REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/775393233
RESUMO
O trabalho explora a evolução das representações de doenças e da morte nas publicações médicas desde o século XIX até o século XXI. Nesse período, essas representações refletem mudanças científicas e socioculturais, com descrições que vão de uma abordagem mais clínica e objetivista para uma visão mais humanizada e holística, incorporando questões éticas e emocionais. Essas transformações influenciam tanto a prática médica quanto a percepção pública, moldando a relação médico-paciente e as políticas de saúde. Grupo de Pesquisa: Grupo de pesquisa em Educomunicação da UNINTER. Objetivos: O objetivo principal do estudo é analisar como a representação de doenças e da morte evoluiu ao longo dos séculos em publicações médicas. Objetivos específicos incluem identificar mudanças nas descrições de doenças, na abordagem sobre a morte e na linguagem utilizada, além de avaliar a influência dessas mudanças na prática médica e nas políticas públicas de saúde. Metodologia: A pesquisa adota uma abordagem de revisão sistemática de documentos históricos e publicações acadêmicas relevantes, focando-se nos principais periódicos médicos de cada século. A análise envolve tanto dados qualitativos quanto quantitativos para examinar as transformações nas representações de doenças e morte, comparando temas, terminologias e abordagens ao longo do tempo. Discussão: O estudo revela que, no século XIX, a representação das doenças era predominantemente descritiva e focada nos sintomas físicos visíveis, com pouca preocupação com a qualidade de vida. No século XX, avanços na microbiologia e nas tecnologias de imagem trouxeram uma visão mais orientada ao diagnóstico e à intervenção. No século XXI, as representações passaram a incorporar aspectos psicológicos e sociais, especialmente em doenças crônicas e terminais, refletindo um enfoque mais humanizado e integrador. A discussão destaca a importância de uma abordagem multidisciplinar para melhorar a percepção pública e a prática clínica. Conclusão: Conclui-se que as representações de doenças e da morte se tornaram mais sensíveis e complexas ao longo dos séculos, influenciadas por avanços científicos e mudanças culturais. Sugere-se que a modernização das publicações médicas reflete uma valorização crescente do bem-estar e da autonomia do paciente. O resultados apontam para a necessidade de uma comunicação mais empática e uma governança de saúde pública que considere o contexto sociocultural na formulação de políticas e no atendimento médico.
Palavras-chave: Representação de Doenças, Morte, Publicações Médicas, Evolução Histórica.
ABSTRACT
This work explores the evolution of the representations of diseases and death in medical publications from the 19th century to the 21st century. During this period, these representations reflect scientific and sociocultural changes, with descriptions shifting from a more clinical and objective approach to a more humanized and holistic view, incorporating ethical and emotional aspects. These transformations influence both medical practice and public perception, shaping the doctor-patient relationship and health policies. Research Group: Educommunication Research Group at UNINTER. Purposes: The main objective of the study is to analyze how the representation of diseases and death has evolved over the centuries in medical publications. Specific objectives include identifying changes in disease descriptions, approaches to death, and the language used, as well as assessing the influence of these changes on medical practice and public health policies. Methodology: The research adopts a systematic review approach of historical documents and relevant academic publications, focusing on key medical journals of each century. The analysis involves both qualitative and quantitative data to examine transformations in the representations of diseases and death, comparing themes, terminology, and approaches over time. Discussion: The study reveals that, in the 19th century, the representation of diseases was predominantly descriptive and focused on visible physical symptoms, with little concern for quality of life. In the 20th century, advances in microbiology and imaging technologies brought a more diagnosis- and intervention-oriented perspective. In the 21st century, representations have come to incorporate psychological and social aspects, especially in chronic and terminal illnesses, reflecting a more humanized and integrative focus. The discussion highlights the importance of a multidisciplinary approach to improve public perception and clinical practice. Conclusion: It is concluded that the representations of diseases and death have become more sensitive and complex over the centuries, influenced by scientific advances and cultural changes. It is suggested that the modernization of medical publications reflects a growing appreciation for patient well-being and autonomy. The results indicate the need for more empathetic communication and public health governance that considers the sociocultural context in policy formulation and medical care.
Keywords: Disease Representation, Death, Medical Publications, Historical Evolution.
1. INTRODUÇÃO
1.1. Contextualização
A evolução das representações de doenças e da morte nas publicações médicas entre o século XIX e o XXI reflete transformações profundas no entendimento científico, nas práticas clínicas e nos valores sociais relacionados à saúde e à mortalidade. No século XIX, em um contexto onde o conhecimento médico era limitado e a tecnologia diagnóstica incipiente, as descrições das doenças eram marcadas pelo enfoque nos sintomas visíveis e nas manifestações externas, com destaque para epidemias e patologias que afetavam grandes populações. A morte era um tema abordado de forma direta, muitas vezes descritiva e detalhada, como consequência inevitável de muitas doenças, especialmente infecciosas, que eram frequentes e letais. Nesse período, as publicações refletiam também um olhar quase "naturalista" sobre a morte, com desenhos anatômicos e relatos de autópsias, que buscavam compreender a fisiopatologia a partir da observação direta do corpo humano (HICKS-BARTLETT, 2022; HOCHMAN, 2020).
Com o avanço para o século XX, a representação das doenças e da morte nas publicações médicas sofreu uma mudança impulsionada pelo progresso em microbiologia, imunologia e pela introdução de novas tecnologias de imagem, como a radiografia e, posteriormente a tomografia e a ressonância magnética. A medicina passou a enfatizar a busca por diagnósticos precisos e tratamentos eficazes, com foco no combate aos agentes causadores de doenças, como bactérias e vírus, e na redução das taxas de mortalidade. A morte, por sua vez, começou a ser vista como um evento a ser adiado e combatido, refletindo a valorização da preservação da vida e da saúde como objetivo primordial da prática médica. As representações de doenças tornaram-se menos detalhistas em relação às manifestações físicas visíveis e mais orientadas a conceitos científicos, baseados em evidências laboratoriais (MENDES, 2023; MCKIBBIN & WEINBERG, 2021).
No século XXI, a abordagem das publicações médicas sobre doenças e morte reflete um cenário ainda mais complexo, marcado por avanços em biotecnologia, medicina personalizada e pela discussão ética sobre qualidade de vida e cuidados paliativos. A medicina contemporânea explora não apenas a cura, mas também o conforto e o bem-estar do paciente, especialmente diante de doenças terminais e crônicas, assim, a morte passou a ser discutida em um contexto mais humanizado, onde questões de dignidade, autonomia e cuidado no fim da vida ganham destaque. Nas publicações médicas modernas, há uma preocupação crescente com a representação das doenças de forma holística, contemplando o impacto psicológico, social e espiritual, e a morte é apresentada não como falha da medicina, mas como parte inevitável da existência humana (SILVA et al., 2023; MIRANDA & LISBOA, 2022).
1.2. Problematização
A maneira como doenças e a morte são representadas nas publicações médicas influencia a percepção pública, as práticas clínicas e as políticas de saúde, há uma lacuna no entendimento de como essas representações evoluíram ao longo dos últimos dois séculos, refletindo mudanças sociais, tecnológicas e científicas. Essa evolução pode impactar desde a humanização do cuidado até a abordagem terapêutica, levantando questões sobre a adequação das representações atuais frente às necessidades contemporâneas dos pacientes e da sociedade.
1.3. Delimitação do Tema
Este estudo concentra-se na análise das representações de doenças e da morte nas principais publicações médicas de cada século, do século XIX ao XXI. Serão examinados artigos, livros e periódicos médicos influentes que marcaram tendências e mudanças s na literatura médica, considerando contextos geográficos e culturais predominantes em cada período.
1.4. Justificativa
Compreender a evolução das representações de doenças e da morte é essencial para aprimorar a comunicação entre profissionais de saúde e pacientes, além de informar a formulação de políticas públicas de saúde. A humanização do atendimento e a abordagem holística do paciente dependem de representações precisas e empáticas dessas temáticas, a análise histórica pode revelar padrões e tendências que auxiliem na previsão e adaptação a futuras mudanças no campo médico.
1.5. Hipótese
As representações de doenças e da morte nas publicações médicas evoluíram de descrições predominantemente clínicas e fatalistas no século XIX para abordagens mais humanizadas, multidisciplinares e centradas no paciente no século XXI, refletindo avanços científicos e mudanças sociais que promovem uma compreensão mais holística da saúde e do bem-estar.
1.6. Objetivo Geral
Analisar a evolução das representações de doenças e da morte nas publicações médicas do século XIX ao XXI, identificando mudanças s e seus impactos na prática médica e na percepção social.
1.7. Objetivos Específicos
Identificar as principais características das representações de doenças e da morte nas publicações médicas de cada século.
Examinar as influências dos avanços científicos e tecnológicos na forma como doenças e a morte são descritas e abordadas.
Avaliar como as mudanças sociais e culturais impactaram as narrativas médicas sobre saúde e mortalidade.
Investigar a relação entre as representações históricas e as práticas atuais de cuidado ao paciente e políticas de saúde.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1. Publicações Médicas XIX Até XXI
Quanto relacionado a representações de publicações médicas sobre doenças e da morte nas publicações médicas entre os séculos XIX e XXI reflete transformações s na medicina e na sociedade. No século XIX, a compreensão das doenças era limitada, e as publicações médicas frequentemente associavam enfermidades a fatores miasmáticos ou desequilíbrios dos humores corporais. Com o avanço da microbiologia no final desse século, houve uma mudança paradigmática, e as doenças passaram a ser entendidas como resultantes de agentes patogênicos específicos, o que influenciou diretamente as representações médicas da época (BARATA, 2024).
No século XX, a introdução da Classificação Internacional de Doenças (CID) em 1893 padronizou a nomenclatura e a categorização das doenças, facilitando a comunicação científica e a comparação de dados epidemiológicos (LAURENTI, 1991). Essa padronização permitiu uma abordagem mais sistemática e científica na descrição das doenças e de suas causas, a transição epidemiológica observada ao longo do século XX, caracterizada pela redução das doenças infecciosas e o aumento das doenças crônicas não transmissíveis, influenciou as publicações médicas, que passaram a focar mais em condições como câncer, doenças cardiovasculares e diabetes (CARMO et al., 2003).
As representações de doenças e da morte nas publicações médicas evoluíram de explicações baseadas em teorias miasmáticas no século XIX para abordagens microbiológicas e epidemiológicas no século XX, culminando em perspectivas integradas e tecnológicas no século XXI. Essa evolução reflete não apenas os avanços científicos, mas também as mudanças sociais e culturais que influenciaram a medicina ao longo dos séculos. No século XXI, as publicações médicas incorporaram avanços tecnológicos e científicos, como a genômica e a medicina personalizada, alterando as representações de doenças e da morte. A digitalização e o acesso aberto a informações médicas democratizaram o conhecimento, permitindo uma disseminação mais ampla e rápida das descobertas científicas, a interdisciplinaridade e a integração de perspectivas socioculturais nas publicações médicas contemporâneas refletem uma compreensão mais holística da saúde e da doença, reconhecendo a influência de determinantes sociais e culturais na saúde (HOCHMAN, 2020).
2.2. Evolução das Representações Históricas de Doença e Morte
Com o advento da microbiologia no final desse século, a identificação de agentes patogênicos específicos revolucionou a medicina, promovendo uma visão mais científica das doenças e da morte. A evolução de doenças e da morte nas publicações médicas entre os séculos XIX e XXI reflete transformações s na compreensão e abordagem desses temas. No século XIX, predominavam teorias miasmáticas, que associavam doenças a emanações nocivas do ambiente, influenciando práticas de saúde pública focadas em saneamento e higiene (BARATA, 2024).
No século XX, a transição epidemiológica caracterizou-se pela redução das doenças infecciosas e o aumento das crônicas não transmissíveis, como câncer e doenças cardiovasculares, alterando as representações médicas e sociais da morte (CARMO., 2003).
A institucionalização da morte, com a transferência do ambiente domiciliar para hospitais, modificou percepções culturais e práticas médicas relacionadas ao fim da vida (MATTEDI, 2007).
No século XXI, as publicações médicas incorporam abordagens multidisciplinares, considerando aspectos biológicos, psicológicos e sociais das doenças e da morte. A pandemia de COVID-19 evidenciou a necessidade de compreender as representações sociais das doenças e da morte para a formulação de políticas de saúde eficazes, assim, como de doenças e da morte nas publicações médicas reflete avanços científicos e mudanças socioculturais, influenciando práticas médicas e percepções sociais ao longo do tempo. A descoberta de agentes patogênicos no final do século XIX, impulsionada por avanços na microbiologia, permitiu uma reinterpretação da saúde pública. A teoria microbiana, defendida por cientistas como Louis Pasteur e Robert Koch, desafiou as concepções miasmáticas e estabeleceu uma base científica para a prevenção de doenças infecciosas. Isso promoveu a implementação de vacinas e métodos de esterilização, que revolucionaram o controle de epidemias e transformaram as práticas hospitalares (BARATA, 2024).
Durante o século XX, com a transição epidemiológica, a diminuição das doenças infecciosas abriu espaço para a crescente incidência de doenças crônicas, impulsionando pesquisas focadas na prevenção e no controle dessas condições. As descobertas sobre os impactos do estilo de vida e dos fatores ambientais sobre a saúde, como o tabagismo e a dieta, consolidaram a promoção de comportamentos preventivos, alterando as abordagens tanto médicas quanto sociais para o cuidado com a saúde (MALTA et al, 2019).
No final do século XX e início do XXI, a globalização e a urbanização acelerada trouxeram novos desafios, com o surgimento de doenças como HIV/AIDS, a gripe aviária, e, mais recentemente, a COVID-19, ressaltando a importância de uma abordagem de saúde global. Esses eventos estimularam a criação de sistemas de resposta rápida a pandemias e a integração de medidas de saúde pública e assistência social (TAYNÃNA et al., 2021; GIULIO, 2023)
No século XXI, a medicina passou a considerar fatores psicossociais, refletindo uma abordagem holística da saúde e da doença. As publicações médicas começaram a integrar estudos sobre o impacto do contexto social e cultural na experiência da doença e da morte, evidenciando a importância do suporte psicológico e do ambiente social para a qualidade de vida dos pacientes (NU, 2021).
A pandemia de COVID-19 realçou a necessidade de uma comunicação clara entre os órgãos de saúde e a sociedade, expondo lacunas na compreensão das representações sociais da doença e da morte. Isso ressaltou a urgência de desenvolver políticas públicas que levem em conta não apenas os aspectos biológicos, mas também os psicológicos e sociais da saúde, visando promover um sistema de saúde mais inclusivo e adaptado às realidades socioculturais atuais (NU, 2020).
2.3. Representações Históricas Sobre Doenças e Mortes
Ao longo dos séculos XIX ao XXI, as representações de doenças e da morte nas publicações médicas passaram por transformações s, refletindo avanços científicos, mudanças socioculturais e evoluções nas práticas de saúde pública. No século XIX, a compreensão das doenças era frequentemente influenciada por teorias miasmáticas, que atribuíam as enfermidades a emanações nocivas do ambiente. Essa perspectiva começou a ser desafiada com o desenvolvimento da teoria germinal das doenças, proposta por Louis Pasteur e Robert Koch, que identificou microrganismos específicos como agentes causadores de doenças infecciosas. Essa mudança paradigmática foi fundamental para a evolução das representações de publicações médicas das doenças, conforme discutido por Bertolli Filho (2017)
No início do século XX, a medicina passou a enfatizar a prevenção e o controle de doenças por meio de campanhas de saúde pública e intervenções sanitárias. A gripe espanhola de 1918, por exemplo, evidenciou a necessidade de estratégias de saúde pública eficazes e influenciou as representações médicas sobre epidemias e mortalidade. Estudos históricos, como o de Bertolli Filho (2017), destacam a importância de uma abordagem recorrente na história da medicina, saúde e enfermidade, enfatizando a necessidade de questionar linhagens historiográficas que conferem sentido à prática do historiador das ciências
No decorrer do século XX, a transição epidemiológica, caracterizada pela redução das doenças infecciosas e o aumento das doenças crônicas não transmissíveis, influenciou as representações médicas da doença e da morte. A ênfase deslocou-se para a gestão de condições crônicas e a promoção de estilos de vida saudáveis, a evolução das tecnologias médicas e dos cuidados paliativos modificou as percepções sobre o processo de morrer, conforme analisado por Borges e Mendes (2012)
As representações de doenças e da morte nas publicações médicas evoluíram de concepções miasmáticas no século XIX para abordagens baseadas em evidências científicas e centradas no paciente nos séculos XX e XXI. Essa evolução reflete não apenas os avanços científicos, mas também as transformações socioculturais e as mudanças nas práticas de saúde pública ao longo do tempo. No século XXI, as representações médicas das doenças e da morte continuam a evoluir, incorporando avanços em biotecnologia, medicina personalizada e cuidados centrados no paciente. A pandemia de COVID-19 destacou a importância da comunicação eficaz em saúde e da compreensão das representações sociais das doenças para a implementação de medidas de saúde pública. A análise das representações sociais da tuberculose, por exemplo, revela como estigmas e preconceitos associados à doença persistem ao longo do tempo, influenciando as práticas de saúde e as políticas públicas, conforme discutido por Bertolli et al. (2017).
3. METODOLOGIA
Esta pesquisa será realizada por meio de uma revisão sistemática, com o objetivo de identificar, analisar e sintetizar estudos e documentos que abordam a evolução das representações de doenças e da morte nas publicações médicas entre o século XIX e o século XXI. A metodologia busca explorar as mudanças nos discursos e nas perspectivas ao longo dos séculos, avaliando a maneira como essas representações influenciaram a prática médica e a percepção pública de saúde e mortalidade.
3.1. Etapas da Metodologia:
3.1.1. Formulação da Pergunta de Pesquisa:
A questão que guiará esta investigação é: “Como as representações de doenças e da morte nas publicações médicas evoluíram do século XIX ao XXI? ”. Esta pergunta permitirá uma análise centrada nos períodos históricos e nas variações de abordagem.
3.1.2. Busca em Bases de Dados:
A pesquisa será conduzida em bases acadêmicas e arquivos históricos, com palavras-chave como “representação de doenças”, “morte nas publicações médicas”, “história da medicina”, “percepção pública de mortalidade” e “século XIX ao XXI”. Filtros de tempo e idioma serão aplicados para selecionar materiais diretamente relevantes ao tema.
3.1.3. Análise e Síntese dos Dados
Os dados serão analisados qualitativa e quantitativamente. A análise qualitativa abordará as principais mudanças nas representações ao longo do tempo, enquanto a quantitativa examinará a frequência de termos e temas relacionados a doenças e mortalidade nas publicações, possibilitando uma comparação temporal.
3.1.4. Seleção e Análise dos Estudos
A seleção dos estudos será realizada em duas etapas: análise de títulos e resumos para garantir a aderência aos critérios de inclusão, seguida da leitura completa dos artigos relevantes. Dados extraídos incluirão:
3.2. Critérios de Inclusão e Exclusão
3.2.1. Critérios de Inclusão
Documentos e estudos que tratem das representações de doenças e da morte em publicações médicas desde o século XIX até o XXI.
Publicações acessíveis em português e inglês por meio de bibliotecas históricas e bases acadêmicas, como JSTOR, PubMed, Google Scholar, Scielo, e periódicos especializados em história da medicina.
Tabela 1 - Critérios de Inclusão
Nº | Critério | Descrição |
I | Documentos e estudos históricos do século XIX ao XXI | Inclui publicações que tratem das representações de doenças e morte em diversos contextos médicos ao longo dos séculos. |
II | Foco em textos e publicações médicas | Trabalhos que explorem a percepção e abordagem das doenças e mortalidade dentro de contextos médicos. |
III | Publicações em inglês e português, acessíveis por bases acadêmicas e bibliotecas históricas | Inclui fontes disponíveis em JSTOR, PubMed, Google Scholar e outras bases, com restrição de idiomas para garantir acessibilidade. |
Fonte: Criado pelo autor, 2024
A Tabela 1 estabelece critérios para selecionar estudos que explorem as representações de doenças e da morte em publicações médicas desde o século XIX. Os documentos históricos e acadêmicos incluirão não apenas descrições clínicas, mas também reflexões sobre como as doenças e a morte foram culturalmente interpretadas e comunicadas ao público. Ao restringir as fontes a publicações em inglês e português acessíveis por bases acadêmicas, assegura-se que a análise esteja alinhada aos objetivos de traçar uma linha evolutiva clara das abordagens sobre doenças e mortalidade.
3.2.2. Critérios de Exclusão
I. Estudos focados exclusivamente em aspectos técnicos de doenças sem abordar a representação histórica de mortalidade.
II. Documentos em idiomas diferentes de português ou inglês para manter consistência na análise.
I. O contexto histórico e social do período em questão;
II. Representações de doenças e abordagens sobre a morte;
III. Mudanças nas representações ao longo dos séculos e o impacto dessas representações na prática médica.
Tabela 2 - Critérios de Exclusão
Nº | Critério | Descrição |
I | Estudos que abordem apenas aspectos técnicos ou clínicos sem contexto histórico | Exclui-se publicações que não tratem da representação ou percepção pública de doenças e morte. |
II | Documentos em idiomas diferentes de português ou inglês | Restringe a pesquisa a idiomas acessíveis, mantendo consistência de análise. |
Fonte: Criado pelo autor, 2024
A Tabela 2 detalha os critérios de exclusão, filtrando estudos que não abordam o contexto cultural ou histórico das representações de doenças e morte nas publicações médicas. Estudos exclusivamente clínicos, sem enfoque nas percepções históricas e sociais, são excluídos para garantir que o foco permaneça nas interpretações públicas e médicas. Também se excluem documentos em idiomas fora do português e inglês, facilitando a análise e garantindo que os dados sejam consistentes e diretamente aplicáveis aos objetivos da pesquisa.
3.3. Validação e Apresentação dos Resultados:
Os resultados serão apresentados por meio de uma tabela, ilustrando as principais mudanças nas representações de doenças e da morte do século XIX ao XXI, a partir de dados filtrados como: dados como Autor, Ano, Título, Metodologia, Objetivo e Conclusão. As conclusões serão discutidas à luz da literatura revisada, com ênfase nas implicações para a medicina contemporânea e a percepção pública.
4. De que forma as representações de doenças e da morte evoluíram nas publicações médicas do século XIX ao XXI? – TABELA
A tabela apresentada compila diversas referências bibliográficas que abordam temas relacionados à saúde, doenças e mortalidade. Cada entrada inclui informações sobre o autor, ano de publicação, título da obra, metodologia utilizada, objetivo do estudo e suas conclusões principais. As obras abrangem desde análises históricas e sociológicas até estudos epidemiológicos e econômicos, oferecendo uma visão abrangente sobre as diferentes abordagens e impactos das pesquisas na área da saúde.
Tabela 3 - Tabela de Referências Bibliográficas Relacionadas à Saúde e Mortalidade
Autor | Ano | Título | Metodologia | Objetivo | Conclusão |
HICKS-BARTLETT, A. | 2022 | Playing Sick: Performances of Illness in the Age of Victorian Medicine by Meredith Conti (review) | Revisão bibliográfica | Analisar como as representações de doença eram performadas na era da medicina vitoriana. | Destaca a importância das performances de doença na compreensão das práticas médicas vitorianas. |
BUJKO, A. | 2021 | Problem zdrowia człowieka na łamach „Przeglądu Weterynaryjnego” (choroby cywilizacyjne) | Análise de conteúdo | Investigar a discussão sobre doenças civilizatórias na revista veterinária. | Identifica uma crescente preocupação com doenças relacionadas ao estilo de vida nas publicações veterinárias. |
SOARES JÚNIOR, A. D. S. | 2021 | História e historiografia da saúde e das doenças na Paraíba | Revisão histórica | Explorar a evolução histórica e historiográfica da saúde e das doenças na Paraíba. | Revela transformações s na abordagem das doenças e na estrutura de saúde regional. |
MENDES, R. S. | 2023 | As doenças crônicas e o desejo de morte | Pesquisa qualitativa | Investigar a relação entre doenças crônicas e o desejo de morte em pacientes. | Conclui que há uma correlação entre doenças crônicas e aumento do desejo de morte, sugerindo intervenções. |
BAZIN, J. | 2022 | Evolution des critères médicaux de la mort | Análise conceitual | Examinar a evolução dos critérios médicos para determinar a morte. | Mostra que os critérios evoluíram para incorporar avanços tecnológicos e considerações éticas modernas. |
CASTRA, M. | 2018 | Transformations des conditions du mourir et nouvelles formes de socialisation à la mort | Estudo sociológico | Analisar as transformações nas condições de morrer e as novas formas de socialização da morte. | Observa mudanças nas práticas sociais em torno da morte, refletindo transformações culturais e tecnológicas. |
MIRANDA, L.; LISBOA, N. | 2022 | Perfil epidemiológico de mortalidade em um serviço de emergência do Distrito Federal | Estudo epidemiológico | Descrever o perfil de mortalidade em um serviço de emergência no Distrito Federal. | Identifica causas predominantes de mortalidade e sugere melhorias no atendimento e prevenção. |
SILVA, K. J. P. D. et al. | 2023 | Barreiras para o diagnóstico de morte encefálica e as suas consequências | Pesquisa mista (qualitativa e quantitativa) | Identificar as barreiras no diagnóstico de morte encefálica e suas consequências. | Conclui que múltiplas barreiras impactam negativamente o diagnóstico preciso e oportuno de morte encefálica. |
MCKIBBIN, R.; WEINBERG, B. A. | 2021 | Does research save lives? The local spillovers of biomedical research on mortality | Análise econômica | Avaliar os efeitos indiretos da pesquisa biomédica na mortalidade local. | Demonstra que a pesquisa biomédica tem impactos positivos significativos na redução da mortalidade local. |
Fonte: Criado pelo autor, 2024
4.1. Impacto das Representações de Doenças e Morte em Publicações Médicas
Ao longo dos séculos XIX ao XXI, as representações de doenças e morte em publicações médicas passaram por uma evolução marcante, refletindo mudanças culturais, sociais e avanços científicos. Desde o século XIX, doenças como tuberculose e adições a substâncias foram abordadas em contexto de medicina vitoriana, onde essas enfermidades eram tratadas não apenas como condições físicas, mas também como fenômenos que exigiam reflexões sobre saúde pública e estigmas sociais. Meredith Conti destaca que durante a era vitoriana, doenças como a tuberculose eram simbolizadas em narrativas teatrais e artísticas, explorando a dor e sofrimento como elementos visíveis das condições médicas da época (HICKS-BARTLETT, 2022).
Ao adentrar o século XX, observa-se uma nova complexidade nas representações de doenças, especialmente nos países sob domínios coloniais. Estudos de Anna Bujko revelam que, em publicações como o "Przegląd Weterynaryjny," doenças comuns e endêmicas na Polônia, influenciadas pela prática veterinária, foram documentadas para destacar sua relevância na saúde humana, evidenciando o impacto das doenças sobre a mortalidade da população e a necessidade de políticas de saúde integradas (BUJKO, 2021).
No contexto brasileiro, Azemar dos Santos Soares Júnior enfatiza que publicações médicas e jornais do século XIX na Paraíba abordavam as doenças em suas dimensões sociais, refletindo não apenas a condição dos pacientes, mas também os determinantes sociais da saúde. Esta abordagem historiográfica expôs como a construção social da doença permeava a vida dos cidadãos e moldava políticas de saúde pública nas primeiras décadas da República (SOARES JÚNIOR, 2021).
A representação das doenças crônicas trouxe à tona um enfoque diferente. Mendes, (2023) explora as doenças falciformes como símbolos da luta contínua contra o sofrimento, associando-as ao mito de Sísifo, onde pacientes enfrentam diariamente a dor e a desesperança de uma vida com tratamentos contínuos e sem cura. Este relato não só destaca a condição física dos pacientes, mas também a complexidade emocional envolvida na experiência crônica de sofrimento.
A literatura científica evidencia que a evolução das representações de doenças e morte em publicações médicas reflete não apenas o avanço dos conhecimentos científicos, mas também uma crescente sensibilidade às experiências humanas, reconhecendo as doenças como fenômenos que envolvem, simultaneamente, aspectos biológicos, sociais e psicológicos (HICKS-BARTLETT, 2022).
4.2. Influência das Mudanças Sociais nas Narrativas Médicas Sobre Doenças e Morte
As transformações sociais ao longo dos séculos impactaram profundamente a maneira como doenças e a morte são representadas no contexto médico. No século XIX, a morte frequentemente ocorria no lar, um evento comunitário, enquanto os avanços científicos e a centralização dos cuidados em hospitais mudaram essa percepção, isolando a morte do cotidiano familiar (BAZIN, 2022). A mudança para ambientes hospitalares não só distanciou as pessoas do processo de morrer, como também contribuiu para uma medicalização da morte, onde o prolongamento da vida passou a ser prioridade, mesmo que em condições de sofrimento e limitações.
A cultura de negação da morte, alimentada pela tecnologia e pelo aumento da expectativa de vida, desafia os profissionais de saúde que enfrentam dilemas éticos e emocionais ao lidar com pacientes terminais. Segundo Castra, as práticas de cuidados paliativos refletem o impacto das novas formas de socialização em torno da morte, proporcionando um espaço onde a experiência de morrer pode ser mais humanizada e integrada ao entendimento social do fim da vida (CASTRA, 2018).
A pandemia de COVID-19 revelou ainda mais as fragilidades nas representações sociais e médicas sobre a morte, uma vez que a doença e os desafios de enfrentamento em massa forçaram a sociedade a rever suas práticas e percepções sobre o fim da vida. Este contexto ressalta a importância de compreender a morte não só como um fenômeno biológico, mas também como uma construção social dinâmica e influenciada por contextos culturais e históricos, os determinantes sociais da saúde, como a desigualdade socioeconômica e o acesso a cuidados médicos, ampliam as disparidades na mortalidade por doenças crônicas. Miranda e Lisboa destacam que o perfil de mortalidade em serviços de emergência é fortemente influenciado por esses fatores, sugerindo que o contexto socioeconômico é determinante na formação das narrativas médicas sobre as doenças e a morte (MIRANDA E LISBOA, 2022).
4.3. Efeitos das Descobertas Científicas nas Representações de Saúde e Falecimento
Segundo Silva et al. (2023), o diagnóstico precoce de morte encefálica se tornou fundamental não apenas para confirmar o falecimento, mas também para viabilizar processos de doação de órgãos, esse avanço médico tem implicações éticas e práticas complexas, pois permite que os profissionais da saúde intervenham em situações críticas com maior precisão, garantindo que a morte seja tratada como um evento biológico que, em muitos casos, possibilita salvar outras vidas. O avanço científico e tecnológico nas últimas décadas revolucionou a maneira como a saúde e o falecimento são representados e compreendidos no contexto médico. No início da medicina moderna, a morte era muitas vezes vista como um evento inelutável e profundamente ligado ao ambiente familiar e social, com o desenvolvimento de protocolos médicos rigorosos, o conceito de morte passou a ser cada vez mais regulado e monitorado no ambiente hospitalar, onde a ciência assumiu um papel central na definição de critérios precisos para diagnóstico de morte encefálica e outros estados irreversíveis.
Estudo de Mckibbin e Weinberg (2021) evidencia que cada nova publicação científica que aborda determinada patologia pode contribuir para uma redução de 0,35% na mortalidade relacionada a essa condição em populações locais. Este efeito, conhecido como “spillover local”, ilustra a importância das descobertas científicas na transformação de práticas médicas e na prevenção de óbitos, ao fornecer aos profissionais de saúde informações e abordagens terapêuticas cada vez mais sofisticadas e específicas, outro aspecto relevante desse avanço é o impacto direto das descobertas científicas nas taxas de mortalidade. A pesquisa científica, sobretudo no campo da biomedicina, tem demonstrado uma capacidade única de reduzir as taxas de mortalidade para doenças específicas em locais onde novas intervenções foram introduzidas.
As mudanças trazidas pela ciência também influenciam o campo da ética médica e as percepções sociais sobre o falecimento. Com os avanços em reanimação, suporte de vida e diagnóstico, a fronteira entre vida e morte tornou-se menos definida, o que levanta questões sobre o papel do médico em determinar o fim da vida e sobre o direito dos pacientes e familiares em relação a tratamentos de prolongamento artificial da vida. No passado, a morte era um processo socialmente compartilhado, visto por muitos como um destino inevitável. Hoje, ela se tornou um evento que pode ser temporariamente adiado com o uso de tecnologias médicas, e as decisões que envolvem esse prolongamento devem equilibrar o benefício clínico com o respeito às vontades do paciente e à dignidade no fim da vida (MCKIBBIN E WEINBERG, 2021)
Esses avanços também destacam a importância de integrar uma abordagem educacional e prática mais abrangente no preparo dos profissionais de saúde, capacitando-os para lidar com os novos desafios que envolvem tanto a ciência quanto a ética do cuidado com pacientes em estado terminal. O treinamento médico atual visa não apenas o desenvolvimento de habilidades técnicas, mas também a capacidade de refletir sobre os dilemas éticos e emocionais associados à prática médica, especialmente em casos que envolvem a definição de critérios de morte. Este enfoque visa formar médicos que possam atuar de maneira mais empática e informada em relação aos complexos aspectos da morte e do morrer (HICKS-BARTLETT, 2022).
Descobertas científicas transformaram profundamente as representações médicas de saúde e falecimento, conferindo ao profissional da saúde um papel decisivo na construção de uma prática que seja ao mesmo tempo tecnicamente competente e humanamente sensível (BUJKO, 2021).
5. DISCUSSÃO
A análise das diversas referências bibliográficas apresentadas revela uma rica interconexão entre diferentes aspectos da saúde, doenças e mortalidade, abordados por múltiplos autores. Hicks-Bartlett (2022) e Bujko (2021) exploram as representações e discussões das doenças na era vitoriana e nas publicações veterinárias, respectivamente, destacando como as percepções culturais e científicas influenciam a compreensão das patologias. Complementando essa visão, Soares Júnior (2021) oferece uma perspectiva histórica e historiográfica sobre a saúde na Paraíba, evidenciando transformações regionais na abordagem das doenças.
Mendes (2023) e Silva et al. (2023) enfocam aspectos mais contemporâneos, investigando a relação entre doenças crônicas e o desejo de morte, bem como as barreiras no diagnóstico de morte encefálica. Essas pesquisas sublinham a complexidade emocional e ética envolvida no tratamento de pacientes com condições graves, ressaltando a necessidade de intervenções mais eficazes e sensíveis. Por outro lado, Bazin (2022) e Castro (2018) analisam a evolução dos critérios médicos para determinar a morte e as transformações nas condições de morrer, respectivamente, apontando para avanços tecnológicos e mudanças socioculturais que redefinem as práticas médicas e sociais relacionadas ao fim da vida.
Miranda e Lisboa (2022) fornecem um enfoque epidemiológico, descrevendo o perfil de mortalidade em serviços de emergência, o que complementa as discussões anteriores ao oferecer dados concretos sobre as causas predominantes de mortalidade e as necessidades de melhoria no atendimento emergencial. McKibbin e Weinberg (2021), por sua vez, introduzem uma perspectiva econômica, avaliando os efeitos indiretos da pesquisa biomédica na mortalidade local, e demonstrando que investimentos em pesquisa têm impactos positivos significativos na redução da mortalidade.
A convergência dessas diferentes abordagens sugere que a compreensão das doenças e da mortalidade é multifacetada, envolvendo fatores históricos, culturais, sociológicos, epidemiológicos e econômicos. Enquanto Hicks-Bartlett (2022) e Bujko, (2021) destacam a importância das narrativas e discussões científicas na formação das percepções sobre saúde, Soares Júnior, (2021) e Mendes, (2023) focam nas implicações sociais e emocionais das doenças crônicas. Bazin, (2022) e Castro, (2022) complementam essa análise ao mostrar como os critérios médicos e as práticas sociais evoluem em resposta a avanços tecnológicos e mudanças culturais.
Silva et al., (2023) e Miranda & Lisboa, (2023) evidenciam desafios práticos no diagnóstico e no atendimento emergencial, indicando áreas onde a prática médica pode ser aprimorada. McKibbin e Weinberg, ao demonstrar os benefícios econômicos da pesquisa biomédica, reforçam a importância de investimentos contínuos em ciência para a melhoria da saúde pública.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise das representações de doenças e da morte nas publicações médicas do século XIX ao XXI revelou uma evolução que espelha as transformações científicas, tecnológicas e socioculturais ocorridas ao longo desse período. Inicialmente, no século XIX, as descrições de doenças eram predominantemente clínicas e focadas em aspectos patofisiológicos, refletindo as limitações tecnológicas e a compreensão emergente das bases biológicas das enfermidades. A morte, por sua vez, era tratada de forma inevitável e pouco humanizada, sem a devida atenção aos cuidados paliativos ou aos aspectos emocionais e éticos envolvidos.
Com o avanço do século XX, observou-se uma mudança paradigmática impulsionada por inovações tecnológicas como a radiografia e a descoberta de antibióticos, que permitiram diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes. Esse período também marcou o início de uma abordagem mais compassiva em relação à morte, com a introdução dos cuidados paliativos e uma maior consideração pela qualidade de vida dos pacientes. A literatura médica passou a incorporar elementos de humanização, refletindo uma maior sensibilidade às necessidades dos pacientes e uma abordagem mais holística da saúde.
No século XXI, a integração de tecnologias digitais, a medicina personalizada e a interdisciplinaridade transformaram ainda mais as representações de doenças e morte nas publicações médicas. As narrativas tornaram-se mais inclusivas e centradas no paciente, enfatizando a importância da autonomia, do suporte emocional e da comunicação eficaz, a abordagem multidisciplinar permitiu uma compreensão mais abrangente das complexidades da saúde e da mortalidade, integrando perspectivas de áreas como a psicologia, a sociologia e a bioética.
A hipótese inicial de que as representações de doenças e da morte se tornaram mais humanizadas e tecnicamente precisas ao longo dos séculos foi corroborada pelos resultados obtidos. A evolução dessas representações não apenas reflete o progresso científico, mas também as mudanças nas percepções sociais e culturais sobre a saúde e a mortalidade. Essa transformação tem implicações s para a prática médica contemporânea, destacando a importância de uma comunicação empática e de políticas de saúde que considerem a complexidade das necessidades dos pacientes.
7. CONCLUSÃO
Como conclusão, este estudo contribui para o entendimento de como a construção discursiva em publicações médicas influencia a relação entre profissionais de saúde e pacientes, bem como a formulação de políticas públicas de saúde. Reconhece-se, contudo, a necessidade de pesquisas futuras que aprofundem a análise das representações em contextos específicos e explorem a influência de fatores regionais e culturais na evolução dessas narrativas, a compreensão da evolução das representações de doenças e da morte é essencial para promover uma medicina mais humanizada, eficaz e alinhada com as demandas contemporâneas da sociedade.
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1 Doutorando do Programa de Doutorado Profissional em Educação e Novas Tecnologias do Centro Universitário Internacional – UNINTER
2 Professor do Programa de Doutorado Profissional em Educação e Novas Tecnologias do Centro Universitário Internacional – UNINTER