EDUCAÇÃO EM SAÚDE E EMPREENDEDORISMO: O ENFERMEIRO COMO DESENVOLVEDOR DE CURSOS E CAPACITAÇÕES PROFISSIONAIS

HEALTH EDUCATION AND ENTREPRENEURSHIP: THE NURSE AS A DEVELOPER OF PROFESSIONAL COURSES AND TRAINING

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/780382774

RESUMO
A enfermagem vem ampliando sua atuação para além da assistência direta ao paciente, destacando-se também no campo da educação em saúde e do empreendedorismo. Nesse contexto, o enfermeiro assume papel relevante como desenvolvedor de cursos, treinamentos e capacitações profissionais. O presente estudo tem como objetivo analisar a atuação do enfermeiro no desenvolvimento de cursos e capacitações profissionais, evidenciando sua importância na educação em saúde e no empreendedorismo. Trata-se de uma revisão de literatura, de caráter descritivo e abordagem qualitativa, realizada por meio de pesquisas nas bases de dados SciELO, BVS e Google Acadêmico, utilizando descritores relacionados à enfermagem, educação em saúde, empreendedorismo e capacitação profissional. Foram incluídos artigos publicados entre os anos de 2015 e 2025, disponíveis na íntegra e em língua portuguesa. Os resultados evidenciaram que o enfermeiro desempenha papel fundamental na educação em saúde, atuando como educador, facilitador e disseminador do conhecimento científico, contribuindo para promoção da saúde, prevenção de doenças e qualificação profissional. Observou-se ainda que o empreendedorismo na enfermagem vem ampliando as possibilidades de atuação profissional, favorecendo autonomia, valorização da categoria e desenvolvimento de serviços inovadores. O desenvolvimento de cursos mostrou-se uma importante estratégia de crescimento profissional e fortalecimento da enfermagem enquanto ciência e prática educativa. Entretanto, identificaram-se desafios relacionados à necessidade de desenvolvimento de competências gerenciais, tecnológicas e empreendedoras, bem como à constante atualização científica e competitividade do mercado digital. Conclui-se que o enfermeiro possui competências que favorecem sua atuação como empreendedor educacional, contribuindo significativamente para formação continuada dos profissionais da saúde.
Palavras-chave: Enfermagem; Educação em Saúde; Empreendedorismo; Capacitação Profissional; Ensino.

ABSTRACT
Nursing has been expanding its scope beyond direct patient care, also standing out in the fields of health education and entrepreneurship. In this context, nurses play a relevant role as developers of courses, training programs, and professional development. This study aims to analyze the role of nurses in the development of courses and professional development programs, highlighting their importance in health education and entrepreneurship. This is a descriptive literature review with a qualitative approach, conducted through searches in the SciELO, BVS, and Google Scholar databases, using descriptors related to nursing, health education, entrepreneurship, and professional development. Articles published between 2015 and 2025, available in full and in Portuguese, were included. The results showed that nurses play a fundamental role in health education, acting as educators, facilitators, and disseminators of scientific knowledge, contributing to health promotion, disease prevention, and professional qualification. It was also observed that entrepreneurship in nursing has been expanding the possibilities for professional practice, favoring autonomy, valuing the profession, and developing innovative services. The development of courses has proven to be an important strategy for professional growth and strengthening nursing as a science and educational practice. However, challenges were identified related to the need to develop managerial, technological, and entrepreneurial skills, as well as constant scientific updating and competitiveness in the digital market. It is concluded that nurses possess competencies that favor their role as educational entrepreneurs, contributing significantly to the continuing education of healthcare professionals.
Keywords: Nursing; Health Education; Entrepreneurship; Professional Development; Teaching.

1. INTRODUÇÃO

A enfermagem é uma profissão essencial no contexto da saúde, desempenhando funções relacionadas à promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde de indivíduos e coletividades. O enfermeiro atua de maneira integral, desenvolvendo ações assistenciais, educativas e gerenciais que contribuem significativamente para a qualidade do cuidado em saúde. Nos últimos anos, observa-se uma ampliação das áreas de atuação desse profissional, especialmente nos campos da educação em saúde e do empreendedorismo, os quais têm se mostrado importantes alternativas para valorização e autonomia profissional (Backes et al., 2012).

O empreendedorismo na enfermagem vem ganhando destaque devido às transformações do mercado de trabalho e à crescente busca por independência financeira, reconhecimento profissional e inovação nas práticas de cuidado. Nesse contexto, muitos enfermeiros passaram a investir na criação e desenvolvimento de cursos, treinamentos e capacitações profissionais destinados a estudantes, profissionais da saúde e à comunidade em geral. Essa atuação possibilita não apenas novas oportunidades de trabalho, mas também fortalece o papel do enfermeiro como agente transformador do conhecimento científico e prático (Colichi et al., 2019).

A educação em saúde constitui uma importante estratégia de promoção da saúde e qualificação profissional, sendo fundamental para a construção de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades que contribuam para melhores práticas assistenciais. O enfermeiro, devido à sua formação técnico-científica e experiência prática, possui competências que favorecem sua atuação como educador, facilitador e produtor de conteúdos educativos. Além disso, o avanço das tecnologias digitais e das plataformas de ensino online ampliou as possibilidades de atuação do enfermeiro empreendedor no setor educacional, permitindo a oferta de cursos presenciais e a distância, alcançando um público cada vez maior (Freire, 2011).

Nesse cenário, o enfermeiro empreendedor na área da educação em saúde contribui diretamente para a formação de profissionais mais qualificados, atualizados e preparados para atender às demandas do sistema de saúde. Ademais, essa atuação fortalece a enfermagem enquanto ciência, amplia a visibilidade profissional e promove inovação nos processos de ensino-aprendizagem, favorecendo o desenvolvimento de práticas baseadas em evidências científicas (Silva; Ferreira, 2020).

Diante do exposto, o presente estudo tem como objetivo analisar a atuação do enfermeiro como desenvolvedor de cursos e capacitações profissionais no contexto da educação em saúde e do empreendedorismo.

2. METODOLOGIA

Trata-se de um estudo de revisão de literatura, de caráter descritivo, com abordagem qualitativa, desenvolvido com o objetivo de analisar a atuação do enfermeiro no contexto da educação em saúde e do empreendedorismo, especialmente como desenvolvedor de cursos e capacitações profissionais. A revisão de literatura possibilita reunir, analisar e sintetizar conhecimentos científicos já publicados acerca da temática, contribuindo para a compreensão e aprofundamento do assunto investigado (Canuto, De Oliveira, 2020).

A pesquisa bibliográfica foi realizada por meio de levantamento de artigos científicos nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google Acadêmico, por serem consideradas importantes fontes de produções científicas na área da saúde e enfermagem.

Para a realização das buscas, foram utilizados os descritores cadastrados nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Enfermagem”, “Educação em Saúde”, “Empreendedorismo”, “Capacitação Profissional” e “Ensino em Enfermagem”, associados por meio do operador booleano AND, permitindo maior refinamento e abrangência dos resultados encontrados.

Os critérios de inclusão adotados compreenderam artigos científicos publicados no período de 2015 a 2025, disponíveis na íntegra, no idioma português, e que apresentassem relação direta com a temática proposta. Foram incluídos estudos originais, revisões de literatura e pesquisas que abordassem a atuação do enfermeiro na educação em saúde, empreendedorismo e desenvolvimento de capacitações profissionais.

Como critérios de exclusão, foram desconsiderados artigos duplicados, resumos simples, trabalhos incompletos e publicações que não respondiam ao objetivo da pesquisa ou apresentavam conteúdo divergente da temática abordada.

Após a etapa de busca, os estudos passaram por leitura exploratória dos títulos e resumos para identificação da relevância científica. Em seguida, realizou-se a leitura completa dos artigos selecionados, permitindo a extração das informações mais relevantes para o estudo. Os dados obtidos foram organizados e analisados de forma descritiva e interpretativa, sendo posteriormente agrupados em categorias temáticas, possibilitando melhor compreensão e discussão dos principais achados relacionados ao enfermeiro empreendedor no contexto educacional.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1. Educação em Saúde e o Papel do Enfermeiro

A educação em saúde representa uma importante estratégia para promoção da saúde, prevenção de doenças e fortalecimento da autonomia dos indivíduos e comunidades. Nesse contexto, o enfermeiro desempenha papel fundamental como educador em saúde, atuando na orientação de pacientes, familiares e equipes multiprofissionais por meio de ações educativas que favorecem o compartilhamento de conhecimentos e a adoção de práticas saudáveis. (Da Costa, et al., 2020).

Segundo Freire (2011), a educação deve ocorrer de forma crítica e participativa, promovendo transformação social e construção coletiva do conhecimento. Dessa forma, o enfermeiro deixa de atuar apenas como transmissor de informações e passa a exercer função mediadora no processo educativo.

A atuação educativa do enfermeiro está presente em diferentes níveis de atenção à saúde, especialmente na Atenção Primária, considerada espaço estratégico para desenvolvimento de ações preventivas e promocionais. De acordo com Falkenberg et al. (2014), a educação em saúde permite aproximar profissionais e comunidade, fortalecendo vínculos e contribuindo para maior adesão às orientações e tratamentos propostos. Os autores destacam ainda que práticas educativas bem conduzidas podem impactar diretamente na redução de agravos e melhoria da qualidade de vida da população (Falkenberg et al., 2014).

Além da assistência direta ao paciente, observou-se que o enfermeiro também exerce papel relevante na formação e capacitação de novos profissionais da saúde. A enfermagem possui forte relação com o ensino, sendo comum a atuação de enfermeiros em treinamentos institucionais, educação continuada e desenvolvimento de cursos profissionalizantes (Dantas, et al., 2023).

Para Colichi et al. (2019), o crescimento do empreendedorismo na enfermagem ampliou as possibilidades de atuação profissional, especialmente no setor educacional, no qual o enfermeiro passou a desenvolver conteúdos científicos, mentorias e capacitações voltadas ao aperfeiçoamento técnico e assistencial. Tal cenário demonstra que a educação em saúde também pode ser compreendida como uma oportunidade de inovação e crescimento profissional.

Outro aspecto refere-se ao uso das tecnologias digitais como ferramenta de ensino e disseminação do conhecimento. O avanço das plataformas online possibilitou ao enfermeiro ampliar o alcance das ações educativas por meio de cursos, palestras, workshops e treinamentos em ambientes virtuais. As tecnologias educacionais favorecem metodologias mais dinâmicas, interativas e acessíveis, contribuindo para democratização do conhecimento e atualização constante dos profissionais da saúde. Nesse sentido, o enfermeiro empreendedor passa a utilizar recursos digitais como estratégia para compartilhar experiências e promover qualificação profissional em larga escala (Moran, 2015).

O enfermeiro possui características bem delimitadas, como liderança, comunicação eficaz, planejamento e domínio técnico-científico, que contribuem significativamente para o desenvolvimento das práticas educativas. Backes et al. (2012) ressaltam que o enfermeiro possui competências gerenciais e educativas que favorecem sua atuação em diferentes cenários, incluindo instituições hospitalares, clínicas, universidades e ambientes corporativos. Os autores afirmam ainda que a educação em saúde desenvolvida por enfermeiros fortalece práticas assistenciais humanizadas e baseadas em evidências científicas, contribuindo para maior segurança do paciente e qualidade dos serviços prestados (Backes et al., 2012).

Na discussão dos achados, percebe-se concordância entre os autores acerca da importância do enfermeiro como agente educador e transformador social. Freire (2011) defende que o processo educativo deve estimular autonomia e reflexão crítica, enquanto Falkenberg et al. (2014) reforçam que a educação em saúde fortalece o vínculo entre profissionais e comunidade. Em complemento, Colichi et al. (2019) destacam o empreendedorismo como ferramenta de valorização profissional e inovação na enfermagem, evidenciando que a atuação do enfermeiro no desenvolvimento de cursos e capacitações contribui tanto para o crescimento individual quanto para fortalecimento da profissão.

Dessa forma, os estudos analisados demonstram que a educação em saúde associada ao empreendedorismo amplia significativamente as possibilidades de atuação do enfermeiro, permitindo que esse profissional atue não apenas na assistência, mas também na produção e disseminação do conhecimento científico. Tal atuação favorece a qualificação profissional, promove autonomia na enfermagem e contribui para o fortalecimento das práticas educativas em saúde.

3.2. Empreendedorismo na Enfermagem

O empreendedorismo na enfermagem tem se consolidado como uma importante estratégia para ampliação da autonomia profissional, valorização da categoria e diversificação das áreas de atuação do enfermeiro. Diante das transformações do mercado de trabalho e das novas demandas da sociedade, muitos profissionais passaram a buscar alternativas além da assistência tradicional, desenvolvendo serviços inovadores voltados à promoção da saúde, educação e gestão em saúde (Dos Santos, et al., 2022).

Segundo Colichi et al. (2019), o empreendedorismo na enfermagem possibilita ao profissional maior independência financeira, crescimento profissional e fortalecimento da identidade da enfermagem enquanto ciência e prática social.

O enfermeiro empreendedor atua em diferentes segmentos, incluindo consultorias, auditoria em saúde, atendimento domiciliar (home care), estética avançada, gerenciamento de clínicas e educação continuada. Essas áreas vêm apresentando crescimento significativo devido à capacidade do enfermeiro em aliar conhecimento técnico-científico, habilidades gerenciais e visão estratégica (Bastros et al., 2024).

O empreendedorismo na enfermagem contribui para criação de soluções inovadoras e melhoria da qualidade dos serviços oferecidos à população, além de ampliar a inserção do profissional em espaços antes pouco explorados pela categoria (Andrade et al., 2020).

Entre as principais áreas de destaque, a educação continuada e o desenvolvimento de cursos profissionalizantes vêm se tornando importantes ferramentas de atuação empreendedora. Os resultados da literatura evidenciaram que muitos enfermeiros passaram a investir na criação de treinamentos, workshops, mentorias e capacitações voltadas tanto para estudantes quanto para profissionais da saúde. Segundo Silva e Ferreira (2020), essa prática favorece o compartilhamento do conhecimento científico, promove atualização profissional e fortalece práticas assistenciais baseadas em evidências. Além disso, ressaltam que a educação empreendedora permite ao enfermeiro atuar como produtor de conteúdo e agente multiplicador do conhecimento (Silva; Ferreira, 2020).

Outro aspecto relevante refere-se ao crescimento das tecnologias digitais aplicadas ao ensino na enfermagem. O avanço das plataformas virtuais e das ferramentas de educação a distância ampliou significativamente as possibilidades de atuação do enfermeiro empreendedor. Cursos online, palestras virtuais, treinamentos remotos e mentorias digitais passaram a fazer parte da rotina de muitos profissionais da área da saúde (De Araujo, et al., 2024).

Para Moran (2015), o uso das tecnologias educacionais promove maior flexibilidade, acessibilidade e democratização do ensino, permitindo que o conhecimento alcance diferentes públicos e localidades. Nesse cenário, o enfermeiro utiliza os recursos digitais não apenas como ferramenta educativa, mas também como estratégia de inovação e expansão profissional.

Características como liderança, criatividade, comunicação eficaz e capacidade de gestão são fundamentais para o desenvolvimento do empreendedorismo na enfermagem. Tais competências favorecem a organização de serviços, tomada de decisões e gerenciamento de equipes, fatores essenciais para atuação empreendedora. Além disso, o empreendedorismo contribui para o fortalecimento da profissão, ampliando a visibilidade social e o reconhecimento da enfermagem em diferentes áreas do cuidado e da educação (Backes et al., 2012).

Percebe-se convergência entre os autores quanto à relevância do empreendedorismo como ferramenta de inovação e crescimento profissional na enfermagem. Colichi et al. (2019) destacam que o empreendedorismo permite maior autonomia e diversificação das áreas de atuação, enquanto Andrade et al. (2020) ressaltam a importância da inovação para melhoria dos serviços de saúde. Em complemento, Moran (2015) evidencia que as tecnologias digitais transformaram os processos educativos, favorecendo novas metodologias de ensino e ampliando as oportunidades para atuação do enfermeiro no desenvolvimento de cursos e capacitações profissionais.

3.3. O Enfermeiro Como Desenvolvedor de Cursos e Capacitações

O desenvolvimento de cursos e capacitações profissionais na área da saúde exige planejamento, organização, domínio técnico-científico e aplicação de estratégias pedagógicas adequadas ao processo de ensino-aprendizagem. Nesse contexto, o enfermeiro destaca-se como profissional apto para atuar na elaboração de conteúdos educativos, treinamentos e programas de educação continuada, devido à sua formação acadêmica, experiência prática e constante atualização científica (Da Silva, et al., 2024).

Segundo Freire (2011), o processo educativo deve estimular reflexão crítica, autonomia e construção coletiva do conhecimento, princípios que podem ser aplicados diretamente na atuação do enfermeiro educador.

O enfermeiro possui competências fundamentais para o desenvolvimento de cursos e capacitações voltados tanto para estudantes quanto para profissionais da saúde. Para Backes et al. (2012), o enfermeiro desempenha papel estratégico nos processos de educação em saúde, atuando não apenas na assistência, mas também na formação e qualificação de equipes multiprofissionais, contribuindo assim para o fortalecimento das ações assistenciais e melhoria da qualidade do cuidado prestado aos pacientes (Backes et al., 2012).

As capacitações profissionais foram apontadas na literatura como ferramentas essenciais para atualização do conhecimento e aprimoramento técnico-científico dos profissionais de saúde. A constante evolução das práticas assistenciais e das tecnologias em saúde exige profissionais cada vez mais preparados e capacitados para atuação segura e baseada em evidências científicas (Ferraz, et al., 2023).

Segundo Silva e Ferreira (2020), a educação continuada desenvolvida por enfermeiros favorece a construção de conhecimentos atualizados, além de contribuir para redução de falhas assistenciais e fortalecimento da segurança do paciente. Dessa forma, os treinamentos e capacitações tornam-se fundamentais para melhoria da qualidade dos serviços de saúde.

Para Annechini (2022), o desenvolvimento de cursos fortalece o reconhecimento profissional da enfermagem, ampliando a visibilidade do enfermeiro no mercado de trabalho, sua atuação como educador e produtor de conteúdo científico possibilita maior valorização profissional, além de estimular criatividade, liderança e autonomia.

De acordo com Colichi et al. (2019), o empreendedorismo educacional na enfermagem representa importante ferramenta para crescimento profissional e diversificação das áreas de atuação, permitindo ao enfermeiro assumir papel de destaque na disseminação do conhecimento científico e na formação de novos profissionais.

Na discussão dos achados, observa-se concordância entre os autores quanto à relevância do enfermeiro como agente educador e desenvolvedor de capacitações profissionais. Freire (2011) enfatiza a importância de metodologias educativas participativas e transformadoras, enquanto Silva e Ferreira (2020) destacam a necessidade da educação continuada para qualificação das práticas assistenciais. Em complemento, Colichi et al. (2019) apontam o empreendedorismo como estratégia de valorização profissional e inovação na enfermagem, especialmente no desenvolvimento de cursos e treinamentos voltados à saúde. Dessa forma, os estudos demonstram que o enfermeiro possui competências e habilidades que favorecem sua atuação como desenvolvedor de cursos e capacitações profissionais, contribuindo para formação continuada, atualização científica e fortalecimento da enfermagem enquanto profissão, ciência e prática educativa.

3.4. Desafios do Empreendedorismo Educacional na Enfermagem

Apesar do crescimento do empreendedorismo educacional na enfermagem, os profissionais ainda enfrentam diversos desafios relacionados à valorização profissional, competitividade de mercado e necessidade de desenvolvimento de competências gerenciais. O enfermeiro empreendedor, além do domínio técnico-científico, precisa adquirir conhecimentos relacionados à administração, liderança, gestão financeira e marketing para consolidar sua atuação no mercado educacional (Santos et al., 2024).

Segundo Colichi et al. (2019), muitos enfermeiros encontram dificuldades no processo de empreender devido à formação acadêmica ainda pouco direcionada para o desenvolvimento de competências empreendedoras, o que pode limitar a criação e expansão de negócios na área da saúde.

Outro desafio identificado refere-se à valorização profissional da enfermagem no contexto empreendedor. Embora a profissão tenha ampliado significativamente suas áreas de atuação, ainda existem barreiras relacionadas ao reconhecimento social e financeiro do trabalho desenvolvido pelo enfermeiro educador. A enfermagem historicamente esteve associada predominantemente ao cuidado assistencial, dificultando, em alguns contextos, a compreensão do enfermeiro como gestor, educador e empreendedor (Backes et al., 2012).

A constante atualização científica e tecnológica representa uma exigência importante para o enfermeiro que atua no desenvolvimento de cursos e capacitações. A área da saúde passa por frequentes transformações relacionadas às evidências científicas, protocolos assistenciais e inovações tecnológicas, tornando indispensável a atualização contínua dos conteúdos educacionais oferecidos (De Oliveira; Moriya, 2022).

Segundo Silva e Ferreira (2020), a educação em saúde deve estar fundamentada em práticas baseadas em evidências científicas, garantindo maior segurança, qualidade assistencial e credibilidade profissional. Nesse sentido, o enfermeiro educador necessita manter-se constantemente atualizado para oferecer conteúdo confiáveis e compatíveis com as demandas atuais da área da saúde (Silva; Ferreira, 2020).

Outro aspecto relevante identificado na literatura refere-se às dificuldades relacionadas à elaboração de metodologias de ensino atrativas e ao uso de ferramentas digitais. O avanço das plataformas online ampliou as possibilidades de ensino, porém também exigiu dos profissionais novas habilidades relacionadas ao uso de tecnologias educacionais, produção de conteúdos digitais e estratégias de engajamento dos alunos (Da Silva et al., 2025).

Moran (2015) afirma que as metodologias ativas e os recursos tecnológicos transformaram os processos de ensino-aprendizagem, exigindo práticas mais dinâmicas, interativas e participativas. Entretanto, muitos enfermeiros ainda encontram limitações no domínio dessas ferramentas, o que pode comprometer a qualidade e competitividade dos cursos oferecidos.

Além disso, a divulgação e comercialização de cursos representam desafios significativos para o enfermeiro empreendedor. O mercado digital tornou-se altamente competitivo, exigindo estratégias de marketing, posicionamento profissional e presença ativa nas redes sociais e plataformas digitais. O sucesso do empreendedorismo na enfermagem depende não apenas da qualidade técnica dos conteúdos, mas também da capacidade do profissional em compreender as demandas do mercado, identificar oportunidades e desenvolver estratégias de inovação e comunicação eficaz (Andrade et al., 2020).

Na discussão dos achados, observa-se concordância entre os autores quanto à necessidade de desenvolvimento de competências empreendedoras e tecnológicas na enfermagem. Colichi et al. (2019) ressaltam que o empreendedorismo ainda enfrenta barreiras relacionadas à formação profissional, enquanto Moran (2015) enfatiza a importância da adaptação às novas metodologias digitais de ensino. Em complemento, Silva e Ferreira (2020) destacam que a atualização científica contínua é indispensável para manutenção da qualidade das práticas educativas em saúde. Dessa forma, os resultados evidenciam que o empreendedorismo educacional na enfermagem apresenta grande potencial de crescimento, porém exige do enfermeiro constante qualificação, capacidade de inovação e desenvolvimento de habilidades gerenciais, pedagógicas e tecnológicas para atuação efetiva e competitiva no mercado educacional.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo possibilitou compreender a relevância da atuação do enfermeiro no contexto da educação em saúde e do empreendedorismo, especialmente no desenvolvimento de cursos e capacitações profissionais. A análise da literatura evidenciou que o enfermeiro possui competências técnico-científicas, educativas e gerenciais que favorecem sua inserção no mercado educacional, contribuindo significativamente para a qualificação de profissionais da saúde, disseminação do conhecimento científico e fortalecimento das práticas assistenciais baseadas em evidências.

Os resultados demonstraram que a educação em saúde representa uma importante ferramenta de promoção da saúde, prevenção de doenças e construção do conhecimento, sendo o enfermeiro um dos principais agentes responsáveis pela mediação desse processo educativo. Além disso, observou-se que o empreendedorismo na enfermagem vem ampliando as possibilidades de atuação profissional, proporcionando maior autonomia, valorização profissional e diversificação das áreas de trabalho.

O desenvolvimento de cursos, treinamentos, mentorias e capacitações foi identificado como uma importante estratégia de inovação e crescimento profissional na enfermagem. Nesse contexto, as tecnologias digitais e as plataformas de ensino online passaram a desempenhar papel fundamental na expansão das ações educativas, permitindo maior alcance do conhecimento e facilitando o acesso à formação continuada.

Entretanto, o estudo também evidenciou desafios relacionados ao empreendedorismo educacional na enfermagem, como a necessidade de desenvolvimento de competências gerenciais, domínio de ferramentas tecnológicas, atualização científica constante e estratégias de marketing e posicionamento profissional. Tais fatores demonstram que, além do conhecimento técnico, o enfermeiro empreendedor necessita desenvolver habilidades voltadas à gestão, liderança e inovação para atuar de forma competitiva no mercado educacional.

Dessa forma, conclui-se que o enfermeiro desempenha papel essencial como educador e empreendedor, contribuindo diretamente para a formação e atualização de profissionais da saúde, fortalecimento da enfermagem enquanto ciência e ampliação da qualidade da assistência prestada à população. Além disso, ressalta-se a importância do incentivo ao empreendedorismo e à educação continuada durante a formação acadêmica, favorecendo o desenvolvimento de profissionais mais preparados para os desafios contemporâneos da área da saúde.

Por fim, sugere-se a realização de novos estudos sobre o tema, especialmente pesquisas de campo que investiguem a experiência prática de enfermeiros empreendedores na área educacional, contribuindo para ampliação do conhecimento científico e fortalecimento dessa importante área de atuação da enfermagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Ana Carla Dantas Cavalcanti et al. Empreendedorismo na enfermagem: perspectivas e desafios contemporâneos. Revista Enfermagem em Foco, Brasília, v. 11, n. 2, p. 205-211, 2020.

ANNECHINI, Daniela da Silva Firmino. Empreendedorismo como disciplina na grade curricular do curso de enfermagem. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 8, n. 2, p. 1045-1052, 2022.

BACKES, Dirce Stein et al. O papel profissional do enfermeiro no sistema de saúde: da saúde comunitária à estratégia de saúde da família. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 223-230, 2012.

BASTROS, Sheila Ramos et al. As diferentes tipologias do empreendedorismo na enfermagem. Enfermagem Brasil, v. 23, n. 3, p. 1705-1721, 2024.

BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.

CANUTO, Lívia Teixeira; DE OLIVEIRA, Adélia Augusta Souto. Métodos de revisão bibliográfica nos estudos científicos. Psicologia em revista, v. 26, n. 1, p. 83-102, 2020.

COFEN. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN nº 568/2018. Regulamenta o funcionamento dos consultórios e clínicas de enfermagem. Brasília, 2018.

COLICHI, Rosana Maria Barreto et al. Empreendedorismo de negócios e enfermagem: revisão integrativa. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 72, supl. 1, p. 321-330, 2019.

DA COSTA, Daniel Alves et al. Enfermagem e a educação em saúde. Revista Científica da Escola Estadual de Saúde Pública de Goiás* Cândido Santiago*, v. 6, n. 3, p. e6000012-e6000012, 2020.

DA SILVA ABREU, Adriana et al. TECNOLOGIAS DIGITAIS NA ENFERMAGEM: CONTRIBUINDO PARA A HUMANIZAÇÃO EA EFICIÊNCIA DO CUIDADO, REVISÃO DE LITERATURA. LUMEN ET VIRTUS, v. 16, n. 50, p. 9395-9402, 2025.

DA SILVA, Juliana Lopes et al. Educação empreendedora em enfermagem: análise em cursos de graduação de instituições públicas. Revista Enfermagem UERJ, v. 32, p. e83029-e83029, 2024.

DANTAS, Maria Clara Soares et al. Educação em saúde na formação acadêmica em enfermagem. Espaço para a Saúde, v. 24, 2023.

DE ARAUJO, Juliana Ribeiro et al. INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENFERMAGEM. Epitaya E-books, v. 1, n. 91, p. 133-142, 2024.

DE OLIVEIRA PEREIRA, Márcia Cristina; MORIYA, Giovana Abrahão De Araújo. A importância da constante atualização científica em enfermagem perioperatória para a qualidade e segurança da assistência: o papel das associações e sociedades de especialistas. Revista SOBECC, v. 27, 2022.

DOS SANTOS CESÁRIO, Jonas Magno et al. A importância do empreendedorismo na enfermagem. Research, Society and Development, v. 11, n. 10, p. e503111032868-e503111032868, 2022.

FALKENBERG, Mirian Benites et al. Educação em saúde e educação na saúde: conceitos e implicações para a saúde coletiva. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 19, n. 3, p. 847-852, 2014.

FERRAZ, Marcela Aparecida Alvarez et al. Metodologias Ativas: estratégias pedagógicas na educação em enfermagem. Research, Society and Development, v. 12, n. 1, p. e2512139417-e2512139417, 2023.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2019.

MORAN, José Manuel. Mudando a educação com metodologias ativas. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2015.

MOURA, A. A.; SILVA, R. S. Empreendedorismo na enfermagem: desafios e possibilidades. Revista Enfermagem Atual, v. 92, n. 30, p. 45-52, 2021.

OLIVEIRA, M. C.; SANTOS, F. L. Educação em saúde como instrumento de promoção da qualidade assistencial. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, n. 2, p. 1-8, 2020.

SANTOS NOVAES, Gabriel et al. ENFERMAGEM NA ESTÉTICA: ANÁLISES DAS PERSPECTIVAS E DESAFIOS DO EMPREENDEDORISMO. Revista Foco (Interdisciplinary Studies Journal), v. 17, n. 11, 2024.

SEBRAE. Empreendedorismo na área da saúde: oportunidades e desafios. Brasília: SEBRAE, 2022.

SILVA, J. P.; ALMEIDA, R. C. Capacitação profissional em enfermagem e educação continuada. Revista Científica de Enfermagem, v. 10, n. 3, p. 15-24, 2019.

SILVA, Maria Amanda Pereira da; FERREIRA, Márcia de Assunção. Educação em saúde e práticas educativas na enfermagem contemporânea. Revista de Enfermagem Atual In Derme, v. 94, n. 32, p. 1-9, 2020.


1 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor Campus Pinheiro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Docente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade Supremo Redentor Campus Pinheiro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail