EDUCAÇÃO CORPORATIVA: UMA CONTRIBUIÇÃO NA GESTÃO DEMOCRÁTICA NAS ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18176710


Andreia Lima1


RESUMO
O ajuste ao ambiente educacional predominante é essencial para o crescimento educacional e o bem-estar adequados das crianças. O objetivo deste artigo é conduzir discussões sobre a identificação de objetivos previstos do processo de orientação educacional, metodologias de realização de tarefas, papel de um conselheiro bem-sucedido e discussão sobre uma gratificante relação professor aluno. A criança entra na escola diretamente do seu ambiente doméstico. Aqui ele encontra um ambiente formal de educação e obtém experiências bastante novas e estranhas para ele. Ele precisa ser ajustado a essas situações educacionais e condições ambientais. Ele precisa ler, escrever, falar e participar do processo de aprendizado o trabalho de perfuração e as tarefas domésticas devem ser concluídas. É necessária a participação em atividades curriculares. A regularidade e pontualidade no processo educacional devem ser observadas. Às vezes, ele precisa se beneficiar das novas técnicas e dispositivos do ensino. Ele precisa se preparar para os testes e avaliações desejados. Os serviços de orientação educacional devem ajudar a criança a alcançar esse objetivo por meio de escolhas corretas. A metodologia da pesquisa foi bibliográfica por meio de livros e artigos com relação ao tema proposto nesta pesquisa.
Palavras-chave: Educação. Orientação Educacional. Escola.

ABSTRACT
Adjustment to the prevailing educational environment is essential for children’s proper educational development and well-being. The purpose of this article is to promote discussions on the identification of the intended objectives of the educational guidance process, task implementation methodologies, the role of a successful counselor, and the importance of a rewarding teacher–student relationship. Children enter school directly from their home environment, where they encounter a formal educational setting and experience situations that are new and unfamiliar to them. They need to adjust to these educational situations and environmental conditions. This adjustment involves learning to read, write, speak, and actively participate in the learning process, as well as completing drills and homework assignments. Participation in curricular activities is required, along with regularity and punctuality in the educational process. At times, students must also benefit from new teaching techniques and instructional tools. They need to prepare for tests and evaluations as required. Educational guidance services should support children in achieving these goals through appropriate choices. The research methodology adopted in this study is bibliographic, based on books and academic articles related to the proposed theme.
Keywords: Education. Educational Guidance. School.

1. INTRODUÇÃO

A organização ineficaz da gestão intraescolar refere-se a uma série de princípios (objetividade, principado, objetividade, caráter científico, negócios, planejamento e controle, etc.); entre eles, o princípio da democracia tem a sua importância.

Dirigentes educacionais necessitam melhorar a qualidade das escolas modernas e sua gestão, criando um ambiente educacional, estimulante e de desenvolvimento na escola, e alcançando mudanças democráticas dependem da importância da democratização daqueles que dirigem a educação e o sistema.

A democratização nas instituições educacionais visa a educação dos alunos no espírito de liberdade de pensamento, a expansão de poderes e liberdades na organização e gestão de educação e aumentar a autonomia das instituições de ensino. Esses dirigentes que são indicados tendem a possuir uma formação básica, desatualizada e incompleta para o cargo ao qual ocupam. Assim como, menor experiência no ensino e menos experiência como gestor do que os relacionados por eleição ou concurso. Porém, contar apenas com o concurso não parece o ideal. Seria como, por exemplo, escolher um presidente de uma empresa através de uma simples prova.

O gestor deve reunir competências como capacidade de liderança, gestão de pessoas e estímulo a inovação. Itens básicos aplicados na educação corporativa.

O sistema educacional está buscando neste novo gestor, mais preparado, mais autônomo, habilidades e competências afim de tornar a escola e seu público alvo mais capacitado na tomada de decisões importantes que visa o desenvolvimento da comunidade escolar. O objetivo deste estudo foi investigar a contribuição da educação corporativa na gestão escolar das escolas públicas municipais.

Os objetivos específicos descreveram os métodos de desenvolvimento dos líderes utilizados na educação corporativa, apontaram os métodos de desenvolvimento de aprendizagem da comunidade dentro da linha educacional.

A análise permitiu concluir que a gestão democrática não é apenas um ideal, mas uma condição prática para a construção de uma educação de qualidade, capaz de transformar realidades e combater desigualdades.

Acredita-se que com capacitação, aperfeiçoamento e desenvolvimento desses métodos nas unidades escolares, é possível alçar líderes mais preparados afim de assegurar o gerenciamento da educação neste ambiente escolar.

Compreendendo que a gestão democrática abrange não somente o ambiente escolar, mas envolve toda a comunidade concernente nela, este estudo contribuirá para um melhor embasamento e argumentação na tomada de decisões para gestores e na implantação das estratégias necessárias para a resolução de problemas durante o processo educacional.

A partir da pesquisa bibliográfica através de livros, artigos, estes serão analisados para se verificar desde quando estes gestores que tomaram posse desses cargos utilizando este tipo de prática, se eram oferecidos algum pré requisito para ocupar o cargo e se não, era oferecido algum curso de formação e capacitação.

Os dados teóricos evidenciaram que, ao integrar a comunidade escolar nos processos de decisão e planeamento, fortalece-se o compromisso coletivo e amplia-se a eficácia das ações pedagógicas. Assim, reforça-se que a qualidade na educação só é viável quando orientada por princípios democráticos, comprometida com o desenvolvimento humano e baseada em estratégias colaborativas de transformação.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A educação corporativa tem se consolidado como uma estratégia essencial para o desenvolvimento contínuo de colaboradores, alinhando suas competências às necessidades estratégicas das organizações. Quando direcionada especificamente para o setor educacional, essa abordagem potencializa a eficácia de instituições de ensino e promove a inovação pedagógica.

A globalização e as rápidas transformações tecnológicas exigem que as instituições educacionais se adaptem continuamente. Nesse contexto, a educação corporativa emerge como uma ferramenta estratégica para capacitar educadores e gestores, garantindo a qualidade e a relevância do ensino.

Segundo Eboli (1999), a educação corporativa é uma abordagem estratégica que visa desenvolver talentos humanos alinhados à estratégia organizacional. Ela transcende o treinamento tradicional ao integrar aprendizado contínuo e desenvolvimento de competências essenciais para a sustentabilidade da organização.

Aplicar os princípios da educação corporativa em instituições de ensino envolve adaptar práticas corporativas ao ambiente educacional. Isso inclui a formação continuada de docentes, desenvolvimento de lideranças educacionais e a promoção de uma cultura de inovação pedagógica.

Langhi et al. (2021) discutem a aplicação da teoria da aprendizagem significativa na educação corporativa. Eles enfatizam que considerar os conhecimentos prévios dos indivíduos é crucial para a efetividade dos programas de treinamento, promovendo uma integração mais eficaz entre teoria e prática. Silva et al. (2023) destacam a importância da educação corporativa no desenvolvimento de competências essenciais para os profissionais do futuro, como pensamento crítico, criatividade e adaptabilidade. Eles sugerem que abordagens de aprendizado baseadas em experiências e tecnologias inovadoras são fundamentais para uma educação relevante e de alta qualidade.

Silva et al. (2024) introduzem o conceito de Educação Corporativa Empreendedora (ECE) como estratégia de formação continuada. Eles argumentam que a ECE promove vantagens competitivas ao desenvolver competências intraempreendedoras nos colaboradores, como criatividade, criticidade e autonomia, qualificando o profissional e seu trabalho.

Novaes et al. (2023) analisam como a educação corporativa colabora com a inovação e impacta na competitividade das empresas. Eles concluem que programas de educação corporativa estimulam a criatividade, a aprendizagem contínua e a capacidade de adaptação dos colaboradores, promovendo a geração e implementação de ideias inovadoras. Diversas instituições de ensino têm implementado programas de educação corporativa para aprimorar suas práticas pedagógicas. Por exemplo, a Universidade La Salle Canoas desenvolveu iniciativas voltadas para a formação continuada de seus docentes, alinhando-se às demandas contemporâneas da educação. Implementar a educação corporativa no setor educacional enfrenta desafios, como resistência à mudança e limitações orçamentárias. No entanto, as perspectivas futuras são promissoras, especialmente com a integração de tecnologias emergentes e metodologias inovadoras que podem transformar a experiência de aprendizagem. A educação corporativa voltada para a educação representa uma estratégia vital para o desenvolvimento contínuo de profissionais da educação. Ao investir na formação de seus colaboradores, as instituições de ensino não apenas aprimoram suas práticas pedagógicas, mas também fortalecem sua posição no cenário educacional contemporâneo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A gestão democrática na escola é um princípio fundamental para a construção de uma educação de qualidade e participativa. De acordo com Lúck (2019), a gestão escolar deve ser pautada na participação coletiva, na transparência e na corresponsabilidade dos atores educacionais. Nesse sentido, a democratização da gestão implica o envolvimento de toda a comunidade escolar, incluindo professores, alunos, famílias e gestores, na tomada de decisões. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) estabelece a gestão democrática como um dos princípios do ensino público.

Conforme Libâneo (2021), essa diretriz reforça a necessidade de um modelo de gestão que valorize a autonomia da escola e promova a participação efetiva da comunidade. Essa abordagem contribui para a construção de um ambiente educativo mais inclusivo e eficiente. A participação da comunidade escolar na gestão é essencial para garantir a legitimidade das decisões tomadas.

Para Paro (2020), a democracia na escola só se concretiza quando há espaços de diálogo e decisão compartilhada. Os conselhos escolares e as assembleias são mecanismos fundamentais nesse processo, pois possibilitam a expressão dos diversos segmentos da comunidade escolar e asseguram maior transparência na administração dos recursos e das políticas educacionais. Outro aspecto relevante é a formação de gestores escolares com uma visão democrática.

Segundo Dourado (2018), a capacitação contínua dos diretores e coordenadores pedagógicos é um fator determinante para a consolidação da gestão participativa. Isso ocorre porque a liderança escolar tem um papel central na mediação de conflitos, na promoção da cultura de diálogo e no incentivo à autonomia dos docentes e discentes.

A transparência na administração escolar também é um fator essencial para a gestão democrática. De acordo com Oliveira (2019), a prestação de contas à comunidade escolar sobre a aplicação dos recursos financeiros e o planejamento pedagógico fortalece a confiança e a cooperação entre os diferentes segmentos escolares. Quando a escola atua de maneira transparente, estimula o compromisso coletivo com os objetivos educacionais.

A democratização da escola também está relacionada à gestão dos conflitos internos. Para Souza (2022), é fundamental que a gestão escolar desenvolva estratégias de mediação e resolução de conflitos, promovendo a cultura da paz e do respeito à diversidade. Dessa forma, cria-se um ambiente mais harmonioso e propício ao aprendizado e à convivência.

A gestão democrática na escola representa um desafio contínuo, mas é um caminho essencial para a construção de uma educação pública de qualidade.

Como afirmam Cury e Dourado (2021), a participação ativa de toda a comunidade escolar é a chave para uma gestão eficiente e equitativa, promovendo o desenvolvimento integral dos estudantes e fortalecendo o vínculo entre escola e sociedade.

A educação corporativa nas escolas municipais tem se tornado uma ferramenta essencial para a qualificação dos profissionais da educação e a melhoria do ensino. Segundo Andrade (2022), a educação corporativa vai além da capacitação tradicional, integrando formação continuada, desenvolvimento de competências e alinhamento das práticas pedagógicas aos objetivos institucionais das escolas.

A implantação da educação corporativa no âmbito escolar requer uma gestão estratégica. Conforme Santos (2021), a educação corporativa nas escolas municipais deve ser planejada de forma colaborativa, envolvendo gestores, professores e demais profissionais da educação. Essa abordagem permite que a formação continuada esteja alinhada às necessidades reais da comunidade escolar e contribua para a inovação no ensino.

O uso da tecnologia tem um papel fundamental na educação corporativa escolar. De acordo com Oliveira (2020), plataformas digitais e ambientes virtuais de aprendizagem podem potencializar a capacitação dos professores, promovendo a atualização contínua e a troca de experiências entre educadores. Dessa forma, a integração entre tecnologia e educação corporativa fortalece a prática pedagógica e favorece a inclusão digital. Outro ponto essencial é a relação entre educação corporativa e gestão escolar.

Para Lima (2019), a formação continuada dos gestores é fundamental para a implementação de um modelo de gestão eficiente e inovador. Dessa forma, diretores e coordenadores pedagógicos precisam estar aptos a promover a cultura da aprendizagem organizacional dentro das escolas municipais.

A educação corporativa também está diretamente relacionada à valorização dos profissionais da educação. Segundo Souza (2023), investir na formação continuada dos docentes contribui para a motivação e o engajamento dos profissionais, refletindo diretamente na qualidade do ensino oferecido aos alunos. Dessa maneira, políticas públicas voltadas para a educação corporativa tornam-se essenciais para fortalecer o sistema educacional municipal. A educação corporativa nas escolas municipais representa um modelo inovador de desenvolvimento profissional e melhoria da qualidade do ensino.

Conforme Costa e Almeida (2022), a integração entre formação continuada, tecnologia educacional e gestão estratégica fortalece as práticas pedagógicas e promove uma educação mais equitativa e eficiente.

Diversos estudos têm vindo a demonstrar um interesse crescente na aplicação de práticas de gestão da qualidade no setor da educação. Entre os principais fatores que impulsionam essa tendência encontram-se a pressão do setor industrial por padrões académicos cada vez mais elevados, especialmente com os avanços tecnológicos; a existência de programas governamentais que direcionam fundos para projetos ligados à investigação e ao ensino com foco na qualidade; a intensificação da concorrência entre instituições públicas e privadas; e ainda a diminuição dos recursos financeiros disponíveis, o que faz com que apenas instituições com boa reputação consigam aceder a financiamentos relevantes (Hopkins et al., 2014).

Senge et al. (2012) salientam que, para que qualquer sistema educacional atinja os seus objetivos, é essencial que exista um foco estratégico na qualidade e na melhoria contínua. A obtenção de resultados sustentáveis depende do envolvimento total de todos os membros da organização, desde os níveis mais altos até aos operacionais, bem como de um compromisso com decisões baseadas em dados e uma cultura organizacional orientada para a excelência.

De acordo com Wang e Degol (2016), o êxito na implementação de práticas de qualidade só é possível quando a instituição constrói uma cultura de aprendizagem voltada para o aluno, considerando a sua satisfação como prioridade. Para tal, é fundamental estabelecer valores como liderança comprometida, inovação pedagógica contínua, envolvimento ativo dos colaboradores, agilidade na resposta institucional e a criação de parcerias eficazes – tanto internas quanto externas.

Postma (2013) acrescenta que a busca por qualidade não deve ser vista apenas como um procedimento administrativo, mas sim como um processo participativo, que envolve toda a instituição e que, embora possa gerar novas tensões, também abre caminho para oportunidades inéditas no ambiente educacional.

Para que os indivíduos possam prosperar nesse novo cenário, será necessário investir em modelos inovadores de desenvolvimento de recursos humanos. Isso porque muitas estratégias utilizadas na educação foram originalmente concebidas para contextos industriais, o que exige adaptações significativas. Assim, os desafios associados à adoção de práticas de gestão de qualidade no ensino requerem soluções contextualizadas e integradas num modelo holístico que respeite as particularidades do meio educativo (MAGEN-NAGAR, AZULY, 2016).

Segundo Rapti (2015), é imprescindível abordar a gestão da qualidade nas instituições de ensino, especialmente em relação à produtividade. As abordagens adotadas podem variar: algumas focam-se na satisfação do aluno como principal indicador, enquanto outras adotam uma visão mais abrangente, tratando a qualidade como uma filosofia que orienta a transformação institucional. Na prática, muitas instituições conjugam ambas as perspectivas no desenvolvimento das suas estratégias.

Sarrico e Rosa (2016) reforçam que a implementação de um sistema de qualidade no ensino é essencial para a eficácia das atividades de ensino, investigação e serviço à comunidade. Essa abordagem contribui não só para resultados objetivos como a empregabilidade e o desempenho académico, mas também para ganhos subjetivos e sociais, como o fortalecimento de valores éticos, respeito mútuo e responsabilidade social.

A presença efetiva do Estado e da comunidade, associada a uma atuação eficiente da gestão escolar, tende a elevar os resultados esperados. O investimento consciente no estudante, quando bem direcionado, potencializa significativamente os indicadores de qualidade. Promover qualidade na educação requer abrir espaço à participação de todos os envolvidos, descentralizando o poder e incentivando o envolvimento da família – um aspecto muitas vezes negligenciado.

A presença ativa dos pais na vida escolar dos filhos contribui fortemente para a melhoria da educação, pois essa responsabilidade não cabe apenas ao Estado, mas também à família. Um elemento central para o sucesso institucional é uma liderança ativa, participativa e disposta a compartilhar decisões. A gestão não deve ser unilateral; ao contrário, deve envolver professores, estudantes e demais funcionários.

Um dos grandes obstáculos à qualidade é a falta de engajamento coletivo. Muitas vezes, o gestor escolar assume sozinho o ônus da qualidade, desconsiderando o grupo gestor. Ao mesmo tempo, há docentes que não se percebem como corresponsáveis pela qualidade do ensino, distanciando-se do processo de construção e melhoria educacional.

Paro (1997, p. 17) defende que a escola pública só será verdadeiramente pública quando garantir a todos acesso indiscriminado a uma educação de qualidade, o que só pode ocorrer sob controle democrático. Ou seja, a qualidade é fruto da contribuição coletiva, de ações e relações concretas baseadas na realidade de cada instituição, a partir da qual se podem construir estratégias eficazes.

Não se deve tratar a educação como um produto homogéneo, mas reconhecê-la como um processo que deve considerar as especificidades de cada unidade escolar, mesmo dentro de uma mesma cidade. Isso implica que avaliações padronizadas, embora necessárias, devem ser aplicadas considerando o contexto local. A busca por qualidade na educação é antiga. Desde os primórdios da prática de ensinar, formar e desenvolver, a qualidade tem sido uma meta.

No entanto, como salienta Santos (1997, p. 122), “as pessoas e os grupos sociais têm o direito de serem iguais quando a diferença os inferioriza, e o direito a serem diferentes quando a igualdade os descaracteriza.” A qualidade é o que define se a educação será ferramenta de igualdade ou de exclusão.

Na prática, a educação pública de qualidade não se consolidou como um direito universal no Brasil, sendo frequentemente tratada como um privilégio reservado ao ensino privado. Isso reflete uma tradição cultural marcada por hierarquias e personalismos, conforme aponta Silva (2009, p. 102).

Essa lógica de privilégio perpetua uma educação que, ao invés de libertar, oprime, negando oportunidades e reforçando desigualdades. A educação é, por natureza, um direito humano, mas a sua concretização depende do modo como está inserida no processo social.

O planeamento educacional é essencial, funcionando como alicerce de todas as ações escolares. Ferramentas como a análise SWOT são úteis para identificar forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, permitindo definir estratégias eficazes para o crescimento institucional.

A mediação também tem papel fundamental. O professor, como mediador de aprendizagens, pode gerir conflitos e alinhar os objetivos de aprendizagem à elevação da qualidade educacional. A qualidade nasce quando se reconhece o sentido do espaço educativo. Toda instituição deve buscar um selo de qualidade baseado na sua missão educativa.

Promover qualidade exige diagnóstico, identificação de problemas e compromisso contínuo com a transformação. É fundamental observar se o ambiente de aprendizagem é adequado, pois isso influencia diretamente o desempenho dos alunos. Aos professores, além da formação inicial, deve-se garantir formação continuada e remuneração justa, evitando sobrecarga de trabalho e permitindo maior dedicação.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A implementação da educação corporativa na gestão democrática das escolas públicas municipais representa um caminho significativo para a melhoria da qualidade educacional, promovendo uma administração mais participativa e eficiente.

Ao longo desta discussão, ficou evidente que o conceito de educação corporativa, quando aplicado ao contexto escolar, possibilita a capacitação contínua dos profissionais da educação, estimulando o desenvolvimento de competências essenciais para a gestão e aprimorando a colaboração entre os diversos agentes da comunidade escolar. A adoção desse modelo na educação pública municipal permite a construção de um ambiente mais dinâmico e inovador, no qual gestores, professores e demais envolvidos compartilham conhecimento e boas práticas, potencializando o desempenho institucional.

A gestão democrática, fundamentada na participação ativa de todos os segmentos da comunidade escolar, ganha robustez quando associada a processos formativos continuados, resultando em tomadas de decisões mais assertivas e alinhadas às reais necessidades da escola e dos estudantes.

A formação contínua proporcionada pela educação corporativa possibilita a criação de uma cultura organizacional voltada para a inovação e a melhoria contínua. Dessa maneira, a escola passa a se estruturar como um espaço de aprendizado não apenas para os alunos, mas também para os profissionais que nela atuam, reforçando o compromisso com uma educação de qualidade.

Diante desse cenário, conclui-se que a educação corporativa pode ser um instrumento valioso na gestão democrática das escolas públicas municipais, promovendo um modelo de governança mais participativo, colaborativo e eficaz. Seu potencial de transformar a cultura institucional das escolas, fortalecendo a liderança, a autonomia e a responsabilidade compartilhada, indica a necessidade de maior investimento nessa abordagem.

Para que essa implementação seja bem-sucedida, é essencial que haja um comprometimento das instâncias governamentais e das próprias unidades escolares na formulação de políticas que incentivem a educação corporativa como parte do desenvolvimento profissional dos educadores. Além disso, a inclusão de todos os atores da comunidade escolar no planejamento e execução dessas ações reforça os princípios da gestão democrática, consolidando uma escola mais autônoma e responsável pelo seu desenvolvimento. Assim, avança se para um modelo educacional mais coeso, eficiente e alinhado aos desafios contemporâneos da educação pública.

Além disso, os desafios e estratégias para a implementação de uma cultura de qualidade foram analisados com base em diferentes referências teóricas, permitindo constatar que práticas democráticas e colaborativas são essenciais para o sucesso institucional. A avaliação contínua, o planeamento estratégico e o investimento em formação docente foram destacados como mecanismos fundamentais para promover melhorias reais. Assim, o estudo contribuiu para responder aos objetivos propostos, reafirmando que a qualidade na educação só se concretiza quando há compromisso coletivo, diálogo permanente e uma gestão que valorize a participação social como elemento estruturante do processo educativo.

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1 Graduação em Pedagogia pela Universidade Metropolitana de Santos. Segunda Licenciatura em Educação Inclusiva pela Faveni. Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail. [email protected]