REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/780382906
RESUMO
Pacientes com câncer em estágio avançado apresentam necessidades complexas que envolvem dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais, demandando uma abordagem centrada nos cuidados paliativos. Nesse contexto, a assistência farmacêutica desempenha papel relevante na promoção da qualidade de vida e na segurança do uso de medicamentos. Este estudo teve como objetivo analisar a atuação do farmacêutico clínico em cuidados paliativos oncológicos, com ênfase na segurança da farmacoterapia e no controle de sintomas. Trata-se de uma metodologia qualitativa de cunho bibliográfico da revisão de literatura realizada nas bases de dados PubMed, Scopus, SciELO e Google Scholar, considerando publicações em língua portuguesa dos últimos cinco anos. Foram incluídos artigos revisados por pares, além de teses e dissertações pertinentes ao tema. Os resultados evidenciam que o farmacêutico contribui significativamente para o manejo de sintomas como dor, náuseas, além de atuar na reconciliação medicamentosa, na revisão de prescrições e na desprescrição de fármacos inadequados. Destaca-se também sua atuação na orientação de pacientes e cuidadores quanto ao uso correto dos medicamentos. A inserção desse profissional em equipes multiprofissionais mostrou-se essencial para a otimização terapêutica, promovendo maior segurança e qualidade no cuidado ao paciente oncológico em fase avançada.
Palavras-chave: cuidados paliativos; assistência farmacêutica; oncologia; farmacoterapia; qualidade de vida.
ABSTRACT
Patients with advanced cancer present complex needs involving physical, emotional, social, and spiritual dimensions, demanding a palliative care-centered approach. In this context, pharmaceutical care plays a relevant role in promoting quality of life and ensuring the safety of medication use. This study aimed to analyze the role of the clinical pharmacist in oncological palliative care, with an emphasis on pharmacotherapy safety and symptom control. This is a qualitative, bibliographical methodology based on a literature review conducted in the PubMed, Scopus, SciELO, and Google Scholar databases, considering publications in Portuguese from the last five years. Peer-reviewed articles, as well as theses and dissertations relevant to the topic, were included. The results show that the pharmacist contributes significantly to the management of symptoms such as pain and nausea, in addition to acting in medication reconciliation, prescription review, and deprescribing inappropriate drugs. Their role in guiding patients and caregivers on the correct use of medications is also highlighted. The inclusion of this professional in multidisciplinary teams has proven essential for optimizing therapy, promoting greater safety and quality in the care of cancer patients in advanced stages.
Keywords: palliative care; pharmaceutical assistance; oncology; pharmacotherapy; quality of life.
1. INTRODUÇÃO
O câncer constitui um importante problema de saúde pública mundial, caracterizando-se por um conjunto de doenças marcadas pela proliferação desordenada de células anormais, capazes de invadir tecidos e órgãos e, em muitos casos, disseminar-se para outras regiões do organismo por meio da metástase. Trata-se de uma enfermidade complexa e multifatorial, composta por mais de cem tipos distintos, cuja progressão pode comprometer significativamente a funcionalidade orgânica e a qualidade de vida dos indivíduos acometidos. Embora o diagnóstico precoce esteja relacionado a maiores possibilidades terapêuticas e melhores índices de sobrevida, muitos pacientes recebem o diagnóstico em estágios avançados da doença, situação em que os cuidados paliativos assumem papel essencial na assistência em saúde (Batista et al. (2021); Calado; Tavares; Bezerra, 2019).
Nos casos de câncer em fase avançada, os cuidados paliativos têm como finalidade promover conforto, dignidade e controle adequado dos sintomas físicos, emocionais, sociais e espirituais, sem enfoque exclusivo na cura da doença. Nesse contexto, o manejo farmacológico torna-se um dos principais instrumentos terapêuticos, especialmente no alívio da dor, náuseas, dispneia, ansiedade, constipação e demais manifestações decorrentes da progressão tumoral ou dos tratamentos antineoplásicos. Entretanto, a complexidade da farmacoterapia oncológica exige monitoramento constante para prevenir interações medicamentosas, reações adversas e falhas terapêuticas que possam comprometer a segurança do paciente.
A atuação multiprofissional nos cuidados paliativos oncológicos tem demonstrado resultados relevantes na melhoria da assistência prestada, destacando-se a participação do farmacêutico clínico como integrante estratégico da equipe de saúde. Estudos evidenciam que o acompanhamento farmacêutico contribui para maior adesão terapêutica, redução de eventos adversos, diminuição do tempo de internação e melhoria da qualidade de vida dos pacientes, além de favorecer o uso racional dos medicamentos e reduzir custos relacionados a complicações evitáveis (Patuleia et al., 2017; Pinho; Abreu; Nogueira, 2016).
O farmacêutico clínico desempenha funções que ultrapassam a simples dispensação de medicamentos, atuando na análise criteriosa da prescrição, avaliação das condições clínicas do paciente, identificação de alergias, prevenção de incompatibilidades terapêuticas e acompanhamento contínuo da resposta ao tratamento. No cenário paliativo, sua atuação torna-se ainda mais relevante devido à frequente utilização simultânea de múltiplos medicamentos, condição conhecida como polifarmácia, que aumenta o risco de toxicidade e interações farmacológicas (Oliveira; Machado; Chambela, 2019).
Além do suporte técnico relacionado à farmacoterapia, a assistência farmacêutica em oncologia incorpora práticas humanizadas voltadas ao acolhimento e à educação em saúde. A orientação adequada ao paciente e seus familiares acerca dos medicamentos prescritos, seus efeitos adversos e formas corretas de administração fortalece a autonomia do indivíduo e favorece sua participação ativa no tratamento. Dessa forma, a consulta farmacêutica configura-se como espaço terapêutico de escuta, esclarecimento e construção do cuidado integral, aspecto particularmente importante diante das vulnerabilidades vivenciadas por pacientes com câncer avançado (Vieira et al., 2021).
Diante dessas considerações, este estudo tem como objetivo analisar a atuação do farmacêutico clínico nos cuidados paliativos oncológicos, enfatizando sua contribuição para a segurança da farmacoterapia e para o controle de sintomas em pacientes com câncer em fase avançada, bem como discutir os aspectos regulatórios e assistenciais que norteiam essa prática profissional.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1. Cânceres: Etimologia e Conceituação
O câncer acompanha a trajetória da humanidade há milhares de anos, existindo registros da doença desde civilizações antigas, inclusive por meio de achados em múmias e documentos históricos que descreviam tumorações e enfermidades semelhantes às neoplasias conhecidas atualmente (Almeida et al., 2017). A origem etimológica do termo deriva do latim cancer, que significa “caranguejo”, denominação atribuída devido à aparência de determinados tumores e à forma como se disseminavam pelos tecidos, semelhante às patas desse animal.
Sob a perspectiva biomédica, o câncer não corresponde a uma única enfermidade, mas a um conjunto heterogêneo de doenças caracterizadas pelo crescimento desordenado e anormal das células. Essas células sofrem alterações genéticas que comprometem os mecanismos fisiológicos responsáveis pelo controle da proliferação celular, tornando-as capazes de invadir estruturas vizinhas e, em alguns casos, disseminar-se para órgãos distantes por meio do processo de metástase. Tal comportamento compromete funções orgânicas essenciais e pode resultar em importantes limitações físicas e funcionais ao paciente.
Atualmente, o câncer representa um dos maiores desafios da saúde pública mundial, afetando países desenvolvidos e em desenvolvimento. O aumento da expectativa de vida, associado ao envelhecimento populacional, mudanças nos hábitos de vida e exposição a fatores ambientais e ocupacionais, contribuiu significativamente para o crescimento da incidência e mortalidade por neoplasias nas últimas décadas (Ferracini; Almeida; Filho, 2014). Além das repercussões clínicas, a doença impõe impactos psicológicos, sociais e econômicos relevantes, exigindo estratégias terapêuticas integradas e assistência multiprofissional contínua.
Nos estágios avançados da doença, quando as possibilidades curativas tornam-se limitadas, os cuidados paliativos ganham destaque como abordagem centrada no alívio do sofrimento e no controle dos sintomas. Nesse cenário, a farmacoterapia assume papel fundamental no manejo da dor e de outras manifestações associadas à progressão tumoral, reforçando a necessidade de acompanhamento clínico qualificado e individualizado.
2.2. A Historicidade e Legislação do Desempenho da Farmacêutica na Oncologia
A consolidação da atuação farmacêutica em oncologia ocorreu progressivamente, impulsionada pela necessidade de garantir maior segurança na manipulação e utilização de medicamentos antineoplásicos. A partir da década de 1990, organizações internacionais como a Occupational Safety and Health Administration (OSHA), o National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH) e a American Society of Health-System Pharmacists (ASHP) passaram a estabelecer diretrizes voltadas à proteção dos profissionais da saúde e ao controle dos riscos relacionados ao preparo e administração de quimioterápicos, reconhecendo a elevada toxicidade desses medicamentos (Carvalho; Capucho; Bisson, 2014).
No contexto brasileiro, avanços normativos contribuíram para o fortalecimento da identidade profissional do farmacêutico na área oncológica. Entre eles destaca-se a Resolução nº 288/1996 do Conselho Federal de Farmácia, que ampliou e regulamentou as competências relacionadas à manipulação de medicamentos citotóxicos e antineoplásicos, reconhecendo essa atividade como atribuição privativa do farmacêutico. Tal regulamentação representou importante marco jurídico e assistencial, pois estabeleceu responsabilidades técnicas específicas e reforçou a participação desse profissional no tratamento do paciente com câncer (Medeiros; Melo; Torres, 2019).
Esse reconhecimento normativo ampliou o espaço de atuação farmacêutica para além das atividades técnicas de preparo e dispensação dos medicamentos, favorecendo sua inserção no acompanhamento clínico e no monitoramento da farmacoterapia. Dessa forma, o farmacêutico passou a contribuir de maneira mais efetiva para a prevenção de erros de medicação, identificação de interações medicamentosas, monitoramento de reações adversas e promoção do uso racional dos antineoplásicos.
No cenário contemporâneo dos cuidados paliativos oncológicos, a atuação farmacêutica encontra respaldo não apenas em legislações específicas da oncologia, mas também em normativas voltadas à farmácia clínica e à atenção farmacêutica, que reconhecem o farmacêutico como profissional integrante da equipe multiprofissional responsável pela segurança do paciente e pela qualidade da assistência em saúde.
Segundo Medeiros, Melo e Torres (2019), o Ministério da Saúde possui papel central na formulação de políticas públicas voltadas à prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, além da elaboração de normas que organizam a rede de atenção oncológica no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse contexto, destaca-se a Portaria nº 4.283/2010, que estabeleceu diretrizes para os serviços de farmácia hospitalar, buscando assegurar qualidade na assistência farmacêutica por meio da gestão, dispensação e monitoramento de medicamentos, incluindo antineoplásicos e radiofármacos.
Ainda conforme Medeiros, Melo e Torres (2019), a atuação farmacêutica é respaldada legalmente pela Constituição Federal e regulamentada pelo Conselho Federal de Farmácia. Entre os avanços normativos destaca-se a Resolução nº 585/2013, que consolidou as atribuições clínicas do farmacêutico e ampliou sua participação na equipe multiprofissional. Dessa forma, o profissional passou a atuar no acompanhamento do paciente, análise de prescrições, avaliação de exames clínicos e laboratoriais, revisão terapêutica e colaboração no planejamento farmacoterapêutico hospitalar.
2.3 Atuações do Farmacêutico com o paciente oncológico a luz de Almeida (2017) e Lobato (2019) e seguidores
A atuação do farmacêutico na oncologia envolve funções clínicas e assistenciais que vão além das atividades administrativas. Em conjunto com a equipe multiprofissional, esse profissional participa da avaliação das prescrições, elaboração de estratégias terapêuticas e acompanhamento dos pacientes, contribuindo para maior segurança do tratamento e melhor qualidade de vida (Almeida et al., 2017).
O acompanhamento farmacêutico durante o tratamento oncológico inclui orientações sobre administração dos medicamentos, possíveis efeitos adversos e prevenção de problemas relacionados à farmacoterapia. Esse monitoramento auxilia na redução de erros de medicação e permite intervenções voltadas ao controle de reações adversas, especialmente aquelas associadas à quimioterapia, favorecendo maior conforto e continuidade terapêutica (Vieira et al., 2021).
Nos tratamentos com antineoplásicos orais, a assistência farmacêutica torna-se ainda mais importante, pois esclarece dúvidas sobre uso correto, dosagem, armazenamento e riscos relacionados aos medicamentos. Além disso, compreender os fatores que interferem na adesão terapêutica é essencial para evitar interrupções do tratamento e reduzir complicações que possam levar à hospitalização, fortalecendo o cuidado integral ao paciente oncológico (Almeida et al., 2017).
O cuidado farmacêutico desempenha papel relevante no tratamento oncológico ao orientar o uso correto dos medicamentos, esclarecer efeitos adversos e prevenir interações medicamentosas, contribuindo para reduzir erros e interrupções terapêuticas. Embora sua participação na oncologia ainda esteja em expansão, a atuação do farmacêutico já ultrapassa a simples dispensação, envolvendo identificação e resolução de problemas relacionados à farmacoterapia e fortalecendo a segurança e eficácia do tratamento (Rech; Francellino; Colacite, 2019).
O diagnóstico e o tratamento do câncer costumam gerar sofrimento emocional, ansiedade e sentimentos de vulnerabilidade, tornando o acompanhamento profissional ainda mais necessário. Nesse contexto, o farmacêutico atua como fonte de informação e apoio, oferecendo orientações que aumentam a segurança do paciente, favorecem o reconhecimento precoce de reações adversas e contribuem para melhores resultados terapêuticos (Silva et al., 2017).
Além do suporte direcionado ao paciente, a assistência farmacêutica também envolve os familiares, ampliando o entendimento sobre o tratamento e promovendo maior segurança no uso dos medicamentos. Essa abordagem contribui para a melhoria da qualidade da assistência e para a redução de falhas na farmacoterapia (Batista et al. 2021).
2.4. Cuidados Paliativos e a Participação do Farmacêutico na Equipe Multidisciplinar
Os cuidados paliativos constituem uma abordagem multiprofissional destinada a pacientes com doenças graves e progressivas, especialmente quando o tratamento curativo deixa de apresentar os resultados esperados. Seu objetivo principal é aliviar o sofrimento, controlar sintomas e promover melhor qualidade de vida, considerando não apenas aspectos físicos, mas também emocionais, sociais e psicológicos do paciente (Souza; Peres 2012).
Nessa perspectiva, os cuidados paliativos não se limitam ao uso de medicamentos, mas envolvem a atuação integrada de diversos profissionais de saúde e a participação da família no processo terapêutico. A comunicação, o acolhimento e o suporte emocional tornam-se fundamentais para fortalecer o paciente e favorecer uma assistência mais humanizada (Cunha; Pitombeira; Panzetti, 2018).
O farmacêutico possui papel relevante nessa equipe multidisciplinar, principalmente no monitoramento da farmacoterapia e no controle dos sintomas relacionados ao câncer e ao tratamento. Sua atuação contribui para a seleção adequada dos medicamentos, prevenção de interações e redução de problemas relacionados à medicação, promovendo maior segurança e conforto ao paciente (Batista et al. 2021; Melo et al., 2024).
As normas como a RDC nº 220/2004 da ANVISA reconhecem a importância da composição multiprofissional no tratamento antineoplásico, incluindo a presença do farmacêutico ao lado de médicos e enfermeiros. Nesse contexto, o profissional participa da elaboração de protocolos e procedimentos farmacêuticos, contribuindo para reduzir erros de prescrição e melhorar a adesão e os resultados terapêuticos nos cuidados paliativos oncológicos (Rech; Francellino; Colacite, 2019; Santos et al., 2018).
3. METODOLOGIA
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza descritiva e exploratória, desenvolvida por meio de revisão integrativa da literatura. Esse método possibilita reunir, analisar e sintetizar produções científicas já publicadas, permitindo compreender de forma sistematizada a atuação do farmacêutico clínico nos cuidados paliativos oncológicos e sua contribuição para a segurança da farmacoterapia em pacientes com câncer em fase avançada (Mendes; Silveira; Galvão, 2008).
A pesquisa foi realizada no período de janeiro a abril de 2026, utilizando como universo de estudo publicações científicas relacionadas aos cuidados paliativos oncológicos, farmácia clínica, assistência farmacêutica e segurança do uso de medicamentos em pacientes com câncer avançado. A amostra foi composta por artigos científicos selecionados conforme critérios previamente estabelecidos.
A coleta de dados ocorreu por meio de buscas nas bases eletrônicas Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed e Google Acadêmico. Para a estratégia de busca foram utilizados os descritores: “cuidados paliativos”, “farmacêutico clínico”, “oncologia”, “farmacoterapia”, “segurança do paciente” e “câncer avançado”, combinados pelos operadores booleanos AND e OR.
Inicialmente, foram identificadas publicações relacionadas ao tema. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, leitura dos títulos e resumos e posterior análise dos textos completos, foram selecionados os estudos que apresentaram maior relevância científica e relação direta com os objetivos da pesquisa.
Os critérios de inclusão compreenderam artigos publicados entre 2015 e 2025, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem diretamente a atuação do farmacêutico clínico em oncologia, cuidados paliativos e segurança da farmacoterapia. Foram excluídos trabalhos duplicados, publicações incompletas, resumos simples, teses, dissertações e estudos sem relação direta com a temática proposta.
O processo de seleção dos estudos ocorreu em etapas: identificação das produções nas bases de dados, triagem por meio da leitura dos títulos e resumos, avaliação crítica dos textos completos e definição da amostra final. Os artigos selecionados foram organizados em quadros contendo informações referentes aos autores, ano de publicação, objetivos, metodologia e principais resultados encontrados.
A análise dos dados foi realizada por meio da técnica de análise temática, conforme proposta por Minayo (2014), permitindo identificar categorias relacionadas à participação do farmacêutico na equipe multiprofissional, ao controle de sintomas e à promoção da segurança farmacoterapêutica nos cuidados paliativos oncológicos.
A descrição detalhada das etapas metodológicas visa assegurar rigor científico, confiabilidade e transparência ao estudo, favorecendo a compreensão dos resultados e a reprodutibilidade da pesquisa.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A análise dos estudos selecionados permitiu identificar aspectos relevantes sobre a atuação do farmacêutico clínico nos cuidados paliativos oncológicos e sua contribuição para a segurança da farmacoterapia em pacientes com câncer em fase avançada. Os achados evidenciaram que a participação desse profissional vai além da dispensação de medicamentos, envolvendo acompanhamento clínico, monitoramento terapêutico e atuação integrada junto à equipe multiprofissional.
Grande parte das publicações destacou que a assistência farmacêutica contribui significativamente para o controle dos sintomas mais frequentes em pacientes paliativos, como dor, náuseas, vômitos, constipação, ansiedade e fadiga. O acompanhamento farmacoterapêutico mostrou-se importante para identificação precoce de reações adversas, prevenção de interações medicamentosas e adequação das prescrições, favorecendo maior segurança e efetividade do tratamento (Batista et al. 2021; Melo et al., 2024).
Os estudos também demonstraram que a integração entre farmacêuticos, médicos, enfermeiros, psicólogos e demais profissionais fortalece a assistência paliativa, permitindo planejamento terapêutico individualizado e cuidado centrado no paciente. Essa abordagem multiprofissional melhora a comunicação entre equipe, paciente e família, contribuindo para decisões compartilhadas e maior adesão ao tratamento (Cunha; Pitombeira; Panzetti, 2018).
Outro aspecto frequentemente identificado foi a relevância da orientação farmacêutica ao paciente e aos familiares. As evidências apontaram que informações claras sobre administração dos medicamentos, armazenamento, possíveis efeitos adversos e manejo domiciliar reduzem inseguranças e diminuem erros relacionados ao uso dos medicamentos. Esse cuidado educativo torna-se especialmente importante em pacientes submetidos a esquemas terapêuticos complexos e em situação de vulnerabilidade física e emocional (Rech; Francellino; Colacite, 2019; Gramosa; Silva et al., 2021).
A literatura analisada também apontou desafios para a consolidação da farmácia clínica nos cuidados paliativos oncológicos. Entre eles destacam-se limitações estruturais dos serviços, número reduzido de farmacêuticos especializados e necessidade de capacitação contínua para atuação em oncologia e cuidados paliativos. Apesar desses obstáculos, observa-se crescente reconhecimento da importância do farmacêutico na promoção do uso racional de medicamentos e na redução de problemas relacionados à farmacoterapia.
De modo geral, os resultados encontrados reforçam que a presença do farmacêutico clínico na equipe multidisciplinar representa estratégia essencial para qualificar o cuidado paliativo oncológico, ampliar a segurança do paciente e promover melhor qualidade de vida durante o tratamento.
Quadro 1 – Caracterização dos estudos analisados
Autor/Ano | Objetivo do estudo | Metodologia | Principais resultados |
Lobato et al. (2019) | Atuação farmacêutica em oncologia | Revisão integrativa | Segurança e adesão terapêutica |
Rech; Francellino; Colacite (2019) | Cuidado farmacêutico no câncer | Revisão | Redução de erros e interações |
Silva et al. (2017) | Assistência ao paciente oncológico | Qualitativo | Orientação melhora segurança |
Silva et al. (2020) | Farmácia clínica em CP | Revisão | Controle de sintomas e conforto |
Cunha; Pitombeira; Panzetti (2018) | Cuidados paliativos | Qualitativo | Integração paciente-família-equipe |
Almeida et al. (2017) | Atuação farmacêutica | Revisão | Melhora adesão ao tratamento |
Medeiros; Melo; Torres (2019) | Legislação farmacêutica | Revisão documental | Ampliação das competências clínicas |
Oliveira (2017) | Cuidados paliativos | Revisão | Assistência humanizada |
Santos et al. (2018) | Problemas relacionados a medicamentos | Estudo aplicado | Prevenção de falhas terapêuticas |
Carvalho; Capucho; Bisson (2014) | Segurança em oncologia | Revisão | Protocolos e segurança ocupacional |
5. CONCLUSÃO
O presente estudo permitiu compreender a relevância da atuação do farmacêutico clínico nos cuidados paliativos oncológicos, destacando sua contribuição para a segurança da farmacoterapia e para o controle dos sintomas em pacientes com câncer em fase avançada. A literatura analisada evidenciou que a assistência farmacêutica ultrapassa a dispensação de medicamentos, envolvendo acompanhamento clínico, monitoramento terapêutico e participação ativa nas decisões relacionadas ao tratamento.
Os resultados demonstraram que o farmacêutico desempenha papel importante na identificação e prevenção de reações adversas, interações medicamentosas e problemas relacionados ao uso de medicamentos, favorecendo maior efetividade terapêutica e reduzindo riscos associados à polifarmácia, condição frequentemente presente nos cuidados paliativos. Além disso, a orientação adequada ao paciente e aos familiares mostrou-se fundamental para fortalecer a adesão ao tratamento e proporcionar maior segurança durante o manejo medicamentoso.
Outro aspecto relevante identificado foi a importância da atuação multiprofissional nos cuidados paliativos. A integração entre farmacêuticos, médicos, enfermeiros, psicólogos e demais profissionais possibilita cuidado mais humanizado e individualizado, centrado nas necessidades do paciente e no alívio do sofrimento físico e emocional. Nesse contexto, o farmacêutico assume posição estratégica ao contribuir para a racionalização da farmacoterapia e para o planejamento terapêutico compartilhado.
Apesar dos avanços observados, a literatura aponta desafios relacionados à ampliação da farmácia clínica em oncologia, especialmente quanto à necessidade de qualificação profissional e fortalecimento das políticas institucionais que favoreçam sua inserção efetiva nas equipes de cuidados paliativos. Dessa forma, conclui-se que a participação do farmacêutico clínico representa importante ferramenta para qualificar a assistência oncológica paliativa, promovendo segurança, conforto e melhor qualidade de vida aos pacientes com câncer em fase avançada.
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1 Discente do Curso de Farmácia da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Discente do Curso de Farmácia da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
3 Discente do Curso de Farmácia da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
4 Docente do Curso de Farmácia da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail