A TANATOLOGIA E O CURRÍCULO NA EDUCAÇÃO PARA VELHOS: UMA ANÁLISE A PARTIR DA UNIVERSIDADE DA MATURIDADE-PALMAS-TO

THANATOLOGY AND THE CURRICULUM IN EDUCATION FOR OLDER ADULTS: AN ANALYSIS BASED ON THE UNIVERSITY OF MATURITY IN PALMAS, TOCANTINS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/790018061

RESUMO
O estudo integra uma pesquisa de doutorado em educação realizada no Programa Educanorte pela Universidade Federal do Tocantins. O objetivo foi discutir o currículo da Universidade da Maturidade (UMA) em relação à temática da tanatologia. Constitui-se como uma pesquisa qualitativa, orientada por estudo bibliográfico e análise documental, tendo como documento de maior relevância o Projeto Político Pedagógico da UMA. Conclui-se que a Universidade da Maturidade, ao fundamentar seu currículo em uma pedagogia social e dialógica, inspirada em Paulo Freire, configura-se como um lócus privilegiado para a inserção da tanatologia. A análise de seu Projeto Político Pedagógico revela que a instituição transcende a visão de um currículo meramente prescritivo, compreendendo-o como uma prática social complexa e não neutra. Nesse contexto, a abordagem da finitude emerge não como um tema interdito, mas como um elemento essencial para a formação integral do ser humano, promovendo a ressignificação da vida e o enfrentamento consciente do processo de morrer, em um ambiente que valoriza os saberes e as experiências dos velhos.
Palavras-chave: Tanatologia; Currículo; Universidade da Maturidade; Velhice; Educação Intergeracional.

ABSTRACT
The study forms part of a PhD research project in education, carried out within the Educanorte Programme at the Federal University of Tocantins. The aim was to examine the curriculum of the University of Maturity (UMA) in relation to the subject of thanatology. It is a qualitative study, based on a literature review and documentary analysis, with the UMA’s Political Pedagogical Project serving as the most significant source material. It can be concluded that the University of Maturity, by basing its curriculum on a social and dialogical pedagogy inspired by Paulo Freire, stands as a prime setting for the integration of thanatology. An analysis of its Political Pedagogical Project reveals that the institution goes beyond the vision of a merely prescriptive curriculum, understanding it as a complex and non-neutral social practice. In this context, the concept of finitude emerges not as a taboo subject, but as an essential element in the holistic development of the human being, encouraging a renewed sense of purpose in life and a conscious engagement with the process of dying, within an environment that values the knowledge and experiences of older people.
Keywords: Thanatology; Curriculum; University of Maturity; Old Age; Intergenerational Education.

1. INTRODUÇÃO

A educação para a morte é um tema muitas vezes negligenciado, mas de extrema importância. É fundamental que as pessoas desenvolvam compreensão saudável e realista sobre a morte, para que possam lidar com ela de forma mais tranquila e consciente.

Essa educação não se limita a aprender sobre os processos físicos que ocorrem quando alguém morre, mas também envolve a compreensão de como lidar com as emoções e os aspectos espirituais envolvidos nesse momento tão delicado. É importante que as pessoas tenham a oportunidade de refletir sobre a finitude da vida e sobre aquilo que realmente importa para elas.

Para Osório (2002, p. 18), “no decorrer de toda uma vida, tudo se aprende, independente da fonte de conhecimento, seja a partir da vida pessoal ou da experiência do mundo sem a qual as comparações da ciência nada estabeleceriam aos seres humanos”.

A educação para a morte não se limita ao aprendizado sobre os processos físicos que ocorrem quando alguém morre, mas também envolve a compreensão das emoções e dos aspectos espirituais presentes nesse momento tão delicado. Nesse sentido, é importante que as pessoas tenham a oportunidade de refletir sobre a finitude da vida e sobre aquilo que realmente tem significado para elas.

Além disso, a educação para a morte pode contribuir para quebrar tabus e superstições que cercam esse assunto, tornando-o mais natural e menos assustador. Ao falar abertamente sobre a morte, é possível criar um ambiente mais acolhedor e compassivo para aqueles que enfrentam o processo de luto.

Segundo Ariès (1977), o tema da morte tornou-se interdito no século XX, sendo banido da comunicação entre as pessoas. Paradoxalmente, nesse mesmo século, a morte esteve, e continua presente no início do século XXI, cada vez mais próxima das pessoas, em função, principalmente, do desenvolvimento das telecomunicações. A TV introduz diariamente, em milhões de lares, cenas de morte, violência, acidentes, doenças, sem que haja a mínima possibilidade de elaboração, dado o ritmo propositalmente acelerado desse veículo de comunicação. Então, ao mesmo tempo em que é interdita, a morte torna-se uma companheira cotidiana, invasiva e sem limites, e, embora essas mortes estejam tão próximas, real ou simbolicamente, ainda reina uma conspiração do silêncio. Crianças e adolescentes convivem, diariamente, com essas imagens, ao mesmo tempo em que se tenta "poupá-los" para não os entristecer.

Segundo Kovács (2005), as mortes próximas evidenciam um distúrbio na comunicação chamado de conspiração do silêncio. Pais, professores e profissionais de saúde enfrentam dilemas ao lidar com a morte, seja de familiares, ídolos ou pacientes. O tabu em torno do tema contribui para a queda na qualidade de vida, refletindo-se em problemas sociais e de saúde pública, como a violência, o HIV, o suicídio, a pandemia da Covid-19 e as guerras.

Portanto, é essencial que a educação para a morte seja incorporada de forma mais abrangente nos currículos escolares e nos programas de formação profissional. Ao promover maior compreensão e aceitação da morte, é possível contribuir para uma sociedade mais empática e solidária, em que o processo de morrer e de viver seja encarado com mais serenidade e gratidão.

Nesse sentido, ao discutir sobre a morte no âmbito do currículo da Universidade da Maturidade (UMA), o objetivo geral do estudo foi discutir o currículo da Universidade da Maturidade (UMA) na temática da tanatologia, considerando o que tem sido apresentado aos velhos da UMA nessa temática. O estudo é qualitativo, bibliográfico e documental, e o artigo apresenta uma reflexão inicial sobre a morte, com foco no contexto da educação.

2. FUNDAMENTOS CURRICULARES: DIÁLOGO, PODER E A PERSPECTIVA HUMANISTA

Para Sacristán (2013, p. 16), “o currículo é uma prática na qual a escola estabelece o diálogo [...]”, contudo, o que vemos no interior das instituições de ensino da educação básica, ressalvadas as exceções, é que esse documento continua sendo usado como uma “receita” a ser seguida, embora essa concepção seja negada em todos os documentos oficiais voltados para a educação. Para Ponce (2016, p. 1142), “a educação escolar constitui um espaço de disputa de poder que tem se expressado, mais enfaticamente, por meio da luta pela definição dos currículos”. Martins (2010, p. 14) afirma que “nenhuma formação pode ser analisada senão na complexa trama social da qual faz parte”.

Nessa perspectiva, podemos afirmar que o currículo nunca é neutro. Ele sempre expressa uma intenção de quem o organiza, por isso, não pode ser concebido senão estando inserido na complexa trama social da escola da qual faz parte. As lutas, os embates que ocorrem no interior da comunidade escolar devem constar no currículo. Esse contexto particular de cada instituição escolar também é parte do currículo. Dessa forma, é necessário considerar o currículo oficial e o currículo oculto. Para Sacristán (2013), “[...] estão implicados com o currículo todos os temas que têm alguma importância para compreender o funcionamento da realidade e da prática escolar no nível de aula, de escola e do sistema educativo”.

Para Arroyo (2013, p. 71), “os currículos acumulam muitos saberes, mas sabem pouco dos adultos que os ensinam e menos ainda das crianças, adolescentes e jovens que o aprendem.” Os conhecimentos acumulados e as experiências não devem e não podem ser ignorados nos currículos, como ainda ocorre dentro das escolas e nos documentos oficiais que orientam as instituições e seus professores. É interessante pensar em um currículo ‘mais humano’, ‘mais real’, no qual a comunidade escolar participe e reconheça sua função social a partir de sua história, de sua cultura, suas necessidades e crenças.

Paulo Freire, por exemplo, defende uma educação libertadora fundamentada numa visão humanista crítica, que vê o ser que aprende como um todo – sentimentos, pensamentos e ações – não só o seu intelecto. Neste enfoque, a aprendizagem não se limita à ampliação de conhecimentos, torna-se profunda e influencia as escolhas e atitudes do indivíduo. A sua proposta pedagógica rejeita a neutralidade do processo educativo, concebe a educação como dialógica e conduz o educando a um pensar autêntico e crítico da sua realidade.

Segundo Santiago (2006), os fundamentos teóricos da proposta educacional de Paulo Freire com o objetivo de assegurar aprendizagens capazes de propiciar aos educandos a construção de novos conhecimentos, permitindo instrumentalizarem-se adequadamente na luta pela melhoria de suas condições de existência, têm oferecido uma preciosa contribuição para a construção de uma teoria curricular efetivamente emancipatória e eticamente comprometida com a humanização.

As ideias de Freire revelam uma visão mais ampla do currículo, não se limitando apenas à dimensão do saber. Para o autor, o currículo reflete a ideologia presente na sociedade, nas ações e nas ideias de todos os envolvidos no processo educativo, dessa forma, a prática curricular é compreendida como uma totalidade sociocultural complexa, que envolve todas as interações do espaço escolar.

Segundo Paulo Freire (1980), problematizar significa analisar criticamente a relação entre o homem e o mundo. Para isso, é necessário que os sujeitos se voltem para a realidade mediadora de forma dialógica, a fim de transformá-la. Na educação libertadora, os homens são vistos como corpos conscientes, capazes de criar e transformar a história. O diálogo é essencial para superar a contradição na relação entre educador e educando, pois é por meio dele que a realidade se revela. Ou seja:

É preciso que a educação esteja - em seu conteúdo, em seus programas e em seus métodos - adaptada ao fim que se persegue: permitir ao homem chegar a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer com os outros homens relações de reciprocidade, fazer a cultura e a história (Freire, 1980, p. 39).

Na pedagogia de Freire, o princípio teórico-metodológico da ação educativa está fundamentado na compreensão de que todo ser humano é construtor de conhecimento e, portanto, produtor de cultura. Sendo assim, faz-se necessário que os processos educativos ofereçam aos educandos oportunidades para confrontar seus conhecimentos com informações mais amplas, consistentes e significativas para a construção e/ou reconstrução de novos conhecimentos.

Inicialmente, devemos refletir sobre a efetiva prática da educação no Brasil que, em todos os tem­pos e em todos os níveis, tem sido marcadamente, de maneira explícita ou não, uma forma de doutrinação das mentes a partir de determinada perspectiva filosófica, cultural, religiosa ou científica. O fato de ser científica não significa que esteja isenta de pressupostos ou que não trabalhe em nível pedagógico com “verdades” fechadas.

Cientistas profissionais, muitas vezes, consideram suas hipóteses de traba­lho como provisórias e a construção do conhecimento como algo dinâmico, mas professores, em geral, desde o nível fundamental até o superior, ensinam conteúdos fe­chados e não discutem visões alternativas para uma dada questão, no caso, deste estudo em apreço, a Tanatologia.

A Tanatologia tem procurado, no mundo, atingir um nível de interdisciplinaridade, reconhecendo a necessidade de se falar de morte do ponto de vista biológico, social, histórico, filosófico, psicológico, religioso, jurídico etc. Nesse sentido, “a educação para a morte não é nenhuma forma de prepara­ção religiosa para a conquista do Céu. É um processo educa­cional que tende a ajustar os educandos à realidade da Vida, que não consiste apenas no viver, mas também no existir e no transcender” (Pires, 2004, p. 23).

Nesse viés, abordar e refletir sobre a Tanatologia são desafios que nos motivam a compreender que a escola é um dos espaços educativos nos quais se aprende a decodificar as percepções sobre o mundo e que, dentre as suas funções, tem o papel de formar cidadãos conscientes e críticos, capazes de interpretar sua realidade e transformá-la. De acordo com Paiva (2011, p. 18),

a escola é um centro de intercâmbio social para o desenvolvimento das pessoas. Assim, ela se constitui em um espaço privilegiado de preparo dessas pessoas para o enfrentamento do mundo a partir do qual deve ser possível repensar todos os aspectos constitutivos da vida, incluindo a sua finitude.

Em relação à ciência que estuda a finitude da vida, Assumpção (2003, p. 10) informa que a palavra Tanatologia deriva do idioma grego: thánatos, que representa o deus da morte na mitologia grega, e logos, que significa estudo. Desse modo, Tanatologia pode ser compreendida como o estudo da morte ou a ciência da morte. Ela é considerada ciência porque reflete sobre a morte, estuda as suas relações e suas consequências em diversas áreas do conhecimento, dentre elas, na educação.

Nessa premissa, entende-se a Tanatologia como uma proposta de educação sobre a realidade da morte e do sofrimento atrelada à educação para uma vida consciente e com qualidade. Isso porque se considera que,

o trabalho das questões tanatológicas promove a quebra da resistência em pensar, falar ou saber sobre os temas que envolvem a morte e que fazê-lo propiciar um conhecimento peculiar sobre este evento, ajudando as pessoas à ressignificarem o cuidado para consigo e com o mundo (Grzybowski, 2014, p. 315).

Desse modo, quando a escola viabiliza a abordagem de questões tanatológicas, criando a possibilidade de que toda a comunidade escolar possa trocar vivências, falar de seus sentimentos diante da morte, esclarecer dúvidas e formular novas questões a esse respeito, ela “permite que as pessoas criem estratégias de enfrentamento da dor e que concebam novos sentidos para as perdas vivenciadas e para a própria vida” (Oliveira e Medeiros, 2020, p. 185).

segundo Santos (2014, p. 11), esse pressuposto:

contribui para o desenvolvimento da resiliência, aqui entendida como sendo a capacidade de recuperação, reorganização, desenvolvimento e superação de obstáculos, apesar de acontecimentos desestabilizadores e condições desfavoráveis. Além disso, este tipo de abordagem também favorece o processo de elaboração do luto e o reconhecimento de recursos afetivos, comportamentais, sociais, religiosas, culturais e históricas para lidar com as hostilidades da vida e da morte.

Assim, reconhecendo a complexidade que envolve a tarefa de educar sobre a realidade da morte no contexto escolar e considerando a escassez de cursos de formação sobre a temática e de materiais que subsidiem os profissionais da educação no desenvolvimento deste trabalho, ressaltamos a importância da pesquisa aqui descrita, que resultará, também, na busca por compreender o currículo educativo, de modo a auxiliar professores da Universidade da Maturidade no ensino da Tanatologia.

Nesse sentido, Oliveira e Medeiros (2020, p. 196) salientam que:

a Tanatologia alarga as possibilidades de as pessoas reconhecerem recursos afetivos, comportamentais, sociais e culturais para lidar com situações adversas, consistindo, portanto, em um caminho para superação e enfrentamento de dificuldades e configurando uma oportunidade de se conceder novos significados à vida e produzir novas formas de cuidado para consigo, com os outros, essencialmente quando a finitude se aproxima.

Ao desenvolver sua análise a partir dessa premissa, Freire (2015, p. 91) demonstra profundo conhecimento holístico acerca da humanidade, ao expor seu pensamento a respeito da finitude dos homens.

Em diferentes momentos deste discurso, tenho chamado a atenção para a natureza humana social e historicamente constituída e não para a natureza humana como um aspecto a priori da História. Tenho igualmente insistido na finitude ou na inconclusão de que nos fizemos conscientes e que nos caracteriza como seres históricos. Nesse caso, não se pode olvidar que:

a educação para a morte a que se faz no cotidiano, envolvendo comunicação, relacionamentos, perdas, situações limites, nas quais reviravoltas podem ocorrer em qualquer fase do de­senvolvimento. Sendo Esta, calcada nos questionamentos, na procura do autoconhecimento, na busca de sentido para a vida, o verdadeiro sentido de aprendizagem significativa. Nunca se trata de dar receitas, respos­tas simples, padrões, normas ou doutrinação, é a bus­ca do sentido para toda a existência (Kovács, 2008, p. 466).

Por fim, neste estudo, não pretendemos esgotar todas as possibilidades de se promover uma educação para a morte por meio da realização desta pesquisa, pois a morte é um fenômeno multidimensional, que envolve uma variedade de crenças e valores, característica que torna sua abordagem complexa e permeada por grandes mistérios, exigindo que as particularidades regionais, históricas e culturais de alguns grupos e comunidades sejam consideradas.

Por isso, ao fazer esta ressalva, reforçamos a necessidade de um currículo orientador sobre a Tanatologia na Universidade da Maturidade, haja vista que reconhecemos a impossibilidade de contextualizar esse relevante assunto sem o apoio desse instrumento.

3. A UNIVERSIDADE DA MATURIDADE (UMA) COMO LÓCUS DA EDUCAÇÃO GERONTOLÓGICA E INTERGERACIONAL NA AMAZÔNIA

Para demonstrar essa necessidade de entendimento sobre o currículo da Tanatologia na Universidade da Maturidade, Macedo; Santos; Osório (2022, p. 51) esclarecem que:

A Universidade da Maturidade foi criada em 2006, por meio de uma proposta de trabalho de extensão da Universidade Federal do Tocantins, aprovada pelo colegiado de pedagogia. O projeto atende pessoas com idade superior a 45 anos, objetivando discutir o envelhecimento humano. O Curso possui um currículo voltado para conhecer e questionar o processo de envelhecimento humano, provocando transformações sociais na conquista de um envelhecimento digno e ativo, tendo como base o Estatuto do Idoso. Em contemplação do currículo na formação do educador político social do envelhecimento.

No mesmo sentido, Alves; Arantes; Camargo; Sampaio; Osório; Neto (2021, p. 838) afirmam que:

a UMA-UFT apresenta uma educação que tenha o poder de promover um envelhecimento ativo, que vise estimular, dentre outras questões: a habilidade cognitiva, o bem-estar e a imagem da pessoa idosa junto à sociedade e a qualidade de vida no envelhecimento. Essa experiência instituída no Tocantins, desvela a necessidade de se discutir uma educação sem limites de idade, sem fronteiras e para toda a vida, uma educação que tenha o caráter transformador e emancipador permeia os objetivos a serem alcançados, especificamente com relação a ciência que estuda a morte.

Em consonância, segundo Galvão (2021, p. 143), a educação:

constitui uma importante ferramenta para que os idosos conheçam seus direitos, tenha consciência de sua condição, do seu processo de envelhecer e possam discutir sobre as suas expectativas e necessidades de ampliar os seus conhecimentos, principalmente sobre a morte e o processo do morrer por meio da educação.

Assim, quando pensamos em introduzir a temática da morte na edu­cação, no âmbito da Universidade da Maturidade, não se trata de levantar artificial­mente mais um tema de estudo. Estamos lidando com as próprias metas e com os próprios métodos educacionais, pois reivindicamos, a partir do pensamento tanatológico, que a centralidade do processo pedagógico seja a formação para a vida e para a morte e não somente para a vida, para que o desenvolvimento da aprendizagem da pes­soa humana, em sua integralidade, seja a principal meta da educação, e não a aquisição de um conteúdo neutro e sem significado existencial.

Segundo o Projeto Pedagógico do Programa (PPP) da UMA/UFT (2018, p. 18), a aprendizagem é um fenômeno reconstrutivo e aprender é se transformar. “Significa ser capaz de utilizar a experiência e conhecimentos já adquiridos para atribuição de novos significados e para a transformação das informações obtidas em conhecimentos, razão pela qual necessitamos discutir mais sobre a morte no âmbito da educação”.

Com foco na égide da educação para a morte, pautada no diálogo entre as gerações, Alves et al. (2021, p. 838) explicam que a UMA-UFT vem facilitando, por meio de suas ações educativas, a interação e a mediação dos professores com foco na educação intergeracional, promovendo benefícios no desenvolvimento de atividades pedagógicas e contribuindo para o desenvolvimento das relações interpessoais ao possibilitar vivências de diversos modos de pensar, agir e sentir e a renovação de opiniões e visões acerca do mundo e da finitude das pessoas idosas.

Assim, a Universidade da Maturidade pode ser definida como:

um espaço sociocultural onde os idosos adquirem novos conhecimentos sobre questões significativas, ou validam os conhecimentos que já possuem, em um ambiente agradável e de acordo com métodos fáceis e aceitáveis com relação a educação para a morte (Formosa, 2010, p. 20).

Partindo desse viés, Santos (2010, p. 9) explica que:

a morte pode chegar em qualquer idade e em qualquer época da existência, haja vista que podemos nos confrontar com a perda de um ente querido; como a morte nos coloca diversas questões, então é um tema vital, de importância existencial, que deve ser tratado sempre. Quanto mais nos educarmos para a morte, mais nos educaremos para a vida e vice-versa.

Diante disso, Santos (2010, p. 7) aduz que: “mais do que em qualquer fase da vida, é, sobretudo, na velhice que a educação para a morte passa a ser obrigatória, visto que não há outra idade a ser vivida, e que a morte mais do que nunca é uma certeza que se avizinha”.

Segundo Lima (2001, p. 12-23), para trabalhar a educação para a morte com o idoso,

é necessária uma abordagem curricular para que haja uma aprendizagem mais significativa. Por isso, deverá haver na escola um currículo que evite o oferecimento de informações sem aprofundamento, com uma abordagem superficial, despojada de significado para o idoso. Se houver uma valorização dos saberes já existentes do idoso, oportunidades de desenvolvimento de competências e talentos, e participação no processo educacional, isso lhe possibilitará apropriar-se de conhecimentos que favorecerão melhor compreensão da realidade que o envolve, em todas as suas dimensões: o mundo, os fatos, as pessoas.

Tendo como princípio essa premissa, evidencia-se que a educação para a morte passa por algumas mudan­ças no próprio paradigma da educação. Comecemos por encarar a transformação pela qual deve passar o próprio educador que, antes de educar, precisa educar-se. Somente por meio do processo de autoconhecimento, conseguiremos, de fato, educar-nos para a morte. Uma vez nesse caminho, teremos a possibilidade de criar as condições para uma proposta curricular voltada para o ensino na área de Tanatologia na Universidade da Maturidade, em Palmas, no Estado do Tocantins.

Assim, não podemos esquecer que a proposta curricular da Universidade da Maturidade tem em seu escopo a concepção de uma educação permanente, sendo “concebida como um processo exigente, intencional, de promoção individual, social e cultural que respeita o conhecimento construído pelas experiências vivenciadas pelos acadêmicos da UMA-UFT” (PPC/UMA, 2006, p. 6).

Na mesma direção, observamos que o Projeto Pedagógico do Programa - PPP/UMA/UFT/TO (2011, p. 7) está embasado na “Pedagogia Social que possibilita um processo formativo e cultural, priorizando as aprendizagens e habilidades, valores, atitudes relacionadas com a vida cotidiana, melhorando, assim, a participação social e a qualidade de vida de seus acadêmicos”. Portanto, a prática do professor que atua no contexto da Universidade da Maturidade deve privilegiar a convivência social, visando à permanência e à participação do sujeito no meio social.

Nesse sentido, evidencia-se que:

o currículo da tanatologia servirá para direcionar o trabalho pedagógico dentro da Universidade da Maturidade de modo a tornar o acadêmico autônomo, em busca do conhecimento, haja vista que ensinar é exercer uma influência libertadora e requer que se promova a aprendizagem, por meio de ações formativas que conduzam ao empoderamento dos direitos e garantias fundamentais do velho (Macedo; Santos; Osório, 2022, p. 55).

Contexto em que observamos que o direito e as garantias fundamentais relacionados à educação são previstos, principalmente, na Constituição Federal de 1988, a qual declara, em seu art. 205, que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

No art. 206, é estabelecido que o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I - Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, o pluralismo de ideias e o direito à educação ao longo da vida. Ademais, em seu Art. 208, institui que o direito à educação será garantido por meio do acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, de acordo com as capacidades de cada pessoa (Brasil, 1988, p. 175).

Outro documento relevante diz respeito à Política Nacional do Idoso (PNI), de 1994, que comporta elementos referentes a essas relações ao tratar de educação e de cultura, prescrevendo a adequação de currículos, metodologias e materiais didáticos para pessoas idosas; a adoção de programas de ensino a distância, adaptados às diferentes velhices; e o apoio à criação de universidades da maturidade para esse público, em uma perspectiva de democratização do acesso às diversas formas de saber.

Ainda referente ao PNI, destacam-se a inserção de conteúdos relativos ao processo de envelhecimento nos currículos mínimos em todos os níveis do ensino formal, visando eliminar preconceitos e produzir conhecimento sobre o tema; a inclusão de disciplinas curriculares de Gerontologia e de Geriatria nos cursos superiores e o desenvolvimento de programas educativos, objetivando informar a população acerca do processo de envelhecimento, especialmente, nos meios de comunicação (Brasil, 1994, p. 4).

O direito à educação está garantido, também, no Estatuto da Pessoa Idosa de 2003, que reforçou recomendações e deveres anteriormente previstos, tais como: a obrigatoriedade do poder público de criar oportunidades de acesso das pessoas idosas à educação, adaptando currículos, metodologias e materiais didáticos aos programas educacionais destinados a essa população; a necessidade de os cursos voltados à velhice abrangerem técnicas de comunicação, computação e avanços tecnológicos e a inserção de conteúdos sobre processos de envelhecimento e a valorização da velhice nos currículos mínimos do ensino formal.

Além disso, evidenciam-se, também, a oferta de cursos e programas de extensão, seja nas modalidades presencial ou a distância, constituídos por atividades formais ou não formais, destinados às pessoas idosas; a criação de universidades abertas para pessoas idosas e o incentivo à publicação de livros e periódicos adequados às peculiaridades dos velhos, de forma a facilitar a leitura, considerando as limitações que podem advir com o envelhecimento (Brasil, 2003, p. 8).

Embora, no Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96) apresente relevância para a garantia e a concretização do direito à educação no cenário nacional, o documento não menciona a educação voltada à terceira idade. A pessoas idosa encontra-se incluída na modalidade de educação destinada a jovens e adultos. Essa inclusão pode ser prejudicial, haja vista que esse grupo, por suas características individuais, precisa de atividades e currículos voltados às suas necessidades educacionais, especificamente no âmbito da Universidade da Maturidade (UMA) (Brasil, 1996, p. 24).

Dessa forma, considera-se que o objetivo da UMA é desenvolver ações que contribuam para o envelhecimento saudável e ativo da população idosa, mediante a oferta de atividades transdisciplinares, de cunho educativo, que contemplem e desenvolvam aspectos físicos, intelectuais, cognitivos e sociais. Nesse sentido, faz-se necessária uma contextualização do nosso entendimento sobre os velhos, da Tanatologia e do Testamento Vital no Estado do Tocantins, em especial, no município de Palmas. Ao pontuar sobre velhos e educação, devemos buscar entender o que a Universidade da Maturidade da UFT, espaço pedagógico no qual foi implementado o Projeto de Extensão, considerado a alegria da vida dos velhos acadêmicos que frequentam a UMA, bem como, os seus professores, pensam, propõem e discutem sobre a morte e sobre o testamento vital.

A Universidade da Maturidade é um Programa de Extensão que atende velhos e velhas, o Programa completou 20 anos de existência, está situado na maioria dos municípios no Tocantins, e possui polos em outros estados do Brasil, e parceria em Portugal. Portanto, a Universidade da Maturidade da Universidade Federal do Tocantins - (UMA/UFT) já se consolidou como instituição de educação para velhos. Deixou de ser apenas um projeto e assumiu autonomia em sua existência e em seu papel na sociedade em âmbito regional, estadual, nacional e internacional.

Antes de percorrer os caminhos históricos da Universidade da Maturidade, é importante ressaltar que, em todo o mundo, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais está crescendo mais rapidamente que a de qualquer outra faixa etária. Entre 1970 e 2025, espera-se um crescimento de 223 %, ou em torno de 694 milhões, no número de pessoas mais velhas. Em 2025, existirá um total de aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas com mais de 60 anos. Até 2050 haverá dois bilhões, sendo 80% nos países em desenvolvimento (Opas – OMS, 2005, p. 12).

Para Santana (2021, p. 13), “o envelhecimento populacional é um fenômeno que vem acontecendo no mundo todo”. No Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2013), há aproximadamente 30 milhões de pessoas idosas. O impacto desse processo acontece em diversos setores da sociedade, tais como: saúde, economia, mobilidade, segurança e educação.

Aponta Costa (2019, p. 37) que o Brasil, em quarenta anos, terá um aumento na ordem de 15 vezes na população de pessoas idosas, saindo do 16º lugar em 1950 para, em 2025, o 6º lugar no ranking mundial da população de pessoas velhas no mundo.

Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2022, na primeira apuração do Censo daquele ano, o total de pessoas com 65 anos ou mais no país (22.169.101) chegou a 10,9% da população, com alta de 57,4% em comparação a 2010, quando esse contingente era de 14.081.477, ou 7,4% da população. Já o total de crianças com até 14 anos de idade recuou de 45.932.294 (24,1%) em 2010 para 40.129.261 (19,8%) em 2022, uma queda de 12,6%. Já a população idosa com 60 anos ou mais de idade chegou a 32.113.490 (15,6%), um aumento de 56,0% em relação a 2010, quando era de 20.590.597 (10,8%). Já, na segunda apuração do Censo de 2022, registrou-se uma população de 203.080.756 habitantes, com 18.244 pessoas a mais do que na primeira apuração (IBGE, 2022, p. 03).

No Estado do Tocantins, os índices de envelhecimento para os anos de 2000 e 2010 foram, respectivamente, de 12,05% e 16,34%. Em dez anos, houve um aumento de 35% na proporção de pessoas idosas, aumento este que foi superior ao total da Região Norte que, para o mesmo período, apresentou um aumento de 32%, porém, foi inferior ao índice brasileiro, que avançou 42% no mesmo período (Projeto Político Pedagógico da UMA, 2020, p. 5)

O levantamento divulgado pelo IBGE em 2022 mostra que Palmas tem um cenário um pouco diferente, pois o número de jovens abaixo de 30 anos cresceu 16,2%. Em 2012, eram cerca de 148 mil e, em 2021, chegaram a 172 mil. O número de idosos teve um salto de 8 mil para 26 mil indivíduos. Na comparação com 2012, o percentual da população com mais de 60 anos em Palmas saltou de 3,1% para 8,3%, em 2021.

Neste caso, fica evidente que o desafio não é envelhecer, pois faz parte do ciclo vital humano, mas garantir a qualidade de vida da pessoa idosa, isto é, compreender a circunstância na qual a sociedade coloca esse indivíduo, em analogia a tudo que se dá valor socialmente (Osório, 2002, p. 58).

Ademais, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em maio de 2022, estimou que o excesso de mortalidade, isto é, mortes acima do esperado associadas à Covid-19 entre 2020 e 2021, foi de aproximadamente 14,9 milhões. Desse total, estima-se que 68%, cerca de 10 milhões, foram de pessoas com 65 anos ou mais.

Já um estudo publicado pela Universidade de Oxford, em novembro de 2022, estimou que 11,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais morreram de Covid-19 entre janeiro de 2020 e dezembro de 2021. O estudo também estimou que a taxa de mortalidade por Covid-19 entre pessoas com 80 anos ou mais era 20 vezes maior do que a taxa de mortalidade entre pessoas com 20 anos ou menos. Com base nessas fontes, podemos estimar que entre 10 e 12 milhões de pessoas idosas morreram de Covid-19 no mundo entre 2020 e 2021.

Uma pesquisa inédita da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que o número de mortes por Covid-19, no Brasil, em 2020 foi 18,2% maior do que o registrado oficialmente. A análise indicou que foram 230.452 óbitos pela doença no ano de 2020 e não 194.949. Um dos achados da pesquisa mostra que três em cada quatro óbitos por Covid-19 aconteceram com pessoas com mais de 60 anos de idade (175.471 idosos). Nesse grupo, a faixa etária mais afetada foi a de 70 a 79 anos, que concentrou 33% dos óbitos de idosos por Covid-19 em 2020. O estudo aponta, ainda, que, do total de idosos mortos pela Covid-19 no ano de 2020, 29% tinham entre 60 e 69 anos; 27% entre 80 e 89 anos; e 11% tinham mais de 90 anos.

Conforme o Painel Coronavírus da Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins, até o dia 14 de março de 2024, foram registrados 5.432 óbitos por Covid-19 no estado. Desse total, 4.078 (75,1%) eram pessoas com 60 anos ou mais.

Esses dados demonstram o impacto significativo que a Covid-19 teve sobre a população idosa do Tocantins. Nessa perspectiva, entendemos que é crucial que medidas de proteção continuem sendo adotadas para proteger esse grupo vulnerável, como a vacinação completa, o uso de máscara em ambientes fechados e a higienização frequente das mãos.

De acordo com o Painel Coronavírus da Secretaria Municipal de Saúde de Palmas, até o dia 14 de março de 2024, foram registrados 1.287 óbitos por Covid-19 entre pessoas com 60 anos ou mais na cidade.

Contexto em que Costa (2019, p. 35) explica que “as Universidades assumem um papel fundamental no compromisso científico, educacional e extensionista de responsabilidade social com os velhos”. Haja vista que a universidade se faz necessária, uma vez que no século XXI, o envelhecimento populacional é fato inquestionável. O planeta vive uma considerável mudança demográfica, e sua população jovem está cada vez mais velha, visto que envelhecer já não é mais prerrogativa de poucos, mas de uma parcela cada vez maior da população, tanto em países desenvolvidos, quanto em países em desenvolvimento.

Conforme Oliveira (2016), as universidades para velhos surgem com o objetivo de proporcionar inclusão, convívio social, desenvolvimento de novas habilidades, além de desconstruir a imagem negativa da velhice.

Não podemos esquecer que, no Brasil, os primeiros trabalhos educacionais com as pessoas velhas foram iniciados sob influência francesa pelo Serviço Social do Comércio (SESC) que, na década de 1960, fundou os primeiros Grupos de Convivência e, na década de 1970, as primeiras Escolas Abertas para a Terceira Idade, as quais ofereciam informações sobre o envelhecimento, programas de preparação para a aposentadoria, atualização cultural, atividades físicas e momentos de lazer (Monteiro-Sousa, 2013).

Na Região Amazônica, o Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão que deu origem à Universidade da Terceira Idade (Uniterci) surgiu como projeto idealizado pelo professor de Engenharia da UFPA, Luís Otávio Brito Ferreira, no ano de 1991, sendo aprovado em 7 de maio de 1992 pelo Conselho Superior de Ensino e Pesquisa, amparado pela Resolução n° 022 - CEX, para ser coordenado pela Faculdade de Serviço Social. O programa foi desenvolvido pelo Instituto de Ciências Sociais Aplicadas e, na época, era coordenado pela socióloga, mestre em Serviço Social, Maria Leonice da Silva Alencar. Segundo Monteiro-Sousa (2013, p.102) “a UNITERCI vem oportunizando a atualização cultural de idosos e, o contato com o ambiente universitário e pessoas da mesma faixa etária e de outras gerações” (Monteiro-Sousa, 2013, p. 102).

Já, no Tocantins, a Universidade da Maturidade surgiu em 2006, a partir dos ideais da Profa. Dra. Neila Barbosa Osório que, ao assumir a docência na Universidade Federal do Tocantins, criou a Universidade da Maturidade, mais conhecida como UMA, que tem por objetivo atender uma parcela da população de adultos e velhos do Estado do Tocantins, tornando-se um Programa de Extensão voltado para pessoas com idade igual ou superior a 45 anos. Constitui-se como um espaço sociopedagógico no qual são ofertadas aos participantes oportunidades para ampliar conhecimentos, socializar vivências e experiências individuais e coletivas, e aprofundar o nível de reflexão crítica acerca do conhecimento gerontológico e sobre o cotidiano dessas pessoas.

Na verdade, a Dra. Neila Barbosa Osório

iniciou seu trabalho com idosos em 1996, em dois bairros carentes de paróquias salesianas. O primeiro foi um grupo de convivência chamado Raízes, no bairro Monte Castelo, e o segundo Nossa Senhora Auxiliadora, localizado no bairro Jardim Imperial, ambos na cidade de Campo Grande/MS. Nessa ocasião, aproveitou o ensejo e implantou também o projeto Universidade da Melhor Idade, o qual funcionava dentro da Universidade Católica Dom Bosco até hoje, com idosos que buscam diferentes maneiras de reintegração social (Osório, 2002, p. 04).

É oportuno ressaltar que a Universidade da Maturidade nasce marcada pela cor amarela, em homenagem aos ipês amarelos que florescem no cerrado tocantinense, especificamente na época mais seca do ano, relacionando essa característica ao envelhecimento humano. Na verdade, essa simbologia representa o ser humano como um todo, independentemente da idade que tenha, pois todos precisam sempre uns dos outros, sejam as pessoas, as plantas, os animais, as ilhas que formam arquipélagos, os elos que sozinhos são só círculos geométricos, mas com o convívio coletivo, esses laços vão formando fortes correntes nos âmbitos regional, estadual, nacional e internacional.

Visando atender o público em processo de envelhecimento, Osório (2006) instituiu a Universidade da Maturidade, um programa de extensão da Universidade Federal do Estado do Tocantins, como referência no Brasil e na Europa, por dar vez e voz aos mais velhos, com autonomia e respeito perante a sociedade. Isso porque os estudos referentes à problemática do envelhecimento têm atraído inúmeras áreas do conhecimento, como Gerontologia, Serviço Social, Direito, Pedagogia, Psicologia, Medicina, Educação Física e afins. A Universidade da Maturidade, pensada para atender os mais velhos, oferta uma tecnologia educacional que adentra o campo da educação gerontológica e tem buscado atuar nos parâmetros da educação ao longo da vida.

Um dos objetivos da Universidade da Maturidade é oportunizar à comunidade acadêmica o conhecimento acerca do processo de envelhecimento do ser humano, contribuindo para a promoção do desenvolvimento das pessoas e provocando transformações sociais que garantam a conquista de uma velhice ativa e digna. Outra finalidade da Universidade da Maturidade (UMA) é desenvolver ações que envolvam todas as gerações (intergeracionais). Dessa forma, o adulto e o velho podem repassar/ensinar as suas experiências às crianças e aos jovens que participam dessa dinâmica de construção de conhecimentos sobre o envelhecer, como previsto no Projeto Político Pedagógico da UMA (2020, p. 3).

Neste caso, Santana (2021, p. 36), afirma que “a Universidade da Maturidade da Universidade Federal do Tocantins, atualmente, é uma inovação na atitude de “ser velho”. Ela evidencia um diferente estilo de vida para as pessoas com idade a partir dos 45 anos. Apresenta uma variação nas formas de envelhecer ativamente e com cidadania no século XXI, destacando este momento histórico, no qual a ousadia da tecnologia patrocina a longevidade humana.

Para Costa (2019, p. 16), no Tocantins, a Universidade da Maturidade (UMA) surgiu como um projeto de extensão da Universidade Federal do Tocantins, trabalhando especificamente com pessoas acima de 45 anos de idade, constituindo-se como um celeiro de pesquisa para as mais diversas áreas: Direito, Medicina, Educação Física, Enfermagem, Serviço Social e Educação.

Segundo Santana, (2021, p. 35), “a Universidade da Maturidade (UMA) traz uma proposta pedagógica voltada a oportunizar melhor qualidade de vida à pessoa adulta e aos velhos, por meio da integração dos velhos com os estudantes de graduação e pós-graduação”, destacando o papel e a responsabilidade da universidade em relação às pessoas da terceira idade.

Na experiência da UMA/UFT, Silva Neto e Osório (2017) afirmam que, com essa divulgação, buscam apresentar caminhos para uma velhice saudável, incluindo uma investigação sobre políticas de Educação Superior ofertadas no âmbito da Amazônia Legal, junto à Universidade da Maturidade da Universidade Federal do Tocantins (UMA/UFT). Esta, por sua vez, é reconhecida nacionalmente e internacionalmente como tecnologia social que promove ações de educação ao longo da vida e alcança os processos educativos de saúde, considerando as particularidades do envelhecimento das pessoas atendidas por um programa de extensão universitária.

Em razão de sua expansão, houve a necessidade de efetivar a legalização da Universidade da Maturidade. Esse fato ocorreu seis anos após sua criação, quando, com muita honra, recebeu o Certificado de Registro da Marca UMA, sob o Nº: 901826235, concedido em 02/05/2012, com validade de 10 anos, inscrita no CNPJ sob o nº: 05149726000104, tendo como sua titular a Universidade Federal do Tocantins.

Além disso, não podemos esquecer que o projeto UMA/UFT possui sede própria, com uma infraestrutura composta por auditório, salas de formação, secretarias, laboratório de novas tecnologias, copa, entre outros ambientes educacionais e administrativos, destinados exclusivamente para o desenvolvimento do projeto. Esse ambiente educacional, além da estrutura material de qualidade, também possui o componente afetivo, pois, para os velhos, a sede é considerada sua “segunda casa” (Silva Neto; Osório, 2017).

Para Costa, (2019, p. 51), a universidade da maturidade “é mais que a construção de paredes, prédios, aquisição de equipamentos e mobiliários, foi preciso vencer a resistência ao novo, a compreensão de que não era um espaço para velhos dançarem e serem infantilizados”. A UMA é, sobretudo, um espaço de formação e integração, que permite mudança de vida, melhoria de dentro para fora dos acadêmicos.

Entretanto, as turmas de acadêmicos são formadas, em sua grande maioria, por pessoas de baixa renda, que vivem com um salário mínimo. A minoria é aposentada e muitos, ainda, pagam aluguéis. Um número considerável vive em moradias individuais, outros vivem com familiares, e não são raras as vezes em que muitos deixam de participar das atividades da universidade por terem que cuidar de seus netos.

De acordo com o Projeto Político Pedagógico da UMA (2020, p. 18), a Universidade da Maturidade surge:

com a missão de desenvolver uma abordagem holística, com prioridade para a educação, a saúde, o esporte, o lazer, a arte e a cultura, concretizando, desta forma, um verdadeiro desenvolvimento integral dos acadêmicos, em busca da melhoria da qualidade de vida e o resgate da cidadania. Por esta razão a Universidade da Maturidade tem por objetivo propor a educação ao longo da vida para adultos e velhos, sendo lócus para prática pedagógica intergeracional e pesquisa gerontológica, com prioridade para as áreas da educação, saúde, esporte, lazer, arte e a cultura, e, para engajamento ativo em defesa de Políticas Públicas para o velho.

Ao descrever a missão no PPP, o documento demonstra o quanto a UMA se assemelha aos objetivos da Tecnologia Social, pois contempla tanto as necessidades formativas do estudante velho quanto a capacidade de desenvolvimento técnico, seja por meio de projetos ou pela atuação dos graduandos, mestrandos ou doutorandos que se unem à equipe gestora da UMA para desenvolver pesquisas e ações junto à clientela da Universidade da Maturidade. Esses projetos e pesquisas beneficiam os velhos de hoje e os futuros velhos, uma vez que os estudos e as ações preparam o campo de atuação e possibilitam a comprovação de dados científicos que visam melhorar o atendimento aos velhos nas mais diversas áreas do conhecimento (Santana, 2021).

Para Costa, (2019, p. 105), “a missão em destaque busca fortalecer o papel social e educacional da Universidade da Maturidade, possui uma abordagem holística de atendimento educacional, não possui distinção de gênero, e agrega valor à vida dos acadêmicos, bem como, produz conhecimento social, político e educacional”.

Nesse caso, no documento que norteia o fazer pedagógico da Universidade da Maturidade, encontram-se as concepções do processo educacional que, novamente, reforçam e destacam a UMA como instituição que desenvolve tecnologia social e educacional para velhos.

Para o Projeto Político Pedagógico da UMA (2020, p. 36), a metodologia utilizada pelos docentes nas aulas da Universidade da Maturidade constitui o meio, o caminho a ser percorrido e orientado pelo professor para o desenvolvimento de seus acadêmicos dentro de determinada perspectiva. É a forma de seleção e organização das atividades que constituem o processo de ensino e de aprendizagem. É um modo de fazer educação.

Enfim, além das aulas, Capuzzo (2012, p. 55) explica que são programadas ações para os acadêmicos da UMA como referencial curricular, tais como: palestras, a participação em atividades políticas, sociais, eventos de extensão, viagens para outros campi para divulgação do projeto, visitas de estudo e atividades de confraternização, as quais, por sua vez, são orientadas e acompanhadas pelos docentes.

O Projeto Político Pedagógico da UMA (2020, p. 40) esclarece que a Universidade da Maturidade- UMA/UFT se diferencia pelo sistema curricular dinâmico, buscando respeitar a cultura local e possibilitando ao acadêmico conhecer a interdisciplinaridade da gerontologia. Vale destacar, ainda, que o processo de estudo e as pesquisas científicas que envolvem o envelhecimento humano são ações associadas à prática pedagógica de atendimento aos acadêmicos, sejam cursistas permanentes ou temporários. Como o curso ofertado é de aperfeiçoamento, não há obrigatoriedade de estágio, apenas do cumprimento da carga horária total de 350 horas-aula, com duração de 24 meses, O curso é estruturado em quatro módulos, compostos por docentes qualificados de diversos níveis e áreas do conhecimento.

Desde o início, o corpo docente da UMA é formado pelos coordenadores da instituição, Dra. Neila Osório e Dr. Luiz Sinésio Neto, e conta com acadêmicos cujos projetos de pesquisa coadunam com o Programa da Universidade da Maturidade. Alguns desses acadêmicos passaram a compor o quadro docente do projeto, como professores da UMA, em especial, no Campus de Palmas.

Partindo desse viés, Osório (2006, p. 09) explica que o espaço da Universidade da Maturidade se tornou um ambiente intergeracional, pois acadêmicos dos diversos cursos de graduação, a Liga Acadêmica de Geriatria e Gerontologia e, ainda, a pós-graduação realizam projetos de extensão e pesquisa. Para muitos que frequentam o polo da Universidade da Maturidade, esse espaço é “UMA casa de Avós”.

Em relação à formação desses docentes, Capuzzo (2012, p. 55) afirma que “o que existe, são as iniciativas do curso de Pedagogia do campus de Palmas por meio de oferta da disciplina optativa Gerontologia e da especialização lato sensu em Gerontologia”. Grande parte de seus educadores/as cursa ou cursou essa pós-graduação, bem como estudou nos programas de pós-graduação stricto sensu, com o mestrado em Educação e o doutorado em Educação na Amazônia.

A Universidade, dentre as instituições públicas e privadas, é a mais adequada e capaz de estruturar esta questão para responder as relevâncias emergentes do envelhecimento humano, especificamente, por meio da Universidade da Maturidade. Assim, este é o grande desafio para as universidades brasileiras, que precisam urgentemente fazer uma releitura dos seus currículos, visando a oportunizar conteúdo de enfoque humano, ou seja, do ciclo vital, do momento existencial, do autoconhecimento, do relacionamento interpessoal, do trabalho em equipe. Enfim, conteúdos voltados primeiramente ao ser humano que está se profissionalizando, depois ao profissional” (Osório, 2002, p. 139).

Nesse contexto, a Universidade da Maturidade fundamenta-se na Pedagogia Social, que é formativa, intencional e prioriza as aprendizagens de habilidades, valores e atitudes diretamente relacionadas com a vida cotidiana, com as relações sociais e com elementos que podem fortalecer a participação social e a qualidade de vida dos seus acadêmicos (Projeto Político Pedagógico da UMA, 2020, p. 30).

Para Monteiro-Sousa (2013, p. 103), a Universidade da Maturidade - UMA, “ao ser idealizada, foi instituída como Projeto de extensão e atualmente se configura no Programa de Extensão de maior visibilidade na Universidade Federal do Tocantins, com ações estendidas também ao ensino e à pesquisa”. Está vinculado ao Curso de Pedagogia de Palmas e tem sede na capital.

Portanto, nota-se que o debate sobre o tema é de grande extensão. Ao mesmo tempo em que ser velho é novo na educação, o envelhecimento populacional e as mudanças rápidas do mundo contemporâneo tornam o avanço deste campo de estudo cada vez mais necessário. Nossas experiências no trabalho educativo com os velhos há 18 anos na UMA/UFT atestam a eficiência de como a educação pode produzir novas imagens e novos saberes em relação aos velhos. Educação na Velhice? Sim. O futuro dos velhos é hoje. Eles não podem mais esperar (Silva Neto e Osório, 2017).

Nesse cenário, Costa (2019) explica que a inclusão do velho no contexto social e acadêmico é fundamental para que tenha a sensação de pertencimento no contexto em que vive, para que participe, busque informações, queira aprender e exerça a sua cidadania. Então, a educação da UMA/UFT foca no bem-estar de cada acadêmico, abarcando, no processo de ensino e aprendizagem, as atividades intelectuais, aspectos funcionais e emocionais, as interações sociais e, ainda, os aspectos da saúde, valorizando inclusive os princípios educacionais.

Com isso, resta claro que a UMA/UFT fomenta, no espaço educativo da universidade (e fora dele), reflexões constantes sobre um currículo que alcance a construção coletiva e que leve à interpretação dos sujeitos atendidos, para que compreendam o seu papel no processo educativo. Sabedores de que nem todas as escolas conseguem, ainda, aproximar-se das práticas de Educação intergeracional, acreditamos que divulgar resultados como este fortalece a teoria de que um currículo precisa fazer sentido e ser construído contextualmente, além de atender demandas e necessidades que não são homogêneas.

Assim, com o objetivo de fomentar a importância da coleta seletiva junto aos jovens, crianças e comunidade das escolas do município de Palmas-TO, no ano de 2014, o Instituto de Desenvolvimento Ambiental e Humano da Região Amazônica – IDAHRA, em parceria com a Univer­sidade da Maturidade - UMA, realizou, pelo segundo ano consecutivo, com o patrocínio do Banco da Amazônia, o projeto Ecoponto na Es­cola, cujo objetivo foi trabalhar com os estudantes, nas escolas municipais selecionadas, a importância da educação ambiental e da coleta seletiva. Ressaltamos também a importância desta parceria com os estudantes da Universidade da Maturidade de repassar a experiência, sabedoria e conhecimento da vivência dos idosos para com os estudantes, formando-se laços de reci­procidade, confiança e respeito.

Desse modo, constatamos nos espaços da UMA/UFT a promoção, em seus 20 anos de experiência prática, de um conjunto de ações, cursos, campanhas, atividades e outros conteúdos transversais que divulgam um conhecimento essencial de projetos identitários e trajetórias de vida. Tais projetos são analisados individualmente em outros trabalhos e apontam práticas de construção de currículos que fazem sentido para os mais velhos (Nunes Filho; Osório e Macêdo, 2016).

Portanto, a universidade da maturidade deve se colocar como mediadora entre o Estado e a Sociedade, visando à construção de uma coletividade moderna. Entende-se, aqui, como modernização, o uso das conquistas da humanidade, não só no campo da produção, como a adoção de novas tecnologias, mas, sobretudo, no domínio da organização social, assegurando o respeito pelo ser humano e a busca de sua melhor qualidade de vida, no caso em apreço, para as pessoas velhas (Osório, 2002, p. 108).

Nesse contexto, a Universidade da Maturidade é espaço em que velhos, crianças, jovens e adultos são protagonistas da sociedade, produzem e transmitem conhecimento. Tais trocas fazem-se importantes por possibilitarem a compreensão da cultura e as mudanças de convicções e valores de gerações. A UMA emerge como um espaço de intergeracionalidade na região do Tocantins e na Amazônia Legal, em que é ofertada uma educação que oportuniza às gerações novos conhecimentos, várias aprendizagens, em que há aprendizado mútuo, possibilita a criação de vínculos, desenvolve o respeito, favorece a entreajuda e o desenvolvimento pessoal, é um lugar que propicia a educação ao longo da vida, em que diferentes gerações juntas valorizam conhecimentos e experiências (Pereira, 2020, p. 30).

Segundo Osório e Silva Neto (2013, p. 21), os acadêmicos da UMA, “estão preparados para se sustentarem no conhecimento adquirido, e para uma inserção participativa na sociedade”. Saem da universidade com uma autoconfiança incrível, um senso crítico que os destaca e os coloca em pé de igualdade com os demais cidadãos na competitividade dos dias atuais. Estão prontos para discussões sobre todo tipo de assunto, onde quer que estejam.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto, constatamos que a educação intergeracional destinada aos velhos pela Universidade da Maturidade, por meio das oficinas desenvolvidas pelos seus docentes e pesquisadores, enriquece ainda mais a aprendizagem ao longo da vida, o bem-estar psicológico, as relações sociais e a cidadania. Além disso, a consequente melhora da saúde preserva a qualidade de vida, bem como o desenvolvimento do cérebro contribui para o desenvolvimento de novas relações de amizade, novos desejos, planos, as interações e participações acadêmicas, bem como a inclusão social.

Assim, resta claro que o diálogo e os saberes que permeiam o universo das gerações na UMA/UFT, tanto com relação ao tempo, quanto aos saberes acumulados e advindos historicamente podem aproximar gerações, ampliando o campo das relações sociais e propiciando a compreensão da realidade para além dos limites dos modelos de educação, oriundos da racionalidade científica e econômica. E, para isso, consideramos que a educação deve acontecer ao longo da vida, com diálogo de saberes adquiridos por meio dos acertos humanos em espaços culturais diferenciados, entre eles, os diversos polos da Universidade da Maturidade, no âmbito estadual, regional, nacional e internacional.

As implicações desta pesquisa transcendem os muros da Universidade da Maturidade, oferecendo um modelo replicável para outras instituições de ensino que almejam responder aos desafios de uma sociedade em acelerado processo de envelhecimento. A experiência da UMA evidencia que a educação ao longo da vida, quando pautada no respeito, na intergeracionalidade e na abordagem de temas existenciais, torna-se uma poderosa ferramenta de inclusão social e de promoção da saúde em seu sentido mais amplo. Ao formar educadores e cidadãos capazes de lidar com a finitude, contribui-se para a construção de uma sociedade mais resiliente e empática, que reconhece a dignidade humana em todas as fases do ciclo vital, desde o nascimento até o processo de morrer.

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1 Doutor em Educação (Educanorte-UFT), Mestre em Educação (UFT), professor da rede federal do Tocantins. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2889-7804

2 Doutora em Educação (Educanorte-UFT), Mestre em Educação (UFT), graduada em História (UEM), Graduada em Pedagogia (UNIASSELV), professora da rede estadual de ensino do Tocantins. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2352-0116

3 Mestra em educação (UFT), Graduada em Pedagogia (Unirg), Pós-graduada supervisão e orientação educacional pela FACIMAB, professora da rede estadual de ensino do Tocantins. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5492-7253

4 Mestrando em educação (UFT), Psicologia pela (Uninassau), graduado em letras- português- espanhol (UniEVANGÉLICA) - Universidade de Anápolis. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-5781-9809

5 Pós doutora em Educação (UFPA), Doutora Em Ciência Do Movimento Humano – Ufsm/Rsem, Professora Titular da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFT) e do Doutorado em Educação na Amazônia (PGEDA/Educanorte). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6346-0288