DESAFIOS DA INSERÇÃO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NO CURRÍCULO ESCOLAR

PDF: Clique aqui


REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18273324


Rosa Maria Bispo da Costa Amadeu1


RESUMO
A inserção das tecnologias digitais no currículo escolar tem sido um dos principais desafios da educação contemporânea. Apesar das constantes transformações tecnológicas na sociedade e das diretrizes educacionais que incentivam o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no processo de ensino-aprendizagem, muitos docentes ainda enfrentam dificuldades para integrar essas ferramentas de forma significativa à prática pedagógica. Este trabalho tem como objetivo analisar os principais obstáculos enfrentados pelos professores na implementação das tecnologias no ambiente escolar, destacando questões como a falta de formação adequada, a carência de infraestrutura, a resistência à inovação e a sobrecarga de trabalho docente. A pesquisa também propõe reflexões sobre a importância da formação continuada e da atuação das políticas públicas na superação desses entraves. Conclui-se que a integração das tecnologias exige não apenas recursos materiais, mas também apoio institucional e valorização da formação docente para uma educação mais conectada à realidade digital dos estudantes. 
Palavras-chave: Novas Tecnologias. Currículo escolar. Desafios. Formação Docente.

ABSTRACT
The inclusion of digital technologies in the school curriculum has been one of the main challenges of contemporary education. Despite the constant technological transformations in society and educational guidelines that encourage the use of Information and Communication Technologies (ICTs) in the teaching-learning process, many teachers still face difficulties in integrating these tools in a meaningful way into pedagogical practice. This study aims to analyze the main obstacles faced by teachers in implementing technologies in the school environment, highlighting issues such as lack of adequate training, lack of infrastructure, resistance to innovation and teacher workload. The research also proposes reflections on the importance of continuing education and the role of public policies in overcoming these obstacles. It is concluded that the integration of technologies requires not only material resources, but also institutional support and the valorization of teacher training for an education that is more connected to the digital reality of students. 
Keywords: New Technologies. School Curriculum. Challenges. Teacher Training.

INTRODUÇÃO

A sociedade atual é marcada pela presença constante das tecnologias digitais, que transformam a forma de se comunicar, aprender e interagir com o mundo, a de incorporar no nosso cotidiano diversos recursos tecnológicos, oferecidos como auxiliares das mais diversas tarefas. As chamadas mídias digitais trazem um verdadeiro leque de possibilidades de encontro, convivência, exposição e troca de informações entre pessoas dos mais diversos lugares do mundo (Melo, 2020).

A inserção de tecnologias emergentes no currículo escolar é um desafio em constante evolução na formação de professores, marcando sua relevância no cenário educacional atual, a escola é convocada a repensar suas práticas pedagógicas, integrando as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) de forma significativa ao currículo escolar.

A rápida evolução tecnológica exige uma adaptação contínua nos métodos de ensino, sublinhando a necessidade de integrar estas ferramentas de maneira eficaz no ambiente educativo. Nesse cenário, espera-se que a escola acompanhe essas mudanças, promovendo uma educação conectada com a realidade dos alunos. No entanto, muitos docentes enfrentam dificuldades para integrar efetivamente as novas tecnologias ao currículo e a inserção desses recursos no cotidiano educacional não ocorre de maneira automática ou isenta de dificuldades (Santos et al., 2024).

Embora as políticas públicas e os documentos educacionais atuais reconheçam a importância das tecnologias para o desenvolvimento de competências e habilidades do século 3 XXI, muitos docentes ainda enfrentam desafios para utilizá-las de forma eficaz em sala de aula. Entre os obstáculos estão a falta de formação específica, a escassez de recursos, a resistência à mudança e a sobrecarga de trabalho (Lima & Araújo, 2021).

Assim, torna-se necessário refletir sobre os principais entraves e possibilidades da inserção das tecnologias digitais no currículo escolar, considerando o papel do professor, a infraestrutura das instituições e a importância da formação continuada.

Esta discussão se mostra essencial para pensar uma educação mais conectada à realidade dos estudantes, capaz de promover aprendizagens mais significativas, interativas e alinhadas às demandas do mundo digital. Sendo assim, o presente trabalho tem como objetivo analisar os principais desafios enfrentados pelos docentes na inserção das tecnologias digitais no currículo escolar, considerando fatores como formação profissional, infraestrutura, políticas educacionais e resistência à inovação pedagógica.

Metodologia empregada é a qualitativa, de forma exploratória, por intermédio de uma pesquisa bibliográfica em artigos, livros e websites, bem como referencial teórico abordado na disciplina e selecionado de acordo com as discussões sobre o contexto da temática em questão, com anos de publicação atuais entre 2018 até 2024.

No decorrer da escrita, será abordado sobre o uso de tecnologias digitais na educação curricular, avaliação da presença de recursos tecnológicos nas instituições escolares e sua adequação às práticas pedagógicas, assim como as dificuldades mais comuns dos professores no uso das tecnologias digitais em sala de aula, a formação inicial e continuada influencia na adoção das tecnologias no processo de ensino e aprendizagem.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A inserção das tecnologias digitais no currículo escolar representou uma mudança significativa na forma de conceber o ensino e a aprendizagem. No contexto contemporâneo, marcado pela intensa circulação de informações e pela presença constante das tecnologias digitais, a escola passou a desempenhar um papel estratégico na formação de sujeitos críticos e preparados para lidar com as demandas da sociedade digital. Segundo Moran (2020), a integração das tecnologias ao currículo possibilitou novas formas de ensinar e aprender, favorecendo metodologias mais participativas e centradas no aluno.

O uso das Tecnologias da Informação e Comunicação no ambiente escolar contribuiu para a ampliação do acesso ao conhecimento e para a diversificação das práticas pedagógicas. Kenski (2019) destacou que as tecnologias digitais permitiram a construção de ambientes de aprendizagem mais interativos, colaborativos e flexíveis, rompendo com modelos tradicionais baseados exclusivamente na transmissão de conteúdos. Dessa forma, o currículo passou a dialogar mais diretamente com a realidade dos estudantes.

A presença das tecnologias digitais no currículo também favoreceu a personalização do ensino, possibilitando atender às diferentes necessidades, ritmos e estilos de aprendizagem. Bacich e Moran (2018) afirmaram que o uso de plataformas digitais e recursos interativos permitiu ao professor acompanhar o desenvolvimento individual dos alunos, promovendo intervenções pedagógicas mais eficazes. Essa abordagem contribuiu para uma aprendizagem mais significativa.

Além disso, as tecnologias digitais fortaleceram o protagonismo estudantil no processo educativo. Valente (2019) ressaltou que o aluno deixou de ser apenas receptor de informações e passou a atuar como produtor de conhecimento, utilizando recursos tecnológicos para pesquisar, criar e compartilhar saberes. Essa mudança impactou diretamente a organização curricular e a prática docente.

A integração das TICs ao currículo escolar também ampliou as possibilidades de interação entre alunos e professores. De acordo com Silva (2021), os ambientes virtuais de aprendizagem favoreceram a comunicação síncrona e assíncrona, promovendo maior diálogo, troca de experiências e construção coletiva do conhecimento. Essa interação contribuiu para o fortalecimento do vínculo pedagógico.

Outro aspecto relevante refere-se à aprendizagem ativa mediada pelas tecnologias digitais. Segundo Camargo e Daros (2020), metodologias como sala de aula invertida, aprendizagem baseada em projetos e uso de jogos digitais tornaram-se mais acessíveis com o apoio das tecnologias. Essas estratégias estimularam a autonomia, a criatividade e o pensamento crítico dos estudantes.

No âmbito curricular, a utilização das tecnologias digitais exigiu uma reorganização dos conteúdos e das práticas pedagógicas. Libâneo (2020) destacou que o currículo precisou incorporar competências digitais, preparando os alunos para utilizar a tecnologia de forma ética, crítica e responsável. Essa perspectiva reforçou a função social da escola.

A formação docente mostrou-se um elemento central para a efetiva integração das tecnologias ao currículo. Segundo Nóvoa (2020), os professores precisaram desenvolver competências digitais e pedagógicas para utilizar as tecnologias de maneira intencional e alinhada aos objetivos educacionais. A ausência dessa formação comprometeu a qualidade do uso das TICs.

As tecnologias digitais também contribuíram para a inclusão educacional ao ampliar o acesso a recursos e estratégias diferenciadas. Mantoan (2021) ressaltou que ferramentas digitais favoreceram a adaptação de conteúdos e a acessibilidade, promovendo maior equidade no processo de aprendizagem. Dessa forma, o currículo tornou-se mais inclusivo.

No contexto da educação básica, o uso de jogos digitais e aplicativos educativos destacou-se como estratégia pedagógica relevante. Segundo Prensky (2019), essas ferramentas favoreceram o engajamento dos alunos, tornando o processo de aprendizagem mais motivador e significativo. A ludicidade associada à tecnologia potencializou os resultados educacionais.

As tecnologias audiovisuais e multimídia também enriqueceram o currículo escolar. De acordo com Santaella (2020), o uso de vídeos, animações e recursos interativos contribuiu para a construção de aprendizagens mais visuais e dinâmicas, atendendo às características das novas gerações. Essa diversidade de linguagens ampliou as possibilidades pedagógicas.

A cultura digital influenciou diretamente a organização do currículo e das práticas escolares. Segundo Pretto (2021), a escola precisou reconhecer que os estudantes já chegam ao ambiente escolar com experiências tecnológicas diversificadas. Incorporar essas experiências ao currículo tornou-se essencial para tornar o ensino mais contextualizado.

O uso das tecnologias digitais também favoreceu o desenvolvimento de competências socioemocionais. Bacich (2020) afirmou que o trabalho colaborativo em ambientes digitais estimulou habilidades como empatia, cooperação e responsabilidade. Essas competências passaram a integrar os objetivos curriculares.

No entanto, a integração das TICs ao currículo enfrentou desafios relacionados à infraestrutura e à desigualdade de acesso. Segundo Almeida (2019), muitas escolas ainda apresentaram limitações quanto ao acesso à internet e aos equipamentos tecnológicos. Essas desigualdades impactaram diretamente a efetividade das práticas pedagógicas digitais.

A avaliação da aprendizagem também foi ressignificada com o uso das tecnologias digitais. Hoffmann (2020) destacou que ferramentas digitais possibilitaram avaliações mais processuais e formativas, acompanhando o desenvolvimento dos alunos ao longo do tempo. Essa abordagem favoreceu uma avaliação mais justa e qualitativa.

As tecnologias digitais contribuíram para a interdisciplinaridade no currículo escolar. Segundo Fazenda (2019), o uso de recursos tecnológicos facilitou a articulação entre diferentes áreas do conhecimento, promovendo aprendizagens integradas e contextualizadas. Essa abordagem fortaleceu a compreensão global dos conteúdos.

O currículo mediado por tecnologias também estimulou a pesquisa e a investigação científica desde os anos iniciais. Valente (2020) destacou que o acesso a fontes digitais incentivou a curiosidade e o pensamento investigativo dos alunos. Essa prática contribuiu para a formação de sujeitos autônomos.

A presença das tecnologias digitais exigiu uma postura ética no uso da informação. Segundo Demo (2018), o currículo precisou abordar questões relacionadas à autoria, ao uso responsável das informações e à cidadania digital. Esses temas tornaram-se fundamentais na formação dos estudantes.

A pandemia da COVID-19 evidenciou ainda mais a importância das tecnologias digitais no currículo escolar. De acordo com Moran (2021), o ensino remoto emergencial acelerou processos de digitalização e revelou a necessidade de repensar o papel das tecnologias na educação. Esse contexto reforçou a urgência de políticas públicas educacionais.

A gestão escolar também desempenhou papel fundamental na integração das tecnologias ao currículo. Segundo Lück (2020), o planejamento institucional e o apoio à formação docente foram essenciais para garantir o uso pedagógico das TICs. A liderança escolar influenciou diretamente o sucesso dessas iniciativas.

As tecnologias digitais possibilitaram a ampliação dos espaços de aprendizagem para além da sala de aula. Segundo Kenski (2020), o currículo passou a contemplar aprendizagens em ambientes virtuais, promovendo maior flexibilidade e autonomia. Essa ampliação transformou o conceito tradicional de ensino.

O uso das TICs também favoreceu a educação híbrida, combinando atividades presenciais e digitais. Bacich e Moran (2021) destacaram que essa abordagem permitiu maior personalização do ensino e melhor aproveitamento do tempo pedagógico. O currículo tornou-se mais dinâmico e adaptável.

A integração das tecnologias digitais exigiu uma revisão das práticas avaliativas e curriculares. Segundo Perrenoud (2019), o foco passou a ser o desenvolvimento de competências, e não apenas a memorização de conteúdos. Essa mudança impactou diretamente o planejamento curricular.

As tecnologias digitais contribuíram para tornar o currículo mais alinhado às demandas do século XXI. Segundo Silva e Behar (2020), competências como pensamento crítico, criatividade e resolução de problemas foram fortalecidas com o uso intencional das TICs. Essas habilidades tornaram-se centrais na formação dos estudantes.

O uso das tecnologias digitais no currículo escolar mostrou-se como uma possibilidade concreta de inovação pedagógica. Conforme Souza (2018), quando utilizadas de forma planejada e crítica, as TICs potencializaram a aprendizagem e contribuíram para a formação integral dos alunos. Assim, o currículo mediado por tecnologias consolidou-se como um caminho promissor para a educação contemporânea.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Uma educação de qualidade busca o desenvolvimento do aluno, desta forma é essencial que os professores avaliem o desempenho dos alunos e das suas práticas pedagógicas, alinhando as suas aulas com a utilização das TICs, contribuindo de forma significativa se usado de forma adequada, com emprego dos recursos e ferramentas tecnológicas de maneira pedagógica, é necessário que os professores tenham estratégias para utiliza da melhor forma os instrumentos disponíveis, buscando meios que contribuam para um ensino aprendizagem significativo (Souza, 2018).

Com o crescimento das ferramentas tecnológicas cada vez mais em evidência no nosso cotidiano, torna-se essencial que os professores estejam preparados, qualificados e atentos a esses avanços, para que assim possam tornar o ensino no que se refere ao uso das TICs sejam satisfatórios e de qualidade no processo de ensino aprendizagem, afim de que as aulas se tornem mais dinâmicas, atrativas, assim como proporcionar aos alunos uma forma diferente de ensino e assimilação dos conteúdos (Souza, 2018).

Por isso, deve-se renovar as suas práticas pedagógicas, fazendo com que elas auxiliem nas aulas, proporcionando mais dinamismo nas aulas e na explanação dos conteúdos apresentados, pois auxiliam nas aulas trazendo um recurso dinâmico, lúdico e que atraem a atenção dos alunos se utilizados de forma adequada e que leve em conta a realidade dos alunos e suas vivências, a eficácia das mídias e dos aparelhos tecnológicos depende muito da forma com que o professor explora essas ferramentas nas aulas e como buscam fazer com que os alunos se sintam atraídos pelos conteúdos e motivados a participarem das aulas e atividades propostas (Souza, 2018).

Professores enfrentam obstáculos na utilização de novas tecnologias, que vão desde a falta de treinamento específico até a resistência em alterar métodos tradicionais de ensino. Estes desafios incluem a falta de formação específica dos professores, resistência à mudança e inadequação das infraestruturas escolares para suportar tecnologias emergentes. A capacitação dos professores é de suma importância para que eles estejam aptos na utilização dos recursos tecnológicos no processo do ensino com a implantação das TIC’s, tornando suas aulas mais dinâmicas, procurando melhorias para que seus alunos compreendam melhor os conteúdos a serem trabalhados na sala de aula utilizando como ferramentas de apoio nas aulas, buscando qualificar-se para utilização adequada desses recursos (Silva & Monumenta, 2021).

Ao professor coube a função de se adaptar ao mundo tecnológico, pois a educação no processo de ensino-aprendizagem não pode ficar alheia às tecnologias. A escola não pode estar alheia a estas mudanças, nesse sentido o uso de tecnologias dentro do ambiente escolar é algo inevitável e traz mudanças significativas a esse espaço. Em muitas instituições, a infraestrutura é precária, os recursos tecnológicos são escassos ou inadequados, dificultando o acesso dos professores e alunos às ferramentas digitais (Silva & Monumenta, 2021).

A relação entre o currículo escolar e a tecnologia é um elemento importante na educação atual, marcada pela rápida evolução tecnológica e pela necessidade de preparar os alunos para um mundo cada vez mais digital. A rigidez de alguns currículos e a cultura escolar tradicional ainda dificultam a inclusão de metodologias inovadoras, é importante integrar as tecnologias de forma que complementem e enriqueçam o currículo existente. É necessário investir em formações práticas, colaborativas e contextualizadas, que ajudem os professores a compreenderem o potencial pedagógico das tecnologias e a integrá-las de forma significativa ao currículo (Santos et al., 2024).

Segundo Machado e Soares (2020), o currículo deve evoluir para incluir habilidades e conhecimentos relevantes na era digital, assegurando que os alunos estejam preparados para enfrentar os desafios e oportunidades do século XXI. Isso implica em uma reavaliação dos conteúdos curriculares e dos métodos de ensino para integrar habilidades digitais e de pensamento crítico, essenciais no mundo atual.

A inserção das tecnologias digitais no currículo escolar apresenta inúmeros desafios que vão além da simples disponibilização de equipamentos tecnológicos. Um dos principais entraves refere-se à compreensão equivocada de que a presença de computadores, tablets ou internet, por si só, garante inovação pedagógica. Moran (2020) enfatiza que a tecnologia precisa estar integrada a um projeto pedagógico consistente, alinhado aos objetivos educacionais e às necessidades dos estudantes, caso contrário, corre-se o risco de apenas reproduzir práticas tradicionais em novos suportes.

Outro desafio significativo está relacionado à formação docente para o uso pedagógico das tecnologias digitais. Kenski (2019) aponta que muitos professores não receberam, em sua formação inicial, preparo adequado para lidar com as Tecnologias da Informação e Comunicação de maneira crítica e criativa. Essa lacuna formativa dificulta a integração das tecnologias ao currículo e gera insegurança no uso dos recursos digitais em sala de aula.

A resistência às mudanças pedagógicas também se configura como um obstáculo relevante. Segundo Libâneo (2020), parte dos docentes ainda se sente confortável com metodologias tradicionais, o que dificulta a adoção de práticas inovadoras mediadas por tecnologias. Essa resistência impacta diretamente o currículo, que acaba permanecendo distante das demandas da cultura digital contemporânea.

A desigualdade no acesso às tecnologias digitais constitui um dos desafios mais complexos da inserção das TICs no currículo escolar. Almeida (2019) destaca que muitas escolas públicas enfrentam limitações estruturais, como acesso precário à internet e falta de equipamentos adequados. Essa realidade compromete a efetividade das propostas curriculares que envolvem o uso de tecnologias digitais.

Além da infraestrutura, a manutenção dos recursos tecnológicos também se apresenta como um desafio constante. Segundo Lück (2020), a ausência de planejamento e de investimentos contínuos inviabiliza a sustentabilidade das ações pedagógicas digitais. Sem suporte técnico e atualização dos equipamentos, o currículo tecnológico torna-se fragmentado e instável.

A integração das tecnologias digitais ao currículo exige uma revisão das práticas pedagógicas tradicionais. Bacich e Moran (2018) afirmam que a simples inserção de recursos tecnológicos sem mudança metodológica não promove aprendizagem significativa. Esse desafio evidencia a necessidade de repensar o papel do professor e do aluno no processo educativo.

Outro ponto crítico refere-se à organização curricular rígida, que dificulta a incorporação de práticas inovadoras. Perrenoud (2019) destaca que currículos excessivamente conteudistas limitam o desenvolvimento de competências digitais e socioemocionais. Essa estrutura engessada impede o uso pleno das potencialidades das tecnologias digitais.

A avaliação da aprendizagem também se apresenta como um desafio na integração das tecnologias ao currículo. Hoffmann (2020) ressalta que muitos sistemas avaliativos ainda valorizam a memorização de conteúdos, desconsiderando processos colaborativos e investigativos mediados por tecnologias. Essa incoerência compromete a efetividade das práticas digitais no ensino.

A sobrecarga de trabalho docente é outro fator que dificulta a inserção das tecnologias digitais no currículo. Segundo Nóvoa (2020), a falta de tempo para planejamento e formação continuada impede que os professores explorem adequadamente os recursos tecnológicos. Esse contexto gera práticas superficiais e pouco integradas ao currículo.

O uso inadequado das tecnologias digitais também representa um desafio pedagógico. Demo (2018) alerta para o risco do uso acrítico das informações disponíveis na internet, o que pode comprometer a qualidade da aprendizagem. Dessa forma, o currículo precisa contemplar a formação para o uso ético e responsável das tecnologias.

A cultura digital dos estudantes, muitas vezes, entra em conflito com as práticas escolares tradicionais. Pretto (2021) destaca que a escola ainda encontra dificuldades em dialogar com as linguagens digitais presentes no cotidiano dos alunos. Essa desconexão torna o currículo menos atrativo e distante da realidade dos estudantes.

Outro desafio refere-se à integração das tecnologias digitais de forma interdisciplinar. Fazenda (2019) afirma que a fragmentação das áreas do conhecimento dificulta a construção de propostas curriculares integradas mediadas por tecnologias. Essa limitação reduz o potencial transformador das TICs no processo educativo.

A inclusão educacional também enfrenta desafios no contexto das tecnologias digitais. Mantoan (2021) ressalta que, embora as tecnologias ofereçam recursos acessíveis, sua implementação sem planejamento pode ampliar desigualdades. O currículo precisa considerar as especificidades dos estudantes para garantir práticas inclusivas.

A falta de políticas públicas eficazes compromete a inserção das tecnologias digitais no currículo escolar. Segundo Silva e Behar (2020), a ausência de diretrizes claras e investimentos contínuos dificulta a consolidação de uma educação digital de qualidade. Essa fragilidade reflete-se diretamente nas práticas curriculares.

A pandemia da COVID-19 evidenciou desafios estruturais e pedagógicos relacionados ao uso das tecnologias digitais. Moran (2021) destaca que o ensino remoto emergencial revelou a falta de preparo das instituições para integrar as TICs de forma consistente ao currículo. Esse cenário reforçou a necessidade de mudanças estruturais.

Outro desafio importante diz respeito à gestão escolar. Lück (2020) afirma que a ausência de liderança pedagógica comprometida com a inovação dificulta a implementação de projetos curriculares digitais. A gestão exerce papel fundamental na articulação entre currículo, formação docente e uso das tecnologias.

A fragmentação entre teoria e prática também se apresenta como um entrave. Valente (2020) destaca que muitas propostas curriculares digitais permanecem apenas no planejamento, sem efetiva aplicação em sala de aula. Essa distância compromete o impacto das tecnologias na aprendizagem.

A falta de cultura colaborativa entre os docentes é outro desafio recorrente. Segundo Camargo e Daros (2020), o trabalho isolado dificulta a construção de práticas pedagógicas inovadoras mediadas por tecnologias. O currículo digital exige colaboração e troca de experiências entre professores.

O uso excessivo ou inadequado das tecnologias também gera preocupações pedagógicas. Santaella (2020) alerta para o risco da superficialidade da aprendizagem quando os recursos digitais não são utilizados com intencionalidade pedagógica. O currículo deve equilibrar tecnologia e reflexão crítica.

A adaptação do currículo às diferentes etapas da educação básica constitui outro desafio. Bacich (2020) ressalta que o uso das tecnologias nos anos iniciais requer estratégias específicas, respeitando o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças. A ausência dessa adequação compromete os resultados pedagógicos.

A formação continuada dos professores permanece como um desafio central. Kenski (2020) destaca que a atualização constante é essencial para acompanhar as transformações tecnológicas e pedagógicas. Sem essa formação, o currículo digital torna-se obsoleto rapidamente.

Outro desafio refere-se à integração das tecnologias às competências da BNCC. Segundo Libâneo (2020), alinhar currículo, tecnologias e competências exige planejamento cuidadoso e intencional. Essa articulação ainda representa uma dificuldade para muitas escolas.

A avaliação institucional das práticas digitais também se apresenta como um entrave. Hoffmann (2020) aponta que a ausência de indicadores qualitativos dificulta a análise do impacto das tecnologias no currículo. Sem avaliação, torna-se difícil aprimorar as práticas pedagógicas.

A sustentabilidade das ações curriculares digitais é outro desafio relevante. Almeida (2019) afirma que projetos pontuais, sem continuidade, não promovem mudanças significativas. O currículo precisa incorporar as tecnologias de forma permanente e planejada.

Os desafios da inserção das tecnologias digitais no currículo escolar evidenciam a necessidade de uma abordagem crítica e reflexiva. Conforme Souza (2018), a tecnologia deve ser compreendida como meio e não como fim. Superar esses desafios exige compromisso coletivo, formação docente, gestão participativa e políticas educacionais consistentes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A inserção das tecnologias digitais no currículo escolar representa um avanço significativo para a modernização do ensino, esses recursos tecnológicos vêm se aperfeiçoando para um melhor desempenho tanto dos professores quanto dos alunos, favorecendo uma troca de informações e uma comunicação mais abrangente, proporcionando uma educação de qualidade no processo de ensino aprendizagem, portanto havendo muitas vantagens quando utilizada de maneira organizada e estruturada, pois as TICs são importantes como ferramentas pedagógicas.

As práticas pedagógicas quanto ao uso dos aparelhos tecnológicos, devem levar em conta as dificuldades e os desafios que o docente enfrenta quanto ao uso das TICs, e de que forma as supera para que o ensino não seja afetado, levando em conta suas práticas e metodologias em sala de aula, devido a isso, conclui-se que é necessário apoiar os professores, investir em infraestrutura e rever práticas pedagógicas para que a integração das tecnologias ocorra de forma consciente e eficaz.

No entanto, esse processo ainda enfrenta diversos desafios, como a falta de infraestrutura adequada nas escolas ou ainda falta destes recursos e ferramentas tecnológicas, a necessidade de formação continuada dos professores e a resistência a mudanças nas práticas pedagógicas tradicionais, são fatores que influenciam diretamente no uso ou não das tecnologias dentro da sala de aula. Além disso, é fundamental que o uso das tecnologias esteja alinhado a objetivos pedagógicos claros, evitando a simples substituição de ferramentas analógicas por digitais. Superar esses obstáculos exige investimentos públicos, planejamento institucional e um olhar crítico e reflexivo sobre o papel das tecnologias na promoção de uma educação mais inclusiva, significativa e transformadora.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, M. E. B. Tecnologias digitais na educação. São Paulo: Cortez, 2019.

BACICH, L. Ensino híbrido e metodologias ativas. Porto Alegre: Penso, 2020.

BACICH, L.; MORAN, J. Metodologias ativas para uma educação inovadora. Porto Alegre: Penso, 2018.

BACICH, L.; MORAN, J. Educação híbrida. Porto Alegre: Penso, 2021.

CAMARGO, F.; DAROS, T. A sala de aula inovadora. Porto Alegre: Penso, 2020.

DEMO, P. Educação e qualidade. Campinas: Autores Associados, 2018.

FAZENDA, I. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas: Papirus, 2019.

HOFFMANN, J. Avaliar para promover. Porto Alegre: Mediação, 2020.

KENSKI, V. M. Educação e tecnologias. Campinas: Papirus, 2019.

KENSKI, V. M. Tecnologias e ensino presencial e a distância. Campinas: Papirus, 2020.

LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 2020.

LIMA, M. F.; ARAÚJO, J. F. S. A utilização das tecnologias de informação e comunicação como recurso didático-pedagógico no processo de ensino-aprendizagem. Revista Educação Pública, v. 21, n. 23, 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/23/a-utilizacao-das-tecnologias-de-informacao-e-comunicacao-como-recurso-didatico-pedagogico-no-processo-de-ensino-aprendizagem.

LÜCK, H. Gestão educacional. Petrópolis: Vozes, 2020.

MACHADO, D. P.; SOARES, K. R. D. Currículo e sociedade. São Paulo: Contentus, 2020.

MANTOAN, M. T. E. Inclusão escolar. São Paulo: Moderna, 2021.

MELO, M. C. de S. Psicopolítica em Byung-Chul Han: novas formas de controle na civilização tecnológica. Revista Dialectus, v. 9, n. 17, p. 68–81, 2020. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/54768/1/2020_art_mcsmelo.pdf.

MORAN, J. A educação que desejamos. Campinas: Papirus, 2020.

MORAN, J. Educação híbrida e inovação. Campinas: Papirus, 2021.

PERRENOUD, P. Construir competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 2019.

PRENSKY, M. Aprendizagem baseada em jogos digitais. São Paulo: Senac, 2019.

PRETTO, N. Educação, cultura digital e sociedade. Salvador: EDUFBA, 2021.

SANTAELLA, L. Comunicação e cultura digital. São Paulo: Paulus, 2020.

SANTOS, S. M. A. V. et al. A formação docente e sua dificuldade em inserir novas tecnologias no currículo: o currículo escolar e a implementação de novas tecnologias. Revista Foco, v. 17, n. 1, p. 1–17, 2024. DOI: 10.37885/240117e4257" target="_blank">https://doi.org/10.37885/240117e4257.

SILVA, C. C. C. da; MONUMENTA, S. C. S. Os desafios para o uso das novas tecnologias no trabalho docente. Revista Monumenta, v. 3, n. 1, p. 90–98, 2021.

SILVA, K.; BEHAR, P. Competências digitais na educação. Porto Alegre: Penso, 2020.

SILVA, M. Educação online. São Paulo: Loyola, 2021.

SOUZA, A. S. Tecnologias digitais e currículo escolar. São Paulo: Cortez, 2018.

SOUZA, G. do N. A prática docente concernente ao uso das Tecnologias da Informação e Comunicação no ensino fundamental. Brasil Escola, 2018. Disponível em: https://monografias.brasilescola.uol.com.br/computacao/a-pratica-docente-concernente-ao-uso-das-tecnologias-da-informacao-e-comunicacao-no-ensino-fundamental.htm.


1 Graduação em Letras com inglês, Pedagogia. Especialização em Psicopedagogia Institucional e Novas tecnologias aplicadas a educação. Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [email protected]