COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS E DIGITAIS DO EMPREENDEDOR CONTÁBIL: CAMINHOS PARA A INOVAÇÃO E RESILIÊNCIA ORGANIZACIONAL NAS MUDANÇAS TECNOLÓGICAS E REGULATÓRIAS (2019–2025)

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18766522


Valeria da Silva Martins Poletti1


RESUMO
O presente estudo teve como tema “Competências Socioemocionais e Digitais do Empreendedor Contábil: Caminhos para a Inovação e Resiliência Organizacional nas Mudanças Tecnológicas e Regulatórias (2019–2025)”. A investigação partiu do problema de compreender de que forma as competências socioemocionais e digitais do empreendedor contábil interagiam para promover inovação e resiliência organizacional diante das rápidas mudanças tecnológicas e regulatórias ocorridas no período analisado. Buscou-se esclarecer como essa combinação de habilidades influenciava a capacidade de adaptação, liderança e competitividade dos profissionais em um cenário de transformações disruptivas. O objetivo geral consistiu em analisar a interação entre tais competências e sua contribuição para o fortalecimento da atuação empreendedora na contabilidade. A metodologia adotada foi uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, baseada em estudos, artigos científicos e documentos publicados entre 2019 e 2025. Os resultados permitiram concluir que a integração entre competências digitais como domínio de ferramentas tecnológicas, gestão de dados e automação e competências socioemocionais como resiliência, inteligência emocional e comunicação potencializava a capacidade do empreendedor contábil de inovar, enfrentar desafios e sustentar a resiliência organizacional. Evidenciou-se também que essas competências, quando desenvolvidas de forma contínua, fortaleciam a tomada de decisão, ampliavam a competitividade e favoreciam a adaptação às mudanças regulatórias e aos avanços tecnológicos.
Palavras-chave: empreendedor contábil. competências digitais. competências socioemocionais. resiliência organizacional.

ABSTRACT
The present study focused on the theme “Socioemotional and Digital Competencies of the Accounting Entrepreneur: Paths to Innovation and Organizational Resilience in Technological and Regulatory Changes (2019–2025).” The investigation was based on the problem of understanding how the socioemotional and digital competencies of the accounting entrepreneur interacted to promote innovation and organizational resilience in the face of the rapid technological and regulatory changes that occurred during the analyzed period. The study sought to clarify how this combination of skills influenced professionals’ ability to adapt, lead, and remain competitive in a scenario marked by disruptive transformations. The general objective was to analyze the interaction between these competencies and their contribution to strengthening entrepreneurial performance in the accounting field. The methodology adopted consisted of a bibliographic research with a qualitative and descriptive approach, based on studies, scientific articles, and documents published between 2019 and 2025. The results showed that the integration between digital competencies such as mastery of technological tools, data management, and automation and socioemotional competencies such as resilience, emotional intelligence, and communication enhanced the accounting entrepreneur’s capacity to innovate, face challenges, and sustain organizational resilience. It was also evident that when these competencies were continuously developed, they strengthened decision-making, increased competitiveness, and supported adaptation to regulatory changes and technological advances.
Keywords: accounting entrepreneur; digital competencies; socioemotional competencies; organizational resilience.

1. INTRODUÇÃO

O presente estudo tem como tema “Competências Socioemocionais e Digitais do Empreendedor Contábil: Caminhos para a Inovação e Resiliência Organizacional nas Mudanças Tecnológicas e Regulatórias (2019–2025)”. Esse tema se mostra relevante diante do contexto contemporâneo, no qual o setor contábil tem sido profundamente transformado por mudanças tecnológicas aceleradas, digitalização de processos e alterações constantes nas normas regulatórias. Tais transformações demandam que o empreendedor contábil desenvolva habilidades que vão além da competência técnica tradicional, integrando competências socioemocionais, como resiliência, liderança, empatia e adaptabilidade, com competências digitais, incluindo o domínio de softwares contábeis, automação de processos e análise de dados, de modo a sustentar a inovação e a resiliência organizacional em um ambiente de incertezas.

A formulação do problema de pesquisa partiu da necessidade de compreender: de que forma as competências socioemocionais e digitais do empreendedor contábil interagem para promover inovação e resiliência organizacional diante das rápidas mudanças regulatórias e tecnológicas ocorridas entre 2019 e 2025? Esse questionamento busca esclarecer como a combinação dessas habilidades influencia a capacidade do empreendedor contábil de adaptar-se, inovar e manter a competitividade organizacional, em um cenário marcado por mudanças disruptivas e exigências contínuas de atualização profissional.

Em resposta a esse problema, o objetivo geral deste estudo foi compreender como as competências socioemocionais e digitais do empreendedor contábil interagem para promover inovação e resiliência organizacional diante das mudanças regulatórias e tecnológicas ocorridas entre 2019 e 2025.

Para operacionalizar essa análise, foram definidos objetivos específicos, que incluem: identificar as principais competências socioemocionais e digitais requeridas do empreendedor contábil no contexto contemporâneo; interpretar a influência dessas competências na capacidade de inovação e adaptação organizacional; e consolidar evidências bibliográficas acerca das práticas empreendedoras contábeis voltadas à sustentabilidade e resiliência frente às transformações tecnológicas e normativas.

A justificativa do estudo se apoia na constatação de que, nas últimas décadas, o setor contábil tem passado por mudanças estruturais profundas. A digitalização de processos e a implementação de tecnologias avançadas, como inteligência artificial, automação e análise de dados, associadas a alterações regulatórias frequentes, exigem dos empreendedores contábeis não apenas habilidades técnicas, mas também capacidades socioemocionais que permitam gerir incertezas, liderar equipes e manter a coesão organizacional. Ao investigar a interdependência entre competências emocionais e digitais, este estudo busca oferecer subsídios teóricos e práticos que contribuam para o fortalecimento do perfil empreendedor no campo contábil, promovendo estratégias organizacionais mais inovadoras, sustentáveis e resilientes. Além disso, destaca-se a escassez de pesquisas que abordem de forma integrada as competências socioemocionais e digitais sob a ótica da inovação e da resiliência organizacional, evidenciando a relevância acadêmica e prática do presente estudo.

No que diz respeito à metodologia, o estudo foi desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica, de natureza qualitativa e com caráter descritivo, tendo como base produções científicas publicadas que abordam competências socioemocionais e digitais do empreendedor contábil, inovação, resiliência organizacional e mudanças regulatórias e tecnológicas no período de 2019 a 2025. Essa abordagem possibilitou analisar, de forma sistemática, como diferentes autores e pesquisas discutem a relação entre habilidades emocionais e digitais, assim como suas implicações para a inovação, competitividade e sustentabilidade das organizações contábeis.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A fundamentação teórica deste capítulo tem como propósito contextualizar e aprofundar os principais conceitos relacionados às competências socioemocionais e digitais no âmbito do empreendedorismo contábil, destacando a relevância dessas habilidades diante das transformações tecnológicas, organizacionais e regulatórias que têm marcado o setor nos últimos anos. Considerando que a atuação do profissional contábil deixou de se limitar à execução de tarefas operacionais para demandar maior capacidade analítica, tecnológica e relacional, torna-se essencial compreender como essas competências se articulam e influenciam sua performance e sua capacidade de adaptação aos novos cenários.

Inicialmente, o capítulo apresenta os fundamentos teóricos sobre competências socioemocionais e digitais no contexto empreendedor contábil, discutindo como essas habilidades sustentam práticas inovadoras, colaborativas e estratégicas no exercício profissional. Em seguida, aborda-se o perfil do empreendedor contábil na era digital, considerando as novas demandas do mercado, os desafios impostos pela digitalização e o surgimento de modelos de negócio baseados em tecnologia e automação.

Posteriormente, são analisadas as competências socioemocionais com ênfase na inteligência emocional, destacando seu papel no desenvolvimento da liderança contábil, na gestão de equipes e na tomada de decisão em ambientes complexos. Complementarmente, discute-se a importância das competências digitais como fatores determinantes para a competitividade e a inovação, com foco em ferramentas, sistemas e tecnologias emergentes que impactam diretamente o desempenho das organizações.

O capítulo também explora a interação entre habilidades socioemocionais e digitais, evidenciando como a integração dessas competências favorece a construção da resiliência organizacional, uma característica essencial para enfrentar crises, mudanças de mercado e demandas regulatórias.

Na sequência, são apresentados os principais avanços e transformações ocorridas entre 2019 e 2025 no setor contábil, especialmente relacionados ao uso de inteligência artificial, automação, análise de dados e às mudanças regulamentares que moldam a prática profissional. Este bloco também contempla reflexões sobre ética, sustentabilidade e inovação como pilares de adaptação às novas exigências econômicas.

Por fim, discute-se os desafios e perspectivas futuras para o empreendedor contábil, abordando as barreiras enfrentadas no desenvolvimento de competências digitais e emocionais, as estratégias de formação contínua e aprendizagem ao longo da vida, bem como o papel das instituições de ensino e dos conselhos profissionais no fortalecimento da classe contábil.

Assim, a fundamentação teórica estabelece o alicerce conceitual necessário para compreender a complexidade e as exigências do cenário contemporâneo, situando o empreendedor contábil como agente estratégico e adaptável em um ambiente marcado por rápidas transformações tecnológicas e sociais.

O avanço das tecnologias digitais e as transformações econômicas globais têm exigido dos profissionais de contabilidade uma reconfiguração profunda de suas competências técnicas, socioemocionais e empreendedoras. A profissão contábil, historicamente voltada à precisão numérica e à conformidade legal, passou a demandar habilidades que permitam atuar de forma estratégica, adaptativa e inovadora diante da complexidade organizacional contemporânea. O contador, nesse cenário, deixa de ser apenas executor de rotinas financeiras para se tornar um agente ativo de transformação e tomada de decisão baseada em dados, capaz de gerar valor para as organizações em tempos de constante mudança.

A digitalização dos processos contábeis e o surgimento de novas tecnologias — como a automação, a inteligência artificial e o blockchain — ampliaram as possibilidades de atuação, mas também elevaram as exigências de qualificação profissional. Segundo Bandeira (2023), o contexto da transformação digital requer que o profissional contábil desenvolva competências analíticas, comunicativas e éticas, com ênfase na utilização crítica de ferramentas digitais. Essa visão amplia a noção tradicional de competência técnica ao incorporar dimensões cognitivas e socioemocionais, essenciais para lidar com a imprevisibilidade dos ambientes de negócios.

Além da competência técnica, as organizações valorizam, cada vez mais, habilidades humanas como a empatia, a colaboração e a inteligência emocional. Essas competências são decisivas para a sustentabilidade dos negócios e o fortalecimento da cultura organizacional. Kinzler et al. (2024) destacam que os profissionais contábeis bem-sucedidos em escritórios de contabilidade combinam eficiência técnica com atitudes proativas, empáticas e resilientes, sendo capazes de administrar conflitos e tomar decisões sob pressão sem comprometer a qualidade do trabalho. Isso reforça o papel das competências socioemocionais como pilar de sustentação da performance profissional.

A partir dessa perspectiva, a inovação não se limita à adoção de novas tecnologias, mas envolve também o desenvolvimento de comportamentos empreendedores que impulsionem a capacidade de adaptação e reinvenção. Lira (2021) observa que o mercado de trabalho tem valorizado contadores que dominam tanto os fundamentos técnicos quanto as competências interpessoais, como liderança, comunicação e flexibilidade. Essa combinação permite uma atuação mais estratégica e alinhada às demandas organizacionais e sociais da era digital.

As universidades e instituições de ensino superior têm papel central na formação de profissionais preparados para esses desafios. Marques e Costa (2024) defendem que o desenvolvimento das competências empreendedoras e digitais na graduação em Ciências Contábeis é um fator determinante para fomentar a inovação e a competitividade no mercado. As práticas pedagógicas precisam, portanto, aproximar-se da realidade profissional, estimulando o protagonismo do estudante e a aplicação prática dos conhecimentos em contextos de incerteza e mudança constante.

O ambiente acadêmico deve, assim, ser compreendido como um espaço de aprendizagem ativa e contínua, no qual os futuros contadores desenvolvem não apenas o saber técnico, mas também o autoconhecimento e a capacidade de trabalhar em equipe. Molter (2022), ao analisar as discussões sobre a reforma curricular dos cursos de Ciências Contábeis, enfatiza que a formação deve integrar competências tecnológicas, éticas e humanas, com foco na autonomia e na resolução criativa de problemas. Essa integração é fundamental para que o profissional contábil possa atuar de maneira crítica e inovadora em um mercado cada vez mais competitivo.

No contexto da formação profissional, Nascimento (2024) ressalta que a percepção dos discentes sobre o desenvolvimento de competências e habilidades é um indicador relevante da eficácia dos cursos. O autor aponta que, embora os estudantes reconheçam a importância das competências digitais e socioemocionais, ainda há carência de práticas pedagógicas voltadas à vivência dessas dimensões no cotidiano acadêmico. Tal lacuna evidencia a necessidade de metodologias mais dinâmicas, baseadas em projetos e experiências reais de mercado.

A atuação empreendedora na contabilidade está associada à capacidade de identificar oportunidades, inovar em processos e construir soluções criativas para desafios organizacionais. Santos e Assis (2023) demonstram, em estudo de caso realizado em um escritório de contabilidade de Vila Velha (ES), que o perfil do empreendedor contábil é marcado por autonomia, iniciativa, responsabilidade social e domínio tecnológico. Essas características possibilitam a geração de valor e a construção de diferenciais competitivos em um ambiente de negócios cada vez mais digital e regulado.

Além disso, as competências socioemocionais se revelam fundamentais para o enfrentamento de situações adversas e para a construção de relações de trabalho saudáveis. Santos et al. (2025) destacam que a resiliência e a inteligência emocional são elementos centrais para o desenvolvimento profissional, pois permitem ao indivíduo lidar com pressões, frustrações e mudanças organizacionais sem perder o equilíbrio e o foco. Essas competências são especialmente relevantes para o profissional contábil, cuja rotina envolve alta responsabilidade e constante atualização normativa.

A relação entre competências digitais e socioemocionais, portanto, não é de oposição, mas de complementaridade. O domínio tecnológico potencializa o desempenho técnico e estratégico, enquanto as habilidades emocionais fortalecem a comunicação, a liderança e o engajamento coletivo. Essa interdependência, conforme Xavier, Carraro e Rodrigues (2020), configura um novo paradigma na profissão contábil, no qual o sucesso depende da integração entre o raciocínio lógico e a sensibilidade humana. A capacidade de interpretar dados e, ao mesmo tempo, compreender pessoas torna-se uma vantagem competitiva decisiva.

A transformação digital também impõe uma revisão dos modelos de gestão e das relações profissionais nos escritórios contábeis. O uso de plataformas digitais, softwares integrados e inteligência artificial redefine as funções do contador e demanda novas formas de organização do trabalho. Zamboni et al. (2025) observam que o desenvolvimento de competências empreendedoras no ensino superior em Ciências Contábeis é uma resposta necessária a essas transformações, permitindo que o profissional atue como agente de inovação e liderança em contextos empresariais em transição.

A contabilidade, tradicionalmente percebida como uma profissão voltada à conformidade normativa e ao registro financeiro, encontra-se em um processo profundo de transformação devido à digitalização dos processos, à automação e à adoção de ferramentas de análise de dados em tempo real. Nesse contexto, o empreendedor contábil precisa desenvolver competências que vão além do conhecimento técnico, incorporando habilidades socioemocionais, digitais e estratégicas. A capacidade de adaptação, inovação e visão sistêmica tornou-se requisito central para a atuação profissional contemporânea.

A transformação digital impõe novas exigências, como a interpretação de grandes volumes de dados e a integração de sistemas digitais. Bandeira (2023) aponta que o profissional contábil deve ser capaz de analisar informações complexas e extrair insights que apoiem decisões estratégicas das organizações. Essa habilidade requer não apenas domínio técnico, mas também pensamento crítico e capacidade de comunicação, permitindo que os resultados sejam compreendidos e utilizados de forma eficaz por gestores e clientes.

Além das habilidades técnicas, as competências socioemocionais assumem papel crucial na performance do empreendedor contábil. Kinzler et al. (2024) destacam que a empatia, a resiliência e a inteligência emocional são diferenciais competitivos, especialmente em ambientes de alta pressão e constante mudança. A capacidade de gerenciar conflitos, compreender necessidades de diferentes stakeholders e trabalhar em equipe é determinante para o sucesso profissional.

Outro desafio significativo refere-se à integração do empreendedorismo na prática contábil. Lira (2021) observa que os profissionais que incorporam uma postura empreendedora são mais capazes de identificar oportunidades de negócio, inovar em processos internos e propor soluções diferenciadas para os clientes. Essa abordagem proativa exige criatividade, visão de mercado e capacidade de adaptação, reforçando a importância de competências além das técnicas tradicionais.

A formação acadêmica assume um papel estratégico na preparação do contador para esses desafios. Marques e Costa (2024) defendem que universidades públicas e privadas devem fomentar o desenvolvimento de habilidades empreendedoras e digitais por meio de metodologias ativas, projetos integradores e experiências práticas. A aproximação com o mercado real permite ao discente vivenciar situações complexas e desenvolver competências críticas para a atuação profissional.

Molter (2022) enfatiza que a reforma curricular nos cursos de Ciências Contábeis deve contemplar a integração entre tecnologia, gestão e comportamento humano. O futuro contador precisa dominar ferramentas digitais e, simultaneamente, desenvolver capacidades socioemocionais, permitindo-lhe liderar equipes, comunicar-se de forma eficaz e tomar decisões éticas e estratégicas em ambientes organizacionais complexos.

Nascimento (2024) destaca que a percepção dos estudantes sobre suas próprias competências influencia diretamente sua preparação profissional. A consciência da necessidade de habilidades digitais, combinadas com competências socioemocionais, contribui para o engajamento em práticas de aprendizado contínuo e para a construção de um perfil profissional competitivo.

A automação de tarefas rotineiras, como lançamentos contábeis e apurações fiscais, libera tempo para que o contador exerça funções de consultoria estratégica e análise de desempenho organizacional. Santos e Assis (2023) reforçam que o empreendedor contábil deve ser capaz de oferecer soluções integradas, aliando conhecimento técnico a habilidades de relacionamento e planejamento, consolidando-se como um parceiro de confiança para os clientes.

A inteligência emocional, conforme Santos et al. (2025), é essencial para lidar com a pressão constante e as incertezas do mercado. A resiliência, a gestão de estresse e a adaptação a mudanças tecnológicas e regulatórias são habilidades que garantem a continuidade da carreira e a capacidade de inovar frente a desafios inesperados.

O domínio de competências digitais não se limita ao uso de softwares contábeis. Xavier, Carraro e Rodrigues (2020) apontam que compreender a aplicação de tecnologias emergentes, como big data, analytics e sistemas em nuvem, é indispensável para otimizar processos, reduzir riscos e aumentar a competitividade. A familiaridade com esses recursos permite ao empreendedor contábil atuar com mais eficiência e oferecer valor agregado aos clientes.

A ética e a responsabilidade social aparecem como fundamentos essenciais na era digital. Zamboni et al. (2025) ressaltam que o contador empreendedor deve atuar com integridade e transparência, garantindo a conformidade legal e o respeito aos princípios éticos, especialmente no tratamento de dados e informações sensíveis.

O desenvolvimento contínuo é outro desafio constante. Diante das rápidas mudanças tecnológicas, o aprendizado ao longo da vida torna-se uma prática indispensável. Participar de cursos de atualização, workshops e treinamentos especializados permite ao profissional manter-se atualizado e preparado para novas demandas do mercado.

O trabalho remoto e os modelos híbridos de atuação introduzidos nos últimos anos exigem novas competências organizacionais e de comunicação. Adaptabilidade, autogestão e colaboração virtual são habilidades imprescindíveis para manter a produtividade e o engajamento em equipes distribuídas.

A inovação organizacional depende da capacidade do empreendedor contábil de identificar lacunas, propor soluções e implementar melhorias de forma ágil. Essa postura criativa e estratégica contribui para a competitividade e sustentabilidade das empresas em um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A discussão sobre as competências necessárias ao profissional contábil contemporâneo revela um cenário de profundas transformações impulsionadas pela Indústria 4.0, pela digitalização de processos e pela crescente valorização das habilidades socioemocionais. A literatura recente demonstra que a profissão deixou de exigir apenas domínio técnico, passando a demandar pensamento analítico, fluência digital, capacidade de adaptação e competências empreendedoras. Os estudos que compõem este debate convergem ao indicar que a formação inicial, a capacitação contínua, a cultura organizacional e a atuação dos conselhos profissionais influenciam diretamente o desenvolvimento dessas competências. Assim, torna-se fundamental analisar como diferentes autores compreendem essas demandas, de modo a construir uma visão integrada sobre os desafios e possibilidades para o fortalecimento da classe contábil.

Xavier et al. (2020) apontam que a digitalização acelerada remodela profundamente a prática contábil, deslocando o foco do profissional para atividades de maior análise e menor repetição. Essa visão dialoga com outros autores quando destacam que a transformação digital não se restringe ao uso de softwares, mas à ressignificação do papel do contador dentro das organizações. A percepção dos profissionais investigados demonstra que muitos reconhecem a necessidade de novas competências, embora ainda apresentem dificuldades para incorporá-las plenamente. Esse ponto inicial abre caminho para compreender a urgência de alinhar formação e expectativas do mercado.

Complementando essa análise, Lira (2021) mostra que os anúncios de emprego já refletem essa mudança ao exigir competências que vão além do domínio contábil tradicional. A autora observa que as organizações buscam perfis que conciliem habilidades analíticas, domínio tecnológico e comportamentos profissionais associados à autonomia e resolução de problemas. Essa constatação dialoga diretamente com Xavier et al. (2020), reforçando que o mercado está à frente da formação, criando uma lacuna que impacta a empregabilidade dos egressos.

Molter (2022), ao entrevistar Maria Clara Bugarim, destaca a necessidade urgente de reforma curricular nos cursos de Ciências Contábeis. Essa perspectiva se conecta aos achados de Lira (2021) ao evidenciar que a estrutura curricular atual ainda não acompanha a velocidade das transformações do mercado. A autora ressalta que os currículos precisam ser mais dinâmicos, integrados e orientados à prática, valorizando competências digitais e socioemocionais desde os primeiros períodos da formação.

Bandeira (2023) reforça essa ideia ao demonstrar que as competências do contador na transformação digital precisam contemplar não apenas habilidades tecnológicas, mas a capacidade de atuar estrategicamente. Essa visão se articula com Molter (2022), pois ambos argumentam que a formação deve estimular um perfil analítico, criativo e orientado à inovação. Os resultados apresentados por Bandeira evidenciam que o desenvolvimento profissional depende de ambientes organizacionais que incentivem o uso de tecnologias e fomentem a inovação.

Quando analisam o perfil do empreendedor contábil, Santos e Assis (2023) identificam que muitas dificuldades enfrentadas por esses profissionais derivam da falta de preparo emocional e digital. A conexão com Bandeira (2023) é evidente, já que ambos reforçam que o sucesso na era digital exige muito mais do que domínio técnico: envolve visão estratégica, adaptabilidade e habilidades de relacionamento. O estudo demonstra que a atuação empreendedora na contabilidade requer competências construídas ao longo da formação e também no cotidiano profissional.

Kinzler et al. (2024) contribuem ao mostrar que competências socioemocionais são particularmente importantes em ambientes de escritório, onde a atuação envolve não apenas cálculos, mas relações humanas, negociação e liderança. Seus achados complementam Santos e Assis (2023), evidenciando que a dimensão humana da profissão não se perde com a digitalização; ao contrário, torna-se mais essencial. A combinação de capacidades práticas e emocionais amplia a eficiência e fortalece vínculos profissionais.

Marques e Costa (2024) reforçam essa perspectiva ao analisar a formação empreendedora em universidades públicas. Eles apontam que muitos estudantes ainda não vivenciam situações que desenvolvam autonomia, inovação e competências digitais. Isso ecoa os resultados de Kinzler et al. (2024), que mostram a importância de ambientes educacionais que permitam experimentar, errar e aprender de forma prática. Assim, o empreendedorismo contábil emerge como um campo que exige formação integrada e contextualizada.

Nascimento (2024) acrescenta que os próprios estudantes reconhecem que suas habilidades digitais são insuficientes diante das exigências do mercado. A percepção discente dialoga com Marques e Costa (2024), confirmando que a formação ainda não acompanha a complexidade da prática profissional. O autor destaca que a falta de experiências práticas reduz a segurança dos futuros contadores, dificultando a transição entre sala de aula e mercado.

Zamboni et al. (2025) aprofundam essa discussão ao mostrar que as competências empreendedoras também não são suficientemente desenvolvidas no ensino superior. O estudo demonstra que, embora as universidades reconheçam a necessidade de fomentar tais habilidades, ainda há resistência institucional e metodológica. Esse ponto se alinha às conclusões de Nascimento (2024), evidenciando que tanto competências digitais quanto empreendedoras enfrentam barreiras durante a formação.

A dimensão emocional também aparece como um fator crítico, conforme discutido por Santos et al. (2025), que ressaltam a importância da resiliência e da inteligência emocional para o desenvolvimento profissional. Essa análise se integra aos achados de Zamboni et al. (2025), mostrando que sem estabilidade emocional, o desenvolvimento de competências digitais torna-se ainda mais desafiador. A digitalização exige do profissional não apenas conhecimento técnico, mas maturidade emocional para lidar com mudanças rápidas.

Reis et al. (2023) reforçam essa visão ao destacar que as People Skills são indispensáveis para o contador da Indústria 4.0. Eles apontam que a habilidade de comunicar-se, liderar e resolver conflitos se torna um diferencial competitivo em ambientes automatizados. Essa perspectiva complementa Santos et al. (2025), revelando que competências humanas e digitais precisam caminhar juntas na formação e atuação profissional.

Bellato (2021), ao analisar as percepções sobre competências digitais, evidencia que muitos profissionais ainda se sentem inseguros diante das ferramentas tecnológicas. A conexão com Reis et al. (2023) é clara: a insegurança digital está relacionada à falta de habilidades emocionais, como autoconfiança e abertura ao novo. O estudo reforça que a formação digital deve ser acompanhada de desenvolvimento socioemocional para gerar resultados efetivos.

Franchi et al. (2023) analisam a percepção dos estudantes em relação às habilidades adquiridas no curso e identificam que muitos se sentem despreparados para as exigências contemporâneas. Essa percepção complementa os achados de Bellato (2021), reforçando que as lacunas na formação digital são percebidas já durante a graduação. O estudo mostra que estudantes desejam ambientes mais dinâmicos, colaborativos e tecnológicos.

Na perspectiva docente, Melo et al. (2022) demonstram que muitos professores também enfrentam dificuldades para incorporar tecnologias na prática pedagógica. Essa barreira se conecta à percepção estudantil analisada por Franchi et al. (2023), evidenciando que a formação digital precisa abarcar tanto alunos quanto docentes. Sem professores preparados, o desenvolvimento das competências digitais torna-se limitado.

A visão dos profissionais em exercício, apresentada por Schappo e Martins (2022), mostra que muitos reconhecem a importância da tecnologia, mas ainda enfrentam dificuldades para integrá-la em suas rotinas. Esse ponto complementa Melo et al. (2022), sugerindo que a formação contínua deve envolver práticas que aproximem o profissional das ferramentas tecnológicas reais, reduzindo o distanciamento entre teoria e prática.

Staats e Macedo (2021) reforçam que a aceitação da contabilidade digital depende tanto da preparação técnica quanto da mudança cultural dentro dos escritórios. Seus resultados dialogam com Schappo e Martins (2022), mostrando que a resistência à tecnologia não é apenas operacional, mas também emocional e cultural. Essa resistência explica parte das dificuldades enfrentadas por profissionais em transição para ambientes digitais.

A análise de Fernandes et al. (2025) mostra que o impacto da contabilidade digital no perfil do profissional é profundo, exigindo novas posturas frente à inovação. Esse estudo complementa Staats e Macedo (2021), evidenciando que a tecnologia redefine não apenas processos, mas o próprio posicionamento do contador dentro das organizações. O autor destaca que a formação contínua é o caminho para reduzir esse impacto e transformar desafios em oportunidades.

Diamante et al. (2024) apontam que há um descompasso entre as competências digitais exigidas pelo mercado e aquelas efetivamente trabalhadas na formação. Esse achado dialoga com Fernandes et al. (2025), sugerindo que a mudança não deve acontecer apenas no profissional, mas na estrutura educacional como um todo. As instituições precisam atualizar seus currículos, metodologias e materiais didáticos para acompanhar as demandas emergentes.

Rodrigues e Miranda (2025) reforçam a necessidade dessa transformação ao argumentar que a formação contábil precisa incorporar competências digitais de maneira transversal. Essa perspectiva complementa os resultados de Diamante et al. (2024), mostrando que incorporar tecnologia no currículo não pode ser um esforço isolado, mas uma mudança estrutural. A formação digital, portanto, deve perpassar todas as disciplinas e experiências formativas.

Andrade e Mehlecke (2020) demonstram que a aceitação da contabilidade digital depende de uma preparação que envolva tanto formação técnica quanto mudança de mentalidade. Essa visão dialoga diretamente com Rodrigues e Miranda (2025), ao reforçar a necessidade de integrar cultura digital e atitudes inovadoras na formação inicial. A resistência à inovação, destacada pelos autores, reflete lacunas que ainda persistem nos ambientes educacionais.

Reis et al. (2023) contribuem novamente ao reforçar que, além da formação técnica e digital, o desenvolvimento das People Skills é essencial para que os profissionais atuem de forma estratégica. Esse ponto complementa Andrade e Mehlecke (2020), mostrando que a inovação exige tanto conhecimento técnico quanto habilidades humanas. Assim, a formação deve integrar dimensões cognitivas, tecnológicas e socioemocionais.

Kinzler et al. (2024) reforçam que ambientes organizacionais que valorizam competências emocionais conseguem promover maior eficiência e engajamento profissional. Essa visão dialoga com Reis et al. (2023), apontando que o fortalecimento da classe contábil passa necessariamente pela valorização da dimensão humana da profissão. Ambos enfatizam que o desenvolvimento emocional promove autonomia, resiliência e melhor tomada de decisão.

Retomando a percepção estudantil, Franchi et al. (2023) evidenciam que estudantes buscam formações mais conectadas com a prática, o que se alinha aos resultados de Kinzler et al. (2024). Ambos autores sugerem que a formação contábil deve ser menos teórica e mais experiencial, incorporando atividades práticas, laboratórios digitais e vivências reais. Assim, cria-se um ambiente que fortalece tanto competências técnicas quanto socioemocionais.

A formação empreendedora apresentada por Marques e Costa (2024) reforça que a construção de competências depende de metodologias ativas e experiências práticas. Esse argumento complementa Franchi et al. (2023), mostrando que a aprendizagem só se consolida quando o aluno ocupa papel ativo no processo formativo. Assim, a integração entre empreendedorismo, tecnologia e prática profissional se torna essencial para o desenvolvimento integral do contador.

Diamante et al. (2024) retomam a discussão ao mostrar que as instituições precisam enfrentar o desafio de transformar seus modelos pedagógicos para atender às demandas contemporâneas. Essa visão complementa Marques e Costa (2024), demonstrando que a reforma educacional é uma necessidade urgente. O fortalecimento da classe contábil, portanto, passa por transformar currículos, metodologias e culturas institucionais, promovendo formação integrada e contínua.

A análise conjunta dos autores revela que o fortalecimento da classe contábil depende de uma transformação profunda que envolve instituições de ensino, conselhos profissionais, docentes, estudantes e profissionais em exercício. A convergência entre as diferentes pesquisas mostra que a profissão vive um momento de ruptura: tecnologias emergentes, novas demandas do mercado e a valorização das competências socioemocionais exigem um redesenho da formação e da atuação profissional.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como propósito compreender de que forma as competências socioemocionais e digitais do empreendedor contábil interagiam para promover inovação e resiliência organizacional no contexto das mudanças tecnológicas e regulatórias ocorridas entre 2019 e 2025. A partir da análise bibliográfica realizada, constatou-se que o período investigado foi marcado por transformações profundas na profissão contábil, provocadas tanto pela aceleração da Indústria 4.0 quanto pela necessidade de adaptação às exigências normativas que se tornaram cada vez mais rigorosas, dinâmicas e interligadas às tecnologias digitais. Nesse cenário, a atuação do empreendedor contábil exigiu um novo conjunto de habilidades, que extrapolava a técnica tradicional e envolvia, de maneira integrada, aspectos comportamentais, emocionais e tecnológicos.

Os resultados apontaram que as competências digitais, especialmente aquelas relacionadas ao uso de sistemas integrados, análise de dados, automação de processos e adoção de tecnologias emergentes, exerceram papel central na transformação da prática contábil. O domínio dessas ferramentas não se limitava a melhorar a produtividade, mas redefinia a própria natureza do trabalho, ampliando as possibilidades de atuação estratégica do profissional. Observou-se que, durante o período analisado, os escritórios contábeis que incorporaram recursos como inteligência artificial, plataformas colaborativas e soluções em nuvem demonstraram maior capacidade de inovação e competitividade, características essenciais para sobreviver em um ambiente instável e altamente regulado.

No entanto, o estudo permitiu identificar que a adoção tecnológica somente se tornava efetiva quando acompanhada pelo desenvolvimento de competências socioemocionais, consideradas essenciais para lidar com as pressões inerentes às mudanças constantes. A literatura analisada evidenciou que a resiliência emocional, a capacidade de liderança colaborativa, a comunicação eficiente e a inteligência emocional funcionaram como elementos moderadores, capazes de reduzir os impactos negativos das transformações e fortalecer a capacidade adaptativa dos profissionais. Tais habilidades tornavam-se ainda mais relevantes diante do aumento das exigências regulatórias, que demandavam postura ética, discernimento nas tomadas de decisão e habilidade para conduzir equipes em cenários de incerteza.

Outro ponto importante identificado foi a crescente demanda por visão empreendedora, uma vez que o contador passou a atuar não apenas como prestador de serviços, mas como agente estratégico, consultor de negócios e gestor de soluções tecnológicas.

A pesquisa mostrou que o empreendedorismo contábil se transformou profundamente nos últimos anos, impulsionado tanto pelas mudanças regulatórias quanto pelas expectativas do mercado, que passaram a exigir serviços mais analíticos, personalizados e orientados por dados. Assim, verificou-se que os empreendedores que desenvolveram simultaneamente competências socioemocionais e tecnológicas conseguiram se posicionar de forma mais sólida, ampliando sua atuação e fortalecendo a resiliência organizacional.

Observou-se também que a formação acadêmica tradicional não acompanhou, em muitos contextos, a velocidade das mudanças do mercado. Diversos estudos indicaram que estudantes e profissionais recém-formados relatavam lacunas significativas na formação, especialmente no que dizia respeito às competências digitais e à preparação emocional para atuar em ambientes dinâmicos. Esse descompasso contribuiu para gerar dificuldades na inserção profissional e reforçou a necessidade de mudanças nos currículos, práticas pedagógicas e políticas institucionais voltadas à formação contínua. Por outro lado, identificou-se que iniciativas de aprendizagem ao longo da vida, treinamentos corporativos e participação em programas de capacitação oferecidos pelos conselhos profissionais ajudaram a reduzir essas lacunas e fortaleceram o processo de atualização permanente.

Além disso, o estudo revelou que a interação entre competências socioemocionais e digitais promovia um impacto direto na construção da resiliência organizacional. Organizações cujos líderes contábeis demonstravam habilidades para gerenciar conflitos, inspirar equipes e tomar decisões de forma assertiva, ao mesmo tempo em que dominavam tecnologias e sistemas avançados, apresentaram maior estabilidade diante das mudanças. Evidenciou-se que a resiliência organizacional não dependia apenas de estruturas internas ou recursos materiais, mas também da capacidade humana de responder às adversidades com flexibilidade, criatividade e postura ética.

Ao analisar os achados, concluiu-se que a inovação no campo contábil não estava associada apenas ao uso de tecnologias, mas à capacidade de o empreendedor compreender, integrar e articular diferentes dimensões profissionais.

A pesquisa mostrou que a combinação entre competências socioemocionais e digitais se configurava como elemento decisivo para impulsionar transformações, gerar valor e manter a competitividade. Dessa forma, a inovação era compreendida como resultado de um processo multifatorial, que envolvia conhecimento técnico, habilidades emocionais, atitude empreendedora e domínio tecnológico.

O estudo indicou ainda que a crescente digitalização da contabilidade trouxe desafios éticos e regulatórios, exigindo maior vigilância, responsabilidade e capacidade de interpretação normativa. A análise dos autores investigados mostrou que a regulamentação voltou-se nos últimos anos para a necessidade de maior controle da qualidade da informação contábil, da segurança de dados e da transparência das práticas corporativas. Nesse sentido, o desenvolvimento de competências digitais associadas a uma postura ética sólida revelou-se indispensável para o exercício responsável da profissão.

Além disso, a pesquisa permitiu observar que a transformação digital não eliminou a centralidade do fator humano, mas ampliou sua importância. A tecnologia automatizou processos, mas não substituiu a capacidade humana de julgamento, tomada de decisão e relacionamento interpessoal. Pelo contrário, as competências socioemocionais tornaram-se diferenciais competitivos, particularmente em um contexto em que a inteligência artificial assumiu funções repetitivas e operacionais. Assim, concluiu-se que o profissional do futuro seria aquele capaz de integrar conhecimento técnico, habilidades tecnológicas e maturidade emocional, respondendo às demandas de forma estratégica e sensível.

Outro elemento destacado foi a relevância da aprendizagem contínua como mecanismo essencial de atualização e sustentabilidade profissional. O período analisado foi marcado por constantes atualizações tributárias, mudanças normativas, novas versões de sistemas contábeis e surgimento de plataformas digitais voltadas à automação. Os estudos demonstraram que o empreendedor contábil que se manteve atualizado conseguiu não apenas acompanhar essas mudanças, mas transformá-las em oportunidades de diferenciação competitiva.

Os resultados também evidenciaram que a combinação entre competências digitais e socioemocionais contribuiu para a redução de falhas operacionais, aumento da eficiência e melhoria da qualidade dos serviços prestados. Essa integração permitiu ao empreendedor contábil compreender melhor seus clientes, propor soluções inovadoras e responder com agilidade às demandas do mercado. Assim, tornou-se evidente que a competitividade organizacional dependia cada vez mais da capacidade dos profissionais de desenvolver tais competências de maneira contínua.

O estudo permitiu concluir que a interação entre competências digitais e socioemocionais se constituiu como elemento fundamental para promover inovação, fortalecer a liderança empreendedora e sustentar a resiliência organizacional no contexto da contabilidade contemporânea. As mudanças ocorridas entre 2019 e 2025 evidenciaram que a profissão contábil passou por um processo de reinvenção, exigindo novas formas de pensar, agir e aprender. Dessa forma, o empreendedor contábil que conseguiu integrar tecnologia, comportamento e ética demonstrou maior capacidade de se adaptar, inovar e manter a competitividade.

O estudo reforçou, ainda, que a transformação tecnológica não eliminou a necessidade de competências humanas, mas intensificou sua relevância. A capacidade de interpretar informações, administrar conflitos, liderar equipes e tomar decisões estratégicas mostrou-se inseparável do domínio tecnológico, revelando que o desenvolvimento profissional exigia uma formação integral e multidimensional. Assim, a combinação entre competências socioemocionais e digitais não apenas impulsionou a inovação, mas se revelou indispensável para garantir a sustentabilidade e a resiliência organizacional em um cenário marcado pela complexidade e pelo avanço da tecnologia.

A análise realizada demonstrou que o futuro da contabilidade depende do investimento contínuo no desenvolvimento de competências comportamentais e tecnológicas, bem como da articulação entre instituições de ensino, conselhos profissionais, empresas e empreendedores. A construção de ambientes organizacionais resilientes, éticos e inovadores se mostrou possível apenas quando profissionais contábeis assumiram postura ativa no próprio desenvolvimento, integrando conhecimento, emoção e tecnologia de maneira estratégica.

O presente estudo apresentou limitações inerentes à natureza bibliográfica, uma vez que os resultados dependeram exclusivamente das obras consultadas e não envolveram coleta de dados empíricos com profissionais ou organizações contábeis. Outra limitação referiu-se ao recorte temporal entre 2019 e 2025, que, embora justificável pela intensidade das mudanças tecnológicas e regulatórias, pode não contemplar transformações posteriores relevantes para a evolução da profissão. Ademais, a diversidade de perspectivas dos autores analisados pode ter restringido a profundidade comparativa entre diferentes realidades profissionais e regionais.

Tais limitações abriram espaço para a realização de pesquisas futuras que incluam estudos de campo, entrevistas com empreendedores contábeis, análises quantitativas sobre os impactos das competências digitais e socioemocionais no desempenho organizacional e investigações comparativas entre modelos formativos de diferentes instituições. Sugere-se ainda o desenvolvimento de pesquisas que explorem a influência da inteligência artificial, da análise avançada de dados e de ambientes virtuais imersivos na prática contábil, bem como estudos longitudinais que examinem o desenvolvimento dessas competências ao longo da trajetória profissional. Investigações futuras poderão ampliar a compreensão sobre as dinâmicas entre tecnologia, comportamento e resiliência organizacional, contribuindo para o fortalecimento teórico e prático da área contábil.

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1 Mestre no Curso de Master of Science In Business Administration da MUST University – Florida USA. E-mail: [email protected]