COMPORTAMENTO ECONÔMICO DOS JOVENS: UMA ANÁLISE A PARTIR DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA

ECONOMIC BEHAVIOR OF YOUNG PEOPLE: AN ANALYSIS BASED ON FINANCIAL EDUCATION

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/790015325

RESUMO
O presente estudo tem como objetivo analisar a percepção dos jovens sobre educação financeira e identificar sua relação com o comportamento econômico. A pesquisa caracteriza-se como quantitativa, descritiva e de campo, realizada com 123 estudantes de Palmeira das Missões-RS, por meio de questionário eletrônico estruturado. Os resultados indicam que os participantes apresentam comportamentos financeiros relativamente positivos, como a verificação da capacidade de pagamento, a comparação de preços e a preocupação com o futuro financeiro. Contudo, práticas formais de planejamento, elaboração de orçamento e registro sistemático de gastos ainda são pouco frequentes. Conclui-se que a educação financeira, especialmente no ambiente escolar, contribui para o desenvolvimento de hábitos de consumo consciente, planejamento e gestão responsável dos recursos.
Palavras-chave: educação financeira; comportamento financeiro; jovens; consumo consciente; planejamento financeiro.

ABSTRACT
This study aims to analyze young people’s perceptions of financial education and identify its relationship with economic behavior. The research is characterized as quantitative, descriptive, and field-based, conducted with 123 students from Palmeira das Missões, Rio Grande do Sul, Brazil, through a structured electronic questionnaire. The results indicate that participants demonstrate relatively positive financial behaviors, such as checking their ability to pay, comparing prices, and showing concern for their financial future. However, formal planning practices, budgeting, and systematic expense recording are still not frequent. It is concluded that financial education, especially in the school environment, contributes to the development of conscious consumption habits, planning, and responsible management of financial resources.
Keywords: financial education; financial behavior; young people; conscious consumption; financial planning.

1. INTRODUÇÃO

A sociedade contemporânea é marcada por intensas transformações sociais, culturais e tecnológicas, impulsionadas pelo avanço das tecnologias digitais e pela ampliação do acesso à internet. Nesse contexto, destacam-se os chamados nativos digitais, caracterizados por maior familiaridade com as tecnologias (PRENSKY, 2001). Tais transformações também têm impactado os hábitos de consumo e as práticas financeiras dos jovens, modificando a forma como esse público se relaciona com o dinheiro, realiza compras e organiza suas finanças pessoais.

Grande parte dos jovens mantém contato com o ambiente digital desde cedo, utilizando redes sociais, plataformas de comércio eletrônico, inteligência artificial e diferentes ferramentas digitais. Ao mesmo tempo em que essas tecnologias facilitam o acesso à informação, também ampliam a exposição ao consumo. Conforme Silva e Azevedo (2025), o comércio eletrônico contribui para esse cenário ao tornar produtos e serviços cada vez mais acessíveis. Além disso, criadores de conteúdo e influenciadores digitais também passaram a ocupar espaço importante nas decisões de consumo dos jovens (MOURA et al., 2023).

Nesse cenário, o avanço das plataformas bancárias digitais também trouxe mudanças na forma como os jovens acessam e utilizam os serviços financeiros. A facilidade de acesso ao crédito, aos aplicativos de compra, ao Pix e às carteiras digitais amplia as possibilidades de utilização dos recursos financeiros. Por outro lado, essa mesma facilidade exige maior atenção quanto ao uso consciente do dinheiro, especialmente diante das estratégias de marketing digital e dos estímulos constantes ao consumo.

Em paralelo, a tecnologia pode contribuir para uma melhor organização financeira. Atualmente, existem aplicativos, planilhas eletrônicas, cursos e outras ferramentas que auxiliam no registro de receitas e despesas e no controle dos gastos. O uso desses recursos pode favorecer hábitos relacionados ao controle, à poupança, ao investimento e ao planejamento financeiro (ITAÚ, 2026).

Nesse ínterim, a educação financeira assume papel importante para que os jovens possam compreender melhor suas receitas e despesas, planejar seus gastos e tomar decisões de consumo de maneira mais consciente. O conhecimento sobre aspectos relacionados a juros, inflação, investimentos e riscos pode contribuir para escolhas financeiras mais adequadas, reduzindo as possibilidades de endividamento e favorecendo maior organização financeira (SILVA; MONTEIRO, 2023).

Apesar dessa importância, a educação financeira entre os jovens ainda apresenta desafios. Fernandes (2024) destaca que o tema permanece pouco explorado, enquanto dados da CNDL e do SPC BRASIL (2019) demonstram que cerca de 47% dos jovens entre 18 e 24 anos não realizam o controle de suas finanças pessoais e quatro em cada dez entrevistados já estiveram com o nome negativado. Esse panorama reforça a necessidade de compreender como os jovens percebem a educação financeira e de que maneira conduzem suas decisões relacionadas ao dinheiro.

Neste sentido, este estudo tem como objetivo analisar a percepção dos jovens sobre educação financeira e identificar qual a relação com o comportamento econômico, evidenciando sua relevância para a sociedade. Para tanto, este estudo foi realizado com jovens entre idades de 14 e 29 que residem no município de Palmeira das Missões, localizado no noroeste do estado do Rio Grande do Sul, Brasil.

Não obstante, o estudo se justifica pela necessidade de compreender como os jovens estão lidando com o avanço das tecnologias digitais e de investigar de que forma esse contexto influencia seus hábitos de consumo e controle financeiro. Além de contribuir para a compreensão da realidade dos jovens de Palmeira das Missões, os resultados podem ampliar as discussões sobre a educação financeira e auxiliar na reflexão sobre estratégias voltadas à formação de indivíduos mais conscientes e preparados para tomar decisões financeiras em um ambiente cada vez mais digitalizado.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. Educação Financeira

No que se refere à educação financeira, esta pode ser compreendida como um processo contínuo de aprendizado, que permite ao indivíduo tomar decisões conscientes e assumir responsabilidades sobre o uso do dinheiro, buscando alcançar maior estabilidade financeira (OLIVIERI, 2013). Nesse sentido, o desenvolvimento dessa consciência deve ocorrer desde a infância, período em que começam a ser construídas as primeiras percepções sobre o dinheiro e sua relação com o trabalho e o consumo.

A inserção da educação financeira desde as etapas iniciais da formação escolar também contribui para o fortalecimento da cidadania financeira e, consequentemente, para o bem-estar econômico da população (VIEIRA; MOREIRA JÚNIOR; POTRICH, 2019). Contudo, o conhecimento adquirido somente produz resultados quando é incorporado às práticas cotidianas e à gestão responsável dos recursos (POTRICH; VIEIRA; KIRCH, 2015).

Não obstante, o acesso ao conhecimento financeiro não ocorre de maneira uniforme. Dados da OECD (2025) demonstram que estudantes socioeconomicamente menos favorecidos tendem a apresentar desempenho inferior em educação financeira, sendo que fatores sociais e econômicos explicam cerca de 12% dessa diferença. Assim, além de ampliar o acesso à educação financeira, torna-se necessário criar condições para que o conhecimento seja efetivamente aplicado nas decisões relacionadas ao dinheiro.

Nessa perspectiva, a educação financeira envolve o aprendizado sobre a forma de obter, administrar, investir e utilizar os recursos, contribuindo para decisões alinhadas ao orçamento pessoal ou familiar e aos objetivos estabelecidos para o futuro (SPC, 2024). Já a alfabetização financeira apresenta uma dimensão mais ampla, pois envolve, além do conhecimento, a maneira como o indivíduo age e se comporta diante das decisões financeiras (POTRICH; VIEIRA; KIRCH, 2015).

Nesse ínterim, aspectos sociais e demográficos também podem influenciar o nível de alfabetização financeira. Potrich, Vieira e Ceretta (2013) destacam variáveis como gênero, grau de instrução, idade, renda, estado civil e tempo de serviço. A OECD (2025), por sua vez, compreende a alfabetização financeira a partir da associação entre conhecimentos, habilidades e atitudes necessários para a tomada de decisões financeiras.

A alfabetização financeira, portanto, apresenta caráter multidimensional e não pode ser compreendida a partir de um único indicador (POTRICH; VIEIRA; CERETTA, 2013). Entre as dimensões consideradas na literatura estão o conhecimento, a atitude e o comportamento financeiro, permitindo compreender não apenas o que o indivíduo sabe, mas também como pensa e age diante das decisões relacionadas ao dinheiro.

Mesmo diante dos avanços relacionados à educação financeira, as dificuldades em discutir o tema ainda estão presentes em muitas famílias, podendo limitar a troca de informações e a formação de hábitos financeiros mais conscientes (FERNANDES, 2024). Nesse contexto, dados do Banco Central do Brasil apontam que, em 2024, as transferências mensais para empresas de apostas on-line variaram entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões, com maior concentração de apostadores na faixa dos 20 aos 30 anos (BCB, 2024). Tal cenário reforça a importância de compreender como os jovens lidam com suas decisões financeiras e com os diferentes estímulos ao consumo.

2.2. Comportamento Financeiro dos Jovens

O avanço das tecnologias e dos sistemas de informação ampliou as possibilidades de realização de atividades econômicas no ambiente virtual, abrangendo desde a comercialização de produtos até os pagamentos on-line (CLARO, 2009). Assim, essa transformação também modificou a forma como os jovens se relacionam com o consumo e com suas decisões financeiras.

Nesse contexto, compreender o comportamento econômico de compra e venda dos jovens torna-se relevante para o desenvolvimento social, considerando a participação desse público na economia e seus reflexos no mercado. Isso porque um comportamento financeiro mais consciente pode favorecer o bem-estar individual e coletivo, ao passo que estratégias voltadas à formação de uma sociedade financeiramente mais preparada tendem a produzir efeitos positivos também no contexto econômico e social (DANTAS; TEIXEIRA, 2025).

Contudo, o nível de conhecimento financeiro nem sempre acompanha a facilidade de acesso aos diferentes produtos e serviços disponíveis. No Brasil, apesar das iniciativas de instituições públicas e privadas voltadas à disseminação de informações aos consumidores, ainda existem limitações quanto ao desenvolvimento do conhecimento financeiro necessário (PINHEIRO, 2008; VIEIRA; BATAGLIA; SEREIA, 2011).

Nesse ínterim, o desconhecimento financeiro, associado à ampliação da oferta de crédito e ao uso inadequado do cartão de crédito, pode contribuir para o endividamento e a inadimplência, inclusive entre os jovens (PINHEIRO, 2008). A falta de planejamento e de controle dos gastos pode comprometer a gestão dos recursos e levar à contratação de novos créditos para o pagamento de dívidas anteriores. Além disso, decisões financeiras tomadas sem a compreensão adequada dos riscos podem resultar em juros elevados, investimentos equivocados e maior dependência financeira de terceiros.

Dados da CNDL e do SPC Brasil (2025) demonstram a dimensão do problema ao apontarem a existência de 71,28 milhões de consumidores negativados no Brasil. O baixo nível de conhecimento financeiro, associado a dificuldades na organização das finanças pessoais, também aparece relacionado ao cenário de inadimplência (GRILLO, 2022). Somam-se a esse cenário os reflexos do endividamento sobre o bem-estar dos indivíduos, segundo a Serasa (2022), 83% dos endividados relataram dificuldades para dormir e 61% afirmaram ter vivido ou ainda viver crises de ansiedade ao pensar nas dívidas.

Por outro lado, o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades relacionados à educação financeira pode contribuir para decisões mais adequadas e para uma melhor gestão das finanças pessoais, refletindo também em um mercado mais competitivo e eficiente (VIEIRA; BATAGLIA; SEREIA, 2011). O planejamento financeiro assume, portanto, papel relevante diante de um contexto no qual os indivíduos estão constantemente expostos aos estímulos ao consumo.

As redes sociais também ocupam espaço nesse processo. Wisniewski (2011) já destacava a influência das propagandas sobre o consumo, enquanto Pelanda et al. (2023) apontam que o TikTok influencia as tendências de mercado e as decisões de compra, especialmente a partir das informações e opiniões compartilhadas na plataforma. Entre os jovens, essa exposição às redes sociais e às estratégias de marketing digital pode ampliar as dificuldades relacionadas ao controle dos gastos e aumentar a vulnerabilidade ao endividamento e à inadimplência (SILVA; AZEVEDO, 2025).

Dessa forma, a educação financeira apresenta-se como um importante elemento para a organização e o planejamento das finanças pessoais e familiares. Além do conhecimento sobre orçamento, poupança e investimento, sua aplicação pode contribuir para escolhas de consumo mais conscientes e para o desenvolvimento de hábitos financeiros mais responsáveis.

3. MÉTODO

Para atender ao objetivo deste estudo, mostrou-se adequada a utilização de uma abordagem quantitativa, possibilitando obter informações sobre o perfil, o conhecimento, o comportamento e as atitudes financeiras dos jovens de Palmeira das Missões-RS. Quanto aos objetivos, o estudo caracteriza-se como descritivo, pois busca descrever o comportamento dos jovens a partir de sua relação com a educação financeira. Além da descrição, busca explorar possíveis causas e estabelecer relações entre as práticas financeiras, o conhecimento financeiro e os comportamentos apresentados pelos participantes.

No que se refere à classificação do objeto, a pesquisa caracteriza-se como de campo, realizada com jovens entre 14 e 29 anos, estudantes de escolas de ensino médio do município de Palmeira das Missões-RS. Embora o Estatuto da Juventude (BRASIL, 2013) considere jovens as pessoas com idade entre 15 e 29 anos, foram incluídos participantes de 14 anos por estarem matriculados no ensino médio, público contemplado pela pesquisa, e por já vivenciarem situações relacionadas à educação financeira, aos meios de pagamento digitais e às decisões de consumo.

Quanto aos procedimentos técnicos, o estudo se classifica como pesquisa bibliográfica e de levantamento. A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida a partir de artigos científicos, leis, matérias de jornais, sites e documentos oficiais, consultados em bases como Google Acadêmico, SciELO, Portal de Periódicos Capes e OECD. Foram utilizados termos de busca em português e inglês relacionados à educação financeira de jovens e ao contexto financeiro digital. Já o levantamento foi realizado por meio de questionário eletrônico estruturado, elaborado no Google Forms. Para tanto, o instrumento de coleta foi composto por 33 questões, contemplando questões descritivas, objetivas de múltipla escolha e questões em escala Likert, estas adaptadas de Potrich, Vieira e Ceretta (2013). O questionário foi organizado em três blocos: perfil, modo de pensar e comportamento.

O universo da pesquisa foi constituído por jovens matriculados em três instituições de ensino do município: Colégio Jesus Maria José, Colégio Estadual Três Mártires e Escola Estadual de Ensino Médio Venina Palma. A coleta ocorreu entre os dias 1º e 20 de maio de 2026, em uma instituição da rede privada e duas da rede pública, incluindo estudantes dos cursos técnicos ofertados no turno da noite. A aplicação do questionário contou com o auxílio das direções e de professores responsáveis pela área de educação financeira.

Inicialmente, foram obtidas 131 respostas. Após a exclusão dos participantes que não se enquadravam na faixa etária definida para o estudo, a amostra final foi composta por 123 respondentes. Adotou-se a amostragem por conveniência, considerando a facilidade de acesso aos jovens nas instituições participantes. Por fim, os dados foram tabulados no software Excel e submetidos à análise descritiva, buscando compreender o comportamento dos jovens em relação ao uso do dinheiro e ao nível de conhecimento sobre educação financeira, bem como interpretar as informações obtidas.

4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

4.1. Perfil Financeiro dos Jovens Estudantes de Palmeira das Missões/Rs

A análise do perfil financeiro dos jovens é fundamental para compreender como esse público se relaciona com o dinheiro. Aspectos como a posse de conta bancária, a utilização de instituições financeiras, o acesso ao cartão de crédito e outras características econômicas permitem identificar o nível de inserção dos jovens no sistema financeiro. Além disso, conhecer esse perfil e compreender seu modo de pensar em relação aos hábitos financeiros contribui para a análise do comportamento financeiro e de sua relação com a educação financeira. A primeira parte do estudo buscou delinear o perfil dos participantes, conforme apresentado na Tabela 1.

Tabela 1. Perfil dos Respondentes

Questões

Alternativas

Frequência

Percentual

Sexo

Masculino

62

50,4%

Feminino

61

49,6%

Idade

14-16 anos

88

71,5%

17-19 anos

30

24,4%

20-29 anos

5

4,1%

Escola

Pública

97

78,9%

Privada

26

21,1%

Conta Corrente

Não Possui

32

27,0%

Possui

91

73,0%

Banco

Nubank

28

22,7%

Caixa Tem

17

13,8%

Banco do Brasil

10

8,1%

Banco Inter

10

8,1%

Banrisul

10

8,1%

Sicredi

6

4,8%

PicPay

2

1,6%

Sicoob

2

1,6%

Bradesco

1

0,8%

Cresol

1

0,8%

Mercado Pago

1

0,8%

NG Cash

1

0,8%

Cartão de Crédito

Sim

38

30,9%

Não

85

69,1%

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

A análise dos dados demonstrou equilíbrio em relação ao sexo dos respondentes, sendo 50,4% do sexo masculino e 49,6% do sexo feminino. Sendo assim, essa distribuição possibilitou uma participação equiparada entre os grupos, sem predominância significativa de um deles.

Em relação à faixa etária, observa-se a predominância de respondentes entre 14 e 16 anos, representando 71,5% da amostra. Já os participantes com idade entre 17 e 19 anos correspondem a 24,4%, enquanto apenas 4,1% possuem entre 20 e 29 anos. Quanto ao tipo de escola, percebe-se maior participação de estudantes da rede pública de ensino, que representam 78,9% da amostra, enquanto 21,1% pertencem à rede privada. Cabe ressaltar que existe apenas uma escola da rede privada no município em que o estudo foi realizado.

No que se refere à posse de conta corrente, a maioria dos respondentes afirmou possuir conta bancária, correspondendo a 73% da amostra, enquanto 27% declararam não possuir. Verifica-se, portanto, que grande parte dos participantes já possui algum vínculo com instituições financeiras, mesmo nas faixas etárias mais jovens. Tal inserção no sistema financeiro pode representar uma oportunidade para o desenvolvimento de hábitos relacionados ao controle dos recursos e aos investimentos.

Nessa perspectiva, jovens menores de idade que possuem conta bancária têm a possibilidade de colocar em prática conceitos de educação financeira, controlando seu saldo, planejando os gastos, aprendendo a lidar com as consequências de suas decisões financeiras e desenvolvendo a noção de limites em relação ao dinheiro (SERASA, 2026). Não obstante, é importante considerar que muitos desses jovens estão no início da vida adulta, tornando-se fundamental compreender a importância de planejar, poupar e investir desde cedo, contribuindo para um futuro mais seguro e reduzindo a dependência exclusiva dos benefícios previdenciários. Dessa forma, o planejamento financeiro iniciado ainda na juventude pode proporcionar melhores condições de renda, maior estabilidade econômica e qualidade de vida durante a velhice (SANTOS, 2022).

Quanto às instituições financeiras utilizadas, 28% dos respondentes não informaram o banco em que possuem conta. Entre aqueles mencionados, o Nubank apresentou maior frequência, sendo citado por 22,7% dos jovens, seguido pelo Caixa Tem, com 13,8%. Banco do Brasil, Banco Inter e Banrisul apresentaram, cada um, 8,1%. Também foram citados Sicredi (4,8%), PicPay (1,6%), Sicoob (1,6%), Bradesco (0,8%), Cresol (0,8%), Mercado Pago (0,8%) e NG Cash (0,8%).

Os dados demonstram uma forte presença dos bancos digitais entre os jovens, especialmente do Nubank, indicando uma tendência de maior adesão aos serviços financeiros digitais. Jabor et al. (2024) destacam que o modelo de atuação dos bancos digitais está baseado na oferta de contas digitais sem cobrança de tarifas e de cartões de crédito isentos de anuidade, benefícios utilizados como estratégia para atrair novos clientes.

O Caixa Tem, por sua vez, é uma conta digital da Caixa utilizada tanto para a movimentação de benefícios sociais do Governo Federal, como Bolsa Família, Pé-de-Meia, Abono Salarial e Seguro-Desemprego, quanto para pagamentos, transferências via Pix e compras. Sua posição como a segunda opção mais utilizada pelos jovens pode estar associada ao programa Pé-de-Meia, que oferece incentivos financeiros voltados à permanência e à conclusão do ensino médio. Além dos pagamentos vinculados à matrícula e à frequência escolar, os estudantes também recebem depósitos anuais e incentivos adicionais relacionados à participação no Enem (BRASIL, 2026).

Em relação ao cartão de crédito, a maioria dos participantes afirmou não possuir, representando 69,1% da amostra, enquanto 30,9% declararam possuir cartão. O percentual em questão pode estar associado principalmente à faixa etária predominante dos respondentes, uma vez que muitos ainda são menores de idade e estão iniciando sua relação com serviços e produtos financeiros.

Na sequência, os resultados relacionados ao perfil financeiro familiar permitem observar características importantes do contexto socioeconômico dos participantes, conforme apresentado na Tabela 2.

Tabela 2. Perfil familiar financeiro

Questões

Alternativas

Frequência

Percentual

Principal fonte de renda familiar

Salário

78

63,4%

Ganhos próprios ou provenientes do negócio da família

27

21,9%

Benefícios/subsídios do governo (bolsa de ensino, bolsa família)

12

9,7%

Aposentadoria ou Pensão

5

4,0%

Auxílio (mesada) de outra(s) pessoa(s)

1

0,8%

Responsável por prover recursos para o pagamento das contas da família

Seus Pais

109

88,6%

Você e outro membro da família

10

8,1%

Você e seu(a) parceiro(a)

2

1,6%

Seu(a) parceiro(a)

1

0,8%

Você

1

0,8%

Família faz um planejamento financeiro

Sim

79

64,2%

Não

44

35,7%

Frase que descreve a situação do dinheiro na sua família

Pagamos todas as contas e temos o suficiente para gastos esporádicos (ex.: presentes de aniversário).

50

40,6%

Usualmente, temos mais do que precisamos para pagar todas as contas mensais e podemos economizar ou comprar coisas extras.

34

27,6%

Pagamos todas as contas, mas não temos o suficiente para gastos esporádicos (ex.: presentes de aniversário).

33

26,8%

Geralmente, não conseguimos pagar todas as contas mensais.

6

4,8%

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

Em relação à principal fonte de renda familiar, observa-se a predominância do salário, que representa 63,4% das respostas. Esse percentual indica que a maior parte das famílias possui como principal fonte de sustento a renda proveniente do trabalho formal. Em consonância, dados do IBGE (2026) demonstram que o rendimento proveniente do trabalho permaneceu como a principal fonte de renda da população brasileira em 2025, correspondendo a 47,8%.

Em seguida, destacam-se os ganhos próprios ou provenientes do negócio da família, com 21,9%, evidenciando que parte dos respondentes pertence a famílias que desenvolvem atividades autônomas ou possuem empreendimentos familiares. Já os benefícios e subsídios do governo correspondem a 9,7%, enquanto aposentadoria ou pensão representam 4%. Apenas 0,8% indicaram receber auxílio financeiro de outras pessoas.

No que se refere à responsabilidade pelo pagamento das contas familiares, verifica-se que, em 88,6% dos casos, os pais são os principais responsáveis financeiros. Tal resultado pode estar relacionado à faixa etária predominante dos participantes, composta majoritariamente por adolescentes, que normalmente ainda dependem financeiramente de seus responsáveis. Uma parcela de 8,1% afirmou dividir essa responsabilidade com outro membro da família, enquanto percentuais de 0,8% foram identificados tanto para o próprio respondente quanto para o(a) parceiro(a) como responsável pelo pagamento das contas familiares.

Quanto ao planejamento financeiro, 64,2% dos respondentes afirmaram que a família realiza algum tipo de planejamento, enquanto 35,7% responderam que não. Os dados demonstram que grande parte das famílias apresenta preocupação com a organização e o controle financeiro, aspectos importantes para a estabilidade econômica e para a tomada de decisões conscientes. Nesse sentido, o planejamento financeiro contribui para a organização das finanças pessoais e familiares, auxiliando no controle dos recursos, na disciplina financeira e no alcance de objetivos e metas, com reflexos positivos em diferentes áreas da vida dos indivíduos (SCHEIN; BENTO, 2024).

Ao analisar a percepção dos participantes sobre a situação financeira da família, observa-se que 40,6% afirmaram conseguir pagar todas as contas e ainda dispor de recursos para gastos esporádicos. Além disso, 27,6% relataram possuir, usualmente, mais recursos do que o necessário para o pagamento das contas mensais, possibilitando economizar ou realizar gastos extras. Por outro lado, 26,8% informaram que conseguem pagar as contas, porém sem recursos suficientes para gastos esporádicos, ao passo que 4,8% afirmaram não conseguir pagar todas as contas mensais. Dessa forma, 31,6% dos respondentes encontram-se em uma situação financeira mais apertada ou de endividamento.

O excesso de dívidas representa uma ameaça significativa ao bem-estar financeiro e à qualidade de vida dos indivíduos. Em situações mais graves, o comprometimento da renda pode reduzir a capacidade do devedor de administrar adequadamente seus recursos financeiros. Além dos prejuízos econômicos, essa condição pode gerar impactos emocionais relevantes, como ansiedade, insegurança, nervosismo, irritabilidade e estresse, evidenciando que o endividamento afeta não apenas as finanças, mas também o equilíbrio psicológico e social das pessoas (SILVA et al., 2020).

Diante disso, a explicação para o cenário de endividamento não está relacionada apenas ao salário, à disponibilidade de empregos ou ao crescimento econômico. Aspectos como o alto custo de vida, as elevadas taxas de juros e a necessidade de recorrer a financiamentos para manter o consumo também contribuem para a compreensão desse fenômeno (G1, 2026).

Na sequência, a Tabela 3 apresenta aspectos relacionados ao controle financeiro e à percepção dos participantes quanto à educação financeira e à própria situação econômica.

Tabela 3. Controle financeiro

Questões

Alternativas

Frequência

Percentual

Afirmações que melhor descreve o quanto você monitora seus gastos regulares

Não mantenho uma planilha de controle, mas controlo os meus gastos.

71

57,7%

Mantenho uma planilha de controle de todos os meus gastos.

23

18,6%

Não costumo controlar meus gastos.

16

13,0%

Mantenho uma planilha de controle apenas dos gastos principais.

13

10,5%

Onde mais aprendeu sobre educação financeira

Na escola ou na faculdade.

53

43,0%

Em casa com a minha família.

32

26,0%

Sozinho, nas experiências ao gerenciar meu dinheiro.

17

13,8%

Na internet, revistas, livros, tv ou rádio

14

11,3%

Em cursos.

3

2,4%

Nas conversas com amigos.

2

1,6%

Trabalhando no financeiro de uma cooperativa do Sicredi

1

0,8%

YouTube e escola

1

0,8%

Quão satisfeito você está com sua situação financeira

Satisfeito.

56

45,5%

Insatisfeito.

30

24,3%

Indiferente.

20

16,2%

Totalmente satisfeito.

9

7,3%

Totalmente insatisfeito.

8

6,5%

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

No que tange ao monitoramento dos gastos regulares, Piccini e Pinzetta (2014) destacam que existe uma preocupação com o controle e o acompanhamento das finanças familiares. Contudo, o interesse pelo tema nem sempre é acompanhado pelo conhecimento necessário para uma gestão eficiente. Nesse sentido, investir em conhecimentos relacionados ao planejamento e ao orçamento doméstico torna-se importante, uma vez que pode favorecer atitudes mais assertivas e hábitos positivos, entre eles o monitoramento regular dos gastos familiares, considerado uma ferramenta relevante para o equilíbrio financeiro.

Uma tendência semelhante pode ser observada na presente pesquisa, visto que 57,7% dos respondentes afirmaram não manter uma planilha de controle financeiro, embora realizem o acompanhamento dos próprios gastos de alguma forma. Tal comportamento indica uma preocupação com o controle financeiro, ainda que sem a utilização de ferramentas formais de organização. Em contrapartida, 18,6% declararam manter uma planilha com o controle de todos os gastos, demonstrando maior nível de organização financeira. Já 13,8% afirmaram não controlar seus gastos, enquanto 10,5% utilizam planilhas apenas para os gastos principais.

Quanto ao local em que os participantes mais aprenderam sobre educação financeira, a escola ou faculdade aparece como principal fonte de aprendizado, representando 43% das respostas. Esse percentual evidencia a importância das instituições de ensino na formação financeira dos jovens. Nesse contexto, a Agência Senado (2026) destaca que a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou, em 5 de maio de 2026, a proposta que cria a Política Nacional de Educação Empreendedora e Financeira. O PL 2.356/2024 incorpora o empreendedorismo e a educação financeira aos currículos de todos os níveis da educação básica como conteúdos transversais.

Na sequência, destaca-se o ambiente familiar, citado por 26% dos respondentes, reforçando a influência da família no desenvolvimento de hábitos financeiros. Além disso, 13,8% afirmaram aprender sozinhos, a partir das próprias experiências na administração do dinheiro, ao passo que 11,3% indicaram a internet, revistas, livros, televisão ou rádio como principais meios de aprendizado. Os cursos foram mencionados por 2,4% dos participantes e as conversas com amigos por 1,6%. Já o mercado formal de trabalho, incluindo a atuação no setor financeiro de uma cooperativa do Sicredi, o YouTube e a escola foram citados, cada um, por 0,8% dos respondentes.

No que se refere à satisfação com a situação financeira, observa-se predominância de respostas positivas. A maior parcela dos participantes, correspondente a 45,5%, declarou-se satisfeita com sua situação financeira. Entretanto, 24,3% afirmaram estar insatisfeitos, enquanto 16,2% demonstraram indiferença. Percentuais menores indicaram estar totalmente satisfeitos (7,3%) ou totalmente insatisfeitos (6,5%).

Segundo o Relatório de Cidadania Financeira, a insatisfação dos jovens com sua situação financeira pode estar relacionada ao menor nível de controle sobre as próprias finanças, característica comum entre indivíduos que estão iniciando sua relação com produtos de crédito e com a gestão de recursos financeiros. Além disso, aspectos comportamentais associados a essa faixa etária, como a baixa preocupação com o planejamento financeiro e a ausência de reservas financeiras, podem aumentar a vulnerabilidade diante de eventos inesperados, problemas de saúde ou despesas emergenciais, contribuindo para a sensação de instabilidade econômica e para a insatisfação com a própria condição financeira (BCB, 2025).

Na sequência, a Tabela 4 apresenta aspectos relacionados ao modo de pensar dos participantes em relação às finanças, contemplando sua percepção sobre consumo, planejamento e poupança. A análise das médias obtidas a partir das afirmações permite comparar essas percepções. A escala Likert varia de 1 a 5 pontos, em que 1 corresponde a “discordo totalmente” e 5 a “concordo totalmente”.

Tabela 4. Modo de Pensar

Variável

Média

Eu gosto de comprar coisas, porque isso me faz sentir bem

3,2

O dinheiro é feito para gastar.

2,7

É difícil construir um planejamento de gastos familiar.

2,4

Considero mais satisfatório gastar dinheiro do que poupar para o futuro.

2,2

Poupar é impossível para a nossa família.

2,0

Não me preocupo com o futuro, vivo apenas o presente.

1,6

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

No que concerne ao modo de pensar dos participantes em relação às finanças, especialmente aos aspectos relacionados ao consumo, planejamento e poupança, observa-se que a maior média foi registrada na afirmação “Eu gosto de comprar coisas, porque isso me faz sentir bem”, com 3,2. O valor evidencia uma leve tendência à concordância e uma tendência mais favorável ao consumismo, mostrando que o ato de comprar pode estar associado à satisfação pessoal e ao bem-estar emocional dos participantes. Nesse cenário, a limitação de recursos financeiros, ao dificultar o acesso ao consumo desejado, pode afetar negativamente o bem-estar psicológico dos indivíduos (CORDEIRO, 2025).

A afirmação “O dinheiro é feito para gastar” apresentou média de 2,7, indicando uma posição intermediária entre concordância e discordância. Já a frase “É difícil construir um planejamento de gastos familiar” obteve média de 2,4, apontando leve discordância, embora os participantes reconheçam algumas dificuldades relacionadas à organização financeira da família.

Por outro lado, a média de 2,2 na afirmativa “Considero mais satisfatório gastar dinheiro do que poupar para o futuro” demonstra que, embora o consumo esteja associado à satisfação pessoal, os participantes não concordam fortemente com a ideia de priorizar os gastos em detrimento da poupança. Da mesma forma, a afirmação “Poupar é impossível para a nossa família” apresentou média de 2,0, demonstrando que os participantes, em geral, também não concordam totalmente com essa ideia. Tal percepção pode estar relacionada ao entendimento de que, mesmo diante de limitações financeiras, ainda existe a possibilidade de economizar ou organizar melhor os recursos familiares.

Por fim, a afirmativa que apresentou a menor média foi “Não me preocupo com o futuro, vivo apenas o presente”, com 1,6. O valor sugere que a maioria dos respondentes demonstra preocupação com o futuro no que se refere ao planejamento financeiro.

Na sequência, a Tabela 5 apresenta aspectos relacionados ao comportamento financeiro dos participantes. Para sua análise, utilizou-se uma escala Likert de cinco pontos, distribuída da seguinte forma: 1 = nunca; 2 = quase nunca; 3 = às vezes; 4 = quase sempre; e 5 = sempre.

Tabela 5. Comportamento

Variável

Média

Antes de comprar alguma coisa verifico cuidadosamente se tenho condições para pagar.

4,2

Comparo preços ao fazer uma compra.

3,9

Pago minhas contas em dia.

3,8

Eu guardo dinheiro regularmente para atingir objetivos financeiros de longo prazo como, por exemplo, comprar um telefone, um carro.

3,4

Nos últimos 12 meses tenho conseguido poupar dinheiro.

3,2

Eu evito comprar por impulso e utilizar as compras como uma forma de diversão.

3,2

Eu guardo parte da minha renda todo o mês.

3,2

Faço uma reserva do dinheiro que recebo mensalmente para uma necessidade futura.

3,2

Tenho um plano de gastos / orçamento.

2,9

Eu discuto com a minha família sobre como gasto o nosso dinheiro.

2,6

Anoto e controlo meus gastos pessoais (ex.: planilha de receita e despesas mensais.

2,5

Gasto o dinheiro antes de obtê-lo.

1,8

Frequentemente peço dinheiro emprestado para a família ou amigos para pagar as contas.

1,7

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

No que diz respeito ao comportamento financeiro dos participantes, observa-se que a maior média foi registrada na afirmativa “Antes de comprar alguma coisa verifico cuidadosamente se tenho condições para pagar”, com 4,2. O resultado demonstra elevado nível de consciência financeira entre os respondentes, indicando preocupação com o controle dos gastos e com a capacidade de pagamento antes da realização de compras.

Da mesma forma, as afirmativas “Comparo preços ao fazer uma compra” e “Pago minhas contas em dia” apresentaram médias elevadas, de 3,9 e 3,8, respectivamente. Os valores sugerem comportamentos financeiros positivos, relacionados ao planejamento, à organização e ao consumo consciente. Massante (2017) destaca que o consumo corresponde a uma ação consciente e relacionada ao que é essencial, diferenciando-se do consumismo, caracterizado pelo consumo excessivo e sem planejamento, motivado pelo desejo.

A afirmativa “Eu guardo dinheiro regularmente para atingir objetivos financeiros de longo prazo” apresentou média de 3,4, evidenciando que parte significativa dos respondentes possui preocupação com metas financeiras futuras e com o planejamento de longo prazo. Em relação ao hábito de poupar, as afirmativas “Faço uma reserva do dinheiro que recebo mensalmente para uma necessidade futura”, “Eu guardo parte da minha renda todo o mês” e “Nos últimos 12 meses tenho conseguido poupar dinheiro” apresentaram média de 3,2. Tais valores indicam uma tendência moderada à prática da poupança entre os participantes, apontando que nem sempre é possível manter esse hábito.

Por outro lado, a afirmação “Tenho um plano de gastos/orçamento” apresentou média de 2,9, indicando uma posição intermediária quanto à realização de um planejamento financeiro formal. Já “Anoto e controlo meus gastos pessoais (ex.: planilhas)” obteve média de 2,5, demonstrando que o hábito de registrar as despesas ainda não é amplamente adotado pelos respondentes. Segundo o Sebrae (2026), ferramentas de controle financeiro, como as planilhas, são importantes para acompanhar entradas, saídas e saldos, possibilitando uma visão mais clara do orçamento e dos aspectos que necessitam de ajustes.

As menores médias foram identificadas nas afirmativas “Frequentemente peço dinheiro emprestado para a família ou amigos para pagar as contas”, com 1,7, e “Gasto o dinheiro antes de obtê-lo”, com 1,8. Os valores apontam baixa frequência desses comportamentos entre os participantes, sugerindo atitudes mais conscientes em relação ao uso do dinheiro e menor presença de práticas associadas ao descontrole financeiro e ao endividamento.

De modo geral, os resultados demonstram que os jovens participantes apresentam uma percepção relativamente positiva em relação à educação financeira, com preocupação voltada ao controle dos gastos, à capacidade de pagamento e ao consumo consciente. Observou-se também forte inserção no contexto financeiro digital, especialmente por meio da utilização de bancos digitais e ferramentas tecnológicas. Apesar disso, práticas mais estruturadas de planejamento financeiro, como a elaboração de orçamento e o registro sistemático das despesas, ainda aparecem de forma moderada, indicando que o conhecimento financeiro nem sempre é acompanhado por sua aplicação prática no cotidiano.

Nesse sentido, os jovens demonstram preocupação com sua vida financeira e apresentam comportamentos que indicam uma crescente conscientização sobre a importância da gestão dos recursos. Embora a maioria não utilize ferramentas formais de controle, como planilhas financeiras, grande parte afirmou monitorar seus gastos de alguma forma e verificar sua capacidade de pagamento antes de realizar compras. Tais aspectos sugerem que os participantes reconhecem a importância do controle financeiro, mesmo que ainda estejam em processo de desenvolvimento desse hábito.

Esses achados tornam-se relevantes ao demonstrarem que os jovens já possuem uma base de consciência favorável à construção de hábitos financeiros saudáveis. O controle dos gastos e o planejamento são práticas fundamentais para a gestão eficiente dos recursos, tanto no âmbito pessoal quanto familiar. Quanto mais cedo esses hábitos forem desenvolvidos, maiores serão as possibilidades de evitar situações de endividamento.

Por fim, os resultados reforçam a importância de fortalecer a educação financeira nos ambientes escolar e familiar, uma vez que ambos se destacaram como importantes fontes de aprendizado entre os participantes. Em um cenário econômico cada vez mais complexo, marcado pela facilidade de acesso ao crédito e pelos constantes estímulos ao consumo, desenvolver a capacidade de planejar, poupar e administrar recursos torna-se essencial para a construção de um futuro financeiro saudável. Dessa forma, investir na formação financeira dos jovens pode contribuir não apenas para seu bem-estar individual, mas também para a formação de uma sociedade mais responsável e consciente.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo analisar a percepção dos jovens sobre educação financeira e identificar sua relação com o comportamento econômico, evidenciando a relevância desse tema na sociedade atual. A partir dos resultados obtidos, considera-se que o objetivo da pesquisa foi atingido, uma vez que foi possível compreender aspectos relacionados ao perfil financeiro, aos hábitos de consumo, ao comportamento financeiro e ao nível de conscientização dos jovens estudantes de Palmeira das Missões-RS.

Os resultados demonstraram que os participantes apresentam comportamentos financeiros relativamente positivos, especialmente no que se refere ao controle dos gastos, à comparação de preços e à preocupação com a capacidade de pagamento antes de realizar compras. Além disso, observou-se preocupação com o futuro financeiro e uma tendência moderada à prática da poupança. Outro aspecto relevante foi a forte presença dos bancos digitais entre os jovens, demonstrando a inserção das tecnologias digitais na forma como esse público se relaciona com o dinheiro e com os serviços financeiros.

Por outro lado, práticas mais estruturadas de planejamento financeiro, como a elaboração de orçamento e o registro sistemático das despesas por meio de planilhas, ainda não são amplamente utilizadas pelos respondentes. Dessa forma, percebe-se a necessidade de fortalecer ações voltadas à educação financeira, especialmente no ambiente escolar, considerando que a escola se destacou como a principal fonte de aprendizado sobre o tema.

Nesse contexto, a pesquisa contribui ao apresentar evidências sobre a realidade financeira de jovens inseridos em um contexto regional, ampliando as discussões sobre educação e comportamento financeiro. Sob a perspectiva da sustentabilidade econômica e social, os resultados reforçam a importância da formação de hábitos relacionados ao planejamento, ao uso consciente dos recursos e ao consumo responsável. Em termos práticos, tais evidências podem auxiliar instituições de ensino, famílias e demais agentes envolvidos na formação dos jovens no desenvolvimento de ações voltadas a práticas financeiras mais sustentáveis e à construção de maior equilíbrio financeiro ao longo do tempo.

Como limitação da pesquisa, destaca-se a dificuldade em obter participantes das faixas etárias mais elevadas, o que resultou na predominância de respondentes entre 14 e 16 anos. Essa característica da amostra pode ter influenciado alguns resultados, especialmente aqueles relacionados à autonomia financeira e ao uso de produtos e serviços financeiros. Para estudos futuros, sugere-se ampliar a amostra, buscando maior equilíbrio entre as faixas etárias e incluindo diferentes municípios e contextos socioeconômicos, possibilitando análises comparativas mais abrangentes.

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