EDUCAÇÃO AMBIENTAL CRÍTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL I: PERCEPÇÕES E PRÁTICAS DOS PROFESSORES EM SALGUEIRO (PE)

CRITICAL ENVIRONMENTAL EDUCATION IN ELEMENTARY EDUCATION: TEACHERS’ PERCEPTIONS AND PRACTICES IN SALGUEIRO, PERNAMBUCO, BRAZIL

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/792987548

RESUMO
O presente artigo constitui um recorte de uma dissertação desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas de Desenvolvimento do Semiárido (PPGDiDeS), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), abordando as percepções e práticas docentes relacionadas à Educação Ambiental Crítica no Ensino Fundamental I. O objetivo foi analisar as percepções e práticas dos professores acerca dessa abordagem e de sua relação com a formação continuada em escolas municipais de Salgueiro, Pernambuco. A pesquisa caracteriza-se como descritiva e exploratória, com abordagem quantitativa, realizada em cinco escolas municipais, com a participação de 50 professores, correspondendo a 89,3% do universo investigado. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado, aplicado pela plataforma Google Forms, considerando exclusivamente questões fechadas de múltipla escolha e afirmativas organizadas em escala Likert. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, considerando frequências absolutas e relativas. Os resultados evidenciaram que 80% dos docentes concordam totalmente que a Educação Ambiental contribui para a formação crítica dos estudantes, embora 74% incorporem apenas parcialmente seus princípios críticos às práticas pedagógicas. Destacaram-se as rodas de conversa (80%) e os projetos interdisciplinares (56%) como estratégias utilizadas pelos professores. Quanto à formação docente, 48% relataram uma abordagem superficial da temática, enquanto 72% reconheceram a contribuição da formação continuada para o aprimoramento das práticas educativas. Identificaram-se desafios relacionados ao preparo profissional, ao suporte institucional e à contextualização das práticas com a realidade socioambiental local. Conclui-se que, apesar do reconhecimento da importância da Educação Ambiental Crítica, sua consolidação exige o fortalecimento da formação continuada, do apoio institucional e de práticas interdisciplinares permanentes e contextualizadas, favorecendo a formação crítica e cidadã dos estudantes.
Palavras-chave: Formação continuada docente; Práticas pedagógicas interdisciplinares; Ensino e aprendizagem; Contextualização socioambiental.

ABSTRACT
This article is based on a section of a master's dissertation developed within the Graduate Program in Dynamics of Development in the Semi-Arid Region (PPGDiDeS) at the Federal University of Vale do São Francisco (UNIVASF), Brazil, addressing teachers' perceptions and practices related to Critical Environmental Education in the early years of elementary school. The study aimed to analyze teachers' perceptions and practices regarding this approach and its relationship with continuing teacher education in municipal schools in Salgueiro, Pernambuco, Brazil. The research adopted a descriptive and exploratory design with a quantitative approach and was conducted in five municipal schools, involving 50 teachers, corresponding to 89.3% of the target population. Data were collected through a structured questionnaire administered via Google Forms, considering exclusively closed-ended multiple-choice questions and statements organized on a Likert scale. Data were analyzed using descriptive statistics, including absolute and relative frequencies. The results revealed that 80% of teachers strongly agreed that Environmental Education contributes to students' critical development, although 74% reported only partially incorporating its critical principles into their teaching practices. Group discussions (80%) and interdisciplinary projects (56%) stood out as teaching strategies adopted by participants. Regarding teacher education, 48% reported superficial coverage of the subject, while 72% recognized the contribution of continuing teacher education to improving educational practices. Challenges were identified concerning professional preparedness, institutional support, and the contextualization of teaching practices within the local socio-environmental reality. The study concludes that, despite teachers' recognition of the importance of Critical Environmental Education, its consolidation requires strengthening continuing teacher education, institutional support, and permanent, contextualized interdisciplinary practices that foster students' critical thinking and citizenship development.
Keywords: Continuing teacher education; Interdisciplinary teaching practices; Teaching and learning; Socio-environmental contextualization.

1. INTRODUÇÃO

O presente artigo científico constitui um recorte da dissertação intitulada “Educação Ambiental Crítica e Formação Continuada de Professores no Ensino Fundamental I: percepções e práticas em escolas municipais de Salgueiro, Pernambuco”, desenvolvida por Denise Cavalcanti da Silva, sob orientação do Prof. Dr. Antônio Pereira Filho, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas de Desenvolvimento do Semiárido (PPGDiDeS), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF).

A Educação Ambiental constitui um processo educativo voltado à construção de conhecimentos, valores e atitudes relacionados às questões socioambientais, contribuindo para a formação de sujeitos conscientes de suas responsabilidades individuais e coletivas diante da sociedade e da natureza (Carmo; Almeida; Sá, 2025).

Na perspectiva crítica, essa abordagem ultrapassa práticas exclusivamente preservacionistas e comportamentais, buscando compreender as relações sociais, políticas, econômicas e culturais envolvidas nas problemáticas ambientais contemporâneas (Loureiro; Layrargues, 2023).

No Ensino Fundamental I, a Educação Ambiental Crítica apresenta possibilidades para o desenvolvimento de práticas pedagógicas interdisciplinares e contextualizadas, favorecendo a reflexão dos estudantes sobre as questões socioambientais presentes em seu cotidiano (Amaral; Amaral, 2025).

Entretanto, sua inserção no ambiente escolar envolve desafios relacionados à formação docente, à disponibilidade de recursos didáticos, à organização curricular e às condições institucionais necessárias ao desenvolvimento de práticas educativas críticas (Ferreira; Costa, 2021).

Nesse contexto, o artigo aborda as percepções dos professores acerca da Educação Ambiental Crítica no Ensino Fundamental I, considerando os resultados obtidos em cinco escolas municipais de Salgueiro, Pernambuco. O recorte contempla especificamente os dados provenientes das questões fechadas de múltipla escolha e das afirmativas organizadas em escala de concordância do tipo Likert, integrantes do questionário aplicado aos 50 professores participantes da pesquisa, não incluindo as questões abertas nem os dados referentes aos coordenadores pedagógicos.

A análise concentra-se nas percepções docentes sobre a Educação Ambiental Crítica, considerando sua importância para a formação dos estudantes, sua inserção no cotidiano escolar e sua relação com as práticas pedagógicas desenvolvidas pelos professores. Além disso, contempla aspectos relacionados à formação continuada, às metodologias e aos recursos didáticos utilizados, à interdisciplinaridade e aos desafios percebidos para o desenvolvimento dessa abordagem no contexto educacional investigado.

Dessa forma, o artigo tem como objetivo analisar as percepções e práticas dos professores do Ensino Fundamental I acerca da Educação Ambiental Crítica e de sua relação com a formação continuada docente em escolas municipais de Salgueiro, Pernambuco.

2. METODOLOGIA

A presente pesquisa caracteriza-se como descritiva e exploratória, com abordagem quantitativa, tendo como finalidade analisar as percepções e práticas dos professores do Ensino Fundamental I acerca da Educação Ambiental Crítica e de sua relação com a formação continuada docente. Segundo Gil (2026), a pesquisa descritiva busca identificar e caracterizar aspectos de determinada população ou fenômeno, enquanto a exploratória possibilita ampliar a compreensão sobre a realidade investigada.

O estudo foi realizado em 5 (cinco) escolas da rede municipal de ensino de Salgueiro, Pernambuco: Professora Maria Nilza, Professor José Pontes Jardim, Valdemar Soares de Menezes, C.E. Paulo Fernando dos Santos e Osmundo Bezerra. Adotou-se uma amostragem não probabilística por conveniência, considerando a acessibilidade e a disponibilidade dos participantes, conforme os procedimentos de seleção discutidos por Gil (2026).

O universo da pesquisa foi constituído por 56 (cinquenta e seis) professores do Ensino Fundamental I, dos quais 50 (cinquenta) participaram voluntariamente, correspondendo a 89,3% do público-alvo.

A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado, elaborado com base nos objetivos da pesquisa e aplicado remotamente pela plataforma Google Forms, com encaminhamento do link aos participantes via WhatsApp.

Conforme Gil (2026), o questionário constitui um instrumento de investigação que possibilita obter informações relacionadas às características, opiniões e percepções dos participantes. Para este artigo, foram consideradas exclusivamente as questões fechadas de múltipla escolha e as afirmativas organizadas em escala de concordância do tipo Likert, não sendo incluídas as respostas abertas nem os dados dos coordenadores pedagógicos.

A análise dos dados foi realizada por meio da estatística descritiva, considerando as frequências absolutas e relativas das respostas, possibilitando identificar e interpretar as percepções dos professores sobre a Educação Ambiental Crítica. Segundo Lakatos e Marconi (2017), a organização e a interpretação dos dados quantitativos contribuem para a compreensão sistemática das informações obtidas durante a investigação.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), em conformidade com a Resolução nº 466/2012 e a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que estabelecem diretrizes e normas éticas para pesquisas envolvendo seres humanos.

Todos os professores participantes formalizaram sua participação voluntária mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), com os respectivos registros devidamente documentados, assegurando o sigilo das informações, o anonimato e a proteção dos participantes.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A análise dos resultados contempla as percepções e práticas dos professores do Ensino Fundamental I acerca da Educação Ambiental Crítica e de sua relação com a formação continuada docente em escolas municipais de Salgueiro, Pernambuco.

A pesquisa foi realizada em 5 (cinco) escolas municipais, adotando-se uma amostra não probabilística por conveniência, com a participação de 50 (cinquenta) professores, de um universo de 56 (cinquenta e seis), correspondendo a 89,3% do público-alvo.

Os resultados apresentados correspondem exclusivamente às questões fechadas de múltipla escolha e às afirmativas organizadas em escala de concordância do tipo Likert, contemplando aspectos relacionados às percepções docentes, às práticas pedagógicas, à formação continuada e aos desafios para o desenvolvimento da Educação Ambiental Crítica no contexto escolar.

A análise dos dados foi realizada por meio da estatística descritiva, considerando as frequências absolutas e relativas das respostas, sendo os resultados apresentados em gráficos e discutidos com base no referencial teórico da pesquisa. Inicialmente, apresenta-se a caracterização dos professores participantes e, em seguida, as percepções relacionadas à Educação Ambiental Crítica e à sua inserção no cotidiano escolar.

  • Seção 1: Caracterização do participante

Na primeira seção do questionário, denominada "Caracterização do participante", foram incluídas questões relacionadas aos dados pessoais e profissionais dos professores, permitindo identificar aspectos como formação, área de atuação, tempo de experiência docente e participação em formações continuadas relacionadas à Educação Ambiental.

Figura 1. Anos/Turmas leciona

Gráfico de respostas do Google Formulários. Título da pergunta: Em quais anos/turmas você leciona?. Número de respostas: 50 respostas.
Fonte: Própria Autora (2026)

Em relação aos anos/turmas de atuação docente, apresentados na figura 1, verificou-se que os participantes poderiam assinalar mais de uma opção, considerando que alguns professores atuam em diferentes turmas do Ensino Fundamental I. Os resultados indicaram que 20% lecionam no 1º ano, 20% no 2º ano, 16% no 3º ano, 26% no 4º ano, 24% no 5º ano e 6% em mais de uma série, evidenciando a diversidade de atuação dos docentes.

A distribuição dos participantes entre os diferentes anos do Ensino Fundamental I amplia a representatividade da pesquisa, permitindo contemplar percepções de docentes que atuam em distintas etapas do processo de alfabetização e consolidação da aprendizagem, o que enriquece a compreensão sobre a Educação Ambiental Crítica nesse segmento de ensino.

Figura 2. Nível de Formação

Gráfico de respostas do Google Formulários. Título da pergunta: Qual o seu nível de formação?. Número de respostas: 50 respostas.
Fonte: Própria Autora (2026)

Conforme apresentado na Figura 2, quanto ao nível de formação dos professores, identificou-se que 8% possuem Mestrado, 84% Especialização e 8% Graduação, evidenciando a predominância de docentes com formação complementar.

O elevado percentual de professores com formação em nível de especialização demonstra um perfil profissional qualificado, indicando que os participantes possuem formação acadêmica complementar à graduação, aspecto que pode contribuir para reflexões mais consistentes sobre as práticas pedagógicas e os desafios relacionados à Educação Ambiental no contexto escolar.

Figura 3. Tempo de Atuação

Gráfico de respostas do Google Formulários. Título da pergunta: Há quanto tempo atua como professor(a)?. Número de respostas: 50 respostas.
Fonte: Própria Autora (2026)

Na figura 3, referente ao tempo de atuação como professor(a), observou-se que 40% dos participantes possuem mais de 20 anos de experiência docente, seguidos por 32% entre 11 a 20 anos, 16% entre 06 a 10 anos e 12% até 05 anos de atuação.

A predominância de docentes com maior tempo de experiência favorece a obtenção de percepções fundamentadas na vivência profissional, uma vez que a trajetória docente possibilita o acúmulo de experiências relacionadas às práticas pedagógicas e aos desafios do contexto escolar, contribuindo para uma compreensão mais ampla da temática investigada.

Figura 4. Formação Continuada sobre Educação Ambiental

Gráfico de respostas do Google Formulários. Título da pergunta: Você já participou de formação continuada sobre Educação Ambiental?. Número de respostas: 50 respostas.
Fonte: Própria Autora (2026)

Quanto à participação dos docentes em formações continuadas relacionadas à Educação Ambiental, apresentada na figura 4, verificou-se que 48% afirmaram já terem participado de momentos formativos sobre a temática, enquanto 18% informaram não possuir e 34% não lembra de ter participado de formação continuada nessa área.

Os resultados corroboram as discussões de Santos e Pontes (2021), ao evidenciarem que a formação continuada constitui um elemento essencial para fortalecer a práxis docente em Educação Ambiental, sendo necessário que esses processos ocorram de forma permanente e contextualizada para favorecer mudanças efetivas nas práticas pedagógicas.

De modo geral, os resultados apresentados na Seção 01 permitem caracterizar o perfil dos participantes da pesquisa, evidenciando um grupo de docentes com ampla experiência profissional, elevado nível de formação acadêmica e atuação distribuída entre os diferentes anos do Ensino Fundamental I.

Entretanto, apesar desse perfil qualificado, observa-se que a participação em formações continuadas voltadas à Educação Ambiental ainda é limitada ou pouco significativa para parte dos professores, evidenciando a necessidade de ampliar ações formativas que fortaleçam a inserção da Educação Ambiental Crítica na prática pedagógica.

  • Seção 2: Práticas docentes e Educação Ambiental Crítica

Na segunda seção do questionário, denominada "Práticas docentes e Educação Ambiental Crítica", foram apresentadas questões voltadas à identificação das práticas pedagógicas desenvolvidas pelos professores, considerando a abordagem da Educação Ambiental em sala de aula, o uso de metodologias e recursos didáticos, a interdisciplinaridade e a relação das práticas educativas com a realidade local.

Figura 5. Abordagem da Educação Ambiental em Sala

Gráfico de respostas do Google Formulários. Título da pergunta: Você aborda a Educação Ambiental em suas aulas?. Número de respostas: 50 respostas.
Fonte: Própria Autora (2026)

Na figura 5, quanto à frequência com que os docentes abordam a Educação Ambiental em suas aulas, verificou-se que 40% responderam "às vezes”, 38% "frequentemente", 16% "sempre" e 06% "raramente".

Os resultados evidenciam que, embora a Educação Ambiental esteja presente na prática docente da maioria dos participantes, sua abordagem ainda ocorre predominantemente de forma ocasional, indicando que a temática nem sempre é desenvolvida de maneira contínua no cotidiano escolar.

Figura 6. Prática Pedagógica pela Educação Ambiental Crítica

Gráfico de respostas do Google Formulários. Título da pergunta: Em que medida sua prática pedagógica atual incorpora princípios da Educação Ambiental Crítica?. Número de respostas: 50 respostas.
Fonte: Própria Autora (2026)

Em relação à incorporação dos princípios da Educação Ambiental Crítica na prática pedagógica, apresentada na figura 6, observou-se que 74% dos participantes responderam que incorporam “parcialmente”, 14% “totalmente”, 10% “pouco” e 02% indicaram que não os incorporam.

A incorporação parcial dos princípios da Educação Ambiental Crítica evidencia a necessidade de uma formação docente que articule os fundamentos críticos às práticas pedagógicas desenvolvidas no contexto escolar (Lopes; Abílio, 2021).

Os resultados das Figuras 5 e 6 indicam que a Educação Ambiental está presente nas práticas docentes, porém sua abordagem ocorre predominantemente de forma parcial, evidenciando desafios para sua continuidade e consolidação na perspectiva crítica.

Figura 7. Projetos Interdisciplinares de Educação Ambiental

Gráfico de respostas do Google Formulários. Título da pergunta: Você já desenvolveu projetos interdisciplinares envolvendo educação ambiental?. Número de respostas: 50 respostas.
Fonte: Própria Autora (2026)

A figura 7 apresenta os resultados referentes ao desenvolvimento de projetos interdisciplinares envolvendo Educação Ambiental, evidenciando que 60% dos docentes responderam "sim, algumas vezes", 18% "sim, frequentemente", 14% "raramente" e 08% "nunca" desenvolveram.

A realização de projetos interdisciplinares por parte da maioria dos docentes demonstra o reconhecimento da interdisciplinaridade como estratégia para o desenvolvimento da Educação Ambiental, embora a frequência dessas ações ainda seja predominantemente eventual.

Figura 8. Abordagem sobre Educação Ambiental Crítica

Gráfico de respostas do Google Formulários. Título da pergunta: Durante sua formação inicial ou continuada, houve abordagem específica sobre Educação Ambiental Crítica?. Número de respostas: 50 respostas.
Fonte: Própria Autora (2026)

Quanto à abordagem da Educação Ambiental Crítica durante a formação inicial ou continuada dos participantes, apresentada na figura 8, constatou-se que 48% informaram ter recebido uma abordagem superficial, 24% não se recordam, 16% informaram que não houve abordagem e 12% houveram de forma aprofundada.

Relacionando as figuras 6, 7 e 8 relevam que a Educação Ambiental Crítica ainda ocupa espaço limitado nos processos formativos dos docentes, uma vez que predominam relatos de abordagens superficiais ou ausência dessa temática durante a formação inicial e continuada.

Esse resultado aproxima-se das discussões pelos autores Castro e Maia (2024), que defendem a necessidade de processos formativos integrados e permanentes para que a Educação Ambiental Crítica ultrapasse abordagens pontuais e seja efetivamente incorporada à prática docente.

Figura 9. Metodologias de ensino em Educação Ambiental

Gráfico de respostas do Google Formulários. Título da pergunta: Quais metodologias de ensino você utiliza para abordar a Educação Ambiental em sala de aula?. Número de respostas: 50 respostas.
Fonte: Própria Autora (2026)

Na Figura 9, são apresentadas as metodologias utilizadas pelos docentes na Educação Ambiental, destacando-se rodas de conversa (80%), projetos interdisciplinares (56%), problematização (34%), tecnologias (28%), estudo do meio (26%), outras metodologias (2%) e não utilização (2%), considerando que a questão permitia múltiplas respostas.

A predominância de metodologias participativas está em consonância com Lima, Oliveira e Souza (2022), que destacam as metodologias ativas como estratégias capazes de promover a reflexão crítica, a participação e a emancipação dos estudantes no contexto da Educação Ambiental.

Figura 10. Recursos Didáticos em Educação Ambiental

Fonte: Própria Autora (2026)

Os recursos didáticos utilizados pelos professores são apresentados na Figura 10, destacando-se vídeos (68%), atividades práticas (60%), livros didáticos (50%), tecnologias digitais (36%) e jogos educativos (32%), além de outros recursos e da ausência de utilização (2% cada). Como a questão permitia múltiplas respostas, os percentuais indicam a frequência de utilização de cada recurso, evidenciando a diversidade de estratégias empregadas para dinamizar e contextualizar o ensino de Educação Ambiental.

As Figuras 9 e 10 evidenciam coerência entre metodologias e recursos didáticos utilizados, indicando que os docentes procuram diversificar suas práticas por meio de estratégias participativas associadas ao uso de diferentes materiais e tecnologias para favorecer a aprendizagem.

Figura 11. Estratégias Pedagógicos em Salgueiro/PE

Fonte: Própria Autora (2026)

Em relação à adaptação das estratégias pedagógicas à realidade local de Salgueiro (PE), conforme demonstrado na figura 11, observou-se que 34% dos participantes responderam “frequentemente”, 34% "às vezes", 30% "sempre" e 02% "raramente".

Esse resultado converge com Oliveira e Santos (2020), ao defenderem que a valorização do território e das realidades locais fortalece a construção de identidades e favorece práticas de Educação Ambiental mais contextualizadas e significativas.

Figura 12. Educação Ambiental integrado ao PPP

Fonte: Própria Autora (2026)

A Figura 12 apresenta a integração da Educação Ambiental ao Projeto Político-Pedagógico (PPP), sendo confirmada por 40% dos docentes, considerada parcial por 32%, enquanto 28% não souberam informar. Os resultados evidenciam a necessidade de fortalecer sua institucionalização, conforme as Diretrizes Curriculares para a Educação Ambiental, que orientam sua inserção permanente e transversal no currículo escolar (Brasil, 2012).

Os resultados evidenciam que a Educação Ambiental está presente nas práticas docentes, por meio de diferentes metodologias e recursos didáticos, embora a incorporação de seus princípios críticos ainda seja parcial. Destaca-se, portanto, a necessidade de fortalecer a formação continuada, a integração ao Projeto Político-Pedagógico e as práticas interdisciplinares permanentes e contextualizadas.

  • Seção 3: Educação Ambiental Crítica e formação docente

Na terceira seção do questionário, denominada “Escala de concordância”, foram apresentadas afirmativas em escala Likert, com cinco níveis: 1 = Discordo totalmente, 2 = Discordo parcialmente, 3 = Nem concordo nem discordo, 4 = Concordo parcialmente e 5 = Concordo totalmente, visando analisar as percepções docentes sobre a Educação Ambiental Crítica, a formação continuada, o suporte institucional e as contribuições das práticas pedagógicas para a reflexão crítica dos estudantes.

Figura 13. Educação Ambiental e formação crítica

Fonte: Própria Autora (2026)

A Figura 13 evidencia que 80% dos docentes concordam totalmente com a contribuição da Educação Ambiental para a formação crítica dos estudantes, enquanto 10% concordam parcialmente, 6% permanecem neutros e 4% discordam. Os resultados demonstram amplo reconhecimento de sua importância para o desenvolvimento da consciência crítica dos estudantes.

Figura 14. Trabalhar em Educação Ambiental Crítica

Fonte: Própria Autora (2026)

Quanto à percepção dos docentes sobre o preparo para trabalhar com a Educação Ambiental Crítica, na figura 14, verificou-se que 40% concordam parcialmente (4), 34% mantiveram posicionamento neutro (3), e 18% concordam totalmente (5) e 08% discordam parcialmente (2),

Embora predomine a concordância, a expressiva presença de respostas neutras indica que parte dos docentes não se percebe plenamente preparada para desenvolver práticas fundamentadas na Educação Ambiental Crítica, sugerindo insegurança ou necessidade de maior formação específica.

Figura 15. Prática em Educação Ambiental

Fonte: Própria Autora (2026)

Na figura 15, em relação à contribuição da formação continuada para a prática docente em Educação Ambiental, constatou-se que 50% concordam totalmente (5), 22% concordam parcialmente (4), 18% permaneceram neutros (3), 08% discordam parcialmente (2) e 02% dos participantes discordam totalmente (1).

A percepção positiva dos participantes reforça o entendimento do autor Ferreira (2024) de que a formação docente representa um dos principais elementos para qualificar as práticas pedagógicas em Educação Ambiental e fortalecer sua implementação no contexto escolar.

Os resultados sugerem, relacionando a figura 14 e 15, embora muitos docentes reconheçam a importância da formação continuada para aprimorar sua prática, parte deles ainda não se sente suficientemente preparada para trabalhar com os princípios da Educação Ambiental Crítica, indicando uma lacuna entre a necessidade formativa e a preparação percebida.

Figura 16. Suporte escolar às práticas ambientais críticas

Fonte: Própria Autora (2026)

Conforme a Figura 16, quanto ao suporte escolar às práticas ambientais críticas, 36% concordam parcialmente, 30% mantiveram posição neutra, 16% concordam totalmente, 10% discordam totalmente e 8% discordam parcialmente. Esses resultados reforçam a importância dos recursos e do apoio institucional para a efetivação da Educação Ambiental Crítica (Leonel; Castro; Rosário, 2024).

Figura 17. Metodologias e Reflexão Crítica Ambiental

Fonte: Própria Autora (2026)

Quanto às metodologias utilizadas para favorecer a reflexão crítica dos estudantes sobre as questões ambientais, apresentada na figura 17, verificou-se que 38% concordam totalmente (5). 34% concordam parcialmente (4), 20% permaneceram neutros (3), 06% discordam parcialmente (2) e 02% dos participantes discordam totalmente (1).

Os elevados índices de concordância indicam que os professores percebem suas metodologias como capazes de favorecer a reflexão crítica dos estudantes sobre as questões socioambientais, demonstrando confiança nas estratégias pedagógicas.

Figura 18. Realidade Socioambiental de Salgueiro/PE

Fonte: Própria Autora (2026)

Conforme a Figura 18, sobre a inserção da realidade socioambiental de Salgueiro (PE) nas práticas pedagógicas, 30% permaneceram neutros, 28% concordam totalmente, 28% parcialmente, 10% discordam parcialmente e 4% totalmente. Os resultados indicam o reconhecimento dessa contextualização por parte dos docentes, embora a neutralidade evidencie incertezas quanto à sua efetivação no cotidiano escolar.

Figura 19. Projetos e Educação Ambiental Crítica

Fonte: Própria Autora (2026)

Em relação ao fortalecimento da abordagem da Educação Ambiental Crítica por meio de projetos interdisciplinares, apresentado na figura 19, constatou-se que 46% concordam totalmente (5), 36% concordam parcialmente (4), 12% mantiveram posicionamento neutro (3), 04% discordam parcialmente (2) e 02% dos participantes discordam totalmente (1).

Os resultados corroboram os autores Moura e Pacheco (2022), ao evidenciarem que os projetos interdisciplinares favorecem a construção da cidadania, da sustentabilidade e da reflexão crítica, constituindo importantes estratégias para o desenvolvimento da Educação Ambiental no contexto escolar.

De modo geral, os resultados da escala de concordância evidenciam uma percepção predominantemente favorável dos professores em relação à importância da Educação Ambiental Crítica, da formação continuada, das metodologias participativas e dos projetos interdisciplinares para o desenvolvimento de práticas pedagógicas críticas. Entretanto, a presença de respostas neutras, principalmente quanto ao preparo docente, ao suporte institucional e à contextualização das práticas, indica que ainda existem aspectos que demandam maior investimento para consolidar a Educação Ambiental Crítica nas escolas.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante dos resultados obtidos, o objetivo da pesquisa foi alcançado, uma vez que foi possível compreender as percepções e práticas docentes relacionadas à Educação Ambiental Crítica no Ensino Fundamental I.

Os resultados evidenciaram que os professores reconhecem a importância dessa abordagem para a formação crítica dos estudantes, embora sua incorporação às práticas pedagógicas ainda ocorra predominantemente de maneira parcial e descontínua.

A pesquisa demonstrou que os docentes utilizam diferentes metodologias e recursos didáticos, destacando-se as rodas de conversa, os projetos interdisciplinares e as atividades práticas. Entretanto, verificou-se que a formação específica em Educação Ambiental Crítica ainda apresenta limitações, mesmo entre professores com elevada qualificação acadêmica e experiência profissional, indicando a necessidade de fortalecer os processos de formação continuada.

Os resultados também evidenciaram desafios relacionados ao preparo docente, ao suporte institucional e à contextualização das práticas pedagógicas com a realidade socioambiental de Salgueiro (PE). Nesse sentido, destaca-se a importância de ampliar as ações formativas, fortalecer a integração da Educação Ambiental ao Projeto Político-Pedagógico das escolas e assegurar condições que favoreçam o desenvolvimento de práticas interdisciplinares permanentes.

Conclui-se, portanto, que a consolidação da Educação Ambiental Crítica nas escolas investigadas exige a articulação entre formação continuada, apoio institucional e práticas pedagógicas contextualizadas, de modo a superar abordagens pontuais e fortalecer a reflexão crítica dos estudantes sobre as questões socioambientais.

Embora os resultados se restrinjam às percepções dos professores participantes, a pesquisa oferece contribuições para o aprimoramento das práticas educativas e para o planejamento de ações formativas na rede municipal de ensino.

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1 Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas de Desenvolvimento do Semiárido (PPGDiDeS/UNIVASF). Especialista em Língua Portuguesa e Psicopedagogia. Licenciada em Letras (UPE) e em Pedagogia (FACHUSC). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas de Desenvolvimento do Semiárido (PPGDiDeS/UNIVASF). Graduado em Ciências Biológicas (UFPI), Mestre em Ciências da Agricultura (Kyoto University, Japão), e doutor em Engenharia Agrícola (UNICAMP). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail