COMUNICAÇÃO EM SAÚDE: UM PILAR ESTRATÉGICO PARA A PROMOÇÃO DO BEM-ESTAR COLETIVO
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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18637476
Mateus Henrique Dias Guimarães1
RESUMO
Introdução: A comunicação em saúde é uma ferramenta estratégica essencial para a promoção do bem-estar coletivo. Orienta condutas, constrói entendimentos e influencia escolhas individuais e coletivas sobre saúde. Objetivo: Analisar o papel da comunicação em saúde no fortalecimento de práticas de prevenção, no combate à desinformação e na ampliação do acesso à informação qualificada, com destaque para o uso das mídias digitais. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada por meio das bases SciELO, LILACS e Google Scholar, com publicações entre 2015 e 2025, em português, inglês e espanhol. Foram utilizados descritores como “Comunicação em Saúde”, “Promoção da Saúde”, “Mídias Digitais” e “Desinformação”. Após triagem os dados foram organizados em três eixos: políticas públicas, mídias digitais e comunicação de risco. Resultados e Discussões: Mostram que a comunicação em saúde é decisiva em contextos de crise sanitária, como a pandemia da Covid-19, mas também no cotidiano dos serviços. As mídias digitais, ao democratizarem o acesso à informação, apresentam tanto oportunidades quanto riscos, exigindo responsabilidade, linguagem acessível e checagem de conteúdo. Conclusão: A comunicação em saúde deve ser reconhecida como eixo central das políticas públicas. Investir em estratégias éticas, baseadas em evidências e culturalmente adaptadas é fundamental para uma sociedade mais informada e saudável.
Palavras-chave: Comunicação em Saúde. Gestão da Informação em Saúde. Informação e Comunicação em Saúde. Saúde Digital.
ABSTRACT
Introduction: Health communication is a strategic and essential tool for promoting collective well-being. It guides behaviors, builds understanding, and influences individual and collective choices regarding health. Objective: To analyze the role of health communication in strengthening preventive practices, combating misinformation, and expanding access to qualified information, with emphasis on the use of digital media. Methodology: This is a narrative literature review conducted through the SciELO, LILACS, and Google Scholar databases, covering publications from 2015 to 2025 in Portuguese, English, and Spanish. Descriptors used included "Health Communication," "Health Promotion," "Digital Media," and "Misinformation." After screening, the data were organized into three main themes: public policies, digital media, and risk communication. Results and Discussion: The findings show that health communication is crucial during health crises, such as the Covid-19 pandemic, but also in the daily functioning of health services. Digital media, by democratizing access to information, offer both opportunities and risks, requiring responsibility, accessible language, and content verification. Conclusion: Health communication should be recognized as a central axis of public policy. Investing in ethical, evidence-based, and culturally adapted strategies is essential for building a more informed and healthier society.
Keywords: Health Communication, Health Information Management, Health Information and Communication, Digital Health.
1. INTRODUÇÃO
A comunicação em saúde é um componente fundamental para garantir o acesso à informação e promover a saúde pública. Ela vai muito além de transmitir dados: trata-se de construir entendimentos, orientar condutas e influenciar escolhas individuais e coletivas sobre saúde. Seu papel abrange desde a educação em saúde até o apoio no enfrentamento de crises sanitárias.1
Essa comunicação deve ser clara, objetiva e adaptada à realidade de quem a recebe. Isso significa considerar o nível de escolaridade, fatores culturais, barreiras linguísticas e a realidade social dos grupos envolvidos. Quando bem realizada, ela fortalece a relação entre profissionais de saúde e pacientes, melhora a adesão aos tratamentos e contribui para decisões conscientes sobre cuidados e prevenção.2
Comunicar em saúde não é apenas “falar”, mas também escutar. É um processo bidirecional, onde os profissionais precisam avaliar se as mensagens foram compreendidas e acolhidas. Isso reforça a importância da escuta ativa, do diálogo e da sensibilidade à diversidade.2
A imprensa tem um papel vital na difusão de informações de saúde. Notícias veiculadas em meios tradicionais e digitais atingem rapidamente grandes públicos, ajudando na conscientização sobre doenças, vacinas, campanhas de prevenção e novos tratamentos.3
No caso das vacinas, por exemplo, reportagens jornalísticas são essenciais para informar sobre sua eficácia, segurança e a importância da imunização. Ao mesmo tempo, ajudam a combater mitos e informações falsas, reforçando a confiança da população na ciência.1
A comunicação feita por meio das notícias também tem o poder de mobilizar: pode encorajar as pessoas a buscar orientação médica, participar de campanhas públicas e adotar comportamentos mais saudáveis. Para isso, é essencial que as informações estejam fundamentadas em evidências científicas, sejam atualizadas e transmitidas de forma ética.4
Este trabalho tem como objetivo analisar o papel estratégico da comunicação em saúde como instrumento de promoção do bem-estar coletivo. Busca-se compreender como a comunicação pode influenciar comportamentos, fortalecer o acesso à informação de qualidade, ampliar a adesão a práticas de prevenção e fomentar o diálogo entre profissionais de saúde e a população, especialmente no contexto das mídias digitais.
2. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de revisão de literatura narrativa, cujo objetivo foi analisar a comunicação em saúde como uma estratégia central para a promoção do bem-estar coletivo, especialmente no contexto das mídias digitais e das políticas públicas.
2.1. Bases de Dados Utilizadas
Para a coleta dos dados, foram utilizadas as seguintes bases de dados e plataformas de informação científica:
SciELO (Scientific Electronic Library Online)
LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde)
Google Scholar
2.2. Descritores (palavras-chave)
A busca foi realizada utilizando os seguintes descritores controlados (DeCS/MeSH), combinados com operadores booleanos (AND/OR):
“Comunicação em Saúde”, “Promoção da Saúde”, “Mídias Digitais”, “Informação em Saúde”, “Educação em Saúde”, “Comunicação de Risco”, “Desinformação”, “Saúde Pública”.
2.3. Critérios de Inclusão
Artigos publicados entre 2015 e 2025;
Textos disponíveis em português, inglês ou espanhol;
Produções que abordassem a comunicação em saúde em contextos de promoção da saúde, educação em saúde, campanhas públicas, mídias digitais ou comunicação de risco;
Documentos oficiais de órgãos de saúde nacionais e internacionais;
Artigos com acesso gratuito e texto completo disponível online.
2.4. Critérios de Exclusão
Trabalhos que não abordassem diretamente o tema da comunicação em saúde;
Estudos duplicados nas bases consultadas;
Artigos que tratavam exclusivamente de aspectos clínicos ou laboratoriais sem relação com estratégias de comunicação;
Trabalhos de opinião não embasados em evidências ou sem revisão por pares.
2.5. Procedimentos de Análise
Após a triagem inicial por títulos e resumos, os artigos selecionados foram lidos na íntegra. As informações extraídas foram organizadas em categorias temáticas com base em três eixos analíticos:
A comunicação como ferramenta estratégica nas políticas públicas de saúde;
O impacto das mídias digitais na disseminação de informação em saúde;
A comunicação de risco e o enfrentamento da desinformação.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A análise do conteúdo seguiu os princípios da análise temática qualitativa, identificando padrões, contradições, boas práticas e lacunas nas abordagens comunicacionais no campo da saúde. Na era digital, plataformas como redes sociais, sites de notícias e blogs têm ampliado o alcance das informações. No entanto, essa facilidade de acesso exige ainda mais responsabilidade no combate à desinformação e na checagem dos conteúdos compartilhados.5
A comunicação de risco é uma estratégia fundamental para orientar a população em situações que envolvem ameaças à saúde, como pandemias, desastres ambientais, surtos de doenças ou acidentes com substâncias perigosas. O objetivo é oferecer informações claras e baseadas em evidências para que as pessoas possam se proteger e tomar decisões seguras.6
Mais do que apenas alertar, comunicar riscos envolve construir confiança e diálogo com a sociedade. Isso requer mensagens adaptadas ao contexto cultural e social de cada grupo, considerando desigualdades e vulnerabilidades.
A comunicação de risco deve ser rápida, transparente e acessível. Em tempos de crise, como na pandemia da Covid-19, ela se torna ainda mais importante. Informações imprecisas ou contraditórias podem gerar medo, confusão e comportamentos prejudiciais.7
Portanto, é essencial investir em canais de comunicação confiáveis, treinamento de porta-vozes e em ações coordenadas entre governo, mídia e comunidades para garantir que a informação chegue corretamente a quem mais precisa.
Durante a pandemia da Covid-19, a comunicação em saúde ganhou centralidade nas estratégias de enfrentamento da crise. Informar corretamente sobre sintomas, formas de transmissão, cuidados preventivos, medidas de isolamento e, posteriormente, sobre a vacinação, foi vital para conter o avanço da doença.8
No entanto, no Brasil, esse processo enfrentou desafios significativos. A comunicação institucional foi, em muitos momentos, marcada por mensagens desencontradas, disputas políticas, falta de planejamento e pouca transparência. A desinformação se espalhou com rapidez, principalmente por meio das redes sociais, dificultando o trabalho dos profissionais e das autoridades de saúde.1
A campanha oficial, como “Fique em Casa”, tentou alcançar diversos públicos por meio de parcerias com a mídia, ações em TV, rádio e redes sociais. Porém, o excesso de informações conflitantes contribuiu para a desconfiança de parte da população, principalmente sobre as vacinas.9
A comunicação precisou se adaptar às diferentes realidades do país, chegando a populações indígenas, pessoas sem acesso à internet, idosos e pessoas com deficiência. Isso exigiu ações descentralizadas, produção de materiais acessíveis e linguagem inclusiva.
A crise também evidenciou a importância dos cientistas na comunicação direta com a sociedade. Embora muitos brasileiros valorizem a fala de especialistas, uma parte ainda demonstra resistência ou dificuldade de compreensão, o que reforça a necessidade de melhorar a formação dos profissionais também na área da comunicação.7
A comunicação em saúde desempenha um papel estratégico nas políticas públicas ao atuar como elo fundamental entre o sistema de saúde e a população, especialmente no enfrentamento de doenças crônicas e na promoção da saúde mental. Quando bem planejada, ela contribui para disseminar informações acessíveis e baseadas em evidências, orientando comportamentos preventivos, promovendo o autocuidado e fortalecendo o vínculo entre usuários e serviços de saúde.10
Em relação às doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, campanhas educativas eficazes podem melhorar a adesão ao tratamento, estimular hábitos saudáveis e reduzir complicações. No campo da saúde mental, a comunicação sensível e inclusiva combate estigmas, amplia o acesso à informação e encoraja a busca por apoio psicológico, fortalecendo redes de cuidado e prevenção. Assim, integrar a comunicação como eixo estruturante das políticas públicas é essencial para garantir uma abordagem mais humana, eficiente e equitativa na promoção do bem-estar coletivo.11,12,13
3.1. O Que é uma Informação de Relevância e Por Que Ela é Importante Para a Saúde?
Informações de relevância em saúde são aquelas que têm impacto direto na qualidade de vida das pessoas e na promoção do bem-estar coletivo. São conteúdos que orientam decisões, previnem doenças, fortalecem comportamentos saudáveis e auxiliam na busca por atendimento médico quando necessário.3,4
Essas informações podem abranger dados sobre doenças e suas respectivas formas de prevenção, bem como diretrizes relacionadas à alimentação adequada, à prática regular de atividade física e à preservação da saúde mental.5
Ademais, incluem alertas referentes a surtos, epidemias ou riscos ambientais, orientações quanto ao uso correto e seguro de medicamentos e esclarecimentos acerca do acesso aos serviços de saúde e às campanhas públicas disponíveis.6,7
Nesse contexto, a disseminação qualificada dessas informações contribui de maneira significativa para a promoção da saúde, ao favorecer a adoção de comportamentos preventivos, ampliar o nível de conhecimento da população e fortalecer a autonomia dos indivíduos na tomada de decisões relacionadas ao cuidado com a própria saúde.6,7,8
Outrossim, a oferta sistematizada de informações em saúde constitui um instrumento estratégico para o fortalecimento das políticas públicas e para a redução das desigualdades no acesso ao cuidado. Ao possibilitar maior compreensão sobre fatores de risco e medidas protetivas, tais informações favorecem intervenções precoces, aprimoram a relação entre usuários e profissionais de saúde e contribuem para a construção de uma cultura preventiva.10,11,12
Consequentemente, promove-se não apenas a melhoria dos indicadores de saúde coletiva, mas também a otimização dos recursos do sistema, por meio da diminuição de agravos evitáveis e da qualificação da atenção à saúde.4,9,11
Uma informação relevante, quando bem comunicada, ajuda as pessoas a compreenderem melhor os cuidados que devem ter com sua saúde e com a saúde coletiva. Isso fortalece o autocuidado e contribui para o controle de doenças evitáveis, além de melhorar a relação entre profissionais de saúde e população.8
Informações bem estruturadas desempenham um papel essencial na promoção de comportamentos mais conscientes e responsáveis em relação à saúde. Quando comunicadas de forma clara e eficaz, elas têm o poder de incentivar a realização de exames de rotina, o uso adequado dos serviços de saúde, a adoção de hábitos de vida mais saudáveis, além de estimular a participação ativa da população em campanhas de vacinação, doação de sangue e ações de prevenção de doenças crônicas.14
Nesse contexto, a comunicação e o acesso à informação tornam-se pilares fundamentais para o fortalecimento da saúde pública. Para que uma informação em saúde cumpra seu papel com eficácia, ela precisa ser clara, livre de jargões ou termos técnicos desnecessários, o que facilita o entendimento por parte de diferentes públicos.
Deve ser confiável, construída a partir de fontes científicas e oficiais, garantindo segurança àqueles que a consomem. É indispensável que essa informação seja acessível, considerando os distintos níveis de escolaridade, realidades culturais e faixas etárias da população. Por fim, a atualização constante é um fator determinante, pois permite que os conteúdos reflitam o contexto atual e respondam às necessidades reais da sociedade.14
A falta de informações confiáveis pode gerar confusão, medo ou práticas perigosas. Já uma boa comunicação fortalece a confiança nos sistemas de saúde, combate a desinformação e empodera o cidadão para tomar decisões mais conscientes sobre seu corpo e sua saúde.14
3.2. O Papel dos Meios de Comunicação
Veículos como rádio, TV, internet e redes sociais são grandes aliados na disseminação de informações em saúde. Quando usados de forma responsável, eles ampliam o alcance de campanhas educativas, promovem a conscientização e ajudam a construir uma sociedade mais informada e saudável.2
A transformação digital impactou profundamente a forma como a sociedade se informa e interage, e a área da saúde não ficou de fora dessa revolução. As mídias digitais tornaram-se ferramentas fundamentais para a comunicação em saúde, permitindo que conteúdos relevantes alcancem públicos amplos, com agilidade e precisão.5
Por meio da internet, redes sociais, aplicativos e outras plataformas digitais, é possível divulgar campanhas de prevenção, promover hábitos saudáveis, esclarecer dúvidas sobre doenças e orientar a população sobre os serviços disponíveis no sistema de saúde. Essa abordagem amplia o alcance das ações de educação em saúde e fortalece o vínculo entre profissionais, instituições e a população.11
A principal vantagem das mídias digitais é sua capacidade de disseminar informações em tempo real. Um vídeo educativo, uma postagem em rede social ou um alerta em aplicativo pode, em minutos, atingir milhares de pessoas — algo que seria muito mais lento e limitado pelos meios tradicionais, como rádio e televisão.4
Esse tipo de comunicação permite a personalização das mensagens, de acordo com o perfil do público, e o uso de linguagem mais próxima e acessível. Isso facilita a compreensão e estimula o engajamento das pessoas com os temas relacionados à saúde.7
Nas mídias digitais, a comunicação não é apenas de mão única. O público pode interagir, comentar, compartilhar e até contribuir com experiências próprias. Essa característica transforma os usuários em participantes ativos do processo de promoção da saúde.6
Espaços como fóruns, chats, grupos em redes sociais e caixas de comentários se tornam ambientes de troca de informações e dúvidas, o que fortalece o senso de comunidade e permite a construção de conhecimento coletivo.
Outro ponto forte da comunicação digital é a possibilidade de mensurar resultados. As ferramentas de análise disponíveis permitem acompanhar o alcance das mensagens, o nível de engajamento do público e os temas que geram mais interesse ou confusão. Com base nesses dados, é possível ajustar estratégias, melhorar conteúdos e ampliar o impacto positivo das ações em saúde.15
Com o poder de alcance das mídias digitais, vem também uma grande responsabilidade. É essencial que as informações compartilhadas por profissionais e instituições de saúde sejam baseadas em evidências científicas, atualizadas e verificadas, para evitar a propagação de mitos, fake news e práticas prejudiciais à saúde.
A boa comunicação em saúde é fundamental para a efetividade das ações em saúde coletiva e traz benefícios diretos para toda a população. Ela não se limita apenas à transmissão de informações, mas envolve o diálogo, a escuta ativa e o respeito à diversidade cultural, social e linguística das comunidades. No contexto da saúde coletiva, que compreende a saúde como um direito social e resultado de determinantes sociais, a comunicação atua como uma ferramenta estratégica para promover a equidade, a participação social e o acesso aos serviços de saúde.16,17,18
Quando a comunicação é clara, acessível e adequada à realidade da população, ela contribui para o entendimento sobre práticas de prevenção, cuidados com a saúde e o funcionamento do sistema público de saúde, como o SUS.19,20
Isso permite que as pessoas tenham maior autonomia para tomar decisões conscientes sobre seus corpos, hábitos de vida e uso dos serviços de saúde. Além disso, fortalece a confiança no sistema de saúde e no trabalho dos profissionais, o que é essencial para a adesão a políticas públicas de saúde.21,22,23
Um dos principais benefícios é a capacidade de prevenir e controlar doenças de forma mais eficiente. Com campanhas bem estruturadas, a população compreende melhor os riscos e formas de prevenção de doenças transmissíveis, como dengue, tuberculose, HIV/AIDS e COVID-19, bem como de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão e obesidade. A comunicação eficaz também ajuda a combater a desinformação, que muitas vezes atrapalha o controle de surtos e epidemias e pode gerar medo, estigma ou resistência a intervenções importantes, como vacinas.24,25,26
A comunicação em saúde é um instrumento de inclusão social, pois quando adaptada às necessidades de diferentes grupos e contribui para a redução das desigualdades no acesso à saúde. Esse aspecto está profundamente alinhado aos princípios da saúde coletiva, que busca não apenas tratar doenças, mas transformar as condições de vida que produzem o adoecimento.27,28,29
3.3. Desinformação em Saúde e Seus Impactos
A circulação de informações falsas ou distorcidas representa um desafio constante para a saúde pública. A velocidade com que conteúdos são compartilhados nas plataformas digitais favorece a propagação de boatos, teorias conspiratórias e recomendações sem base científica, o que pode influenciar decisões individuais e coletivas relacionadas ao cuidado com a saúde.8,9,10
A desinformação compromete a adesão a medidas preventivas, reduz a confiança em campanhas oficiais e pode estimular práticas inseguras, como o uso inadequado de medicamentos ou a recusa vacinal. Durante emergências sanitárias, esse cenário tende a se agravar, pois o medo e a incerteza aumentam a busca por respostas rápidas, nem sempre provenientes de fontes confiáveis.11,14
O enfrentamento desse problema requer estratégias coordenadas entre instituições públicas, profissionais de saúde, meios de comunicação e plataformas digitais. A verificação de fatos, a responsabilização de conteúdos enganosos e a ampliação da educação em saúde figuram entre as ações capazes de reduzir danos e qualificar o acesso à informação.17,20
Outro caminho envolve o fortalecimento da alfabetização midiática e científica da população. Ao desenvolver habilidades para avaliar a credibilidade das fontes, interpretar dados e reconhecer manipulações, os indivíduos tornam-se menos suscetíveis a conteúdos enganosos e mais aptos a tomar decisões informadas. 24,27
3.4. Estratégias para Qualificar a Comunicação em Saúde
O planejamento comunicacional deve considerar as características do público, os contextos socioculturais e as barreiras de acesso à informação. Mensagens objetivas, linguagem compreensível e escolha adequada dos canais favorecem a compreensão e ampliam o alcance das ações.5,6,9
A participação comunitária contribui para tornar a comunicação mais próxima da realidade local. Líderes comunitários, agentes de saúde e organizações sociais podem atuar como mediadores, facilitando o diálogo e apoiando a construção de mensagens mais adequadas às necessidades do território.9,10
A formação dos profissionais de saúde também influencia a qualidade da comunicação. O desenvolvimento de competências comunicacionais, como escuta qualificada, clareza na transmissão de orientações e manejo de dúvidas, tende a reduzir ruídos e fortalecer o vínculo com usuários e famílias.12,15
A integração entre diferentes setores amplia a consistência das mensagens e evita contradições. Parcerias entre serviços de saúde, instituições de ensino, órgãos governamentais e meios de comunicação favorecem respostas mais organizadas, sobretudo em situações de crise.27,29
O uso responsável das tecnologias digitais amplia as possibilidades de interação e acompanhamento das ações. Ferramentas de monitoramento permitem identificar dúvidas recorrentes, mapear percepções da população e ajustar conteúdos de acordo com demandas emergentes, contribuindo para uma comunicação mais efetiva e alinhada às necessidades coletivas.30,31
3.5. Recomendações Futuras para a Comunicação em Saúde
O aprimoramento da comunicação em saúde depende da incorporação contínua de práticas orientadas por evidências e pela avaliação das ações já realizadas. Investimentos em pesquisa aplicada podem apoiar a identificação de formatos, linguagens e canais mais adequados para diferentes grupos populacionais, favorecendo intervenções mais precisas.12,14,16
A institucionalização de planos de comunicação nos serviços de saúde tende a reduzir improvisações, sobretudo em contextos de emergência. Protocolos previamente definidos, fluxos informacionais organizados e porta vozes capacitados contribuem para maior coerência nas mensagens e menor risco de ruídos.12,19
A ampliação do acesso digital deve caminhar junto à redução das desigualdades informacionais. Políticas voltadas à inclusão tecnológica, à acessibilidade comunicacional e à produção de materiais em múltiplos formatos podem alcançar populações historicamente afastadas dos meios formais de informação.7,10,11
Recomenda-se também fortalecer a educação permanente dos profissionais, com ênfase em comunicação pública, letramento científico e enfrentamento da desinformação. Essa preparação amplia a capacidade de diálogo com a população e qualifica as práticas educativas no cotidiano dos serviços.3, 6, 14
O monitoramento sistemático das estratégias comunicacionais permite identificar fragilidades, mensurar resultados e reorientar ações quando necessário. A escuta das comunidades, por meio de consultas públicas, pesquisas de percepção e canais de participação social, favorece ajustes mais alinhados às demandas reais da população.27, 29, 31
A cooperação entre gestores, pesquisadores, profissionais de saúde e sociedade civil pode sustentar políticas comunicacionais mais estáveis, capazes de responder a cenários complexos e de apoiar a promoção da saúde ao longo do tempo. 30,31
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A comunicação em saúde não é apenas um suporte, mas um eixo central das políticas públicas. Quando bem estruturada, contribui para salvar vidas, ampliar a cobertura vacinal, fortalecer o SUS e combater a desinformação.
Especialmente em tempos de crise sanitária, como vimos com a pandemia da Covid-19, comunicar com responsabilidade, empatia e transparência é uma das ferramentas mais poderosas para proteger a população e promover o bem-estar coletivo.
Nas mídias digitais representa uma oportunidade única para democratizar o acesso à informação, fortalecer a prevenção e promover a saúde de forma ampla, inclusiva e dinâmica. Utilizada com responsabilidade, ela se torna uma poderosa aliada na construção de uma sociedade mais saudável, bem-informada e participativa.
A comunicação em saúde deve ser reconhecida como um eixo estruturante das políticas públicas, não como um recurso acessório. Quando bem planejada e executada, ela é capaz de salvar vidas, reduzir desigualdades, combater a desinformação e promover o bem-estar coletivo.
Dessa forma, é imprescindível investir em profissionais capacitados, estratégias baseadas em evidência e canais confiáveis, que priorizem a ética, a clareza e a inclusão. Comunicar bem é cuidar melhor e, por isso, a comunicação em saúde deve ser tratada como uma prioridade permanente no fortalecimento de uma sociedade mais saudável, participativa e informada.
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1 Mestre em Enfermagem em Atenção Primária à Saúde. Membro da International Epidemiological Association (IEA); Membro Trainee da International Society of Hypertension (ISH); Membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO). Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/7137001589681910. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-0206-0011. E-mail: [email protected].