articulação entre experiências coletivas e vivências individuais, evidenciando a natureza social da significação.
No âmbito das políticas curriculares, Molin (2023) analisa a concepção de lúdico presente na Base Nacional Comum Curricular à luz da Teoria Histórico-Cultural. A pesquisa, de natureza bibliográfica e documental, evidencia que o lúdico é reconhecido como elemento relevante para o desenvolvimento infantil, na medida em que favorece a apropriação da cultura e o desenvolvimento de capacidades simbólicas. No entanto, a autora problematiza que a BNCC apresenta uma orientação formativa alinhada ao desenvolvimento de competências, o que pode fragilizar uma perspectiva de formação humana crítica, ao privilegiar demandas do sistema produtivo em detrimento do desenvolvimento omnilateral.
De modo complementar, Nakamura (2023) analisa o brincar no contexto das políticas públicas para a Educação Infantil, evidenciando contradições entre o reconhecimento formal do brincar como direito e sua efetivação nas práticas educativas. Os resultados indicam que, embora os marcos legais assegurem o brincar como dimensão essencial do desenvolvimento, sua concretização apresenta fragilidades, especialmente em função das desigualdades estruturais e das condições de financiamento da educação infantil, particularmente no atendimento às crianças de zero a três anos.
A centralidade da formação docente emerge como elemento recorrente nas produções analisadas. Nesse sentido, Gazoli (2022) investiga a formação inicial de professores à luz da Teoria Histórico-Cultural, destacando a importância da atividade de estudo no desenvolvimento do pensamento teórico. A autora evidencia que a formação fundamentada em princípios histórico-culturais possibilita a superação de práticas imediatistas, ao promover processos de abstração, generalização e análise, fundamentais para a organização consciente da prática pedagógica.
De forma articulada, Zoia (2022) analisa a formação continuada de professores na perspectiva histórico-cultural, evidenciando que políticas formativas podem contribuir para a construção de práticas pedagógicas contra-hegemônicas. No entanto, a pesquisa aponta que as condições objetivas de trabalho limitam a efetivação desses princípios, revelando uma contradição entre o potencial formativo das propostas e as condições concretas do sistema educacional.
No que se refere às transições educacionais, Machado (2022) analisa a passagem da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, evidenciando que esse processo envolve múltiplas determinações relacionadas à criança, ao professor, à família e às políticas públicas. Os resultados indicam que a ausência de continuidade pedagógica e a desconsideração das especificidades do desenvolvimento infantil podem impactar negativamente o percurso escolar, reforçando a importância de práticas fundamentadas teoricamente.
No campo da organização do trabalho pedagógico, Bertolo (2022) sistematiza fundamentos teórico-metodológicos para o desenvolvimento do jogo de papéis na Educação Infantil, destacando a necessidade de planejamento, mediação e avaliação por parte do professor. A pesquisa evidencia que a atividade lúdica, quando intencionalmente organizada, potencializa o desenvolvimento das funções psicológicas superiores.
Por fim, Souza (2022) contribui com uma reflexão teórica sobre os fundamentos da Teoria Histórico-Cultural na educação de crianças de 0 a 6 anos, destacando conceitos como humanização, desenvolvimento, vivência e função social da escola. A autora enfatiza que a compreensão desses conceitos possibilita a construção de práticas pedagógicas intencionais, orientadas ao desenvolvimento das capacidades humanas em sua máxima expressão.
De forma geral, os estudos analisados convergem ao reconhecer que o desenvolvimento infantil é resultado de processos socialmente mediados, nos quais o brincar, a interação, a formação docente e a organização do ensino assumem papel central. Contudo, evidencia-se uma contradição recorrente entre os fundamentos teóricos da Teoria Histórico-Cultural e sua materialização nas práticas pedagógicas e nas políticas educacionais.
Essa contradição revela a necessidade de aprofundamento das investigações, especialmente no que se refere à articulação entre teoria e prática, à formação docente e à construção de propostas pedagógicas que efetivamente promovam o desenvolvimento das funções psicológicas superiores na infância.
CONCLUSÃO
O presente estudo teve como objetivo analisar a produção acadêmica recente que articula a Educação Infantil e a Teoria Histórico-Cultural, buscando identificar tendências investigativas, contribuições teóricas e implicações pedagógicas no campo educacional. A partir do mapeamento e análise das produções selecionadas, foi possível compreender o movimento de consolidação dessa abordagem teórica como referencial relevante para a compreensão do desenvolvimento infantil e para a organização do ensino na Educação Infantil.
Os resultados evidenciaram que a Teoria Histórico-Cultural tem sido amplamente utilizada como fundamento teórico nas pesquisas analisadas, destacando-se a centralidade de categorias como mediação pedagógica, atividade, brincar e formação docente. Nesse sentido, as produções convergem ao reconhecer que o desenvolvimento das funções psicológicas superiores não ocorre de forma espontânea, mas depende das condições sociais e das práticas educativas às quais a criança está submetida.
Entretanto, a análise também revelou a presença de contradições significativas entre os fundamentos teóricos assumidos e sua materialização nas práticas pedagógicas e nas políticas educacionais. Observa-se que, embora o brincar seja reconhecido como atividade essencial ao desenvolvimento infantil, ainda persiste sua abordagem de forma espontaneísta, desvinculada de uma intencionalidade pedagógica consistente. Do mesmo modo, as políticas curriculares e educacionais, em alguns contextos, orientam-se por perspectivas baseadas em competências, o que pode fragilizar uma concepção de formação humana integral.
Outro aspecto relevante refere-se à formação docente, identificada como elemento central para a efetivação dos pressupostos da Teoria Histórico-Cultural. As produções analisadas indicam que a fragilidade na apropriação teórica por parte dos professores constitui um dos principais entraves para a organização de práticas pedagógicas intencionais, o que evidencia a necessidade de processos formativos que articulem teoria e prática de forma crítica e consistente.
Ademais, constatou-se a predominância de estudos de natureza teórica, com menor incidência de investigações empíricas que analisem intervenções pedagógicas no contexto da Educação Infantil. Tal lacuna aponta para a necessidade de ampliação de pesquisas que explorem a aplicação dos pressupostos histórico-culturais em contextos reais de ensino, contribuindo para a superação da dicotomia entre teoria e prática.
Dessa forma, conclui-se que a Teoria Histórico-Cultural oferece fundamentos teóricos robustos para a construção de práticas educativas comprometidas com o desenvolvimento das funções psicológicas superiores e com a formação humana integral. No entanto, sua efetivação no cotidiano escolar ainda demanda avanços, especialmente no que se refere à formação docente, à organização do ensino e à coerência entre políticas educacionais e fundamentos teóricos.
Para finalizar, destaca-se que este estudo contribui para o campo educacional ao sistematizar e analisar criticamente a produção acadêmica recente, indicando caminhos para futuras investigações e para o aprimoramento das práticas pedagógicas na Educação Infantil, na perspectiva de uma educação que efetivamente promova o desenvolvimento humano em sua máxima potencialidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1 Mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Educação Escolar, Mestrado e Doutorado Profissional (PPGEEProf) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Campus Porto Velho, Rondônia, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Orcid: https://orcid.org/0009-0006-3900-1301
2 Mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Educação Escolar, Mestrado e Doutorado Profissional (PPGEEProf) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Campus Porto Velho, Rondônia. Pós-graduada em Educação Infantil na Perspectiva da Teoria Histórico-Culrural. Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior(UNIR). Orcid: https://orcid.org/0009-0004-7861-8393. Lattes: http://lattes.cnpq.br/7747102985766582 E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail