CURRÍCULO OCULTO: UM MECANISMO PARA A REDUÇÃO DA EVASÃO ESCOLAR

HIDDEN CURRICULUM: A MECHANISM FOR REDUCING SCHOOL DROPOUT

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/783038300

RESUMO
O presente artigo, tem por objetivo evidenciar algumas ponderações acerca da importância de o currículo oculto ser um vetor que possa contribuir também, para redução da evasão escolar. Para tanto, iremos nos debruçar sobre a possibilidade de o currículo oculto interagir com o currículo formal, na perspectiva de a escolar interagir com a realidade do estudante com uma visão humanista e, que o estudante percebe que além da educação formal de preparação para o mercado de trabalho, a escola possa vê-lo como um sujeito, que enfrenta conflitos sociais, passiveis de interferir na sua formação educacional. Entende-se que a história da sua vivência social na comunidade, deverá interagir com o seu projeto de vida, construído para atender metas contidas no currículo formal. Para tanto, para realização deste artigo, realizamos diálogos de caráter exploratórios e, leituras de autores renomados que abordam a temática sobre currículos, bem como, o currículo oculto, a leitura objetiva fortalecer o entendimento numa perspectiva de formular reflexões que venham fortalecer a ideia de inserção do currículo oculto no cotidiano escolar, inovando às práticas e estratégias pedagógicas da Escola.
Palavras-chave: Currículo; Formação; Projeto de Vida.

ABSTRACT
This article aims to highlight considerations regarding the importance of the hidden curriculum as a factor that can contribute to reducing school dropout rates. To this end, we examine the potential for the hidden curriculum to interact with the formal curriculum, fostering a humanist perspective in which the school engages with the student's reality. This approach encourages the student to perceive that the school views them not merely as a candidate for the labor market, but as an individual facing social conflicts that can impact their educational development. It is understood that the student's social experiences within the community should intersect with their life plan—a plan constructed to meet the goals outlined in the formal curriculum. To develop this article, we engaged in exploratory dialogues and reviewed works by renowned authors addressing curriculum theory and the hidden curriculum; this reading aims to deepen understanding and foster reflections that support integrating the hidden curriculum into daily school life, thereby innovating the school's pedagogical practices and strategies.
Keywords: Curriculum; Education/Training; Life Plan.

1. INTRODUÇÃO

Nossa pretensão é abordar a importância do currículo oculto na educação, porém, precisamos inicialmente, começar a nossa narrativa falando do currículo Formal e, sua função no âmbito escolar. Sabe-se que etimologicamente a palavra currículo é de origem latina e denota corrida, nessa lógica, pode-se dizer que a palavra “corrida” quer dizer que o currículo traçar um caminho em que o aluno deve percorrer com o objetivo de alcançar ao final da caminhada, um novo conhecimento, conforme aborda Lopes e Macedo; 2011: o currículo é: “Ideia de organização, prévia ou não, de experiências/situações de aprendizagem realizada por docentes/redes de ensino de forma a levar a cabo um processo educativo”.

Portanto, faz-se necessário evidenciar que a organização das matrizes curriculares da escola fundamenta-se na Base Nacional Comum Curricular - BNCC, a qual contém um contíguo de habilidades que representa as primazias norteadoras do ensino, bem como, define as diversas áreas educacionais, em que a escola deverá atuar, contemplando a elaboração projeto do pedagógico; a produção de materiais didáticos; produção de mídias educacionais de processos de avaliação, formação docente, etc.

Abordar o tema currículo de forma abrangente, se faz necessário registrar que às disciplinas; conteúdos e carga-horária, segue diretrizes sem a construção de debate com todos que fazem a educação acontecer. Posto isto, é o currículo que define o que os docentes devem repassar para seu corpo discente. Para tanto, temos a BNCC, como documento orientador da educação e organizadora do conhecimento, que traz no seu escopo elementos norteadores que a rede de ensino deve basear-se para a elaboração do projeto pedagógico. Destacar-se que, a elaboração da Base Nacional Curricular Comum - BNCC, inicialmente prevista na constituição de 1988, em seguida integra a Lei de Diretrizes e Base em 1996, para consolidar-se no Plano Nacional de Educação – PNE em 2014. Em 2015 surge a primeira versão que passa por consultas públicas e debates, chegando à homologação final em 2017, contemplando as modalidades de ensino: Infantil/Fundamental e em 2018 o Médio, pelo MEC, tendo como objetivo integrar os aprendizados essenciais na educação básica.

Uma inovação ao elaborar a BNCC, foi a inserção do “projeto de vida do estudante”, que tem como objetivo despertar no discente quais seus sonhos futuros no tocante a continuação dos estudos e, deixando sob responsabilidade da escola desenvolver ações que venha contribuir com o desenvolvimento e o protagonismo do estudante. Essa inserção direciona o professor a conhecer os anseios e perspectiva do seu corpo discente.

Portanto, nessa linha de raciocínio, acredita-se que ao questionar sobre o projeto de vida do discente na área acadêmica é, uma oportunidade de conhecer também, de consultar sobre sua realidade e vivência social em comunidade, pois dessa forma, oportuniza a gestão pedagógica, a inserção de conteúdos que possam contribuir para o desenvolvimento pessoal e social do estudante e, em alguns casos, afastá-lo de ações que possam contribuir para a desistência de conclusão do curso. Trazer para o ambiente escolar a sua história de vida, seja pessoal e comunitária ou na perspectiva acadêmica é, um diferencial positivo no Currículo formal, o qual projeta-se a atender unicamente as diretrizes da BNCC. Dito isto, entendemos que o Currículo Real ou o formal é o que está realmente em ação e, o Currículo Oculto, que alguns educadores chamam de currículo “implícito” este não está revelado nos componentes curriculares, porém ele faz parte do cotidiano dos estudantes e, são conhecimentos que fazem parte do processo de desenvolvimento da pessoa na cultura e território de pertencimento. Sendo gestado na vida e nos espaços extramuros da escola, podem ser referencias relevantes na vida do sujeito em desenvolvimento, necessariamente não podem ser julgados como empecilhos no processo educacional, é necessário cuidado e contextualização com cada um dos educandos.

Então, a existência de diferentes tipos de currículos, entre eles, está o oculto, o qual pretendesse destacar neste trabalho a importância da transversalidade deste no ambiente escolar e, que os profissionais da educação, devem considerar que a formação do seu discente para que seja integral, faz-se necessário mergulhar no mundo dos seus alunos e alunas, com vistas a construir novos conhecimentos que venham agregar valores para os estudantes sejam social ou acadêmico, pois conforme consta na Lei de Diretrizes e Bases da Educação que: [...] a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”. O artigo 3º indica a obrigatoriedade de o ensino ser ministrado sob os princípios do “pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, valorização da experiência extraescolar” e “da vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais”

Conforme aborda JESUS; 2020) “O currículo oculto representa tudo o que os alunos aprendem diariamente em meio às várias práticas, atitudes, comportamentos, gestos, percepções, que vigoram no meio social e escolar”, são essas vivências que poderá impossibilitar a concretização do seu projeto de vida, que será considerado apenas para a sua trajetória educacional, conforme diretrizes contidas na BNCC, o projeto de vida está unicamente vinculado a perspectivas futura na área educacional, bem como, voltado para o mundo do trabalho. Diante deste entendimento é, que pretendemos avançar no debate da importância do currículo oculto e sua transversalidade com o projeto de vida e que nesse projeto de vida, diálogo com o histórico do discente no seu cotidiano social, na perspectiva da inserção de conteúdo que contemple temáticas sociais da vivência do discente, pois defendemos que uns do motivo da evasão poderá estar associado ao seu cotidiano em comunidade. Isto posto, nos leva a evidenciar que o currículo oculto seja na formação propedêutica de um componente curricular ou na formação humanista do discente, mesmo não estando prescrito, ele está na educação formal e que o conhecimento vivenciado por um aluno ou aluna, deverá ser inserido nos conteúdos curriculares.

Para elaboração deste artigo, nos debruçamos numa pesquisa bibliográficas acerca da temática do currículo oculto, bem como, a legislação que nortea a implantação do currículo oculto na educação formal. Para tanto, iniciamos pela LDB, lei 4.024 de 1961, que fixa as primeiras diretrizes para a educação brasileira, nessa linha do tempo, procurou-se pesquisas as resoluções do Conselho Nacional de Educação, que tem como uma das competências assessorar na formulação de políticas públicas e diretrizes da educação, até desembargar na Resolução CNE/CP nº 2, de 22 de dezembro de 2017 – que define e orienta a implantação da Base Curricular Comum, inclusive define o que os alunos devem aprender em cada etapa do ensino. Como ainda não foi totalmente consolidado a implementação da BNCC, percebe-se a aprovação de outras a resoluções que complementa e define diretrizes especificas para cada etapa do ensino e, no tocante ao ensino médio, essa etapa encontra-se em fase consultas

2. DESENVOLVIMENTO

Para discorrer sobre o currículo oculto, é fundamental aborda sobre os demais tipos de currículos, pois conforme aborda VANTROBA E LOPES; 2024; p.02) o Currículo, “desdobrou-se no sentido de constituir a ordem e a organização de conteúdos elencados à carreira do estudante e aquilo que deverá aprender”. Então, destaca-se aqui que essa narrativa encaixa perfeitamente no currículo que, ao ser elaborado por uma equipe pedagógica ele praticamente determina o que será repassado para o corpo discente, não há uma investigação do nível dos seus estudantes, apenas é elaborado e colocado em prática, já os demais tipos de currículos permitem a inserção de conteúdos relacionados a vivência dos estudantes, para isto, vamos discorrer sobre alguns tipos de currículos e suas diferenças, tais como: Currículo Formal; Currículo Real; Currículo Nulo; Extra Currículo e, o Currículo Oculto ou Implícito:

  • Currículo formal/oficial/Prescrito: Conforme aborda MACHADO & PAIM (2024), é aquele que é elabora fora do ambiente escolar, que atende todas as diretrizes pré-estabelecida pelas autoridades competentes e, bem como, às diretrizes curriculares, que segue às normas e regras oficias da Base Nacional Comum Curricular referente a Educação Infantil, Educação Fundamental, Ensino Médio; além das Diretrizes Curriculares relacionadas as modalidades educacionais e as normas educacionais provenientes de ratificações implementadas pelo país e novas legislações.

  • Currículo Real (Em Ação): Entende que nem sempre o planejado é colocado em prática, então conforme aborda MACHADO & PAIM (2024), é possível ocorrer adaptações, realizada pelo corpo docente e pedagógico às quais passam a serem colocados em prática, com a finalidade de amoldar o plano formal à realidade dos estudantes, utilizando os recursos disponíveis; numa perspectiva de contemplar as vivências e aprendizagens concretizadas pelos estudantes.

  • Currículo Nulo: De acordo com (LIMA; 2023), ou currículo vazio, cuja as disciplinas aparentemente não são essenciais, podendo ser descartável e, às instituições de ensino tem o poder discricionário de rever as matrizes curricular e, após revisão, alguns assuntos ou conteúdos podem serem retirados ou substituídos, pela gestão pedagógica da unidade de ensino.

  • Extra currículo: Conforme aborda (LIMA; 2023), os conteúdos abordados não compõem o currículo formal, são atividades “extra” e não estão contempladas na obrigatoriedade, os conteúdos são planejados de forma que contribuam para a formação do estudante.

  • Currículo Oculto (Implícito): De acordo com (LIBÂNIO; 2004), o currículo Oculto é tudo que não está explícito, porém refere-se aos aprendizados não explicitados no planejamento e, são influências culturais, atitudes, comportamentos, relações de hierarquia e valores transmitidos pela convivência no ambiente escolar, sem constar no planejamento formal.

Seja a legislação proveniente de novos marcos jurídicos, seja aquela originada a partir de convenções internacionais estas normas quando relacionadas ao campo da educação também poder ser incorporadas ao currículo. Um exemplo, ocorre com a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (1965), a Lei nº 7.716/1989 que define e pune os crimes resultantes de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância (2013), a Lei 10.639/2003 alterou a LDB para tornar obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira em todas as escolas de educação básica no Brasil, a Lei nº 11.645/2008 sobre o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena, o Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana Resolução (CNE/CEP 01/04). A partir das normas e legislações educacionais são criados e implementados planos e programas objetivando dar concretude na política educacional, como: Programa Nacional de Ações Afirmativas (2002), Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (2003), o Programa Brasil Quilombola (2004), Plano Juventude Negra Viva (2013), Programa Mais Igualdade (2025), dentre outros.

Os direitos legalmente conquistados então, atravessam a vida escolar e o currículo exigindo políticas de formação continuada e de material didático que possam dar suporte para que o sistema de ensino corresponda do ponto de vista do direito, aos princípios e direitos afirmados pelo Estado Democrático de Direito.

A democracia é um regime político que tem como princípio básico, o respeito às leis e o horror aos privilégios, de modo que a ampliação e a conquista de novos direitos impactam tanto na forma de enfrentamento da violação como na forma de criar mecanismos de prevenção e educação que possam mudar padrões de violência. O currículo oculto não fica isento dessa questão, ao contrário, ele revela expressões e linguagens presentes, porém muitas vezes invisibilizadas no espaço escolar.

Alguns tipos de currículos e, precisamente no currículo oculto, no qual fica claro a possibilidade da inserção de conteúdo não planejados na matriz curricular formal, durante o período letivo, numa perspectiva de inserir temática que dialogue com a realidade do aluno/a, objetivando a transformação social e acadêmica. Por outro lado, é imprescindível, que o ambiente acadêmico traga para o debate temáticas da realidade social, territorial e cultural da comunidade escolar, a exemplo, da violência, o uso de entorpecentes e demais derivados que possam contribuir para formação do aluno/a, bem como, no seu rendimento escolar ou mesmo evitar a desistência ou evasão. A formação continuada, é, portanto, um elemento relevante de atualização dos educadores, assim como, da escola que é chamada a dar respostas para questões sociais.

Entretanto, ressaltamos a importância dos profissionais da educação, principalmente da área pedagógica rever o propósito do Projeto de Vida numa perspectiva de contemplar a vida social em comunidade dos estudantes, que possibilite aos docentes lecionar interagindo com a realidade dos seus alunos, para que isso ocorra se faz necessário que haja mudanças nas diretrizes do Projeto de Vida, uma vez que, o mesmo só contempla a vida acadêmica. É fundamental que no projeto de vida, o discente evidencie seus anseios acadêmicos, bem como, os aspectos sociais da sua comunidade, incluindo relatos que possam evidenciar a realidade da comunidade, pois o mundo das atividades ilícitas, tem cooptado esses jovens, conforme aborda (LIMA; LASNEAU; 2022), o consumo de drogas é uma tribulação da sociedade e, na conjuntura atual é um estorvo de saúde pública que causa sérios problemas em nossa sociedade afetando diretamente a população mais jovem.

Portanto, entende-se que após a compilação das informações do projeto de vida e o panorama da sua realidade social, cabe à equipe pedagógica e docentes, inserir na rotina acadêmica, conteúdos e ações com temas transversais que dialogue, além das perspectivas acadêmica, com a vivência em comunidade desses estudantes, numa perspectiva de reduzir as possibilidade da desistência estudantil, pois conforme a Base Nacional Curricular Comum, que: “estabelece em definitivo o abandono da lógica curricular vertical de “distribuição”, nessa linha de raciocínio é possível inserir no currículo temáticas que possam valorizar a inclusão do estudante na construção de seu conhecimento, seu projeto de vida e na sua formação enquanto cidadão, a partir do desenvolvimento de competências e habilidades em cada período escolar.

Porém, percebe-se que isso não ocorre num passe de mágica, o profissional necessita de uma formação para desenvolver essas competências e habilidades. Diante deste entendimento, avançamos na pesquisa, quando conseguimos identificar historicamente as legislações que vêm sendo implementada com vistas a formação docente, vejamos a linha do tempo em que os órgãos competentes vêm trabalhando para o avanço no processo educacional, quando se fala de currículo e, ente este, está o currículo oculto, qual seja, a Resolução CNE/CP nº 2, de 20 de dezembro de 2019 - Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores para a Educação Básica e institui a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação). Dentre as orientações, encontra-se a necessidade dos professores debruçarem sobre a importância de o currículo oculto ser trabalhado no âmbito educacional.

As diretrizes, ainda traz no seu escopo quais a competências que os profissionais da educação devem desenvolver para que estejam aptos a trabalhar o protagonismo estudantil, pois entende-se que é fundamental conhecer a realidade do discente e com vistas a formação integral do estudante, pois ele/a para a escola uma bagagem de conhecimento e, nesse perspectiva de atender os eixos norteadores da BNCC, será imprescindível a transversalidade entre os componentes curriculares formal com a aprendizagem da vivência social do aluno. Acredita-se que esse entrelaçamento, viabilizará ao discente a oportunidade refletir sua realidade e, ao mesmo tempo, apropriar-se de conteúdos significativos, o qual poderá motivá-lo a aprofundar-se no estudo e, ao mesmo tempo, despertá-lo que a educação formal contribuirá para seu desenvolvimento pessoal e profissional, como também, uma formação Cidadã integral.

Diante desse entendimento o profissional da educação tem o compromisso também de disseminar os componentes curriculares ao alcance de todos os estudantes, considerando a cultura e o seu projeto de vida, bem como, o conhecimento apreendido no cotidiana da sua história de vida, pois essas vivências influenciam no ambiente educacional.

Portando, a BNCC ainda traz nas diretrizes a necessidade de o professor passar por um processo de formação objetivando o desenvolvimento de novas competência e habilidades, quem venham viabilizar a concretização de uma formação cidadã dos alunos.

Destacamos os itens que são necessárias para uma formação diferenciada e norteadoras para esse novo modelo de prática docente:

  • Valorização do conhecimento para entender a realidade e continuar aprendendo;

  • Curiosidade intelectual e capacidade de investigação, reflexão, análise crítica, imaginação e criatividade;

  • Valorização das manifestações artísticas e culturais; domínio das linguagens verbal, corporal, visual, sonora, digital, artística, matemática e científica;

  • Compreensão para utilizar e criar tecnologias digitais de informação;

  • Conhecimentos para entender as relações do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas à cidadania e ao projeto de vida;

  • Capacidade de argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis com espeito aos direitos humanos e a consciência socioambiental;

  • Autoconhecimento e cuidado com a sua própria saúde física e mental;

  • Exercício da empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação;

  • Autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação para agir com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidário.

Considerando os conteúdos norteadores para a formação docente, percebe-se poderá ser um desafio para o profissional da área educacional, interagir conteúdos formais que contemple o projeto de vida e conhecimento adquiridos extramuros trazidos na bagagem do aluno para o ambiente escolar, bem como, as raízes culturais dos alunos.

Espera-se que a educação brasileira, efetive ações que venham trabalhar o protagonismo do discente a partir do projeto de vida de cada um, pois essa mudança em algumas vezes na prática não se consolida, são apenas retóricas, para ratificar nossa fala, vejamos o que os autores: Fusinato e Kraemer (2003), abordam:

A escola é uma instituição naturalizada nas sociedades contemporâneas. A maioria dos discursos ressalta seu papel social, enquanto instituição responsável pela formação do ser humano para a vida em sociedade, seu ser moral, suas competências intelectuais e profissionais. Mas parece faltar aos discursos sobre a escola, em grande medida, uma postura crítica mais sincera acerca dos processos de sujeição e rotinização dos conhecimentos e das relações nas práticas escolares.

Entende-se que a falta dessa postura crítica por meio do processo de avaliação em relação ao desenvolvimento do aluno, esse protagonismo enunciado em legislação, permanece apenas no papel e a prática tudo continua sem alterações, não havendo o tão esperado protagonismo discente.

3. CURRÍCULO OCULTO E A EVASÃO ESCOLAR: UM VETOR DE REDUÇÃO

Argumentamos a importância do currículo oculto como um dos fatores de redução da evasão escolar, pela dinâmica com que abre possibilidades de inserção de conteúdos que não estão implícitos no currículo formal que converse com a realidade dos estudantes e suas perspectivas de vida em sociedade. O ambiente escolar de nível médio, deverá contemplar temáticas que oportunize ao estudante refletir como seu cotidiano social, pois sabe-se que uma parcela dos estudantes de escolas públicas, em sua maioria não tem o acompanhamento dos pais em decorrência da maioria terem de trabalhar em tempo integral e, os filhos ficam em casa sem o acompanhamento dos genitores, conforme aborda (SILVA;2019) é um percentual de 46%, que dependem unicamente da Escola para orientá-los. Não pretendemos transferir para a instituição escolar a responsabilidade da educação doméstica, porém, compreende-se que esses jovens são forte candidatos a serem influenciados a desistir da escola, causando a evasão escolar.

Por outro lado, entende-se que a evasão escolar ou o abandono, causa sérios problemas sociais na trajetória social dos sujeitos. Em estudos realizados por Silva e Gueresi (2003) sobre o perfil dos adolescentes em conflito com a lei, confirmou haver na história de vida destes jovens um processo de exclusão social em desdobramento, com o afastamento da escolarização. Nesse sentido, ressaltamos ainda que, o abandono e a evasão escolar, retira uma condição importante de acesso a cidadania, na medida que vulnerabilizados ficarão em situação de risco social propenso a envolver-se com o mundo da ilicitude, o que gera um problema social.

O direito à educação é condição para o cidadão poder acessar outros direitos e ainda, assegurar seu processo de desenvolvimento pessoal e social. Por outro lado, a evasão traz para cena pública uma questão para gestão pública dos recursos da educação, uma vez que, a liberação de recursos financeiros para às unidades escolares por parte do Ministério da Educação e demais instâncias competentes, baseiam-se no número de matrículas e concluintes. Então é fundamental a gestão desenvolver métodos que possam contribuir na erradicação do abandono ou da evasão escolar.

Por outro lado, a evasão ou desistência, nessa faixa etária, influência de forma negativa nos resultados da gestão escolar, bem como, para a sociedade em geral, conforme dados do censo escolar apresentado pelo (MEC/INEP;2024), no ensino médio foram contabilizados 7,7 milhões de matrícula efetivada em 2023, constando uma redução no número de matriculados em relação a 2019, contabilizando um percentual de 2,4%. A constatação desse índice é preocupante por não termos quais os reais motivos dessa redução e, qual o destino desses jovens que deixaram de efetivar as matrículas. Portando, retificar-se a relevância da escola interagir com a comunidade dos seus jovens estudantes, numa perspectiva de envolvê-los cada vez mais nas ações da escola. Para tanto é de suma importância a transversalidade do currículo oculto com o currículo formal o Real.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

As narrativas teóricas que discorremos sobre os diversos tipos de currículos e sua correlação com o projeto de vida dos estudantes, conforme diretrizes da BNCC, evidencia a importância do diálogo entre o currículo oculto e o currículo formal, ou seja, confirma a necessidade da gestão pedagógica escolar, promover mudanças no currículo formal, com a inserção de temáticas que fazem parte do cotidiano do estudante cuja a finalidade é promover aprendizagens significativas para a vida social do estudante.

Pois ao estudar o contexto histórico do currículo e do pedagógico nas legislações brasileiras, percebe-se que os mesmos são permeados de ideias, estimas e concepções diferenciadas no tocante ao educacional que, o qual prepara os jovens para vida acadêmica e não social. sendo assim, é imprescindível que os órgãos responsáveis pela elaboração e planejamento das políticas públicas educacionais, analise a necessidade de revisão curricular em desenvolvimento no chão das escolas, pois entendemos que os conteúdos socializados, instruem os jovens diretamente para formação acadêmica e não os preparam para os enfrentamentos da realidade e conflito social na atual conjuntura.

Por outro lado, entende-se que, quando o projeto pedagógico é organizado contemplando a vivência social do estudante, viabiliza aos mesmos a oportunidade de analisar, investigar, e formular hipótese que possam direcioná-lo para uma vida saudável em sociedade.

Portanto, defendemos que o contexto histórico social do estudante em comunidade, seja de conhecimento da equipe pedagógico, na perspectiva de que esse conhecimento desvende a necessidade da implementação de ações que venham evidenciar valores e concepções os quais possam despertar no estudante outras perspectivas de vida em sociedade.

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1  Doutoranda em Ciências da Educação – E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.