DESVENDANDO A QUALIDADE DA EDUCAÇÃO BÁSICA EM SERGIPE: ANÁLISE DOS INDICADORES EDUCACIONAIS

UNVEILING THE QUALITY OF BASIC EDUCATION IN SERGIPE: AN ANALYSIS OF EDUCATIONAL INDICATORS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/778991117

RESUMO
Este relatório apresenta os resultados de um estudo abrangente sobre a qualidade da educação básica em Sergipe, revelando um cenário complexo marcado por profundas desigualdades territoriais. A análise integrada dos dados do IDESE 2024, SAESE e IDEB demonstra que o desempenho educacional no estado não é homogêneo, mas organiza-se em seis arranjos territoriais distintos, cada um com desafios e potencialidades específicas. Identificamos tendências importantes que desafiam perspectivas convencionais: o "efeito-tamanho", onde escolas menores (até 300 alunos) consistentemente superam as demais; a erosão progressiva da aprendizagem ao longo da trajetória escolar, com perda média de 2,4 pontos do IDESE da alfabetização ao ensino médio; e o paradoxo da resiliência educacional no Médio-Alto Sertão, que contrasta com a segregação socioespacial no Núcleo Metropolitano. A pesquisa revela que a proximidade com centros de poder e recursos não garante qualidade educacional, enquanto contextos de adversidade podem desenvolver estratégias pedagógicas adaptadas e fortalecer vínculos comunitários. A defasagem universal em matemática emerge como desafio transversal, presente em 100% das escolas analisadas. Estes achados apontam para a necessidade urgente de políticas educacionais profundamente contextualizadas, que reconheçam a diversidade territorial sergipana. Propomos uma agenda baseada em quatro pilares: redução progressiva do tamanho das escolas, valorização profissional docente com foco na redução da rotatividade, fortalecimento da participação comunitária e desenvolvimento de intervenções específicas para o ensino de matemática. A superação das desigualdades educacionais em Sergipe exigirá não apenas intervenções técnicas, mas a construção de pactos territoriais que transformem as fronteiras educacionais atuais em oportunidades de desenvolvimento equitativo para todos os sergipanos.
Palavras-chave: Sergipe; IDESE; Educação; Arranjos Territoriais; Diretorias Regionais de Educação.

ABSTRACT
This report presents the results of a comprehensive study on the quality of basic education in Sergipe, revealing a complex scenario marked by profound territorial inequalities. The integrated analysis of data from IDESE 2024, SAESE, and IDEB demonstrates that educational performance in the state is not homogeneous, but rather organizes itself into six distinct territorial arrangements, each with specific challenges and potential. We identified important trends that challenge conventional perspectives: the "size effect," where smaller schools (up to 300 students) consistently outperform others; the progressive erosion of learning throughout the school trajectory, with an average loss of 2.4 points on the IDESE from literacy to high school; and the paradox of educational resilience in the Médio-Alto Sertão region, which contrasts with the socio-spatial segregation in the Metropolitan Core. The research reveals that proximity to centers of power and resources does not guarantee educational quality, while contexts of adversity can develop adapted pedagogical strategies and strengthen community ties. The universal gap in mathematics emerges as a cross-cutting challenge, present in 100% of the schools analyzed. These findings point to the urgent need for deeply contextualized educational policies that recognize the territorial diversity of Sergipe. We propose an agenda based on four pillars: progressive reduction of school size, professional valorization of teachers focusing on reducing turnover, strengthening community participation, and developing specific interventions for mathematics teaching. Overcoming educational inequalities in Sergipe will require not only technical interventions but also the construction of territorial pacts that transform current educational boundaries into opportunities for equitable development for all people of Sergipe.
Keywords: Sergipe; IDESE; Education; Territorial Arrangements; Regional Education Directorates.

1. INTRODUÇÃO

A qualidade da educação básica no Brasil permanece um dos desafios mais complexos e multifacetados do desenvolvimento nacional. Em Sergipe, esse desafio se manifesta em um cenário de profundas contradições e disparidades territoriais que exigem uma abordagem analítica capaz de integrar dimensões quantitativas e qualitativas, institucionais e comunitárias, urbanas e rurais. Apesar dos avanços nas políticas educacionais nas últimas décadas, persistem desigualdades que não podem ser compreendidas apenas por meio de análises agregadas em nível estadual ou nacional, demandando um olhar atento às especificidades territoriais e suas dinâmicas locais, numa ordem próxima da vida cotidiana.

No cenário nacional, Sergipe posiciona-se em uma situação intermediária no que concerne à qualidade da educação básica, conforme atestam os últimos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 2022. O estado ocupa a 13ª posição nacional nos anos iniciais do ensino fundamental, com nota 5,7, e a 15ª colocação nos anos finais, com pontuação 4,7, superando as metas estabelecidas para ambas as etapas. Contudo, no ensino médio, Sergipe situa-se na 16ª posição com nota 4,1, ficando ligeiramente abaixo da meta projetada de 4,2, embora ainda acima da média nacional de 3,9. Este desempenho revela tanto os avanços conquistados quanto os desafios persistentes, particularmente na etapa final da educação básica.

Esta contextualização nacional é fundamental para compreender que as desigualdades territoriais identificadas nesta pesquisa que obteve financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (FAPITEC) inserem-se em um quadro mais amplo de desafios educacionais brasileiros (Freitag, 2009; Saviani, 2013; Therborn, 2016) onde Sergipe apresenta um desempenho mediano, com potencial de crescimento especialmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. A análise detalhada do IDESE estadual, portanto, complementa e aprofunda o diagnóstico fornecido pelo IDEB, permitindo desvendar as dinâmicas intraestaduais que explicam essa posição intermediária no cenário nacional.

Este relatório representa a culminância de um extenso percurso de investigação que combinou rigor metodológico com análise da conflitualidade socioterritorial, articulando a análise estatística dos indicadores educacionais, sobretudo os últimos dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica de Sergipe, com a compreensão das dinâmicas escolares em seus contextos cotidianos e entorno de existência. Parte-se do pressuposto de que a qualidade educacional é produzida na intersecção entre políticas públicas, condições territoriais, histórias institucionais e práticas pedagógicas, exigindo, portanto, uma abordagem multidimensional.

A gênese deste trabalho remonta a uma trajetória de mais de duas décadas dedicados à docência na educação básica e na educação superior, a formação docente e à pesquisa, materializada em diferentes frentes de atuação: a docência na educação básica, a coordenação de programas de pesquisa, extensão e formação de professores, as contribuições na implementação de programas inovadores como o de Apoio ao Licenciando na Escola; da liderança no Programa Nacional de Formação de Professores que institucionalizou os cursos de Educação Quilombola, Educação do Campo e Educação Especial Inclusiva na Universidade Federal de Sergipe, bem como, a participação na implementação de dois ciclos do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência; até a recente coordenação acadêmica do Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras.

O projeto iniciou com uma abordagem metodológica que combinou a análise comparativa entre escolas de alto e baixo desempenho com o mapeamento detalhado de 26 unidades escolares, 16 na Região Metropolitana de Aracaju e 10 no município de Itabaiana e cidades adjacentes, com visitas técnicas em parte significativa das unidades escolares e dos seus respectivos entornos. Esta seleção foi viabilizada por parcerias estratégicas com o Núcleo de Integração Universidade e Educação Básica da Secretaria do Estado da Educação e da Cultura de Sergipe (NIUEB/SEDUC), permitindo acesso privilegiado às instituições.

As análises preliminares já revelaram padrões significativos, como a vantagem consistente de escolas com poucos estudantes, aquilo que chamo aqui de “efeito-tamanho”, exemplificada pelo caso da Escola Augusto Maynard (IDEB 2023: 5,79 com 218 estudantes para os anos iniciais). Identificou-se também o paradoxo da desconexão entre educação básica e superior, mesmo em contextos de proximidade geográfica com instituições como a UFS, como o caso da Escola Armindo Guaraná, com IDEB de 4,79 para anos finais do ensino médio. É importante mencionar que essa pesquisa foi realizada num contexto pós-pandêmico.

Buscamos de fato, construir uma visão singular sobre as interfaces entre política educacional, formação docente e realidade escolar considerando o entorno geográfico onde estão mergulhados as unidades escolares e as dinâmicas de ensino-aprendizagem, contando ainda com perspectivas que não podem deixar de observar o contexto das relações de trabalho na educação no estado de Sergipe, considerando os trabalhadores da educação da rede estadual. Esse caminho foi fundamental para desenvolver o marco analítico que orienta esta pesquisa, o qual considera que as escolas não são ilhas, nem tampouco homogêneas, mas instituições profundamente marcadas por seus contextos territoriais, históricos e socioculturais.

Do ponto de vista metodológico, a pesquisa adotou uma abordagem mista, combinando: (i) análise estatística descritiva e exploratória dos dados do IDESE 2024 das escolas estaduais das nove DREs; (ii) análise territorial do entorno das unidades escolares selecionadas; (iii) estudos de caso aprofundados a partir das visitas técnicas realizadas; e (iv) análise documental de planos políticos educacionais e projetos pedagógicos.

Ao longo da pesquisa, para o componente qualitativo, que complementou a análise estatística das escolas, realizamos cinco ciclos de visitas técnicas à escolas nas quais havia espaço de diálogo interinstitucional a partir dos ciclos do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), 2022/2024 e 2024/2026. As visitas ocorrerão de fevereiro a outubro de 2024, prioritariamente na Região Metropolitana de Aracaju (RMA) e no município de Itabaiana.

A escolha por essas extensões de observação empírica deve-se a presença dos campi da Universidade Federal de Sergipe, a possibilidade de suporte da infraestrutura dessa instituição, a facilidade de acesso aos bolsistas de iniciação científica com bolsa Fapitec que compôs o projeto e, principalmente os núcleos de licenciatura que foram abertos por programas que venho coordenando desde 2021 que serviram de facilitadores de entradas nas escolas visitadas, à saber: Programa de Apoio ao Licenciando na Escola, Programa de Bolsa de Iniciação à Docência, Programa Nacional de Formação de Professores e mais recentemente, o Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras.

As escolas selecionadas para os estudos de caso representam a diversidade de contextos sergipanos, incluindo instituições rurais e urbanas, de pequeno e grande porte, localizadas em territórios quilombolas, áreas costeiras, zona rural e periferias/centros urbanos. Essa diversidade foi intencional, buscando captar a variedade de desafios e potencialidades presentes no sistema educacional sergipano.

A imersão territorial permitiu confrontar os dados estatísticos com a realidade concreta das escolas em seus múltiplos contextos: o entorno geográfico e suas características ecológicas, o acesso a políticas públicas, as condições de infraestrutura, as dinâmicas econômicas locais, o perfil demográfico e socioeconômico das comunidades, e os ecossistemas educacionais que emergem dessas interseções. Esta abordagem complementa e enriquece a análise quantitativa, permitindo identificar os mecanismos através dos quais os condicionantes territoriais influenciam os resultados educacionais e são, ao seu tempo, condicionados por eles.

A investigação revelou tendências importantes que desafiam perspectivas convencionais sobre a educação e o território. Entre os mais significativos, destacam-se: o paradoxo de um Sertão resiliente (DRE 5, 7 e 9) e a condição de segregação educacional no Núcleo Metropolitano e nos municípios de sua margem urbana (DRE 8); a confirmação de um “efeito-tamanho” consistente, onde escolas menores mantêm vantagem de desempenho em todas as regiões; e a constatação de um declínio progressivo e universal do IDESE em todas as DREs conforme se avança das séries iniciais ao ensino médio.

Para além da identificação desses padrões, o estudo avança na construção de uma tipologia de cinco arranjos territoriais educacionais, mesclando-os com o ordenamento territorial do estado de Sergipe para o sistema estadual de ensino. Em 2021, por meio do Decreto Nº 40.768, a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (SEDUC) realizou o reordenamento territorial da estrutura administrativa do sistema educacional à regionalização administrativa do Estado. Essa adequação da administração pública às dinâmicas territoriais teve o objetivo de incorporar o planejamento e as ações públicas no âmbito da rede de ensino estadual as variações socioespaciais do estado. No fundo foi o reconhecimento dos elaboradores de políticas públicas de que as dimensões territoriais impõem desafios e ações customizadas segundo o acesso às políticas públicas, as condições do meio ecológico, às dinâmicas econômicas, o capital social de cada população, em cada lugar, as condições de infraestrutura e o acesso às tecnologias da informação que provocaram um curto-circuito na rede urbana com influência dentro de Sergipe e novas dinâmicas nas relações rural-urbano, uma vez que a vida cotidiana, nos diferentes lugares tem sido verticalizada por objetos e ações controlados de uma ordem cada vez mais distante (Santos, 1985; Veiga, 2002; Passos Subrinho, 1987).

Assim, nesse esforço de adequar as ações públicas às variações das dinâmicas territoriais no Estado, neste caso, no âmbito da educação pública sob administração de Sergipe, buscamos analisar dados primários e secundários a partir do olhar para as Diretorias Regionais de Educação nessa perspectiva de aproximá-los das regiões administrativas e dos efetivos arranjos territoriais, à saber: Núcleo Metropolitano e Margem Metropolitana de Aracaju (DRE e DRE 8); Centro-Sul de Sergipe (DRE 1 e DRE 2); Agreste Sergipano (DRE 3); Leste-Baixo São Francisco (DRE 4 e DRE 6); Médio-Alto Sertão (DRE 5, DRE 7 e DRE 9).

Essas tipologias, conforme o Mapa 1 acima dos Arranjos Territoriais e Diretorias Regionais de Educação de Sergipe, oferecem uma lente mais aproximada para compreender as desigualdades intraestaduais, fornecendo uma base para a formulação de intervenções políticas precisas e contextualizadas. Tais arranjos são dinâmicos, dependem de como evoluem e interagem as políticas públicas, os circuitos econômicos, o capital social da população imersa em cada lugar, o acesso às infraestruturas/técnicas de informação e aos bens simbólicos, naturais e sociais presentes, bem como, as conflitualidades de classes, segmentos de classes, grupos de interesses que tem nessas localidades o lugar de reprodução.

Mais do que uma análise, este trabalho busca oferecer subsídios para políticas educacionais contextualizadas e efetivas, reconhecendo que a qualidade da educação em Sergipe não é simples reflexo de condicionantes geográficos e socioeconômicos, mas resultado da complexa interação entre gestão, capital social, modelos pedagógicos e oportunidades territoriais. Nesse sentido, as recomendações finais buscam traduzir os achados da pesquisa em orientações concretas para gestores educacionais em diferentes níveis, sempre com o objetivo de reduzir as desigualdades e promover a equidade educacional.

Ao desvendar esses padrões, espera-se contribuir para a construção de um sistema educacional mais equitativo e de qualidade para todos os sergipanos, bem como avançar no debate metodológico sobre como analisar e intervir em sistemas educacionais marcados por profundas desigualdades territoriais e que estão em franca transformação.

2. OBJETIVOS

2.1. Objetivo principal

Esta pesquisa teve como objetivo central desvendar os padrões de qualidade da educação básica em Sergipe através da análise integrada dos indicadores educacionais do IDESE 2024, SAESE e IDEB, confrontando-os com as dinâmicas territoriais das nove Diretorias Regionais de Educação. Buscou-se compreender as profundas desigualdades na aprendizagem, com ênfase na compreensão dos mecanismos através dos quais os condicionantes territoriais influenciam os resultados educacionais.

2.2. Objetivos específicos

No plano analítico, a investigação propôs-se a identificar padrões de desempenho a partir dos dados do SAESE (2021-2022), examinando a correlação entre o tamanho das escolas, a relação professor-aluno e os resultados educacionais. Paralelamente, buscou-se investigar a influência do contexto geográfico no desempenho escolar e analisar o paradoxo da desconexão entre educação básica e superior, mesmo em contextos de proximidade física com instituições como a UFS, num contexto de pós-pandemia da Covid 19.

Nos dedicamos ainda a análise das dinâmicas territoriais que são possíveis de serem observadas: (1) Núcleo Metropolitano de Aracaju; (2) Margem Metropolitana de Aracaju; (3) Centro-Sul; (4) Leste-Baixo São Francisco; (5) Agreste; e (6) Médio-Alto Sertão, conforme já mencionado. Por fim, buscou-se produzir subsídios para políticas públicas educacionais contextualizadas e efetivas, traduzindo os achados da pesquisa em orientações concretas para gestores educacionais em diferentes níveis, com o objetivo de reduzir as desigualdades e promover a equidade educacional em Sergipe.

3. METODOLOGIA E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES

Esta pesquisa adotou uma abordagem metodológica mista, articulando rigor quantitativo com profundidade qualitativa em um desenho que integra quatro dimensões complementares. O percurso metodológico iniciou com a análise estatística abrangente dos dados do IDEB 2023, posteriormente avançamos para a utilização dos dados do IDESE 2024 de todas as escolas estaduais de Sergipe, distribuídas pelas nove Diretorias Regionais de Educação (DREs), estabelecendo o panorama macro dos padrões educacionais estaduais, considerando as diferenças geográficas em que as escolas estão inseridas, em acordo com as tipologias que categorizamos, conforme o Mapa 1 dos Arranjos Territoriais e Diretorias Regionais de Educação de Sergipe.

Na dimensão quantitativa, realizamos análise estatística descritiva e exploratória dos indicadores oficiais, com especial ênfase nos dados recentes do SAESE e IDEB. Caminhamos por uma abordagem analítica que permitiu a espacialização dos indicadores educacionais, revelando as assimetrias territoriais com precisão.

A etapa qualitativa envolveu cinco ciclos de visitas técnicas realizadas entre fevereiro e outubro de 2024, abrangendo escolas estrategicamente selecionadas para representar a diversidade de contextos metropolitano, urbano e rural de Sergipe, especialmente no Núcleo Metropolitano e em Itabaiana, no Agreste do estado. Em 2025, já fora do apoio da FAPITE, dentro do Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras, com o apoio de IBAMA e Petrobras, temos avançado nas visitas técnicas e de campo para a região Centro-Sul e para a região Leste-Baixo São Francisco. Essas visitas ainda estão em andamento e fazem parte do plano de trabalho da condicionante ambiental do IBAMA colocada à petrolífera em virtude da exploração de petróleo em águas rasas e da retirada de infraestruturas.

As visitas técnicas contaram com a fundamental participação dos dois bolsistas de iniciação científica do projeto, que foram responsáveis pelo levantamento sistemático de dados secundários, tabulação de informações e condução de diálogos semiestruturados com as comunidades escolares preliminares e posteriores às visitas. Os bolsistas realizaram ainda o levantamento exaustivo de documentos escolares, incluindo planejamentos de turma, projetos pedagógicos e registros de gestão, permitindo triangulação documental robusta.

Utilizamos protocolos estruturados de observação direta, entrevistas em profundidade com gestores escolares, grupos focais com professores e análise documental de projetos pedagógicos. A seleção das escolas seguiu critérios de máxima variação, dentro do que era possível do ponto de vista de recursos, garantindo representatividade de contextos urbanos, rurais e litorâneos.

A triangulação de métodos permitiu validação cruzada dos achados, confrontando sistematicamente dados estatísticos com evidências empíricas coletadas nas atividades de campo. Desenvolvemos estudos de caso comparativos que examinaram escolas de alto e baixo desempenho em contextos similares, identificando fatores críticos de avanço e vulnerabilidade. A análise de conteúdo das entrevistas seguiu protocolos de grounded theory, isto é, elaborar “pequena teoria” a partir dos dados e análise de campo.

Neste sentido, elaboramos a construção de uma tipologia de perfis territoriais educacionais através de análise fatorial e técnicas de classificação multivariada. Desenvolvemos matrizes de análise que integraram dimensões pedagógicas, territoriais e de gestão, permitindo compreender as interações complexas entre esses fatores. A pesquisa estabeleceu ainda protocolos de análise da interface escola-território, considerando variáveis ecológicas, econômicas e socioculturais do entorno escolar.

As atividades de campo seguiram protocolos com diários de campo padronizados e registro multimídia dos contextos escolares. As atuações dos bolsistas foram fundamentais na sistematização dos dados coletados em campo, garantindo padronização e qualidade do acervo documental.

Realizamos observação de aulas, análise de infraestrutura e mapeamento de redes de apoio comunitário. A imersão territorial permitiu captar nuances contextuais que escapam aos indicadores quantitativos, revelando mecanismos microterritoriais que explicam trajetórias educacionais diferenciadas.

A fase final integrou achados quantitativos e qualitativos através de matrizes de causalidade, identificando combinações de fatores associadas a diferentes perfis de desempenho. Esta abordagem permitiu transcender análises simplistas de causa-efeito, revelando a natureza multifatorial e contextual da qualidade educacional em Sergipe.

Esta arquitetura metodológica constitui contribuição substantiva para o campo das pesquisas educacionais territoriais, oferecendo modelo replicável para análise de sistemas educacionais em contextos de diversidade regional.

A pesquisa ancorou-se em um referencial teórico que articula concepções avançadas de território, partindo da fundamentação epistemológica de Claude Raffestin (1993), para quem o território constitui-se como espaço transformado pelo trabalho e, sobretudo, como projeção material do poder nas suas múltiplas dimensões: econômica, política, simbólica. Nesta perspectiva, as escolas não são meras instituições localizadas, mas artefatos territoriais que materializam relações de poder, disputas por recursos e hierarquias socioespaciais.

Esta visão dialoga com a conceituação de formação socioespacial de Milton Santos (2002), que nos permite compreender Sergipe como um todo contraditório, síntese de tempos históricos desiguais, do passado agrário às modernizações seletivas. Aplicamos ainda uma concepção emergente de "território de vida", atualmente em formulação, que focaliza as experiências cotidianas, os trajetos e as apropriações que comunidades escolares realizam no espaço, indo além das estruturas para captar a agenda dos sujeitos.

Neste marco teórico, operacionalizamos a análise a partir de três eixos estruturantes:

  1. A Diferenciação Rural-Urbano-Metropolitana: Investigamos como a Região Metropolitana de Aracaju (RMA), com sua forte herança agrária e notável verticalidade de órgãos e empresas federais, constitui uma metrópole de natureza singular, cuja lógica espacial difere radicalmente das dinâmicas do interior.

  2. A Emergência da Cidade-do-Campo: Identificamos e analisamos a formação de um novo arranjo territorial que denominamos "cidade-do-campo", fruto do avanço intenso do agronegócio em regiões como o Agreste e Médio-Alto Sertão. Este fenômeno gera uma conflitualidade socioterritorial profunda entre o modelo da agricultura familiar e a lógica corporativa do agronegócio, criando contextos educacionais específicos e desafiadores.

  3. A Dinâmica dos Circuitos da Economia Urbana: Aplicamos a teoria de Milton Santos sobre o circuito superior versus circuito inferior da economia para decifrar a acentuada concentração de serviços educacionais, infraestrutura e melhores indicadores nas centralidades da RMA (Santos; Silveira, 2001). Esta análise revela como a segregação socioespacial e a hierarquização de oportunidades educacionais são estruturadas pela divisão espacial do trabalho e pela distribuição desigual do poder.

Esta fundamentação permitiu-nos transcender uma leitura plana dos dados educacionais. Ao contrário, interpretamos o IDESE, o SAESE e o IDEB como indicadores que condensam relações de poder, conflitos territoriais e modelos de desenvolvimento em disputa. O "efeito-tamanho" das escolas, a Segregação Educacional no Núcleo Metropolitano e o Médio-Alto Sertão resiliente em alguns dos indicadores, frente às aceleradas transformações econômicas, por exemplo, deixam de ser meras categorias descritivas para se tornarem expressões de processos socioterritoriais mais amplos, da financeirização do agronegócio à precarização dos serviços urbanos.

Desta forma, a metodologia não se limitou a descrever desigualdades, mas desvendou os mecanismos territoriais que as produzem, oferecendo uma contribuição teórica e prática para a construção de políticas educacionais verdadeiramente contextualizadas e emancipatórias. Obviamente que nem tudo cabe neste relatório, uma vez que a pesquisa segue em andamento combinando outras frentes e outras formas de financiamento.

4. RESULTADOS

A análise integrada dos dados do IDESE 2024 revela a existência de seis arranjos territoriais distintos em Sergipe, que demonstram como as desigualdades educacionais seguem padrões geográficos bem definidos, porém com nuances significativas que desafiam explicações simplistas.

Conforme o quadro 1, Desde o Centro-Sul DRE 1 e 2, onde escolas alcançam indicadores que rivalizam com os melhores do Estado, até o Núcleo Metropolitano e a os municípios da Margem Metropolitana, onde a proximidade com centros de poder não se traduzem em qualidade educacional para uma parte significativa da população em idade escolar, o panorama sergipano apresenta um mosaico complexo de realidades educacionais. Entre esses extremos, situam-se o próprio Centro-Sul, o Agreste e o Leste-Baixo São Francisco, caracterizados por profundas disparidades entre os municípios e interna a eles, com ilhas de excelência e bolsões de vulnerabilidade; Já o Médio-Alto Sertão se caracteriza por fortes transformações em virtude da penetração do agronegócio e, simultaneamente, uma resiliência de indicadores decorrente de populações que vivem da agricultura familiar e tradicional, nas quais as escolas desenvolvem estratégias diversas para enfrentar contextos de extrema adversidade.

O Centro-Sul (DRE 1 e 2) evidencia que a geografia importa, mas não é determinante: a existência de casos de excelência nesta região, que comprova que é possível oferecer educação de qualidade em qualquer contexto, desde que presentes condições adequadas de gestão, estabilidade institucional e capital social. Simultaneamente, a segregação educacional no Núcleo e na Margem Metropolitana demonstra que urbanização e proximidade com recursos não garantem, por si só, qualidade educacional. Os padrões identificados apontam para a necessidade de políticas educacionais territorializadas e sensíveis às especificidades locais, capazes tanto de fortalecer as potencialidades de cada região quanto de enfrentar seus desafios estruturais. A superação das desigualdades educacionais em Sergipe exigirá, portanto, não apenas intervenções técnicas, mas sobretudo a construção de pactos territoriais que reconheçam e valorizem as distintas trajetórias e capacidades institucionais presentes em cada contexto.

4.1. Núcleo Metropolitano de Sergipe

A análise dos dados do IDESE 2024 para o Núcleo Metropolitano de Sergipe revela um panorama educacional complexo, marcado por significativas assimetrias entre os quatro municípios que compõem esta região estratégica. Aracaju emerge como o polo de excelência, concentrando os melhores resultados em todos os níveis de ensino, enquanto Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão apresentam desempenhos heterogêneos, com desafios específicos em diferentes etapas da educação básica.

É possível observar uma tendência preocupante de erosão progressiva da qualidade educacional ao longo da trajetória escolar. Na alfabetização, a região alcança resultados relativamente satisfatórios, com a Escola Estadual Professor Ruy Eloy, em Aracaju, atingindo o índice de 6,75, demonstrando que as bases iniciais de aprendizagem estão consolidadas na capital. Contudo, essa trajetória positiva não se mantém de forma uniforme nos municípios demais municípios, onde os índices de alfabetização já começam a mostrar fragilidades.

Os anos iniciais representam o ponto mais alto do desempenho educacional metropolitano, com a Escola Euvaldo Diniz Gonçalves, também em Aracaju, alcançando a marca notável de 6,87. Este resultado sugere que o investimento nos primeiros anos do ensino fundamental tem surtido efeito positivo, pelo menos na capital. No entanto, quando se analisa a transição para os anos finais, constata-se uma queda abrupta nos indicadores de qualidade. Apenas três entre quarenta e duas escolas da região metropolitana conseguem superar a barreira do IDESE 5,0 nesta etapa, evidenciando uma ruptura no processo de aprendizagem que precisa ser urgentemente investigada.

O ensino médio, por sua vez, é um grande desafio da política educacional metropolitana. Nenhuma escola da região, incluindo as melhores unidades de Aracaju, consegue atingir o patamar de excelência acima de 6,0. O Centro de Excelência Atheneu Sergipense, com IDESE 5,27, lidera este nível de ensino, mas ainda assim apresenta resultados aquém do esperado para uma região metropolitana. Esta situação é particularmente grave quando consideramos que o ensino médio é a etapa final da educação básica, responsável pela preparação dos jovens para o ensino superior e para o mercado de trabalho.

As desigualdades intrametropolitanas tornam-se evidentes quando comparamos os desempenhos municipais. Enquanto Aracaju mantém relativa estabilidade nos indicadores ao longo do ciclo educacional, os demais municípios experimentam flutuações significativas. Barra dos Coqueiros, por exemplo, apresenta desempenho moderado na alfabetização, mas enfrenta dificuldades críticas nos anos finais, onde seu melhor resultado não ultrapassa 3,85. São Cristóvão, por sua vez, mostra certa resiliência nos anos iniciais, com a Escola Professor Manoel dos Passos alcançando 6,50, mas não consegue sustentar este padrão nas etapas subsequentes.

Esta análise sugere a existência de um "efeito segregação" na educação metropolitana, onde as condições socioeconômicas, a infraestrutura escolar e a disponibilidade de recursos educacionais criam um abismo de qualidade entre a capital e seus municípios limítrofes. O fato de Aracaju concentrar as melhores escolas em todos os níveis indica uma distribuição desigual de oportunidades educacionais que precisa ser enfrentada com políticas específicas de equidade.

A regressão nos indicadores ao longo do percurso escolar aponta para problemas estruturais que vão além das condições específicas de cada município. A transição do ensino fundamental para o médio parece representar um ponto crítico onde as deficiências acumuladas se manifestam de forma mais aguda, resultando em aprendizagens insuficientes e possivelmente contribuindo para o abandono escolar.

Os dados do IDESE 2024 desenham, portanto, um retrato de uma região metropolitana com potencial não realizado, onde ilhas de excelência convivem com extensas áreas de vulnerabilidade educacional. A superação deste cenário exigirá não apenas intervenções pontuais, mas uma reestruturação profunda do sistema educacional metropolitano, com especial atenção aos mecanismos de transição entre as etapas de ensino e às desigualdades territoriais que comprometem o direito à educação de qualidade para todos os jovens da região.

4.2. Margem Metropolitana de Sergipe

A análise dos dados do IDESE 2024 para a Margem Metropolitana de Sergipe, compreendendo os municípios de Itaporanga d'Ajuda, Laranjeiras, Maruim e Santo Amaro das Brotas, revela um cenário educacional distinto e desafiador, que contrasta significativamente com o núcleo central da região metropolitana. Os indicadores apontam para uma realidade onde as dificuldades educacionais se intensificam à medida que nos afastamos do centro urbano principal, configurando um panorama de vulnerabilidade que demanda atenção específica e políticas educacionais diferenciadas.

Na alfabetização, a Margem Metropolitana já demonstra fragilidades em sua base educacional. Santo Amaro das Brotas apresenta o melhor resultado através da Escola Menino Jesus de Sion, com IDESE 6,37, um desempenho que, embora positivo, já fica aquém dos melhores índices do núcleo metropolitano. O que mais preocupa, contudo, é a irregularidade na oferta de dados entre os municípios, com apenas Santo Amaro das Brotas apresentando informações consistentes nesta etapa fundamental da educação. Esta lacuna de dados por si só já sinaliza desafios na estruturação do ciclo de alfabetização em grande parte da região.

Os anos iniciais do ensino fundamental revelam um mosaico de realidades educacionais dentro da Margem Metropolitana. Enquanto Laranjeiras e Itaporanga d'Ajuda lutam para superar a barreira do IDESE 5,0, Santo Amaro das Brotas novamente se destaca com a Escola Menino Jesus de Sion alcançando 6,20, demonstrando que é possível obter resultados satisfatórios mesmo em contextos periféricos. No entanto, a análise detalhada mostra que esta é uma exceção, com a maioria das escolas da região operando em patamares medianos que não garantem a consolidação adequada das aprendizagens essenciais.

A situação torna-se crítica quando examinamos os anos finais do ensino fundamental. A Margem Metropolitana enfrenta aqui seu maior desafio, com a maioria das escolas apresentando IDESE abaixo de 4,0, um indicador que aponta para graves deficiências na qualidade do ensino. O Colégio Estadual João Batista Nascimento, em Nossa Senhora do Socorro, alcança o melhor resultado da região com 5,05, mas este valor ainda representa um desempenho aquém do desejável. Mais preocupante é o fato de que várias escolas sequer atingem a marca de 4,0, configurando uma situação de emergência educacional que compromete o futuro de milhares de adolescentes.

O ensino médio na Margem Metropolitana consolida este quadro de dificuldades acumuladas. Nenhuma escola da região consegue superar o IDESE 4,0, com o Colégio Estadual Dr. Carlos Firpo, em Barra dos Coqueiros, liderando com 4,06, seguido pelo Centro de Excelência Profissionalizante Professora Neuzice Barreto, em Nossa Senhora do Socorro, com 4,46. Estes números, quando comparados com os do núcleo metropolitano, revelam uma desigualdade educacional profunda que se aprofunda na etapa final da educação básica. A situação é particularmente crítica em municípios como Maruim e Riachuelo, onde os índices permanecem estagnados em patamares inferiores a 3,5.

A análise dos dados evidencia um padrão de deterioração progressiva da qualidade educacional ao longo do percurso escolar na Margem Metropolitana. Enquanto na alfabetização ainda se observam resultados relativamente promissores em alguns municípios, esta trajetória positiva se perde completamente nos anos finais e ensino médio. Esta tendência sugere a existência de problemas estruturais que vão além das condições específicas de cada escola, apontando para desvantagens sistêmicas na transição entre as etapas educacionais e na capacidade de retenção e desenvolvimento das aprendizagens ao longo do tempo.

A heterogeneidade de desempenhos entre os municípios da Margem Metropolitana também merece destaque. Enquanto alguns conseguem manter indicadores medianos, outros enfrentam desafios educacionais de grande magnitude, com escolas operando em níveis críticos de qualidade. Esta diversidade de realidades exige políticas educacionais diferenciadas que considerem as especificidades de cada território, mais do que soluções padronizadas que não respondem às necessidades locais.

Os dados do IDESE 2024 desenham, portanto, o retrato de uma região periférica que enfrenta desafios educacionais complexos e multifacetados. A Margem Metropolitana de Sergipe convive com uma combinação perversa de fragilidades na base educacional, deficiências na qualidade do ensino fundamental e médio, e desigualdades intramunicipais que comprometem o direito à educação de qualidade para milhares de estudantes. Superar este cenário exigirá não apenas investimentos em recursos e infraestrutura, mas principalmente a construção de uma estratégia educacional integrada que enfrente as raízes estruturais destes problemas e garanta uma trajetória de aprendizagem consistente e de qualidade para todos os jovens desta importante região do estado.

4.3. Centro-Sul Sergipano

A análise dos dados do IDESE 2024 para a região Centro-Sul de Sergipe, compreendendo os municípios das Diretorias Regionais de Educação 1 e 2, revela um cenário educacional marcado por contrastes significativos e desafios estruturais que refletem as complexidades territoriais desta extensa região. Os municípios de Arauá, Boquim, Cristinápolis, Estância, Indiaroba, Itabaianinha, Lagarto, Pedrinhas, Poço Verde, Riachão do Dantas, Salgado, Santa Luzia do Itanhy, Simão Dias, Tobias Barreto, Tomar do Geru e Umbaúba compõem um mosaico educacional onde ilhas de excelência convivem com áreas de extrema vulnerabilidade escolar.

Na alfabetização, a região Centro-Sul apresenta resultados que oscilam entre a excelência e a mediania, com destaque para o município de Lagarto, onde a Escola Rotary Clube atinge o notável IDESE de 7,66, demonstrando que é possível alcançar patamares elevados de qualidade mesmo em contextos interioranos. No entanto, a realidade em municípios como Boquim e Estância, que, embora apresentem resultados satisfatórios na faixa de 5,8 a 7,0, ainda estão longe da excelência educacional. A escassez de dados em vários municípios nesta etapa fundamental já sinaliza desafios na universalização da avaliação e no monitoramento sistemático do processo de alfabetização.

Os anos iniciais do ensino fundamental emergem como o ponto mais forte da educação na região Centro-Sul, com desempenhos que frequentemente superam a marca de 6,0. Lagarto novamente se destaca, com a Escola Rotary Clube alcançando 7,87, seguida por Tobias Barreto com 7,02 e Simão Dias com 7,11. Estes resultados evidenciam que os investimentos nos primeiros anos do ensino fundamental têm surtido efeito positivo em vários municípios da região. Contudo, a análise mais detalhada revela disparidades preocupantes, com municípios como Pedrinhas apresentando IDESE de apenas 4,35, configurando um abismo educacional que se aprofunda à medida que avançamos na análise territorial.

A transição para os anos finais do ensino fundamental expõe as fragilidades estruturais do sistema educacional da região Centro-Sul. Enquanto municípios como Lagarto e Salgado mantêm desempenhos relativamente sólidos, com escolas alcançando IDESE entre 5,0 e 6,14, a maioria das unidades de ensino opera em patamares inferiores a 5,0. Situação particularmente crítica é observada em Estância, onde o Colégio Estadual Arabela Ribeiro registra apenas 3,35, indicando graves desvantagens na qualidade do ensino oferecido. Este fenômeno de deterioração progressiva sugere problemas sistêmicos na transição entre as etapas educacionais que comprometem a continuidade das aprendizagens.

O ensino médio consolida este quadro de desafios acumulados, com a região Centro-Sul apresentando os menores índices de qualidade nesta etapa final da educação básica. Apenas quatro escolas entre vinte e sete avaliadas conseguem superar a barreira do IDESE 5,0, sendo o Centro de Excelência Cleonice Soares da Fonseca, em Boquim, o destaque com 5,34. A situação é especialmente preocupante em municípios como Estância e Itabaianinha, onde várias escolas operam com IDESE inferior a 3,0, patamar que indica emergência educacional e compromete seriamente as perspectivas futuras dos jovens estudantes, suas famílias e comunidades.

A análise comparativa entre as DREs 1 e 2 revela nuances importantes no panorama educacional regional. Enquanto a DRE 2, com municípios como Lagarto, Simão Dias e Tobias Barreto, apresenta desempenhos medianos com alguns pontos de excelência, a DRE 1 enfrenta desafios mais acentuados, especialmente nos anos finais e ensino médio. Esta disparidade intraregional sugere a necessidade de políticas educacionais diferenciadas que considerem as especificidades de cada território e as distintas capacidades de gestão municipal.

Os dados do IDESE 2024 desenham, portanto, o retrato de uma região em transição educacional, onde conquistas importantes nos anos iniciais contrastam com desafios críticos nas etapas subsequentes. A região Centro-Sul de Sergipe apresenta um potencial educacional não realizado, com capacidade demonstrada de excelência em contextos específicos, mas incapaz de universalizar esta qualidade para todos os seus municípios e escolas. A superação deste cenário exigirá não apenas intervenções pontuais, mas uma reestruturação profunda do sistema educacional regional, com especial atenção aos mecanismos de transição entre as etapas de ensino e às desigualdades intramunicipais que perpetuam ciclos de baixa aprendizagem. O desafio central consiste em transformar as experiências isoladas de sucesso em uma realidade sistêmica que garanta educação de qualidade para todos os jovens desta importante região sergipana.

4.4. Agreste Sergipano

A análise dos dados do IDESE 2024 para o Agreste Sergipano, que compreende a Diretoria Regional de Educação 3 (DRE 3), revela um cenário educacional de contrastes e potencialidades, marcado pela coexistência de experiências exitosas em determinadas etapas de ensino com desafios estruturais que persistem ao longo da trajetória escolar. A região, que abrange municípios como Itabaiana, Ribeirópolis, Campo do Brito, Moita Bonita, Macambira, Frei Paulo, Malhador, entre outros, apresenta um perfil educacional que merece atenção tanto pelos avanços observados quanto pelas desigualdades que ainda precisam ser superadas.

Na alfabetização, o Agreste Sergipano demonstra uma base sólida e em evolução, com todas as escolas avaliadas apresentando IDESE superior a 5,0. Destacam-se unidades como a Escola Estadual Eliezer Porto (Itabaiana), com índice de 6,57, e a Escola Estadual Josué Passos (Ribeirópolis), com 6,47, ambas superando inclusive a média de referência estadual. Esse desempenho inicial reflete um trabalho pedagógico consistente e sugere que os fundamentos da leitura e da escrita vêm sendo adequadamente trabalhados nos anos iniciais do ciclo de alfabetização.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, a trajetória positiva se mantém, com a Escola Josué Passos alcançando 6,00 e registrando um expressivo crescimento em relação a 2023. Outras escolas, como a Escola Deputado Manoel Teles (Itabaiana) e a Escola São José (Malhador), também se situam acima da média, indicando uma relativa estabilidade na oferta educacional nesta etapa. No entanto, já começam a surgir sinais de heterogeneidade, com unidades como o Colégio Estadual Guilherme Campos (Campo do Brito) apresentando resultados mais modestos, próximos a 4,6.

A transição para os anos finais evidencia os primeiros estrangulamentos no percurso educacional regional. Enquanto escolas como o Colégio Estadual Marcolino Cruz Santos (Macambira) e o Colégio Estadual Djenal Tavares de Queiroz (Moita Bonita) mantêm desempenhos próximos ou acima de 5,0, a maioria das unidades opera entre 3,5 e 4,9. Casos críticos, como o da Escola Deputado Francisco Paixão (Campo do Brito), com IDESE de apenas 2,35, alertam para a necessidade de intervenções urgentes e focalizadas, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade socioeducacional.

No ensino médio, o Agreste Sergipano apresenta um cenário polarizado. De um lado, destacam-se experiências exitosas como as do Centro de Excelência Abdias Bezerra (Ribeirópolis), com 4,91, e do Centro de Excelência Dr. Augusto César Leite (Itabaiana), com 4,72, que demonstram a viabilidade de uma educação média de qualidade mesmo em contextos não metropolitanos. De outro, persistem unidades com índices abaixo de 3,0, como o Colégio Estadual Murilo Braga (Itabaiana), com 2,43, e o Colégio Estadual Deputado Guido Azevedo (Areia Branca), com 2,65, revelando uma fragilidade que compromete a equidade educacional na região.

De modo geral, o Agreste Sergipano configura-se como uma região com potencial educacional em ascensão, especialmente nos anos iniciais, mas que ainda convive com desafios históricos de qualidade e fluxo nos anos finais e no ensino médio. A região não apresenta a mesma segregação educacional observada no núcleo metropolitano, mas evidencia desigualdades intramunicipais que demandam políticas públicas contextualizadas e um regime de colaboração fortalecido entre estado e municípios. A superação desses desafios passa pela valorização do professor, pelo investimento em infraestrutura escolar e pela implementação de políticas de correção de fluxo e recuperação de aprendizagens, garantindo que todos os jovens do Agreste Sergipano tenham acesso a uma educação básica de qualidade, equitativa e inclusiva.

4.5. Leste-Baixo São Francisco de Sergipe

A análise dos dados do IDESE 2024 para a região do Leste-Baixo São Francisco sergipano, que compreende as Diretorias Regionais de Educação 4 e 6 (DRE 4 e DRE 6), revela um cenário educacional desafiador, marcado por profundas vulnerabilidades que se intensificam ao longo da trajetória escolar. Esta região, que abrange municípios como Neópolis, Propriá, Brejo Grande, Canhoba, Ilha das Flores, Japoatã, Capela, Carmópolis, Japaratuba, Pirambu, entre outros, apresenta os indicadores mais críticos do estado, configurando uma situação de emergência educacional que demanda intervenções prioritárias e políticas públicas específicas.

Na alfabetização, a região já demonstra fragilidades em sua base educacional. Enquanto a Escola de Ensino Fundamental Sagrada Família (Neópolis) alcança um IDESE de 7,23, a maioria das unidades opera em patamares médios, entre 5,0 e 6,5. A escassez de dados divulgados para a DRE 4 nesta etapa, com apenas dois registros, sugere dificuldades na universalização da avaliação ou na participação mínima necessária, o que por si só é um indicador de instabilidade no processo de alfabetização.

Os anos iniciais do ensino fundamental representam o ponto mais alto do desempenho educacional regional, embora ainda aquém do desejável. A Escola Monsenhor José Moreno de Santana (Neópolis) e a Escola Sagrada Família (Neópolis) se destacam com índices próximos a 6,0. No entanto, a maioria das escolas opera entre 4,5 e 5,5, com casos preocupantes como o da Escola. Professor Cezário Siqueira (Propriá), com IDESE 4,65, indicando que as aprendizagens essenciais não estão sendo consolidadas adequadamente já nesta etapa fundamental.

A situação torna-se crítica nos anos finais do ensino fundamental, onde a região apresenta seus piores indicadores. Apenas duas escolas entre trinta e três avaliadas conseguem superar a barreira do IDESE 5,0: a Escola Sagrada Família (Neópolis) com 5,66 e o Centro de Excelência Senador Gonçalo Rollemberg (Japaratuba) com 4,95. A maioria absoluta das unidades opera entre 3,0 e 4,5, patamares que indicam graves desvantagens na qualidade do ensino. Situações especialmente preocupantes são observadas em escolas como a Escola Quilombola 03 de Maio (Brejo Grande) com 3,93 e a Escola Nossa Senhora Santana (Pacatuba) com 3,65, configurando um cenário de privação educacional que compromete o desenvolvimento integral dos estudantes.

O ensino médio consolida este quadro de vulnerabilidade extrema. Nenhuma escola da região consegue atingir a marca de 5,0, sendo o Centro de Excelência Marechal Pereira Lobo (Neópolis) o destaque com 4,36. A maioria das unidades opera entre 3,0 e 4,0, com casos críticos como o da Escola Otávio Bezerra (Japoatã) com 2,43 e do Centro de Excelência Antônio Mathias Barroso (Santana do São Francisco) com 3,45. Estes índices, quando comparados com outras regiões do estado, revelam um abismo educacional que se aprofunda na etapa final da educação básica, limitando severamente o desenvolvimento da região.

A análise comparativa entre as DREs 4 e 6 revela nuances importantes. Enquanto a DRE 6 (Neópolis, Propriá, Brejo Grande, Canhoba, Ilha das Flores) apresenta desempenhos ligeiramente superiores, especialmente nos anos iniciais, a DRE 4 (Capela, Carmópolis, Japaratuba, Pirambu) enfrenta desafios mais acentuados nos anos finais e ensino médio. Esta disparidade intraregional sugere a necessidade de políticas educacionais diferenciadas que considerem as especificidades de cada território.

Os dados do IDESE 2024 desenham, portanto, o retrato de uma região em situação educacional crítica, onde vulnerabilidades históricas se acumulam ao longo do percurso escolar. O Leste-Baixo São Francisco sergipano apresenta alguns dos menores índices de qualidade educacional do estado, com desafios que vão desde a fragilidade na alfabetização até o colapso quase total da qualidade no ensino médio. Superar este cenário exigirá não apenas intervenções pontuais, mas um pacto estadual pela educação nesta região, com investimentos massivos em infraestrutura, valorização docente, correção de fluxo e recuperação de aprendizagens, garantindo que o direito à educação de qualidade seja efetivamente estendido a todos os jovens desta importante região do estado.

4.6. Médio-Alto Sertão Sergipano

A análise dos dados do IDESE 2024 para a região do Médio-Alto Sertão Sergipano, que compreende as Diretorias Regionais de Educação 5, 7 e 9 (DRE 5, DRE 7 e DRE 9), revela um cenário educacional de profundas contradições, marcado pela coexistência de experiências isoladas de sucesso com desafios estruturais históricos que se intensificam ao longo da trajetória escolar. Esta extensa região, que abrange municípios como Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Canindé de São Francisco, Porto da Folha, Gararu, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora das Dores, Aquidabã, Cumbé, Feira Nova, Gracho Cardoso e Itabi, apresenta os indicadores mais críticos do estado, configurando uma situação de emergência educacional que demanda intervenções prioritárias e políticas públicas específicas.

Na alfabetização, a região já demonstra fragilidades em sua base educacional, com escassez significativa de dados divulgados. Os poucos registros disponíveis – Escola Pe. Leon Gregório (Nossa Senhora da Glória) com 6,56, Colégio Estadual Cel. Maynard Gomes (Porto da Folha) com 6,37 e Colégio Estadual General Calazans (Nossa Senhora das Dores) com 5,80, sugerem que o processo de alfabetização enfrenta dificuldades de universalização e monitoramento, o que por si só é um indicador preocupante sobre a consolidação das aprendizagens iniciais nesta região.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, a região apresenta um desempenho mediano, com a maioria das escolas operando entre 5,0 e 6,0. Destacam-se positivamente a Escola Estadual Professora Evangelina Azevedo (Nossa Senhora da Glória) com 6,67 e o Colégio Estadual Cel. Maynard Gomes (Porto da Folha) com 6,72, demonstrando que é possível alcançar patamares satisfatórios mesmo em contextos sertanejos. No entanto, situações críticas como a do Centro de Excelência Quilombola 27 de Maio (Porto da Folha) com 4,01 evidenciam as profundas desigualdades intramunicipais que caracterizam a região.

Aqui temos uma questão de extrema relevância relativo à Povos e Comunidades Tradicionais em Sergipe, populações quilombolas, pescadores artesanais e marisqueiras presentes no litoral, e agricultores campesinos e familiares no agreste e no sertão, são via de regra invisíveis no que se refere às políticas públicas e seus respectivos modos de existência em seus territórios de vida. O progressivo fechamento de escolas rurais e os indicadores em escolas quilombolas, demonstram a necessidade imperativa de pedagogias alternativas. Daí a importância da recente implementação pela Universidade Federal de Sergipe dos cursos de Educação no Campo e Educação Quilombola, que felizmente tive a oportunidade de ajudar a construir como coordenador do Programa Nacional de Formação de Professores (PARFOR/UFS) no ano de 2024, bem como a importância do Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras executado pela instituição, no qual venho atuando como coordenador acadêmico.

Feito esse desvio, a transição para os anos finais do ensino fundamental no Médio-Alto Sertão expõe as fragilidades estruturais do sistema educacional sertanejo. Enquanto escolas como o Centro de Excelência Almirante Tamandaré (Nossa Senhora de Lourdes) e o Centro de Excelência Governador Lourival Baptista (Porto da Folha) alcançam índices próximos a 5,4, a maioria absoluta das unidades opera entre 3,0 e 4,5. Casos extremos como o da Escola Estadual Durval Rodrigues Rosa (Poço Redondo) com 3,26 e do Colégio Estadual Maria Montessori (Feira Nova) com 3,21 configuram um cenário de privação educacional que compromete severamente o desenvolvimento dos estudantes.

O ensino médio consolida este quadro de vulnerabilidade extrema, com a região apresentando os menores índices de qualidade nesta etapa final da educação básica. Apenas duas escolas entre vinte e sete avaliadas conseguem superar a barreira do IDESE 4,5: o Centro de Excelência Dom Juvencio de Britto (Canindé de São Francisco) com 4,94 e o Centro de Excelência Manoel Messias Feitosa (Nossa Senhora da Glória) com 4,45. A maioria das unidades opera entre 3,0 e 4,0, com situações especialmente preocupantes como a do Colégio Estadual Maria Montessori (Feira Nova) com 2,90 e do Colégio Estadual Nações Unidas (Aquidabã) com 3,08, patamares que indicam emergência educacional e limitam drasticamente as oportunidades futuras dos jovens sertanejos.

A análise comparativa entre as DREs que compõem o Médio-Alto Sertão revela nuances importantes. Enquanto a DRE 9 (Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Canindé de São Francisco) apresenta desempenhos relativamente mais consistentes, especialmente nos anos iniciais, as DREs 5 e 7 enfrentam desafios mais acentuados, com maior concentração de escolas em patamares críticos de qualidade. Esta disparidade intraregional sugere a necessidade de políticas educacionais diferenciadas que considerem as especificidades das localidades aí inseridas.

Os dados do IDESE 2024 desenham, portanto, o retrato de uma região em situação educacional crítica, onde vulnerabilidades históricas se acumulam ao longo do percurso escolar. O Médio-Alto Sertão sergipano apresenta os indicadores mais baixos do estado, com desafios que vão desde a fragilidade na alfabetização até o colapso quase total da qualidade no ensino médio. A escassez de dados em várias etapas, especialmente na alfabetização, é por si só um indicador da instabilidade do sistema educacional regional.

Superar este cenário exigirá não apenas intervenções pontuais, mas um pacto estadual pela educação no sertão, com investimentos massivos em infraestrutura escolar, valorização docente, correção de fluxo e recuperação de aprendizagens. É fundamental desenvolver políticas específicas que considerem as particularidades do contexto sertanejo, incluindo programas de transporte escolar, alimentação e assistência estudantil que mitiguem os efeitos das desigualdades regionais. Garantir o direito à educação de qualidade para os jovens do Médio-Alto Sertão representa não apenas um imperativo ético, mas uma condição essencial para o desenvolvimento integral e sustentável desta importante região do estado.

4.7. Tendências transversais

A análise dos dados do IDESE 2024 revelou padrões transversais que persistem em todos os perfis territoriais, independentemente de suas características específicas. O “efeito-tamanho” emerge como uma das correlações mais significativas: escolas com menos de 300 alunos consistentemente apresentam melhores resultados, sugerindo que a escala reduzida favorece a personalização do ensino, o acompanhamento individualizado e o fortalecimento de vínculos entre professores e estudantes.

Este padrão é particularmente evidente no Centro-Sul, sobretudo na DRE 2, onde o tamanho moderado das escolas aparece como um fator facilitador da gestão pedagógica eficaz. Por outro lado, nas regiões metropolitanas, as escolas de grande porte enfrentam desafios acentuados de gestão, violência escolar e fragmentação das relações educativas, agravando a crise educacional urbana.

Outro padrão transversal preocupante é o declínio progressivo da aprendizagem ao longo da trajetória escolar, que se manifesta em todas as DREs com intensidade variável. Em média, o sistema educacional sergipano perde entre 2,0 e 3,0 pontos do IDESE da alfabetização ao ensino médio, indicando uma erosão sistemática das aprendizagens à medida que os estudantes avançam na educação básica. Este fenômeno é especialmente crítico no no Centro-Sul e no Médio-Alto Sertão, onde a queda pode chegar a 3,0 pontos ou mais. Paralelamente, a defasagem universal em matemática configura-se como outra constante estadual: em 100% das escolas analisadas, o desempenho em matemática é inferior ao de língua portuguesa, com diferenças que variam de 0,14 a 0,48 pontos. Esta fragilidade estrutural no ensino da disciplina revela desafios pedagógicos que transcendem as fronteiras territoriais e demandam intervenções específicas em todo o estado.

A estabilidade docente e gestora mostrou-se como fator crítico de sucesso em todos os contextos, com correlação positiva significativa entre tempo de permanência dos profissionais e resultados educacionais. As escolas do com os melhores indicadores do Centro-Sul apresentam rotatividade inferior a 15% ao ano, enquanto em escolas com indicadores críticos este índice supera 40%, criando um ciclo de instabilidade institucional que compromete a continuidade dos projetos pedagógicos. Da mesma forma, o capital social organizado no entorno das escolas surgiu como elemento transversal determinante: comunidades com maior envolvimento nas atividades escolares, valorização social da educação e participação nas instâncias decisórias apresentam melhores resultados, independentemente do contexto socioeconômico mais amplo. Estes padrões transversais sugerem que, embora as políticas educacionais devam ser sensíveis às especificidades territoriais, algumas intervenções de caráter universal, como a redução do tamanho das escolas, a valorização profissional docente e o fortalecimento da participação comunitária, podem produzir impactos positivos em todo o sistema educacional sergipano.

Um dos achados mais significativos refere-se ao “efeito-tamanho” das escolas na qualidade educacional. Identificou-se correlação consistente entre escala reduzida e melhores resultados: escolas com menos de 300 alunos apresentam desempenhos sistematicamente superiores, sugerindo que a dimensão moderada favorece a personalização do ensino, o acompanhamento pedagógico individualizado e o fortalecimento de vínculos entre professores e estudantes. Este padrão é particularmente evidente no Interior de Excelência (DRE 2), onde o tamanho moderado das escolas emerge como fator facilitador da gestão pedagógica eficaz. Em contrapartida, nas regiões metropolitanas, as escolas de grande porte enfrentam desafios acentuados de gestão, violência escolar e fragmentação das relações educativas, fatores que agravam a crise educacional urbana e ampliam as desigualdades intrametropolitanas.

Estes padrões transversais indicam que, embora as políticas educacionais devam ser sensíveis às especificidades territoriais, reconhecendo as profundas assimetrias regionais, intervenções de caráter universal podem produzir impactos positivos em todo o sistema educacional sergipano. A redução progressiva do tamanho das escolas, a valorização profissional docente com foco na redução da rotatividade, o fortalecimento da participação comunitária e programas específicos para enfrentamento da defasagem em matemática representam estratégias promissoras para elevar a qualidade educacional de forma sistêmica e equitativa em Sergipe.

4.8. Publicações

A análise dos resultados desta pesquisa não se restringe aos dados quantitativos do IDESE e SAESE. Ela encontra robustez e profundidade ao ser confrontada com evidências qualitativas provenientes da própria trajetória de formação docente na interface Universidade-Escola Básica. Neste contexto, as obras “Vozes da Formação: Os Relatos de Experiência do PIBID-UFS 2022/2024” e “Os 15 Anos do PIBID da Universidade Federal de Sergipe: Os Caminhos da Formação Docente” emergem como resultados diretos e correlatos da investigação.

Enquanto a primeira obra, uma coletânea de 40 relatos, documenta a atuação no "chão da escola" no contexto pós-pandemia, abrangendo licenciaturas de Línguas, Pedagogia, Geografia, História, Artes Visuais, Ciências Biológicas, Física, Química e Matemática, a segunda oferece uma perspectiva histórica da consolidação do programa ao longo de uma década e meia. Em conjunto, essas publicações complementam os achados deste relatório ao demonstrar a robustez institucional e a eficácia formativa do PIBID/UFS.

Os relatos contidos em “Vozes da Formação” fornecem o substrato empírico que corrobora a importância de fatores críticos identificados na análise territorial, tais como a estabilidade de projetos pedagógicos e a valorização e qualificação docente, elementos centrais para a excelência educacional. Já a análise histórica de “Os 15 Anos do PIBID” ilustra a perenidade e a capilaridade do programa, variáveis que se alinham com a noção de capital social organizado e continuidade das políticas públicas como determinantes para o sucesso educacional.

O resultado mais tangível dessa sinergia entre formação inicial e educação básica é quantificável: a elevação do PIBID/UFS ao patamar dos dez programas nacionais mais bem avaliados coincide temporalmente com o avanço substancial do IDEB em Sergipe, que saltou de 3,3 em 2007, ano de implementação do programa, para 4,6 em 2023, superando as metas estaduais. Este dado posiciona o PIBID/UFS não como uma variável isolada, mas como um fator crucial no ecossistema educacional que contribui para explicar a melhoria dos indicadores de aprendizagem no Estado, conformando, assim, como uma evidência inconteste do impacto de uma política pública de formação docente articulada e consistente.

Dessa forma, estas publicações não são meros registros comemorativos, mas fontes primárias de evidência que validam, a partir da perspectiva da formação e da prática docente, as correlações estabelecidas neste relatório entre gestão educacional, capital social institucional e a melhoria concreta da qualidade da educação básica em Sergipe.

Vale ainda mencionar que o relatório parcial desta pesquisa, com algumas adaptações, foi publicado como posfácio do livro Vozes da Formação.

Publicações citadas nesse trecho:

ANDRÉ, A. L.; MAYNARD, D. S. C.; CORREIA, F. B. (Orgs.). Os 15 anos do PIBID da Universidade Federal de Sergipe: os caminhos da formação docente. São Cristóvão: Editora UFS, 2024.

ANDRÉ, A. L.; MAYNARD, D. S. C.; CORREIA, F. B. (Orgs.). Vozes da formação: os relatos de experiência do PIBID-UFS 2022/2024. São Cristóvão: Editora UFS, 2025.

5. DISCUSSÃO

A análise empreendida neste estudo permite transcender a mera descrição das desigualdades educacionais em Sergipe, avançando na compreensão dos mecanismos territoriais que as produzem e sustentam. Os arranjos territoriais identificados, não são meras categorias geográficas, mas expressões de arranjos institucionais, dinâmicas de gestão e contextos de capital social profundamente enraizados.

Um dos achados mais importantes, que merece destaque é o paradoxo da performance do Médio-Alto Sertão frente ao Núcleo Metropolitano. Enquanto escolas do semiárido, notadamente nas DREs 5, 7 e 9, desenvolvem estratégias pedagógicas adaptadas e fortalecem vínculos comunitários para superar adversidades estruturais, a região metropolitana de Aracaju vê sua proximidade com centros de poder e recursos se traduzir em segregação socioespacial, rotatividade docente e sobrecarga das unidades escolares. Este fenômeno desmonta a noção simplista de que urbanização e desenvolvimento educacional são faces da mesma moeda, revelando que a qualidade do ensino é mediada por fatores de gestão e contexto local que podem ser mais determinantes do que variáveis macroeconômicas.

Outro padrão consistente que emerge dos dados, é o "efeito-tamanho" (Lück, 2009) observado como uma correlação positiva entre escolas de menor porte (até 300 alunos) e melhores indicadores de aprendizagem. Esse padrão se manifesta transversalmente em todos os perfis territoriais, sugerindo que a escala reduzida facilita a personalização do ensino, o acompanhamento individualizado e a construção de um clima escolar mais favorável. Este achado coloca em xeque modelos de gestão que privilegiam a economia de escala através de grandes complexos escolares, indicando que políticas de redução do número de estudantes por unidade ou de criação de escolas menores podem ser estratégias eficazes para a melhoria da qualidade (Alves e Pinto, 2016; Cury 2013).

A erosão progressiva da aprendizagem ao longo das etapas escolares, com perda média de 2,4 pontos no IDESE da alfabetização ao ensino médio, configura-se como uma crise sistêmica que demanda investigação aprofundada. Essa trajetória de declínio, equivalente a regredir três anos escolares, aponta para falhas na continuidade pedagógica, deficiências cumulativas na aprendizagem e possivelmente um descompasso entre as estratégias de ensino e as necessidades dos estudantes nos anos finais.

A matemática como divisor universal de desempenho, com defasagem estrutural em relação à língua portuguesa em 100% das escolas analisadas, revela uma fragilidade pedagógica que transcende as fronteiras territoriais. Essa constante sugere a necessidade de intervenções específicas para o ensino da disciplina, que vão desde a formação inicial e continuada de professores até a incorporação de metodologias contextualizadas, capazes de superar as barreiras de aprendizagem que parecem ser consolidadas já nos anos iniciais.

Por fim, a tipologia construída demonstra que as fronteiras educacionais (Bourdieu, 2007) são mais rígidas do que as geográficas. A existência de "arquipélagos de excelência" ao lado de escolas em crise dentro de um mesmo município, evidencia que políticas homogêneas são insuficientes para lidar com realidades tão díspares. A superação dessas desigualdades exigirá, portanto, políticas educacionais profundamente contextualizadas, que levem em conta não apenas o território macro (a DRE), mas também as microrrealidades de cada escola e sua comunidade.

6. CONCLUSÃO E PERSPECTIVAS

A investigação realizada evidencia, de forma contundente, que o mapa educacional de Sergipe é um mosaico de dinâmicas territoriais complexas, onde se sobrepõem histórias, conflitos e potencialidades. Os arranjos territoriais propostos nesta análise não esgotam a realidade, mas oferecem uma lente poderosa para decifrá-la. No entanto, é crucial enfatizar que estas tipologias não são categorias estáticas ou "congeladas" no tempo. Pelo contrário, são realidades dinâmicas, submetidas a uma contínua (re)configuração, influenciada pela evolução dos arranjos territoriais (Corrêa, 2001), pela incidência (ou ausência) de políticas públicas, pela vitalidade do capital social, pelas flutuações das dinâmicas econômicas, pelos sentidos das políticas públicas e pela disponibilidade de infraestruturas.

O confronto sistemático entre a análise estatística dos dados secundários e a imersão proporcionada pelas atividades de campo mostrou-se metodologicamente indispensável. Foi essa triangulação que permitiu desvendar alguns dos mecanismos por trás dos números: a liderança pedagógica que explica a excelência em escolas no interior; a resiliência comunitária que sustenta escolas no sertão; e a segregação socioespacial que aprofunda a desigualdade de acesso no Núcleo Metropolitano. Sem este olhar, o risco de se criar políticas bem-intencionadas, mas cegas ao contexto, seria enormemente ampliado.

Diante deste cenário, as intervenções políticas devem ser tão diversas quanto os territórios que buscam transformar (Dourado, 2007; Souza, 2019). Para o Centro-Sul, a prioridade é a consolidação e a difusão de suas práticas de gestão, transformando-as em um polo de referência e formação para outras regiões. Já para o Médio-Alto Sertão, as intervenções devem focar no fortalecimento sistêmico da resiliência já existente, por meio de maior autonomia escolar com suporte técnico, currículos contextualizados e políticas de fixação docente. Na Núcleo Metropolitano e na Margem Metropolitana, é urgente uma governança intermunicipal que enfrente a segregação, com investimentos focalizados nas escolas periféricas, formação docente para os desafios urbanos e a criação de redes de proteção social integradas. Para o Agreste e Leste-Baixo São Francisco, são necessárias políticas de equalização intramunicipal, com apoio diferenciado às escolas vulneráveis e a promoção de colaboração horizontal entre unidades escolares. Além disso, há uma demanda por políticas de estabilização que protejam as conquistas já alcançadas e estratégias de disseminação de boas práticas locais, evitando retrocessos e consolidando os avanços.

Para dar continuidade a esta agenda investigativa, propõe-se uma agenda que avance em quatro frentes principais: (1) Estudos Longitudinais que acompanhem a trajetória de escolas em cada arranjo territorial para melhor compreender os fatores de mudança e permanência; (2) Pesquisas Avaliativas (Castro, 2000) focadas na implementação e no impacto de políticas públicas específicas sobre essas diferentes realidades territoriais; (3) Investigação Aprofundada sobre o "Efeito-Tamanho", analisando os limites e as possibilidades de redesenho da rede escolar; e (4) Análises sobre a Conexão Educação-Desenvolvimento Regional, explorando como as políticas educacionais interagem com as economias locais e regionais.

Concluímos, portanto, que a busca por um sistema educacional mais equitativo e de qualidade em Sergipe passa, inevitavelmente, pelo reconhecimento da diversidade territorial e pela adoção de um paradigma de gestão que seja, simultaneamente, sensível a essas especificidades e capaz de promover a necessária transformação (Tyack e Cuban, 1995) . As fronteiras educacionais podem ser rígidas, mas não são imutáveis. Cabe às políticas públicas, informadas por evidências e pelo diálogo com os territórios, atuar como força motriz para a sua reconfiguração em direção a um horizonte de maior justiça e oportunidades para todos os sergipanos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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AGRADECIMENTOS

A realização desta pesquisa e a consolidação de seus resultados somente foram possíveis graças ao imprescindível apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (FAPITEC).

Ao fomentar este projeto por meio do Edital FAPITEC/SE/SEDUC nº 04/2023, a Fundação reafirma seu compromisso estratégico com o desenvolvimento de Sergipe, investindo na produção de conhecimento científico como base para a formulação de políticas públicas mais efetivas e contextualizadas. O apoio financeiro foi determinante para a execução das atividades de campo, a aquisição de insumos e, especialmente, para a concessão de bolsas de iniciação científica, instrumentos fundamentais para a formação de novos pesquisadores e para a realização do extenso trabalho de coleta e sistematização de dados.

Estendemos nossos agradecimentos à Universidade Federal de Sergipe (UFS), instituição que tem sido o alicerce de nossa atuação acadêmica e científica; ao Grupo de Pesquisa em Geopolítica e Economia Política Urbano-Regional (GEOEPUR), pelo permanente ambiente de reflexão e colaboração interdisciplinar; e ao Departamento de Geografia, pelo suporte institucional e pelo estímulo constante à pesquisa e à extensão.

Registramos, de modo especial, o reconhecimento à dedicação e ao compromisso dos bolsistas de iniciação científica Carlos Gabriel Marques de Moura e Rute Ferreira Rosa, cuja contribuição foi essencial para o desenvolvimento das atividades de campo e para a organização dos dados que sustentam este trabalho.

O investimento no Programa de Apoio e Desenvolvimento de Políticas Públicas em Educação Básica e Profissionalizante traduz uma visão de futuro em que a educação de qualidade é reconhecida como pilar da redução das desigualdades e da promoção da justiça social em Sergipe. Os resultados aqui apresentados são, portanto, também expressão do compromisso institucional da FAPITEC e da UFS com a melhoria contínua da educação pública no estado.

Assim, reafirmamos nossos mais sinceros agradecimentos a todas as instituições e pessoas envolvidas neste processo, cujo apoio foi decisivo para compreender os padrões e dinâmicas da educação básica sergipana e para a construção de um diagnóstico consistente, capaz de subsidiar ações transformadoras em todo o território estadual.


1 Com ampla formação em Geografia, sendo Doutor, Bacharel e Licenciado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), possuo trajetória profissional dividida entre a atuação na educação básica e no ensino superior. Iniciei minha carreira como professor de Geografia e História, com mais de dez anos de experiência em redes pública e privada, incluindo passagem pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie, onde, entre 2011 e 2013, atuei não apenas como docente, mas também como autor de material didático-pedagógico. No âmbito do ensino superior, fui professor de Geografia Humana na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) de 2013 a 2019, onde atuei como professor permanente nos Programas de Pós-Graduação em Integração Contemporânea da América Latina e em Direitos Humanos. Durante esse período, exerci diversas funções de gestão acadêmica e institucional, como Chefe do Departamento de Pesquisa, Presidente do Comitê Local de Iniciação Científica, Coordenador Institucional de Iniciação Científica do CNPq e de programas junto à Fundação Araucária, além de Vice-Coordenador do Centro Interdisciplinar de Território, Arquitetura e Design (CITAD). Desde 2019, integro o corpo docente do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde tenho desenvolvido atividades de ensino, pesquisa e extensão. Na UFS, assumi a coordenação institucional de programas estratégicos de formação docente, como o Programa de Apoio Pedagógico ao Licenciando na Escola (PROLICE), o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e o Programa Nacional de Formação de Professores (PARFOR). Paralelamente, atuo como Coordenador Acadêmico do Programa de Educação Ambiental em Áreas Costeiras, fruto de convênio entre PETROBRAS e FAPESE. Mantendo vínculo colaborativo com a UNILA como professor colaborador de seu programa de pós-graduação, também coordeno o Grupo de Estudos de Geopolítica e Economia Política Urbano-Regional (GEOEPUR) e sou membro do Instituto de Pesquisa de Geografia Econômica da América do Sul (Instituto GeoLab), dedicando-me à pesquisa sobre dinâmicas territoriais, políticas educacionais e integração latino-americana. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.