DESPERTANDO O PODER DA SUSTENTABILIDADE: EDUCAÇÃO E AÇÃO PARA UM FUTURO SUSTENTÁVEL


REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10720212


Samaira Carla Wuicik¹


RESUMO
O presente artigo tem como objetivo primordial suscitar uma reflexão acerca do papel ativo que cada indivíduo pode desempenhar na promoção da sustentabilidade, enfatizando que até mesmo as mais modestas ações podem ter um impacto considerável na construção do futuro que se almeja. Em reconhecimento à educação como a mais poderosa ferramenta de transformação, propõe-se uma abordagem prática e acessível à sustentabilidade, visando desmistificar termos e conceitos complexos e fomentar a participação ativa da sociedade. Através da oferta de exemplos concretos de aplicação no cotidiano e da demonstração dos benefícios tangíveis dessas práticas, o projeto busca não apenas sensibilizar, mas também capacitar indivíduos, em especial jovens e adolescentes, para se tornarem agentes de mudança em suas comunidades e além.
No escopo da sustentabilidade, são abordados temas como Desenvolvimento Sustentável, Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), Educação Ambiental no Brasil, consumo consciente, vivências práticas para a sustentabilidade, estímulos à contemplação da natureza, educação financeira e reflexões sobre o coletivo. Esses temas interligados fornecem uma visão abrangente e prática para promover a sustentabilidade em diversas esferas da vida cotidiana.
Palavras-chave: Sustentabilidade; Educação Ambiental; Consumo Consciente; Desenvolvimento Sustentável; Engajamento Comunitário.

ABSTRACT
The main objective of this article is to encourage reflection on the active role that each individual can play in promoting sustainability, emphasizing that even the most modest actions can have a specific impact on building the desired future. By recognizing education as the most powerful tool for transformation, a practical and accessible approach to sustainability is proposed, demystifying complex terms and concepts and encouraging the active participation of society. By offering concrete examples of application in everyday life and demonstrating the tangible benefits of these practices, the project seeks not only to raise awareness, but also to empower individuals, especially young people and adolescents, to become agents of change in their communities and beyond.
In the scope of sustainability, strategic themes such as Sustainable Development, Millennium Development Goals (MDGs), Sustainable Development Goals (SDGs), Environmental Education in Brazil, conscious consumption, practical experiences for sustainability, incentives for contemplation of nature, education financial and reflections on the collective. These interconnected themes provide a comprehensive and practical vision for promoting sustainability in diverse spheres of everyday life.
Keywords: Sustainability; Environmental Education; Conscious Consumption; Sustainable Development; Community Engagement.

CONTEXTUALIZAÇÃO

Nos derradeiros anos do século XX, emergiu uma percepção crucial: a natureza transcende as capacidades das ferramentas analíticas tradicionais. A presentando-se como um sistema complexo e não-linear, suas partes interagem de maneira intricada, gerando um todo que transcende a mera soma de suas partes. Para uma compreensão completa, é fundamental adotar um novo paradigma: uma abordagem orgânica, holística e integradora (Almeida, 2002).

Essa nova compreensão da natureza é fundamental ao discutir os desafios do desenvolvimento humano. A busca pelo progresso é inerente ao indivíduo e às sociedades, evidenciando-se em diversas esferas. Contudo, é necessário reconhecer que o que muitas vezes é interpretado como avanço em uma área específica pode acarretar sérios prejuízos e consequências para outras. Desde a Revolução Industrial, o consumo tem sido considerado vital, porém surge a questão crucial: até que ponto podemos sustentar um modelo de produção onde a vida útil dos produtos está cada vez mais reduzida? Como garantir recursos suficientes para manter o atual estilo de vida, especialmente diante do crescimento populacional contínuo?

Nesse contexto, as comissões formadas para enfrentar os principais problemas ambientais do planeta e assegurar o progresso humano sem comprometer os recursos para as futuras gerações questionavam-se sobre a conciliação da atividade econômica com a conservação dos ambientes naturais. Foi então que o relatório da Comissão Brundtland, em 1983, introduziu a expressão "desenvolvimento sustentável" (Almeida, 2002).

É interessante observar que, conforme discutido por Cavalcante et al. (2021), no contexto das ciências sociais e econômicas, a sustentabilidade evoluiu para o conceito de desenvolvimento sustentável. Este é definido como capaz de suprir as necessidades da geração atual, garantindo a capacidade de atender às necessidades das futuras gerações, sem esgotar os recursos para o futuro (WWF, 2022).

O desenvolvimento sustentável, como conceito abrangente que incorpora questões ambientais, humanas e econômicas, reconhece a necessidade de equilibrar as demandas atuais com as necessidades das gerações futuras. No entanto, diante das evidências científicas que apontam para os impactos negativos do desenvolvimento desenfreado, como o aquecimento global, a desertificação e a escassez de recursos hídricos, torna-se imperativo adotar medidas imediatas de gestão que contemplem as dimensões ambiental, econômica e social (Almeida, 2002).

Nesse contexto, a abordagem preventiva da sustentabilidade surge como uma resposta essencial. Identificar os impactos positivos a serem maximizados e os negativos a serem minimizados, através de um planejamento abrangente e orientado para o curto, médio e longo prazo, é crucial para garantir um desenvolvimento verdadeiramente sustentável (Almeida, 2002).

Ademais, o desenvolvimento sustentável não se restringe apenas à preservação ambiental, mas engloba também a promoção do bem-estar social e econômico. Políticas que visam aumentar a renda, garantir o acesso aos direitos sociais básicos e reduzir o impacto da produção e do consumo sobre o meio ambiente são fundamentais para alcançar esse equilíbrio (Edwards, 2005; Boer e Tasheto, 2021). Assim, ao integrar esses diferentes aspectos, é possível construir um modelo de desenvolvimento que seja sustentável no longo prazo, atendendo às necessidades das atuais e futuras gerações de forma equitativa e responsável.

AGENDA 2030

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi concebida com o propósito de estabelecer metas claras, organizar e planejar ações para curto e longo prazos, visando alcançar resultados efetivos para o planeta. Sob o lema "transformando nosso mundo", esta agenda, iniciada em 2012 e concluída em 2015, contou com a participação de 193 nações que compõem a ONU (Organização das Nações Unidas).

Centralizada em cinco princípios fundamentais, a Agenda 2030 estabelece um guia abrangente para a promoção do desenvolvimento sustentável. O primeiro princípio, centrado nas pessoas, enfatiza a dignidade, igualdade e respeito. O segundo, voltado para o planeta, destaca a proteção, o futuro e a recuperação do meio ambiente. Já o terceiro, relacionado à prosperidade, visa garantir uma vida plena e oportunidades para todos. O princípio da paz, o quarto da lista, preconiza a justiça e a inclusão, enquanto o último, focado em parcerias, enfatiza a importância de cooperação global para um mundo melhor.

Esses princípios nortearam também a escolha dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que representam um conjunto de metas ambiciosas para enfrentar os desafios globais. No entanto, a Agenda 2030 não foi o primeiro esforço nesse sentido, visto que em 2000, os membros da ONU já haviam estabelecido os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Esses objetivos buscavam parcerias para melhorar os índices relacionados à saúde, desenvolvimento, educação, erradicar a fome e a pobreza extrema, além de promover o desenvolvimento sustentável com igualdade entre povos e gêneros.

OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO (ODM)

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) foram formulados com a intenção de direcionar esforços globais para questões cruciais, abordando desde a erradicação da fome e da miséria até a promoção da igualdade de gênero e o combate a doenças como a AIDS e a malária. Seu impacto foi notável, contribuindo para a redução significativa da pobreza em escala mundial. No entanto, apesar desses avanços, países menos desenvolvidos enfrentaram dificuldades em alcançar os objetivos de forma igualitária, evidenciando a necessidade de uma abordagem mais abrangente.

Essa percepção impulsionou a concepção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que sucederam aos ODM, estabelecendo metas quantificáveis e adotando o princípio de que "ninguém pode ficar para trás". Os ODS compartilham de muitos dos objetivos dos ODM, mas buscam uma abordagem mais inclusiva e colaborativa, reconhecendo que o alcance dessas metas requer esforços conjuntos de governos, instituições, sociedade civil e indivíduos.

A busca e a realização dos 17 ODS exigem um profundo entendimento de cada objetivo, bem como o engajamento ativo de todos os setores da sociedade. Esses objetivos não são apenas globais ou regionais, mas também têm implicações locais, afetando o ambiente de trabalho, a comunidade local e até mesmo as práticas individuais de cada pessoa. Assim, os ODS representam um caminho tangível para a contribuição de cada indivíduo na construção de um mundo melhor até 2030, onde cada experiência e esforço têm um papel valioso na realização desses objetivos. A Agenda 2030 coloca como prioridade o desenvolvimento dos mais pobres e vulneráveis, adotando como lema a garantia de que "ninguém será deixado para trás".

OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Segundo a ONU, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) compreendem 17 objetivos, desdobrados em 169 metas, organizados em quatro eixos distintos, cada um abordando uma faceta fundamental do desenvolvimento sustentável.

O primeiro eixo, de natureza social, concentra-se nas necessidades humanas essenciais, abrangendo áreas como saúde, educação, justiça e qualidade de vida.

O segundo eixo, de cunho ambiental, engloba ações e metas voltadas para a preservação e conservação do meio ambiente, incluindo a proteção da biodiversidade, o uso sustentável dos recursos naturais e a implementação de medidas eficazes contra as mudanças climáticas.

Já o terceiro eixo, de natureza econômica, aborda questões relacionadas à produção, gestão de resíduos, consumo de energia e as interações entre o uso dos recursos naturais e seu impacto na economia global.

Por fim, o quarto eixo, de caráter institucional, diz respeito à implementação prática dos demais ODS, envolvendo políticas, regulamentações e estruturas organizacionais necessárias para alcançar os objetivos estabelecidos.

Embora essas dimensões sejam distintas, elas estão intrinsecamente interligadas, e sua complementaridade é essencial para alcançar o desenvolvimento sustentável. Uma análise integrada dessa conexão revela a complexidade e a abrangência do conceito de desenvolvimento sustentável, destacando a importância contínua de sua evolução e refinamento.

Figura 1: Os objetivos do Desenvolvimento Sustentável