DEPRESSÃO E INTESTINO: ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE O INTESTINO E O CÉREBRO NA DEPRESSÃO

DEPRESSION AND THE GUT: ANALYSIS OF THE RELATIONSHIP BETWEEN THE GUT AND THE BRAIN IN DEPRESSION

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/790017856

RESUMO
A depressão constitui um importante problema de saúde pública e está relacionada a alterações no eixo intestino-cérebro, uma comunicação bidirecional que envolve mecanismos neurais, imunológicos, hormonais e metabólicos. Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre intestino e cérebro na depressão, com foco na microbiota e nas vias de comunicação envolvidas. Foi realizada uma revisão de literatura descritiva, considerando publicações de 2022 a 2026, identificadas nas bases PubMed, PMC, SciELO, LILACS, Google Scholar, Zenodo além de livro e documento institucional. Os estudos analisados demonstraram associação entre disbiose, inflamação, alterações na permeabilidade intestinal, metabólitos e neurotransmissores relacionados à depressão. Destaca-se o metabolismo do triptofano, especialmente pelas vias da serotonina e da quinurenina. Além disso, estresse, sintomas depressivos e antidepressivos podem modificar a microbiota e a função intestinal. Conclui-se que a interação intestino-cérebro é complexa e bidirecional, reforçando também a importância da saúde intestinal e da alimentação na prática nutricional e na compreensão multifatorial da depressão, considerando sua influência sobre processos metabólicos, imunológicos e neuroquímicos envolvidos nesse eixo.
Palavras-chave: Depressão; Microbiota intestinal; Eixo intestino-cérebro; Disbiose; Nutrição.

ABSTRACT
Depression is an important public health concern and is associated with alterations in the gut-brain axis, a bidirectional communication pathway involving neural, immune, hormonal, and metabolic mechanisms. This study aimed to analyze the relationship between the gut and brain in depression, focusing on the microbiota and the communication pathways involved. A descriptive literature review was conducted, considering publications from 2022 to 2026, identified in the PubMed, PMC, SciELO, LILACS, Google Scholar, and Zenodo databases, as well as a book and an institutional document. The studies demonstrated associations between dysbiosis, inflammation, changes in intestinal permeability, metabolites, and neurotransmitters related to depression. Tryptophan metabolism is particularly noteworthy, especially through the serotonin and kynurenine pathways. In addition, stress, depressive symptoms, and antidepressants may modify the microbiota and intestinal function. It is concluded that the gut-brain interaction is complex and bidirectional, reinforcing the importance of intestinal health and diet in nutritional practice and in understanding the multifactorial nature of depression, considering its influence on metabolic, immune, and neurochemical processes involved in this axis.
Keywords: Depression; Gut microbiota; Gut-brain axis; Dysbiosis; Nutrition.

1. INTRODUÇÃO

A depressão é considerada um dos principais problemas de saúde pública da atualidade, afetando milhões de pessoas em todo o mundo e impactando significativamente a qualidade de vida, o funcionamento social e o desempenho das atividades cotidianas (OMS, 2026). Nos últimos anos, avanços científicos têm ampliado a compreensão sobre os mecanismos envolvidos no desenvolvimento da depressão, destacando-se a relação entre o sistema gastrointestinal e o sistema nervoso central, conhecida como eixo intestino-cérebro (Moreira et al., 2023).

Esse eixo constitui uma rede complexa de comunicação bidirecional, envolvendo vias neurais, hormonais, imunológicas e metabólicas, permitindo a interação constante entre o intestino e o cérebro (Zhu et al., 2022). Alterações na composição da microbiota, condição conhecida como disbiose, têm sido associadas ao surgimento ou agravamento de transtornos mentais, incluindo a depressão (Enders, 2023, p. 9). Este estudo se concentra na análise da interação entre a microbiota intestinal e o desenvolvimento da depressão, investigando como alterações intestinais podem influenciar o funcionamento cerebral e, por sua vez, como o transtorno depressivo pode afetar a saúde intestinal (Liu et al., 2025).

Diante desse cenário, o presente trabalho busca responder à seguinte questão: como a microbiota intestinal influencia o desenvolvimento e a progressão da depressão, e de que forma o transtorno depressivo pode afetar a saúde intestinal (Naufel et al., 2023). A relevância deste estudo é evidente tanto no âmbito acadêmico quanto social e clínico. No campo da nutrição, essa investigação ganha destaque, uma vez que evidências científicas têm demonstrado a relação entre a saúde intestinal e o funcionamento do cérebro (Rebouças et al., 2022). Estudos apontam que a microbiota intestinal é capaz de produzir neurotransmissores e substâncias químicas que influenciam diretamente o funcionamento do cérebro, como a serotonina, que está relacionada à regulação do humor, do sono e das emoções (Castro et al., 2022). Nesse contexto, a alimentação é um fator determinante da saúde intestinal (Silva et al., 2024).

Apesar das evidências científicas apontarem para a existência da comunicação entre o intestino e o cérebro, ainda persistem questionamentos acerca dos mecanismos pelos quais essa relação se manifesta em quadros depressivos (Bustos-Fernández; Hanna-Jairala, 2022). Assim, investigar se e como os componentes do eixo intestino-cérebro influenciam-se mutuamente pode contribuir para a compreensão dos mecanismos envolvidos na depressão e para o desenvolvimento de abordagens nutricionais mais eficazes (Pesarico et al., 2023).

O objetivo geral deste estudo é analisar a relação entre o intestino e o cérebro na depressão, identificando fatores intestinais que possam influenciar o desenvolvimento de quadros depressivos (Faim et al., 2024). Como objetivos específicos, pretende-se compreender as vias de comunicação envolvidas no eixo intestino-cérebro, investigar o papel da microbiota intestinal na modulação de neurotransmissores e processos inflamatórios relacionados à depressão e discutir como alterações intestinais podem contribuir para o surgimento ou agravamento de transtornos depressivos e vice-versa (Zhu et al., 2022; O'riordan et al., 2025).

2. METODOLOGIA

2.1. Tipo de estudo

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão de literatura descritiva, realizada a partir do levantamento de livro, artigos e publicações científicas relacionadas à temática da relação entre o intestino e o cérebro na depressão. A revisão de literatura permitiu reunir e analisar conhecimentos já produzidos na área, possibilitando uma compreensão mais ampla acerca da interação entre a microbiota intestinal e o eixo intestino-cérebro.

Nesse contexto, o estudo buscou investigar, com base nos materiais científicos disponíveis, se há influência entre esses sistemas e de que maneira essa comunicação pode estar relacionada ao desenvolvimento ou agravamento de transtornos depressivos.

2.2. Coleta de dados

Foram utilizados artigos científicos e documentos institucionais publicados entre 2022 e 2026, relacionados à microbiota intestinal, ao eixo intestino-cérebro e à depressão. As buscas foram realizadas nas bases PubMed, PMC, SciELO, LILACS, Google Scholar/Google Acadêmico e Zenodo, além de publicações de organismos oficiais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS).

2.3. Análise de dados

Após a coleta, foi realizado o processo de identificação, triagem, seleção e inclusão dos materiais. Foram selecionados 51 materiais, dentre eles livros, artigos e publicações científicas após a triagem e exclusão dos materiais que não atendiam aos critérios estabelecidos. Destes, 44 estudos foram utilizados especificamente por abordarem a relação entre intestino e cérebro no contexto da depressão na população adulta, servindo como base para a construção do referencial teórico do presente estudo.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os estudos analisados demonstram que a relação entre intestino e cérebro na depressão apresenta caráter bidirecional, envolvendo diferentes mecanismos relacionados à microbiota intestinal, inflamação, metabólitos, neurotransmissores, eixo HPA, estresse e uso de antidepressivos. Dessa forma, os resultados permitem discutir tanto a influência de alterações intestinais sobre a depressão quanto a interferência do transtorno depressivo sobre a saúde intestinal.

Tabela 1. Síntese dos estudos sobre a relação entre o eixo intestino-cérebro na depressão e sua interfluência em humanos.

Autor (Ano)

Amostra/População

Direção da relação

Mecanismo investigado

Principais resultados

Bosch et al. (2022)

Humanos, diferentes grupos étnicos

Intestino → cérebro

Microbiota intestinal e sintomas depressivos.

Associaram alterações da microbiota a sintomas depressivos.

Natasha et al. (2026)

1.802 participantes em duas coortes

Cérebro → intestino

Antidepressivos e microbiota.

Antidepressivos associados a alterações na microbiota.

Yang et al. (2026)

420 participantes

Intestino → cérebro

Microbiota, depressão e comportamento do sono REM.

Diferenças no microbioma entre indivíduos com depressão e controles.

Nikolova et al. (2025)

49 pessoas com TDM

Intestino → cérebro

Probiótico, microbiota e citocinas.

Microbiota saudável associada a benefícios imunológicos.

Gao et al. (2023)

4.883 participantes (2.091 com depressão e 2.792 saudáveis)

Bidirecional

Alterações na microbiota intestinal, inflamação e produção de butirato.

Menos bactérias produtoras de butirato e mais pró-inflamatórias na depressão.

Gamboa et al. (2025)

24 estudos em humanos (898 participantes) e 48 estudos em animais (849 indivíduos)

Cérebro → intestino

Uso de antidepressivos e alterações na composição da microbiota intestinal.

Antidepressivos alteraram a composição da microbiota em pessoas com TDM.

Kaur et al. (2025)

224 estudos pré-clínicos e clínicos

Intestino → cérebro

Probióticos, prebióticos, simbióticos e pós-bióticos na depressão.

Melhora dos sintomas depressivos e da microbiota, inflamação e cortisol.

Rajasekera et al. (2024)

Gestantes

Cérebro → intestino

Estresse, depressão e microbiota intestinal.

Estresse e sintomas depressivos associados a alterações na microbiota intestinal.

Fonte: Autoria própria (2026).
Legenda: REM – rapid eye movement; TDM – transtorno depressivo maior; Eixo HPA – eixo hipotálamo-hipófise-adrenal; LPS – lipopolissacarídeo.

Os estudos apontam a disbiose intestinal como um dos principais fatores. Bosch et al. (2022) identificaram associação entre alterações da microbiota e sintomas depressivos, enquanto Gao et al. (2023) observaram, em indivíduos com depressão, menor presença de bactérias produtoras de butirato e maior presença de bactérias potencialmente pró-inflamatórias. Resultados semelhantes são apresentados por Oliveira et al. (2024) e Vitorino et al. (2025), que relacionam o desequilíbrio da microbiota a processos inflamatórios e alterações neuroquímicas associados à depressão.

Além da composição da microbiota, os resultados indicam que os produtos do metabolismo microbiano também podem participar dessa relação. Chen et al. (2024) destacam a participação de metabólitos relacionados ao triptofano, à via da quinurenina, aos indóis e ao LPS. Kearns (2024) relaciona alterações da permeabilidade intestinal à neuroinflamação e à ativação da via da quinurenina. Manoel et al. (2025), por sua vez, relacionam a microbiota à produção e sinalização da serotonina. Assim, os fatores intestinais relacionados à depressão não se restringem à presença ou ausência de determinadas bactérias, mas envolvem também inflamação, metabólitos e alterações na sinalização neuroquímica.

Os achados sobre a microbiota também reforçam a influência do intestino sobre o cérebro. Nikolova et al. (2025) e Kaur et al. (2025) associaram alterações na microbiota a mudanças imunológicas, inflamatórias e hormonais, acompanhadas de melhora dos sintomas depressivos. Esses resultados sugerem que a saúde intestinal pode participar da regulação de mecanismos envolvidos na depressão.

Quanto à relação das vias pelas quais a depressão influencia o intestino e o intestino influencia o cérebro, os estudos demonstram a participação de diferentes sistemas de comunicação. Entre eles estão o eixo HPA, o sistema imunológico, o nervo vago, os neurotransmissores e os metabólitos produzidos ou modificados pela microbiota. Mayer et al. (2022), Yao et al. (2023), Wang, Buffington e Salas (2024), Donoso et al. (2023) e Akif e Islam (2026) descrevem essa comunicação como bidirecional, na qual alterações intestinais podem repercutir sobre o cérebro, enquanto alterações relacionadas ao estresse e à depressão podem modificar o ambiente intestinal.

No sentido intestino-cérebro, a disbiose pode estar relacionada ao aumento de processos inflamatórios e à alteração da produção ou sinalização de substâncias envolvidas na comunicação neural. Chen et al. (2024), Kearns (2024), Manoel et al. (2025) e Patel et al. (2025) destacam diferentes mecanismos relacionados a metabólitos, neurotransmissores, inflamação e permeabilidade intestinal. Dessa maneira, os achados indicam que alterações intestinais podem alcançar o cérebro por meio de mecanismos metabólicos, imunológicos e neurais.

No sentido cérebro-intestino, os resultados destacam a influência do estresse e do tratamento farmacológico sobre o intestino. Natasha et al. (2026), em duas coortes com 1.802 participantes, e Gamboa et al. (2025) associaram o uso de antidepressivos a alterações específicas na microbiota intestinal, enquanto Sic et al. (2024) e Rajasekera et al. (2024) relacionaram o estresse e os sintomas depressivos a alterações na função intestinal e na composição da microbiota. Gamboa et al. (2025) observaram, especificamente, redução de Faecalibacterium e Parasutterella e aumento de Bifidobacterium. Esses achados reforçam que o cérebro pode influenciar o intestino tanto por mecanismos relacionados ao estresse quanto pelo tratamento da depressão.

Quanto à demonstração de se a depressão interfere no intestino ou se o intestino pode promover quadros depressivos, os resultados não sustentam uma única direção causal. Os estudos de Bosch et al. (2022), Gao et al. (2023), Yang et al. (2026), Oliveira et al. (2024), Vitorino et al. (2025), Kearns (2024) e Manoel et al. (2025) apresentam evidências de que alterações intestinais podem estar relacionadas a processos envolvidos na depressão. Entretanto, Sic et al. (2024), Rajasekera et al. (2024) e Gamboa et al. (2025) demonstram que fatores relacionados ao cérebro, à depressão, ao estresse e ao tratamento antidepressivo também podem modificar a microbiota e a função intestinal.

Essa perspectiva é reforçada pelos estudos que classificaram a relação como bidirecional. Mayer et al. (2022), Yao et al. (2023), Moura et al. (2023), Donoso et al. (2023), Wang, Buffington e Salas (2024), Chen et al. (2024), Patel et al. (2025) e Akif e Islam (2026) evidenciam uma relação bidirecional entre intestino e cérebro, na qual alterações em um sistema podem repercutir sobre o outro por diferentes vias.

Yang et al. (2026) relacionaram alterações na microbiota de indivíduos com depressão ao comportamento do sono REM, indicando que essa relação pode envolver manifestações neurocomportamentais. Nikolova et al. (2025) e Kaur et al. (2025), por sua vez, associaram a modulação da microbiota a alterações nos sintomas depressivos, reforçando a importância do intestino como possível componente da interação.

Diante dos achados analisados, observa-se que a relação entre intestino e cérebro na depressão apresenta caráter bidirecional e envolve diferentes mecanismos. As evidências indicam que alterações intestinais podem estar relacionadas a mecanismos envolvidos na depressão, enquanto fatores associados à condição depressiva também podem repercutir sobre a microbiota e o funcionamento intestinal. Assim, os resultados discutidos reforçam a complexidade dessa interação e a participação de múltiplas vias na comunicação intestino-cérebro.

4.  CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os estudos analisados evidenciam uma relação bidirecional constante entre intestino e cérebro na depressão, envolvendo alterações na microbiota, inflamação, metabólitos, neurotransmissores e mecanismos neuroendócrinos (Fim et al., 2023; Silva et al., 2024; Maciel, 2025).

Assim, como foi demonstrado, são várias as vias envolvidas nessa comunicação, sejam elas endócrinas, metabólicas ou imunológicas. Dentre elas, destaca-se a via metabólica, especialmente o metabolismo do triptofano, que participa da síntese de serotonina e da via da quinurenina, podendo sofrer alterações diante de processos inflamatórios e mudanças na microbiota (Yan et al., 2023; Du Hong et al., 2023), com consequências importantes para essa comunicação, tendo em vista que grande parte da serotonina é produzida no intestino.

A presente revisão de literatura reforça a importância da alimentação e o comportamento alimentar também se relacionam a essa interação, considerando sua influência sobre a microbiota e a saúde intestinal (Lima, Rosa e Peçanha, 2022; Vieira, 2022; Aguiar, Catarina e Almeida, 2022).

Diante do exposto, para a área da Nutrição, esses achados consolidam a importância da saúde intestinal e da alimentação na compreensão dos mecanismos relacionados à depressão, dentro de uma abordagem multiprofissional (Rebouças et al., 2022; Zeiser et al., 2024). Nota-se, da análise dos estudos, que além da comunicação ser eferente e aferente, as alterações no intestino, seja por inflamação, disbiose, permeabilidade, ou ainda, seja qual for a via, metabólica, endócrina ou imune, o intestino (SNE) irá interferir no quadro depressivo de alguma forma, assim como o quadro depressivo (SNC) interfere no intestino (Mello et al., 2022).

Apesar das evidências dessa comunicação bidirecional, recomenda-se mais estudos clínicos consistentes e padronizados, para assim aprofundar a compreensão dos mecanismos envolvidos nessa interação e suas implicações para uma prática nutricional mais assertiva.

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1 Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Orientadora do TCC, Mestre em Ciência da Saúde pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Co-orientador(a) do TCC, . Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail