REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/784473653
RESUMO
O presente artigo tem como finalidade, abordar o transtorno de aprendizagem da leitura e escrita em crianças no processo de alfabetização, por meio de pesquisa bibliográfica. Sabe-se que é importante observar o desenvolvimento cognitivo da criança em todas as suas fases, principalmente naquela em que ela está sendo alfabetizada, pois, é nesse período que a mesma irá aprender a decodificar símbolos gráficos e de linguagem fonológica, como: reconhecimento das letras, fonemas e grafemas. Se a criança demonstrar dificuldades nesse aprendizado acarretarão déficits no desenvolvimento da aquisição da leitura e escrita. Assim, se faz necessário que haja uma investigação para obtenção de um diagnóstico neuropsicológico do transtorno de aprendizagem, visando entender as funções neurocognitivas no processo fonológico, memória fonológica nas habilidades para memorizar e utilizar os sons, e sílabas no processo de formação de palavras, a consciência fonológica no reconhecimento e manipulação dos sons da linguagem falada, a nomeação automática de objetos, cores, letras e códigos de forma rápida, no processo de aprendizagem de crianças com dislexia. E com isso identificar as dificuldades nessas habilidades para que seja possível realizar as intervenções necessárias, e assim permitir que ela desenvolva a leitura e a escrita na idade própria para se alfabetizar. E por fim, analisar os aspectos cognitivos que permeiam todo processo de aprendizagem.
Palavras-chave: Aprendizagem; cognição; dislexia; leitura; escrita.
ABSTRACT
This article aims to address the reading and writing learning disorder in children in the literacy process, through bibliographical research. It is known that it is important to observe the child's cognitive development in all of its cognitive development phases, especially when it is being literate, because it is during this period that the child will learn to decode graphic symbols and phonological language, such as: recognition of letters, phonemes and graphemes. If the child demonstrates difficulties in this learning, they will lead to deficits in the development of reading and writing acquisition. Thus, it is necessary that there is an investigation to obtain a neuropsychological diagnosis of the learning disorder, aiming to understand the neurocognitive functions in the phonological process, phonological memory in the skills to memorize and use sounds, and syllables in the process of word formation, the Phonological awareness in the recognition and manipulation of sounds in spoken language, automatic naming of objects, colors, letters and codes quickly, in the learning process of children with dyslexia. And with that, identify the difficulties in these skills so that it is possible to carry out the necessary interventions, and thus allow her to develop reading and writing at the proper age to become literate. And finally, analyze the cognitive aspects that permeate the entire learning process.
Keywords: Learning; cognition; dyslexia; reading; writing.
1. INTRODUÇÃO
O processo de aprendizagem ocorre de forma singular em cada ser humano, mas os aspectos cognitivos necessários a aquisição de habilidades acadêmicas eficazes é comum a todo aprendiz. Algumas dificuldades na aprendizagem podem indicar transtornos de aprendizagem. Se ocorrer: “presença de ao menos um dos sintomas que tenha persistido por pelo menos 6 meses, apesar da provisão de intervenções dirigidas a essas dificuldades” (American Psychiatric Association, 2014, p, 110) trata-se de um indicativo de transtorno, neste caso de aprendizagem. No DSM V existe o transtorno do neurodesenvolvimento, são os que durante o desenvolvimento do cérebro acontece alguma coisa que vai causar prejuízo relacionados a cognição, aprendizagem, e também está incluso nesses aspectos interação de fatores genéticos, ambientais e epigenéticos (American Psychiatric Association, 2014). O transtorno específico de aprendizagem está dentro do transtorno do neurodesenvolvimento como aborda no critério A do DSM V “dificuldade da leitura e escrita”.
Investigar porque algumas crianças apresentam pouco desempenho pedagógico, é necessário pois, quando as dificuldades escolares não são específicas em relação a algum conteúdo curricular, é importante que se faça uma investigação para diagnosticar se a criança apresenta algum tipo de transtorno de aprendizagem, hoje em dia é muito frequente as crianças apresentarem resultados abaixo do seu nível de escolaridade por apresentarem algum tipo de distúrbio de aprendizagem.
Nessa direção se faz necessário analisar os fatores cognitivos e suas relações com os transtornos de leitura – a Dislexia, uma dificuldade no reconhecimento das palavras decodificação e ortografia, o transtorno da escrita dificuldade na construção da ortografia, caligrafia e transtorno da matemática, dificuldade em aprender conceitos matemáticos e raciocínio lógico relacionado ao conhecimento de mundo. A criança com essa dificuldade pode apresentar diagnóstico de dislexia, para isso é importante uma investigação e avaliação precisa e detalhada sem pressa pois, diagnóstico do neurodesenvolvimento leva bastante tempo, pois o cérebro da criança está em maturação.
A criança inicia o processo de alfabetização, na educação infantil onde são trabalhados vários estímulos cognitivos, como: atenção, memória, coordenação motora, percepções, assim como a linguagem oral, e o reconhecimento de letras e números, nessa fase ela pode demonstrar algumas dificuldades para a aquisição dessas aprendizagens, e isso pode ser sinal de que a criança pode ter dislexia, é muito importante ter uma atenção maior e observar o desenvolvimento dessas crianças que apresentam tais dificuldades, pois o diagnóstico precoce com uma intervenção pode ajudar a criança a ler e escrever sem atrasos na aquisição da leitura e escrita. Vale destacar os impactos da dislexia que pode ocorrer de acordo com a manifestação e intensidade dos sintomas e que variam em cada pessoa como fatores ambientais e socioemocionais.
Um ponto importante a se destacar é que a criança pode apresentar um quadro bem leve da dislexia e que esse quadro pode passar desapercebido, as vezes a criança é esperta tenta desviar as dificuldades fazendo coisas com outras habilidades, aí corre o risco de perceber sinais de dislexia no 4° ou 5° ano do ensino fundamental, quando a criança apresenta dificuldade de compreensão.
Além das dificuldades na habilidade da linguagem oral e da escrita a criança pode apresentar comportamentos de irritabilidade, timidez, baixa autoestima, frequentemente se sente menos inteligente e capaz, insegurança, vergonha por apresentar insucessos nessas habilidades, muitas vezes a criança finge que está entendendo, evita ler, isso acarreta em problemas no rendimento escolar (MOURA, 2021). A aquisição inicial de qualquer sistema educativo é a aptidão de leitura e escrita, compreendida como a base para outras aprendizagens, assim uma criança com dificuldades nessa aptidão apresentará insucesso em outras áreas curriculares, e que causará falta de interesse em aprender, evasão escolar, e até problemas maiores como o quadro de depressão. O processo de aprendizagem é único, cada criança aprende de forma diferenciada, algumas podem até apresentar dificuldade nesse processo devido a alguns distúrbios de aprendizagem e entre este distúrbio está a dislexia e quando diagnosticada precisa ser tratada evitando problemas maiores na vida da criança.
2. ASPECTOS COGNITIVOS NA DISLEXIA
O processo de aprendizagem da leitura e escrita está diretamente relacionado a fatores biológicos, cognitivos e emocionais, a maioria das crianças aprendem a ler e escrever na idade própria (cronológica) para ser alfabetizada sem atrasos e defasagem idade/série. Outras apresentam dificuldades na aquisição dessas habilidades. Quando a criança inicia sua vida escolar os pais e professores criam muitas expectativas quanto à aquisição da leitura e escrita, pois essas são as habilidades cognitivas mais almejadas nesse processo. Para ler e escrever é exigido da criança o desenvolvimento de novas habilidades as quais não faziam parte do seu cotidiano é um processo muito desafiador, pois mesmo algumas crianças com desenvolvimento da inteligência dentro dos padrões da normalidade, com bom desempenho em outras habilidades para realizar várias atividades, possuem dificuldades na competência em leitura e escrita (OLIVEIRA, 2013).
Em relação a cognição percebe-se que a maioria das crianças com dificuldade de leitura e escrita apresentam um “déficit fonológico”, alteração de representação ou processamento de sons da fala, e esse déficit são recorrentes de vários fatores que envolve o processo de aprendizagem como: memória, processamento fonológico, atenção, dificuldade nas habilidades de consciência fonológica.
Ao longo da vida todos constroem suas histórias vão acumulando acontecimentos, emoções, hábitos, percepções e grande parte disso fica retido na memória, e a quantidade de informações que a memória recebe diariamente é imensa, por isso uma parte do que foi vivenciado fica armazenado na memória e outra parte não fica. A aprendizagem é um processo de aquisição de informações que ficam armazenados na memória, é por meio desse processo que o comportamento e pensamento são orientados, no entanto, a memória é um dos fatores essenciais no desenvolvimento da aprendizagem. Para Lent (2010, p. 650) “Memória diferentemente é um processo de arquivamento seletiva dessas informações pelo qual podemos evocá-los sempre que desejamos, consciente ou inconscientemente”.
Dessa forma a aprendizagem é considerada um agrupamento de comportamentos que por meio de processos neurobiológicos adquirimos conhecimentos, e a memória é a receptora desse conhecimento é nela que se armazena e recupera informações, tanto a aprendizagem como a memória são a base para um bom desenvolvimento cognitivo.
A memória é uma das funções cognitivas que mais utilizamos durante toda vida, usamos a memória de curto prazo onde as informações ficam armazenadas em um curto período de tempo, memória de longo prazo nela ficam registrados os acontecimentos mais importantes e ficam armazenados em nosso cérebro por muito tempo.
2.1. Memória Operacional
A memória operacional é muito importante no processo de aprendizagem pois ela armazena temporariamente as informações, que processamos para o raciocínio imediato, resolução de problemas e produção de comportamentos. Lent (2010) considera que a memória operacional é constituída por componente executivo central e componentes de apoio, o visoespacial e o fonológico, neles são armazenadas e processadas as informações verbais, por meio auditivo ou visual, executando um papel primordial na compreensão da linguagem, na leitura e até do raciocínio lógico matemático. Para a habilidade de leitura se usa a memória de trabalho pois durante a leitura as palavras, frases, ficam temporariamente armazenadas passa por uma análise para poder obter a compreensão do que se leu. No entanto se a criança apresentar algum comprometimento na memória operacional principalmente no sistema fonológico e visoespacial suscitara em prejuízos no desenvolvimento da fala, da leitura e compreensão.
2.2. Processamento Fonológico
A dificuldade no processamento fonológico e visoespacial resultam em déficit fonológico no desenvolvimento da fala, na leitura e compreensão de texto. Como refere Telles (2004). O Déficit fonológico compromete a discriminação e processamento dos sons da linguagem, a compreensão de que a linguagem é formada por palavras, as palavras por sílabas, as sílabas por fonemas e o conhecimento de que as letras são a representação gráfica desses fonemas. Decodifica-se letra, e ela é convertida em som, em cadeias de fonemas com base nas informações de combinação regular entre letra e som que ficam registradas na memória fonológica, esse processo baseia-se em regras de correspondência de letra-som.
2.3. A Consciência Fonológica
A consciência fonológica também é importante para o aprendizado da leitura e escrita, essa habilidade fonológica é responsável por utilizar os sons da língua por meio da percepção de que diferentes sons são usados no processo de formação de palavras, e esse processo se dá ao compreender que as palavras são formadas por sílabas e os fonemas é a consciência fonológica. Quando a criança está em processo de alfabetização começa a compreender que a escrita é a representação da fala, ela terá mais facilidade para aprender a ler e escrever. O sistema de produção de fonemas acontece quando um código semântico ativa a produção da fala, gerando o código fonológico que fica arquivado no sistema de produção fonêmica para gerar a pronuncia de palavras. Segundo Pinheiro (1994), há uma classificação da consciência fonológica que são as seguintes: a consciência sintática que está relacionada a percepção da estrutura das palavras, na compreensão de que a palavra é formada por sílabas que podem formar palavras e transformar em novas palavras; a consciência silábica que se refere a habilidade de aprender a usar as sílabas e perceber que elas são compostas por sons, e com elas pode-se formar palavras, mas para isso é preciso ter o conhecimento sobre a consciência silábica entender o que é uma sílaba; a consciência fonêmica é a capacidade de adquirir a compreensão de que um fonema é um som, e a partir disso identificar e manipular os diversos fonemas existentes.
E assim explorar o uso dos fonemas de diversas formas como, misturar, separar, formar e usar nas palavras. A consciência fonológica em seus diversos tipos pode ser compreendida como uma capacidade cognitiva que se desenvolve a partir da própria compreensão da linguagem falada (PINHEIRO, 1994). Se uma criança apresenta alterações no desenvolvimento da linguagem isso sinaliza uma imaturidade fonológica, gerando dificuldades fonológicas, essas dificuldades existentes na oralidade, afetam as representações mentais no exercício da fala, da leitura e escrita. Na alfabetização quando a criança aprende a ler e escrever ela amplia seus conhecimentos fonéticos, tornando-a capaz de identificar com facilidade os fonemas e de manipulá-los com segurança.
O desenvolvimento da consciência fonológica, a aquisição da linguagem e escrita se relacionam entre si, não são unilaterais, bons resultados no desenvolvimento fonológico resultam em uma elevação dos níveis da aquisição da leitura e escrita, do simples ao mais complexos (GRAZOTTI; FURLAN; DOMENUS; FUKUDA. 2013).
O estímulo a consciência e estrutura dos sons da fala devem ser realizados através de exercícios específicos para desenvolver a aprendizagem nas representações gráficas dos sons da fala. Sobre a habilidade da criança em segmentar fonemas pode-se afirmar que:
A criança com uma boa habilidade de segmentar fonemas e um adequado conhecimento da correspondência letra-som possui os requisitos necessários para construir um léxico ortográfico inicial, pois ela será capaz de construir unidades de reconhecimento para palavras simples sem nunca ter visto escrita (PINHEIRO, 1994, p. 82).
Assim a criança torna-se capaz de utilizar seu conhecimento fonológico de forma mais rápida e eficaz na construção de palavras e terá facilidade de ler, escrever e compreender.
2.4. Atenção
Outro fator cognitivo importante para o desenvolvimento da aprendizagem é a atenção, ela está presente no cotidiano , desempenha um papel fundamental nas tarefas, a atenção controla e regula o desenvolvimento cognitivo seja de forma consciente ou inconsciente, por meio de determinantes internos( natural do próprio indivíduo) e determinantes externos este está relacionado ao estado orgânico, aos estímulos e impulsos no qual as ações são impulsionadas de acordo com o que o indivíduo se atraí. “O caráter direcional e a seletividade dos processos mentais, base sobre a qual se organizam, geralmente são denominados atenção em psicologia.” (LURIA,1981, p. 223). Em neurociência das funções mentais a atenção é definida como um processo neural de consciência focalizadora e concentrada em uma ação principal enquanto as demais são colocadas em segundo plano, esse processo focalizador só é possível porque se usa a sensibilização seletiva de um agrupamento neural de certas regiões do cérebro que exerce o trabalho principal (LENT, 2010).
Os determinantes externos são resultado do meio onde se vive, o estímulo do meio se destaca com grande potencialidade, como som alto, um barulho repetitivo, isso modifica o campo de percepção, um movimento ou deslocamento que origina em uma reação. Sem a habilidade da atenção a pessoa não consegue manter uma conversa em ambiente com barulho, nem com outros estímulos ao seu redor.
A atenção é a forma de direcionar nossa percepção para assuntos, objetos, cenas, selecionar o que deve processar e ignorar outros estímulos. “Prestar atenção também exige esforço cognitivo portanto trata-se de um processo multifacetado” (MIRANDA, 2015, p. 3). Praticamente em toda atividade humana diária os processos atencionais estão presentes, para que as outras capacidades cognitivas funcionem é necessário o uso da atenção, uma vez que as alterações na atenção podem causar dificuldade na realização das atividades, principalmente na aprendizagem. Esses processos atencionais subdivide-se em tipos diferentes.
Atenção concentrada, caracterizada pela concentração do cérebro em apenas uma atividade inibindo o estímulo ao redor, é utilizada para focar a atenção em um único propósito, como assistir a uma aula e focar a atenção nas explicações da professora para aprender, mesmo se algum estímulo externo desviar sua concentração será por curto período de tempo rapidamente a atenção volta ser focada na professora.
Atenção seletiva, é um tipo consciente, o foco é escolhido e direcionado para um único objeto onde a direção deve permanecer focada e ignorar os outros, ela tem a capacidade de limitar o processo de informação, seleciona as mais relevantes e dispensa os irrelevantes, essa atenção condiciona ao processamento de uma informação por vez.
Atenção dividida, é a capacidade do cérebro em focar a atenção em dois ou mais estímulos ao mesmo tempo, respondendo as múltiplas necessidades. É uma atenção simultânea que permite processar diferentes fontes de informações, realizar várias tarefas ao mesmo tempo com bons resultados em todas. Criança com dislexia apresenta desenvolvimento da atenção dividida abaixo do esperado por isso apresenta dificuldade em ler e escrever.
Atenção sustentada, é a habilidade de manter o foco durante uma atividade contínua, repetitiva com a mente focada em uma mesma atividade por um tempo longo sem se distrair com outros estímulos ao redor.
3. DISLEXIA
Transtorno específico de leitura, habilidade complexa que envolve diversas cognições e áreas do cérebro, pode ser de origem genética e hereditária e de maior prevalência no sexo masculino não está relacionada a inteligência. Este transtorno encontra-se associado a alterações em algumas funções neurocognitivas, e ativação de diferentes regiões cerebrais, causada por alterações neurológicas. E por ser uma condição de base neurobiológicas, as causas veem sendo demonstradas através de estudos de imagens cerebrais, que frequentemente apontam que há uma ativação e funcionamento cerebral diferente em crianças com dislexia.
Conforme Telles (2004), a região occipital – temporal, área responsável pela identificação das letras e palavras, onde há a realização de leitura rápida e automática, nessa região se reúne todas as informações de vários sistemas sensoriais onde fica armazenado a referência neurológica das palavras. A região Parietal - temporal , áreas responsável por entender o significado da palavra , pelo processamento visual da forma das letras e relação grafo - fonética e a junção silábica e fonética faz a leitura analítica num processo lento é utilizado pelos leitores iniciantes, áreas menos ativadas que o normal e para compensar essa alteração a região inferior – frontal , área da linguagem oral responsável por processar a vocalização e articulação das palavras, é obrigada a trabalhar mais, e durante a leitura pode ativar o lado do hemisfério direito do cérebro que fornece pistas visuais, com isso o disléxico utiliza um percurso lento e analítico para descodificar as palavras.
Sabe-se que o disléxico apresenta disfunção na memória operacional, dificuldade de executar as tarefas sequenciadas, na atenção, na capacidade de nomeação automatizada e rápida, apresenta dificuldade na organização temporal / espacial, em planejamento coordenação sensoriomotora, lateralidade, e na velocidade da leitura, entonação e fluência. Pode-se afirmar que há alteração na leitura e escrita ao transformar uma letra em som, na hora de juntar letras e transformá-las em sílabas e transformar as sílabas em palavras. Ao fazer relação da letra com o som a criança vai trocar e omitir as letras dentro da palavra, como por exemplo: a palavra é prato, escreve pato troca as letras, comprometendo sua capacidade de escrever, ler e compreender, também pode apresentar dificuldades em aprender conceitos matemáticos, para reconhecer símbolos confunde o + com × e o ÷ com -, problemas em memória de curto prazo causam dificuldade em reter números por um tempo necessário a ser usado na realização de cálculos (HUDSON, 2019). Alguns podem ser bons em matemática, mas cometem erros na interpretação das questões. Para Jardini (2010) a dislexia é uma dificuldade específica independente de inteligência e como a área cerebral específica do hemisfério lateral – direito é a mais desenvolvida, os disléxicos possuem habilidades especiais para artes, atletismo, música, mecânica e no campo da criatividade. Vale destacar outras perturbações associadas a dislexia que dificulta o aprendizado pedagógico é a disgrafia isso significa que é uma dificuldade para escrever expressar ideias de forma clara e coerente.
A disgrafia agrupa-se em 3 tipos diferentes (HUDSON, 2019).
A disgrafia espacial, relacionada a percepção visoespacial, que causa dificuldade para escrever em linha reta, escreve fora das linhas e da margem, letras de tamanhos que desviam da escrita padrão, escreve de forma desorganizada com espaçamentos inadequados entre as palavras, dificuldade em desenhar e colorir respeitando os traçados do desenho.
Disgrafia motora, quando a motricidade, equilíbrio, lateralidade, coordenação motora fina, são deficientes com escrita desalinhada ou ilegível, lentidão e força ao escrever, posicionamento diferentes e incomuns para segurar o lápis, está relacionada a coordenação motora na escrita de letras e palavras.
Disgrafia de processamento, é sabido que a habilidade de escrever exige um processamento rápido para captar informações e escrevê-las ao mesmo tempo, quando há dificuldade no processamento visual das formas das letras e relação na grafo-fonética e lexical o indivíduo apresenta ortografia ruim, escreve letras com traços inacabados, mistura letras maiúsculas com minúsculas.
Disortografia, é o distúrbio de aprendizagem na ortografia, quando não consegue escrever corretamente, seguindo os padrões ortográficos, ao escrever pode adicionar, omitir ou substituir vogais e consoantes, comete vários erros gramaticais ou de pontuação.
Na discalculia, a dificuldade se concentra na habilidade matemática, no raciocínio lógico para compreensão e utilização dos conceitos e números na vida cotidiana, são muito utilizadas as habilidades de contar, fazer cálculo mental, usar as operações da mais simples a mais complexa, compreender números qual o maior e o menor número e elas são mais afetadas , o indivíduo com discalculia confunde números com escritas parecidas como 3, 8 e 6, 9, inverte números não interpretam gráficos de forma segura e correta, por isso pessoa com discalculia apresenta um desempenho matemático abaixo do esperado. Com relação as causas, não há uma causa única, e segundo estudos recentes realizados nesta área e conclusões que não podem ainda serem generalizadas, têm sido feita investigações em vários domínios, como a neurologia, a linguística, a psicologia, a genética e a pedagogia (SILVA, 2008).
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
No entanto para muitas crianças a dislexia se evidencia quando elas iniciam sua vida escolar, onde elas terão que se apropriar do sistema alfabético, pois aprender a ler e escrever se tornará um grande desafio. Diante do exposto percebe-se porque muitas crianças em idade escolar quando estão sendo alfabetizadas mesmo com um bom nível intelectual podem apresenta incapacidades em utilizar de forma certa algumas habilidades básicas de comunicação como a leitura, escrita e compreensão de texto. É nesse período que se faz necessário o professor ter mais atenção aos sinais que a criança pode apresentar, observar as habilidades preditoras que sinalizam a dificuldade na aquisição da linguagem, leitura e escrita, é na educação infantil que deve-se iniciar as observações do desenvolvimento da fala e da linguagem (muitas crianças com idade entre 4 e 6 anos persistem na fala muito infantilizada) com pouco vocabulário e com frases curtas e imaturas, ou longas mas sem um sentido completo de um contexto, com dificuldade de se expressar oralmente, como contar e recontar histórias, em aprender rimas, ritmos e canções, desinteresse em aprender a escrever seu próprio nome. Dificuldade na coordenação motora fina (escrever, desenhar, pintar) na coordenação motora grossa (realizar atividades esportivas e dança), com jogos que exigem o raciocínio lógico, como quebra-cabeça, apresenta desorganização e perda constante de seus pertences.
Sabe-se que não é possível prevenir a dislexia, mas conforme essas observações as habilidades preditoras subjacentes, precisam serem estimuladas principalmente o desenvolvimento da linguagem oral que é a base para se desenvolver a linguagem escrita. Partindo desse princípio na educação infantil pode-se trabalhar com rimas, parlendas, histórias, canções, que proporcionem a aquisição de repertórios e vocabulários diversos, que criança possa se expressar, fazer questionamentos despertar a curiosidade. Nessa fase a criança precisa brincar, cortar, se expressar, explorar, é importante não pular etapas motoras pois, para a criança escrever terá que fazer movimentos de zig, zag, circulares e o desenvolvimento motor das brincadeiras contribuem para o desenvolvimento da escrita.
Desse modo, mesmo com todos esses estímulos se a criança apresentar diagnóstico de dislexia ela precisará de uma intervenção, e o quanto antes iniciar os resultados serão otimizados evitando a defasagem escolar e problemas emocionais. Para isso será necessária uma intervenção adequada, e articulada em parceria entre família, profissionais de uma equipe multidisciplinar, e o professor, a equipe irá desenvolver atividades específicas para ajudar no desenvolvimento das habilidades em que a criança apresenta dificuldades, o professor irá planejar algumas atividades diferenciadas para a criança que a ajude no desenvolvimento da leitura e escrita, a família acompanhará o desenvolvimento junto aos profissionais e professor. Vale ressaltar a importância do professor em se qualificar, ir em busca de conhecimentos referentes aos transtornos de aprendizagens, que o ajudará a identificar a criança que apresenta sinais desde cedo, para terem embasamentos teóricos e assim desenvolver práticas pedagógicas que atendam às necessidades da criança com dislexia.
Pode-se concluir que a dislexia é um distúrbio do neurodesenvolvimento persistente até a fase adulta, mesmo com as intervenções realizadas não tem cura, porém, a intervenção precoce por meio da articulação entre família, profissionais de saúde e educação, ajudará a criança na aquisição da leitura e escrita, permitindo que ela alcance o mesmo nível dos colegas da turma, leia e escreva na idade certa sem prejuízos e defasagem idade série, e se torne um bom leitor.
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1 Mestranda em Ensino das Ciancias Ambientais (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Especialista em Docência do Ensino Superior - Faculdade Joaquim Nabuco, Especialista em Avaliação e Reabilitação Neuropsicológica e Neuropsicologia da Educação - Faculdade de Ciências Humanas – ESUDA, pedagoga - Fundação de Ensino Superior de Olinda - FUNESO), profesora de Educação Inantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental pela secretaria de Ecudação dos municípios de Recife e Olinda - PE. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-3169-2868.
2 Mestrando em Ensino das Ciências Ambientais - UFPE. Especialista em Ensino de Ciências e Biologia - IGUAÇU. Licenciado em Ciências Biológicas- UPE. Professor de Ciências na Rede Municipal de Vertente do Lério-PE. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-1714-1662.
3 Mestranda do Programa de Pós-Graduação no Ensino das Ciências Ambientais (Universidade Federal de Pernambuco). Especialização em Gestão Pública Municipal (UFRPE). Professora vinculada a prefeitura Municipal de Carpina(SEDUC-Carpina- PE). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-0180-5083
4 Mestranda em Ensino das Ciências Ambientais (Universidade Federal de Pernambuco – UFPE). Especialista em Psicologia Escolar e Educacional (Instituto de Gestão e Políticas de Saúde – IGPS). Especialista em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Inglesa (Centro Universitário Frassinetti do Recife – UNIFAFIRE). Licenciada em Letras (Centro Universitário Frassinetti do Recife – UNIFAFIRE). Coordenadora Pedagógica da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-0615-6897
5 Mestranda em Ensino das Ciências Ambientais ( Universidade Federal de Pernambuco), Especialista em Gestão e Planejamento ( UNIFACOL).Pedagoga ,servidora efetiva na Secretária de Educação do Ipojuca- PE. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-9728-8977