COOPERAÇÃO MULTIPROFISSIONAL EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NA PANDEMIA DE COVID-19: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

MULTIPROFESSIONAL COLLABORATION IN INTENSIVE CARE UNITS DURING THE COVID-19 PANDEMIC: AN INTEGRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/787430532

RESUMO
A pandemia de COVID-19 impactou significativamente os sistemas de saúde, especialmente as unidades de terapia intensiva (UTI), exigindo reorganização dos serviços e fortalecimento da atuação multiprofissional. Objetivou-se analisar a produção científica sobre a cooperação entre enfermagem, farmácia, fisioterapia, psicologia e serviço social em UTI durante a pandemia. Trata-se de revisão integrativa realizada nas bases PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde, LILACS e Google Acadêmico, utilizando os descritores Pandemia Covid-19; Unidade de terapia intensiva; Equipe multiprofissional; Infecção por vírus Covid-19. Foram incluídos estudos publicados entre 2020 e 2026, nos idiomas português e inglês, conforme recomendações do PRISMA 2020. Identificaram-se 12.005 estudos, sendo 56 incluídos na amostra final. Os resultados evidenciaram que a cooperação multiprofissional contribuiu para reorganização assistencial, fortalecimento da comunicação interprofissional e qualificação do cuidado ao paciente crítico. Também foram identificados desafios como sobrecarga de trabalho, desgaste emocional e limitações estruturais. Conclui-se que a atuação multiprofissional foi essencial para qualificar a assistência intensiva durante a pandemia.
Palavras-chave: Pandemia Covid-19; Unidade de terapia intensiva; Equipe multiprofissional; Infecção por vírus Covid-19.

ABSTRACT
The COVID-19 pandemic has significantly impacted healthcare systems, particularly intensive care units (ICUs), requiring the reorganization of services and the strengthening of multidisciplinary collaboration. The objective was to analyze the scientific literature on collaboration between nursing, pharmacy, physical therapy, psychology, and social work in ICUs during the pandemic. This is an integrative review conducted in the PubMed, Virtual Health Library, LILACS, and Google Scholar databases, using the search terms COVID-19 pandemic; Intensive care unit; Multidisciplinary team; COVID-19 virus infection. Studies published between 2020 and 2026, in Portuguese and English, were included, in accordance with the PRISMA 2020 guidelines. A total of 12,005 studies were identified, with 56 included in the final sample. The results showed that multiprofessional cooperation contributed to the reorganization of care, strengthened interprofessional communication, and improved the quality of care for critically ill patients. Challenges such as work overload, emotional burnout, and structural limitations were also identified. It is concluded that multiprofessional collaboration was essential for improving the quality of intensive care during the pandemic.
Keywords: COVID-19 pandemic; Intensive care unit; Multidisciplinary team; COVID-19 virus infection.

1. INTRODUÇÃO

A pandemia causada pelo COVID-19 configurou-se como uma das maiores emergências sanitárias contemporâneas, produzindo impactos expressivos nos sistemas de saúde em escala mundial. O elevado número de casos graves e a rápida progressão clínica da doença ocasionaram superlotação hospitalar, especialmente nas unidades de terapia intensiva (UTI), exigindo reorganização dos serviços, ampliação estrutural e reformulação das práticas assistenciais. Nesse cenário, o cuidado ao paciente crítico tornou-se ainda mais complexo, demandando integração entre diferentes áreas profissionais para garantia de assistência segura, resolutiva e humanizada (Pagnucci et al., 2022; Geremia et al., 2020).

As UTIs passaram a concentrar pacientes com elevado grau de instabilidade clínica, necessidade de ventilação mecânica prolongada e múltiplas complicações decorrentes da infecção viral. Paralelamente, os profissionais de saúde enfrentaram sobrecarga física e emocional, risco aumentado de contaminação ocupacional e mudanças na dinâmica organizacional do trabalho (Dias et al., 2022). O contexto pandêmico evidenciou a importância da cooperação multiprofissional para manutenção da qualidade assistencial.

A atuação multiprofissional caracteriza-se pela integração de saberes voltados ao cuidado integral, possibilitando compartilhamento de decisões clínicas, planejamento terapêutico conjunto e maior efetividade das condutas. Em ambientes críticos, essa integração tornou-se indispensável diante da complexidade clínica dos pacientes. Durante a pandemia, a colaboração entre enfermagem, fisioterapia, farmácia, psicologia e serviço social mostrou-se essencial para o enfrentamento das demandas assistenciais.

A enfermagem destacou-se na assistência direta aos pacientes críticos, atuando no monitoramento contínuo, administração terapêutica, manejo clínico e suporte aos pacientes e familiares (Cassiano, 2022). Estudos evidenciam elevadas cargas de trabalho, desgaste emocional e insegurança frente à alta transmissibilidade viral (Cassiano, 2022), mantendo, ainda assim, papel central na articulação do cuidado multiprofissional.

A fisioterapia assumiu função indispensável no manejo ventilatório, mobilização precoce e reabilitação funcional. A elevada incidência de insuficiência respiratória aguda ampliou a necessidade de atuação em ventilação mecânica invasiva, pronação e recuperação pulmonar (Rollinson et al., 2023; Corda et al., 2022), favorecendo, em conjunto com as demais categorias, a redução de complicações.

No âmbito da farmácia clínica, destacou-se a contribuição para segurança medicamentosa, monitoramento terapêutico e racionalização do uso de medicamentos, considerando riscos de interações, eventos adversos e ajustes terapêuticos individualizados.

Além dos impactos físicos, a pandemia repercutiu significativamente na saúde mental de pacientes, familiares e profissionais. O isolamento social, as restrições de visitas e o elevado número de óbitos intensificaram sofrimento psíquico, ansiedade e estresse. Nesse cenário, a psicologia desempenhou papel relevante no acolhimento emocional e suporte psicossocial.

O serviço social atuou na mediação entre equipe, pacientes e familiares, organizando visitas virtuais, acolhimento, orientações sociais e apoio às demandas agravadas pela hospitalização.

Embora existam estudos direcionados às categorias profissionais de forma isolada, permanecem escassas investigações que analisam de maneira integrada a cooperação multiprofissional no contexto intensivo da COVID-19. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo analisar a produção científica acerca da cooperação multiprofissional entre enfermagem, farmácia, fisioterapia, psicologia e serviço social em unidades de terapia intensiva no contexto da pandemia de COVID-19, por meio de uma revisão integrativa da literatura.

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura por meio das bases de dados PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), LILACS e Google Acadêmico, a condução da revisão seguiu o protocolo metodológico do Joanna Briggs Institute (JBI) que contempla cinco etapas. Para o relato dos resultados, utilizou-se o PRISMA 2020. O protocolo desta revisão foi registrado na plataforma Open Science Framework (OSF), assegurando transparência e reprodutibilidade.

A elaboração da questão de pesquisa seguiu a estratégia PICo (População, Interesse, Contexto) sendo: população - pacientes com COVID-19 em unidades de terapia intensiva; interesse - cooperação multiprofissional entre Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Psicologia e Serviço Social; contexto - ambiente hospitalar durante a pandemia. A partir disso, estabeleceu-se a seguinte questão: “Como ocorre a cooperação multiprofissional entre Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Psicologia e Serviço Social em unidades de terapia intensiva no contexto da COVID-19?”. Dessa forma, torna-se primordial compreender a integração entre diferentes áreas da saúde no cuidado intensivo, especialmente frente à complexidade clínica e organizacional imposta pela pandemia, que demandou estratégias colaborativas para otimização da assistência.

A busca dos estudos foi realizada durante os meses de julho e agosto, nas seguintes bases de dados: PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), LILACS e Google Acadêmico. A seleção dessas bases justifica-se por sua ampla cobertura de publicações na área da saúde e/ou ciências da saúde. Foram utilizados descritores controlados dos vocabulários DeCS e MeSH, bem como termos livres relacionados ao tema: “Pandemia COVID-19” (Pandemic, COVID-19), “Unidade de Terapia Intensiva” (Intensive Care Units), “Equipe Multiprofissional” (Patient Care Team), “Infecção por Vírus COVID-19” (COVID-19), “Enfermagem” (Nursing), “Farmácia” (Pharmacy), “Serviços de Fisioterapia” (Physical Therapy Services), “Serviço de Psicologia Hospitalar” (Psychology, Medical) e “Serviço Social” (Social Work).

Os termos foram combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, conforme a seguinte estratégia geral de busca: ("COVID-19" OR "Pandemic, COVID-19" OR "Coronavirus Infections") AND ("Intensive Care Units" OR "Critical Care") AND ("Patient Care Team" OR "Multiprofessional Team" OR "Interprofessional Relations" OR "Multidisciplinary Care") AND ("Nursing" OR "Nursing Care") AND ("Pharmacy" OR "Clinical Pharmacy") AND ("Physical Therapy Services" OR "Physical Therapy Specialty") AND ("Psychology, Medical" OR "Hospital Psychology") AND ("Social Work" OR "Medical Social Work"). A estratégia foi adaptada conforme as especificidades de cada base de dados.

Foram incluídos estudos com informações pertinentes à estratégia PICo desta revisão, estudos observacionais, qualitativos, retrospectivos, relatos de experiência, artigos disponíveis na íntegra, publicados entre 2020 e 2026, nos idiomas português e inglês, que abordassem a cooperação multiprofissional, assim como as contribuições individuais das referidas áreas nas unidades de terapia intensiva no contexto da pandemia COVID-19. Foram excluídas publicações fora do contexto de UTI e/ou da COVID-19, estudos duplicados, artigos que não respondessem à questão norteadora de pesquisa, com dados insuficientes ou inconsistentes para extração, e produções sem rigor metodológico adequado e/ou sem contribuição para a revisão.

A seleção dos estudos foi realizada seguindo o checklist do PRISMA 2020. Após a etapa de identificação, os registros duplicados foram removidos, em seguida foram submetidos aos filtros de ano de publicação e idiomas, logo após foram triados por meio dos títulos e resumos, com a exclusão daqueles que não atendiam aos critérios de elegibilidade. Em seguida, os estudos mais relevantes foram submetidos à leitura na íntegra para analisar se estavam em conformidade com a questão de pesquisa. A seleção foi realizada por dois revisores independentes, sendo as divergências resolvidas por consenso, com a finalidade de garantir o rigor metodológico e a minimização de vieses. Todo o processo desde a identificação à inclusão na revisão está descrito no fluxograma conforme as recomendações do PRISMA 2020.

A extração dos dados foi realizada pelos autores, contemplando as seguintes variáveis: características dos estudos (ano de publicação, delineamento metodológico, contexto de UTI e população com COVID-19); variável de interesse (formas de cooperação multiprofissional entre Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Psicologia e Serviço Social); desfechos analisados (clínicos, relacionados à segurança do paciente e aspectos psicossociais); variáveis explicativas (tipo de intervenção colaborativa, organização do serviço e dinâmica da equipe); fatores contextuais (condições clínicas dos pacientes e disponibilidade de recursos).

A análise dos dados foi conduzida de forma descritiva e temática, permitindo a identificação de padrões, convergências e lacunas na literatura. Os resultados foram organizados em categorias analíticas, visando sintetizar as evidências sobre a cooperação multiprofissional em unidades de terapia intensiva durante a pandemia de COVID-19.

3. RESULTADOS

A busca nas bases de dados resultou na identificação de 12.005 registros, sendo: 3.963 na plataforma PubMed, 735 da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), 269 da LILACS e 7.038 do Google Acadêmico. Em seguida foi realizada a remoção de 22 registros duplicados, restando 11.983 estudos para triagem. Na aplicação de filtros como idioma e período, 7.603 registros foram excluídos, permanecendo 4.380 estudos submetidos à análise de títulos e resumos. Destes, 4.249 foram excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade, principalmente por não abordarem o contexto de unidade de terapia intensiva (UTI) ou a cooperação multiprofissional. Dessa forma, 131 estudos foram selecionados para leitura na íntegra, dos quais 75 foram excluídos por não cumprimento da estratégia PICo ou por apresentarem dados insuficientes. Ao final, 56 estudos foram incluídos na amostra desta revisão integrativa, conforme descrito no fluxograma PRISMA 2020 (Figura 1).

Os estudos incluídos foram publicados entre os anos 2020 e 2026, incluindo estudos observacionais retrospectivos, qualitativos, relatos de experiência, estudos de coorte, intervenções clínicas, revisões sistemáticas e integrativas. O contexto insere-se em unidades de terapia intensiva, com pacientes acometidos por COVID-19, frequentemente submetidos à ventilação mecânica invasiva. Evidenciou-se a reorganização dos processos assistenciais, com fortalecimento da cooperação multiprofissional como estratégia essencial no manejo de pacientes críticos. Destacaram-se práticas como reuniões clínicas interdisciplinares, elaboração de protocolos assistenciais e aprimoramento da comunicação entre as equipes, contribuindo para maior eficiência da assistência.

Os estudos incluídos na presente revisão integrativa foram analisados quanto às características metodológicas, objetivos e principais achados relacionados à cooperação multiprofissional em unidades de terapia intensiva durante a pandemia de COVID-19. Observou-se predominância de estudos qualitativos, revisões sistemáticas, estudos observacionais e relatos de experiência, evidenciando diferentes perspectivas acerca da atuação de enfermagem, farmácia, fisioterapia, psicologia e serviço social no contexto intensivo. A caracterização dos principais estudos selecionados encontra-se descrita no Quadro 1.

Quadro 1. Caracterização dos principais estudos incluídos na revisão integrativa.

Categoria profissional

Referência

Objetivo

Principais resultados

Enfermagem

Pagnucci et al. (2022)

Identificar fatores associados ao sofrimento moral em profissionais críticos

Evidenciou exaustão emocional, insegurança e dificuldades organizacionais durante a pandemia

Enfermagem

Cassiano (2022)

Analisar sofrimento moral de enfermeiros na COVID-19

Identificou sofrimento emocional relacionado à elevada mortalidade e sobrecarga de trabalho em UTI

Enfermagem

Nikbakht Nasrabadi et al. (2022)

Sintetizar as experiências de enfermeiros intensivistas durante a pandemia

Evidenciou burnout, sofrimento psicossocial, sobrecarga assistencial e necessidade de suporte institucional

Enfermagem

Marinho et al. (2023)

Avaliar intervenções para redução do sofrimento moral em enfermeiros intensivistas

Demonstrou a importância do suporte institucional e do trabalho colaborativo multiprofissional

Enfermagem

Figueiredo et al. (2025)

Investigar experiências de enfermeiros e fisioterapeutas em UTI COVID

Evidenciou impactos emocionais e necessidade de fortalecimento das relações interprofissionais

Farmácia

Colin; Nutti (2022)

Avaliar atuação da farmácia clínica em pacientes críticos com COVID-19

Demonstrou contribuição do farmacêutico na segurança medicamentosa e racionalização terapêutica

Farmácia

Silva; Pimentel; Teixeira (2022)

Investigar intervenções farmacêuticas em ambiente intensivo

Evidenciou participação ativa da farmácia clínica na tomada de decisão terapêutica multiprofissional

Farmácia

Lemtiri et al. (2020)

Discutir desafios da assistência farmacêutica durante a pandemia

Destacou a ampliação da atuação clínica do farmacêutico em UTIs COVID-19

Farmácia

Fowlis et al. (2024)

Descrever experiências de farmácia hospitalar na pandemia

Evidenciou fortalecimento da integração multiprofissional na assistência intensiva

Farmácia

Merchan et al. (2020)

Discutir impactos da COVID-19 na assistência farmacêutica hospitalar

Identificou necessidade de reorganização dos serviços farmacêuticos hospitalares

Fisioterapia

Musumeci et al. (2020)

Avaliar práticas fisioterapêuticas durante a pandemia

Evidenciou ampliação das demandas fisioterapêuticas e desafios no manejo respiratório intensivo

Fisioterapia

Trojman et al. (2023)

Determinar como é a gestão dos fisioterapeutas relacionados aos pacientes com COVID-19

Destacou a necessidade de mais diretrizes para o manejo de pacientes com COVID-19

Fisioterapia

Rollinson et al. (2023)

Estabelecer recomendações fisioterapêuticas para COVID-19

Apresentou protocolos relacionados à ventilação mecânica e pronação terapêutica

Fisioterapia

Weblin et al. (2023)

Avaliar mobilização precoce em pacientes críticos

Evidenciou melhora funcional e redução de complicações associadas à internação prolongada

Fisioterapia

Alves et al. (2022)

Investigar reabilitação em pacientes críticos

Demonstrou a importância da fisioterapia intensiva na recuperação funcional

Psicologia

Baumhardt et al. (2025)

Investigar as manifestações psicológicas e psiquiátricas em pacientes com covid-19

Destacou a urgência no desenvolvimento de protocolos psicológicos específicos

Psicologia

Piras et al. (2022)

Compreender as experiências psicológicas de sobreviventes da COVID-19

Demonstrou que a COVID é um problema importante a ser gerenciado para melhorar a qualidade de vida dos pacientes

Psicologia

Carola et al. (2022)

Examinar as consequências psicológicas de curto e longo prazo da COVID-19 em pacientes internados em UTI

Identificou que as estratégias para lidar com o estresse, desempenham uma função crucial nos resultados psicológicos

Psicologia

Vai et al. (2021)

Avaliar os riscos específicos relacionados à COVID-19 associados a qualquer transtorno mental preexistente

Demonstrou a necessidade de abordagens direcionadas para o manejo e a prevenção da COVID-19 em grupos de pacientes de risco identificados

Serviço Social

Oakley et al. (2021)

Analisar a existência de desigualdade no acesso à saúde no contexto pandêmico

Evidenciou que pessoas autistas enfrentaram empecilhos no acesso aos serviços relacionados à COVID-19

Serviço Social

Beadle et al. (2024)

Examinar os gatilhos e fatores associados ao sofrimento e à lesão moral em profissionais de saúde e assistência social

Identificou que os fatores do sofrimento moral são multifatoriais e amplamente influenciados pelo contexto e pelas restrições em que os profissionais atuam

Serviço Social

Celli (2023)

Problematizar a participação social como estratégia coletiva adotada por assistentes sociais lotados nas UPAs para o enfrentamento do COVID-19

Evidenciou a implantação de fluxos e protocolos capazes de superar a mera adoção de respostas caso a caso, avançando para respostas institucionalizadas de ordem coletiva

Fonte: Autores (2026).

De modo geral, os estudos demonstraram que a cooperação multiprofissional nas unidades de terapia intensiva durante a pandemia de COVID-19 foi essencial para reorganização do cuidado, fortalecimento da assistência integral e enfrentamento das demandas impostas pela elevada complexidade clínica dos pacientes críticos. Observou-se atuação integrada entre enfermagem, fisioterapia, farmácia, psicologia e serviço social, com destaque para o desenvolvimento de protocolos compartilhados, otimização da comunicação interprofissional e ampliação das estratégias de cuidado humanizado. Entretanto, os estudos também evidenciaram importantes desafios relacionados à sobrecarga de trabalho, sofrimento moral, desgaste emocional, limitações estruturais e necessidade de suporte institucional às equipes multiprofissionais.

4. DISCUSSÃO

A presente revisão integrativa evidenciou que a cooperação multiprofissional desempenhou papel fundamental no manejo de pacientes críticos acometidos pela COVID-19 em unidades de terapia intensiva. A pandemia impôs mudanças abruptas nos processos assistenciais, exigindo reorganização das equipes de saúde, implementação de protocolos emergenciais e fortalecimento da comunicação interdisciplinar para garantir maior segurança e efetividade no cuidado intensivo (Martins et al., 2022; Tenório et al., 2022).

Os estudos relacionados à enfermagem demonstraram que os enfermeiros intensivistas estiveram entre os profissionais mais impactados pela sobrecarga assistencial e sofrimento emocional durante a pandemia. Estudos evidenciaram elevados índices de exaustão física, sofrimento moral e insegurança profissional, frequentemente associados ao elevado número de óbitos, longas jornadas de trabalho e escassez de recursos humanos e materiais (Nikbakht Nasrabadi et al., 2022). Nesse contexto, o trabalho multiprofissional mostrou-se importante não apenas para organização da assistência, mas também como estratégia de suporte emocional entre os profissionais.

No âmbito da farmácia clínica, os achados demonstraram ampliação significativa da participação do farmacêutico nas UTIs COVID-19 (Collins et al., 2020; Ahuja et al., 2020; Wang et al., 2021; Barlow et al., 2020; Pluenneke et al., 2023). Estudos destacaram a contribuição desses profissionais na segurança medicamentosa, monitoramento terapêutico e apoio às decisões clínicas, favorecendo maior racionalização do tratamento farmacológico (Lenhart et al., 2025; Barbosa, 2023; Furtado, 2024). Além disso, a integração entre farmacêuticos, médicos e enfermeiros contribuiu para redução de erros relacionados à terapia medicamentosa em pacientes críticos.

Em relação à fisioterapia, observou-se atuação essencial no manejo respiratório e funcional dos pacientes internados em ventilação mecânica invasiva. Diversos estudos ressaltaram a importância dos protocolos fisioterapêuticos voltados à ventilação mecânica e pronação terapêutica, bem como evidenciaram benefícios da mobilização precoce na recuperação funcional e redução de complicações decorrentes da permanência prolongada na UTI (Silva et al., 2022; Fernandes et al., 2023; Dias et al., 2022; Viana et al., 2022; Sotelo et al., 2022; Schujmann; Annoni, 2020; Costa et al., 2021; Menezes; Correia, 2021; Jang et al., 2024; Pecorelli et al., 2023; Saito et al., 2023; Carvalho et al., 2021). Esses achados reforçam a relevância do fisioterapeuta intensivista como integrante indispensável da equipe multiprofissional.

Os estudos da área da psicologia evidenciaram importantes repercussões emocionais e psiquiátricas tanto em pacientes quanto em profissionais de saúde. Identificou-se elevada prevalência de ansiedade, estresse, depressão e sofrimento psicológico associados à internação prolongada, isolamento social e gravidade clínica da COVID-19 (Silva et al., 2024; Domingues; Melo, 2023; Battistello, 2023; Matioli, 2021; Sankar et al., 2023; Karaoulanis; Christodoulou, 2021; Mutlu; Anil, 2021; Santana et al., 2021). Dessa forma, a inserção do psicólogo na equipe multiprofissional mostrou-se relevante para promoção do cuidado integral e humanizado no ambiente intensivo.

No serviço social, os estudos destacaram a atuação voltada à mediação entre pacientes, familiares e equipe de saúde, especialmente diante das restrições de visitas e vulnerabilidades sociais intensificadas pela pandemia (Celli, 2023). Evidenciou-se a importância da implementação de fluxos organizacionais e estratégias coletivas para fortalecimento da assistência social no contexto emergencial, bem como reforçaram a necessidade de atenção às desigualdades no acesso aos serviços de saúde durante a pandemia (Oakley et al., 2021).

Embora os estudos demonstrem benefícios da cooperação multiprofissional, também foram identificados desafios importantes, como deficiência na comunicação entre equipes, insuficiência de profissionais capacitados, desgaste físico e emocional e limitações estruturais dos serviços intensivos (Pagnucci et al., 2022; Geremia et al., 2020; Dias et al., 2022; Mutlu; Anil, 2021). Tais fatores evidenciam a necessidade de investimentos institucionais em educação permanente, suporte psicossocial e fortalecimento das práticas colaborativas no ambiente hospitalar.

Como limitação desta revisão, destaca-se a heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos, além da predominância de pesquisas observacionais e qualitativas, o que pode limitar a generalização dos resultados. Entretanto, a diversidade dos estudos permitiu ampla compreensão acerca das experiências multiprofissionais vivenciadas nas UTIs durante a pandemia de COVID-19.

Assim, conclui-se que a cooperação multiprofissional foi determinante para qualificação da assistência intensiva durante a pandemia, contribuindo para maior integralidade do cuidado, segurança do paciente e fortalecimento das estratégias terapêuticas em pacientes críticos acometidos pela COVID-19.

5. CONCLUSÃO

Portanto, por meio de 56 estudos científicos, foi possível analisar a relevância da cooperação multiprofissional em unidades de terapia intensiva durante a pandemia de COVID-19. Os achados evidenciaram que a integração entre enfermagem, fisioterapia, farmácia, psicologia e serviço social constituiu estratégia essencial para reorganização dos processos assistenciais frente à elevada complexidade clínica dos pacientes críticos acometidos pela doença.

Observou-se que a atuação colaborativa entre os diferentes profissionais favoreceu o compartilhamento de decisões terapêuticas, fortalecimento da comunicação interprofissional, desenvolvimento de protocolos assistenciais e ampliação da segurança do paciente em ambiente intensivo. Além disso, a cooperação multiprofissional mostrou-se fundamental para promoção de um cuidado integral e humanizado, contemplando não apenas as demandas clínicas, mas também os aspectos emocionais, funcionais e sociais relacionados à hospitalização durante o período pandêmico.

Os estudos também evidenciaram importantes desafios enfrentados pelas equipes multiprofissionais, incluindo sobrecarga de trabalho, sofrimento moral, desgaste físico e emocional, limitações estruturais e insuficiência de recursos humanos nos serviços intensivos. Tais fatores reforçam a necessidade de fortalecimento das práticas colaborativas, investimentos em educação permanente, suporte psicossocial aos profissionais e qualificação contínua das equipes de saúde.

Embora esta revisão apresenta limitações relacionadas à heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos, os resultados permitiram ampla compreensão acerca das experiências e estratégias multiprofissionais desenvolvidas nas UTIs durante a pandemia de COVID-19. Dessa forma, conclui-se que a cooperação multiprofissional desempenhou papel determinante na qualificação da assistência intensiva, contribuindo para maior efetividade do cuidado, segurança assistencial e enfrentamento das adversidades impostas pela emergência sanitária global.

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1 Graduanda em Fisioterapia pela Faculdade Faci Wyden (FACI). Belém, PA, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-5301-4868. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Bacharel em Psicologia e Pós Graduada em Psicologia Hospitalar pelo Centro Universitário Santo Agostinho (UNIFSA). Teresina, PI, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8940-8683. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Bacharel em Fisioterapia pela Universidade Federal de Pernanbuco (UFPE). Recife, PE, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-2684-6648. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Graduanda em Fisioterapia pelo Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU). Caruaru, PE, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-5589-4087. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Bacharel em Enfermagem pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Teresina, PI, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1457-1317. [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

6 Bacharel em Serviço Social pela Faculdade Kurios (FAK). Maranguape, CE, Brasil. Mestre profissional em desenvolvimento e gestão social (PDGS) pela Universidade Federal da Bahia, (UFBA). Salvador, BA, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-6716-4579. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

7 Graduanda em Psicologia pelo Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU). Serra Talhada, PE, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-9071-3267. [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

8 Bacharel em Psicologia pelo Centro Universitário da Amazônia (UNIFAMAZ). Belém, PA, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-9157-9769. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

9 Bacharel em Fisioterapia pelo Centro Universitário de Patos (UNIFIP). Patos, PB, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-2276-9363. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

10 Especialista em Saúde da Família pelo Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP) e apoio técnico na Escola de Saúde Pública da Paraíba (ESP-PB). João Pessoa, PB, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7254-6008. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

11 Graduanda em Fisioterapia pela Faculdade Faci Wyden (FACI). Belém, PA, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-9372-5952. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

12 Graduanda em Fisioterapia pelo Centro Universitário do Estado do Pará (CESUPA). Belém, PA, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-6426-9200. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail